Victor (Minuto Saudável)
19/07/2018 08:00

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O que é a poliomielite?

A poliomielite (do grego polios,cinzento, e myelos, medula espinal), também conhecida por paralisia infantil ou pólio, é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, que possui como principal característica quadros de paralisia flácida súbita, no qual o paciente sofre fraqueza ou paralisia em determinada parte do corpo por redução do tônus muscular.

Apesar dessa denominação, a poliomielite não é uma doença que acomete apenas crianças. Dessa forma, os adultos que não foram imunizados também correm  o risco de infecção.

O que provoca essa infecção é a transmissão do poliovírus, um vírus RNA que vive no intestino, que possui três sorotipos: I, II e III.

Ao se instalar no hospedeiro, o vírus passa por um período de incubação, período que pode variar de 2 a 30 dias, levando de 7 a 12 dias na maioria dos casos. É uma doença viral que pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total.

Na maioria  dos casos, o paciente apresenta poucos sintomas (forma subclínica), podendo ser até mesmo um quadro assintomático da pólio.

A poliomielite pode causar a forma paralítica da doença em cerca de 1% dos pacientes infectados, sendo capaz de provocar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e levar o paciente à morte. Em grande parte dos casos, a manifestação da doença ocorre nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, em apenas um dos membros.

No final da década de 1980, estima-se que a doença foi responsável por casos de cerca de mil crianças paralíticas diariamente, situação grave que chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS). A partir disso, metas para a erradicação da doença até o ano 2000 foram estabelecidas.

No Brasil, a orientação feita pela OMS foi a de aplicar a vacinação em 95% das crianças na faixa etária de até 5 anos, o que deu certo por um bom tempo.

Apesar do último caso de poliomielite no Brasil ter acontecido na década de 1990, a vacinação vem sendo reforçada atualmente pelo fato de 312 cidades do país estarem com risco de retorno da doença.

Conforme divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF), nessas 312 cidades, o registro de crianças protegidas contra a pólio é inferior a 50%. Além desses números preocupantes, neste ano, seis casos da doença foram relatados, mas sem confirmação ainda do diagnóstico.

A vacina é a única forma de garantir a prevenção dessa doença e por isso é importante que as pessoas saibam dos riscos e do quanto é importante a imunização. No Brasil, ela é disponibilizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

No CID-10, a Classificação Internacional de Doenças, a poliomielite é encontrada pelo código A80.

Considerando o baixo índice de vacinação em tantas cidades do país e as notificações da Organização Mundial da Saúde (OMS) relatando novos surtos da pólio na Venezuela, entende-se a necessidade de reforçar os riscos que essa doença provoca.

Segundo a OMS, 1 a cada 200 pacientes infectados com poliomielite sofrem com a paralisia irreversível. Dentro desse grupo, 5% a 10% morrem por complicações nos músculos respiratórios.

De 350 mil casos causados pelo vírus selvagem em 1988, no mundo, foram registrados 22 em 2017. Devido a esse esforço global, estima-se que mais de 16 milhões de pessoas foram salvas. Continue a leitura e entenda mais sobre a poliomielite. Boa leitura!

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é a poliomielite?
  2. Causas
  3. Como acontece a transmissão?
  4. Quais os tipos?
  5. Grupos e fatores de risco
  6. Sintomas da poliomielite
  7. Síndrome pós-pólio
  8. Diagnóstico
  9. A poliomielite tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Prognóstico
  12. Complicações
  13. Convivendo
  14. Como prevenir?
  15. Mudanças previstas na vacinação oral
  16. Perguntas frequentes

Causas

Essa doença é causada pela infecção do poliovírus, podendo ser adquirida por meio do contato direto de pessoa para pessoa, contato com muco, catarro ou fezes infectadas. O vírus da poliomielite entra no organismo através da boca e do nariz, multiplicando-se na garganta e no trato intestinal.

Ao chegar na corrente sanguínea, o vírus pode atingir o cérebro, atacando o sistema nervoso e, com isso, ele destrói os neurônios motores e provoca paralisia nos membros inferiores.

O paciente pode, inclusive, ser levado à morte se as células nervosas que controlam os músculos respiratórios e de deglutição forem infectadas.

O período de incubação do vírus varia de 5 a 35 dias, mas a média é de 1 a 2 semanas. O vírus também pode ser transmitido pela água e alimentos contaminados.

Como acontece a transmissão?

O vírus responsável pela pólio vive no intestino e a transmissão acontece por via fecal-oral ou por via respiratória, no contato com gotículas de saliva, no ato de falar, tossir ou espirrar.

A transmissão é um fator preocupante principalmente quando se trata de condições ruins de habitação e de higiene pessoal precária.

O número de crianças em um mesmo ambiente também contribui para que a transmissão do vírus da pólio seja maior, pois os hábitos básicos de cuidados com a higiene, como lavar as mãos ou evitar de colocar objetos na boca não são tão comuns.

A disseminação também pode acontecer por contaminação da água ou alimentos por fezes infectadas.

Uma vez instalado no hospedeiro, o vírus começa a se multiplicar. No começo, essa reprodução acontece nos locais por onde entrou no organismo, como boca, garganta e intestino. Depois, o vírus passa para a corrente sanguínea, podendo atingir o sistema nervoso central.

Manifestando ou não sintomas, a pessoa que está contaminada elimina o vírus nas fezes. Normalmente, a transmissão é mais frequente em pessoas que não apresentam sintomas.

Quais os tipos?

A poliomielite é uma doença que se manifesta de diferentes formas, sendo elas a poliomielite paralítica, não paralítica, abortiva, assintomática e meningite asséptica.

Poliomielite paralítica

A poliomielite paralítica é mais rara e também a forma mais grave da doença. Dependendo da região do corpo afetada, o nome dessa forma da doença muda, podendo ser:

  • Medula espinhal (poliomielite espinhal);
  • Tronco cerebral (poliomielite bulbar);
  • Ambos (poliomielite bulbospinal).

Os sinais da poliomielite paralítica são inicialmente febre e dor de cabeça, mas, muitas vezes se assemelham aos sintomas da poliomielite não paralítica.

Nesse tipo, o comprometimento do sistema nervoso central é variado, podendo acontecer paralisia isolada ou de forma abrupta e sem sintomas antecedentes.

Em aproximadamente uma semana os sintomas específicos de poliomielite paralítica aparecem. São eles:

  • Perda dos reflexos;
  • Dores musculares graves ou fraqueza;
  • Membros soltos e flácidos, muitas vezes pior em um lado do corpo.

Na paralisia bulbar, os sintomas comuns são incoordenação motora, paralisia respiratório e dificuldade em deglutir.

Poliomielite abortiva

A poliomielite de forma abortiva ocorre em cerca de 5% dos casos da doença, no qual os sintomas incluem estado gripal acompanhado de febre, mal-estar, dores de garganta, náuseas, vômitos, diarreia, dores musculares e, em alguns casos, gastroenterite.

Nessa forma, o paciente não sofre nenhum prejuízo relacionado ao funcionamento das células do sistema nervoso central.

Assim como acontece na poliomielite assintomática ou inaparente, o diagnóstico da poliomielite abortiva é feito por isolamento do vírus.

Poliomielite não paralítica

A poliomielite não paralítica apresenta os mesmos sintomas que na forma paralítica, mas de forma mais agravada. Nesses casos, o sistema nervoso central pode ser afetado.

Um dos sintomas que pode ocorrer é a rigidez dolorosa na nuca, semelhante ao quadro de meningite. A recuperação ocorre de forma espontânea, podendo acontecer a remissão dentro de até 10 dias.

Assintomática

É a forma de poliomielite em que o paciente não apresenta manifestação clínica. O diagnóstico acontece apenas por exames laboratoriais específicos, sendo uma forma bem frequente da doença, ocorrendo entre 90% a 95% das infecções.

Meningite asséptica

É uma manifestação mais rara, sendo equivalente a 1% das infecções. Nela, o paciente apresenta os mesmos sintomas ocorridos na poliomielite abortiva, mas posteriormente ocorrem sinais de irritação meníngea e rigidez na nuca.

Grupos e fatores de risco

A poliomielite é um risco para todas as pessoas que não se vacinaram, de modo geral, mas em algumas condições o risco de transmissão do vírus é maior. Da mesma forma, em alguns grupos o risco de complicações e contaminação também é mais preocupante.

Nas áreas com más condições de saneamento básico e com ausência de programas de imunização, por exemplo, os moradores tornam-se mais vulneráveis ao poliovírus. Isso porque ele é transmitido, comumente, por água e alimentos contaminados.

Dessa forma, pessoas que vivem em áreas onde não há rede de esgoto ou água tratada correm um risco maior de contato com as fezes contaminadas.

Outros fatores ou grupos de riscos comuns são:

  • Crianças de até 5 anos de idade;
  • Grávidas;
  • Idosos;
  • Pessoas com sistema imunológico enfraquecido como portadores do vírus HIV;
  • Pessoas que viajaram para uma área onde a poliomielite é comum;
  • Pessoas que moram ou cuidam de alguém que possa estar infectado com o poliovírus;
  • Pessoas que retiraram as amígdalas por amigdalectomia;
  • Pessoas que passam por estresse extremo ou a atividade física extenuante após ter sido exposto ao vírus, uma vez que o esgotamento pode deprimir o sistema imunológico e tornar o corpo mais vulnerável à infecção.

Nas crianças, a poliomielite é um risco alto pelo fato de apresentarem um sistema imunológico ainda incompleto, por isso apresentam uma deficiência natural e se tornam mais vulneráveis aos sintomas e possíveis complicações.

Sintomas da poliomielite

Nem todas as pessoas que são infectadas pelo vírus da pólio desenvolvem a doença. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico da pessoa é capaz de combater o vírus e preveni-la das complicações e sintomas. Em casos mais leves, os pacientes podem apresentar apenas diarreia e febre por alguns dias.

A pólio se torna uma preocupação quando o vírus passa do intestino para a corrente sanguínea. São nesses casos em que o paciente sofre, de fato, com a doença e os sintomas começam a se tornar mais intensos.

Os sintomas da pólio são bastante variados, podendo ser infecções assintomáticas (em 90% a 95% dos casos) ou uma paralisia grave (cerca de 1% a 1,6%).

O que leva a doença a causar paralisia somente em uma pequena porcentagem, no entanto, ainda é um fator desconhecido. Existem algumas hipóteses associadas, tais como sistema imunológico deficiente, gravidez, remoção das amígdalas, excesso de exercícios físicos, lesões e injeções intramusculares.

A razão pela qual a pólio é assintomática em alguns pacientes e grave em outros pode ser explicado por fatores como a concentração do vírus na corrente sanguínea, a presença de anticorpos e a estirpe do vírus.

O sinal mais comum da poliomielite é a paralisia, que afeta, geralmente, os membros inferiores e costuma ocorrer subitamente. Junto a esse sintoma, sinais como febre, assimetria, flacidez muscular e sensibilidade costumam ocorrer.

Já as paralisias menos comuns afetam os músculos respiratórios e da deglutição, nesses casos há risco de vida para o paciente.

A maior parte das pessoas infectadas pelo poliovírus desenvolve o tipo não paralítico. Os sinais da doença podem ser similares aos da gripe e de outras doenças virais leves ou moderadas, com duração de 1 a 10 dias. São eles:

  • Febre;
  • Garganta inflamada;
  • Dor de cabeça;
  • Vômitos e náuseas;
  • Fadiga;
  • Dor nas costas ou rigidez muscular;
  • Dor de garganta;
  • Dor ou rigidez nos braços e nas pernas;
  • Crescimento lento;
  • Fraqueza muscular ou sensibilidade;
  • Meningite.

Quando o paciente apresenta insuficiência respiratória, sinais como agitação, tosse, apatia, movimentos respiratórios rápidos e curtos, suor excessivo, cianose (pele com aspecto azulado) e choro excessivo (bebês).

Além disso, nessa condição, o paciente pode acabar favorecendo o surgimento de doenças como a pneumonia e a broncopneumonia.

Síndrome pós-pólio

A síndrome pós-pólio (SPP) é uma complicação neuromotora que pode acometer pessoas que foram infectadas pelo vírus da poliomielite. Normalmente, a SPP acontece em pacientes que estão por volta dos 40 anos, quando tiveram o quadro de poliomielite pelo menos 15 anos antes.

Nessa condição, o principal sintoma é a perda das funções musculares que permaneceram estabilizadas no intervalo entre a recuperação e o aparecimento de novos sintomas.

Essa síndrome não acontece por uma reativação do vírus, mas sim por um desgaste de neurônios motores muito próximos daqueles que foram destruídos pelo poliovírus quando a doença se manifestou.

Isso ocorre porque os neurônios que permaneceram ilesos ao vírus anteriormente tentam compensar a falta dos que foram danificados, assim, começam a enviar ramificações para inervar os feixes comprometidos.

O diagnóstico dessa condição é feito através da persistência dos sintomas por mais de um ano em pessoas que tiveram a poliomielite no passado.

Um exame que contribui para confirmação do diagnóstico é a eletroneuromiografia. Ele ajuda a avaliar alterações na inervação e auxilia para excluir a possibilidade de ser outras doenças degenerativas semelhantes.

Os sintomas comuns em pacientes com SPP:

  • Dor nas articulações;
  • Fraqueza muscular progressiva nos membros atingidos pela poliomielite;
  • Fadiga geral;
  • Cansaço excessivo;
  • Atrofia muscular;
  • Dificuldade para respirar ou deglutir;
  • Distúrbios respiratórios relacionados ao sono, como a apneia do sono;
  • Intolerância ao frio;
  • Problemas cognitivos, tais como dificuldades de concentração e de memória;
  • Depressão, ansiedade ou oscilações de humor.

Diagnóstico

O paciente com sintomas da poliomielite pode ser diagnosticado por médicos de diferentes especialidades, como o fisiatra, infectologia, fisioterapeuta, pediatra e neurologista. O diagnóstico laboratorial pode ser realizado através de exames específicos e exames complementares.

Quando se trata de exames específicos, o mais comum são os que buscam o diagnóstico por isolamento do vírus.

O isolamento do vírus é um diagnóstico feito através de amostras de fezes do paciente ou de pessoas que tiveram contato com o vírus de alguma forma. Para identificar o vírus isolado, testes como o de soroneutralização com o uso de soros imunes ou através da técnica de PCR podem ser feitos.

Na maioria dos casos, os anticorpos são detectados no sangue dos pacientes infectados, logo no início da infecção.

A partir disso, uma análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) do paciente é feita, coletado por punção lombar, revelando um número aumentado de glóbulos brancos (principalmente linfócitos), bem como um nível moderadamente elevado de proteínas. A detecção do vírus no LCR, apesar de rara, confirma o diagnóstico da pólio-paralítica.

Se o vírus for isolado de um paciente com paralisia flácida aguda, ele será testado depois por mapeamento de oligonucleotídeos (impressão genética) ou mais recentemente pela amplificação por reação em cadeia da polimerase (PCR).

Esses testes determinam se o vírus é de um tipo selvagem, encontrado na natureza, ou um tipo vacinal, ou seja, derivado de um tipo de poliovírus usado para produzir vacinas contra a pólio.

O isolamento do vírus normalmente é feito através de culturas celulares, para isso são utilizadas células de rim de macaco, como as células Vero.

Outras células utilizadas para cultura celular do poliovírus foram as células Hela, células de uma mulher chamada Henrietta Lacks que morreu em 1951 por causa do HPV.

Ela foi uma espécie de doadora involuntária de células cancerosas. Isso aconteceu quando o cientista George Otto Gey descobriu que era possível cultivá-las criando a primeira linhagem celular imortal, história reproduzida até mesmo nos cinemas com o filme “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”.

Além do isolamento feito com coleta das fezes, o diagnóstico pode ser feito através do sangue, orofaringe e líquor. No entanto, nesses lugares, o isolamento pode ser menor, devido a circulação do vírus.

Exames complementares

Outras formas de diagnosticar a poliomielite incluem exames inespecíficos como o LCR, a eletromiografia e a anatomopatologia:

Líquor (LCR)

Esse exame, nos casos de poliomielite, permite observar o aumento do número de células e aumento de proteínas. É mais utilizada quando o médico busca um diagnóstico diferencial para confirmar quadros de Síndrome de Guillain-Barré ou de meningites, doenças que também provocam paralisia flácida aguda.

O líquor, ou exame de líquido cefalorraqueano (LCR), é um exame em que o médico coleta o líquido cefalorraqueano da região lombar ou da região suboccipital, na nuca.

Não é necessário nenhum preparo especial para a realização desse exame, o paciente só não deve estar fazendo uso de nenhum medicamento anticoagulante ou de drogas que possam interferir na coagulação sanguínea.

É um exame que pode ser feito diante de qualquer doença que possa envolver o sistema nervoso central, mas na maioria das solicitações, o líquor é feito para diagnosticar casos de meningite.

Eletromiografia

A eletromiografia é um exame que estuda as respostas produzidas pelas fibras musculares e membranas quando são submetidas as atividades elétricas.

É considerado um exame simples e seguro, realizado por meio do uso de eletrodos, que podem ser de agulha ou superficiais. Esses eletrodos são responsáveis por identificar as ondas elétricas.

No caso da pólio, esse exame busca investigar melhor o padrão eletromiográfico da doença, comuns a um grupo específico de doenças que afetam o neurônio motor inferior.

Não é um exame comumente solicitado, mas pode ser feito para excluir a possibilidade de ser um caso de poliomielite.

Anatomopatologia

O exame anatomopatológico é basicamente a análise macro e microscópica de células e tecidos da biópsia realizada previamente por um médico anatomopatologista. Não é um exame capaz de um diagnóstico de certeza, somente quando existe um quadro clínico suspeito.

A poliomielite tem cura?

A poliomielite é uma doença que não tem cura, mas que em alguns casos, dependendo do tipo e do local em que o paciente foi afetado, é possível a recuperação completa.

Quando a doença não afeta o cérebro e a medula espinhal, por exemplo, as chances de recuperação são mais prováveis, podendo acontecer em até 90% dos casos.

A pólio é uma doença preocupante pelo fato de poder levar o paciente a paralisia temporária, permanente ou até mesmo a morte.

Apesar das chances de recuperação da doença, em alguns casos os pacientes acabam tendo que sobreviver com sequelas da doença, como no caso da poliomielite paralítica

O tratamento, contudo, não é específico, sendo apenas um tratamento de assistência, para reduzir as chances de complicação do paciente e possibilitar maior conforto durante esse momento.

Qual é o tratamento?

O tratamento da poliomielite é considerado um tratamento de suporte, pois não há terapia antiviral específica para o poliovírus.

Dessa forma, o foco será em diminuir a sensação de desconforto, acelerar a recuperação e garantir a qualidade de vida do paciente.

Apesar de não ser específico, deve ser iniciado o quanto antes para evitar complicações, caso contrário, o risco de vida que o paciente corre se torna maior.

Cuidados caseiros e acompanhados pelo médico podem ajudar na recuperação do paciente com pólio e eles deverão ser realizados frequentemente e a longo prazo.

Dependendo dos sintomas ou sequelas deixadas pela doença, os seguintes tratamentos podem ser realizados:

  • Terapia ocupacional;
  • Fisioterapia;
  • Aparelhos de suporte, calçados e, em alguns casos, cirurgia ortopédica;
  • Respiradores portáteis, para o auxílio na respiração;
  • Hidroterapia;
  • Eletroterapia;
  • Massagem;
  • Exercícios de movimento passivo;
  • Cirurgias, como alongamento de tendão e enxerto de nervos.

Na década de 1920, quando esse tratamento de suporte era menos avançado, pacientes de poliomielite com insuficiência respiratória grave eram tratados com o uso de uma máquina que ficou conhecida como pulmão de aço.

Essa máquina, que mais parece ter saído de um filme de ficção científica, foi criada pelo professor Philip Drinker e servia para forçar a entrada do ar exercendo pressão para expandir a caixa torácica do paciente.

A invenção de Drinker foi responsável por salvar muitas vidas, pois muitos pacientes conseguiam se recuperar depois de passar algum período no pulmão de aço. Para outros, infelizmente, o tratamento não teve como ser apenas temporário, levando-os a passar o resto da vida na máquina.

Assim, apesar de salvá-los, não permitia uma qualidade de vida completa. Hoje, graças a vacinação e aparelhos de ventilação mecânica mais atuais, os pulmões de aço caíram em desuso.

Um pulmão de aço em exposição no “Museu Médico de Mobile”, na cidade de Mobile, Alabama, Estados Unidos.

Prognóstico

A poliomielite é uma doença de prognóstico preocupante. Embora nas formas não paralíticas a recuperação possa ser completa, no tipo poliomielite paralítica, por outro lado, as chances de sequelas mais graves são recorrentes. Dois terços dos pacientes apresentam fraqueza permanente residual.

Em casos de pacientes com paralisia bulbar, no entanto, a chance de recuperação pode ser maior do que a paralisia periférica, sendo que a mortalidade é de aproximadamente 4% a 6%, podendo ser de 10% a 20% em pacientes com doença bulbar.

Complicações

Dependendo do tipo de poliomielite, as complicações podem ser graves. A mais comum é a própria paralisia, em que o paciente acaba perdendo a capacidade de movimentar os membros, de forma parcial ou total, de forma irreversível em grande parte dos casos.

A paralisia pode provocar deformações nas articulações do quadril, pés e tornozelos, considerando o fato de que os membros inferiores são os mais afetados.

Em alguns pacientes, essas deformidades podem ser corrigidas através de procedimentos cirúrgicos, mas não são em todos os países em que a doença continua a circular que se é possível ter como tratamento esse recurso disponível.

Além disso, a paralisia muscular interfere no funcionamento esquelético, interfere na rigidez articular e provoca deficiências motoras. Dessa forma, podemos colocar como uma complicação da pólio o fato do paciente ter que conviver com as sequelas causadas pela doença, além das condições clínicas que se tornam prejudicadas.

As complicações podem ser divididas em três tipos:

  • Danos causados pelo poliovírus, como é a própria paralisia residual, o desequilíbrio musculoesquelético, prejuízo no crescimento, deformidades no esqueleto que prejudicam os membros, insuficiência respiratória e intolerância ao frio causado por transtornos circulatórios;
  • Sintomas que surgem pela falência do organismo em tentar compensar o período de estabilidade provocado pela doença, como a Síndrome Pós-Poliomielite, em que sinais de fraqueza e fadiga acontecem;
  • Complicações resultantes de trauma secundário, tais como dores articulares, neuropatia compressiva e artrites degenerativas.

Abaixo colocamos algumas das complicações mais frequentes em pacientes que tiveram poliomielite:

Crescimento prejudicado

Pela atrofia dos músculos e pela deformidade provocada nos ossos, as crianças com quadros mais graves da poliomielite podem apresentar crescimento prejudicado.

Em casos em que a doença afeta apenas um dos membros inferiores ou superiores, pode ocorrer dos músculos do membro afetado encolherem, deixando o paciente com um membro pequeno quando comparado ao outro.

Dores

Pacientes acometidos pela poliomielite paralítica podem ter como complicação atrofia muscular acompanhados de dor crônica.

Dificuldade respiratória

O paciente sofre de congestão torácica e infecções pulmonares, o que pode provocar insuficiência respiratória. Além disso, acaba afetando também o coração, no sentido de que precisa bombear sangue para os pulmões. Nessas condições, é necessário que o paciente esteja sob acompanhamento médico, pelo risco de vida.

Complicações musculares

As complicações musculares, no paciente, acabam dificultando até mesmo atividades como a alimentação, por ter dificuldade em engolir.

Nesta condição, há o risco do paciente se engasgar com comida, bebida ou saliva, o que pode causar um problema torácico difícil de tratar e que exija que o paciente seja internado em um hospital durante um período.

Sistema digestivo

Dificulta a abertura normal dos intestinos do paciente, que pode sofrer de constipação a maior parte do tempo.

Sistema urinário

Quando a bexiga é afetada, o paciente pode sofrer de infecção urinária, o que pode levar a urina a se tornar muito concentrada, formando cálculos (pedras) no sistema urinário. Essas pedras se tornam um grande problema, pois podem bloquear o fluxo de urina a partir dos rins e danificá-los de forma extensa.

Nervos da face

Não muito comum, a pólio pode afetar os nervos que controlam os músculos da face, dos olhos e da língua, por exemplo. Esta paralisia faz com que seja difícil para o paciente usar esses músculos de forma adequada, podendo afetar a fala e também a visão.

Convivendo

Pacientes que tiveram poliomielite e permaneceram com sequelas podem levar uma vida comum e de forma independente. Certamente, em alguns casos, é necessário algumas adaptações no cotidiano, como o uso de muletas, bengalas ou até mesmo cadeira de rodas.

Essa adaptação, no entanto, pode ser um processo difícil de aceitação. Não é algo fácil compreender, de início, as limitações provocadas por uma doença, mas é possível superá-las e levar uma vida normal como qualquer pessoa.

Nesse momento, é importante que o paciente tenha apoio das pessoas queridas e, se for necessário, que faça acompanhamento psicológico.

No caso das crianças, é importante que os responsáveis os incentivem a realizar atividades sozinhos, promovendo sempre a sua independência.

Conhecer, ler ou ver relatos de pessoas que estão passando ou passaram pelo mesmo pode ser uma forma de entender melhor como lidar com as sequelas e superar as dificuldades.

Respeitando suas limitações físicas, o paciente de poliomielite pode se desenvolver, estudar, trabalhar, praticar esportes e outras atividades que desejar. Também podem pensar em ter filhos, se assim quiser, pois a doença não afeta o sistema reprodutor.

Para ajudar na locomoção, os médicos podem orientá-los ao uso de aparelhos, órteses, muletas, bengalas ou cadeira de rodas. Além disso, podem, através de exercícios físicos e de fisioterapia, preservar os movimentos dos membros atingidos ou para prevenir contraturas e deformidades.

Como prevenir?

A principal forma de prevenção da poliomielite é a vacinação. Porém, além dela, é necessário se prevenir adotando hábitos que possam contribuir para evitar a transmissão do vírus.

Vacinação

Para evitar a poliomielite e fazer com que esta seja uma doença erradicada, a vacinação deve ser aplicada a todas as crianças menores de cinco anos, de acordo com o esquema de vacinação e campanhas nacionais que acontecem anualmente. Além das crianças, também é recomendado que as lactantes recebam a imunização.

Pais e responsáveis devem ficar atentos as datas de vacinação e comparecer aos postos de saúde. A vacinação contra a poliomielite é aplicada de forma gratuita pelo SUS.

A primeira dose deve ser tomada aos 2 meses, a segunda dose aos 4 meses, a terceira dose aos 6 meses, e, após este período, um reforço aos 15 meses.

Os indivíduos com imunodeficiência, além do risco maior de poliomielite vacinal, podem eliminar o vírus pelas fezes por períodos prolongados (meses, anos), facilitando a ocorrência de mutação (“reversão”) e constitui um risco para pessoas não vacinadas.

Existem dois tipos de vacina contra a poliomielite: a Vacina Oral Poliomielite, ou Sabin, e a Vacina Inativada Poliomielite, chamada também por Salk.

Vacina Oral Poliomielite (VOP)

Essa vacina da poliomielite é mais conhecida como a dose de gotinha. Está sempre associada a campanha do Zé Gotinha, personagem criado pelo Ministério da Saúde para atrair a atenção do público infantil para a importância da imunização.

A VOP é, dessa forma, uma vacina oral atenuada bivalente, o que significa que é composta pelos vírus 1 e 3 da pólio. A vacina contém a presença dos dois tipos de poliovírus vivos, mas eles são mais enfraquecidos.

Além disso, a VOP contém em sua composição estreptomicina, eritromicina, cloreto de magnésio, polissorbato 80. L-arginina e água destilada.

É uma vacina utilizada como reforço aos 15 meses e aos quatro anos e anualmente durante a campanha nacional, para crianças na faixa etária de um a quatro anos.

Vacina Inativada Poliomielite (VIP)

Esse tipo de vacina, por ser inativada, não apresenta nenhum risco em provocar a doença, diferente da vacina oral. É uma vacina trivalente, pois previne a poliomielite diante dos três tipos de vírus (1,2 e 3).

As crianças devem receber a VIP, de acordo com o calendário de vacinação, quando completarem 2 meses e ser reforçada aos 4 e aos 6 meses.

A composição da vacina é de  polissorbato 80, 2-fenoxietanol, formaldeído, meio Hanks 199, ácido clorídrico ou hidróxido de sódio. Pode conter neomicina, estreptomicina e polimixina B, utilizados no processo de fabricação.

A vacina oral contra a poliomielite não deve ser utilizada em pessoas com imunodeficiência (inclusive portadores de HIV) e nem em contactantes destes indivíduos.

Medidas preventivas

Além da vacinação, algumas medidas preventivas são bem-vindas, não só para prevenir a pólio, mas outras doenças infecciosas.

A transmissão da pólio ocorre através de contato direto com as fezes ou gotículas expelidas pela boca da pessoa infectada.

O poliovírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos), em seguida se dissemina pela corrente sanguínea, infectando o sistema nervoso.

A multiplicação do vírus pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida. Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença.

A transmissão do poliovírus ocorre com maior frequência a partir do indivíduo assintomático e sua eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início das manifestações iniciais, mas o poliovírus ainda pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas. A poliomielite não tem tratamento específico.

Os seguintes cuidados devem ser tomados:

  • Atualizar seus esquemas vacinais contra a doença, independentemente da idade (criança ou adulto);
  • Adotar medidas de prevenção contra as doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos (poliomielite, cólera, febre tifoide, hepatite A, hepatite E);
  • Lavar sempre as mãos, principalmente antes do preparo das refeições, antes de comer e depois de usar o banheiro;
  • Buscar desenvolver nas crianças pequenas hábitos saudáveis de higiene, como lavar frequentemente as mãos, só beber água tratada e verificar se os utensílios de mesa e de cozinha estão limpos antes de usar;
  • Prestar atenção a falta de saneamento e medidas adequadas de higiene nos lugares;
  • Cuidar da qualidade de água para consumo ou para o preparo dos alimentos.

Mudanças previstas na vacinação oral

Apesar de ter colaborado na erradicação da doença em muitos países, a tendência é de que a gotinha seja, aos poucos, deixada um pouco mais de lado.

Isso porque ela é feita com vírus vivos atenuados e a injetável, por outro lado, utiliza o vírus inativado.

Quando a doença afeta uma região específica, a vacina oral tem como vantagem garantir uma proteção indireta para a população que não foi vacinada.

Ao receber a gotinha, a criança recebe o vírus vivo em uma versão enfraquecida. Mesmo assim, ele é capaz de se reproduzir no intestino da criança e é eliminado pelas fezes. Assim, esse vírus vacinal consegue circular entre a comunidade, por meio da água e do esgoto, possibilitando a imunização indireta das pessoas que não receberam.

Até aqui, a vacina oral possui muitos méritos. No entanto, o problema dela está na possibilidade do vírus sofrer alguma mudança e provocar a poliomielite. As chances de ocorrer são mínimas, de um caso a cada um milhão, mas em países em que a doença não acontece há anos, como no caso do Brasil, essa estimativa pode ser um problema.

Dessa forma, o mais indicado é que a vacina oral acabe sendo substituída pelo uso apenas da vacina injetável, que não possui risco de causar a doença.

De acordo com a OMS e com o planejamento da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite, a substituição total da vacina oral pode ocorrer até o ano de 2020.

No Brasil, a vacina injetável começou a fazer parte do Calendário Nacional de Vacinação apenas em 2012, substituindo a gotinha na primeira e segunda dose. Em 2016, a terceira dose, aplicada aos 6 meses, também passou a ser injetável.

Perguntas frequentes

Veja algumas das dúvidas mais comuns em relação a pólio:

A vacina possui contraindicações?

A vacinação é muito importante e deve ser incentivada, no entanto, em alguns pacientes certos cuidados devem ser tomados.

No caso de ser a vacina VOP, por exemplo, crianças que apresentam febre moderada ou alta (acima de 38 ºC) devem adiar a vacinação até que o quadro febril melhore. Casos de vômitos ou diarreia, no entanto, não são considerados situações em que a vacina é contraindicada, mas é recomendável que a dose seja adiada ou repetida após quatro semanas.

Em pessoas que apresentam deficiência do sistema imunológico causada por doenças ou medicamentos, gestantes e pessoas próximas, pacientes que sofreram com anafilaxia após o uso de componentes da fórmula da vacina e pessoas que desenvolveram a poliomielite vacinal na dose anterior não devem receber essa vacina oral.

No caso da vacina inativada, a contraindicação se aplica a quem apresentou reação alérgica grave à dose anterior em relação a qualquer um dos componentes.

Como devem ser os cuidados de quem está viajando para uma área de risco?

Pessoas que vieram de um país onde a poliomielite não está erradicada devem receber doses da vacina para garantir a imunização, isso deve ser feito independente da idade. A dose da vacina deve ser aplicada imediatamente ao chegarem no país.

O mesmo vale para as pessoas que estão indo para uma área de risco. Uma dose deve ser aplicada antes da viagem e duas devem ser aplicadas posteriormente.

No entanto, essas medidas são realizadas quando o paciente não tem como comprovar na carteirinha de vacinação se já foi imunizado de acordo com o calendário. Se durante a infância, nas datas corretas, a pessoa já estiver vacinada, essas medidas não são necessárias.

Contudo, levando em conta que o Brasil é um país continental, essa fiscalização nem sempre é possível.

Por isso que é tão fundamental campanhas frequentes de conscientização da vacina, ainda mais se tratando de doenças como a poliomielite, uma condição perigosa e que permaneceu  erradicada por anos no país.

Para continuar dessa forma, as pessoas não podem deixar de se vacinar e de levar os filhos para receber a imunização.

Qual o preço da vacina?

A vacina contra a poliomielite, nas duas formas (VIP e VOP), é disponibilizada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde.

Quanto tempo dura o período de transmissão?

O vírus da poliomielite pode ser encontrado nas secreções faríngeas (saliva e escarro) e nas fezes por aproximadamente 36 a 72 horas após o paciente ter sido infectado, independente de ser um quadro com manifestações clínicas ou na forma assintomática.

A persistência do vírus na garganta do paciente pode durar cerca de uma semana. Nas fezes, o tempo é maior, de 3 a 4 semanas.

Em casos de pessoas que foram reinfectadas, a eliminação acontece em um período mais reduzido. No entanto, dentro desses períodos, o contato com outras pessoas deve ser mais cauteloso e as medidas de higiene reforçadas.

Pessoas que receberam a vacina podem doar sangue?

Sim, só é necessário esperar um pouco. Após receber a vacina contra a poliomielite, os doadores de sangue devem aguardar por quatro semanas para estarem aptos para uma nova doação.

Perdi meu cartão de vacinação e não lembro se recebi a vacina. O que devo fazer?

O cartão ou carteirinha de vacinação é um documento muito importante e deve ser guardado, se possível, junto a um documento de identificação. No entanto, algumas pessoas podem acabar perdendo.

Nesse caso, o primeiro passo é recorrer até a unidade onde recebeu as vacinas e verificar a possibilidade de uma segunda via com o histórico de vacinação. De acordo com o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI), não são todos os municípios que possuem esse histórico, mas em alguns é possível receber a segunda via com o registro das doses recebidas.

Em lugares onde não há esse histórico, é preciso averiguar se existe outro tipo de controle. Caso não exista, a orientação é que o esquema vacinal seja refeito.

Muitas pessoas que perdem o cartão de vacinação precisam receber a vacina novamente, mesmo imunizadas. Para evitar que isso aconteça, é fundamental manter um cuidado a mais com esse documento, para garantir sua saúde e para não precisar receber novamente as vacinas.

Pessoas que estiveram doentes há pouco tempo podem tomar a vacina?

Se o paciente já recebeu o tratamento e a doença teve remissão, sim. No entanto, é importante que cada pessoa tenha uma avaliação individual. As contraindicações da vacina contra a poliomielite não colocam uma restrição quanto a isso.

No entanto, é importante garantir que o sistema imunológico da pessoa não está enfraquecido, o que significa dizer que é necessário esperar um pouco mais para receber a dose.

Existe algum cuidado especial antes de receber a vacina, como ficar em jejum?

Não. Para receber a vacina contra a pólio não é necessário permanecer em jejum. Os cuidados recomendados são em relação a casos de febre. Pacientes nessa condição precisam esperar até se recuperarem completamente.

Após receber a vacina, é importante ficar atento a sinais adversos. Caso aconteça algum sintoma grave ou que não passe rapidamente, o paciente deve voltar ao médico.

No caso de lactantes, o aconselhável é interromper a amamentação por uma hora antes e uma hora depois da vacina. Assim, as chances do bebê golfar ou vomitar são menores, dispensando a necessidade de repetir a dose.

Quais as chances de uma pessoa contaminada morrer?

É difícil saber, pois a taxa de mortalidade varia de acordo com vários fatores, tais como idade, condição clínica antes da doença, tratamento e complicações, por exemplo.

De modo geral, de 5% a 10% dos pacientes com poliomielite paralítica morrem por consequência de complicações dos músculos utilizados na respiração.

Em crianças, a taxa de mortalidade pode variar de 2% a 5% e ser superior a 15% a  30% nos adultos.

No caso da poliomielite bulbar, que frequentemente leva o paciente à morte devido ao prejuízo no sistema respiratório, a taxa de mortalidade pode ser de 25% a 75%, mesmo com suporte respiratório.

Em quais países a poliomielite não está erradicada ainda?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os países considerados ainda como risco potencial de disseminação são o Afeganistão, Paquistão,  Nigéria e Somália, onde a doença não está erradicada.

Pelos baixos níveis de imunidade e vigilância, a organização internacional Global Polio Eradication Initiative (GPEI) lista os seguintes países como áreas de risco:

  • Camarões;
  • República Centro-Africana;
  • Chade;
  • Etiópia;
  • Guiné Equatorial;
  • Iraque;
  • Níger;
  • Myanmar;
  • República Democrática Popular do Laos;
  • Libéria;
  • Madagáscar;
  • Serra Leoa;
  • Sudão do Sul;
  • Ucrânia.

No entanto, mesmo em países em que a doença está erradicada há anos é necessário prestar atenção. Segundo a OMS, muitos países estão vulneráveis a importação do vírus devido a lacunas na campanha de vacinação, como no caso do Brasil.


No Brasil, a poliomielite foi uma doença de alta incidência, pelo menos até a metade da década de 1980. No entanto, com medidas adotadas a partir de metas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde, o cenário mudou.

Em 1994, a Organização Pan-Americana da Saúde certificou a erradicação da transmissão do poliovírus selvagem nas Américas, após 3 anos sem registro da circulação do vírus pelo continente.

Agora, em 2018, completam 27 anos sem casos de poliomielite por vírus selvagem. No entanto, recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta para que o governo e a população tenham um cuidado redobrado em relação a doença, pois um surto da doença foi notificado na Venezuela.

Devido ao fato de um aumento de refugiados venezuelanos no país, a SBP pede que a atenção de autoridades seja muito maior. Outro motivo de alerta foi o levantamento feito pelo Ministério da Saúde, onde 312 cidades brasileiras apresentam índices bem abaixo do esperado em relação à imunização.

Dessa forma, uma doença que passou anos sendo considerada erradicada volta a ser uma preocupação. Sabendo disso, ajude a compartilhar informações sobre a poliomielite e não deixe de receber a imunização. Pais e responsáveis de crianças na faixa etária de vacinação, fiquem atentos ao calendário e ajudem a manter a doença erradicada e a população protegida. Obrigada pela leitura!

Referências

Barro, P., Ribeiro, P. and Gaspar, M. (2004). A Poliomielite. Departamento de Biologia – Universidade de Évora.
Síndrome pós-poliomielite. (2006). Revista de Saúde Pública, 40(5), pp.941-945.
http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/112846/9789290340669.pdf;jsessionid=8D96C06AC2BD1EE848784A9A83FDBF22?sequence=1
https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_joomlabook&view=topic&id=257

24/01/2019 14:55

Victor (Minuto Saudável)

Redator e revisor, estudou ciências biológicas na Universidade Federal do Paraná e é jornalista pela UniBrasil. Produz matérias sobre transtornos psicológicos, substâncias e medicamentos.

Ver comentários

  • Realmente é um artigo super esclarecedor eu gostei muito!!!

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  • Muito bom parabéns pra quem fez!!

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  • Eu tive poliomelite aos 3 anos fiquei com sequelas não muito graves mas não e fácil conviver com essa doença sofro muito com isso mas sou determinada apesar fas limitações físicas me considero uma vencedora temos que ter força fé e muita determinação assim vc consegue superar o preconceito e as dificuldades deixada pela doença sou muito feliz mãe de 2 filhos e tenho 3 netas isso mostra que não sou diferente de ninguém tenho uma deficiência física. E sou eficiente

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