O que é verruga genital?

Verrugas genitais são sinais que podem surgir em toda a extensão dos órgãos genitais de homens e mulheres. São causadas por alguns subtipos do Papilomavírus Humano, mais conhecido como HPV.

São consideradas uma Doença Sexualmente Transmissível (DST) relativamente comum. Estima-se que, só nos Estados Unidos, atinja cerca de 360 mil pessoas por ano. Podem ser transmitidas através de qualquer tipo de contato sexual desprotegido, incluindo o sexo oral.

Embora sejam facilmente tratáveis e, de maneira geral, não causem complicações mais sérias, as verrugas genitais merecem atenção especial justamente por serem sintomas da infecção por HPV. O vírus, por sua vez, é considerado uma das DSTs mais comuns do mundo, atingindo cerca de 80% da população mundial sexualmente ativa.

Entre as possíveis complicações do HPV está o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, incluindo o de pênis, uretra, vulva e de colo de útero.

Índice

  1. O que é verruga genital?
  2. Qual é a diferença entre verrugas comuns e genitais?
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico de verruga genital?
  8. Verruga genital tem cura? Qual o tratamento?
  9. Convivendo
  10. Complicações
  11. Como prevenir verruga genital?

Qual é a diferença entre verrugas comuns e genitais?

Clinicamente, as chamadas verrugas comuns são aquelas que saem em diversas partes do corpo, como rosto, mãos e pés, por exemplo.

O que pouca gente sabe é que tanto as verrugas comuns quanto as que aparecem em órgãos genitais possuem um denominador comum: o Papilomavírus Humano, mais conhecido como HPV. As semelhanças, no entanto, acabam por aí.

Existem mais de 150 tipos de HPV catalogados, cada um deles com propensão a se desenvolver em uma parte diferente do corpo. O subtipo de vírus que ataca determinado órgão não possui a capacidade de infectar outro.

Os tipos responsáveis por infectar ânus e órgãos genitais, na esmagadora maioria dos casos, são os HPV-6 e o HPV-11, que causam cerca de 90% das infecções, embora os subtipos HPV-16, HPV-18, HPV-31 e HPV-35 também causem verrugas genitais. Já os que atacam a pele são, normalmente, o HPV-2 e HPV-4.

Isso significa que pessoas que estejam com verrugas comuns não necessariamente correm riscos de desenvolver determinados tipos de câncer ou transmitir HPV através do contato sexual, embora esse tipo de ulceração também seja causada por uma variação do vírus, uma vez que os subtipos que causam câncer e os que causam verrugas na pele são diferentes.

Já as verrugas genitais são altamente contagiosas através de relações sexuais desprotegidas. O HPV que atua como agente causador nesses casos pode levar ao desenvolvimento de câncer no colo do útero, pênis ou reto. Logo, pode-se dizer que verrugas genitais são um sintoma da infecção por HPV.

Tipos de verrugas genitais

Condilomas acuminados

São as verrugas clássicas, que já estão no imaginário popular. São vascularizadas e, em geral, cor-de-rosa.

Condilomas planos

Como o nome sugere, são planas, com superfície lisa. Podem ter coloração branca ou cor-de-rosa.

Condilomas subclínicos

Os condilomas subclínicos são verrugas que não podem ser vistas a olho nú. Só podem ser diagnosticadas através de testes específicos envolvendo a aplicação de uma solução, que muda a coloração das ulcerações e as torna visíveis.

Condilomas de Buschke-Lowenstein

São verrugas muito grandes, que, em alguns casos, só podem ser removidas com intervenção cirúrgical.

Causas

A principal causa do desenvolvimento de verrugas genitais é a infecção por HPV, sendo que mais de 40 tipos do vírus podem se manifestar através da aparição de ulcerações nos órgãos genitais.

As verrugas genitais são consideradas manifestações clínicas da contaminação por HPV.

Toda verruga genital é HPV?

Sim, todas as verrugas genitais são causadas pelo HPV. O que pode mudar é o subtipo do vírus que está ocasionando o problema. É importante ressaltar que nem todo tipo de HPV causa verrugas genitais.

É comum que o paciente confunda outros sinais dermatológicos benignos com verrugas. Nesses casos, sim, a manifestação pode não ter nada a ver com HPV. Por isso, é importante consultar um ginecologista ou urologista assim que notar a aparição de algum elemento estranho na região da vagina, pênis ou ânus.

Outras doenças sexualmente transmissíveis, como herpes e sífilis, podem causar feridas que parecem com verrugas genitais, mas necessitam de outro tipo de tratamento.

Transmissão

Em praticamente todos os casos, os subtipos de HPV que causam verrugas genitais são transmitidos através de relações sexuais desprotegidas, ou seja, sem o uso de preservativos. A transmissão ocorre através do contato entre peles dos genitais. O risco é ainda maior se houver cortes, arranhões ou fissuras nos órgãos genitais.

É possível transmitir verrugas genitais mesmo que elas não estejam visíveis. Em contrapartida, também é possível pegar as ulcerações do seu parceiro mesmo que você não esteja vendo nenhum sinal estranho nos órgãos genitais dele.

Em casos raríssimos, mulheres grávidas podem passar verrugas genitais para o bebê durante o parto normal, no momento em que a criança passar pelo canal vaginal.

Não existem registros de contaminação por HPV através do uso de banheiros públicos, piscinas e saunas. Os riscos de transmissão pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas são mínimos quando os objetos estão usados e nulos uma vez que sejam lavados.

É importante lembrar que qualquer tipo de contato sexual sem proteção pode transmitir HPV e outras DSTs, incluindo sexo anal, oral e relações sexuais entre mulheres.

Fatores de risco

Ter relações sexuais sem usar preservativos

Não usar preservativos durante as relações sexuais é a principal forma expor o organismo a qualquer DST, entre elas o HPV e, consequentemente, as verrugas genitais.

A melhor forma de evitar o contágio por HPV é usar camisinha em todas as relações sexuais, até mesmo quando se está em um relacionamento monogâmico.

Lembre-se que contrair verrugas genitais quando se está em um relacionamento não é, necessariamente, sinônimo de ter sido traído ou traída. Há um tempo de incubação para verrugas genitais, que podem levar meses ou até mesmo anos para se manifestar. Assim, seu parceiro pode ter tido contato com as verrugas há muito tempo, mas só ter desenvolvido a doença recentemente.

É importante salientar que quem possui múltiplos parceiros ou parceiras precisa ter atenção redobrada na hora de se proteger, tanto para evitar ser contaminado pelo vírus quanto para não transmití-lo a outras pessoas.

Ter múltiplos parceiros sexuais

Quanto mais parceiros ou parceiras diferentes uma pessoa tem, maior a possibilidade de ser exposta a uma variação de HPV que cause verrugas genitais.

Estar grávida

Durante a gestação, a alteração nos níveis hormonais pode afetar o sistema imunológico, tornando a mulher mais suscetível ao aparecimento de verrugas genitais e outras erupções cutâneas relacionadas a vírus.

Ter outra doença sexualmente transmissível

Uma pessoa diagnosticada com outra doença sexualmente transmissível pode ser um forte candidato ou candidata a desenvolver verrugas genitais.

Isso porque o mesmo comportamento de risco que fez com que o paciente contraísse a outra DST pode, também, ter sido uma janela de oportunidade para uma exposição ao HPV.

Ter menos de 21 anos

As flutuações hormonais típicas da adolescência são responsáveis por oscilações na força do sistema imunológico. Por isso, quanto mais cedo um adolescente começa sua vida sexual, maior o risco de contrair HPV quando se envolve em relações desprotegidas.

Ser portador de doenças que afetem o sistema imunológico, como diabetes e HIV/AIDS

Quanto mais fraco estiver um sistema imunológico, mais suscetível a manifestações dermatológicas originadas por vírus está o organismo. Por isso, portadores de doenças como AIDS, diabetes e disfunções autoimunes (como lúpus, por exemplo) devem ter atenção redobrada.

Sintomas

A aparição de úlceras, bolhas e protuberâncias nos órgãos genitais é o maior sintoma de verrugas genitais.

Há um esteriótipo de que as verrugas têm um aspecto semelhante ao de uma couve-flor, com uma aparência porosa – e algumas de fato são assim. Entretanto, dependendo do subtipo de HPV responsável pela aparição, as verrugas genitais podem aparecer como caroços ou mesmo como meras elevações na pele, semelhantes a calombos.

As verrugas também podem aparecer em diferentes partes dos órgãos genitais, o que pode dificultar a observação e identificação por parte do paciente só no “olhômetro”.

Em mulheres

As verrugas costumam aparecer na vulva, nas paredes da vagina e no canal cervical.

Nos homens

As feridas podem despontar nos testículos e em toda a extremidade do pênis, principalmente no topo e na base.

Em ambos os sexos

Podem surgir na área entre os órgãos genitais e o ânus ou no próprio reto.

Em casos mais raros, verrugas genitais também aparecem na língua e na garganta em decorrência de sexo oral desprotegido.

Além da aparência da verruga em si, outros sintomas podem indicar a presença de uma. São eles:

  • Coceiras ou comichões nos órgãos genitais;
  • Sangramento durante ou logo após as relações sexuais;
  • Umidade anormal ou excessiva em torno dos órgãos genitais;
  • Inchaços com coloração amarelada ou cinzenta nos órgãos genitais.

Caso seu parceiro ou parceira desenvolva verrugas genitais, é importante consultar um ginecologista ou urologista o quanto antes, mesmo que você não apresente nenhum sintoma.

Como é feito o diagnóstico de verruga genital?

Os profissionais mais indicados para diagnosticar verrugas genitais são ginecologistas, para mulheres, e urologistas, para homens. Existem procedimentos de diagnóstico diferentes para cada sexo.

Diagnóstico de verrugas genitais em mulheres

O primeiro passo para diagnosticar verrugas genitais em mulheres é o exame ginecológico, feito no próprio consultório com observação a olho nu e, em alguns casos, aplicação de um líquido acético que ajuda a identificar as protuberâncias.

Outro método de diagnóstico é o papanicolau, popularmente conhecido como exame preventivo. O procedimento, que deve ser feito anualmente por mulheres em idade reprodutiva, consiste em uma raspagem no colo do útero que serve para averiguar a saúde da região, incluindo a presença de verrugas.

Caso os resultados do papanicolau apresentem alterações relativas a verrugas, o ginecologista pode solicitar dois exames complementares: a captura híbrida e a colposcopia.

A captura híbrida é um exame específico para mapear a variação de HPV existente no organismo, através da coleta e análise de amostras do colo do útero e das paredes internas da vagina.

Já a colposcopia é uma biópsia de lesões localizadas no colo do útero, incluindo verrugas. É feita com a ajuda de um instrumento ótico chamado de colposcópio.

Diagnóstico de verrugas genitais em homens

O exame clínico feito pelo urologista com observação e toque também é a primeira etapa para o diagnóstico de verrugas genitais em homens.

Como teste complementar, o médico também pode solicitar uma peniscopia, que utiliza um aparelho óptico para procurar lesões no pênis que sejam invisíveis a olho nu.

Durante o procedimento, o urologista pode fazer uma raspagem no local das lesões e enviar o material para uma análise mais aprofundada em laboratório.

Exame de sangue

O exame de sangue é um método que funciona como diagnóstico de verrugas genitais independente do sexo do paciente.

O objetivo do procedimento é detectar a presença do HPV no organismo. No caso de verrugas genitais, serve como um complemento para confirmar o diagnóstico.

Verruga genital tem cura? Qual o tratamento?

À grosso modo, pode-se dizer que verrugas genitais têm cura, uma vez que desaparecem eventualmente após o início do tratamento adequado. Entretanto, é importante salientar que as ulcerações são sintomas da infecção por determinados subtipos de HPV.

O vírus, por sua vez, pode ter cura se seu sistema imunológico for forte o suficiente para expulsá-lo, embora não existam remédios capazes de combater o HPV após a infecção.

O tratamento para verrugas genitais em geral é simples, envolvendo a aplicação de medicamentos por alguns dias. Para a maior parte dos pacientes, as feridas devem desaparecer em poucas semanas. Alguns casos, no entanto, podem se estender por meses.

Para casos mais graves, o médico pode recomendar uma pequena intervenção cirúrgica.

Além da aplicação dos remédios, o médico pode pedir para que o paciente não utilize sabonete perfumado, loções ou sabonetes íntimos no local da verruga enquanto estiver em tratamento, já que esses produtos podem irritar a pele.

Os remédios mais utilizados para tratamento de verrugas são os seguintes:

Cremes dermatológicos e pomadas ginecológicas

Os cremes e pomadas voltados para o tratamento de verrugas genitais alteram a resposta imunológica do organismo, ou seja, fazem com que o sistema imunológico consiga utilizar seus mecanismos de defesa para eliminar as verrugas.

Alguns cremes frequentemente indicados são imiquimode e podofilotoxina.

Em geral, são vendidos em caixas com um determinado número de sachês, sendo que cada sachê só pode ser utilizado uma única vez. O creme pode ser aplicado em intervalos de 6, 8 ou 10 horas, de acordo com orientação médica. O tratamento dura, em média, de 15 a 60 dias.

Algumas pomadas podem ser aplicadas diretamente com as mãos, enquanto outras necessitam de aplicadores plásticos específicos que já vêm na embalagem do produto. Outras, ainda, precisam ser ministradas por um profissional, no próprio consultório médico. Para descobrir qual é o seu caso, converse com seu ginecologista ou urologista e leia atentamente a bula do medicamento.

É contra-indicado que o paciente tenha relações sexuais enquanto utiliza cremes dermatológicos ou pomadas ginecológicas, uma vez que esse tipo de substância pode causar alergias na pele do parceiro, além de diminuir a eficácia de camisinhas, diafragmas e espermicidas.

Ácido tricloroacético ou ácido bicloroacético

O ácido tricloroacético e o ácido bicloroacético são substâncias usadas em diversos tratamentos estéticos e dermatológicos, entre eles o tratamento de verrugas.

No caso de verrugas genitais, a aplicação da solução é geralmente feita em um consultório ou posto de saúde, já que, se aplicada erroneamente, pode causar queimaduras.

O ácido tricloroacético deve ser aplicado diretamente no local da ferida, de uma a duas vezes por semana. O tratamento dura, em média, de 1 a 3 meses, embora possa se estender dependendo da gravidade do caso.

Aplicação de cantaridina

A cantaridina é uma substância natural com propriedades antimitóticas, isto é, que combate a mitose — processo de reprodução das células. Para realizar o procedimento, o médico irá pincelar uma pequena quantidade de cantaridina sobre as verrugas, que irão arder um pouco nos primeiros minutos após a aplicação.

Após entrar em contato com a cantaridina, a reprodução das células é bloqueada e a verruga para de crescer. Em um prazo de 3 a 8 horas, ela se transforma em uma pequena bolha de tecido morto e o paciente, então, deve retornar ao consultório para a remoção total da verruga.

A aplicação de cantaridina é pouco usada no Brasil por se tratar de um procedimento caro. Deve ser feito apenas com a supervisão de um médico, já que a cantaridina é uma substância extremamente tóxica.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Cirurgia

O médico pode recomendar um pequeno procedimento cirúrgico para casos mais sérios, em que as verrugas não respondam ao tratamento com remédios, sejam muito grandes ou estejam presentes em maior quantidade.

A intervenção cirúrgica também pode ser recomendada para gestantes, se a presença da verruga oferecer riscos para o bebê ou tiver potencial para dificultar o parto.

Entre os tipos de cirurgia que podem ser realizados, estão:

Crioterapia

Também chamada de neve carbônica, a crioterapia é um método que aposta na cristalização através de baixíssimas temperaturas para remover verrugas genitais.

Nesse procedimento, o médico aplicará uma solução de nitrogênio líquido armazenada a -196 ºC. A substância irá matar o tecido em torno da verruga, que deverá cair em um prazo de até 7 dias.

A crioterapia é o método cirúrgico mais utilizado para a remoção de verrugas genitais. Não dói e nem deixa cicatrizes. O paciente pode sentir um pequeno desconforto nas primeiras 48 horas após o procedimento.

Eletrocauterização

A eletrocauterização utiliza correntes elétricas para eliminar as verrugas. Uma sonda microscópica é usada para dar leves choques na verruga, matando o tecido que a compõe.

É um procedimento extremamente eficaz e seguro para o tratamento de verrugas, mas costuma deixar cicatrizes ou manchas escuras na pele.

Tratamento a laser

É a intervenção cirúrgica mais complexa quando o tema é verrugas genitais, já que envolve a aplicação de anestesia geral ou local. O procedimento consiste no uso de feixes de luz em alta temperatura para queimar as verrugas.

Geralmente, o tratamento a laser é utilizado para tratar verrugas muito grandes, ou que estão presentes em maiores quantidades. É totalmente eficaz e não deixa cicatrizes. No entanto, o paciente pode sentir dor durante o período pós-operatório e há uma pequena possibilidade de infecção no local após a cirurgia.

Excisão cirúrgica

A excisão cirúrgica é, basicamente, cortar a verruga. O médico fará a remoção da protuberância e, em seguida, fará um enxerto de pele. O procedimento é considerado arcaico e obsoleto, por isso, raramente é feito hoje em dia.

Pode deixar cicatrizes e expõe o local ao ligeiro risco de infecções. A recuperação dura várias semanas, durante as quais o paciente pode sentir desconforto e dor.

Tratamentos caseiros para verruga genital

Existem algumas receitas caseiras utilizadas para o tratamento de verrugas genitais. Lembre-se: esses tratamentos não possuem eficácia cientificamente comprovada e devem ser complementares ao tratamento tradicional recomendado pelo médico.

Banho de assento

Os banhos de assento usados para tratamento de verrugas genitais são feitos com água e vinagre.

Para fazer um banho de assento, coloque 3 litros de água morna e 3 colheres de vinagre de maçã em uma bacia. Misture bem. Então, sente por cerca de 30 minutos. Ao se levantar, seque bem a região.

Alimentação

Acredita-se que alimentos ricos em ácido fólico e betacaroteno possam acelerar a cura de verrugas genitais. Para apostar nesse tratamento caseiro, acrescente ao seu cardápio itens como espinafre, couve, nabo, brócolis, aspargos, ervilha, feijão, lentilha, abacate e frutas cítricas.

Outros cuidados

O ginecologista ou urologista pode recomendar alguns cuidados extra para potencializar a eficácia do tratamento. Algumas recomendações são:

  • Evite visitar locais como praias e piscinas. Utilizar roupas de banho úmidas pode contribuir para a proliferação das verrugas;
  • Suspenda temporariamente o uso de calças jeans justas. O calor também pode contribuir para tornar o ambiente mais aconchegante para as ulcerações;
  • Não se depile até o desaparecimento das verrugas, sobretudo se utilizar lâminas. A agressão à pele causada por esse tipo de procedimento pode causar inflamações e sangramentos que prejudiquem o tratamento.

O que pode acontecer se verrugas genitais não forem tratadas?

Em algumas pessoas, verrugas genitais eventualmente desaparecem sozinhas, mesmo sem tratamento, embora provavelmente reapareçam em um futuro próximo. Outra consequência possível é o aparecimento de novas verrugas, causando ainda mais desconforto e afetando a autoestima do paciente.

Lembre-se que é importante consultar um médico mesmo que a presença das verrugas não seja um incômodo para você, uma vez que a doença é causada pelo vírus HPV, que pode ocasionar doenças sérias.

Convivendo

Verrugas genitais podem ser incômodas e causar desconforto, mas é importante manter em mente que, em geral, não causam complicações mais graves. Se tratadas, desaparecem rapidamente.

Ao notar o menor sinal de verrugas em seus órgãos genitais, é imprescindível comunicar seu parceiro ou parceira imediatamente.

Receber o diagnóstico de uma DST pode ser emocionalmente doloroso e abalar sua autoestima. Não entre em pânico! Confira algumas dicas para trabalhar esses sentimentos e lidar com a situação da melhor forma possível:

  • Não se sinta culpado ou culpada. Uma DST é uma doença como qualquer outra e, apesar do estigma social, não quer necessariamente dizer nada sobre seu caráter ou sua conduta. Todas as pessoas sexualmente ativas estão sujeitas a contrair verrugas genitais e outras DSTs, inclusive as que têm apenas um parceiro ou parceira sexual;
  • Não sinta vergonha de ir ao médico se notar algum sinal fora do normal em seus órgãos genitais. Profissionais de saúde lidam com esse tipo de situação todos os dias, e não irão emitir nenhum tipo de julgamento com base no seu diagnóstico;
  • Conversar com seu parceiro sobre seu diagnóstico é imprescindível. Respire fundo e escolha um momento tranquilo e agradável para o diálogo. Leve algum material informativo para a conversa, como dados, pesquisas e informações básicas sobre o prognóstico;
  • Se você achar que existe a possibilidade da reação do seu parceiro ou parceira ter algum grau de violência, prefira ter a conversa em um local público, pelo telefone ou algum serviço de mensagens instantâneas. Se estiver em uma situação de perigo, não hesite em ligar para o número 180 e pedir ajuda.

Complicações

As maiores complicações causadas por verrugas genitais não tratadas dizem respeito a mulheres grávidas, que costumam sofrer um pouco mais com a doença. No restante dos pacientes, as verrugas em si não costumam causar problemas mais graves.

No entanto, as verrugas são um sintoma de contaminação por HPV. O vírus, por sua vez, é o agente causador de diversos tipos de câncer, tanto em mulheres quanto em homens. Estima-se que o papilomavírus humano seja responsável por 70% dos cânceres vaginais e 50% dos cânceres de vulva.

Uma vez que o paciente apresente verrugas genitais, é importante fazer exames para descartar a presença de outras DSTs.

Complicações durante a gestação

Gestantes podem desenvolver diversas complicações causadas pela doença, principalmente no momento do parto, já que a presença de verrugas pode afetar a capacidade de dilatação dos tecidos vaginais. Esse desdobramento pode dificultar partos normais e até mesmo tornar necessária a realização de uma cesariana.

Verrugas que estejam localizadas na vulva também podem romper, sangrar ou arder durante o parto, causando dor e desconforto durante e após o nascimento do bebê.

Em casos mais raros, o bebê pode nascer com algumas colônias de verrugas genitais na garganta. Nesse cenário, uma cirurgia de remoção pode ser necessária.

Como prevenir verruga genital?

A forma mais eficaz de se proteger contra o surgimento de verrugas genitais é simples: usar preservativo em todas as relações sexuais, incluindo o sexo oral e anal.

Se seu parceiro estiver com verrugas genitais visíveis, é preciso lembrar que você está sujeito ou sujeita ao contágio mesmo usando camisinha. Isso porque podem haver feridas muito pequenas, impossíveis de serem vistas, em locais que o preservativo não cobre.

É importante salientar que nenhum método contraceptivo é eficaz na proteção contra DSTs, incluindo diafragmas, anéis vaginais, pílulas anticoncepcionais e coito interrompido. Apenas a camisinha, tanto masculina quanto feminina, pode evitar o contágio por doenças sexualmente transmissíveis.

Lembre-se também que preservativos são descartáveis e só podem ser utilizados uma vez.

Também é imprescindível que mulheres façam o papanicolau anualmente, para identificarem precocemente o contágio por HPV e evitarem problemas relacionados ao vírus – tanto verrugas genitais quanto doenças mais graves.

A vacina contra o HPV é, atualmente, o único método profilático comprovadamente eficaz para evitar o contato com o vírus causador das verrugas.

Vacina contra HPV

A vacina contra o vírus HPV é o melhor método de evitar a infecção pelo vírus e seu desdobramentos, entre eles o aparecimento de verrugas genitais. Ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, tanto homens quanto mulheres podem e devem se vacinar.

Pioneiro no combate ao contágio pelo papilomavírus, o Brasil é o primeiro país da América do Sul a oferecer a vacinação contra o HPV gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com recomendações do Ministério da Saúde, meninos de 11 a 14 anos e meninas de 9 a 15 anos podem ser vacinados sem custos em postos de saúde.

O público-alvo da campanha de vacinação é jovem por um motivo específico: o objetivo de vacinar pré-adolescentes antes do início da vida sexual, para evitar o contato com o vírus. Estudos indicam que uma parte considerável das pessoas é contaminada pelo HPV ainda no primeiro ano de vida sexual, mesmo que só tenham um parceiro ou parceira.

Essa estratégia, no entanto, não é uma contra-indicação da vacina para adultos. Pesquisas indicam que a vacina é igualmente eficaz e segura em pessoas com mais de 26 anos. Portanto, quem já saiu da adolescência pode se vacinar tranquilamente através da rede particular. Na região Sul, o valor da dose pode variar de R$200,00 até R$500,00. É necessário tomar duas doses para estar protegido.

Como usar preservativo masculino

Para se prevenir contra verrugas genitais, é muito importante usar a camisinha de forma correta, cobrindo toda a superfície do pênis e realizando o procedimento adequadamente, conforme descrito abaixo:

  1. Após conferir a data de validade, abra a embalagem, com cuidado para não furar o preservativo. Evite usar os dentes, unhas ou objetos cortantes, como facas e tesouras.
  2. Com o pênis ereto, posicione o preservativo e torça a pontinha para retirar o ar. Isso impedirá que a camisinha estoure.
  3. Ainda segurando a ponta, desenrole o preservativo até a base do pênis.
  4. Após a ejaculação, é importante retirar o pênis segurando a camisinha pela base, para evitar que o preservativo saia dentro da parceira ou do parceiro.
  5. Tire a camisinha puxando pela base, evitando o contato com a parceira ou o parceiro.
  6. Dê um nó no preservativo, embrulhe em papel higiênico e descarte em uma lixeira.

Lembre-se: se seu parceiro apresentar verrugas genitais visíveis, não é recomendado manter relações sexuais mesmo com o uso do preservativo masculino.

Como usar preservativo feminino

Ainda pouco difundido, o preservativo feminino é tão eficaz quanto o masculino para prevenir a transmissão de DSTs e evitar gestações indesejadas. Para utilizar a camisinha feminina da forma correta, basta seguir os passos a seguir:

  1. Após conferir a data de validade, abra a embalagem, com cuidado para não furar o preservativo. Evite usar os dentes, unhas ou objetos cortantes, como facas e tesouras.
  2. Segure a camisinha pelo anel menor, deixando o anel maior para baixo.
  3. Pressione as laterais do anel menor, de forma que a boca do anel forme um “8”.
  4. Deite em uma posição confortável ou peça que sua parceira deite.
  5. Coloque o anel menor na vagina, deixando mais ou menos 3 centímetros do anel maior para fora.
  6. Introduza o dedo no anel maior e, com cuidado para não furar o preservativo, empurre a camisinha o mais fundo que conseguir. O objetivo é cobrir o colo do útero da melhor forma possível.
  7. Se necessário, ajuste a posição do preservativo com os dedos, até que esteja no lugar correto e o mais confortável possível.
  8. Antes da penetração, certifique-se de que o preservativo está na posição certa.
  9. Após o fim da relação, puxe a camisinha delicadamente pelo anel maior até que o preservativo saia inteiramente. Enrole-o, embrulhe em papel higiênico e descarte em uma lixeira.

Lembre-se: se sua parceira apresentar verrugas genitais visíveis, não é recomendado manter relações sexuais mesmo com o uso do preservativo feminino.

Prevenção a verrugas genitais entre mulheres homossexuais

Há um mito amplamente difundido de que mulheres que se relacionam exclusivamente com outras mulheres não estão sujeitas a contaminação por DSTs.

A desinformação levou a um cenário alarmante: um levantamento feito pelo Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS do Estado de São Paulo mostrou que 60% das mulheres lésbicas e bissexuais do estado contraiu alguma doença sexualmente transmissível ao longo da vida.

É importante esclarecer que relações sexuais entre mulheres também apresentam riscos de transmissão de uma série de doenças – incluindo HIV, sífilis, HPV, e, é claro, verrugas genitais.

Algumas dicas para a prevenção a transmissão de HPV e verrugas genitais entre mulheres são:

  • Use preservativo feminino durante a prática de sexo oral;
  • Cubra acessórios – como vibradores e itens de borracha – com uma camisinha masculina. Descarte o preservativo imediatamente após o uso, principalmente se os objetos forem compartilhados entre você e sua parceira;
  • Evite compartilhar roupas íntimas e toalhas imediatamente após a relação sexual, mesmo que esteja em um relacionamento monogâmico;
  • Lave as mãos antes e depois da relação sexual.

Mesmo que você nunca tenha se relacionado com homens, é importante ir a uma consulta com o ginecologista regularmente e fazer o papanicolau uma vez por ano. Se receber o diagnóstico de verrugas genitais, comunique sua parceira e suspenda as relações sexuais enquanto estiver em tratamento.


Verrugas genitais são problemas simples, mas causadas por um vírus muito sério. Ao menor sinal de feridas na região genital, procure um especialista.

Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.

Editor Médico

Dr. Paulo Caproni

CRM/PR 27.679

Graduado em Medicina pela PUCPR. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP. MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde pela FGV.

Farmacêutica Responsável

Dra. Francielle Mathias

CRF/PR 24612

Farmacêutica generalista, com Mestrado em Ciências Farmacêuticas, ambos pela Unicentro. Doutorado em Farmacologia pela UFPR.

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20 comentários

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  1. A Cantiridina é uma substância antimitótica porque impede, cessa o processo mitótico de divisão celular, isto é, as células param de se dividir. Em se tratando de seu uso no tratamento de verrugas, ela bloqueia esse processo de divisão das células que constituem a verruga, logo esta não mais crescerá. Houve um equívoco na informação ao afirmarem que a expressão antimitótica significa antimicose.

    1. Olá Dr. Antônio,

      Agradecemos a correção. O texto já se encontra atualizado!

  2. Muito ótimo ,tirei todas minhas dúvidas e até mesmo mais prevenção também.

    1. Olá!

      O especialista mais indicado neste caso é o urologista.

      1. Eu fui a uma dermatologista, que possuía em seu consultório a criogenia. Infelizmente muitos urologistas não fazem uso desse tratamento que achei bem eficaz.

  3. Muito boa a matéria e nos orienta bem a essa causa. Eu tenho umas aparecendo o que devo fazer mesmo é o que posso fazer de imediato. ?

    1. Olá Paulo!

      A melhor recomendação é sempre ir ao médico. Ele saberá indicar o tratamento adequado de acordo com suas condições de saúde.

  4. Bom eu tenho duas verrugas genitais , que da para que eu possa enxergar , mais eu tenho vergonha de ir ao especialista , pq eu tenho 16 anos só e meus pais não sabem sobre isso ….

    1. Olá Juliana!

      É importante que você vá ao médico para que ele faça uma avaliação, inclusive para que verifique se a lesão se trata mesmo de uma verruga. Esta condição pode ser facilmente resolvida, mas a falta de tratamento pode trazer complicações. Converse com algum familiar de sua confiança e não deixe buscar ajuda médica. Problemas de saúde não devem ser motivo de vergonha, os especialistas estão disponíveis para ajudá-la.

  5. Eu nunca tive nenhum tipo de relação sexual e estou com verrugas na parte genital. Preciso me preocupar mais do que eu já estou?

    1. Olá Rafaella!

      O ideal seria consultar um ginecologista para que ele avalie as lesões e indique a melhor opção de tratamento.

    1. Olá Ana!

      Toda verruga, independente da região em que está localizada, é causada pelo HPV. Na maioria das vezes essa lesão não é considerada grave, mas é importante consultar um dermatologista para obter um diagnóstico e iniciar o tratamento (se necessário) mais adequado.

  6. Olá, fiz o tratamento com eletrocauterização e agora após um ano estou percebendo que estão voltando, vai ser sempre assim e tem algo que eu possa fazer para não voltar mais?

    1. Olá Danilo!

      O retorno das verrugas deve ser avaliado por um médico. Considerando que as lesões são provocadas pelo vírus HPV, é importante que este profissional avalie o quadro para que possa indicar um novo tratamento (se necessário) 😉 Vale lembrar que procedimentos cirúrgicos costumam ser indicados em situações mais graves, por isso a consulta é tão importante.

  7. existe a possibilidade de ter uma verruga comum nos genitais sem ser contagiosa?

    1. Olá Adriano!

      Toda verruga é causada pelo vírus HPV e, portanto, é transmissível. Vale lembrar que algumas lesões podem ser confundidas com outras condições. Por isso, consulte um médico para obter o diagnóstico correto.

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