O que é

“Cefaleia” ou “Cefalgia” são os nomes científicos para a popular “dor de cabeça”. Pode ocorrer de modo isolado, quando apresenta um complexo sintomático agudo, como a enxaqueca; ou então quando provém de uma doença em desenvolvimento, como infecções. No caso da dor ser aguda, chamamos de cefaleias primárias e se associada a alguma doença, cefaleias secundárias.

É estimado que 90% da população mundial já apresentou ou irá apresentar algum episódio de cefaleia ao longo da vida. Por isso, recomenda-se uma avaliação completa e criteriosa do paciente que apresenta algum tipo de cefaleia.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é?
  2. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
  3. Como identificar? Quais são os sintomas?
  4. Quais os tipos de Cefaleia? E as suas causas?
  5. Os tipos de Cefaleias
  6. A Cefaleia tem cura? Qual é o tratamento?

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

O profissional que diagnostica a cefaleia é o médico cefaliatra, um neurologista especializado em cefaleias. O diagnóstico é baseado na compreensão da fisiopatologia dessas dores de cabeça, na obtenção de uma história clínica e da realização de um exame físico e neurológico criterioso para formular um diagnóstico diferencial. O diagnóstico da cefaleia é eminentemente clínico.

Dependendo do caso de cada paciente, geralmente nos de caráter secundário, podem ser que o médico solicite exames subsidiários, como: estudo radiológico funcional da coluna, tomografia e/ou ressonância magnética de crânio, eletroencefalograma, exames laboratoriais com análise do liquor e do sangue, e ainda uma biópsia de artéria temporal para estabelecer um melhor diagnóstico.

Como identificar? Quais são os sintomas?

As dores de cabeça podem se manifestar de maneira súbita, subaguda ou crônica.

Há fatores que antecedem a dor de cabeça, como crises de cefaleia em salvas após ingestão de álcool, ou serem desencadeadas por consumo de queijos ou vinhos, levando à enxaqueca.

Algumas cefaleias podem ser acompanhadas de sintomas que antecedem a dor propriamente dita, como alterações visuais de curta duração (aura visual), pontos luminosos na visão (escotomas cintilantes), irritação, astenia, falta de apetite e/ou depressão.

A dor pode ser de característica pulsátil, latejante, pressão, aperto, fincadas, ardência, lancinante, também nos níveis fraco, moderado, intenso, constante ou em salvas. Também pode ser unilateral, bilateral, holocraniana (toda cabeça), frontal, retrocular, occiptal ou mesmo seguindo o padrão de distribuição das divisões do nervo trigêmeo na face.

A cefaleia pode associar-se à sintomatologia autômica (náuseas, vômitos, hiperemia ocular, lacrimejamento, obstrução nasal, sensibilidade à luz e ao som) ou até mesmo sistêmica, como a perda de peso recente, febre, mal-estar, cansaço e inapetência.

Quais os tipos de Cefaleia? E as suas causas?

A cefaleia divide-se em vários tipos, aqui vamos colocá-la em dois grandes grupos, as dores primárias que são mais leves e as secundárias, ocasionadas por outras doenças. Acompanhe:

Cefaleia primária

Caracterizada pelas cefaleias crônicas de natureza primária, que na maioria das vezes tem início em enxaquecas, cefaleias tensionais e cefaleias em salvas.

Cefaleia secundária

Caracteriza-se por uma dor de cabeça associada a outras doenças, como aneurisma cerebral, sinusite, tumor cerebral, etc. A maioria dessas dores de cabeça desaparece quando a doença que a causa é curada. Essas dores podem ocorrer devido a alterações do organismo e da interação do indivíduo com o ambiente. As cefaleias secundárias podem ter como causa:

  • Doenças que afetam as artérias, veias e a circulação do cérebro (aneurismas cerebrais, arterite, isquemias cerebrais, trombose venosa cerebral e sangramentos no cérebro).
  • Doenças que fazem a pressão de dentro da cabeça (não confundir com pressão arterial) aumentar ou diminuir.
  • Ingestão ou exposição a produtos químicos nocivos e tóxicos (gás carbônico, álcool, drogas e/ou glutamato monossódico).
  • Traumas (traumatismo) cranianos e/ou cervicais (batidas na cabeça e/ou pescoço).
  • Tumores cerebrais.
  • Uso excessivo de analgésicos ou pela retirada de substâncias (opióides e cafeína).
  • Infecções (no cérebro, como meningite viral, meningite bacteriana, meningites crônicas, abscesso cerebral, ou em qualquer lugar do corpo como sinusite, mastoidite, otite);
  • Alteração metabólica, por desequilíbrios do funcionamento do organismo (alterações de hormônios, pressão arterial, oxigenação);
  • Problemas das estruturas pericranianas, ou seja, qualquer problema de olhos, ouvido, nariz e seios da face, dentes e atm, pescoço.

As cefaleias agudas ou súbitas geralmente constituem a manifestação de uma patologia intracraniana como hemorragia subaracnóide ou de outras doenças cerebrovasculares ou infecciosas (meningites, encefalites, etc.). Entretanto, elas podem ocorrer também após punção lombar (procedimento médico especializado para diagnóstico de enfermidades neurológicas) ou até durante manobras fisiológicas que possam aumentar a pressão intra-abdominal e, consequentemente, a intracraniana, como exercícios físicos intensos e relações sexuais.

Quando de manifestação subaguda, pode ser resultante de enfermidades inflamatórias do tecido conjuntivo, como a artrite de células gigantes ou mesmo de processos tumorais intracranianos (tumores, abscessos cerebrais, metástases cerebrais, hematomas subdurais), além de hipertensão intracraniana benigna (pseudotumor cerebral), neuralgia do trigêmeo/glossofaríngeo e crise hipertensiva.

Os tipos de Cefaleias

Enxaqueca

Este tipo de cefaleia tem como principal característica uma dor pulsátil em um dos lados da cabeça (às vezes ocorre nos dois), geralmente é acompanhada de fotofobia e fonofobia, náusea e vômito. Sua duração varia de quatro a 72 horas, e pode ser mais curta em crianças. Sua causa ainda é desconhecida, mas relaciona-se com alterações cerebrais e hereditariedade.

Segundo dados do Ministério da Saúde, de 5 a 25% das mulheres e 2 a 10% dos homens tem enxaqueca, contudo, ela é predominante em pessoas com idades entre 25 e 45 anos, sendo que após os 50 anos essa porcentagem tende a diminuir, principalmente nas mulheres. A enxaqueca ocorre em 3 a 10% das crianças, afetando igualmente ambos os gêneros antes da puberdade, mas tem predominância no sexo feminino após essa fase.

A enxaqueca crônica ocorre em 15 ou mais dias do mês, sendo oito dias com crises típicas de enxaqueca, por mais de três meses, quando há ausência de abuso de medicamentos. Os principais causadores da Enxaqueca são:

  • Abuso de medicamentos.
  • Esforço físico.
  • Estresse.
  • Fome.
  • Fortes odores (perfume).
  • Irregularidades no sono.
  • Luzes e sons intensos.
  • Mudanças bruscas de temperatura e de umidade.

É comum as mulheres apresentarem enxaqueca na fase menstrual, também conhecida como “enxaqueca menstrual”, e tem melhora apenas na menopausa. Os sintomas da enxaqueca consistem em: náusea, vômitos, bocejos, irritabilidade, sensibilidade à luz, ao som e ao movimento do corpo ou do ambiente, tonturas, fadiga, alterações no apetite, problemas de concentração, bem como dificuldade para encontrar as palavras.

Cefaleia em salvas

Este tipo de cefaleia é rara, muitos ainda confundem com a enxaqueca, porém suas dores não passam nem perto dela. Entre os principais sintomas e características da cefaleia em salvas estão:

  • Apenas do lado da dor os seguintes sintomas aparecerão, nunca nos dois lados: dor muito intensa, extrema, excruciante (pode ainda doer cada lado da cabeça alternadamente). O olho fica vermelho, lacrimeja bastante e incha, incluindo o cair da pálpebra que deixa o olho semifechado ou fechado. A narina escorre (coriza) e entope (congestão nasal). A face transpira, brilhando de suor e incha alterando a fisionomia durante a crise.
  • A crise não é acompanhada por enjoo (náuseas) ou vômitos.
  • O paciente não tem sensibilidade à claridade ou barulho.
  • O paciente não consegue relaxar ou ficar parado devido a dor, geralmente anda de um lado para outro, pode atirar móveis e objetos no chão ou contra a parede devido ao desespero.
  • O paciente pode sofrer traumas e fraturas ao esmurrar, chutar ou bater com a cabeça violentamente em paredes ou objetos.
  • O indivíduo se retira da presença de outras pessoas e se isola para que ninguém possa ver a degradação humana provocada pela crise de cefaleia em salvas.

Cada crise de cefaleia em salvas dura entre 30 minutos a 2 horas, diferentemente da crise de enxaqueca que dura entre 4 horas a 3 dias. A crise de cefaleia em salvas corresponde a 3 dias de crise fortíssima de enxaqueca concentrados em 30 ou 45 minutos, podendo ocorrer 3, 4 e até 5 dessas crises de cefaleia em salvas em um único dia.

Quase sempre o paciente saberá especificar precisamente o(s) horário(s) do dia em que sua(s) crise(s) acontece(m). É comum uma delas ocorrer de madrugada, de 1 a 2 horas após o indivíduo adormecer. Depois da crise de cefaleia em salvas, a dor de cabeça pode passar completamente, ou a cabeça pode permanecer dolorida, até a próxima crise.

Estas crises permanecem diárias por um período que varia entre algumas semanas e alguns meses, e em seguida costumam simplesmente ir embora, como se nada tivesse acontecido. Esse período durante o qual as crises ocorrem é conhecido como “episódio de salvas”. Cada episódio desse de salvas costuma ocorrer na mesma época do ano para o mesmo paciente.

Por exemplo, o paciente já sabe que todo mês de janeiro e fevereiro acontece o “episódio de salvas”, todos os anos. Em outros, os episódios de salvas vêm a cada 2 ou 3 anos. E outros, mais de uma vez ao ano, quase sempre em épocas pré-determinadas. E uma minoria dos portadores de cefaleia em salvas não possui episódios de salvas bem definidos, podendo ter crises de cefaleia em salvas a qualquer época, a qualquer momento.

Durante o “episódio de salvas”, e apenas durante esse período, o paciente não consegue ingerir nenhuma bebida alcoólica, mesmo que seja um teor muito baixo de álcool, já é o suficiente para desencadear imediatamente uma crise extra de cefaleia em salvas. Fora do “episódio de salvas”, este mesmo paciente ingere bebidas alcoólicas normalmente. A cefaleia em salvas ocorre muito mais em mulheres, enquanto a cefaleia comum não tem distinção de paciente.

Cefaleia tensional

A enxaqueca é um tipo de cefaleia relacionada com a tensão ou contração exagerada, anormal e mantida de grupos musculares dos ombros, pescoço, couro cabeludo e até face. Esta é a dor de cabeça mais comum que existe, mas por não ser tão intensa e incapacitante, faz com que seus portadores (mesmo crônicos) não procurem tanto a ajuda médica como quem sofre de enxaqueca.

Este tipo de cefaleia não tem uma causa única, há pacientes que tem a dor de cabeça de tensão por causa da contração involuntária e crônica de músculos na parte de trás do pescoço e do couro cabeludo. Essa tensão muscular pode ter várias causas, como:

  • Ansiedade.
  • Cansaço.
  • Estresse emocional ou mental, incluindo depressão.
  • Excesso de exercícios.
  • Fome.
  • Má postura.
  • Repouso insuficiente.

As dores de cabeça tensionais podem ser desencadeadas, em sua maioria, por algum tipo de estresse de origem externa ou interna. Ainda existe a cefaleia tensional episódica que geralmente acontece por uma situação estressante isolada ou um acúmulo de estresse. Se um indivíduo está exposto ao estresse diariamente ele corre o risco de sofrer este tipo de cefaleia tensional. Entre os fatores que podem desencadeá-la estão: ingestão de álcool e cafeína (em excesso ou abstinência), gripe, resfriado, fadiga, fadiga visual, fumo em excesso, problemas odontológicos (bruxismo), congestão nasal, esforço físico excessivo e sinusite.

A cefaleia tensional pode ser episódica (menos de 15 dias por mês) ou crônica (mais de 15 dias por mês). O tipo crônico pode variar em intensidade ao longo do dia, mas a dor quase sempre está presente. A forma aguda também pode evoluir para a crônica.

A Cefaleia tem cura? Qual é o tratamento?

O tratamento dependerá do diagnóstico e das causas de base estabelecidos, assim como se ela terá ou não cura.

O tratamento pode ser apenas com medicamentos, que podem ser:

É importante lembrar que o mercado medicamentoso oferece variedades de remédios para os mais diversos tipos de dor de cabeça, contudo, não se automedique, consulte o seu médico para saber qual é o mais indicado para o seu tipo de dor de cabeça e organismo (principalmente gestantes).

Também há os casos mais graves, como nas hemorragias intracranianas ou mesmo meningites/encefalites, em que há necessidade de internação hospitalar, tratamento cirúrgico e até mesmo procedimentos neurocirúrgicos.

Ainda existem alguns pré-tratamentos caseiros, para aliviar a dor, como chás de gengibre, cavalinha, chapéu-de-couro,  dente-de-leão com alfazema e tanchagem. Antes da ingestão destes tipos de chás, também consulte o seu médico.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.


Sendo a doença mais comum no mundo, muitas pessoas acabam se automedicando e não consultam um especialista. Aproveite para compartilhar estas informações com as pessoas que você conhece ou já ouviu queixando-se sobre dores de cabeça, as vezes o problema pode ser muito mais sério do que pensam!

Referências:

https://www.cefaleias.com.br
https://www.abcdasaude.com.br/neurologia/dor-de-cabeca-cefaleia
http://www.enxaqueca.com.br/blog/cefaleia-em-salvas/
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/cefaleia-tensional
http://www.dordecabeca.com.br/categoria/dor-de-cabeca/cefaleia-tensional/
http://www.enxaqueca.com.br/blog/o-que-e

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1 comentário

  1. Isso e muito sério conheço pessoas que tem e diz que em uma simples dor de cabeça ou uma enxaqueca cuidem- se .

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