Você provavelmente já ouviu falar sobre a leptospirose.

A doença é conhecida por ser transmitida pelo xixi de rato durante enchentes e nas latinhas de refrigerante (esse último muito mais difícil do que o primeiro caso).

Ela é uma doença grave e, por isso, é importante tomar cuidado, evitando se infectar.

Leia mais abaixo sobre a leptospirose!

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é leptospirose?
  2. Quais os tipos de leptospirose?
  3. Causas: qual é o agente etiológico da leptospirose?
  4. Transmissão da leptospirose
  5. Quais são os fatores de risco?
  6. Quais são os sintomas da leptospirose?
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Leptospirose tem cura?
  9. Qual o tratamento da leptospirose?
  10. Medicamentos para leptospirose
  11. Qual o prognóstico?
  12. Complicações da leptospirose
  13. Como fazer a prevenção?
  14. Leptospirose em cães
  15. Vacina canina para leptospirose
  16. Perguntas frequentes

O que é leptospirose?

A leptospirose é uma doença causada pela bactéria leptospira. É uma zoonose, ou seja, é transmitida por animais.

Essa bactéria costuma estar presente na urina de roedores e costuma ser transmitida para humanos ou outros animais quando entra em contato com a mucosa (olhos, boca, nariz) ou pequenas feridas durante enchentes, por exemplo, mas também pode estar presente em lagos.

A bactéria se aloja nos canais renais, mas pode ser encontrada em outras partes do corpo nos casos mais sérios.


Grande parte das infecções de leptospirose não é perigosa, mas em torno de 10% dos casos pode causar a morte.

Os mecanismos pelos quais a bactéria age e causa a doença são desconhecidos, mas se sabe que ela pode causar problemas sérios.

Apesar de não existir vacina humana para a leptospirose, a versão canina existe e serve para proteger os cães domésticos da doença.

O código da leptospirose na décima edição do Cadastro Internacional de Doenças, o CID-10, é A27.

Quais os tipos de leptospirose?

Apesar de poder ser causada por mais de 15 tipos diferentes de bactérias da mesma família, a doença costuma ser classificada em apenas dois tipos, um deles com poucos sintomas e o outro extremamente perigoso. São eles:

Leptospirose anictérica

A leptospirose anictérica é uma forma suave da doença e a grande maioria dos pacientes carrega essa versão. Os sintomas costumam ser leves ou, em alguns casos, nem se apresentam.

Aproximadamente 90% dos pacientes têm essa versão da doença. Ela recebe seu nome em oposição à versão ictérica, que causa icterícia (amarelamento da pele e dos olhos) e é muito mais perigosa.

Leptospirose ictérica

A leptospirose ictérica afeta o fígado de maneira que ele não consegue metabolizar a bilirrubina (um pigmento), causando assim icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos em decorrência do acúmulo do pigmento amarelado.

Também é essa a versão mais perigosa da doença, que pode ser chamada de Mal de Adolf Weil ou Doença de Weil. Essa variedade da infecção pode matar devido a complicações hemorrágicas que afetam os pulmões, por exemplo, ou por outros danos.

Causas: qual é o agente etiológico da leptospirose?

A leptospirose é causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans, que frequentemente está presente na urina do rato. A bactéria tem formato espiralado e, no microscópio, lembra um ponto de interrogação. Os humanos infectados são hospedeiros acidentais e não transmitem a doença.

O agente é encontrado principalmente em roedores, mas também pode afetar diversos outros animais como os cães e bovinos, que também podem transmitir a bactéria através da urina.

Além disso, ela também pode viver na água por até 3 meses.

Humanos, apesar de poderem ser infectados, não têm a bactéria na urina e, portanto, não contribuem com o ciclo de transmissão da Leptospira.

Transmissão da leptospirose

A transmissão da leptospirose se dá, na maioria dos casos, durante o contato com água contaminada, especialmente em enchentes.

Os ratos urinam nas ruas e esgotos, e as enchentes levam as bactérias presentes na urina até as pessoas que estão nas regiões alagadas. Além das enchentes, também é possível contrair a doença ao nadar em um lago ou rio onde animais contaminados urinam.

Apesar desses serem os modos mais comuns de contaminação, não é o único. Outros animais, caso infectados, também podem transmitir a leptospirose através da urina.

Cachorros, por exemplo, caso peguem a doença, têm essa capacidade. Eles também podem transmitir para outros cães através do acasalamento, já que neles a bactéria também fica presente no trato reprodutivo.

Mas a água não é o único meio de transmissão já que a bactéria consegue sobreviver na terra e na lama por algum tempo. Pisar com os pés descalços em terra onde um animal infectado urinou pode permitir que a Leptospira penetre no organismo caso haja algum corte na pele.

Mesmo sem cortes, ainda é possível haver infecção do organismo caso o contato seja prolongado.

Profissionais que lidam com animais, como veterinários e tratadores, devem se proteger com luvas para evitar o contato com a bactéria, que pode estar presente nos bichos.

Quais são os fatores de risco da leptospirose?

Qualquer um está sujeito a ser infectado pela bactéria da leptospirose, mas alguns fatores aumentam os riscos. São eles:

Enchentes

As enchentes são o principal e mais famoso fator de risco para a leptospirose.

Cidades são o habitat de ratos, os principais vetores da doença, e eles podem urinar nas ruas, dentro das galerias de esgoto ou de águas pluviais, e quando uma enchente acontece, a urina se mistura com a água.

Isso facilita o contato da bactéria com qualquer um que esteja na rua no momento, o que, dependendo do tamanho da cidade, pode significar milhares de pessoas.

Qualquer ferida pode ser porta de entrada para o micróbio e mesmo que não haja feridas, se ele entrar em contato com a boca, nariz ou olhos, a contaminação é possível.

Encontrar-se em uma enchente não necessariamente quer dizer que você será contaminado, mas as chances aumentam muito, portanto é recomendado evitar a água das ruas.

Andar descalço

Em regiões rurais, este é um dos métodos de contaminação mais comuns.

Quando um animal contaminado — seja um cachorro, rato ou qualquer outro — urina no chão e uma pessoa pisa nesse lugar descalço, basta uma feridinha pequena, mesmo que minúscula, para que a bactéria seja capaz de entrar.

É importante sempre estar calçado para evitar a doença.

Saneamento básico inexistente ou ineficiente

A falta de saneamento básico tem como resultado os dejetos humanos a céu aberto em muitos casos.

Isso significa que o contato com urina humana — que também pode transmitir a leptospirose caso a pessoa esteja doente — também pode causar a infecção.

Se não houver drenagem das águas da chuva, também existe a facilitação de enchentes e a dificuldade de limpeza da urina de animais, o que cria um ambiente propício para a proliferação da bactéria causadora da leptospirose.

Coleta de lixo inadequada

Se a coleta de lixo em uma região não for realizada ou for inadequada, animais contaminados podem ser atraídos para os rejeitos. Isso facilita a contaminação na região já que vários animais com a bactéria podem estar reunidos em um espaço reduzido.

Quais são os sintomas da leptospirose?

As duas versões da leptospirose têm sintomas parecidos, mas eles são mais intensos na versão ictérica os manifesta de forma mais intensa do que os da anictérica. Estes sintomas podem levar de 1 a 30 dias após a exposição para aparecer, mas o mais comum é que isso aconteça entre o 7º e o 14º dia.

Os sintomas mais comuns são:

Febre

A febre é um mecanismo de seu sistema imunológico usado para combater infecções, como é o caso da leptospirose.

O sintoma pode indicar a presença da infecção que, no caso da doença, costuma ser alta (acima de 38 graus) e pode ser um sintoma perigoso.

Dor de cabeça

A dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns da leptospirose. Cerca de 75% dos pacientes infectados apresentam cefaleia em algum nível, mesmo nos casos mais fracos.

Dores musculares

Assim como as dores de cabeça, a infecção pode causar dores musculares mesmo nos casos mais fracos. A intensidade das dores é baixa nesses casos, mas pode ser bastante incômoda quando a doença é ictérica.

Vômito e diarreia

Aproximadamente metade dos pacientes apresenta vômito e diarreia. É especialmente importante que, nesses casos, o paciente se hidrate bem já que esses sintomas causam elevada perda de água do organismo.

Icterícia

A icterícia na leptospirose é um sinal de que se trata da versão mais grave da doença, que leva o nome ictérica devido a esse sintoma.

A condição é o amarelamento da pele e do branco dos olhos devido ao acúmulo de bilirrubina, um pigmento produzido naturalmente pelo corpo.

Normalmente, a bilirrubina é metabolizada pelo fígado e depositada na vesícula, fazendo parte da bile. Por sua vez, a bile é usada para dissolver gorduras que chegam ao intestino e, portanto, a bilirrubina sai do corpo pelas fezes.

Quando o fígado não consegue metabolizar a bilirrubina, o pigmento fica na corrente sanguínea e se acumula nos tecidos como a pele e olhos, causando a coloração amarelada.

Se há icterícia na leptospirose, significa que a bactéria está infectando o fígado além dos rins. Ela também pode estar em outros lugares do corpo.

Urina escura e fezes claras

Quando a bilirrubina fica no sangue ao invés de ser processada pelo fígado, ela é eliminada pela urina. Isso faz com que a urina fique com coloração amarelada escura, bem forte.

Por outro lado, já que o pigmento está sendo eliminado pela urina e não pelas fezes, elas ficam claras, visto que é a bilirrubina que dá a coloração típica do bolo fecal.

Hepatomegalia

A hepatomegalia é o aumento do tamanho do fígado, que pode ser causado pela infecção pela leptospirose. A condição também pode causar redução das funções do fígado, resultando em diversos problemas no corpo.

Esplenomegalia

A esplenomegalia é o aumento do baço. A infecção pela bactéria leptospira pode afetar o órgão e causar seu aumento, assim como o do fígado.

Insuficiência renal

A leptospirose pode causar insuficiência renal em diversas intensidades e de diversas formas, já que essa doença afeta, antes de tudo, os rins.

Em casos mais leves, é possível que cause a proteinúria, uma condição mais simples em que há eliminação de algumas proteínas pela urina (o que não devia acontecer já que o rim deve filtrar estas proteínas).

Entretanto, nos casos mais graves, pode causar insuficiência renal grave, o que faz com que o corpo mantenha diversas toxinas que deveriam ser eliminadas pela urina.

A insuficiência pode acontecer por diversos meios que variam desde a toxicidade direta da bactéria para os rins até à presença de bilirrubina por causa da icterícia.

Os rins não estão preparados para lidar com o pigmento e, no decorrer do tempo, podem ser danificados por ele.

Hemorragia digestiva alta

Os sintomas hemorrágicos são sinais de que a leptospirose está em um estado grave e é essencial que atendimento médico seja buscado quando esse é o caso. A hemorragia digestiva alta é o sangramento do trato gastrointestinal superior.

O trato gastrointestinal superior é composto pela faringe, esôfago, estômago e duodeno. Quando existe sangramento de alguma dessas estruturas, a hemorragia digestiva alta está caracterizada.

Nesses casos, o paciente pode cuspir ou vomitar sangue.

Além disso, o sangue que segue para o intestino pode fazer as fezes ficarem extremamente escuras — negras — e modifica o odor delas.

Pode causar também dificuldade de deglutição, queda de pressão, desmaios e fraqueza devido à perda de sangue.

Hemorragia pulmonar

A hemorragia pulmonar é outro sintoma extremamente grave da leptospirose ictérica e é uma das principais causas de morte.

Nesses casos, a bactéria causa sangramento nos pulmões, que danifica o órgão, dificultando ou até impedindo a respiração, além dos outros sintomas relacionados à perda de sangue.

O sintoma costuma surgir apenas em casos avançados da leptospirose grave, mas é o que mais mata. Aproximadamente 50% dos pacientes que desenvolvem esse sintoma morrem.

Como é feito o diagnóstico da leptospirose?

A leptospirose é uma doença causada por uma bactéria. Existem algumas maneiras de realizar o diagnóstico quando existe a suspeita da doença, que devido aos sintomas, pode ser confundida com dengue, febre hemorrágica, malária ou hepatites virais, entre outras.

Quem faz este diagnóstico pode ser um clínico geral ou um infectologista.

Exame de sangue

O exame de sangue é utilizado para identificação de alguns sinais que podem indicar a leptospirose. Por exemplo, é possível identificar a presença de bilirrubina em níveis elevados, o que pode indicar problemas do fígado.

Ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA-IgM)

O exame ELISA-IgM é um teste que busca descobrir se existem antígenos (substâncias que fazem o organismo produzir anticorpos) da leptospirose.

Através de reações químicas, esses anticorpos e antígenos são identificados. Dependendo da reação a quais  substâncias e anticorpos, é possível saber qual bactéria está presente na amostra.

Assim, o diagnóstico de leptospirose e de diversas outras infecções pode ser realizado com precisão.

Leptospirose tem cura?

Sim. Frequentemente a leptospirose, quando é anictérica (versão mais leve), é curada sem intervenção médica pelo próprio sistema imunológico do paciente.

Por isso, em diversos casos a pessoa nem sabe que foi contaminada.

Entretanto, nos casos em que os sintomas se apresentam, especialmente quando eles são fortes e relacionados à versão ictérica (com icterícia), é importante que haja tratamento médico para a eliminação de bactéria.

A utilização de medicamentos antibióticos é essencial nesse caso para que a cura seja alcançada.

Qual o tratamento da leptospirose?

O tratamento da leptospirose envolve o uso de antibióticos para a eliminação da bactéria, além de repouso e tratamento dos sintomas.

É possível que o paciente descanse em casa, mas nos casos mais graves — como os ictéricos — podem exigir o internamento do paciente para que a doença seja curada.

Quanto tempo demora o tratamento da leptospirose?

O tratamento pode durar de 5 a 7 dias com antibióticos para a eliminação da bactéria.

É extremamente importante que os medicamentos sejam usados durante o tempo recomendado pelo médico e nos horários indicados.

Caso os antibióticos sejam usados de maneira indevida, algumas bactérias podem sobreviver ao tratamento e se multiplicar, desenvolvendo resistência a ele.

O resultado é que a doença volta, mas o tratamento pode não ser tão eficaz.

Medicamentos para leptospirose

Os principais medicamentos usados para o tratamento da leptospirose são antibióticos. Além disso, medicamentos antitérmicos e analgésicos podem ser utilizados para reduzir os sintomas da doença.

É importante lembrar que a leptospirose pode causar hemorragia. Por isso, qualquer medicamento que possa afinar o sangue, como os que têm Ácido Acetilsalicílico (AAS) em sua composição, é contraindicado.

Os medicamentos usados no tratamento da leptospirose podem ser:

Antibióticos

Analgésicos e antitérmicos

Leia mais: Grávida pode tomar dipirona? Prejudica o bebê?

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Qual o prognóstico?

O prognóstico da leptospirose varia de pessoa para pessoa e do tipo da doença. Na maioria dos casos, ele é positivo já que o próprio sistema imunológico consegue lidar com a doença.

Entretanto, quando é a forma grave da leptospirose (ictérica), o tratamento é necessário, mas nem sempre o bastante para salvar o paciente, especialmente quando a doença está avançada.

Aproximadamente de 10% a 50% dos pacientes que contraem a leptospirose morrem, e o tipo da doença — ictérica ou não — modifica as chances.

Um paciente com a versão grave, a ictérica, está em perigo muito maior. Por isso, é essencial que, caso haja sinais da doença, busque-se um médico.

Complicações da leptospirose

A leptospirose é uma doença grave que pode trazer algumas complicações. Entre elas:

Insuficiência renal

A bactéria que causa a leptospirose afeta diretamente os rins. Além de sua toxicidade direta, ela também causa outros sintomas, como a icterícia, que podem danificar os órgãos.

Devido a esses danos, a insuficiência renal pode aparecer, sendo uma das complicações mais comuns.

Hemorragias

As hemorragias são as consequências mais sérias da doença, já que a perda de sangue pode ser fatal.

Hemorragia pulmonar é a complicação que mais mata pacientes de leptospirose e, por isso, quando a doença está na forma ictérica, é essencial que a pessoa seja levada para o hospital.

Meningite

A bactéria causadora da leptospirose pode afetar as meninges (camadas que protegem o cérebro), causando meningite.

Esta doença é grave, pode causar a morte e deixar sequelas neurológicas nos pacientes. Por isso, exige tratamento urgente.

Miocardite

Miocardite é a inflamação das paredes do coração. Ela pode acontecer devido à ação da bactéria Leptospira no coração, levando a um perigoso processo inflamatório.

Anemia

A leptospirose ictérica pode ter como consequência uma anemia, que é a redução da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue. Frequentemente isso acontece por causa da falta de ferro na alimentação, mas outras condições, como a leptospirose, podem desencadeá-la.

Leia mais: Alimentos para anemia que ajudam na cura e prevenção

Pancreatite

Quando a bactéria causadora da leptospirose afeta o pâncreas, ela pode levar a uma pancreatite como complicação. É a inflamação do órgão. Também é uma complicação relacionada à forma ictérica da doença.

Morte

A infecção por Leptospiras pode causar a morte. Por isso, é muito importante que a doença seja evitada e que as pessoas se previnam. Quando ela é contraída, o tratamento médico é essencial para evitar o falecimento do paciente.

Como fazer a prevenção?

A leptospirose pode ser uma doença muito perigosa, mas há maneiras de reduzir as chances de contaminação pela bactéria que a causa. Algumas destas maneiras são:

Não ande descalço

Andar descalço em lugares onde animais podem ter urinado aumenta suas chances de entrar em contato com a bactéria da leptospirose, que pode infectar cortes muito pequenos em seu corpo. Usar sapatos evita esse contato e pode te proteger.

Não entre na água de enchentes

As enchentes são o método de contaminação mais comum para a leptospirose. A urina de rato costuma ficar no chão e nas redes de esgoto, mas enchentes têm a capacidade de levar as bactérias presentes nessa urina para a superfície, além de transportá-las para o encontro de pessoas.

Não deixe que crianças ou animais brinquem em água de enchente e, se você trabalha em alguma área que exija o contato direto com água de enchentes ou ache que não poderá evitar, a utilização de botas e luvas pode reduzir os riscos.

Evite ratos

A bactéria está presente em diversos animais, mas os roedores são o principal vetor da doença. Evitar o contato com eles reduz sua chance de ser infectado.

Para isso, mantenha o terreno e a residência limpos, sem lixo acumulado nem alimentos expostos que possam atraí-los.

Limpe sua caixa d’água

A leptospirose pode ser transmitida através do contato com a água contaminada e, por isso, uma caixa d’água exposta ou em local que ratos podem acessar é uma maneira de contaminar uma casa inteira.

Limpe sua caixa d’água com frequência para evitar que este e outros microrganismos se multipliquem em sua água.

A água sanitária é eficaz para eliminar diversas bactérias, incluindo a Leptospira. Você pode usá-la para desinfetar reservatórios de água que possam ter entrado em contato com a bactéria ou com enchentes.

Use 1 litro de água sanitária para cada 1000 litros de água de seu reservatório, isso será o suficiente para evitar que haja contaminação dos moradores.

Não jogue lixo na rua

Jogar lixo na rua é uma maneira de aumentar as chances de enchentes, já que ele pode bloquear os bueiros e canos em que a água da chuva deveria escoar.

As enchentes, por sua vez, multiplicam as chances da leptospirose ser contraída por centenas ou até milhares de pessoas.

Vacine seu cão

Apesar de não haver vacina contra a leptospirose para humanos, cães têm essa opção de proteção. Vacinar seu animalzinho impede que ele fique doente e também ajuda a evitar que a doença se espalhe mais.

Leptospirose em cães

A leptospirose canina pode ser especialmente perigosa para os bichinhos.

Normalmente, assim como nos humanos, ela não é muito intensa, mas quando o animal tem a imunidade baixa, a doença pode se apresentar de maneira grave, causando hemorragias, dores e até a morte.

Cães têm um risco muito maior do que humanos de contrair a doença já que muitos vivem do lado de fora de casa, onde podem ter contato com ratos sem que o dono saiba.

Por isso, a prevenção é extremamente importante. Manter o cão afastado de animais silvestres é essencial quando possível, mas a melhor garantia é a vacinaçãos.

Vacina canina para leptospirose

Não existe vacina humana para a doença, mas a canina sim. Ela protege o animal da leptospirose, que além de poder ser fatal para o bichinho, também pode ajudar a espalhá-la.

A vacina pode causar efeitos colaterais relacionados à alergia, mas eles são raros.

Essa vacinação não torna o animal completamente imune, mas aumenta as chances de que o sistema imunológico controle a bactéria com mais facilidade, além de reduzir muito a possibilidade de a leptospirose se apresentar de maneira grave nos cães.

Deve-se repetir a vacina anualmente, principalmente em cães que vivem em áreas de risco, onde enchentes sejam comuns ou muitos roedores estejam próximos.

Perguntas frequentes

Todo rato tem leptospirose?

Não, nem todos os ratos transmitem a leptospirose. É necessário que o animal esteja infectado pela bactéria causadora da doença, o que nem sempre é o caso.

Entretanto, a doença é comum nos ratos e tomar cuidado com o contato com os roedores reduz o risco de contaminação.

A leptospirose é contagiosa?

Não. A leptospirose não é transmitida de humano para humano, então não existe preocupação no contato com pessoas contaminadas.

Qual é o período de incubação da leptospirose?

O período de incubação da leptospirose é de, em média, 7 a 14 dias. É o tempo que leva para que os sintomas comecem a aparecer. Entretanto, em alguns casos, esse tempo pode ser diferente, manifestando sintomas logo no 1º dia ou levando até 30 dias para ocorrerem.

Quanto tempo leva para a leptospirose aparecer?

Os primeiros sintomas podem aparecer entre 1 e 30 dias depois da contaminação. Depois de eles serem identificados, é essencial fazer uma visita ao médico para evitar que a doença se desenvolva de maneira grave.

Posso pegar leptospirose bebendo refrigerante ou líquidos em latinhas?

Se um rato urina na latinha, teoricamente é possível. Entretanto não há casos registrados de que alguma contaminação aconteceu dessa forma.

A leptospirose pode ser contraída quando se ingere líquidos contaminados, já que a bactéria pode atravessar a mucosa da boca, mas isso é raro.

Caso haja urina de rato contaminada sobre a latinha e alguém beber dela, a bactéria pode contaminar a pessoa, mas é mais provável que ela vá para o estômago e seja destruída pelos ácidos estomacais.

As chances de contaminação são maiores caso haja feridas na boca.

Em conclusão, as chances deste tipo de contaminação são baixas, mas, ainda assim, limpar o topo das latinhas não é uma má ideia, seja você consumidor ou vendedor, já que diversas bactérias podem estar presentes nela.

O que fazer se eu não posso evitar a água contaminada?

Se você não tiver maneiras de evitar a água que pode estar contaminada, fique o mínimo de tempo possível em contato com ela.

Caso sua casa seja inundada, na hora da limpeza, é importante usar água sanitária para evitar que as bactérias fiquem no chão ou superfícies.

Para a higienização, misture 400mL de água sanitária em um balde de 20 litros de água e deixe a mistura agir por 15 minutos na região. Em seguida,  enxágue a área com água limpa.

Alimentos que entrarem em contato com a água devem ser jogados fora.

Quanto tempo a bactéria da leptospirose sobrevive no ambiente?

Dependendo das condições da área, ela pode sobreviver por meses sem um hospedeiro. Entretanto, a bactéria é sensível a desinfetantes comuns e à luz do sol direta.

Leptospirose é contagiosa?

Não. Não é possível transmitir a bactéria Leptospira entre pessoas. Ela é apenas transmitida através do contato do microrganismo na urina de alguns mamíferos, entre os quais o ser humano não se inclui. A bactéria não está presente na urina humana.


A leptospirose é uma doença perigosa, que se espalha facilmente durante enchentes e é causada por uma bactéria que frequentemente está na urina do rato. Compartilhe esse texto com seus amigos!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 21/02/2019


Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.

Participe da discussão

29 comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Agradeço as informações, que tornaram claros com que DOENÇA o meu pet estava. Muito bom o artigo.

  2. Para mim foi triste saber dessas informações depois que perdi minha irma mais nova pela doença ????????

    1. Olá Tânia!

      O contágio de uma pessoa para outra não acontece. No tópico “Como prevenir a Leptospirose? É transmissível?” deste artigo, você encontra mais informações.

    1. Olá!

      As informações referentes ao diagnóstico estão no tópico “Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?” deste artigo. Lá você encontra a lista de exames comumente solicitados pata detectar a doença.

  3. Quais os sintomas em gatos? Eles podem ser contagiados pelo consumo de ratos que contenham a bactéria?

    1. Olá Denis!

      Os sintomas nos gatos podem incluir: febre, falta de apetite, dificuldade de locomoção, fraqueza, vômitos (às vezes com sangue), diarreia, coriza, dificuldade de respiração, pulso irregular, icterícia e inchaço dos gânglios linfáticos. Além disso, aumento da sede e micção com posterior dificuldade em urinar podem indicar insuficiência renal crônica, consequência da leptospirose.

      Já o consumo de ratos infectados pode favorecer o contágio, visto que o animal terá contato com os fluidos biológicos da presa. Converse com o médico veterinário para esclarecer melhor suas dúvidas!

  4. Olá, após quantos dias do contágio a bactéria pode ser identificada no exame de sangue? Estive em um lugar que tinha muitos ratos e gostaria de fazer o exame pra identificar qualquer contaminação o quanto antes.

    1. Olá, Larissa.
      O exame, em geral, é solicitado quando o paciente foi exposto a áreas de risco e apresentou sintomas. O indicado é observar os sinais do seu organismo e, caso perceba alguma alteração, procurar um atendimento médico.

  5. boa tarde..gostaria de saber se apos quanto tempo do termino do tratamento da leptospirose posso fazer musculação ? E se é normal sentir dor nos membros inferiores, em especial na paturrilha quando faz esforço fisico( ate mesmo limpar uma casa), mesmo apos 4 dias do termino do tratamento?

    1. Olá, Eliane.
      É importante consultar o médico que te atendeu e seguir as recomendações para verificar a relação do sintoma com a leptospirose.
      Após o tratamento finalizado, é necessário observar os sinais do organismo e retomar as atividades físicas gradativamente.
      Se você apresenta dores ou mal-estar, consulte o seu médico e não se automedique.

  6. Após o término do tratamento e possível que a bactéria ainda esteja no organismo do paciente ,porque tive a doença na forma mais grave e estou de alta a 17 dias e me falaram que ainda fica no sangue ?

     

    1. Olá, Deyvid!

      O uso de antibióticos tem o objetivo de eliminar a bactéria e é por isso que o paciente deixa de sentir os sintomas. Quando o tratamento é finalizado e seguido da maneira correta (respeitando os horários da medicação e seguindo todas as recomendações) o microrganismo não estará mais presente no organismo. Se você ainda tem dúvidas e sente algum sintoma, converse com seu médico.

  7. Bom dia !acabei de engirir um iogurte e como não tinha uma colher em mãos ,bebi o mesmo direto na embalagem e não tive o cuidado de lavar antes ! Percebi algo suspeito na tampa da embalagem uma mancha !estou preocupado pois pode ser que me contaminem via oral!e soube de muitos casos de morte rápida nesta forma de contaminação !o que devo fazer agora ?

    1. Olá, Denilson.
      Apesar de poder ocorrer contaminação desse modo, em embalagens ou latas infectadas, a incidência é pequena.
      Sugerimos que você fique atento se surgem sintomas nos próximos dias e, caso ocorram, procure um médico. No entanto, também é importante considerar que várias bactérias ou agentes infecciosos podem estar nas embalagens. Por isso, caso haja algum sintoma, ele pode ser decorrente de outras infecções também.

  8. Boa tarde á 5 dias atrás trisquei a língua no meu saleiro pois senti um odor como urina de rato cuspi e engoli a saliva e lavei imediatamente com sabão líquido estou com muito medo de ter sidi infectado pela leptospirose fui no hosp infectologia e fui mal atendido pelo profissional graças a Deus n tenho sentido nada até agora quero fazer o exame hj está com 5 dias que aconteceu não consigo tirar da minha cabeça e n trabalhar me ajudem.

    1. Olá, Francisca.
      A transmissão pela ingestão de algum alimento ou líquido contaminado é bastante rara. Na maioria dos casos, quando ocorre, a bactéria é destruída no processo de digestão antes de poder infectar o organismo.
      Porém, caso você esteja se sentindo insegura, mesmo sem sintomas, é recomendável que retorne à unidade de saúde ou agende uma consulta para ser avaliada por um profissional.

    1. Olá, Ruan.
      É preciso ter contato direto com a urina para que haja riscos de contaminação. Por isso, enchentes ou caminhar descalço no solo infectado podem ser situações de risco.
      Respirar próximo da urina não é capaz de transmitir a doença.

  9. Boa tarde! Muito interessante este artigo e com informações importantíssimas. Devia inclusive destacar mais sobre a informação de que existe vacina canina contra a leptospirose, pois não é do conhecimento de muita gente… inclusive não era do meu conhecimento e tive uma péssima experiência com essa doença, e me sinto mal por não ter tido essa informação antes. Meu animal contraiu esse vírus e passou por maus bocados… conseguimos tratá-lo!! E logo após descobrir que ele estava doente, entrei num site chamado Geração Pet para comprar uns produtos pro meu cachorro e tirando dúvidas com a atendente foi quando descobri que existia vacina para essa doença… nem os veterinários haviam me informado. Enfim, parabéns pela matéria!! Continuem com artigos informativos ao público, que nos ajuda muito. Obrigado.

  10. Parabéns, conteúdo excelente, todo mundo deveria ler para ficar atento a essa bactéria. Meu vizinho estava com todos os sintomas e só foi pro hospital quando já estava com um quadro bem avançado. Graças à Deus a equipe médica tratou imediatamente e ele já está em casa se recuperando. Hoje sabemos os sintomas então fica fácil procurar ajuda, mas antes não sabíamos.

  11. Fui fazer uma faxina ,onde tinha alguns sacos com bagunça dentro e quando levei a mão ao naris sentir cheiro de mijo,e vô certeza é de rato ,lavei rapidamente ,e passei álcool nas mãos , não tenho nenhuma ferida ,posso ter sido contaminado???

    1. Olá, Nério.
      Como diz o texto, mesmo que não haja cortes ou feridas, a bactéria transmissora pode conseguir penetrar na pele.
      Por isso, o mais recomendado é que você procure um profissional de medicina e solicite o diagnóstico.
      Felizmente, essa doença tem tratamento e cura que poderão ser receitadas pelo médico, se for necessário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *