Tudo sobre Criptococose: sintomas, tratamento, prevenção e mais

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O que é criptococose?

É uma doença infecciosa, micose sistêmica, causada pelo fungo leveduriforme Cryptococcus neoformans. Também conhecida por “Torulose”, “Blastomicose Européia” e “Doença de BusseBuschke”.

Ocorre no mundo todo, acomete mamíferos domésticos (gatos e cachorros, por exemplo), animais silvestres e o ser humano, causando alterações no trato respiratório e sistema nervoso central. A doença tem maior frequência em caninos e felinos.

O fungo desta doença tem seu modo de incubação desconhecido, está presente em frutas, mucosa oronasal de animais, pele de animais e seres humanos e, principalmente, no solo contaminado por fezes de aves (pombos são os principais), permanecendo viável por até dois anos ao acometimento cerebral.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é criptococose?
  2. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
  3. Como identificar? Quais os sintomas?
  4. Quais são os tipos de Criptococose?
  5. O que causa?
  6. Tratamento em humanos
  7. Tratamento em animais
  8. Como prevenir? É transmissível?

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

O clínico geral e, para animais, o veterinário. O diagnóstico é feito através de observação clínica e de vários testes laboratoriais, que podem ser:

  • Pesquisa de antígeno polissacarídeo circulante no soro e líquor: identificado através da prova de látex.
  • Tinta da china: torna possível detectar o agente transmissor da Criptococose.
  • Análise de secreções corporais, permite detectar a presença do fungo no corpo do indivíduo.
  • Radiografia do tórax: pode ser útil para o diagnóstico, pois permite observar danos pulmonares, nódulos ou massa única que caracterizam a Criptococose.
  • O exame de cultura pode ser realizado em ágar Sabouraud, incubada a 35ºC por 48h a 72h, com o surgimento de colônias de coloração creme e aspecto mucóide, ou ainda, em ágar Níger no qual as colônias podem apresentar coloração marrom.
  • Demais exames citológicos, micológicos, histopatológicos e imunológicos.

Em seres humanos, o diagnóstico auxiliar pode ser realizado através da prova intradérmica de leitura tardia, usando a criptococcina (antígeno peptídiopolissacarídeo).

O diagnóstico definitivo é obtido com base na identificação do agente por citologia e cultura de fluídos corporais (exudato nasal e fluído cérebroespinhal), além de tecidos, pele, unhas e nódulos linfáticos.

Como identificar? Quais são os sintomas?

O fungo da criptococose possui tropismo pelo sistema nervoso central e se manifesta, geralmente, como meningite criptococócica (o sintoma mais grave) nos seres humanos, sendo que a principal responsável por esse fator é a queda da imunidade celular.

Porém, outros tecidos podem ser afetados, sendo que a resposta tecidual varia muito. Nos indivíduos que se encontram imunossuprimidos, geralmente há o crescimento de massas de consistência gelatinosa do fungo nos tecidos.

Quando há uma grave imunossupressão, a infecção se espalha para a pele, órgãos parenquimatosos e ossos. Já nos indivíduos imunocompetentes ou com doença crônica, acontece uma reação granulomatosa.

Nos animais, a ocorrência é similar a dos humanos, os mais afetados são os imunossuprimidos. Alguns fatores associados à criptococose em animais são: debilidade, desnutrição, uso prolongado de corticoides e algumas infecções virais.

Os sintomas da criptococose dividemse em 4 grupos de síndromes, que podem estar associadas ou isoladas em um mesmo indivíduo:

Síndrome respiratória

Esta síndrome ocorre com mais frequência em felinos domésticos, sendo observada nesses animais a formação de massas firmes ou pólipos no tecido subcutâneo, especialmente na região nasal (“nariz de palhaço” ); os cães podem apresentar tosse. Outros sintomas são:

  • Corrimento nasal (mucopurulento, seroso ou sanguinolento).
  • Dispneia inspiratória.
  • Espirros.
  • Estertores respiratórios.

Síndrome neurológica

O sistema nervoso central e os olhos são os mais afetados. Esta síndrome manifestase nos cães sob a forma de meningoencefalite, e os sintomas vão depender do local da lesão. Os sintomas são:

  • Depressão.
  • Desorientação.
  • Vocalização.
  • Diminuição da consciência.
  • Ataxia.
  • Andar em círculos.
  • Espasmos.
  • Paresia.
  • Paraplegia.
  • Convulsões.
  • Anisocoria.
  • Dilatação da pupila.
  • Diminuição da visão.
  • Cegueira.
  • Surdez.
  • Perda de olfato.

Síndrome ocular

Os sinais clínicos mais observados são: uveíte anterior, coriorrenite granulomatosa, hemorragia da retina, edema papilar, neurite óptica, midríase, fotofobia, blefarospasmo, opacidade da córnea, edema inflamatório da íris e/ou hifema e cegueira.

Síndrome cutânea

Acomete, especialmente, os felinos, sendo que as lesões de pele encontramse, principalmente, na cabeça e pescoço desses animais. Essas lesões correspondem a ulcerações, que podem ser no focinho, na língua, no palato, na gengiva, nos lábios e nas patas.

Em humanos, o sorotipo A é mais frequente no Brasil, sendo caracterizado pelo acentuado dermotropismo. Quando há criptococose sistêmica, as lesões na pele são observadas em 10% a 15% dos casos; a doença está relacionada diretamente à imunidade do paciente e pode ocorrer nas formas: pulmonar ou disseminada.

A criptococose cutânea primária é a mais rara, mas pode acontecer em casos de inoculação direta do fungo na pele. Entre os sintomas que acometem os humanos estão:

  • Corrimento nasal.
  • Confusão mental.
  • Dispnaia.
  •  Dor de cabeça.
  • Dor no peito.
  • Espirros.
  • Febre.
  • Fraqueza.
  • Meningite (considerado o pior sintoma da criptococose).
  • Náuseas.
  • Nódulos pulmonares.
  • Rigidez na nuca.
  • Sensibilidade a luz.
  • Suor noturno.
  • Vômitos.

Em equinos e ovinos já foram descritos casos de criptococose cursando com alterações respiratórias como rinites, sinusites, granulomas e pólipos nasais ocluindo parcialmente a via respiratória.

Em equinos, casos de encefalite, meningites e aborto também já foram descritos. Em bovinos, a infecção por Cryptococcus spp está relacionada à mastite com tumefação do úbere e aumento dos linfonodos supramamários. Embora já tenha sido descrito um caso de meningoencefalite criptococócica em bovino.

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Quais são os tipos de Criptococose?

Pode ser classificada em subaguda e crônica.

Quanto ao fungo, são conhecidos cinco sorotipos: A, B, C, D e AD, divididos em 3 variedades, veja:

  • C. neoformans, variedade neoformans (sorotipos A, AD, D): está relacionada a fontes ambientais como solos contaminados com excretas de aves.
  • C. neoformans, variedade grubii (sorotipo A).
  • C. neoformans, variedade gatti (sorotipo B e C): há uma hipótese de que esta variedade teria alcançado diversas partes do mundo através da disseminação de sementes de Eucaliptus camaldulensis, provenientes da Austrália, devido à micélios dicarióticos contidos nele. Estruturas encontradas nas flores desta árvore funcionam como hospedeiros para o fungo e sua associação biotrófica.

Porém, tem sido observada a presença desse fungo em outras árvores; e isolado também em fezes de morcegos, ocos de árvores e colmeia de vespas.

Em seres humanos, a criptococose pode ocorrer na forma disseminada ou pulmonar:

Disseminada

Relacionase à ocorrência de meningoencefalite (ME) e ocorre em mais de 80% dos casos, seja na forma isolada ou associada ao acometimento pulmonar. A ME subaguda ou crônica causa comumente cefaléia occipital, inicialmente intermitente.

A ocorrência de febre é variável e com a progressão da doença ocorre redução ou perda da visão, hipertensão craniana e hidrocefalia. As lesões focais únicas ou múltiplas no SNC, simulando neoplasias, associadas ou não ao quadro meníngeo, são observadas no hospedeiro imunocompetente.

As manifestações ósseas ocorrem em 5% dos casos e atingem principalmente vértebras, pélvis, crânio e costela. Nas manifestações cutâneas ocorrem em 10%, apresentandose como pápulas, celulite ou ulcerações com drenagem de exsudato purulento rico em estruturas fúngicas.

Pulmonar

A segunda mais frequente após o acometimento do sistema nervoso central. O complexo primário pulmonarlinfonodo, à semelhança da tuberculose e da histoplasmose, pode ser assintomático e com potencial risco de disseminação em presença de imunodepressão.

A criptococose pulmonar regressiva é decorrente da infecção primária ou de reinfecção exógena, as quais normalmente passam desapercebidas, sendo diagnosticadas casualmente em exame histopatológico. A criptococose pulmonar progressiva é caracterizada pela presença de nódulos císticos repletos de leveduras e com mínima reação inflamatória do parênquima pulmonar.

Seus sintomas variam, inespecíficos e muitas vezes escasso, entretanto, podem ser observados: tosse, escarro mucóide e dor torácica.

O que causa?

A infecção ocorre pela via aerógena, através da inalação de esporos do fungo, que resulta em uma infecção primária do sistema respiratório, afetando principalmente a cavidade nasal. Após a infecção, o fungo pode espalharse através da circulação sanguínea ou linfática.

A patogenia causada pelo fungo vai depender de fatores divididos em dois grupos: o primeiro relacionado com as características do estabelecimento da infecção e capacitação de sobrevivência no hospedeiro, e o segundo relacionase aos fatores de virulência, refletindo no grau de patogenicidade.

Tratamento da Criptococose em humanos

Em pacientes imunocompetentes e imunocomprometidos em infecções disseminadas, utilizase a anfotericina B, juntamente com a 5flucitosna. Como remédios, o médico poderá indicar:

  •  Anfotericina B: administração de 0.3 mg, durante 6 a 10 semanas.
  •  Fluconazol e Itraconazol: são antifúngicos, como alternativa para o tratamento de infecções cutâneas.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Tratamento da Criptococose em animais

Recomendase a administração de antifúngicos sistêmicos, como a anfotericina B, fluocitosina, cetoconazol, itraconazol, fluoconazol, isoladamente ou em associação. Entretanto, a administração de anfotericina B, fluocitosinab e cetoconazol para o tratamento da síndrome neurológica não leva à resultados satisfatórios, pois não alcançam concentrações eficazes sem que haja efeitos colaterais.

Como prevenir? É transmissível?

Não há registros de transmissão de animais para animais ou para homens. A principal fonte de transmissão desta doença é a população de pombos, assim, a melhor estratégia de prevenção é o seu controle.

Também evitando o contato direto com as fontes causadoras da doença, principalmente os pombos, alguns cuidados essenciais:

  • Evitar alimentar pombos.
  • Se houver necessidade de trabalhar com aves, utilizar máscaras e luvas;
  • Utilizar água e cloro para lavar as fezes dos pombos presentes nos locais em que se frequenta.

A criptococose atinge o mundo todo e ainda não existem medidas preventivas específicas, apenas atividades educativas relacionadas ao risco de infecção. Não há necessidade de isolamento dos doentes. As medidas de desinfecção de secreção e fômites devem ser as de uso hospitalar rotineiro. Compartilhe este artigo para auxiliar a disseminação das informações sobre esta doença!

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3 Comentários

  1. Estou em tratamento de meningite fúngica, fiquei 47 dias internado sendo, 3 na UTI, perdi 11 quilos em uma semana quase morri, nunca tive nenhum problema de saúde, essa doença pode contaminar qualquer tipo de pessoa, tomem muito cuidado, este site dá muitas instruções sobre a doença leiam com bastante atenção, e sigam as recomendações, meningite pode matar ou deixar sequelas irreversíveis.

  2. Tive essa doença em 2006 e fiquei internado com dois tumores, um na nuca e outro no pulmão, muita dor de cabeça. Contraí outra meningite lá dentro do hospital. Hoje estou curado!

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