Febre, tosse, dor no peito e fadiga. Esses sintomas parecem de uma gripe comum, não é mesmo?

Mas são também os sintomas da pneumocistose, uma doença provocada por um fungo, responsável por levar a óbito muito dos pacientes portadores de AIDS.

Essa doença é considerada uma infecção oportunista, pois surge nos indivíduos que estão com o sistema imunológico debilitado, causando problemas respiratórios.

Conheça mais sobre essa doença e como ela afeta nosso organismo:

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é pneumocistose?
  2. Pneumocistose e HIV
  3. O que causa?
  4. Transmissão: pneumocistose é contagiosa?
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas da pneumocistose
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Pneumocistose tem cura?
  9. Tratamento para pneumocistose
  10. Medicamentos
  11. Prognóstico
  12. Complicações: quais as consequências?
  13. Profilaxia: quais as medidas de precaução?

O que é pneumocistose?

A pneumocistose é uma doença causada por um fungo, chamado Pneumocystus jiroveci, e é considerada um tipo de pneumonia (inflamação dos pulmões).

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Muitas pessoas são expostas cotidianamente a esse fungo sem saber, mas quando o sistema imune é forte e saudável, geralmente, a doença não se desenvolve.

Por isso, é conhecida como infecção oportunista, pois os fungos  atacam somente sistemas imunológicos fracos.

Entre os fatores de risco para a infecção estão, por exemplo, a presença de  outras doenças, como AIDS, lúpus ou quem se submeteu a transplante de órgão.

A pneumocistose é transmissível por meio das gotas de saliva dos portadores, que acabam passando a pessoas com a imunidade debilitada.

Entre os sintomas estão a tosse seca, febre, falta de ar, fadiga e dor no peito.

O especialista indicado para realizar o diagnóstico dessa condição e o tratamento para cada caso é o médico pneumologista, e os tratamentos podem incluir o uso de medicamentos para eliminar o fungo e fisioterapia respiratória.

Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID 10, podemos encontrar a pneumocistose pelo código B59.

Pneumocistose e HIV

Em 1981, foi feito um alerta pelo Center Of Disease Control (CDC) dos Estados Unidos sobre a frequente presença do P. Jirovecci, fungo causador da pneumocistose, em pacientes que possuam a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, ou AIDS (SIDA em inglês).

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A condição é capaz de  interferir no processo do organismo em combater infecções.

Após o alerta e pesquisas realizadas, foi constatado que 80% dos portadores de AIDS desenvolviam a pneumocistose, sendo essa uma das principais causas de mortalidade desses pacientes nos EUA.

Por isso, pacientes com HIV ou AIDS fazem frequentemente o exame de contagem de células T auxiliares, que ajuda a identificar a pneumocistose. A doença é detectada quando as células T auxiliares (CD4+) são menores que 200 células/mm3.

O que causa?

A pneumocistose é causada por um fungo, denominado Pneumocystis jiroveci. O agente normalmente está presente em nossos pulmões e não causa nenhum dano, desde que o organismo esteja saudável.

Todas as espécies mamíferas (o que inclui o ser humano) podem ter esse fungo no pulmão, por isso, a condição é chamada de infecção oportunista, pois se houver queda na imunidade, os danos decorrentes do fungo se manifestam.

Mas para quem possui o sistema imunológico debilitado em decorrência de doenças como HIV, AIDS, lúpus ou que passaram por algum transplante de órgão, a infecção se desenvolve mais facilmente, causando uma inflamação e o acúmulo de líquido nos pulmões.

Transmissão: pneumocistose é contagiosa?

A pneumocistose é transmissível por meio de contato com gotas de saliva dos pacientes que têm a doença (pode ser ao falar, tossir, espirrar).

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Vale lembrar que a maioria das pessoas possui o fungo, mas não manifesta sintomas. Somente quem está com o sistema imunológico fraco desenvolve a infecção sintomática.

Fatores de risco

O principal fator de risco é estar com a imunidade fraca, que pode ser provocada por fatores como:

  • Desnutrição;
  • Portadores de HIV ou AIDS;
  • Cirurgia recente de transplante de órgãos;
  • Cânceres hematológicos (leucemia, linfoma);
  • Uso de corticoides.

Sintomas da pneumocistose

A pneumocistose, em geral, surge de forma rápida e pode manifestar sintomas por mais de 2 semanas. Entre eles:

Tosse seca

A tosse seca ocorre devido ao processo infeccioso causado pelo fungo, que atinge as vias aéreas provocando irritação na garganta.

A maioria dos pacientes apresenta tosse seca, mas em alguns casos pode ocorrer também expectoração.

pode se manifestar com tosse seca prolongada. Neste caso, o processo infeccioso atinge a via aérea e a tosse é disparada por estímulos nos brônquios e pleura.

Febre

A febre é um dos sintomas de pneumocistose, sendo que ela geralmente ocorre em baixa intensidade, entre 37,5ºC e 38°C.

Falta de ar (dispneia)

A falta de ar é um sintoma recorrente, pois os pulmões são incapazes de fornecer oxigênio suficiente ao sangue. O que pode provocar falta de ar, mesmo sem realizar uma atividade que possa exigir esforço, como caminhar.

Fadiga

O cansaço em excesso e constante pode indicar a pneumocistose, principalmente quando a fadiga aparece em momentos distintos como ao acordar e fazer atividades cotidianas.

Dor no peito

Outro sintoma característico da pneumocistose é a dor no peito, desde momentos que exigem maior esforço até quando o paciente simplesmente respira estando parado.

Como é feito o diagnóstico?

O especialista para tratar a pneumocistose é o médico pneumologista, que poderá analisar as diferentes doenças que afetam nossos pulmões. Para realizar o diagnóstico de pneumocistose, alguns exames laboratoriais como análise do escarro pode ser utilizado. Além deste também são comuns os seguintes exames:

Radiografia de tórax (raio-X)

A radiografia de tórax, popularmente conhecida como raio x, é um exame que pode avaliar o paciente e auxiliar também no diagnóstico de outras doenças.

Para ser realizado, utiliza-se a radiação ionizante, que produz uma imagem do tórax, em que são observadas alterações no tecido dos pulmões, que pode indicar a presença da doença.

Oximetria de pulso

A oximetria de pulso é um exame simples, em que é medida a quantidade de oxigênio que o sangue está transportando para o corpo. No caso de constatação de uma doença nos pulmões, o nível de oxigênio sanguíneo será baixo.

O exame é simples e não invasivo, e consiste em colocar o dedo dentro de um pequeno aparelho, semelhante a um grampo grande, que realiza a medição.

Confirmação histopatológica

O exame de confirmação histopatológica é uma espécie de biópsia, em que um fragmento de tecido ou de algum órgão é retirado e levado para análise em laboratório. Por meio do microscópio é feita uma avaliação para diagnosticar a patologia.

No caso da pneumocistose, o médico poderá coletar o escarro produzido pelo paciente, para verificar posteriormente no microscópio a presença de fungos.

Pneumocistose tem cura?

Sim, a pneumocistose tem cura quando o tratamento é realizado da maneira correta. Com o uso dos medicamentos indicados pelo médico o organismo, em geral, consegue se restabelecer.

Mas em pacientes que possuem doenças que afetam o sistema imunológico com frequência, o cuidado com a pneumocistose precisar ser mais rígido para que ela não seja fatal.

Dependendo da doença, o especialista poderá indicar medicamentos específicos para que não ocorra o retorno da doença nesses organismos mais debilitados.

Tratamento para pneumocistose

O tratamento para pneumocistose consiste no uso de medicamentos para eliminar a microrganismo causador da condição e fisioterapia respiratória para auxiliar a saúde dos pulmões dependendo do caso:

Medicamentos

O uso de medicamentos é a opção mais indicada para o tratamento da pneumocistose, geralmente o médico prescreve antibióticos, como trimetoprim e sulfametoxazol para eliminar o fungo responsável pela doença.

Muitas pessoas que possuem alergia à sulfa acabam tendo efeitos colaterais no uso dos medicamentos para tratar pneumocistose, nesse caso os corticoides são administrados em conjunto para melhor eficácia.

Fisioterapia respiratória

Dependendo do caso, o médico pode recomendar a prática de fisioterapia respiratória para melhorar a respiração do paciente.

Utilizando equipamentos específicos, as atividades de fisioterapia ajudam ao pulmão liberar as secreções, facilita a chegada do oxigênio ao corpo todo e também dá maior capacidade ao pulmão de exercer suas atividades.

Medicamentos

O medicamento antibiótico utilizado para tratamento de pneumocistose vai depender do estado do paciente:

Sulfametoxazol + trimetoprima

Para eliminar a bactéria causadora da pneumocistose, o medicamento mais comum de ser recomendado é o sulfametoxazol + trimetoprima:

Cloridrato de clindamicina

Quando o caso é leve ou moderado, pode ser indicado o uso de clindamicina pelo especialista em alternativa ao sulfametoxazol + trimetoprima:

Prednisona e prednisolona

Em pacientes portadores de HIV, há um cuidado maior na escolha dos medicamentos. Os mais comuns de serem recomendados nesses casos são:

Isetionato de pentamidina

Quando a doença está em fase grave, que não houve resposta aos medicamentos sulfametoxazol + trimetoprima, é utilizado o isetionato de pentamidina de maneira intravenosa no paciente no próprio hospital.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Casos de pneumocistose diagnosticados ainda no início têm grande probabilidade de sucesso no tratamento, obtendo-se a cura. Quando o diagnóstico é feito tardiamente ou em pacientes portadores de HIV, a chance de fatalidade varia entre 30% a 50%.

Complicações: quais as consequências?

Se a pneumocistose não for tratada com o uso de medicamentos prescritos pelo médico, a doença pode evoluir e apresentar risco fatal para pessoas com idade avançada e portadores de HIV.

Insuficiência respiratória

A insuficiência respiratória surge em decorrência dos primeiros sintomas da pneumocistose. Com o tempo, se não for iniciado o tratamento, a insuficiência pode evoluir intensamente.

Em 20% dos casos de pneumocistose com complicações de insuficiência respiratória, há a necessidade do paciente utilizar suporte ventilatório para conseguir respirar bem.

Óbito

Quando a infecção ocorre associada a AIDS, apresenta risco de óbito ao paciente em cerca de 90% dos casos, em que as células são menores que 200 células/mm3.

Se a pneumocistose não é tratada, acaba sendo sempre fatal ao paciente. Quando ocorre o diagnóstico e a doença é tratada de forma correta a mortalidade é menor, em cerca de 15% a 20% dos casos.

Profilaxia: quais as medidas de precaução?

Para os pacientes que possuem imunodeficiência é necessário a realização de medidas de precaução, devido a pneumocistose trazer complicações podendo levar a óbito no grande número dos casos.

Quando o paciente se expõe a situações de risco, ou seja, possível contato com o fungo, a profilaxia é recomendada. Ou seja, mesmo sem a confirmação da pneumocistose, é indicado realizar a administração dos medicamentos como forma de reduzir riscos.

Mas isso deve ser feito apenas sob orientação expressa do médico.

Medidas preventivas, sobretudo para pacientes com imunodepressão, incluem evitar o contato com pessoas com pneumocistose ou ambientes hospitalares que possam representar riscos de transmissão.


A pneumocistose, doença causada pelo fungo Pneumocystus jiroveci, afeta as pessoas que estão com sua imunidade baixa, devido a outras condições como transplante de órgãos, cânceres, entre outros. É necessário ficar atento a qualquer sinal que possa indicar essa doença.

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Publicado originalmente em: 29/06/2017. Última atualização: 23/04/2019

Fontes consultadas

 


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5 comentários

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  1. Eu queria saber se a pessoa q morre com essa pneumonia sempre vai ser soro positivo

    1. Olá Ana Paula,

      A doença é especialmente agressiva em pessoas com HIV, mas isso não quer dizer, necessariamente, que todos que vão ao óbito por ela são portadores do vírus. Outras condições podem causar uma imunossupressão que leva o indivíduo a não conseguir lutar contra a doença e, por fim, falecer.

  2. Tem Chances da pessoa sobreviver mesmo portando o HIV fazendo o tratamento certo ?

    1. Olá, Paula.
      Estudos recentes divulgaram que pacientes com HIV que fazem o tratamento corretamente têm expectativa de vida bem próxima a das pessoas sem o vírus.
      Os tratamentos evoluíram bastante. Pesquisas internacionais apontam que a expectativa de vida para os pacientes que fazem uso de medicamentos aumentou 10 anos entre 1996 e 2008.
      Por isso, tomar a medicação e manter as consultas regularmente são fundamentais para ter uma rotina saudável e desempenhar as atividades praticamente sem impactos causados pelo HIV.

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