Muitas pessoas já usaram medicamentos corticoides, e ainda mais pessoas já ouviram falar que eles engordam. Apesar de o tratamento poder causar retenção de líquido, nem sempre isso acontece, pois depende bastante do tempo de uso e dosagem ingerida.

Conheça mais sobre os corticoides e descubra se eles engordam:

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que são medicamentos corticoides e para que servem?
  2. Quais os efeitos colaterais?
  3. Por que corticoide engorda?
  4. Engordei. Devo largar o tratamento?
  5. Como evitar o ganho de peso com o uso de corticoides?
  6. Como emagrecer depois do tratamento?

O que são medicamentos corticoides e para que servem?

Os medicamentos corticoides, ou conhecidos também como corticoesteroides, cortisona ou cortisol, são agentes com ação anti-inflamatória e imunossupressora. Ou seja, são receitados para diferentes condições que necessitam do controle de inflamações ou da ação imune. 

O uso não é incomum, pois podem fazer parte do tratamento de condições, desde quadros oncológicos, rinites, herpes, alergias ou doenças reumatológicas. 

Na verdade, em alguns casos, o uso indiscriminado do medicamento corticoide é que gera preocupações, pois, apesar de extremamente eficazes para os quadros indicados, eles têm efeitos adversos e, em longos períodos de uso, podem trazer riscos à saúde. 

Por isso, de forma geral, sempre que há outra opção ao corticoide, ela é preferida.

De forma geral, o uso pontual e acompanhado por profissionais de saúde é seguro e tende a manifestar poucos ou nenhum efeitos colaterais. A maior incidência ocorre em pacientes que precisam fazer uso prolongado. 


Nestes, é comum ocorrer cansaço, agitação, alterações no sono, dores de cabeça, redução da imunidade. Mas, além desses sintomas adversos, é comum haver receio no uso do corticoide em relação ao aumento de peso.

O corticoide é derivado do cortisol, um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, nas glândulas suprarrenais, e essencial para o funcionamento do corpo. Muita gente conhece o cortisol como hormônio do estresse, mas isso não significa que ele é necessariamente ruim, pois em níveis adequados, o estresse é importante.

Mas, além disso, o cortisol tem relação com uma série de ações no organismo, como degradação de proteínas, gorduras e açúcares, regula a disponibilidade de energia e tem relação com ações anti-inflamatórias e imunorreguladoras.

Por isso, se usado conforme orientação médica, os benefícios superam os riscos.

Quais os efeitos colaterais?

Existem diferentes princípios ativos que compõem a classe de corticoides. Em geral, eles apresentam efeitos adversos de acordo com o tempo de uso e dosagem. Os mais frequentes relatados pela bula são:

Alterações hidroeletrolíticas

  • Retenção de sódio (favorecendo o inchaço corporal);
  • Perda de potássio (em altas doses ou tempo de uso, é observada a hipocalemia, que é a baixa de potássio devido ao aumento do fluxo de urina);
  • Alcalose hipocalêmica (resposta dos rins à extrema ou intensa diminuição de potássio)
  • Retenção de fluidos;
  • Insuficiência cardíaca congestiva em pacientes suscetíveis;
  • Hipertensão.

Alterações osteomusculares

  • Fraqueza muscular;
  • Miopatia corticosteroide (fraqueza muscular progressiva decorrente do uso de corticosteroides);
  • Perda de massa muscular;
  • Agravamento dos sintomas de miastenia gravis (doença autoimune que causa fraqueza muscular, dificuldade de engolir e mastigar, pálpebras caídas, entre outros);
  • Osteoporose;
  • Fraturas por compressão vertebral
  • Necrose asséptica da cabeça do fêmur e do úmero;
  • Fratura patológica de ossos longos;
  • Ruptura de tendão.

Alterações gastrintestinais

  • Úlcera péptica com possível perfuração e hemorragia;
  • Pancreatite; 
  • Distensão abdominal; 
  • Esofagite ulcerativa.

Alterações dermatológicas

  • Retardo/dificuldade na cicatrização
  • Atrofia cutânea, pele fina e frágil; 
  • Petéquias e equimoses (manchas roxas); 
  • Eritema facial (vermelhidão no rosto); 
  • Sudorese excessiva; 
  • Supressão da reação a testes cutâneos; 
  • Reações como dermatite alérgica, urticária, edema angioneurótico.

Alterações neurológicas

  • Convulsões;
  • Aumento da pressão intracraniana com papiledema (pseudotumor cerebral) geralmente após tratamento; 
  • Vertigem; 
  • Cefaleia.

Alterações endócrinas

  • Irregularidades menstruais; 
  • Desenvolvimento de estado cushingoide;
  • Supressão do crescimento fetal ou infantil; 
  • Insuficiência suprarrenal ou hipofisária secundária, principalmente em casos de estresse (cirurgias, trauma ou doença); 
  • Redução da tolerância aos carboidratos; 
  • Manifestação de diabetes mellitus latente; 
  • Aumento da necessidade de insulina ou hipoglicemiantes orais em pacientes diabéticos.

Alterações oftálmicas

  • Catarata subcapsular posterior;
  • Aumento da pressão intraocular;
  • Glaucoma; 
  • Exoftalmia (saliência anormal no globo ocular);
  • Visão turva.

Alterações metabólicas

Balanço nitrogenado negativo devido ao catabolismo proteico (relacionado à perda de massa magra).

Alterações psiquiátricas

  • Euforia;
  • Alterações do humor;
  • Depressão grave com evidentes manifestações psicóticas;
  • Alterações da personalidade; 
  • Hiperirritabilidade; 
  • Insônia.

Outras

Reações de hipersensibilidade ou anafilactoides e reações do tipo choque ou de hipotensão.

Por que corticoide engorda?

Entre os possíveis efeitos adversos relatados na bula estão a retenção de líquidos, alteração no apetite e diminuição da massa magra. Ou seja, pode desencadear uma mudança no peso.

O inchaço, que nesse caso é conhecido como hipercortisolismo e resulta da alteração na eliminação de sódio. Também é comum que o tratamento acarrete aumento da fome, de forma que a pessoa irá comer mais — isso, então, auxilia no ganho do peso.

Porém, esses efeitos adversos são observados em quem faz uso por algum período mais longo de tempo. Para a maioria das pessoas, o uso é curto (como em casos de dor, extração de dente, inflamações e alergias intensas).

Além disso, vale lembrar que o aumento da massa corporal está relacionado a uma série de fatores, como a genética, a alimentação, o tempo de uso do medicamento e a prática de atividades físicas.

Engordei. Devo largar o tratamento?

Não! Primeiro, é importante saber que o corticoide só trará mudanças observáveis e significativas na massa corporal se for usado por bastante tempo — ou seja, longas semanas.

Muitos casos, o medicamento é receitado por alguns dias, sendo que não há tempo suficiente para haver modificações no peso.

Mas, além disso, mesmo que o tratamento seja longo, é essencial mantê-lo corretamente, seguindo as recomendações médicas. Caso haja qualquer efeito adverso que atrapalhe o bem-estar e a qualidade de vida, é importante avisar o médico ou médica para avaliar a necessidade de trocar o tratamento.

Porém, caso a única queixa seja o aumento de peso, é provável que uma série de cuidados sejam integrados ao tratamento, ajudando no controle de peso.

Como evitar o ganho de peso com o uso de corticoides?

O ganho de peso durante o uso de medicamentos corticoides tem alguns aspectos correlacionados, de forma que nem todo mundo que fizer uso vai engordar. Aliás, um dos principais pontos é o tempo de uso e a dosagem.

Pessoas com condições pontuais, como dores agudas ou controle inflamatório temporário, tendem a precisar de tratamento por períodos curtos — às vezes, cerca de 5 a 7 dias.

Nesse tipo de uso, é incomum que ocorram alterações significativas de peso. No entanto, de qualquer forma, o ideal é sempre combinar o uso da medicação com uma alimentação balanceada e a prática de atividades físicas.

É comum que o corticoide gera aumento de fome, fazendo com que a ingestão calórica seja elevada também. Por isso, investir em alimentos naturais e saudáveis é importante. Mas, para ajudar no controle do apetite, praticar atividades relaxantes e reduzir aquelas estressantes podem controlar a ansiedade e, consequentemente, a vontade de comer.

Como emagrecer depois do tratamento?

As mesmas dicas durante o tratamento devem ser seguidas e continuadas após o uso dos corticoides, visando recuperar o peso anterior ao uso do remédio. 

Boas dicas são a práticas de atividades aeróbicas, pois geram um gasto calórico alto. Vale sempre observar o copo e respeitar os próprios limites, sobretudo depois de fazer qualquer tipo de tratamento médico.

A escolha de alimentos leves, naturais e o menos industrializados e/ou processados possível é importante, pois eles ajudam na boa nutrição (dando nutrientes essenciais ao funcionamento do organismo) e também promovendo a saciedade.

Seguir as recomendações médicas e nutricionais vale para toda a vida. Nessa hora, a ajuda profissional na montagem do cardápio e no acompanhamento da perda de peso é essencial para que isso ocorra de maneira saudável.

Além disso, reduzir a carga de estresse, apostar em atividades relaxantes e controlar a ansiedade são dicas preciosas para o pós-tratamento.


O uso de medicamentos corticoides é seguro e tem excelentes resultados desde que seja feito sob orientação médica. No entanto, ainda assim podem ocorrer efeitos adversos.

Um deles, que costuma gerar grande incômodo e dúvidas, é sobre o aumento do peso. Em geral, isso ocorre apenas com pacientes que fazem tratamentos longos e em doses mais elevadas. Mas há formas de controlar o peso sem abandonar o tratamento.

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