O que é Histoplasmose, pulmonar, sintomas, prevenção, tratamento

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

O que é histoplasmose?

A histoplasmose é uma infecção humana que ocorre com a inalação de fungos do tipo Histoplasma capsulatum.

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Locais com grandes concentrações de pássaros e morcegos são favoráveis à doença, pois os fungos estão presentes nas fezes desses animais e se depositam principalmente no solo, cavernas, troncos ocos de árvores, galinheiros e forros de casas.

Se houver condições favoráveis, como temperatura, umidade e presença de nitrogênio, os fungos podem sobreviver até 4 meses no solo e superfícies.

A infecção é classificada como uma micose zoofílica, pois é desencadeada por fungos encontrados em animais.

Quando a pessoa respira próxima aos ambientes infectados, o microrganismo é inalado e infecta o corpo humano. Mas, apesar de ser adquirida por vias respiratórias, a doença não é transmissível entre humanos.

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Ao ser inalado, o fungo chega ao alvéolo pulmonar e atinge a corrente sanguínea, sendo disseminado pela circulação, que permite que a infecção atinja diversos órgãos, como fígado, baço e medula óssea.

Porém, é a resposta imunológica – e sua capacidade de combater a infecção – que irá determinar o surgimento de sintomas e o quão grave será a doença.

Na maior parte dos casos, a infecção é leve ou subclínica. Isso significa que o quadro não apresenta sintomas e tende a melhorar sem a necessidade de tratamento medicamentoso, sendo classificada como assintomática.

O grau ou manifestação dos sintomas depende do tempo que a pessoa permaneceu exposta ao ambiente infectado, bem como comprometimentos do sistema imunológico.

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Ou seja, em geral, os fungos inalados são combatidos com eficiência pelo sistema imunológico saudável ou acarretam em sintomas mais amenos, constituindo uma infecção pulmonar aguda.

Se a exposição for prolongada ou a pessoa possui baixa imunidade, a doença pode se manifestar como infecção pulmonar crônica. Além disso, se a infecção atingir outros órgãos, é denominada como infecção disseminada.

Os sintomas podem incluir mal-estar, tosse, dores, febre, úlceras intestinais nos casos agudos.

Mas se a doença se manifestar de modo crônico ou disseminado, há comprometimento de outros órgãos, podendo ocorrer perda de peso, tosses crônicas, dificuldades respiratórias e, se não tratada, levar à morte.

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O diagnóstico é dificultado pois os sintomas e exames podem levar à confusão com outras doenças, como pneumonia, gripe e tuberculose.

A maioria dos casos não requer tratamento, pois o organismo saudável consegue atacar e destruir o agente infeccioso.

A histoplasmose está listada no CID10 sob o código B39, com subclassificações de:

  • B39.0 Histoplasmose pulmonar aguda por Histoplasma capsulatum;
  • B39.1 Histoplasmose pulmonar crônica por Histoplasma capsulatum;
  • B39.2 Histoplasmose pulmonar não especificada por Histoplasma capsulatum;
  • B39.3 Histoplasmose disseminada por Histoplasma capsulatum;
  • B39.4 Histoplasmose não especificada por Histoplasma capsulatum;
  • B39.9 Histoplasmose não especificada.

A AIDS, hoje, representa um fator agravante para o paciente infectado, devido ao elevado comprometimento do organismo.

De acordo com um estudo de revisão publicado pela Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, até os anos 1980, antes dos conhecimentos sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida ser aprofundados, os casos de histoplasmose eram dificilmente identificados.

Na época, ocorriam diagnósticos apenas em pacientes com linfoma, outras neoplasias e em alguns transplantados renais, por conta do sistema imunológico debilitado.

Na década de 1980 e 1990, centenas de casos foram identificados nos pacientes com AIDS, sobretudo os do tipo disseminado, fazendo com que a infecção ganhasse grande relevância clínica.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é histoplasmose?
  2. O que são infecções?
  3. Como é o processo de combate infeccioso?
  4. Tipos
  5. Causas
  6. A histoplasmose é transmissível?
  7. Fatores de risco
  8. Sintomas
  9. Histoplasmose ocular
  10. Histoplasmose cutânea
  11. Como é feito o diagnóstico?
  12. Diagnóstico diferencial
  13. Exames
  14. Tem cura?
  15. Tratamento
  16. Medicamentos
  17. Prognóstico
  18. Complicações
  19. Prevenção
  20. Infestação de morcegos
  21. Perguntas frequentes

O que são infecções?

Infecções ocorrem quando agentes externos invadem o organismo e provocam reações. Elas podem ser causadas por diversos microrganismos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos.

Os sintomas mais associados às infecções envolvem febre, dores, formação de pus, tosse, fraqueza, disfunções gastrointestinais e fadiga.

Para tratar uma infecção, é necessário identificar a causa, pois os métodos e medicamentos variam de acordo com o agente infeccioso.

O que são fungos?

Os fungos são microrganismos que podem apresentar uma única célula, chamados de leveduras, ou grupos celulares, como os cogumelos.

Então já sabemos que nem todos os fungos causam doenças ou infecções. Inclusive, alguns deles são naturalmente encontrados no corpo humano, como no intestino, na boca, na pele e na vagina.

Porém também há aqueles microorganismos que representam riscos à saúde.

Há fungos patogênicos, que infectam o organismo independente das condições imunológicas da pessoa, e outros chamados de oportunistas, que desencadeiam reações apenas em organismos fragilizados.

A importância dos fungos

Apesar de estarem geralmente associados a doenças e infecções, os fungos desempenham importante função no ambiente e estão presentes inclusive na alimentação humana.

Os fungos desempenham ação decompositoras, auxiliando no processamento de matérias orgânicas, como madeiras, roupas e alimentos. Além disso, os fungos podem ser comestíveis e compor diversas receitas.

Geralmente, o produto alimentar mais associados aos fungos é o cogumelo, um alimento bastante apreciado pelo mundo.

Mas há outros produtos bem mais frequentes na alimentação que envolvem a ação dos microrganismo, como os pães e algumas bebidas alcoólicas. Principalmente os pães caseiros utilizam leveduras, que são popularmente chamados de fermentos biológicos.

As leveduras biológicas ou frescas Saccharomyces cerevisiae estimulam a fermentação e o crescimento da massa. Os fungos consomem o açúcar presente e liberam gás carbônico e álcool.

O resultado dessa interação é um pão fofinho. Isso porque o gás carbônico liberado no processo e faz com que micro bolhas se formem na massa.

Aqueles minutinhos em que você deixa a sua massa descansando são necessários para que essas microbolhas se formem, façam a massa crescer e, depois de assar, deem maciez ao pão.

Nas bebidas alcoólicas como a cerveja e o vinho, os fungos realizam a fermentação do principal ingrediente de cada bebida. No vinho, são as uvas e na cerveja é a cevada que sofre a fermentação.

Além disso, os fungos são utilizados na fabricação de medicamentos capazes de combater bactérias, por exemplo, a penicilina.

Doenças causadas por fungos

Mas provavelmente você ainda associa os fungos às doenças, então não podemos esquecer que, apesar de participarem de alguns pratos saborosos, os fungos podem ser bem danosos ao organismo. Entre as doenças mais comuns estão:

Como é o processo de combate infeccioso?

Quando a pessoa inspira o ar, diversas substâncias suspensas são inaladas, sejam elas percebidas ou não.

As bactérias, fungos e plantas produzem dezenas de partículas minúsculas e as lançam no ambiente. Essas partículas, chamadas de esporos, podem ser comparadas a sementes, pois servem para gerar novos microorganismos.

Estima-se que uma pessoa inale entre 200 e 2 mil esporos por dia.

Apesar de soar alarmante, os fungos que se encontram suspensos no ar geralmente só representam riscos à saúde se o organismo estiver debilitado, de acordo com dados de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Mesmo que as complicações ocasionadas por infecções fúngicas tenham, muitas vezes, graus altos de complicação e até possam ocasionar a morte, isso ocorre na maioria das vezes se a pessoa possui deficiência imunológica.

Então é preciso que haja uma exposição elevada e intensa da pessoa ao fungo. Geralmente, a histoplasmose tem prevalência em localidades com fezes de aves e morcegos, isso significa que galinheiros e grutas podem ser locais de maior infestação.

Trabalhadores rurais, ecoturistas e criadores de galinhas estão mais propensos à doença porque permanecem mais tempo em contato direto com ambientes de risco.

Ao inalar o ar contaminado, os esporos entram nas vias respiratórias e passam por um período de incubação de 1 a 3 semanas.

Esse período se refere à entrada do microorganismo infeccioso no hospedeiro (no caso, o corpo humano) até o início dos sintomas ou manifestações clínicas.

Ou seja, após inalar o fungo, os sintomas podem demorar até 3 semanas para se manifestarem.

De maneira resumida, o agente infectante penetra nas vias respiratórias e é transportado até os alvéolos. Ocorre uma fagocitose, ou seja, os microrganismos são isolados por processo de encapsulamento celular para, posteriormente, serem digeridos ou eliminados pelos macógrafos das células alveolares.

Em aproximadamente 3 semanas há uma elevação da resposta imunológica no organismo saudável que impede a disseminação dos macógrafos contaminados.

Porém, em pacientes com baixa imunidade, é possível que o fungo se dissemine para outros órgãos através do sangue ou dos das vias linfáticas, sobretudo quando há o diagnóstico de AIDS ou tratamentos com quimioterapia.

Tipos

A infecção é geralmente dividida em 3 categorias, que são aguda, crônica e disseminada. Aproximadamente 80% dos casos diagnosticados se referem ao quadro infeccioso agudo, que pode apresentar sintomas ou não.

De maneira geral, o quadro dos pacientes evolui de modo assintomático ou com sintomas leves, não sendo necessário realizar tratamentos medicamentosos.

Infecção pulmonar aguda

Os casos de infecção aguda podem apresentar manifestações sintomáticas de graus variados, incluindo a ausência de qualquer sintoma.

Geralmente, quando há sinais manifestados nesse tipo de infecção, eles são leves e se assemelham a gripes e pneumonias, apresentando tosse frequente, febre e dores de cabeça.

Através de exames radiológicos, é possível identificar massas infiltradas nos pulmões, que podem se apresentar em apenas um lado ou em ambos.

Em alguns casos, os pacientes com elevada sensibilidade podem desenvolver eritemas nodosos (lesões de pele), conjuntivite e pleurisia (inflamação das membranas do pulmão).

Entre 1 e 3 meses os sinais e lesões tendem a melhorar, mas geralmente permanecem calcificações nos pulmões e fora deles.

Infecção pulmonar crônica

Inicialmente, as principais manifestações envolvem tosse, expectoração de muco, dor torácica, febre, perda de peso e ausência de apetite.

O tipo agudo da doença ocorre com mais frequência em pessoas com mais de 40 anos, prevalecendo no sexo masculino. Em geral, identificam-se outros fatores que favorecem a infecção, como a presença de doença pulmonar crônica obstrutiva, tumores e linfomas.

Essas doenças geralmente causam espaços aéreos anormais nos pulmões. Permitindo que a infecção se instale mais facilmente, agravando o quadro inicial.

A condição tende a acometer a parte de cima (lobos superiores) do pulmão. Os exames de radiografia e tomografia do tórax apontam a presença de infiltrações, ocorrendo com mais frequência no pulmão da direita, devido à facilidade anatômica.

O tipo infeccioso é fatal de 80% dos casos não tratados.

Infecção disseminada

Havendo a presença de sintomas ou não, a infecção pelo fungo pode se disseminar por todo o organismo, principalmente para órgãos como fígado, baço, linfonodos, medula óssea, além das glândulas adrenais.

A infecção disseminada ocorre principalmente em pacientes imunocomprometidos, sobretudo em casos de HIV positivo. A manifestação é considerada a forma mais grave, pois os fungos se proliferam intensivamente dentro e fora dos pulmões.

Quando atinge outros sistemas do corpo, a infecção pode acometer sobretudo o fígado, baço, intestinos, mucosas, pele, orofaringe e glândulas suprarrenais.

Nesse caso, são observados o aumento do tamanho de alguns órgãos acometidos, lesões cutâneas, além das manifestações primárias da infecção (febre, dores de cabeça, perda de peso e mal-estar).

Causas

A histoplasmose é causada pela inalação do fungo Histoplasma capsulatum. O tempo de exposição aos fungos e as condições do sistema imunológico são determinantes para a evolução da doença.

Portanto, pessoas que permanecem bastante tempo em cavernas, galinheiros, grutas ou regiões infestadas por fezes de morcegos e aves estão mais susceptíveis a inalar o fungo.

A histoplasmose é transmissível?

Não. Ainda que a doença seja adquirida por vias respiratórias, através da inalação do fungo, ela não é transmissível por saliva, contato ou vias aéreas (quando o paciente doente espirra, por exemplo).

Além de não ser transmissível por vias aéreas, a doença também não pode ser adquirida pelo contato direto com os animais.

Fatores de risco

A infecção é, na maioria dos casos, combatida pelo sistema imunológico, sem causar complicações ou sequer apresentar sintomas.

No entanto, duas condições podem determinar o grau de acometimento do organismo: a exposição ao fungo (tempo de inalação e quantidade) e o quadro imunológico do paciente.

Exposição

Quanto à exposição ao Histoplasma capsulatum, pessoas que desenvolvem atividades como construção, demolição, turismo ecológico, acampamento e atividades ligadas à agricultura e avicultura precisam de medidas informativas sobre os riscos de contrair a doença.

Além disso, mesmo que o período de inalação seja curto, se a concentração de fungos no ar inalado for alta, a infecção pode se desenvolver de modo mais agressivo.

Por isso, passar poucos minutos dentro de uma gruta pode resultar na contaminação. Além disso, outros fatores que agravam a contaminação são:

  • Respirar muito perto das fezes;
  • Inalar altas quantidades de fungos: a exposição pode ser curta, mas a concentração de fungos é alta ou o tempo que a pessoa respirou o ar contaminado foi grande;
  • Ter lesões na pele e entrar em contato com as fezes ou superfícies contaminadas.

Imunidade

No que se refere às condições imunológicas, pacientes que realizaram transplantes de órgãos, fazem quimioterapia ou tratamentos com corticoides são mais sensíveis à infecção crônica ou disseminada.

Quadros como HIV positivo, idade avançada, menores de 2 anos, deficiências severas da imunidade e leucemia são fatores de risco e podem favorecer a progressão da infecção.

Pacientes com alterações pulmonares, como enfisema pulmonar, que utilizam corticoides, inibidores de TNF (para tratamento de artrite reumatóide) ou medicamentos para evitar rejeição de transplantes são mais propensos a apresentar o tipo crônico da infecção.

Sintomas

Quando há manifestação de sintomas, a infecção pode ser confundida com gripes e pneumonias devido à presença de sintomas como dor de cabeça, tosse, alterações respiratórias, palidez e fadiga, que podem se manifestar até 17 dias após a exposição ao fungo e permanecendo por aproximadamente 10 dias.

Na fase aguda, também são relatados sinais como:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Astenia;
  • Tosse persistente;
  • Dor;
  • Palidez acentuada;
  • Aumento dos gânglios linfáticos superficiais;
  • Confusão mental;
  • Vertigens;
  • Convulsões;
  • Aumento do baço e do fígado.

Quando a infecção se dissemina, podem ocorrer hipotensão, choque e problemas respiratórios graves, com altos riscos à vida.

Úlceras no esôfago, estômago, intestino delgado e cólon se manifestam em uma pequena porcentagem dos diagnosticados. Pouco frequente, porém ainda relatadas, são as lesões no baço e no fígado que, na maior parte dos casos, resultam em falecimento do paciente.

Histoplasmose ocular

Um dos desdobramentos da infecção é a lesão à visão. Chamada de histoplasmose ocular, a condição é bastante rara e se caracteriza pela formação de manchas dentro dos olhos.

Elas ocorrem porque há uma formação indevida de vasos sanguíneos próximos à retina, causando uma neovascularização, ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos.

Inicialmente, o surgimento desses vasos pode não prejudicar a visão. Mas a tendência é que após a infecção ser combatida, cerca de 1 ano depois, essa proliferação dos vasos prejudique a visão.

As alterações oculares podem ser percebidas apenas anos mais tarde, apresentando distorções visuais, como borrões, linhas e ondulações no campo de visão.

Como os vasos novos são frágeis, eles podem romper e causar sangramentos oculares. Nesse caso, os riscos de perda de visão são maiores e é fundamental que pacientes com histórico de histoplasmose ocular mantenham acompanhamento oftalmológico.

Histoplasmose cutânea

Quando ocorrem, a superfície da pele apresenta feridas e alterações, que podem envolver pus, vermelhidão, bolhas ou ulcerações na borda do machucado.

As manifestações cutâneas são pouco frequentes, ocorrendo em aproximadamente 10% dos pacientes. A maior parte é HIV positivo ou há sinais e sintomas de que o fungo infectou de forma secundária o organismo.

Ou seja, a contaminação foi diretamente pela pele, geralmente através de feridas já existentes.

Alguns casos estudados apontam que o paciente já apresentava uma lesão, rachadura ou machucado, o que favoreceu a infecção através, também, da pele.

Como é feito o diagnóstico?

Para realizar o diagnóstico, é necessário identificar a presença do agente infeccioso através de análises clínicas.

O diagnóstico clínico é realizado com a análise de sangue, escarros ou amostra de tecidos por biópsias.

No entanto, identificar a histoplasmose nem sempre é simples, pois os exames podem apresentar falsos negativos devido à confusão recorrente do fungo com outros agentes.

Isso significa que a aparência e o comportamento do fungo no organismo são bastante semelhantes com outros agentes, como os da tuberculose. O que pode resultar em diversos diagnósticos tardios ou equivocados.

Ao suspeitar da doença, o médico pode solicitar exames histológicos, micológicos, imunológicos e radiológicos. Para isso, é possível coletar sangue, urina, secreções ou, ainda, realizar biópsias de lesões de pele (quando houver) ou do fígado, por exemplo.

Análise imunológica

Os exames imunológicos são, em geral, mais eficientes para determinar a presença da infecção se comparados com a detecção de anticorpos (exame reagente).

Ao ser infectado, o fungo se espalha pelos fluídos corporais, como o sangue, a urina e expectorações, que são tecidos analisados pelo método.

O teste conhecido como ELISA (Enzyme Linked Immunono Sorbent Assay), estimula a ação enzimática do tecido. Ou seja, são aplicadas substâncias específicas para cada doença investigada.

A partir da apresentação ou comportamento de anticorpos no tecido, é possível realizar o diagnóstico de infecções.

O exame apresenta bons resultados inclusive para os pacientes com HIV que apresentam a forma disseminada da histoplasmose, mas não produzem anticorpos.

Ou seja, ao realizar exames , o organismo não é capaz de reagir adequadamente ao teste, dando um falso-negativo.

Em pacientes com histoplasmose disseminada, o teste ainda pode ser utilizado para acompanhar o tratamento e verificar as respostas do organismo.

Análise micológica

Detectar a presença do fungo através das secreções orgânicas nem sempre é eficiente para o diagnósticos.

Isso porque o fungo só é identificado e isolado com base na observação visual (não há nenhuma substância capaz de identificá-lo). O problema é que a estrutura dos fungos têm dimensões bastante pequenas, o que torna difícil o diagnóstico apenas pelo método micológico.

Geralmente, são investigadas as amostras de sangue e urina, mas quando a biópsia é realizada, os tecidos também são encaminhados para a investigação.

Porém, estudos de revisão apontam que aproximadamente 60% dos pacientes com infecção crônica são diagnosticados por esse método. Entre o pacientes com infecção aguda, o índice cai para 15%.

Outro fator que dificulta o diagnóstico pelo método de cultura, deve-se ao crescimento tardio ou insuficiente do fungo. Ou seja, pode demorar até 12 semanas para que a infecção se dissemine o suficiente para ser identificada no teste.

Para esse tipo de exame, podem ser coletadas amostras de urina, escarro e sangue (que consistem exames menos invasivos) ou por biópsias (que são mais invasivas).

Análise histopatológica

São coletadas amostras de órgãos como pulmão, linfonodos, fígado, baço e medula óssea para verificar a presença de agentes (granulomas).

Ou seja, nesse método são utilizadas coletas invasivas de tecidos.

Como a estrutura do fungo Histoplasma capsulatum é bastante semelhante a outros agentes, a interpretação dos resultados pode ser dificultada.

Porém, o teste permite identificar formações maciças ou granulomas em pacientes com imunidade comprometida.

Para confirmar ou descartar o diagnóstico, são realizados, geralmente, testes de diagnóstico diferencial (de maneira resumida, são testadas substâncias reagentes para diferenciar o fungo de outras doenças)

O método tem sido menos utilizado para o diagnóstico de algumas doenças, entre elas a histoplasmose, devido à interpretação incorreta dos resultados. É possível que o aparecimento de saliências seja causado por uma hipersensibilidade ao produto testado.

Além disso, o exame pode dar um resultado impreciso, pois, no período de incubação, o organismo pode não reagir ao antígeno.

Análises radiográficas

Apesar dos exames de radiografia não serem especificamente desenvolvidos para diagnosticar a histoplasmose, eles permitem constatar a presença de nódulos, massas ou formações indevidas nos pulmões.

Os exames de imagem indicados podem ser a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

Na infecção pulmonar aguda, essas formações podem ser isoladas ou difusas, ou seja, os exames podem apontar formações de massas no órgão. Elas ainda podem ser únicas (isoladas) ou espalhadas pelo pulmão.

As imagens são mais significativas para o tipo crônico da doença. Logo que há maior acometimento dos pulmões, se assemelhando bastante à tuberculose.

Os resultados indicam se há presença de infecções (infiltrações) nas partes superiores do pulmão, normalmente as massas estranhas ficam endurecidas (sinais de fibrose) e agravam os problemas respiratórios.

Diagnóstico diferencial

Os sintomas e resultados podem ser confundidos com outras doenças, como:

  • Tuberculose (ataca os pulmões);
  • Aspergilose (doença que afeta os pulmões);
  • Linfomas;
  • Epiteliomas (tumores dos tecidos internos ou externos);
  • Leishmaniose tegumentar;
  • Sífilis;
  • Leucoplasias (manchas brancas nas mucosas, como gengivas e vagina);
  • Líquen plano (deficiência imune que ataca a pele).

Para descartar as doenças citadas, o médico pode solicitar que diversos tecidos e substâncias corporais sejam analisadas, como urina, sangue e tecidos do fígado, por exemplo.

Exames

Através de coletas de urina, sangue ou secreções (como catarros), o laboratório pode isolar o fungo dos fluídos ou tecidos.

Além disso, exames mais invasivos, como biópsias dos órgãos podem ser solicitadas.

Exame de sangue

É coletada uma amostra de sangue. O procedimento utilizado é o tradicional, sendo feita uma punção (coleta) através de uma veia geralmente do braço, por ser a mais acessível.

Mas outros locais podem ser utilizados para realizar a coleta.

O procedimento não apresenta grandes riscos, além de dores ou manchas roxas no local.

Geralmente não necessita de jejum.

Exame de urina

Alguns laboratórios podem solicitar que o exame seja feito com a primeira urina do dia, mas nem todos adotam a medida.

O exame não é invasivo, sendo necessária uma pequena amostra do líquido para ser levada à análise.

Biópsia

O exame necessita que seja coletada ou retirada uma amostra de tecido. Diversos órgãos podem ser indicados pelo médico, como fígado, baço, intestino, pele ou, especificamente, alguma lesão de pele ou mucosa.

Reação intradérmica para histoplasmose

Apesar de ser um método utilizado para compor o diagnóstico, a reação intradérmica não deve ser usada isoladamente.

Isso ocorre devido a elevada possibilidade de falso negativo, pois o teste não é capaz de verificar a presença do fungo na fase de incubação, ou seja, nos estágios iniciais da infecção.

Para realizar o teste, é administrada uma dosagem do antígeno de Histoplasma capsulatum, cerca de 0,1mL.

Antígenos são substâncias externas ao organismo e que provocam a reação do sistema imunológico.

Para realizar alguns testes e desenvolver vacinas, os pesquisadores enfraquecem ou inativam os agentes causadores da doença.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as vacinas não causam a doença, mas podem causar reações do organismo. É por isso que algumas pessoas se sentem gripadas após tomar a vacina da gripe, os sintomas são parecidos, mas é apenas a resposta imune criando resistência à doença.

Ao entrar no organismo, o antígeno promove a ação do sistema imune, atacando aquele corpo estranho. Como o método é intradérmico (entre a pele), verifica-se a formação de saliências milimétricas na camada da pele.

Quando há a presença de saliências ou alterações na camada predefinida para a análise, significa que o paciente está infectado ou já teve a doença antes.

Se o resultado for não-reator, ou seja, negativo, significa que o organismo nunca teve contato com o antígeno Histoplasma capsulatum. O que indica que ele não apresenta a doença ou não possui células de defesa suficientes para combater o agente externo.

Geralmente, os laboratórios assumem que reações de até 10mm de diâmetro são consideradas não-reagentes.

Se o resultado for reativo, ou seja, positivo, significa que o organismo reconhece o agente e, portanto, o paciente tem ou já teve a doença.

Tem cura?

Sim. De modo geral, o próprio organismo irá atacar e eliminar o fungo causador da infecção, levando à cura sem necessidade de utilizar medicação.

Para pacientes sem doenças graves do sistema imunológico, o desaparecimento completo dos sintomas (cura clínica) ocorre em até 6 meses após iniciado o tratamento ou feito o diagnóstico.

Nos pacientes com deficiência imunológica, com infecção disseminada ou crônica, é preciso realizar que o tratamento seja iniciado precocemente, pois o quadro pode evoluir ao óbito.

Tratamento

A maior parte dos casos não necessita de tratamento, pois a infecção é combatida pelo sistema imunológico.

Os pacientes assintomáticos ou com manifestação leve da infecção aguda podem necessitar apenas de repouso, se indicado pelo médico.

Quando os sintomas se manifestam de modo mais agressivo, apresentando dificuldades respiratórias ou progressão da infecção, a intervenção medicamentosa é necessária.

Para os pacientes com infecção crônica, o tratamento pode ser prolongado por até 24 meses e há uma reincidência de até 15% dos casos após finalizar a medicação.

Estudos apontam a eficácia da administração de itraconazol em pacientes com sistema imunológico severamente debilitado, como na presença da AIDS, sendo mais indicado do que o cetoconazol.

A utilização deve ser mantida a longo prazo. Por 12 meses a dosagem inicial deve ser mantida e, então, inicia-se a redução da dose por tempo indeterminado, até que o médico verifique a possibilidade de descontinuar o uso.

O tratamento consiste na utilização de medicamentos orais ou, em casos mais graves, injetáveis. O médico pode receitar antifúngicos e medicamentos para dor.

Medicamentos

Os remédios geralmente receitados são:

Nos pacientes diagnosticados com infecção aguda, o tratamento medicamentoso é recomendado quando os sintomas não se amenizam após 3 semanas ou há um comprometimento elevado das funções pulmonares ou de outros sistemas do organismo.

Ainda podem ser administrados medicamentos a fim de reduzir o inchaço dos gânglios linfáticos ou dores da articulação e dores (de cabeça e muscular).

Se houver manifestações reumatológicas, podem ser receitados anti-inflamatórios associados à prednisona para aliviar os sintomas.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

O prognóstico é bastante favorável na maior parte dos casos. Em geral, não é preciso recorrer aos medicamentos e nem se apresentam sintomas.

Porém, nos pacientes crônicos, a histoplasmose pode resultar em complicações severas, levando até 50% dos pacientes à morte se não for realizado o tratamento correto.

Mesmo se o paciente iniciar o tratamento, devido ao severo comprometimento pulmonar, cerca de 28% dos pacientes em acompanhamento médico perdem a vida pela doença.

De modo geral, as condições imunes e a realização do tratamento (quando necessário) determinam o prognóstico.

Nos pacientes com problemas graves de imunidade, a evolução da histoplasmose é rápida e agressiva, resultando em morte em 80% dos casos.

Complicações

A histoplasmose pode gerar complicações quando não tratada, sobretudo para os grupos de risco.

Síndrome do desconforto respiratório

Pode haver um comprometimento pulmonar severo, fazendo com que o órgão acumule fluídos e dificulte a troca de ar. O dano ao pulmão resulta na redução dos níveis de oxigênio no sangue, causando insuficiência de oxigenação ao organismo.

Problemas de coração

O coração pode ser comprometido, causando dificuldade em bombear sangue corretamente.

Insuficiência adrenal

A infecção pode acometer as glândulas suprarrenais, que são responsáveis pela produção de diferentes hormônios. Com a alteração da quantidade hormonal, as funções de órgãos e tecidos do organismo podem ser comprometidas;

Meningite

A meningite é uma condição grave que ocorre quando as membranas do cérebro e a medula espinhal são infectadas.

Prevenção

É importante verificar as localidades que propiciam a proliferação dos fungos, como cavernas e galinheiros, evitando exposição direta e prolongada a esses ambientes.

Para trabalhadores que necessitam ficar expostos ao ambiente, como criadores de aves, exploradores ou pedreiros, recomenda-se a pulverização das superfícies com água, para evitar que as partículas se espalhem no ar.

Também é preciso utilizar de máscaras de proteção e proteger feridas ou lesões.

Infestação de morcegos

Em 2015, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro atendeu, ao menos, 200 chamados por causa da infestação de morcegos.

Na época, foi verificado que cerca de 43 espécies do animal estavam circulando nas regiões cariocas e 3 delas se alimentavam de sangue, podendo transmitir diversas doenças.

Ainda que a maioria dos morcegos se alimentam de frutas e insetos, só no Rio de Janeiro, mais de 20 pessoas são mordidas por ano.

Além do ataque direto, a transmissão de doenças, entre elas a histoplasmose, torna-se um fator preocupante. Pois há maior concentração das fezes dos animais, favorecendo que a infecção pulmonar ocorra.

Perguntas frequentes

Posso ser infectado novamente?

Ao inalar o fungo, o organismo cria anticorpos, tornando-se resistente a novas infecções. No entanto, é possível que os sintomas retornem após interromper o uso de medicamentos.

Ou seja, enquanto o fungo não for completamente tratado e eliminado, as manifestações podem ocorrer novamente, mas não significa que houve uma nova infecção.

Os pombos podem transmitir a histoplasmose?

De acordo com o Center for Disease Control and Prevention (CDC), os pombos não são infectados pelo fungo. Mas podem carregar o H. capsulatum nas asas, bicos ou patas, espalhando o agente pelo ambiente.

Além disso, locais com concentrações de fezes de pombos podem ser propícios para o crescimento do fungo nas superfícies e solos. Assim, ao serem carregados no corpo dos animais, os fungos podem ser transmitidos para as superfícies e solo, ficando acomodados nas fezes.

Quais as regiões endêmicas da histoplasmose?

Apesar de ocorrer em todo o mundo, algumas regiões apresentam maiores ocorrências da infecção, principalmente a América do norte, América Central e América do Sul.

No Brasil, Fortaleza (CE), Rio Grande do Sul (RS), Rio de Janeiro (RJ), Uberaba (MG) e Uberlândia (MG) foram regiões que apresentaram grandes manifestações da doença até 2010.

Histoplasmose em animais

A histoplasmose pode acometer também os animais como os cavalos, bois, gatos, cães e porcos. Em gatos, a doença se manifesta geralmente nos que têm menos de 4 anos.

Nos outros animais, não se identifica prevalência de idade ou sexo.

Os tratamentos e sintomas são bastante aproximados dos casos em humanos. Mas os riscos à vida do animal são menores.


Os fungos estão presentes no organismo, suspensos no ar ou depositados nas superfícies.

Ainda que, num primeiro momento, os fungos sejam associados somente a doenças, eles desempenham diversas funções necessárias ao corpo e ao meio ambiente, como a decomposição de substâncias.

Quando os fungos invadem o corpo, o sistema imunológico responde atacando o agente estranho e defendendo o organismo.

Alguns fatores podem fazer com que a defesa não seja eficaz, como o tipo de infecção ou a condição imune. Nesse caso, o tratamento com medicamentos é necessário e auxilia a reduzir os danos e sintomas ao organismo.

A histoplasmose geralmente não representa riscos graves ao paciente, sendo combatida com eficiência pelos anticorpos. Porém, a gravidade dos sintomas e o tipo de acometimento dependem da exposição ao fungo e das condições do paciente (que pode o seu bichinho de estimação também).

Para saber mais dicas sobre saúde, cuidados e bem-estar, consulte nossas matérias!

Fontes consultadas

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