Febre Amarela: vacina, sintomas, tratamento, causas, tem cura?

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O que é febre amarela?

A febre amarela é uma infecção viral grave, semelhante à gripe, transmitida normalmente pelo mosquito do Aedes aegypti. Caracteriza-se por febre alta e icterícia (amarelão no corpo), razão pela qual a doença é chamada dessa maneira. É considerada uma zoonose, visto que afeta seres humanos e alguns outros primatas.

Nem sempre os infectados pelo vírus desenvolvem a doença, podendo apresentar sintomas fracos que passam em poucos dias. Contudo, aqueles que desenvolvem a condição podem apresentar, de maneira repentina, sintomas como febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos.

Quando transmitido aos seres humanos, o vírus da febre amarela pode danificar o fígado e outros órgãos internos, além de ser potencialmente fatal. A doença ocorre principalmente em áreas do sul da África e América do Sul, afetando os viajantes e residentes.

Alguns estudos têm demonstrado que a doença é mais comum nos meses de dezembro a maio. Como essa é a estação das chuvas, há um aumento das populações de mosquitos, o que favorece a circulação do vírus.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é febre amarela?
  2. Febre amarela no Brasil em 2018
  3. Tipos de febre amarela
  4. Causas
  5. Transmissão
  6. Grupos de risco
  7. Fatores de risco
  8. Áreas de risco
  9. Sintomas da febre amarela
  10. Como é feito o diagnóstico da febre amarela?
  11. Febre amarela tem cura?
  12. Tratamento
  13. Remédios naturais
  14. Medicamentos para febre amarela
  15. Complicações
  16. Como prevenir a febre amarela?
  17. Vacina para febre amarela

Febre amarela no Brasil em 2018

Desde o começo do ano de 2018, o número de casos de febre amarela cresceu mais de 400% em São Paulo segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Dos 537 casos registrados no estado, 185 evoluíram para óbito.

A expectativa é que, com a chegada do verão, o número de casos de febre amarela aumente ainda mais, pois o pico da doença se dá nessa época do ano.

No primeiro semestre de 2017 o Brasil teve um surto de febre amarela e, a partir de outubro daquele ano, a cidade de São Paulo teve diversos parques fechados após a confirmação de casos de macacos infectados, que poderiam iniciar um novo ciclo de transmissão da doença.

Em abril de 2018, esses parques já foram reabertos, pois o risco havia diminuído, entretanto, já se considera que a doença “veio para ficar”, pois são registrados casos de febre amarela durante todo o ano no Brasil.

Tipos de febre amarela

A febre amarela pode ser dividida entre quatro tipos, de acordo com o mosquito transmissor, área de transmissão e os sintomas. São eles:

Classificação segundo mosquito e área de transmissão

Febre Amarela Urbana (FAU)

Na área urbana, o principal transmissor da febre amarela é o Aedes aegypti, vetor responsável por diversas outras doenças endêmicas, como dengue, chikungunya e zika.

Febre Amarela Silvestre (FAS)

Já nas áreas rurais, a febre amarela é transmitida pelos mosquitos das espécies Haemagogus e Sabethes, que estão presentes nas matas e beiras dos rios. Acredita-se que os casos registrados em outros primatas venham desses mosquitos, mas humanos também podem ser picados por eles.

Classificação segundo os sintomas

Febre amarela aguda

Logo no início da infecção, tem-se a chamada febre amarela aguda, cujos principais sintomas são febre, dores, tontura, náuseas e vômitos. Trata-se do estágio inicial da doença, que dura poucos dias.

Febre amarela tóxica

Depois de ter passado pela febre amarela aguda, uma pequena porcentagem das pessoas infectadas desenvolvem a febre amarela tóxica, tipo que põe a vida do paciente em risco.

É essa fase que dá o nome da doença, pois é caracterizada pela coloração amarelada da pele, falência renal e sangramentos.

Causas

A febre amarela é causada por um vírus da família Flavivírus, que é transmitido através da picada dos mosquitos Aedes aegypti (o mesmo que transmite doenças como dengue, chikungunya e zika), Sabethes e os pertencentes à espécie Haemagogus, como o Haemagogus janthinomys e o Haemagogus leucocelaenus.

Não existem evidências de que o Aedes albopictus seja capaz de transmitir o vírus da febre amarela e, até hoje, ainda não foi encontrado um representante sequer desta espécie que tenha sido infectado pelo vírus na natureza. Contudo, o mosquito se mostrou suscetível à infecção no laboratório.

Por isso, a proliferação desse tipo de mosquito é preocupante, ainda mais por conta da sua capacidade de adaptação a diversos ambientes (urbanos, rurais, entre outros), que pode transformá-lo em uma ponte entre os ciclos de transmissão silvestres e urbanos.

O período de incubação do vírus é de 3 a 7 dias após a picada.

Transmissão

A transmissão da febre amarela se dá pela picada de um mosquito fêmea infectado. O vírus pode infectar seres humanos, alguns primatas (macacos) e várias espécies de mosquitos, mas a transmissão só pode ser feita a partir da picada.

A transmissão pode ser feita via macaco-mosquito-pessoa ou pessoa-mosquito-pessoa, mas nunca entre duas pessoas ou diretamente de macacos para humanos.

Ciclo

Quando um mosquito morde um ser humano ou um macaco infectado, o vírus entra em sua corrente sanguínea e circula por ela antes de se estabelecer nas glândulas salivares. Ao morder outro macaco ou ser humano, o mosquito transmite o vírus, que entra na corrente sanguínea do hospedeiro, infectando-o.

Os mosquitos se reproduzem mais em florestas tropicais, ambientes úmidos e semi-úmidos, bem como em torno de águas paradas. O contato entre hospedeiros em potencial e mosquitos infectados, particularmente em áreas onde as pessoas não tomam vacinas para a febre, pode criar epidemias em pequena escala.

Do ciclo silvestre ao ciclo urbano

Como o principal mosquito transmissor da febre amarela silvestre não consegue voar para longe e chegar nas cidades, a doença só consegue iniciar o ciclo urbano quando um ser humano vai para uma mata, é picado e infectado e, ao voltar para a cidade, é picado pelo Aedes aegypti, que adquire o vírus e o transmite para outras pessoas.

Vetor e agente etiológico

O nome que se dá ao agente causador de uma doença é “agente etiológico”. No caso da febre amarela, o agente etiológico é um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) do mesmo grupo do vírus da dengue. Ele pertence ao gênero Flavivirus, da família Flaviviridae.

No Brasil, os principais vetores da doença são o Aedes aegypti, Sabethes e os pertencentes à espécie Haemagogus.

Qual o papel dos macacos no combate à febre amarela?

Por ser uma zoonose, ou seja, uma doença que afeta humanos e outros animais, muitas pessoas acreditam que a transmissão da febre amarela se dá diretamente entre macacos e humanos. Contudo, essa não é a verdade.

Em março de 2017, o Ministério da Saúde lançou a campanha “A Culpa não é do Macaco”, alertando a população para não maltratar ou matar estes animais. Isso porque eles têm um papel muito importante no combate à doença: são eles que nos alertam quando o vírus está sendo transmitido em algum lugar.

É o que aconteceu em São Paulo, com a morte dos macacos nos parques da capital paulista. Sabendo que essas mortes se tratavam de febre amarela, as autoridades puderam tomar medidas de prevenção, fechando os parques para evitar que qualquer pessoa seja picada por algum mosquito infectado.

Levando em conta que a transmissão da febre amarela entre os macacos se dá, principalmente, pelo Haemagogus, é improvável que a doença chegue na cidade inteira, pois essa espécie tem uma autonomia de voo reduzida. Ainda assim, é melhor prevenir para que os mosquitos da espécie Aedes aegypti não seja infectados.

Resumindo, os macacos são como sentinelas para essa doença, visto que a infecção desses animais perto de áreas urbanas é um sinal de que a doença está chegando na cidade.

O que fazer ao encontrar um macaco infectado?

Ao avistar um primata morto ou doente, o indivíduo deve ligar para o número 136, para notificar o Serviço de Saúde do município ou estado onde encontrou o macaco. Em seguida, o serviço de saúde avalia alguns pontos antes de prosseguir com a identificação da doença. Para isso, eles precisam checar se:

  • É possível coletar uma amostra para análise em laboratório;
  • Existem outros animais mortos ou infectados além do encontrado;
  • As populações de primatas da região ainda estão visíveis ou integradas;
  • Trata-se de uma morte isolada.

Caso haja motivos para suspeitar de febre amarela, o serviço de saúde começa uma investigação que consiste em coletar uma amostra do sangue do animal e enviar para análise, em busca do vírus. Se o resultado for positivo, o serviço de saúde pode, então, tomar medidas para prevenir que a doença chegue à população humana.

Grupos de risco

Algumas pessoas estão mais suscetíveis a ser infectadas e desenvolver a febre amarela. São elas:

Pessoas sem vacina

Pessoas que nunca se vacinaram, ou que nunca entraram em contato com a doença, podem estar correndo o risco de se infectar com o vírus caso resida ou vá viajar para regiões onde a doença é potencialmente ativa, como, por exemplo, sul da África ou América do Sul.

Idosos com idade igual ou superior a 60 anos que nunca tomaram a vacina, devem consultar um especialista antes, pois é necessário avaliar o custo-benefício da medicação.

Pessoas com sistema imunológico enfraquecido

Pacientes que são soropositivos (HIV) e imunodeprimidos devem evitar viagens para lugares onde a doença é potencialmente ativa. Se houver mesmo a necessidade, deve-se consultar um médico infectologista para avaliar a situação.

Fatores de risco

Alguns outros potenciais fatores devem ser considerados quanto a reurbanização da febre amarela no Brasil, tais como:

Expansão territorial dos vetores

Um dos grandes fatores de risco é a expansão territorial da infestação do Aedes aegypti, já detectado em todos os estados brasileiros. Existem muitas áreas infestadas por Aedes aegypti e Aedes albopictus e que estão próximas às áreas de circulação do vírus da febre amarela.

Muitas áreas urbanas estão infestadas pelos mosquitos e são próximas de áreas de risco para febre amarela silvestre, aumentando as chances de espalhar a doença ainda mais.

Migração

Outro fator importante é o intenso processo de migração no meio rural-urbano, levando à possibilidade de importação do vírus da doença dos ambientes silvestres para os urbanos.

Cobertura de vacinas baixa

Há uma chance maior de ser infectado em áreas onde a cobertura de vacinas é baixa e ocorre uma grande circulação do vírus.

Áreas de risco

Os locais onde há maiores chances de ser infectado com o vírus da febre amarela estão localizados, majoritariamente, na África, América do Sul e Central:

África

A maioria dos casos de febre amarela acontecem na África sub-saariana. Os países onde há maior probabilidade de contração da doença são:

  • Angola;
  • Benin;
  • Burkina Faso;
  • Burundi;
  • Camarões;
  • Chade;
  • Congo;
  • Costa do Marfim;
  • Etiópia;
  • Gabão;
  • Gâmbia;
  • Gana;
  • Guiné;
  • Guiné Equatorial;
  • Guiné-Bissau;
  • Libéria;
  • Mali;
  • Mauritânia;
  • Níger;
  • Nigéria;
  • Quênia;
  • República Centro-Africana;
  • República Democrática do Congo;
  • República Centro-Africana;
  • Ruanda;
  • São Tomé e Príncipe;
  • Senegal;
  • Serra Leoa;
  • Somália;
  • Sudão;
  • Tanzânia;
  • Togo;
  • Uganda;
  • Zâmbia.

América Central

Na América Central, a ilha de Trinidad em Trinidad e Tobago possui um risco elevado de transmissão da febre amarela.

América do Sul

Já na América do Sul, o vírus da febre amarela se encontra presente na:

  • Argentina;
  • Bolívia;
  • Brasil;
  • Colômbia;
  • Equador;
  • Guiana;
  • Guiana Francesa;
  • Panamá;
  • Paraguai;
  • Peru;
  • Suriname;
  • Venezuela.

No Brasil

Não são todos os estados brasileiro que possuem um risco elevado de contração da doença. Tanto é que a vacinação só é ofertada rotineiramente em 19 estados, e não são todas as cidades que recebem a imunização.

Os estados são:

  • Acre;
  • Amazonas;
  • Amapá;
  • Pará;
  • Rondônia;
  • Roraima;
  • Tocantins;
  • Distrito Federal;
  • Goiás;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Mato Grosso;
  • Bahia;
  • Maranhão;
  • Piauí;
  • Minas Gerais;
  • São Paulo;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Santa Catarina.

Sintomas da febre amarela

Os sintomas da febre amarela podem demorar entre 3 a 7 dias para aparecer, devido ao período de incubação do vírus. Depois disso, os sintomas podem ocorrer em duas fases: fase aguda e fase tóxica.

Fase aguda

Uma vez que a infecção está na fase aguda, você pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares, especialmente na região das costas e nos joelhos;
  • Sensibilidade à luz;
  • Náuseas, vômitos ou ambos;
  • Perda de apetite;
  • Tontura;
  • Rosto, olhos ou língua vermelhos.

A maioria das pessoas se recupera dentro de 3 ou 4 dias, porém algumas delas desenvolvem sintomas mais graves.

Fase tóxica

Depois de aproximadamente 2 dias da remissão dos sintomas da fase aguda, cerca de 15% das pessoas desenvolvem a fase tóxica da doença. A partir de então, a vida do paciente entra em risco, pois o índice de mortalidade é relativamente alto.

Os sintomas da fase tóxica são:

  • Febre recorrente;
  • Dor abdominal;
  • Vômitos;
  • Icterícia (coloração amarelada da pele causada por danos no fígado);
  • Falência renal;
  • Sangramento do nariz, olhos ou boca;
  • Urina escura;
  • Frequência cardíaca lenta;
  • Disfunção cerebral, incluindo delírios, convulsões e coma.

Como é feito o diagnóstico da febre amarela?

Fazer o diagnóstico da febre amarela com base nos sintomas iniciais pode ser difícil, porque ela pode ser facilmente confundida com outras doenças, como a malária, dengue hemorrágica, hepatite e leptospirose.

Contudo, em meio a surtos ou quando há sinais de alerta como a morte dos macacos nos parques de São Paulo, a suspeita é rapidamente levantada e, com isso, o diagnóstico é mais rápido.

Para diagnosticar a condição, o médico (que pode ser um clínico geral, médico de viagem, médico de emergência ou infectologista) possivelmente perguntará sobre o histórico de viagens e irá pedir uma coleta de sangue.

O exame de sangue pode mostrar uma redução no número de glóbulos brancos que combatem a infecção, sendo um sinal da doença porque o vírus da febre amarela afeta a medula óssea.

Outros testes feitos para o diagnóstico da febre amarela são:

Sorologia por ELISA

Na sorologia por ELISA, o soro sanguíneo é analisado em busca de anticorpos e antígenos. Quando uma pessoa é infectada por um vírus, seu corpo começa a produzir anticorpos específicos para aquele vírus.

Com isso, os médicos podem detectar o anticorpo específico para o vírus da febre amarela, possibilitando o diagnóstico.

Reação em cadeia da polimerase (PCR)

A reação em cadeia polimerase é um exame feito para identificar o microrganismo causador da doença. Para isso, ele utiliza a amostra de sangue do paciente e copia o DNA do microrganismo, que é multiplicado diversas vezes até que o vírus possa ser identificado.

Febre amarela tem cura?

Sim, a febre amarela tem cura. Alguns dias após a infecção, o próprio sistema imunológico se encarrega de expulsar o vírus. Em alguns casos, a doença evolui para a fase tóxica, que também tem cura, mas sua taxa de mortalidade é alta.

Como o sistema imune tem uma “memória”, o indivíduo que já teve a doença fica imunizado pelo resto da vida, pois o organismo já possui anticorpos contra esse vírus, garantindo proteção vitalícia.

Tratamento da febre amarela

Não existem medicamentos disponíveis para destruir o vírus. Por isso, o tratamento consiste principalmente em cuidados exclusivos de um hospital.

Isso inclui fornecimento de fluidos e oxigênio, manutenção da pressão arterial, substituição da perda de sangue, fornecimento de diálise para a insuficiência renal e tratamento adequado para quaisquer outras infecções que possam se desenvolver.

Transfusão de sangue

Um dos procedimentos para tratar a febre amarela é a transfusão sanguínea, especialmente nos casos em que há perda excessiva de sangue.

Algumas pessoas podem receber transfusões de plasma para substituir as proteínas do sangue que melhoram a coagulação.

Fluidos

A fim de evitar a desidratação, o paciente deve ingerir bastante líquidos. Contudo, quando isso não é possível por conta dos vômitos, uma solução intravenosa pode ser dada para manter a hidratação.

Diálise

Quando o paciente apresenta falência renal, a diálise se faz necessária. Esse procedimento consiste em filtrar o sangue por máquinas, evitando que toxinas se acumulem na corrente sanguínea do indivíduo.

Remédios naturais

Juntamente com o tratamento clínico, existem alguns remédios naturais (fitoterapia) usados para aliviar os sintomas a febre amarela. São eles:

  • Angelicó (Aristolochia trilobata L): Auxilia no controle dos sintomas gástricos da febre amarela;
  • Maracujá-mirim (Passiflora edulis Sims): Melhora os sintomas a partir da redução da febre;
  • Alfavaca, capim-cidreira, quebra pedra e urtiga: Consideradas ervas diuréticas, essas quatro auxiliam no tratamento da anúria (diminuição da produção da urina);
  • Pau amargo e Pau tenente: São indicadas para a desordem do estômago, febres intestinais, diarreias e gases ocasionados pela doença.

Atenção: É importante ressaltar que, antes de fazer qualquer tratamento, o paciente deverá consultar um médico.

Medicamentos para febre amarela

Para aliviar os sintomas da febre amarela, o médico pode indicar os seguintes medicamentos:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Complicações

Cerca de 15% dos pacientes evoluem, dentro de um período de 48 horas, para uma fase mais grave da doença, conhecida como fase tóxica.

Nessa etapa, uma série de complicações podem se desenvolver:

Hemorragias internas e coágulos espalhados

Com o avanço da doença, diversos órgãos podem sofrer hemorragias (sangramentos). Neste estágio, o paciente pode apresentar sangramentos no nariz e nas gengivas. Além disso, pode desenvolver coágulos espalhados pelo corpo, causando manchas azuis ou verdes por baixo da pele.

Falência múltipla dos órgãos

Os coágulos e a falta de sangue impedem a circulação sanguínea, levando à falência múltipla dos órgãos. Os principais órgãos atingidos são os rins, fígado e coração.

Sangue no vômito e fezes

Hemorragias gastrointestinais levam à liberação de sangue no vômito e nas fezes.

Insuficiência hepática e renal

Com as hemorragias e coágulos, a irrigação de sangue para o fígado e os rins fica prejudicada, o que pode levar à insuficiência nesses dois órgãos.

Choque hipovolêmico

Quando há falta de sangue circulando nas veias e artérias — como acontece em caso de hemorragias —, o corpo pode sofrer um choque hipovolêmico, ou seja, um choque causado pelo baixo volume de sangue circulando pelos vasos sanguíneos.

Isso pode levar o coração a bater mais rapidamente, o que causa uma sobrecarga. Por isso, o choque hipovolêmico é uma condição altamente mortal, que deve ser tratada o mais rápido possível.

Icterícia

Lesões no fígado podem causar um aumento nos níveis de bilirrubina no sangue, conferindo uma coloração amarelada à pele e à esclera (parte branca do olho) do paciente. Este sintoma é chamado de icterícia.

A bilirrubina é um pigmento do suco biliar, uma substância do fígado que auxilia na digestão de gorduras.

Delírios e convulsões

Quando a doença causa danos cerebrais, o paciente pode apresentar sintomas como convulsões e delírios.

Coma

Devido aos danos cerebrais e a falta de irrigação sanguínea para esse órgão, o paciente pode perder a consciência e entrar em coma: um estado no qual ele não pode retornar ao estado alerta, mas ainda não é considerado uma morte cerebral.

Morte

A taxa de mortalidade na fase tóxica é bastante alta. Estima-se que entre 20% e 40% dos pacientes acabam não resistindo, sendo, em sua grande maioria, crianças e idosos.

Como prevenir a febre amarela?

A prevenção da febre amarela é realizada através de vacinação e combate ao mosquito. Algumas dicas para isso são:

  • Não deixe pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva;
  • Coloque areia nos vasos das plantas e utilize água tratada com água sanitária para regar as plantas;
  • Deixe as calhas dos telhados destampadas para que não haja acúmulo de água;
  • Mantenha caixas d’água, cisternas, barris e filtros tampados;
  • Deixe os bicos das garrafas para baixo;
  • Coloque desinfetante nos ralos;
  • Caso tenha piscina em sua residência, limpe-a com frequência;
  • Coloque o seu lixo domiciliar em sacos plásticos fechados e em latas com tampas;
  • Use mosquiteiros e telas para impedir a entrada do mosquito dentro de casa;
  • Use repelentes, principalmente em viagens ou em locais que a quantidade de mosquitos é alta;
  • Se precisar viajar para um lugar com grande incidência da doença, tome a vacina pelo menos 10 dias antes. Caso já seja vacinado, não há necessidade de uma segunda dose;
  • Aplique o protetor solar sempre antes do repelente. Caso contrário, este poderá perder sua eficácia;
  • Evite perfumes em áreas de mata, pois o cheiro doce das fragrâncias atrai mosquitos;
  • Não use repelente em crianças menores de 2 meses;
  • Utilize roupas compridas e claras, evitando deixar muita pele exposta;
  • Não aplique repelente por baixo da roupa.

Vacina para febre amarela

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação é considerada a principal e mais eficaz forma de combater a febre amarela. A vacina da febre amarela é constituída pelo vírus atenuado e, segundo a OMS, a imunidade é adquirida em 30 dias em 99% das pessoas vacinadas.

Em maio de 2013, a OMS anunciou que uma dose única da vacina garante a imunidade vitalícia. Portanto, não se considera necessária a aplicação da dose de reforço.

Contudo, no Brasil, o Ministério da Saúde optou por manter o esquema de aplicar duas doses da vacina até o início de 2017. Em Abril do mesmo ano, o país resolveu adotar a recomendação de dose única da OMS.

Vale lembrar que a vacina, em si, não mudou. Por isso, quem já tomou a vacina e está aguardando para tomar a segunda dose, não precisa mais se preocupar, pois já está imunizado.

A vacina é administrada por via subcutânea e é distribuída gratuitamente nos postos de saúde. Atualmente, em vários estados brasileiros, essa vacina já faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.

Quem deve tomar a vacina?

Crianças em áreas de risco, a partir dos 9 meses de idade, devem receber a primeira dose da vacina contra a febre amarela. A dose de reforço deve ser aplicada quando completarem 4 anos.

A vacina também está indicada para todas as pessoas, sejam elas adultas ou crianças, que residam nas proximidades de áreas que possam vir a ter epidemia da doença ou que pretendem viajar para esses lugares, dentro ou fora do Brasil.

Caso você tenha a intenção de viajar, a primeira dose da vacina deve ser aplicada com 10 dias de antecedência, para que o organismo tenha tempo de produzir os anticorpos necessários para combater o vírus.

Quem não deve tomar a vacina?

Bebês com menos de 6 meses não devem tomar a vacina, pois são mais vulneráveis a possíveis complicações da dose, entre elas a encefalite viral.

Mulheres grávidas e lactantes também não devem tomar a vacina, pois não existem provas de que a infecção passe para o feto ou de que o vírus atenuado passe para o leite materno.

Também não devem tomar a vacina pessoas imunodeprimidas, portadoras de HIV, tumores malignos (incluindo leucemia e linfomas), que utilizam medicamentos derivados da cortisona, estão em tratamento de quimio ou radioterapia ou são portadoras de doenças que alteram o funcionamento do timo (órgão do sistema imunológico).

Alérgicos a alguma substância da vacina, como proteína de ovo, gelatina ou o antibiótico eritromicina, devem evitar a vacina.

Quem depende de orientação médica?

Adultos com idade igual ou superior a 60 anos só podem tomar a vacina depois de consultar um especialista, que irá avaliar o custo-benefício da medicação. Nessa faixa de idade, os riscos de reações adversas aumentam.

Pessoas com HIV ou imunodeprimidas de maneira geral devem evitar viagens para locais onde o risco de febre amarela existe, porém, caso houver absoluta necessidade, esses pacientes devem procurar um médico especialista no assunto.

Orientações para a vacinação contra a febre amarela

Indicação

Esquema

6 meses a 9 meses de idade incompletos

A vacina está indicada somente em situação de emergência epidemiológica ou viagem para a área de risco

9 meses até antes de completar 5 anos

1 dose aos 9 meses de idade

Pessoas a partir de 5 anos

Que receberam 2 doses da vacina

Estão imunizados e não precisam mais se vacinar

Que receberam uma dose única da vacina

Estão imunizados e não precisam mais se vacinar

Que nunca foram vacinados ou sem comprovantes de vacinação

Administrar 1 dose da vacina

60 anos ou mais (nunca vacinada ou sem comprovante de vacinação)

Apenas após avaliação médica

Gestantes

A vacinação é contraindicada. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica ou viagem para a área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício/risco da vacinação

Lactantes de crianças com até 6 meses de idade

A vacinação é contraindicada até a criança completar 6 meses de idade. Caso tenha recebido a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso por 28 dias após a vacina

Viajantes

Viagens internacionais: seguir as recomendações do Regulamento Sanitário Internacional.

Viagens para áreas com recomendação de vacina no Brasil: vacinar, pelo menos 10 dias antes da viagem, no caso de 1ª vacinação. O prazo de 10 dias não se aplica em caso de revacinação

Fonte: www.bio.fiocruz.br

Reações adversas da vacina

A vacina é considerada extremamente segura. Uma dose única proporciona proteção vitalícia, entretanto, algumas reações adversas podem aparecer. São elas:

  • Dor de cabeça leve;
  • Dor muscular;
  • Dor no local da injeção;
  • Fadiga;
  • Febre de baixo grau.

Caso você tome a vacina e tenha reações adversas, consulte seu médico.

Cartas de isenção a vacina

Nos casos em que a vacina contra a febre amarela não é aconselhável, o médico poderá transmitir uma carta de isenção.

A carta deverá ser escrita em papel timbrado e conter todos os detalhes práticos do porquê da vacina não ser recomendada a essa pessoa. Essa carta pode ser aceita por algumas autoridades responsáveis pela imigração.


A febre amarela é conhecida por ser uma doença altamente perigosa e, caso não seja tratada da maneira correta, pode ser fatal! Esse artigo vai te ajudar a entender os riscos da doença e a maneira de se prevenir. Compartilhe com seus amigos para que eles também entendam!

Publicado originalmente em: 17/11/2017 | Última atualização: 19/09/2018

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20 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Excelente matéria!!! Mas ainsabtenho uma dúvida.
    Quem tem algum tipo de doença autoimune (eu e meu filhos temos psoríase e dermatite), pode tomar a vacina?

    • Olá Giovanna,

      A vacina é contraindicada para pessoas com problemas autoimunes que fazem o uso de imunossupressores para controlar a doença. Caso você e seu filho não utilizem esses medicamentos, a doença em si não é uma contraindicação. Contudo, como a maioria das pessoas que sofrem com doenças autoimunes costuma tomar medicamentos imunossupressores, a vacina pode não ser recomendada. Converse com seu médico antes de ir ao posto tomar a vacina, pois só ele saberá dizer se é seguro ou não, ok?

  2. Uns dos melhores artigos que li até agora sobre febre amarela, parabéns. Eu e minha família nos vacinamos, os únicos que apresentaram reações leves foi o meu marido e eu, tivemos cefaléia e dores musculares, mas graças a Deus tudo bem. Grata pelas informações!!!

  3. Ainda estou com algumas dúvidas sobre a vacina, por exemplo, todo mundo tem reação a vacina?
    Em média quanto tempo demora para passar todos os sintomas da reação?

    E minha mãe tomou ontem a vacina e hoje ela está sentindo dores no rim, isso é uma reação normal? É aconselhável ela já ir ao médico? Ou de fato é uma complicação grave da vacina?

    • Olá Mayra,

      Nem todo mundo tem reação a vacina. Na realidade, quem tem reação é minoria. O mais comum é não ter reação alguma. Os sintomas aparecem entre 5 a 10 dias depois da vacinação, e duram alguns dias, mas não devem passar de 2 semanas.

      No mais, dores nos rins não é uma reação normal à vacina. Consultar um médico o mais rápido possível é extremamente importante.

    • Olá Alana,

      Apesar do Rio de Janeiro não estar entre os estados de risco, a vacinação está sendo feita de forma preventiva nesse estado. Sendo assim, seria uma boa ideia para viajantes tomarem a vacina. Contudo, o mais indicado é que você converse com seu médico antes para saber se não há riscos para você.

    • Olá, Maria!

      Lamentamos a impossibilidade de fornecer conselho médico ou responder a questões médicas e farmacêuticas individuais, pois somos impossibilitados pela ANVISA de prestar tal atendimento. Recomendamos que você procure um médico antes de se vacinar. Ele é o profissional mais habilitado para tirar suas dúvidas.

  4. O site é muito bom mesmo, mas eu queria que explícitassem bem quais são esses países de sul de africa concretamente. Bom trabalho 🙂

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