O que é Enxaqueca?

A Enxaqueca, também conhecida por “hemicrania”, “migranea” ou “hemialgia”, é uma doença crônica, caracterizada por ter um início, mas não um fim, e suas dores de cabeça podem aumentar conforme o tempo passa, indo e vindo. É um desequilíbrio químico que ocorre no cérebro, envolvendo hormônios e substâncias (peptídeos) nesse processo, além de outros desequilíbrios neuroquímicos também provocarem a enxaqueca.

O seu principal sintoma é a dor de cabeça, contudo ela pode acometer o paciente a outros sintomas, assim sendo, a enxaqueca é um tipo de Cefaleia (dor de cabeça). Essa dor vai de moderada a severa, mas também se apresenta de modo leve e até mesmo inexistente.

A dor de cabeça da enxaqueca é do tipo pulsante, ou seja, que fica latejando, comumente em só um lado da cabeça. Atinge de 10% a 15% da população e cerca de 2/3 dos casos são de origem genética. Estima-se que 15% da população enfrentará momentos de enxaqueca em algum momento da vida.

Das cefaleias existentes, é a que mais causa afastamento do trabalho, em média 4 dias perdidos por ano pelos pacientes. Ainda, entre os tipos, existem: enxaqueca com aura, sem aura, crônica, episódica, menstrual e basilar.

Os pacientes mais acometidos pela enxaqueca são as mulheres, cerca de 20% a 30%, e apenas 10% dos homens. Um recente estudo brasileiro epidemiológico detectou que que cerca de 15,2% é a taxa de prevalência da enxaqueca no brasileiro.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Enxaqueca?
  2. Causas
  3. Quais os tipos de Enxaqueca? E o que é a Enxaqueca com aura?
  4. Os sintomas da Enxaqueca
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Tratamento e remédios para Enxaqueca
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações
  9. Como prevenir a Enxaqueca?

Causas

A enxaqueca é multifatorial, ou seja, suas causas são diversas, podendo ser:

  • Ambientais: Alergia, poluição, vento, chuva, altitude, sol-claridade, frio, calor, cigarro (ativo e passivo), ar condicionado. Mudanças de temperatura ou de pressão barométrica. Odores, perfumes, produtos químicos, purificadores de ambiente, odor de produtos de limpeza, de comida, de gordura, de gasolina.
  • Alimentares: jejum prolongado,chocolate, queijos fortes, embutidos, consumo em excesso de café, álcool ou açúcar.
  • Físicos e hormonais: alterações hormonais como ciclo menstrual, falta ou excesso de exercícios físicos.
  • Emocionais: estresse, irritação, medo, ansiedade.
  • Sono: insônia ou noites mal dormidas.

A enxaqueca surge de duas ou mais dessas causas combinadas. A ocorrência das crises pode durar alguns minutos até horas. A enxaqueca do tipo primário é provocada pela vasodilatação de artérias e veias cranianas, que compressam os nervos sensitivos.

Como as causas são diversas, o médico investigará junto com o paciente quais são os fatores que mais despertam a dor. Descoberto qual o foco, aconselha-se evitá-lo ou tentar diminuir a exposição.

Estudos recentes mostraram que os indivíduos que têm a enxaqueca com aura apresentavam um desvio (abertura) da direita para a esquerda nas câmaras superiores do coração em virtude de uma condição congênita chamada de “forame oval”.

Há um procedimento cirúrgico que envolve a inserção pela virilha de um mecanismo que fecha esta abertura cardíaca e tem trazido bons resultados para cura do mal em muitos pacientes enxaquecosos portadores de tal falha congênita.

Quais os tipos de Enxaqueca? E o que é a Enxaqueca com aura?

A enxaqueca divide-se em dois grandes grupos: primárias e secundárias.

Primárias

Apresenta características próprias e a recorrência da dor é a sua principal manifestação. Pode ser: enxaqueca com aura, sem aura, crônica, episódica, menstrual, basilar e hemiplégica.

  • Enxaqueca com aura (ou hemiplégicas): uma classificação da enxaqueca que comenta-se bastante é se ela é ou não de aura. A aura é um fenômeno neurológico, o qual apresenta a ocorrência de escotomas (alterações visuais). Em geral, essas alterações têm início poucos minutos antes do aparecimento da dor. Mas nem sempre esse tipo de alteração ocorre, e então dá-se a “enxaqueca de aura”, devido ao seu sinal ser mais comum. As alterações ocorreriam por distúrbios elétricos negativos ao nível do córtex cerebral, na região occipital, que é responsável pela visão. Mas também pode ocorrer a enxaqueca sem aura, que é a mais comum.
  • Enxaqueca sem aura: alguns sinais podem ocorrer antes das crises: bocejos, alterações de humor, dificuldade de raciocínio, inchaço em alguma parte do corpo, uma vontade inexplicável de comer certos alimentos (particularmente doces) e/ou cansaço. É quase sempre acompanhada de dor.
  • Crônica: invetiga-se que esta seja uma evolução da tipo episódica que foi aumentando em freqüência e diminuindo em intensidade, passando a ser constante e menos incômoda do que as crises fortes e incapacitantes, que vem da do tipo episódica. Ocorre por vários motivos, como o abuso de medicação analgésica uma das principais causas.
  • Episódica ou transformada: é a forma mais comum, tem duração de 14 dias a 1 mês, já as enxaquecas crônicas se caracterizam por uma dor que dura pelo menos 15 dias por mês.
  • Menstrual: atinge até 20% das mulheres, enquanto para as que já sofrem de enxaqueca, até 60% relatam desencadeamento ou piora das crises durante a menstruação. Além da dor de cabeça, essas crises de enxaqueca podem cursar com enjoo, vômitos, fotofobia, barulhos e cheiros, além de vários outros sintomas.
  • Basilar ou enxaqueca da artéria: é uma variante extremamente rara, mas potencial, da enxaqueca com aura clássica. Seus sintomas são provenientes da constrição da artéria basilar, que fornece sangue para o tronco cerebral. Pesquisas apontam que, este tipo acomete mais mulheres adolescentes, mas pessoas de todas as idades e sexos não estão livres.

Secundárias

Os sintomas, neste caso, provém de outras doenças como:

  • Infecções (sinusites, meningites).
  • Traumas.
  • Tumores.
  • Aneurismas.
  • Alterações metabólicas ou hormonais.

Os sintomas da Enxaqueca

A dor de cabeça, que tem intensidade variável, é o principal sintoma da enxaqueca. Contudo, o paciente também poderá sentir e apresentar:

  • Náuseas que podem causar vômitos.
  • Fotofobia: aversão e sensibilidade à luz, pode ocorrer quando o paciente não está em crises, mas ela é mais intensa durante esses períodos. Ocorre com frequência e o paciente prefere ficar nos lugares mais escuros do que nos claros. Com o tempo, o paciente tem dificuldade em assistir televisão, ler um livro e até focalizar objetos brilhantes.
  • Lacrimejamento e olhos vermelhos.
  • Hipersensibilidade ao barulho (hiperacusia).
  • Hipersensibilidade no couro cabeludo.
  • Hipersensibilidade a cheiros.
  • Visão embaçada.
  • Tontura.
  • Alterações do humor.
  • Hipersensibilidade do couro cabeludo e da face: que dificulta e torna dolorosas as ações como pentear o cabelo ou se deitar sobre o lado da dor.
  • Inchaço ao redor dos olhos, na face ou por todo o corpo.
  • Coriza e obstrução nasal.
  • Alterações do humor.
  • Distúrbios de memória e concentração.
  • Sensação de “cabeça pesada” ou “cabeça leve”.
  • Sensação de que “algo está caminhando” ou “escorrendo” sobre a cabeça.
  • Medo.
  • Pânico.
  • Sensação de estar enlouquecendo.
  • Alterações da pressão: A crise de enxaqueca pode vir tanto com pressão baixa quanto com pressão alta.
  • Diurese em excesso.
  • Diarreia.
  • Perda da visão.

Para as mulheres, as intensidades da enxaqueca costumam a diminuir após a menopausa.

Como é a dor de cabeça do paciente com Enxaqueca?

Normalmente, esta dor é recorrente e afeta apenas um dos lados da cabeça. Sua característica é ficar pulsando, e isto tem duração média de 2 a 72 horas, causando os sintomas mencionados.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O neurologista é o especialista responsável. O diagnóstico da enxaqueca é clínico, o médico também investigará o histórico do paciente para descobrir a causa das dores. Além disso, há a realização de exames complementares como:

  • Exame físico.
  • Exame neurológico completo.
  • Ressonância magnética de crânio.
  • Eletroencefalograma.

Para um diagnóstico preciso da enxaqueca é preciso que ocorram mais de 5 crises de intensidade forte a moderada, localizada em só um lado da cabeça e com duração de 4 a 72 horas, bem como os sintomas típicos.

Tratamento e remédios para Enxaqueca

Não é uma doença benigna e tem igual importância de cuidados quanto para quem tem Diabetes, obesidade e hipertensão arterial. O tratamento para a enxaqueca pode ser tanto com o uso de medicamentos quanto sem, e divide-se em dois tipos:

  • Agudo: alivia ou interrompe a crise.
  • Preventivo: como o nome diz, procura evitar o quadro de cefaleia.

Geralmente o médico indicará o uso de analgésicos contra a dor, como:

Agentes como triptanos e ergolinas são recomendados para os pacientes que não apresentaram melhora com o uso dos analgésicos.

Porém, a forma que tem maior eficiência de tratamento utiliza substâncias vasoconstrictoras, pois elas trabalham diretamente sob o receptor de serotonina, ou seja, recompõe alterações de neurotransmissão. Os medicamentos indicados para o uso preventivo da enxaqueca são:

  • Betabloqueadores.
  • Anti-histamínicos.
  • Anticonvulsivantes.
  • Bloqueadores de canais de cálcio.
  • Antidepressivos.
  • Toxina Botulínica A ou OnabotulinumtoxinA: Seu uso foi aprovado nos EUA pelo FDA em 2010 e aprovado em 2011 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para os tipos crônicos que aparecem mais de 15 vezes por mês. Também é aprovada para outras formas de dores crônicas, como a neuralgia do trigêmeo.

Tratamento não-medicamentoso

Há terapias que trabalham o físico do paciente e, outras, o campo psicológico, para aliviar os sintomas e também prevenir que eles surjam. Dentre essas podem ser recomendadas:

  • Psicoterapias.
  • Relaxamentos.
  • Meditação.
  • Biofeedback: é uma intervenção de padrão térmico (aquecimento da mão) e treino de biofeedback eletromiográfico (EMG); é necessário buscar ajuda de um terapeuta para iniciar este tratamento.
  • Terapia cognitivo comportamental, ou seja, treinar o controle do stress e ansiedade.

Muitos pacientes procuram combinar os dois tipos de terapia (com e sem medicamentos) para um melhor progresso.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

Estão no grupo de risco da enxaqueca:

  • Mulheres e gestantes.
  • Pessoas entre 25 e 55 anos de idade.
  • Homens em fase de puberdade.
  • Pessoas obesas.
  • Tabagistas.
  • Alcoólicos.
  • Habitantes de grandes centros urbanos.

A enxaqueca é um fator de risco para outras doenças e condições, como:

Também, os seguintes fatores podem contribuir para alguém ter ou piorar a enxaqueca:

  • Tabagismo.
  • Alguns anticoncepcionais hormonais femininos.
  • Vulnerabilidade genética.
  • Estresse prolongado e frequente.
  • Poluição.
  • Barulho.
  • Odores.
  • Luzes fortes.
  • Alimentos que contém glutamato monossódico (muitos temperos), nitratos (carnes processadas como salsicha, salame e hambúrguer), tiramina (queijos e carnes processadas), aspartame ou álcool (especialmente vinho).
  • Mudanças hormonais (ovulação, menstruação, pílula anticoncepcional).
  • Irregularidade dos padrões de sono.
  • Falta de cafeína, para os que consomem com maior frequência café e chá.
  • Exercícios pesados em dias quentes ou com baixa umidade.
  • Vasodilatadores.
  • Obesidade.

Complicações

Se não tratada, a enxaqueca pode trazer para a vida do paciente problemas como:

  • Distúrbios psicológicos/psiquiátricos: depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtornos do humor, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), entre outras.
  • Distúrbios do sono: insônia, sono não reparador, sonolência diurna, bruxismo, enurese noturna (o urinar na cama das crianças), sonambulismo.
  • Déficits cognitivos: dificuldades de concentração e memória.
  • Tonturas de vários tipos: a grande maioria das pessoas saudáveis, com menos de 60 anos, que tem tonturas/vertigens em crises recorrentes, ou mesmo tontura contínua, não tem labirintite. A tontura faz parte do quadro da enxaqueca.
  • Doenças gastrointestinais: síndrome do intestino irritável, intestino preso crônico, diarreias frequentes, dores abdominais recorrentes.
  • Dores: cervicais (no pescoço), lombar, musculares, tendinites, fibromialgia.

Como prevenir a enxaqueca?

Geralmente, os pacientes que recebem tratamento preventivo, diminuem em até 50% os números de crises. Para quem já tem a condição, recomenda-se que o medicamento indicado pelo médico seja administrado assim que os sintomas começarem a se manifestar.

Entre os hábitos de prevenção estão:

  • Não abusar dos analgésicos.
  • Ter uma boa alimentação e dieta equilibrada, evitando a cafeína e açúcares.
  • Não fumar ou ingerir bebidas alcoólicas em excesso.
  • Praticar atividades físicas.
  • Evitar o estresse.
  • Respeitar as horas de sono.

Dieta para a enxaqueca

Existem alimentos que possuem substâncias que podem deflagrar crises de enxaqueca, principalmente os que atuam diretamente sobre os vasos sanguíneos:

  • Tiramina: queijo envelhecido, carnes.
  • Feniletilamina.
  • Nitritos: cachorro-quente.
  • Glutamato monossódico.
  • Álcool.

Sentiu em algum momento que você apresenta mais de cinco episódios de dor de cabeça intensa? Pode ser enxaqueca! Consulte um médico e compartilhe também este artigo para que mais pessoas possam saber diferenciá-la de uma simples dor de cabeça.

Referências

http://www.enxaqueca.com.br/blog/o-que-e-enxaqueca/
http://www.sbce.med.br/SBCe/index.php/pt-br/para-leigos/3-enxaqueca-nao-e-so-uma-dor-de-cabeca
http://www.enxaquecaeansiedade.com/fatores-desencadeantes-das-crises-de-enxaqueca/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Enxaqueca
http://www.enxaquecaeansiedade.com/tratamentos-da-enxaqueca/
https://www.abcdasaude.com.br/neurologia/enxaqueca
https://drauziovarella.com.br/drauzio/artigos/enxaqueca/

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