Estela (Minuto Saudável)
26/11/2018 08:00

Grávida pode tomar paracetamol? Saiba a dosagem e riscos

Revisado por: Dra. Francielle Tatiana Mathias (CRF/PR 24612) – Farmacologista

O uso consciente de medicamentos é uma orientação válida para todas as pessoas, mas especialmente durante a gestação, quando o cuidado deve ser redobrado.

Além de poder trazer complicações para a gestante, o uso inadequado de remédios ― principalmente quando feito por automedicação ― pode também causar prejuízos à saúde do bebê.

Grávidas quando sentem dor de cabeça ou febre, por exemplo, costumam ter dúvida sobre qual remédio é seguro tomar. Entre esses tipos de medicamentos, um dos mais conhecidos é o paracetamol, que tem ação analgésica e antitérmica.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o uso de paracetamol durante a gestação é permitido, mas não deve ser feito sem orientação médica.

Além de ser comercializado com o próprio nome da substância, sem obrigatoriedade de receita, pode ser encontrado pelos nomes comerciais como Sonridor, Coristina Termus, Pratium, Tylidol, Vick Pyrena e vários outros.

No texto a seguir, mostramos quando esse medicamento é considerado seguro e quais os riscos presentes quando usado de forma irresponsável durante a gravidez.

Quando tomar paracetamol?

O uso de paracetamol, quando prescrito para adultos, bebês ou crianças, visa contribuir para a redução de febre e alívio de dores leves a moderadas, como dores causadas por quadros de gripe e resfriados, dor de garganta, de dente ou de cabeça.

Leia mais: Qual a diferença entre uma gripe e um resfriado?

Como o paracetamol age no organismo?

O paracetamol é um medicamento com ação antitérmica que ajuda a reduzir a febre ao agir sobre o hipotálamo, região cerebral responsável por regular a temperatura do organismo.

Seu efeito analgésico, por sua vez, ocorre devido a atuação direta do medicamento no sistema nervoso central, fazendo com que a percepção da dor seja reduzida em todo o corpo — isso porque é um analgésico de ação central.

O efeito do paracetamol inicia entre 15 a 30 minutos após administração oral e age durante 4 a 6 horas. Apesar de ter um pico de concentração mais atrasado quando tomado durante as refeições, o paracetamol não tem sua absorção afetada por alimentos.

O que é importante saber, no caso das grávidas, é que o medicamento pode ultrapassar a placenta, chegando até o bebê.

Leia a bula completa do paracetamol!

Dosagem: quantos comprimidos de paracetamol pode tomar por dia?

É difícil afirmar qual a dosagem máxima segura, pois cada pessoa possui reações diferentes. Mas, de acordo com o que está estabelecido na bula do medicamento, a dose máxima ao dia (para adultos) não deve ultrapassar 4000mg, equivalente a 5 comprimidos de 750mg ou 8 comprimidos de 500mg,  tomados em doses intercaladas.

Contudo, além da necessidade de consultar um médico para confirmar a possibilidade de uso do medicamento, também é fundamental uma orientação em relação a dosagem.

No caso das gestantes, o cuidado deve ser redobrado.  Para elas, a dose máxima permitida pode ser inferior a 4000mg, o que acontece de acordo com avaliação médica.

Para chegar à dosagem segura por dia individualmente, o médico precisa também avaliar outros fatores, como quadro clínico da gestante, doenças e saúde, de modo geral.

O uso de paracetamol na gravidez é seguro?

Depende. O uso desse tipo de analgésico só é seguro quando tomado de forma adequada, ou seja, por prescrição médica e nas doses consideradas seguras.

Como todo medicamento, o paracetamol possui algumas reações adversas e, no caso das gestantes, essas reações podem interferir também na saúde do bebê, uma vez que as substâncias são absorvidas e passam pela placenta.

O mais aconselhado é que as gestantes considerem o medicamento como última opção, independente do trimestre gestacional.

Para aliviar sintomas como dores e febre, podem optar por opções mais naturais, como remédios caseiros. Contudo, até mesmo nesses casos, antes de ingerir qualquer substância, a consulta e orientação médica também são indispensáveis.

Para entender o quanto um medicamento é seguro para as gestantes, é importante conhecer sobre as categorias de risco existentes:

Categorias de risco na gravidez

De acordo com a classificação dos medicamentos na gravidez, estabelecida pela agência Food and Drug Administration, nos EUA, são cinco categorias de risco que as gestantes devem se atentar, sendo elas divididas em A, B, C, D e X. O paracetamol está incluso na categoria de risco B.

Essa classificação é semelhante ao que a Anvisa determina no Brasil e, de acordo com a agência nacional, as grávidas não devem tomar o paracetamol sem orientação médica.

O trecho presente no regulamento técnico da Anvisa, no qual estabelece as frases de alerta sobre os princípios ativos e outras substâncias que devem constar nos rótulos e bulas, diz o seguinte sobre a categoria de risco do paracetamol:

  • Categoria de risco B: os estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram riscos, mas que não foram confirmados em estudos controlados em mulheres grávidas.

Isso quer dizer que, mesmo após testado em animais, não é possível concluir através desses estudos se há os mesmos riscos para a gestante e para o bebê diante do uso do medicamento.

Para o conhecimento das gestantes, é interessante saber um pouquinho mais também sobre as outras categorias, segundo o que diz a Anvisa:

  • Categoria de risco A: em estudos controlados em mulheres grávidas, o fármaco não demonstrou risco para o feto no primeiro trimestre de gravidez. Não há evidências de risco nos trimestres posteriores, sendo remota a possibilidade de dano fetal;
  • Categoria de risco C: não foram realizados estudos em animais e nem em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram risco, mas não existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas;
  • Categoria de risco D (em doses elevadas): o fármaco demonstrou evidências positivas de risco fetal humano, no entanto, os benefícios potenciais para a mulher podem, eventualmente, justificar o risco, como, por exemplo, em casos de doenças graves ou que ameaçam a vida, e para as quais não existam outras drogas mais seguras;
  • Categoria de risco X: em estudos em animais e mulheres grávidas, o fármaco provocou anomalias fetais, havendo clara evidência de risco para o feto que é maior do que qualquer benefício possível para a paciente.

Portanto, na consulta com o médico ou se informando com o farmacêutico, é importante lembrar sobre essas categorias e questionar se o medicamento prescrito faz parte de alguma delas. Além disso, vale lembrar também da importância de ler a bula.

Leia mais: Qual o significado das tarjas dos medicamentos e suas cores?

Quais os riscos para o bebê?

Provavelmente você já ouviu o ditado que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Nem sempre esses ditos populares são verdadeiros, mas nesse caso podemos dizer que sim.

Todo medicamento, quando tomado de forma inadequada, pode trazer riscos à saúde. E com o paracetamol não é diferente.

Apesar de ser considerado entre as outras opções de analgésicos o mais seguro para as grávidas, não deve ser tomado sem orientação médica e em doses elevadas, pois existem algumas reações adversas que podem ocorrer.

Para as pessoas de um modo geral, ainda que raro, o medicamento pode causar reação alérgica grave (reação anafilática), hipersensibilidade e reações na pele como urticárias, erupções cutâneas e coceira.

Leia mais: Alergia na pele: causas e como identificar os sintomas

Já os riscos que o paracetamol pode causar no bebê estão associados a possibilidade da criança desenvolver condições como déficit de atenção, autismo, asma e atraso na linguagem.

Essas complicações para o bebê estão associadas a ação que o remédio provoca nos receptores do cérebro, mais precisamente no sistema nervoso central (SNC) — o paracetamol atua reduzindo a percepção da dor.

Por atravessar a placenta, essa substância pode também chegar até o cérebro do bebê, podendo afetar as mesmas estruturas do SNC, que estão envolvidas no amadurecimento e conexões dos neurônios da criança.

Mas ainda que alguns estudos indiquem que há uma associação entre o uso do paracetamol na gestação e alguns danos ao bebê, estes ainda são considerados pouco conclusivos.

Entenda as complicações e os riscos levantados nos estudos:

Asma

De acordo com um estudo divulgado pela revista International Journal of Epidemiology, há uma chance maior de incidência de asma infantil e outras doenças respiratórias em crianças no qual a mãe fez uso do paracetamol durante a gestação.

Entretanto, esse risco, que pode ser de 20% em bebês com até 18 meses de vida e 50% em crianças na faixa etária de 7 anos, está associado ao uso contínuo do medicamento e não ao uso esporádico (de vez em quando).

Atraso na linguagem

Segundo um estudo publicado pela European Psychiatry, feito a partir de entrevista com cerca de 754 mulheres entre a 8ª e a 13ª semana de gestação, há chances do uso de paracetamol durante a gravidez influenciar no desenvolvimento de problemas como o atraso de linguagem.

Comparando a frequência de uso do paracetamol e realizando um teste para medir o desenvolvimento das crianças com idade até 30 meses, os pesquisadores estabeleceram uma média de 50 palavras para considerar a criança com atraso na linguagem nessa idade.

O grupo foi dividido entre gestantes que tomaram paracetamol mais de 6 vezes desde o início da gestação e as que nunca tomaram.

O resultado de crianças com algum tipo de atraso representou 10%, sendo as crianças filhas de mães que consumiram em doses altas 6 vezes mais propensas a esse risco no desenvolvimento.

Autismo

Um estudo publicado no International Journal of Epidemiology indica que a exposição pré-natal à substância está associada a um maior número de sintomas de autismo, como hiperatividade e impulsividade.

Porém, a pesquisa não aponta qual a dose de risco. Os dados relatados são de mães que utilizaram o medicamento em uma frequência de nunca, esporadicamente e sempre, o que não pode ser considerado conclusivo.

Déficit de atenção e hiperatividade

Uma relação entre o uso do paracetamol e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Universidade de Aarhus (Dinamarca), se dá após o acompanhamento feito com mais de 64 mil crianças e mães que usaram o medicamento durante a gestação.

Nessa análise, foi observado que as chances do desenvolvimento desse tipo de transtorno foi de 13% a 37% em gestações cujo as mães fizeram uso do paracetamol.

Que tipo de analgésico uma gestante pode tomar?

O paracetamol pode ser tomado, desde que o médico esteja de acordo e a dose diária não ultrapasse o limite de 4000mg, porque, apesar dos riscos, ainda é considerado o mais seguro. Outros analgésicos comuns, como a aspirina e o ibuprofeno, não são indicados.

O Tylenol, medicamento produzido à base de paracetamol, também costuma ser usado por gestantes para ajudar a reduzir dores de cabeça.

No entanto, é o médico que acompanha a gestante é o profissional mais capacitado para dizer qual tipo de medicamento, seja analgésico ou de outra classe, é seguro para sua condição.

Vale ressaltar que a automedicação não deve ser praticada. Ao sentir dor de cabeça, dores no corpo, dor de garganta, febre ou qualquer outro sintoma, a gestante deve procurar um médico.

Como uma alternativa aos medicamentos, a gestante pode optar por receitas caseiras de analgésicos naturais.

Analgésicos naturais

Existem algumas plantas medicinais que podem ser tomadas em forma de chá ou utilizadas como óleos essenciais que ajudam a proporcionar um efeito analgésico no organismo.

No entanto, é muito importante tomar cuidado com a escolha das plantas, pois a maioria não apresenta comprovação científica de que realmente funcionam como analgésico. Além disso, há uma série de plantas contraindicadas pelos riscos que podem causar para as gestantes, como o gengibre e o chá verde, que devem ser evitados.

Uma opção, nesses casos, é o chá de cúrcuma, que não está entre os chás contraindicados. No entanto, também deve ser consumido em quantidade moderada, pois em doses altas pode causar contrações uterinas.

Além dessa planta, o ômega 3 também pode contribuir para o alívio de dores de cabeça e outros sintomas.

Contudo, esses analgésicos naturais não funcionam como um medicamento, em que a ação e alívio da dor é muito mais rápida.

Eles devem ser incluídos na alimentação ou no dia a dia da gestante para ajudar no alívio das dores, contudo, como citado, não possuem a mesma ação dos remédios e a necessidade do uso varia de acordo com a condição da gestante.

Nesses casos, a orientação feita para os medicamentos também é válida. O médico deve orientar sobre os riscos do uso dessas receitas naturais e também sobre a quantidade segura.


A gestação é um momento especial na vida da mulher, mas é também um período que exige muitos cuidados. É comum surgirem dúvidas sobre medicação, sobre o que é seguro ou não tomar.

Por isso, buscamos esclarecer neste artigo sobre os riscos presentes no paracetamol. Se você está grávida e sofre com sintomas que exigem o uso de um analgésico, procure um médico para que ele possa orientá-la, e nunca se automedique!

Agora que você já sabe sobre como funciona o paracetamol e as suas indicações na gestação, que tal compartilhar essas informações com seus amigos e familiares? Obrigada pela leitura!

Leia também: Grávida pode tomar dipirona? Prejudica o bebê?

Fontes consultadas

09/05/2019 16:21

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