Ebola: o que é, vírus, sintomas, transmissão, tratamento, prevenção

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O que é ebola?

A doença, antes conhecida como febre hemorrágica ebola, é uma infecção provocada por vírus.

O vírus ebola é considerado um dos mais perigosos que se tem conhecimento. Isso se deve pelo fato de apresentar taxa de mortalidade de até 90%, tendo potencial de provocar grandes surtos.

Ele é um filovírus de forma filamentosa que não possui classificação, capaz de provocar a doença em humanos e em outras animais, como macacos, gorilas e chimpanzés.

Os sintomas têm início após duas a três semanas depois de contrair o vírus. Inicia-se com a multiplicação do agente nas células do fígado, baço, pulmão e tecido linfático, causando danos significativos e hemorragias.

Essa doença foi identificada, pela primeira vez, em 1976, em dois surtos simultâneos: um em uma aldeia perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo, e o outro em uma área remota do Sudão.

A origem do vírus ainda é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os prováveis hospedeiros.

Na África, os surtos provavelmente originam-se quando as pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos em florestas, pois é costume alimentar-se desses animais na região.

O vírus ebola apresenta cinco cepas, sendo o ebola-Zaire o mais letal deles. Foi este o vírus predominante durante a epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016. A doença afetou mais de 22 mil pessoas, levando 11 mil pacientes à morte.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), orgão com maior experiência no tratamento de pacientes com ebola no mundo, atuou durante a epidemia de 2014 na África Ocidental para auxiliar na contenção da doença, antes mesmo do surto ser oficialmente declarado.

Ao longo dos sete primeiros meses da epidemia, montou seis centros de tratamento de ebola: dois em Guiné, dois na Libéria e dois em Serra Leoa, mobilizando mais de 3.300 profissionais.

Estes centros receberam mais de 4.900 pacientes, dos quais cerca de 3.200 foram confirmados com a doença. Entre essas pessoas, aproximadamente 1.100 sobreviveram. O MSF também enviou mais de 877 toneladas de suprimentos médicos nesse período.

O Médico sem Fronteiras também já tinha tratado centenas de pessoas afetadas pelo ebola em Uganda, Congo, República Democrática do Congo, Sudão, Gabão e na Guiné. Em 2007, contiveram completamente uma epidemia de ebola na Uganda.

Fora a epidemia de 2014-2016, ao todo, mais de 24 surtos de ebola já foram registrados na África Central e Ocidental, além de Sudão e Uganda.

A situação, atualmente, também é preocupante para a população da República Democrática do Congo. Foram registrados, desde abril de 2018,  mais de 40 casos de pacientes com suspeita de ebola na cidade de Bikoro.

Continue a leitura e entenda como acontece a transmissão do vírus ebola e como é possível se prevenir dessa doença.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é ebola?
  2. Novo surto de ebola no Congo
  3. O ebola vírus
  4. Como ocorre a transmissão?
  5. Qual a ação do vírus no organismo?
  6. Grupos de risco
  7. Sintomas
  8. Diagnóstico
  9. Ebola em grávidas e lactantes
  10. Ebola tem cura?
  11. Tratamento
  12. Vacina
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir?
  16. Perguntas frequentes

Novo surto de ebola no Congo

A ebola, que já provocou uma epidemia extremamente preocupante entre 2014 e 2016, em países da África Ocidental, é motivo para mais um alerta.

No começo de abril deste ano, foram identificados casos da doença na cidade de Bikoro,  na República Democrática do Congo. A cidade, que registrou o primeiro caso da doença, agora passa mais uma vez por esse enfrentamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de abril até o dia 15 de maio, foram registrados 44 casos da doença no país, sendo 3 confirmados, 20 tidos como prováveis e 21 suspeitos.

A atualização mais recente divulgada pela OMS é de que há registro de um novo caso da doença em Wangata, cidade com cerca de 1,2 milhão de habitantes.

Até então, as suspeitas de ebola eram apenas de Bikoro, cidade em que os hospitais são considerados com funcionalidade limitada, além de possuir áreas afetadas de difícil acesso, principalmente em condições de chuva, uma vez que as estradas são intransitáveis.

Em Wangata, cidade urbana com maior número populacional, a situação se torna também muito preocupante. No entanto, as ferramentas para combater a doença agora são melhores.

Segundo a OMS, um grupo de 30 especialistas está trabalhando para auxiliar na condução da vigilância na cidade, além do apoio do Ministério da Saúde e outros parceiros.

Neste novo surto, a OMS pretende utilizar uma vacina ainda em fase experimental. De acordo com a organização, a vacina contra o vírus ebola chamada rVSV-ZEBOV pode ter até 100% de eficácia.

O ebola vírus

O ebola vírus é um filovírus (o outro membro desta família é o vírus Marburg) de forma filamentosa, com 14 micrômetros de comprimento e 80 nanômetros de diâmetro. O seu genoma é de RNA fita simples de sentido negativo (é complementar à fita codificante). O genoma é protegido por capsídeo, é envelopado e codifica sete proteínas.

O período de incubação do vírus ebola dura de 5 a 7 dias se a transmissão for parenteral (através do sangue) e de 6 a 12 dias se a transmissão for de pessoa a pessoa por outros fluídos.

Em alguns casos, entre o quinto e o sétimo dia de doença, aparece exantema de tronco, anunciando manifestações hemorrágicas: conjuntivite hemorrágica, úlceras sangrentas em lábios e boca, sangramento gengival, hematemese (vômito com presença de sangue) e melena (hemorragia intestinal, em que as fezes apresentam sangue).

Nas epidemias observadas, todos os casos com forma hemorrágica evoluíram para morte. Nos períodos epidêmicos e de surtos, a taxa de letalidade variou de 50% a 90%. Seu contágio pode ser por via respiratória ou contato com fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Cepas do vírus

Existem 5 tipos de cepas do vírus Ebola, mas a doença é provocada apenas por 4 delas. Elas pertencem ao gênero ebolavirus, da família Filoviridae.

Cada uma recebeu o nome de acordo com o local de origem:

  • Ebola-Bundibugyo;
  • Ebola-Costa do Marfim;
  • Ebola-Sudão (EBO-S);
  • Ebola-Zaire (EBO-Z);
  • Ebola-Reston.

O índice de mortalidade é mais preocupante quando se trata do Ebola-Zaire, que representa 83%. Em segundo lugar está o Ebola-Sudão, com risco de 54% de mortalidade.

Destes cinco tipos de cepa, apenas o Ebola-Reston não possui registro de ter provocado a enfermidade ou algum caso de morte.

Ele foi encontrado em 1989 em macacos Macaca fascicularis e importados das Filipinas para os Estados Unidos. Lá infectou alguns tratadores por via respiratória, mas sem nenhum registro de surto.

Como ocorre a transmissão da ebola?

A ebola é uma doença considerada altamente infecciosa. Sua transmissão ocorre pelo contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou sêmen de pessoas portadoras do vírus, ou ainda outros fluidos corporais de animais infectados.

Não é transmitida pelo ar, mas pode ser transmitida através de gotículas inaláveis de 0,8 a 1,2 micrômetros.

A infecção também pode ocorrer se a pele ou as membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com ebola.

Durante o período de incubação, a pessoa contaminada não é capaz de transmitir a doença.  As pessoas podem infectar outras enquanto seu sangue e secreções contiverem o vírus e após o surgimento dos sintomas.

Objetos como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas por pacientes devem ser manuseados com muito cuidado. Pelo sêmen, a transmissão pode ocorrer por até 7 semanas após a recuperação clínica da doença.

Por isto, os pacientes infectados precisam ser cercados de cuidados específicos para evitar que profissionais de saúde ou parentes e amigos que os visitam no hospital entrem em contato com o sangue e/ou secreções.

De acordo com a OMS, também é possível adquirir o vírus ao lidar com um animal selvagem doente ou morto, que tenha sido infectado.

Transmissão por contato com animais

A aparição da doença está relacionada a relatos de infecção pelo manejo de chimpanzés, gorilas, morcegos (morcego-da-fruta), macacos, antílopes e porcos-espinhos infectados encontrados mortos ou doentes na floresta.

Os morcegos descartam fruta parcialmente ingerida, a qual é depois recolhida e comida por mamíferos terrestres, como os gorilas. Esta cadeia de eventos constitui um possível meio de transmissão indireta entre o hospedeiro natural e as populações animais, pelo que a investigação se tem focado na saliva dos morcegos.

Entre outros fatores, a produção de fruta e o comportamento animal variam entre o local e a época, o que pode desencadear surtos ocasionais entre as populações animais quando se reúnem condições propícias.

Transmissão em cerimônias fúnebres

As cerimônias fúnebres em que durante o velório as pessoas têm contato direto com o corpo da pessoa falecida, como é comum em comunidades rurais de alguns países africanos, também podem desempenhar um papel importante na transmissão do ebola.

Pessoas que morreram de ebola devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. Além disso, o corpo deve ser enterrado imediatamente.

As populações africanas são infectadas em alto número, devido à cultura das aldeias, onde as famílias têm o costume de lavar o corpo dos mortos de forma manual e com cuidado antes do enterro.

Nas últimas horas antes da morte, o vírus se torna extremamente contagioso e, por isso, o risco de transmissão a partir do cadáver é muito maior. Por essas razões, garantir a segurança dos funerais é parte crucial da administração de um surto.

Com isso, o indivíduo morto pelo ebola transmite o vírus a todos aqueles que tiverem contato com o corpo. Depois que esta pessoa entra em contato com um animal que tem ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outros indivíduos.

Qual a ação do vírus no organismo?

O ebola, como outros vírus, precisa se alojar em algum organismo para se multiplicar e sobreviver. Sozinho, não apresenta capacidade de provocar algum surto.

Para essa sobrevivência, encontra formas de se multiplicar em outros corpos. Em seres humanos, o vírus ebola ataca diretamente o sistema imunológico, principalmente as células dendríticas.

Elas são muito importantes para a nossa defesa, tão fundamentais que são conhecidas como o “cérebro do sistema imunológico”.

No entanto, quando o vírus se liga a receptores de transporte ele é capaz de invadir as células dendríticas.

Uma vez dentro dessas células, assume o controle sobre elas, liberando seu material genético, nucleoproteínas e enzimas.

Assim, não só é capaz de bloquear a ação do sistema imunológico como também consegue reprograma-lo. É dessa forma que consegue se multiplicar.

Quando essas células se tornam saturadas pela replicação desenfreada do ebola, as membranas se dissolvem em milhares de vírus são lançados nos tecidos do corpo.

A ação do vírus também tem o poder de enganar outras células, pois é capaz de enviar mensagens para que encerrem suas vidas.

Por outro lado, mais células de defesa são ativadas, como os macrófagos, monócitos e citocinas. No entanto, também não são suficientes para bloquear a ação do vírus.

A reação dessas células, ao enfrentar o invasor, acaba provocando hemorragias, a falência do fígado e todos os outros sintomas. Tudo isso acontece ao mesmo tempo e muito rápido.

O vírus é capaz de provocar uma guerra contra o sistema imunológico, que, com todas as suas células de defesa, tenta se defender.

Grupos e fatores de risco

Durante um surto, como os que ocorreram na Libéria, Serra Leoa, Guiné e Nigéria, as pessoas com maior risco de infecção são:

  • Profissionais de saúde que atendem pacientes sem que as medidas de proteção estejam adotadas;
  • Membros da família ou outras pessoas que têm contato próximo com as pessoas infectadas;
  • Pessoas que têm contato direto com os corpos dos mortos como parte de cerimônias fúnebres;
  • Caçadores que entram em contato com animais mortos encontrados na floresta.

Os indivíduos que mais têm sido frequentemente expostos ao vírus são os profissionais de saúde, ao cuidarem de pacientes com ebola na África.

A contaminação pelo vírus acontece quando eles não usam adequadamente os equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras.

Estes profissionais devem seguir rigorosamente as precauções de controle de infecção recomendados.

Sintomas

O vírus ebola é grave e as complicações que provoca também. Por isso, é fundamental atentar-se aos sintomas. No início da manifestação da doença, pode ser difícil diagnosticá-la corretamente, pois os sinais não são específicos.

Os primeiros sintomas que o paciente com ebola apresenta são:

  • Início súbito de febre;
  • Fraqueza intensa;
  • Dores musculares;
  • Dor de cabeça;
  • Dor e inflamação na garganta.

Posteriormente, são seguidos de:

  • Vômitos;
  • Coceiras;
  • Diarreia;
  • Disfunção hepática;
  • Erupção cutânea (comuns);
  • Insuficiência renal;
  • Olhos avermelhados (comuns);
  • Hemorragia tanto interna como externa, em somente alguns casos.

O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas pode variar de 1 até 21 dias após a exposição ao vírus.

Durante esse período, as pessoas infectadas não transmitem a doença. O risco de transmissão acontece apenas quando começam a apresentar os sintomas.

Quando existe o risco de morte, geralmente ocorre entre 6 a 16 dias após o início dos sintomas e, na maior parte dos casos, deve-se à diminuição da pressão arterial, resultante da perda de sangue.

Fase Hemorrágica

Todas as pessoas infectadas demonstram sintomas do envolvimento do sistema circulatório, como coagulopatia. Durante a fase hemorrágica, as primeiras hemorragias internas ou subcutâneas podem se manifestar através de olhos avermelhados ou pela presença de sangue no vômito.

Em cerca de 40% a 50% dos casos verificam-se relatos de hemorragias nas pregas da pele e das mucosas; por exemplo, no sistema digestivo, nariz, vagina e gengivas.

Entre os tipos de hemorragias associados à doença estão a presença de sangue no vômito, na tosse e nas fezes. As hemorragias intensas são raras e geralmente restritas ao sistema digestivo. Normalmente, a evolução para sintomas hemorrágicos é um indicador do agravamento do prognóstico e a perda de sangue pode provocar a morte.

Diagnóstico

O diagnóstico nem sempre é simples, pois os sintomas não são específicos. Pode ser necessário uma equipe de médicos para avaliação do paciente, pois normalmente não são casos isolados.

Durante o diagnóstico, é essencial o conhecimento do histórico do paciente para investigar se aconteceu contato com animais mortos e/ou doentes ou pessoas com suspeita de infecção pelo vírus.

Além disso, faz parte do diagnóstico diferencial eliminar a hipótese de doenças com sintomas semelhantes, como febre hemorrágica viral, malária, febre tifoide, disenteria bacteriana, tifo epidêmico, cólera, sepse e doença de Lyme.

Essas doenças podem manifestar sintomas semelhantes à infecção causada pelo vírus ebola.

Para confirmar o diagnóstico, o médico precisa realizar exames de sangue para confirmação da presença de anticorpos virais, ARN viral ou do próprio vírus ebola.

A confirmação dos casos de ebola é feita por exames laboratoriais específicos, após a realização de sete testes aprovados pela OMS. Esses testes são de grande risco biológico e devem ser conduzidos sob condições de máxima contenção.

Testes laboratoriais

Ainda no começo da preocupante epidemia de 2014-2016, a Organização Mundial da Saúde lançou um procedimento de emergência para que a avaliação dos casos de suspeita de ebola fossem feitos de forma mais rápida nos países afetados.

Em dezembro de 2014, sete testes laboratoriais foram aprovados para o Procedimento de Avaliação e Listagem de Uso de Emergência (EUAL, da sigla em inglês). Esses testes fazem parte de um projeto para acelerar a contenção de surtos, com testes rápidos e adaptados ao vírus ebola.

Os sete testes são os seguintes:

  • OraQuick;
  • RealStar;
  • ReEBOV;
  • Liferiver;
  • Xpert;
  • FilmArray;
  • SD Q Line Ebola Zaire Ag.

Ebola em grávidas e lactantes

Essa doença é extremamente preocupante quando ocorre em gestantes, pois coloca a vida da mãe e do bebê em risco.

Não há evidências de que as mulheres grávidas estejam mais suscetíveis à infecção do que as outras pessoas de um modo geral, pois a transmissão ocorre da mesma forma para toda a população.

Contudo, em casos de ebola em gestantes o prognóstico pode ser mais grave, com risco de perda do feto causada pela hemorragia causada pela doença.

Em casos anteriores dentro de surtos na África, algumas crianças nascidas de mães que tiveram a doença não sobreviveram. No entanto, nem sempre o vírus foi a causa da morte, o que impede que se afirme que o vírus tem responsabilidade total diante dessas fatalidades.

Tratamento em gestantes

O tratamento médico feito com gestantes deve seguir o mesmo procedimento utilizado em todos os casos de ebola. No entanto, os cuidados obstétricos precisam ser feitos com maior monitoramento, atuando no tratamento de complicações hemorrágicas que podem ser provocados pelo vírus.

Além disso, é preciso que os médicos estejam cientes do risco de aborto espontâneo e intraparto.

Cuidados durante a amamentação

Lactantes infectadas pelo vírus ou que já estão curadas podem apresentar o vírus no leite materno.

No entanto, os dados sobre essa manifestação ainda são pouco conclusivos. A recomendação, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) é de que mulheres que tiveram a doença recentemente ou que estão infectadas não amamentem.

O momento em que a amamentação será segura para o bebê deve ser estipulado pelos médicos, após testes seguros para confirmar a possibilidade.

Ebola tem cura?

Não existe ainda um tratamento que garanta a cura de ebola. Existem vacinas e tratamentos experimentais, mas que ainda não estão disponíveis para uso clínico.

O paciente diagnosticado com essa patologia deve passar por alguns procedimentos padrão e tratamentos de suporte intensivo.

A melhora dos sintomas varia de paciente para paciente. Dessa forma, a cura da doença não é garantida, pois depende do sistema imunológico de cada indivíduo infectado, do procedimento hospitalar, do diagnóstico precoce e outros fatores.

Tratamento

O tratamento realizado em pacientes com ebola exige um suporte intensivo, que deve ser realizado em hospitais de referência no tratamento de doenças infecciosas graves.

Geralmente, os pacientes ficam desidratados e precisam de fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções que contenham eletrólitos. Ainda que a cura seja incerta, alguns pacientes podem se recuperar ao receber o tratamento médico adequado.

O tratamento padrão para a doença limita-se à terapia de apoio, que consiste em hidratar o paciente, mantendo os seus níveis de oxigênio e pressão sanguínea e tratando as infecções que possam aparecer.

Terapias

Os cuidados de apoio envolvem dois tipos de terapia:

Terapia de reidratação oral

O paciente, devido a desidratação, recebe como tratamento a terapia de reidratação oral com o uso de soro fisiológico.

Terapia intravenosa

A terapia intravenosa é utilizada para melhorar o prognóstico da doença.

Medicamentos

Os medicamentos que existem para o tratamento ainda são experimentais. Nos Estados Unidos, durante o surto de 2014, a Food and Drug Administration permitiu que dois fármacos, o ZMapp e um RNA  interferente denominado “TKM-Ebola”, fossem usados em pessoas infectadas com o ebola, mediante condições muito restritas.

Testes com animais também estão sendo realizados com um fármaco experimental denominado BCX4430, com o intuito de vir a ser uma possível terapia em seres humanos.

Algum desses medicamentos são o ZMapp, o Favipiravir e o TKM-Ebola.

ZMapp

Esse é um fármaco experimental à base de três anticorpos monoclonais. Apesar da pouca disponibilidade, tem sido usado no tratamento de um número reduzido de pessoas infectadas com o vírus ebola. Embora algumas destas pessoas tenham se recuperado, os resultados não são considerados significativos em termos estatísticos. No entanto, o ZMapp demonstrou ter elevada eficácia em ensaios clínicos com macacos Rhesus.

Favipiravir

O Favipiravir, um antiviral aprovado no Japão para armazenamento de prevenção para pandemias de gripe, aparenta ter alguma eficácia em modelos de ratos de ebola. Os receptores de estrogênio usados no tratamento de infertilidade e câncer da mama (clomifeno e toremifeno) inibem a progressão do vírus de ebola em ratos infectados.

De um estudo feito com ratos tratados com o clomifeno, cerca de 90% tiveram boas respostas e foram curados. Com o uso de toremifeno também, mas em uma porcentagem de 50%.

Outro estudo, de 2014, analisou os efeitos do amiodarona, um bloqueador dos canais de iões, usado em casos de pacientes com arritmia cardíaca. Notou-se, nesta pesquisa, que o amiodarona é capaz de bloquear in vitro a entrada do vírus ebola nas células.

TKM-Ebola

O TKM-Ebola é um medicamento formado por uma combinação de RNAs que interferem na ação de três entre as sete proteínas do vírus ebola.

Essa interferência inibe a replicação do vírus e consequentemente contribui para que a infecção seja eliminada.

Transfusão de sangue

O tratamento feito com transfusão de sangue de pacientes curados para pacientes infectados há tempos vem sendo estudado como alternativa.

Embora não se tenha ainda uma confirmação científica de que esse tratamento seja uma opção viável para todas as pessoas que foram contaminadas pelo vírus, houveram resultados positivos em pequenos grupos.

Em 1976, quando o vírus surgiu pela primeira vez, esse tipo de tratamento foi testado com uma mulher afetada. Ela demonstrou, após a transfusão, hemorragia clínica menos intensa do que outros pacientes com a mesma doença.

No entanto, o sangue usado na transfusão não foi o de um paciente com ebola, mas sim o de uma pessoa curada do vírus Marburg, vírus que também provoca febre hemorrágica e causa sintomas semelhantes ao do vírus ebola. Infelizmente, essa paciente não sobreviveu.

Contudo, essa tentativa foi promissora ao abrir uma nova possibilidade. Em 1995, em Kikwit, na República Democrática do Congo, o tratamento foi testado em grupo de oito pessoas e sete foram recuperados.

Todavia, os estudos ainda não podem ser compreendidos como uma solução 100% segura, pois não é possível afirmar que essas recuperações ocorreram exclusivamente a este procedimento.

Por ter sido utilizado em grupos pequenos, não é possível sustentar conclusões acerca desse tratamento.

Vacina

Não existe ainda uma vacina que seja usada clinicamente como forma de prevenção ou tratamento. No entanto, existem vacinas em testes que demonstraram bons resultados em voluntários, como a rVSV-ZEBOV.

Essa é uma vacina anunciada pela Organização Mundial da Saúde, testada em mais de 16 mil voluntários. Segundo a organização, a vacina pode ter até 100% de eficácia.

No atual surto que afeta a República Democrática do Congo, a OMS obteve autorização para importar a vacina contra o vírus no país.

Ela foi elaborada pela Agência de Saúde Pública do Canadá e pertence ao laboratório Merck. Nos testes em humanos, chamado de experimento “Ebola Ça Suffit” (Ebola, já chega!, em tradução livre do francês), a vacina demonstrou ser segura, mas ainda é considerada experimental por não ter uma licença.

Os testes com a vacina foram feitos em Guiné, em 2015, durante o grande surto de ebola na África Ocidental. Durante essa fase de experimentação da vacina, a abordagem utilizada foi a de vacinação em anel.

A vacina rVSV-ZEBOV, embora apresente expectativas otimistas, precisa ainda de cuidados voltados à logística de transporte e armazenamento, uma vez que deve ser mantida em temperaturas de -60 ºC a -80 ºC.

Segundo os especialistas, o que podemos considerar como falhas na ação da vacina rVSV-ZEBOV é o fato de não se ter conhecimento sobre seus efeitos no paciente a longo prazo.

Além disso, não há confirmações sobre a ação da vacina sobre todos os 5 tipos de cepas do vírus. Até então, a vacina foi testada apenas no vírus mais letal, o Zaire.

Abordagem de vacinação em anel

A vacinação em anel se refere a abordagem dada quando há um paciente diagnosticado com ebola e todas as pessoas com quem ele teve contato recente são identificadas e vacinadas.

Dessa forma, é possível ter um maior controle da transmissão da doença e tentar, de alguma forma, prevenir que ocorra um surto.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

O prognóstico dessa doença ainda é considerado deficiente. Não há comprovações científicas suficientes para apontar um tratamento que seja capaz de garantir a cura de todos os pacientes.

Além disso, a infecção por esse vírus ainda está associada a uma porcentagem muito alta de mortalidade. Com exceção da cepa Reston, que não causa doença em humanos, os outros tipos de cepa podem provocar até 90% de mortalidade.

O diagnóstico precoce também é um processo ainda a ser aprimorado, considerando os sintomas pouco específicos da ebola. Tratamentos, vacinas e medicamentos estão sendo elaborados, mas ainda permanecem em fase experimental, sem pouco conhecimento de seus efeitos a longo prazo para as pessoas.

Dessa forma, o prognóstico dessa doença continua preocupante, pois as complicações dessa infecção podem ser duradouras ou letais.

Complicações

A doença apresenta uma taxa de mortalidade elevada, frequentemente entre 50% e 90% dos casos. A razão pela qual os vírus são tão mortais é que eles interferem com a capacidade do sistema imunológico para montar uma defesa.

No caso de uma pessoa infectada sobreviver, a recuperação é geralmente rápida e completa. No entanto, nos casos de maior duração, ocorrem muitas vezes complicações com problemas a longo prazo, como:

  • Inflamação dos testículos;
  • Dores nas articulações;
  • Convulsões;
  • Delírio;
  • Coma;
  • Choque;
  • Dores musculares;
  • Falência múltipla de órgãos;
  • Esfoliação da pele;
  • Hemorragia grave;
  • Perda de cabelo.

Foram também observados sintomas oculares, como:

  • Sensibilidade à luz;
  • Epífora;
  • Uveíte;
  • Coriorretinite;
  • Cegueira.

Os vírus de ebola são capazes de persistir no sêmen de alguns sobreviventes até sete semanas, o que possibilita o contágio através das relações sexuais. As pessoas que sobrevivem tem recuperação lenta, podendo levar meses para recuperar a força e o peso, e podem vir sentir:

  • Alterações sensoriais;
  • Dores de cabeça;
  • Hepatite;
  • Fraqueza;
  • Fadiga;
  • Inflamação dos olhos;
  • Inflamação testicular;
  • Perda de cabelo.

Como prevenir?

A ebola, apesar de sua gravidade e potencial infeccioso, é uma doença que pode ser prevenida (ou contida) se algumas intervenções forem implementadas por organizações de saúde e praticada pelas unidades de saúde, pacientes e pessoas próximas.

Algumas dessas formas de prevenção incluem as seguintes propostas:

Reduzir o risco de transmissão de animais para humanos

Uma das formas de prevenção da ebola é a redução do contato de pessoas com animais infectados.

Deve-se, então, evitar o contato com morcegos frugívoros e primatas que possam estar infectados.

O contato com a carne de animais mortos infectados deve ser feito com o máximo de cuidado, quando não for possível evitar. Para isso, é necessário fazer uso de luvas e máscaras.

Reduzir o risco de transmissão entre as pessoas

Na contenção da ebola ou em qualquer doença infecciosa é necessário adotar medidas de prevenção entre as relações de pessoas saudáveis e pacientes.

Para que isso aconteça, algumas recomendações devem ser feitas e informações sobre os riscos precisam chegar às pessoas.

Algumas formas simples de evitar esse risco incluem:

  • Evitar o contato direto com pessoas infectadas pelo vírus, particularmente com seus fluidos corporais;
  • Profissionais de saúde devem usar equipamentos de proteção individual durante contato com pacientes;
  • Higienizar as mãos sempre após o contato com pacientes em hospitais;
  • Buscar informar-se sobre as formas de transmissão;
  • Buscar informação sobre os sintomas;
  • Procurar ajuda médica ao ter contato com algum paciente ou diante de suspeita da doença;
  • Profissionais de saúde devem informar toda a equipa médica diante de uma suspeita de paciente contaminado pelo vírus ebola, para que os procedimentos sejam feitos com segurança, como a manipulação de exames de sangue.

Reduzir o risco de transmissão por relações sexuais

A transmissão do vírus ebola em relações sexuais também deve ser tratada como um alerta. Do processo de suspeita até o tratamento total do paciente, devem ser seguidos alguns cuidados para que não se tenha qualquer risco.

De acordo com a OMS, ainda é necessário mais dados de vigilância e pesquisa para se ter uma análise mais viável sobre os riscos de transmissão sexual, principalmente, no que diz respeito à prevalência do vírus no sêmen ao longo do tempo.

Com o que se há de evidências, até então, a OMS recomenda que:

  • Todos os pacientes sobreviventes do ebola e seus parceiros sexuais devem receber aconselhamento médico que possam garantir que suas relações sejam seguras até que exames apontem que não há o risco;
  • O uso de preservativos deve ser incentivado e, se possível, distribuído por hospitais e organizações;
  • Homens que tiveram ebola devem realizar o teste do sêmen após 3 meses do início da doença. Se o teste for positivo, será necessário realizar mensalmente o teste até que o resultado seja negativo. São necessários dois exames com resultado negativo para que o paciente seja considerado como não transmissor da doença. De um exame negativo para o outro, o intervalo deve ser de uma semana;
  • Pacientes com ebola devem evitar todos os tipos de sexo, pois existe o risco de transmissão por qualquer fluido corporal;
  • Os médicos devem orientar os pacientes do uso correto e seguro de preservativos.

Ainda que as orientações listadas se refiram a transmissão do vírus ebola, é importante salientar a importância de uma boa instrução em relação a educação sexual em qualquer situação, para evitar a transmissão de várias doenças sexuais, tão graves quanto a ebola.

Medidas de contenção de surtos

Quanto a viagens em época de surtos, a OMS não recomenda restrições de viagens para os países que apresentam transmissão porque o risco de infecção para os viajantes é muito baixo, já que a transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado.

Também, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais. Pessoas que viajam a trabalho para as capitais ou cidades desses países devem evitar qualquer contato com animais ou com pessoas doentes.

Os profissionais de saúde que viajam para as áreas com risco de transmissão, nesses países, devem seguir estritamente as medidas recomendadas pela OMS para o controle da infecção.

Os brasileiros que residem nos países onde há transmissão do ebola (Libéria, Serra Leoa, Guiné e Nigéria) devem evitar deslocamentos para as áreas rurais e vilas onde estão ocorrendo os casos, ficar alerta às informações e recomendações prestadas pelos Ministérios da Saúde desses países e também evitar o contato com animais ou pessoas doentes.

Nos países onde existe transmissão do ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes ou com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.

Medidas de contenção para profissionais da saúde

Além dos cuidados usuais, os trabalhadores de saúde devem aplicar estritamente as medidas de controle de infecção recomendadas para evitar a exposição a sangue infectado, fluidos ou ambientes ou objetos contaminados, como a roupa suja de um paciente ou agulhas usadas:

  • Devem usar equipamentos de proteção individual, como: aventais, luvas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais;
  • Não devem reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, a menos que tenham sido devidamente desinfectados;
  • Devem trocar as luvas ao passar de um paciente para outro.

Os procedimentos invasivos que podem expor os médicos, enfermeiros e outros à infecção devem ser realizado sob estritas condições de segurança. Os pacientes infectados devem ser mantidos separados dos outros pacientes e pessoas saudáveis​​ o máximo possível.

A dificuldade em manter esses padrões adequados nos serviços de saúde dos países africanos acometidos tem propiciado grande número de infecções em profissionais da área.

Perguntas frequentes

Conheça algumas das dúvidas mais comuns relacionados a esta doença:

Casos de ebola são possíveis no Brasil?

Pelas características da infecção pelo vírus ebola, a possibilidade de ocorrer uma disseminação global do vírus é muito baixa. Desde sua descoberta, em 1976, o vírus tem produzido, ocasionalmente, surtos em um ou mais países africanos, sempre muito graves pela alta letalidade, mas autolimitados.

A seriedade do surto está  na sua capacidade de extensão e a demora no controle. Isto ocorre por causa da precariedade dos serviços de saúde nas áreas em que acontece a transmissão, que não dispõem de equipamentos básicos de proteção aos profissionais de saúde e aos demais pacientes.

No Brasil, não há circulação natural do vírus ebola em animais silvestres, como em várias regiões da África.

Os casos de suspeita de ebola registrados no Brasil são raros. Não se tem registro de algum caso confirmado da doença no país.

De acordo com o Ministério da Saúde, o risco de um surto de ebola no Brasil é considerado baixo. E, segundo a OMS, as chances do vírus provocar uma pandemia também são pequenas.

A recomendação para evitar que o país sofra um possível surto inclui a identificação de pessoas que viajaram para países de áreas de risco e que apresentam algum sintoma.

A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.

O Ministério da Saúde recebe informações diárias da OMS para avaliar a situação de surtos de ebola na África ocidental e recomendar as medidas adequadas para a proteção do nosso país.

Surto de ebola em outros países

O vírus ebola é recorrente em vários países da África ocidental, onde já provocou surtos em alguns países:

  • República Democrática do Congo (RDC);
  • Gabão;
  • Sudão do Sul;
  • Costa do Marfim;
  • Uganda;
  • República do Congo (RC);
  • África do Sul (transmitido por estrangeiros).

Qualquer unidade de saúde é capaz de atender um paciente com suspeita de ebola?

Não. A ebola é uma doença de grande preocupação por seu potencial de surtos e mortalidade. Diante de um paciente com suspeita de infecção pelo vírus, é recomendado que a pessoa seja mantida isolada de outros pacientes e que seja encaminhada para uma unidade de referência.

A coleta de sangue, para os exames de diagnóstico, devem ser feitos com um preparo específico, para conter os riscos de contaminação de pacientes e profissionais que trabalham em hospitais.

Além disso, a ebola é considerada uma doença de notificação imediata para o Ministério da Saúde e Secretaria de Estado de Saúde.

Se alguma pessoa contaminada espirrar perto de mim, corro o risco de ser infectado?

Não, os riscos são mínimos. A ebola não é transmitida pelo ar. Nessa situação, a contaminação só aconteceria com o contato direto com possíveis gotículas inaláveis.

O vírus pode ser transmitido pelo suor?

Não existe nenhuma evidência científica de que isso seja possível, em casos onde a pessoa não apresenta nenhum corte na pele.

Contudo, afirmar que essa chance não existe pode ser imprudente. Quando se trata dessa doença, é preciso tomar um cuidado maior.

É seguro viajar durante um surto?

De acordo com as recomendações da OMS, não é necessário restringir o acesso de pessoas a países com surtos de ebola, pois considera o risco de transmissão baixo quando não se há contato direto com fluidos da pessoa infectada.

Outro fator considerado é o de que as epidemias acontecem com maior ocorrência em vilas e povoados de áreas mais rurais.

Dessa forma, a orientação para os viajantes é de que evitem contato com animais e pessoas doentes. Para os profissionais de saúde que precisam viajar para o local de surto, é preciso que sigam a recomendação estabelecida pela OMS para o controle da infecção.

No caso de pessoas que residem em áreas com histórico de surto ou que esteja passando por algum, devem seguir as recomendações de prevenção.

A ebola pode ser erradicada?

Ainda não é possível afirmar quando a ebola será uma doença erradicada ou se isso é, de fato, possível.

Por ser uma doença causada por um vírus, mesmo reconhecendo as áreas e fatores de risco, é difícil saber quando e onde um novo surto acontecerá.

O que pode ser feito para prevenir esses surtos são medidas de contenção, incentivo de pesquisa para medicamentos e vacinas, melhora na estrutura de hospitais para receber esses casos e boas campanhas de conscientização para promover informação sobre os riscos da doença.

O vírus tem como hospedeiros os morcegos e mesmo que o contato com esses animais seja algo improvável para a maioria das pessoas, o vírus é capaz de chegar até as pessoas de diversas formas.

Dessa forma, não é possível erradicar todos os animais hospedeiros e os animais contaminados. Portanto, enquanto houver esse risco de transmissão de animais para pessoas, essa doença será uma preocupação. Contudo, a transmissão entre os humanos pode ser amenizada.

Por que os morcegos são mais resistentes ao vírus ebola?

Os morcegos são os hospedeiros mais prováveis do vírus ebola. Involuntariamente, se relacionam com o início de surtos em seres humanos. No entanto, o mesmo vírus capaz de levar milhares de pessoas a morte não afeta esses animais na mesma proporção.

Mesmo infectados, o risco de morte por causa do vírus é significativamente inferior quando comparado a ação da doença em humanos e outras espécies.

Além do vírus ebola, há registros de que os morcegos transportam muitos outros vírus, tais como o vírus da raiva, Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), vírus Nipah e MERS-CoV.

Essa resistência dos morcegos a tantos vírus despertou a curiosidade de pesquisadores. Algumas teorias surgiram, a partir disso:

Temperatura corporal

Durante voos de longas distâncias, os morcegos passam por algumas variações na temperatura corporal e na taxa metabólica. A teoria compara essa oscilação da temperatura como se fosse uma espécie de “febre de voo”.

A febre pode significar a presença de uma infecção. Assim, esse sintoma atua como uma forma do nosso corpo avisar que existe algo errado e que o sistema imunológico precisa fazer algo a respeito disso. E isso acontece, nosso corpo tende a demonstrar respostas imunológicas.

Por isso, essas variações que os morcegos apresentam, quando comparados aos humanos, podem indicar que as respostas imunológicas sejam mais eficientes, tornando-os mais resistentes aos patógenos.

No entanto, ainda se trata de uma hipótese. Para confirmar ou descartar essa possibilidade, é necessário mais investimento em pesquisas.

Construção do genoma

Outra teoria questiona a perda evolutiva de genes específicos que codificam proteínas de resposta imunológica em morcegos. Portanto, essa espécie pode ser mais resistente aos vírus justamente por não ter os genes que os reconheçam.

Moléculas de sinalização do sistema imunológico

Cientistas observaram que os morcegos expressam continuamente o IFN-a, uma proteína produzida pelo organismo para barrar a replicação de vírus, fungos, bactérias e células tumorais.

A presença dessa proteína ocorre mesmo quando não há presença de uma infecção viral. Dessa forma, o sistema imunológico desses animais se tornam ativos e potentes constantemente, impedindo que vírus como o ebola os adoeçam.


Do surgimento do vírus até os tempos atuais, a ebola é uma doença que provoca preocupação em todos os cantos do mundo. Com taxas de mortalidade tão altas, é impossível não se sensibilizar pelos países que sofrem e sofreram com surtos dessa doença.

Neste artigo, buscamos esclarecer o que é o vírus e como essa doença se comporta. Ainda se tem um grande caminho para tratamentos mais efetivos e pesquisas para alcançar formas mais seguras de prevenção.

Compartilhe este artigo para que mais pessoas tenham acesso a essas informações. Obrigada pela leitura!

Referências

https://www.cdc.gov/vhf/ebola/pdf/ebola-factsheet-portuguese.pdf
http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/ebola
http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/outubro/9/perguntas-e-respostas-sobre-o-virus-ebola.pdf
https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/ebola
http://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/ebola-virus-disease

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