Quase 20% dos brasileiros convive com dores na coluna decorrentes de problemas crônicos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde. Se considerarmos os dados mundiais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 80% das pessoas terão dores nas costas ao longo da vida.

A coluna é responsável pela sustentação e locomoção do corpo. A estrutura é rígida, composta por um segmento de ossos (vértebras), porém flexível. Só assim ela é capaz de conferir sustentação e permitir a movimentação ao mesmo tempo.

Diversos problemas podem interferir na saúde da coluna, causando dores, dificuldade de locomoção ou impactando diretamente na vida e rotina do paciente. Entre esses possíveis problemas está a escoliose.

Segundo a OMS, entre 2% e 3% da população mundial sofre algum grau do desvio vertebral, representando mais de 7 milhões de diagnósticos. Dados da National Scoliosis Foundation apontam que, nos Estados Unidos, cerca de 30 mil crianças começam a usar coletes para o tratamento a cada ano.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é Escoliose ?
  2. A coluna vertebral
  3. O que é curvatura compensatória?
  4. Tipos
  5. Causas
  6. Grupos de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Tratamento conservador para escoliose
  12. Convivendo
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir a escoliose?
  16. Perguntas frequentes

O que é Escoliose?

A escoliose é definida como um desvio tridimensional da coluna com rotação da vértebra em seu eixo, que pode ter diversas causas, fazendo com que ela se desvie para a esquerda ou direita quando vista no plano frontal.

Para entender bem esse processo, é preciso saber que a coluna possui curvaturas normais, que garantem estabilidade ao corpo, e são chamadas de lordose e cifose. Essas curvaturas são resultado da adaptação do segmento vertebral às diferentes posturas que o homem manteve.

Ao precisar ficar em pé, era preciso que a estrutura vertebral se ajustasse de modo que o corpo se mantivesse equilibrado. Nosso corpo, portanto, é resultado de um complexo processo de evolução e adaptação.

Mas há alguns tipos de curvaturas que são considerados desvios incorretos e podem causar dores. Entre eles, a escoliose.


Para diferenciar as curvas naturais das indevidas é simples: visto lateralmente (como se você olhasse uma pessoa de lado, de perfil), o segmento vertebral correto apresenta um formato levemente semelhante ao “S”.

É possível observar duas inclinações naturais: para trás, na área do tórax e cóccix (cifose), e para frente na área da lombar e cervical (lordose). Mas, se visto de frente, ele é como uma linha reta.

Se você já fez uma exame de raio-x fica mais fácil perceber que, no plano frontal, a coluna é bem alinhada.

A escoliose ocorre quando, vista de frente, a coluna não é linear e, portanto, apresenta inclinações ou curvaturas para as laterais, devido à rotação das vértebras.

Mas por que é um desvio tridimensional? Isso porque há o desvio para um dos lados (lateroflexão), um desvio que acentua a lordose (posteroflexão) e um achatamento ou aproximação entre as vértebras (craniocaudal).

Além disso, há uma rotação da vértebra em seu próprio eixo. Imagine as vértebras como peças triangulares encaixáveis que, quando empilhadas, formam um caminho (como uma tubulação). Todas as vértebras devem ter as pontas do triângulo alinhadas, ou seja, apontando na mesma direção.

Mas, quando há uma rotação no próprio eixo, é como se uma das peças estivesse desalinhada, com as pontas em direções diferentes das demais.

Os tratamentos, prognósticos e interferência na vida do paciente são muito diferentes devido à variação da progressividade e gravidade de suas curvas.

Em geral, a doença causa desnivelamento do quadril (ossos da bacia) e dos ombros, podendo prejudicar a locomoção e o acomodamento dos órgãos, podendo apresentar dor ou não.

A maior parte dos quadros não tem causas definidas ou conhecidas (escoliose idiopática), mas há outras doenças que podem desencadear a curvatura indevida, como fatores neurológicos.

No CID-10, a escoliose se encontra no código M41, e pode ser subclassificada como:

  • CID 10 – M41.0: Escoliose idiopática infantil;
  • CID 10 – M41.1: Escoliose idiopática juvenil;
  • CID 10 – M41.2: Outras escolioses idiopáticas;
  • CID 10 – M41.3: Escoliose toracogênica;
  • CID 10 – M41.4: Escoliose neuromuscular;
  • CID 10 – M41.5: Outras escolioses secundárias;
  • CID 10 – M41.8: Outras formas de escoliose;
  • CID 10 – M41.9: Escoliose não especificada.

A coluna vertebral

Nos adultos, ela tem, geralmente, entre 72cm e 75cm. Composta por 33 ou 34 vértebras sobrepostas, a coluna se estende do crânio até a pelve.

As vértebras lombares, torácicas e cervicais são móveis, enquanto as demais se fundem nos ossos sacro e cóccix. Esse alongamento ósseo flexível é bastante complexo, composto por curvaturas, relativa mobilidade, discos intervertebrais e músculos.

O segmento é dividido em:

  • Cervicais: 7 vértebras, que vão da C1 à C7;
  • Torácicas: 12 vértebras, que vão da T1 à T12;
  • Lombar: 5 vértebras, que vão da L1 à L5;
  • Sacro: 5 vértebras, que vão da S1 à S5;
  • Cóccix: 4 ou 5 vértebras fundidas.

Lateralmente, as regiões possuem curvaturas normais que auxiliam no equilíbrio e sustentação do corpo. Pense que seria bem mais complicado manter o equilíbrio se nossa coluna fosse uma linha reta.

As curvas ocorrem de modo a compensar a estrutura, ou seja, elas se opõem uma à outra. Enquanto as regiões cervical e lombar são convexas, se olharmos uma pessoa de frente, as regiões torácica e sacral são côncavas.

Ficou na dúvida? Segure uma colher como se você fosse levar comida à boca e observe as curvaturas. A parte que apresenta a superfícies afundada (de cima) é chamada de côncava, enquanto a parte debaixo é chamada de convexa.

A maioria das vértebras se liga à próxima por articulações semimóveis, ligamentos e músculos que auxiliam também na estabilidade, mas, sobretudo, conferem movimentação e relativa flexibilidade.

O que é curvatura compensatória?

Para manter o devido equilíbrio e movimento corporal, a coluna tende a se adaptar às condições impostas. Ou seja, se houver alguma má formação ou problema que cause o desvio da coluna, o segmento pode provocar uma nova curvatura a fim de estabilizar o corpo.

Imagine que há uma deformidade grande na região lombar, fazendo com que o corpo fique inclinado para a direita. A coluna vai forçar um ajuste vertical corretivo.

Porém, como provavelmente não é possível corrigir as vértebras acometidas pela escoliose, o organismo provoca uma nova curvatura na parte superior. Nesse caso, tem-se uma curvatura secundária, resultando na escoliose em “S”.

Tipos

O modo de classificar a escoliose é bastante diverso, podendo ser de acordo com a região vertebral acometida, o grau de curvatura ou, ainda, quanto à origem.

No que se refere à forma, a curva pode apresentar uma forma de “C”, sendo chamada de curva simples, pois há somente uma acentuação do desvio.

Já na curva dupla, a coluna apresenta uma escoliose em forma de “S”. Nesse caso, há uma curva primária e uma secundária que ocorre por mecanismos de compensação postural.

Esses desvios podem ser:

  • Cervicotorácicos: acomete as partes superior (cervical), indo das vértebras C-1 à C-7, e a média (torácica), indo da T-1 à T-12;
  • Torácicos: acomete a parte média da coluna (torácica), entre a vértebra T-1 e T-12;
  • Toracolombares: acomete as regiões da coluna torácica (média), entre a T-1 e T-12, e a coluna lombar (parte inferior), entre a L-1 e L-5;
  • Lombares: acomete a região lombar, entre a L-1 e L-5;
  • Lombossacrais: acomete as regiões entre a lombar, L-1 e L-5, e o sacro (parte final), S-1 à S-5.

O grau de curvatura pode ser classificado em 5 níveis:

  • 0 a 10 graus: não há necessidade de tratamento fisioterápico;
  • 10 a 20 graus: há necessidade de tratamento fisioterápico;
  • 20 a 30 graus: tratamento fisioterápico e uso de colete ortopédico;
  • 30 a 40 graus: uso do colete ortopédico ou Milwakee;
  • 40 a 50 graus: somente tratamento cirúrgico.

Além das classificações acima, a escoliose precisa ser classificada de acordo com sua origem ou agente desencadeador, pois independente da localização ou grau de desvio, pode-se dividir a condição em estrutural e funcional.

Escoliose funcional

Na escoliose não-estrutural ou funcional, a coluna tem uma estruturação correta e não apresenta curvaturas excessivas, mas há fatores que provocam o desalinhamento do segmento vertebral.

Em geral, há algum distúrbio ou disfunção em outras regiões do corpo e, para se ajustar ou compensar essa alteração, a coluna acaba sendo desviada.

É importante diferenciar e caracterizar a escoliose funcional, pois como é uma manifestação secundária à uma disfunção de outra parte do organismo, a curvatura tende a ser amenizada ou resolvida tratando o problema causador.

Algumas disfunções corporais que podem causar a escoliose são:

  • Diferença no crescimento do osso da perna;
  • Espasmos musculares;
  • Diferença do tônus dos músculos paravertebrais;
  • Compressão de raiz nervosa;
  • Lesões na coluna;
  • Mal posicionamento do tronco.

Escoliose estrutural

Cerca de 80% dos casos de escoliose estrutural são idiopáticos, ou seja, o diagnóstico não consegue identificar o que causou o desvio da coluna.

A escoliose estrutural é, geralmente, uma condição grave e progressiva, que tende a comprometer cada vez mais a qualidade de vida do paciente se não for tratada.

Enquanto o tipo funcional geralmente manifesta apenas uma curvatura lateral da coluna, o tipo estrutural apresenta, além do desvio para os lados, uma rotação (torção) da coluna em seu próprio eixo.

As definições mais atuais da condição apontam que não basta definir a escoliose estrutural como um desnível vertebral, pois isso não dá conta da complexidade do diagnóstico.

É, portanto, preciso considerá-la como uma deformidade nos 3 planos do corpo —  frontal, sagital e transversal —, geralmente progressiva e com severo comprometimento da postura.

Além disso, a escoliose estrutural apresenta saliências ou proeminências, devido à rotação vertebral, que são chamadas de gibosidades ou gibas.

Dentro do tipo estrutural, pode-se subclassificar os desvio em:

Idiopática

A nomeação idiopática indica que não é possível determinar a origem ou a causa do desvio da coluna, sendo que alguns pesquisadores e especialistas atribuem múltiplas causas associadas à condição.

Estima-se que até 80% dos pacientes apresentem a escoliose estrutural idiopática, sendo que o quadro pode aparecer em crianças e adolescentes saudáveis, que estão se desenvolvendo bem e não possuem antecedentes de patologias ou malformações.

O desvio colunar idiopático pode ser dividido de acordo com a faixa etária que o paciente apresenta os sinais:

  • Infantil – do nascimento até os 2 anos de idade: é uma condição rara e os fatores mais estimados são a posição de nascimento e a posição que o bebê, após o parto, mantém ao dormir. Nessa fase, a escoliose leve acomete mais meninos e tende a se resolver com medidas simples, como o alongamento;
  • Juvenil – dos 3 aos 9 anos de idade;
  • Adolescente – dos 10 aos 18 anos de idade: curvaturas menores (escoliose leve) ocorrem em proporções semelhantes entre meninas e meninos, mas os desvios mais acentuados acometem 4 pacientes do sexo feminino para cada 1 do sexo masculino;
  • Adulto –  após os 18 anos de idade: ocorre após a formação completa dos ossos. Alguns estudos classificam o tipo como Escoliose Idiopático do Adulto (EIA).

No entanto, atualmente alguns pesquisadores e especialistas utilizam outra subclassificação para a escoliose idiopática, dividindo-a em:

  • Precoce – até os 5 anos de idade: o quadro tem maior impacto na formação do coração e pulmões, podendo gerar problemas na vida adulta;
  • Tardia – após os 5 anos: apesar de comprometer a qualidade de vida, o quadro que ocorre após os 5 anos tende a não impactar de modo severo na saúde cardíaca e respiratório do paciente, pois os órgãos já estão quase ou completamente formados.

Há pacientes que são mais suscetíveis ao encurvamento da coluna, sobretudo durante a puberdade, devido ao crescimento corporal (chamado de estirão).

Nesse período da adolescência, o corpo tende a apresentar rápido crescimento, que pode acentuar a curvatura indevida da estrutura vertebral, mas, ainda assim, nem sempre há sintomas (como dores ou desvio perceptível).

Neuromuscular

Diversas doenças ou distúrbios que acometem o sistema nervoso central, os nervos e os músculos podem ser a causa da escoliose, nesse caso denominada escoliose neuromuscular.

Por exemplo, por dificuldade no controle muscular (fraqueza ou encurtamento), sequela de doenças neurológicas (como a poliomielite e paralisia cerebral) e distrofia muscular, por exemplo.

Geralmente, a escoliose do tipo neuromuscular apresenta uma longa curva em forma de um “C”.

Congênita

A escoliose congênita é causada pela má formação da estrutura vertebral durante a gestação ou em recém-nascidos. Podem ocorrer alterações na constituição das cartilagens das vértebras ou na fusão das costelas. Em média, representa até 10% dos diagnósticos.

Alguns profissionais também consideram que desordens neuromusculares congênitas (ou seja, quando a criança já nasce com o distúrbio) podem ser enquadradas nesse subtipo de escoliose.

Pós-traumática

Ocorrem devido a lesões, fraturas, acidentes ou cirurgias indevidamente realizadas ou recuperadas.

Adulta

Um estudo publicado no periódico médico Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, em 2013, aponta que a escoliose adulta acomete até 64% dos idosos e causa restrições moderadas ou severas à vida dos pacientes.

A escoliose diagnosticada na fase adulta é caracterizada por desvios acentuados no segmento vertebral após a total formação (maturação) dos ossos. Podendo, ainda, ser subdividida em Escoliose Idiopática Adulta (EIA) e Escoliose Adulta Degenerativa (EAD).

Enquanto o tipo idiopático ocorre por uma progressão da escoliose não diagnosticada ou não tratada durante a infância, sem que haja causas identificáveis, o tipo degenerativo é ocasionado a partir de alguma doença ou condição que comprometa a integridade óssea.

Nesse segundo tipo, alguns fatores como a osteoporose, fraturas na compressão vertebral ou degeneração das estruturas da coluna (como os discos intervertebrais) podem ser a causa da escoliose.

No entanto, o estudo aponta que só é possível distinguir os dois tipos da escoliose adulta se houver exames ou pareceres médicos realizados durante a infância ou adolescência que atestem a presença ou ausência da curvatura. Ou seja, dificilmente é possível fazer essa distinção e os quadros são classificados apenas como escoliose degenerativa.

Paralítica

Quando o paciente sofre uma lesão ou possui doenças que acarretam na para ou tetraplegia (perda total dos movimentos), devido às alterações na medula espinhal, pode se desenvolver uma curvatura no segmento vertebral, chamado de escoliose paralítica.

As escolioses desencadeadas pelo comprometimento da musculatura axial (que faz o sustento do corpo) podem ser devido à paralisia infantil ou poliomielite, por exemplo.

Lombar degenerativa

A idade, traumas ou doenças que comprometem as estruturas do corpo, sejam os ossos ou discos, podem favorecer a degeneração da coluna vertebral e causar um desgaste acentuado e irregular na região da lombar.

Causas

A maior parte dos quadros de escoliose é idiopático e não se pode determinar o agente desencadeante do desvio. Acredita-se que, nesses casos, há uma série de fatores que, juntos, ocasionam a curvatura vertebral indevida.

Alguns estudos sugerem que a herança e predisposição genética possam ter uma porcentagem grande no desenvolvimento da condição.

Quando a deformação vertebral é caracterizada nos outros tipos — ou seja, é possível determinar a causa —, elas podem ser:

Congênita

A escoliose pode ter origem ainda na formação e desenvolvimento do bebê. Durante a gestação, as vértebras estão se formando e, devido a alguma alteração, há uma deficiência óssea, causando separação, união ou acomodamento indevido das vértebras.

Síndrome de Marfan

É um doença genética do tecido conjuntivo, em que o paciente tem estatura elevada, com membro alongados e deformidade torácica. A escoliose é bastante frequentes nesses pacientes.

Síndrome de Ehlers-Danlos

A síndrome é caracterizada por um conjunto de distúrbios hereditários que acomete sobretudo as articulações, a pele e os vasos sanguíneos. Em geral, esses tecidos são extremamente flexíveis, facilitando o deslocamento ou ruptura. Pacientes com Síndrome de Ehlers-Danlos sofrem, entre outras coisas, de escoliose.

Osteocondrodistrofia

Também chamada de nanismo, a osteocondrodistrofia é uma doença herdada autossômica recessiva. Os pacientes apresentam encurtamento dos membros, baixa estatura, contraturas articulares e apresentam degeneração articular precoce.

Além da escoliose, outras deformidades espinhais são frequentemente percebidas, como cifose cervical, hiperlordose lombar.

Assimetria dos membros inferiores

O crescimento indevido ou má formação dos ossos e músculos dos membros inferiores podem causar a escoliose por causas secundárias. Ou seja, como a pessoa possui um desnivelamento corporal, a coluna tende a se moldar e se ajustar para manter o equilíbrio quando está parado ou em movimento.

No entanto, essa adaptação pode gerar os desvios do segmento vertebral ou acentuação da curvatura, quando há outros fatores contribuindo para o desvio.

Tumoral ou infecciosa

Tumores na região vertebral, como tumor osteóide, podem acometer a estrutura da região e causar um desvio acentuado do segmento. Além disso, infecções na região vertebral podem ser a causa do desvio da coluna.

As condições que podem favorecer a ocorrência de escoliose por tumores ou infecções podem ser:

Neurofibromatose

A condição é caracterizada pelo crescimento de tumores benignos nos nervos e pode, em alguns casos, causar deformidades ósseas ou nos tecidos moles.

Mal de Pott

Também chamada de tuberculose vertebral, a infecção acomete a região torácica da coluna em aproximadamente 50% dos casos, seguida da coluna lombossacral em 40%.

Osteoma osteóide

O osteoma osteóide é um tumor ósseo benigno bastante comum, que tem predominância em homens jovens. A condição pode causar dores que, geralmente, apresentam uma leve e temporária redução com o uso de anti-inflamatórios.

Pós-traumática

Quedas, fraturas e acidentes podem gerar lesões na coluna, prejudicando a qualidade de vida do paciente devido às dores e limitações de movimento.

A escoliose pode ocorrer pela lesão ou pelo tratamento e recuperação incorretos, pois podem gerar cicatrizes indevidas, dores ou lesões posteriores que podem ocasionar curvaturas indevidas.

Degenerativa

Os desgastes ósseos são uma das causas mais associadas à escoliose degenerativa. Quando o paciente apresenta osteoporose (que é a degeneração óssea devido à perda de cálcio), a coluna vertebral fica enfraquecida e não consegue sustentar o eixo corporal de modo eficiente, forçando a curvatura postural.

Neuromuscular

Uma das consequências dos distúrbios neurológicos é a escoliose. Nesse caso, há uma série de fatores que podem desencadeá-la, mas geralmente o origem é associada a:

Distrofias

As distrofias musculares causam o enfraquecimento do músculo, perda ou alteração do tecido e enfraquecimento corporal.

Miotonias

Depois que o músculo é contraído, estimulado mecânica ou eletricamente, o retorno ao estado de relaxamento é bastante lento. A condição pode ser de origem hereditária ou adquirida (por exemplo, pelo uso de medicamentos).

Hipotonias

São quadros em que há fatores provocando a redução significativa da força e tônus muscular, muitas vezes causadas pela paralisia infantil.

Paralisia cerebral

A paralisia cerebral é uma doença encefálica que ocorre após lesões no cérebro, geralmente durante o parto ou em períodos iniciais da vida. Como consequências, pode gerar comprometimento motor permanente e a escoliose.

Como a paralisia cerebral ocasiona uma série de agravamentos motores — fraqueza muscular, dificuldade de controle muscular e espasticidade (alteração muscular) — atribui-se causas multifatoriais à escoliose devido à paralisia.

Grupos de risco

Alguns fatores e características são observadas nos pacientes com escoliose e podem envolver:

Idade

A escoliose, em geral, tem predominância na infância. Em alguns casos, suspeita-se que a alteração vertebral possa ter se desenvolvido enquanto o paciente ainda era criança, mas não foi identificada, apresentando sinais somente quando favorecida por outros fatores, como a degeneração óssea devido à idade.

Sexo

Ainda que em recém-nascidos a predominância da escoliose seja em meninos, ao longo da vida, há mais riscos para as mulheres. Estima-se que ocorram, pelo menos, 4 diagnósticos no sexo feminino para cada 1 no sexo masculino.

Genética

A carga genética é atribuída como um fator de peso para a ocorrência da escoliose. Por isso, pessoas que têm casos na família devem ficar atentas.

Condições físicas

Ao contrário do que alguns pensam, condições corporais e hábitos de vida não causam a escoliose, mas podem favorecer o aparecimento em quem tem predisposição.

Fatores como sedentarismo, obesidade e má postura podem ser associados ao desencadeamento do desvio vertebral.

Sintomas

Há diversos sinais e sintomas que, quando ocorrem, podem indicar a escoliose. Em uma parte significativa dos casos — sobretudo em crianças — não há queixas ou relatos de dores, o que pode dificultar e retardar o diagnóstico.

Nos casos de escoliose degenerativa, a dor é relatada com maior frequência, sendo chamada de lombalgia, devido ao enfraquecimento e comprometimento ósseo e muscular.

Além das dores, há relatos de fadiga (ou sensação de cansaço) da região da coluna vertebral, sobretudo após o paciente passar longos períodos em pé ou sentado.

Porém, os sinais físicos são, geralmente, mais evidentes e podem incluir:

  • Desnivelamento dos ombros: um ombro fica mais baixo que o outro;
  • Cintura irregular: o quadril aparenta estar torto;
  • Tórax pendendo para um dos lados: o tronco é assimétrico, como se um lado estivesse estufado;
  • Pernas irregulares: um membro maior que o outro;
  • Clavícula proeminente: o osso da clavícula tende a ficar mais saltado e evidente.

Como é feito o diagnóstico?

Para realizar o diagnóstico, o clínico geral, ortopedista ou fisioterapeuta irá investigar o histórico do paciente, identificando se há fatores hereditários que predispõem a escoliose.

O médico irá avaliar o paciente com exames físicos, neurológicos e de imagem, permitindo que seja traçado um panorama da estrutura da coluna.

A Sociedade para Pesquisa da Escoliose (Scoliosis Research Society) estabelece os critérios essenciais para o diagnóstico padrão do desvio, que devem incluir a flexão simples (teste de Adams) e o raio-X.

Exame físico

Examinando o paciente de frente e de costas, o médico irá observar se há assimetria na altura dos ombros, da escápula e da região ilíaca. Lateralmente, observa-se a curvatura normal (fisiológica) e se há alterações nelas também.

Através de uma observação física, o especialista já será capaz de identificar se o segmento vertebral indicam algum grau acentuado de curvatura. Caso haja, a confirmação e análise específica deve ser feita com exames de imagem.

Observando a superfície da pele, o médico ou fisioterapeuta pode constatar a presença de alterações do tecido, como manchas ou irregularidades. Esses achados podem ser sinais de outras doenças ou disfunções que causam a escoliose.

Teste e Adams

Um modo de evidenciar a curvatura indevida da coluna é realizando o teste de Adams, que consiste em refletir (ou curvar) o tronco para frente, como se você fosse juntar alguma coisa do chão ou se alongar.

Exame neurológico

Os exames neurológicos servem para medir e avaliar a força muscular e se há alterações dos reflexos ou da sensibilidade. A avaliação é especialmente relevante para identificar tumores ou condições que acometem o sistema nervoso e que são capazes de irritar a raiz dos nervos (causando a escoliose).

Exames de imagem

Os exames de imagem auxiliam o profissional de saúde a identificar com mais precisão o local e o grau da escoliose. Podem ser solicitados:

Raio-X

O exame mostra as curvaturas da coluna, apontando se há escorregamento (sobreposição) de vértebras, artrose, fraturas ou degeneração, lesões por infecção ou tumores. O exame faz parte do protocolo de diagnóstico da escoliose.

Tomografia computadorizada

A tomografia auxilia o profissional de saúde na avaliação da anatomia óssea e verificar a presença de hérnias de disco ou alterações das vértebras.

Ressonância magnética

A ressonância magnética é especialmente indicada para verificar as partes moles do corpo (como vasos sanguíneos e linfáticos, músculos, tecido gorduroso e tendões), mas o exame é capaz de avaliar também as estruturas ósseas.

Ângulo de Cobb

O ângulo de Cobb é considerado o exame de ouro no diagnóstico da escoliose. Descrito pela primeiro vez em 1948, a técnica verifica e avalia as deformidades, sendo amplamente utilizada em todo o mundo para medir a angulação da escoliose a partir da radiografia.

Sua importância se dá, sobretudo, no encaminhamento terapêutico, logo que o tratamento depende também do grau de angulação.

Pelo exame de imagem, o profissional irá identificar a primeira e a última vértebras acometidas pela curvatura incorreta, e fará a medição, determinando o grau da escoliose.

Escoliose tem cura?

Não, mas há tratamento.O desvio na coluna que não é muito acentuado pode dispensar a cirurgia, mas ainda assim causar dores na vida adulta do paciente. Nesses casos, a terapia paliativa não resolve o desvio, mas ameniza os sintomas.

Quando a escoliose é secundária, originada por uma doenças neuromotora, por exemplo, o tratamento é feito a fim de amenizar as consequências da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Qual o tratamento?

O tratamento da escoliose vai depender de diversos fatores, como a idade, flexibilidade, gravidade da curvatura e o grau da angulação.

Em 2015, foi realizado um encontro de pesquisadores no tratamento de escoliose, a fim de estabelecer parâmetros para conduzir o paciente. O resultado foi o Consenso SOSORT – International Conference on Scoliosis 2015, que define os encaminhamentos terapêuticos. As diretrizes se baseiam sobretudo no tamanho da curvatura da escoliose.

Em geral, as curvaturas consideradas graves o suficiente para serem tratadas são a partir de 25 graus, mas especialistas destacam que não é somente a angulação de escoliose que deve determinar o tratamento, mas também os relatos do paciente.

A presença de dores, limitações físicas ou emocionais é determinante para a realização e escolha do encaminhamento terapêutico.

Observação

Para pacientes que apresentam uma curvatura entre 0 e 10 graus, em geral, não há recomendação de tratamento fisioterápico ou cirúrgico.

Nesses casos, é necessário realizar o observação e o acompanhamento, verificando se o desvio está progredindo.

A observação é a primeira intervenção em todos os casos. Ainda que possa parecer uma ausência de tratamento, ela é, na verdade, um acompanhamento efetivo do quadro e permite que o médico faça intervenções mais precisas se houver necessidade.

Nesse aspecto, exames são solicitados com frequência regulada e as consultas devem ser periódicas.

Tratamento fisioterápico específico

Para escolioses entre 10 e 20 graus, é recomendado o tratamento fisioterápico específico.

Vale lembrar que os exercícios de fisioterapia para escoliose, muitas vezes, são incorretamente tratados simplesmente como fisioterapia. No entanto, o planejamento das sessões é toda voltada ao distúrbio do segmento vertebral.

O Instituto Brasileiro de Escoliose adota, para o tratamento não cirúrgico, a abordagem SEAS (Scientific Exercises Approach to Scoliosis). O método consiste na abordagem de exercícios científicos para a escoliose.

Nesse caso, o paciente é submetido a uma rigorosa avaliação (utilizando os exames físicos, neurológicos e de imagem) e, em seguida, é elaborado um plano de exercícios específicos para ele.

Ou seja, o tratamento é pautado em padrões de atendimento, mas visa atentar às características e necessidades especiais de cada caso, promovendo a individualização do atendimento.

O paciente é ensinado a realizar os exercícios específicos, mantendo-se atento à forma de realizar, à duração e à frequência de cada sessão. Assim, é possível que o plano seja continuado em casa, conforme orientação do profissional.

Isso facilita pacientes que não moram perto dos centros de atendimento ou não podem comparecer com frequência às sessões, devido às condições de locomoção ou questões econômicas, por exemplo.

Em média, a reavaliação do quadro é feita a cada 2 ou 3 meses, verificando a necessidade de alterar ou adaptar o programa de exercícios.

Órtese e coletes ortopédicos

Para curvaturas até 40 graus, o tratamento fisioterápico específico deve ser feito aliado ao uso de coletes ortopédicos, evitando a progressão da curvatura enquanto a criança ou adolescente está em fase de crescimento.

O colete ortopédico, em geral, deverá ser usado de 16 à 23 horas por dia e os modelos dos variam conforme cada caso.

Até chegar à recomendação dos coletes e órteses, há uma longa trajetória que deve ser guiada pelo médico especialista. Mas o estudo sobre os efeitos da órtese em adolescentes aponta que em 75% dos casos teve resultados positivos com a adoção do tratamento.

Para que o colete seja uma opção, o paciente deve apresentar escoliose entre 20 e 40 graus, de acordo com as determinações da SOSORT, ressaltando que o tratamento é sempre feito em conjunto ao conservador.

No estudo realizado sobre a eficácia dos coletes, os pacientes que apresentavam riscos de ser encaminhados à cirurgia foram significativamente menos submetidos à cirurgia se comparados aos pacientes que não utilizaram coletes.

Entre os que não fizeram correção com colete, houve uma piora da escoliose acima de 50 graus em pelo menos metade deles.

No entanto, também são amplos os estudos que demonstram a ineficiência e alguns prejuízos da adoção desse tratamento em alguns pacientes. Nesses estudos, muitos dos casos avaliados continuaram apresentando progressão da curvatura, sendo geralmente necessário encaminhar à cirurgia.

Ainda que seja de fundamental importância seguir as recomendações terapêuticas, o uso de coletes precisa considerar o acompanhamento psicológico devido aos possíveis impactos na sua saúde emocional, mental e social dos pacientes.

Também é importante ressaltar que o modelo é indicado de acordo com o tipo da escoliose e o molde é feito de forma individual. As recomendações de uso devem sempre ser seguidas rigidamente para evitar o agravamento da curvatura.

Outras pesquisas apontam que, em média, entre os pacientes que necessitam utilizar os coletes, 70% obtém sucesso no tratamento e não precisa ser encaminhado à cirurgia.

Abaixo estão os modelos listados pelo European Journal of Physical and Rehabilitation medicine como aptos ao tratamento da escoliose:

Colete Milwaukee

Desenvolvido na cidade de Milwaukee, nos EUA, por Walter Blount e Albert Schmidt em 1945, o modelo era usado, no começo, para imobilizar pacientes pós operados na coluna vertebral.

Colete de Boston

Desenvolvido na cidade Boston, em 1972, após um paciente com desvio lombar apresentar resistência ao uso do colete de Milwaukee.

Colete de Lyon

O modelo é uma adaptação ao colete de Milwaukee, foi desenvolvido em 1947 e, posteriormente, adaptado em 1958.

Colete de Thoracolumbar Lordotic Intervention (TLI)

O modelo de Thoracolumbar Lordotic Intervention é uma adaptação dos já existentes, dando ênfase ao alinhamento da região tóraco-lombar.

Colete Rigo Chêneau

Desenvolvido em 1960, na França e na Alemanha, é bastante utilizado e aceito atualmente.

Colete de Sforzesco

O modelo foi desenvolvido em Milão, na Itália, em 2004, pelo ISICO – Istituto Scientífico Italiano Colonna Vertebral. O modelo é baseado em reestruturações dos coletes Lyon, Chêneau e Lilwaukee.

Colete Charleston

O modelo foi desenvolvido em 1979, especialmente para atender um paciente resistente ao uso de outros coletes por longas horas.

Colete Providence

Em 1992 o modelo foi desenvolvido no Hospital Infantil de Rhode Island.

Colete Dynamic Derotating (DDB)

Desenvolvido em 1980, na Grécia, o modelo é um tipo tóraco-lombo-sacral (LSO).

Colete SpineCor

Um estudo entre mais de 70 pesquisadores resultou no modelo SpineCor, que foi financiado e desenvolvido com auxílio do governo canadense, em 1993. O modelo é flexível e não rígido, permitindo maior movimentação do paciente.

Colete de Progressive Action Short Brace (PASB)

Desenvolvido em 1976, o modelo é voltado à correção lombar e toracotomia lombar.

Colete Wilmington

Desenvolvido em 1969, o modelo é rígido e simétrico, de peça única que envolve, geralmente, todo o tronco.

Exercícios

Os exercícios para a escoliose devem obedecer os critérios do método SEAS, que são definidos por um profissional habilitado de acordo com as necessidades de cada paciente. Assim, não há um tipo melhor ou mais eficiente de exercício.

Objetivando a reabilitação postural, o plano de atividades aplicado ao paciente busca dificultar gradativamente os movimento, estimulando a as capacidades físicas através da manutenção da auto-correção ativa.

Ou seja, o tratamento visa educar o paciente para que ele tenha autopercepção corporal e postural, priorizando os ajustes conscientes da postura.

Além disso, considera-se parte dos exercícios para a escoliose a integração sócio familiar, em que toda a família deve ser presente e atuante no tratamento.

Os exercícios seguem as determinações da SOSORT, Sociedade Internacional de Tratamento ortopédico e reabilitação da Escoliose, que gera diretrizes para o tratamento e abordagem da escoliose.

Ao todo, são 7 centros vinculados a SOSORT e incluem:

  • Abordagem de Lyon, da França;
  • Abordagem Katharina Schroth Asklepios, da Alemanha;
  • Abordagem do Exercício Científico à Escoliose (SEAS), da Itália;
  • Abordagem Barcelona Escoliose Physical Therapy School (BSPTS), da Espanha;
  • Abordagem Dobomed, da Polônia;
  • Abordagem Side Shift, do Reino Unido;
  • Abordagem de terapia individual funcional da escoliose (FITS) da Polônia.

Fora as listas acima, nenhuma publicação ou indicação de tratamento têm resultados científicos comprovados.

A resistência muscular e o fortalecimento da postura guiam os exercícios, a fim de trabalhar o equilíbrio estático e dinâmico (ou seja, do paciente parado e em movimento).

Vale ressaltar que o SEAS incentiva a participação dos pacientes em atividades esportivas, mantendo uma rotina ativa e integrada às atividades sociais. Sendo que a autopercepção corporal têm grande reflexo no desenvolvimento das atividades fora das sessões de exercícios específicos para a escoliose.

Tratamento cirúrgico

Pacientes com curvatura igual ou maior que 45 graus são indicados à cirurgia, sejam adolescentes ou adultos.

Assim como todo procedimento altamente invasivo, a cirurgia age como um último recurso ou forma de tratamento. Também é possível que o paciente seja encaminhado ao uso de coletes e, se entre 4 e 6 meses o médico avaliar a necessidade, a cirurgia pode ser sugerida.

O procedimento visa corrigir a curvatura e evitar a sua progressão através da colocação de implantes no segmento vertebral. Os implantes de metal conectados à 1 ou a 2 hastes e que fazem um ligamento na coluna, mantendo a linearidade correta.

O implante força o ajuste da coluna até que as vértebras operadas se fundam, ou seja, formem um bloco único.

A internação dura, em geral, entre 5 e 7 dias e o tempo de retorno às atividades normais leves (como ir à escola) demora, em média, 4 semanas.

No entanto, quando o paciente ainda está em fase de crescimento, é preciso considerar que as cirurgias podem impactar ou prejudicar o crescimento da coluna, devido à artrodese — processo em que as vértebras se fundem.

Tratamento conservador para escoliose

Não há medicamentos para a escoliose, por isso, os pacientes podem ser acometidos por dores de difícil resolução.

Apesar das terapias conservadoras ou paliativas não serem reconhecidamente aplicadas para o tratamento da escoliose, elas geralmente são boas opções para serem somadas as táticas de redução de dor e desconforto.

No entanto, após estudos e consensos da Comunidade de Saúde Italiana, foram publicadas diretrizes para o tratamento conservador de escoliose que indicam que o RPG e outras medidas paliativas podem não ser seguros e indicados para os pacientes.

Adotada pelas diretrizes internacionais SOSORT, a indicação é que terapias alternativas não sejam empregadas para tratar a escoliose sem que antes sejam cientificamente comprovadas.

Devidamente acompanhadas pelo especialista, as técnicas de quiropraxia, pilates e RPG podem ser usadas como modo de fortalecer a musculatura, aumentar a resistência e alongar o corpo, podendo auxiliar no tratamento, contanto que não sejam o método primário ou principal.

RPG

Reeducação Postural Global trabalha com a readequação postural, auxiliando na reabilitação do paciente às suas atividades.

Com a aplicação de manobras, movimentos e manipulações específicas da coluna, braços e pernas, o profissional habilitado ainda recorre às técnicas de respiração, equilíbrio e consciência corporal para melhorar o alinhamento vertebral.

Há pesquisas, como uma publicada no periódico Fisioterapia e Pesquisa, em 2010, que apontam a utilização do RPG como altamente promissora no tratamento da escoliose, trazendo mudanças significativas à saúde física, mental e social do paciente.

Pilates

O pilates é um conjunto de exercícios de baixo impacto às articulações e que promove um trabalho intenso da musculatura através do equilíbrio, postura, respiração e alongamento.

Com atenção à centralização da força, os exercícios de pilates voltados à escoliose visam fortalecer sobretudo a musculatura transversa do abdômen. Com isso, a estabilidade da coluna é melhorada e todo o equilíbrio corporal é favorecido.

O trabalho respiratório desenvolvido nas sessões de pilates também pode auxiliar na estabilidade da caixa torácica e no controle emocional.

Quiropraxia

A quiropraxia é um método de medicina alternativa que visa tratar condições do sistema músculo-esquelético. Pode ser efetiva no tratamento das dores agudas causadas pela escoliose.

Leia mais: Quiropraxia: o que é, para que serve e valores

Massagem

A massagem pode ajudar alguns pacientes que se queixam de dores nas costas, além de auxiliar no relaxamento muscular e mental.

Convivendo

Quando o grau de curvatura é baixo, conviver com a escoliose pode não trazer impactos severos à qualidade de vida do paciente. Se houver recomendação médica, é preciso praticar sessões de fisioterapia específica e seguir rigidamente o plano de exercícios.

Em geral, são sessões que podem ser feitas em casa e devem ser ensinadas e acompanhadas frequentemente pelo profissional. A realização de consultas e exames periódicos é importante para a observação do estado da coluna e se está havendo acentuação da escoliose.

Os quadros que, em geral, mais comprometem a vida do paciente são aqueles que causam dores ou necessitam do uso de coletes, além dos casos de escoliose neuromuscular (pois podem haver severo comprometimento de outras funções do corpo).

Para o instituto Scoliosis Research Society, a escoliose não deve interferir nas atividades de vida. Todos os exercícios físicos são permitidos — inclusive devem ser incentivados. Pacientes que utilizam coletes também não têm restrições quanto aos esportes ou demais atividades físicas, desde que sejam feitos nas horas livres (sem colete).

Dor e incômodo

As dores na coluna podem ser bastante debilitantes e afetar a vida do paciente. Atividades simples, muitas vezes, ficam comprometidas devido à dificuldade em lidar com o desconforto da coluna, com a sobrecarga muscular ou com as dores intensas.

Segundo o Scoliosis Research Society, pacientes com menos de 30 graus de escoliose têm aproximadamente a mesma chance de sofrer com dores do que pacientes sem qualquer desvio, sendo que a maioria das crianças e adolescentes não apresenta desconforto.

As recomendações médicas devem sempre ser seguidas, buscando aliviar o quadro. Além disso, tratamento alternativos podem ser associados e promover uma redução significativa das limitações diárias.

Exercícios físicos, alongamentos, RPG, pilates, além de meditação ou terapias naturais podem promover o relaxamento e amenizar a percepção da dor.

Cuide do emocional

Mais do que trazer benefícios ao corpo físico, as atividades relaxantes melhoram a saúde mental também. Busque, então, aliar programas ou tarefas que promovam satisfação, acalmem a mente e proporcionem bem-estar.

Não importa exatamente qual o propósito da atividade — entreter, distrair, relaxar ou divertir —, pois toda ação que traga satisfação é benéfica ao organismo.

Além disso, o acompanhamento psicológico é, em geral, recomendado, sobretudo para quem utiliza coletes ou têm desvios perceptíveis da coluna, pois podem trazer limitações sociais aos pacientes.

Um estudo apontou que até 43% de todos os pacientes com escoliose (sejam leves ou graves) sentem-se isolados ou evitam ambientes sociais.

Sobretudo as crianças e adolescentes tendem a ter maior recusa do tratamento e dificuldade em aceitar ou lidar com a deformidade vertebral, fazendo com que os quadros emocionais e psicológicos sejam altamente afetados.

Produtos corretores

Os produtos médicos auxiliam na correção corporal em casos necessários. Pacientes que possuem, por exemplo, escoliose devido à assimetria das pernas, podem ter a locomoção facilitada com a adoção de sapatos ortopédicos que correm o desnível dos membros.

Prognóstico

O prognóstico do paciente irá depender de uma série de fatores, como o grau de desvio, o tempo do diagnóstico e a efetividade do tratamento.

Dados sugerem que pacientes com escoliose abaixo de 30 graus permanecem estáveis na maioria dos casos, desde que seguidos os tratamentos recomendados. Para os quadros com curvatura de 50 graus ou mais, a escoliose geralmente se agrava na idade adulta, podendo evoluir 1 grau por ano.

Entre essas duas faixas, acima de 30 graus e abaixo de 50, o prognóstico é variado e depende de uma série de fatores, sendo difícil determinar um prognóstico geral.

O uso de coletes apresenta variados encaminhamentos. Se, nos primeiros 6 meses de uso a curvatura for estabilizada, há tendência de não precisar de cirurgia.

Mas estudos apontam que muitos pacientes com grau elevado de escoliose não obtiveram bons resultados apenas com o uso do colete, sendo preciso recorrer à intervenção cirúrgica.

Casos de escoliose severa infantil podem prejudicar os pulmões e coração, trazendo riscos à saúde do paciente, necessitando que as complicações sejam tratadas. O sucesso e manutenção da qualidade de vida desses pacientes também têm dados incertos, pois dependem de diversos fatores individuais.

Atualmente, há uma diversas ferramentas e produtos que auxilprojeiam na qualidade de vida de quem lida com a escoliose, melhorando o prognóstico e a convivência com as irregularidades da coluna. Assim, os quadros físicos, mentais e sociais tendem a apresentar bons resultados quando devidamente adaptados à pessoa.

Complicações

As complicações relacionadas à escoliose são, em geral, ocasionadas por curvaturas mais acentuadas que comprometem outras áreas e sistemas do corpo.

Quando a escoliose ocorre na região do tórax, os pulmões podem ser afetados, havendo uma discrepância ou assimetria elevada da acomodação dos órgãos.

Como a coluna tende a se ajustar para manter o equilíbrio (favorecendo o surgimento de curvatura secundária ou desnivelamento da bacia, por exemplo), outras regiões são afetadas, como o coração e quadril.

Além das dores musculares, alguns pacientes podem apresentar comprometimento de movimentos ou limitações do músculo.

Um estudo publicado em 2013, na Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, aponta que pacientes submetidos à cirurgia podem apresentar complicações específicas decorrente da intervenção, como:

  • Infeção;
  • Pseudartroses;
  • Cifose juncional;
  • Lesão neurológica.
  • Infarto do miocárdio;
  • Pneumonia;
  • Íleo paralítico;
  • Infeção do trato urinário;
  • Trombose venosa profunda;
  • Síndrome da artéria mesentérica superior.

Como prevenir a escoliose?

Não há modo efetivo de prevenir a escoliose, logo que ela é geralmente idiopática (atribuindo-se múltiplos fatores desencadeantes) ou congênita.

Medidas conservadoras podem evitar que a escoliose se desenvolva em pacientes adultos com predisposição, como a prevenção da osteoporose ou enfraquecimento ósseo-muscular.

Quando a escoliose é secundária, a prevenção ocorre por meio do tratamento da doença ou condição primária. Para isso, o acompanhamento médico e a adoção efetiva dos tratamentos é essencial para evitar todas as demais complicações decorrentes.

Perguntas frequentes

A falta de cálcio causa a escoliose?

Não. A falta de cálcio pode favorecer a degeneração óssea e, com a idade, promover a escoliose em pacientes predispostos, mas não é capaz de causá-la.

Carregar mochila pesada causa escoliose?

Não. Assim como a má postura, as mochilas não causam escoliose. Elas podem promover dores na coluna ou forçar muito a região lombar.

O colete corrige a escoliose?

Não. O colete é utilizado em pacientes que apresentam elevação ou aumento gradativo da curvatura e apresentam possibilidade de evitar a cirurgia. Ou seja, servem apenas para evitar o agravamento da curvatura.

Escoliose causa dor?

Diretamente não. Isso quer dizer que, segundo os especialistas, o desvio na coluna não é o responsável pela dor, mas sim o mecanismo do corpo para avisar que algo está errado.

Pacientes com desvio e compensação vertebral podem forçar muito a região ou algum grupo muscular para tentar manter o equilíbrio, fazendo com que as dores surjam.

Em geral, crianças e adolescentes não apresentam dores, mas em pacientes adultos e idosos, geralmente ela é relatada, provavelmente causada por um esforço secundário devido à curvatura da escoliose.

Pacientes com escoliose podem fazer exercícios físicos?

Sim. De modo geral, não há nenhuma restrição quanto à prática de esportes e atividades físicas. É recomendado que o paciente pratique regularmente exercícios e mantenha uma rotina normal de vida.


As condições que acometem a coluna são variadas e podem ter alto impacto nas rotinas diária, social, física e emocional.

Algumas condições podem ser prevenidas através de medidas variadas, mas outras — como a escoliose —, podem apenas ser tratadas quando identificadas. Ainda assim, manter a saúde em dia, consultar regularmente um profissional de saúde e adotar hábitos saudáveis auxilia em todo o organismo.

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Referências

Basso, D. (2010). Efeito do Reeducação Postural Global no alinhamento corporal e nas condições clínicas de indivíduos com disfunção temporomandibular associada a desvios posturais. Fisioterapia E Pesquisa, 17(1).
Aleixo, C., & Neves, N. (2013). Escoliose degenerativa. Revista Portuguesa De Ortopedia E Traumatologia, 21(3), 271 – 284.
Quental Tyba, K., Maia Cavali, P., Mello Santos, M., Rossato, A., Lehoczki, M., & Risso-Neto, M. et al. (2011). Tratamento da Escoliose em Crianças com Paralisia Cerebral utilizando a Prótese Vertical Expansível de Titânio para Costela (VEPTR). Columna, 10(4), 317-320.


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