Quais os sintomas do HIV e AIDS? Iniciais (fase aguda), na pele

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

O HIV, sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana, é um retrovírus causador da AIDS.

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No organismo, esse vírus age atacando o sistema imunológico do indivíduo portador, prejudicando especialmente os linfócitos T CD4+, glóbulos brancos ou células de defesa que atuam no combate de agentes infecciosos invasores.

É a partir do ataque a essas células que o HIV consegue se multiplicar e, após essa replicação, romper esses linfócitos e continuar a infecção.

A principal forma de transmissão do HIV acontece através de relações sexuais sem proteção. No entanto, o vírus pode ser passado também através do compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho, durante a gravidez, parto e amamentação.

Nesse último caso, a transmissão pode ser prevenida, quando as medidas de prevenção são seguidas corretamente, especialmente durante o pré-natal. Em todos os casos, é fundamental o diagnóstico precoce.

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Ainda não há cura para a infecção causada pelo HIV, mas é possível se prevenir e ajudar a reduzir as taxas de transmissão e mortalidade pela doença, considerada ainda um problema grave de saúde pública global.

No texto a seguir, descreveremos os sintomas presentes nas diferentes fases da infecção.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. AIDS ou HIV?
  2. Infecção aguda: primeiros sintomas do HIV
  3. Infecção crônica: período assintomático
  4. Síndrome da Imunodeficiência adquirida (AIDS)

AIDS ou HIV?

Para entender os sintomas, é importante antes saber distinguir também a diferença que há entre uma pessoa que é portadora do vírus HIV e uma pessoa que tem AIDS.

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A AIDS é a doença causada pelo vírus, é a condição em que o paciente portador do HIV não recebe tratamento ou não o segue corretamente. Nessa situação, seu sistema imunológico é potencialmente debilitado, favorecendo o desenvolvimento de outras doenças.

Por outro lado, portadores do vírus HIV podem levar uma vida normal. Muitos soropositivos vivem sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença quando recebem e seguem corretamente o tratamento.

No entanto, mesmo nesses casos, os cuidados para prevenção devem ser tomados, para que não transmitam o vírus para outras pessoas.

Infecção aguda: primeiros sintomas do HIV

A infecção aguda ou síndrome retroviral aguda é a primeira fase da infecção causada pelo vírus HIV, presente em cerca de 50% a 90% dos pacientes. Nesse momento, acontece a incubação do vírus, tempo entre a infecção inicial e a multiplicação do agente infeccioso no organismo, até o surgimento dos primeiros sintomas.

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De acordo com o Ministério da Saúde, o tempo de incubação, normalmente, tem duração de 3 a 6 semanas, sendo o tempo de produção de anticorpos contra o vírus de 30 a 60 dias. Contudo, esse tempo pode variar um pouco para cada paciente.

Além disso, a fase aguda é caracterizada pela resposta autoimune do organismo e pela presença do vírus na corrente sanguínea (viremia), após a sua replicação no período de incubação.

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), após 2 a 4 semanas da infecção os pacientes já podem apresentar os primeiros sintomas.

Normalmente, eles são semelhantes aos de um quadro de gripe ou resfriado, o que dificulta o diagnóstico do HIV. Por serem sintomas mais brandos, geralmente passam despercebidos ou sem a atenção que deveriam ter.

No entanto, ainda que na maioria das vezes os sintomas sejam similares aos da gripe, há casos em que a fase aguda pode manifestar sinais semelhantes aos de uma síndrome mononucleose-like, nome dado ao conjunto de doenças com sintomas inespecíficos.

Os sintomas costumam durar em média 14 dias. Contudo, é importante observar se esse tempo se prolonga, pois a duração dos sintomas pode estar relacionada com a evolução mais acelerada da doença.

Os principais sintomas nessa fase, segundo dados do Ministério da Saúde, são os seguintes:

Febre

A febre, no período de infecção aguda do HIV, é prevalente em 80% a 90% dos pacientes, que podem apresentar temperaturas de 38,3 ºC ou mais.

Fadiga

Acomete 70% a 90% dos pacientes com HIV na fase aguda, podendo estar presente também no estágio avançado da doença.

A fadiga é um sintoma característico por causar uma sensação de cansaço, desgaste e falta de energia, sendo comum em muitas doenças.

No caso do HIV, quando o sintoma é progressivo ou até mesmo debilitante, um diagnóstico mais preciso se faz necessário.

Pode ser necessário realizar exames para eliminar a possibilidade de uma infecção oportunista, um tipo de infecção que acontece em pessoas com imunidade baixa que não aconteceriam em pessoas saudáveis.

Exantema ou rash cutâneo

O rash cutâneo, chamado também de exantema, é um tipo de lesão que acomete a pele, causando erupções avermelhadas no paciente portador do vírus HIV. Está presente entre 40% a 80% dos casos durante a fase aguda.

Cefaleia (dor de cabeça)

No primeiro estágio da infecção, a cefaleia está presente em 32% a 70% dos pacientes, normalmente sendo um sintoma acompanhado de outros sinais listados aqui.

Linfadenopatia

A linfadenopatia, condição conhecida também por adenopatia e adenomegalia, ocorre quando se tem um aumento no tamanho dos linfonodos (ou gânglios linfáticos).

Esses gânglios são pequenas glândulas espalhadas pelo corpo, que ajudam no sistema imunológico.

Eles aparecem no organismo de forma distribuída, mas também agrupados. Alguns se encontram nas regiões do pescoço, virilha e axilas. Quando ocorre uma infecção próxima a esses gânglios, como no caso do HIV, esses ficam inchados.

Na fase aguda da infecção, a linfadenopatia pode estar presente em 40% a 70% dos casos.

Faringite

A faringite é uma inflamação que acontece na faringe, órgão localizado na região da garganta. Normalmente, provoca sintomas como dor, coceira, desconforto e irritação na garganta.

Em pacientes com HIV, a faringite se manifesta com frequência. Estima-se que a condição esteja presente entre 50% a 70% dos casos de infecção aguda.

Dores musculares e nas articulações

Alguns dos sintomas presentes na fase aguda da infecção por HIV são as dores musculares (mialgia) e nas articulações (artralgia). Esses dois sintomas podem ocorrer em 50% a 70% dos casos.

Náusea, diarreia e vômito

Esses sintomas, que podem se manifestar isolados ou associados, ocorrem entre 30% e 60% dos casos durante essa fase do HIV.

Suores noturnos

A sudorese noturna é comum em pacientes com HIV. Pode acontecer isoladamente ou acompanhada de sintomas como febre. A presença desses dois sintomas juntos, contudo, pode ser indício de uma infecção oportunista, como a tuberculose, por exemplo.

A incidência em que os suores noturnos se manifestam na fase aguda pode ser em até 50% dos casos.

Meningite viral

A meningite é uma doença caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que revestem e protegem o Sistema Nervoso Central (SNC). O tipo mais comum é a meningite viral, ou seja, causada por vírus.

No caso da infecção causada pelo vírus HIV, esse tipo de meningite pode ocorrer em 24% dos pacientes que se encontram na fase aguda assintomática do HIV.

Úlceras mucocutâneas

As úlceras, na fase aguda da infecção, podem acometer as mucosas orais (10% a 20% dos pacientes) e genitais (5% a 15% dos pacientes). Podem apresentar um aspecto vermelho em volta e esbranquiçado no centro, causando dor e desconforto na região acometida.

Trombocitopenia e linfopenia

A trombocitopenia é a redução dos trombócitos no sangue, células importantes para a coagulação e estancamento de sangramentos. A condição pode ocorrer em 45% dos casos da fase de infecção aguda.

A linfopenia, condição em que ocorre uma deficiência no número de linfócitos, acomete, em média, 40% dos casos.

Infecção crônica: período assintomático do HIV

Na fase assintomática, período conhecido também por infecção crônica pelo HIV ou estágio de latência, o paciente não apresenta sintomas ou apresenta sintomas mínimos.

Contudo, em alguns casos, os pacientes apresentam linfadenopatia generalizada persistente, condição indolor e oscilante em que os linfonodos (ou gânglios linfáticos) alteram de tamanho e aspecto.

Nesse estágio da infecção, mesmo em latência o vírus permanece ativo no organismo, se reproduzindo em níveis baixos o suficiente para não adoecer o paciente.

Quando ele não está em tratamento, essa fase pode se estender por 10 anos ou mais, podendo progredir rapidamente em algumas pessoas.

Segundo a Dra. Mônica Gomes, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o período assintomático, ou de latência, é relativamente grande pois esta é a história natural do vírus.

“Cada agente infeccioso, quando promove uma doença, possui uma história natural. Ao pegar influenza, a história natural é de que se fique mais ou menos 7 ou 10 dias doente. Mas a história natural do HIV é uma história de em média 10 anos de doença” explica.

Dessa forma, após a infecção aguda, que pode ou não ter sintomas, acontece uma fase em que a imunidade do paciente luta contra o vírus.

Após esse período, de acordo com a infectologista, acontece um controle da replicação do vírus, que acontece em quantidade mais reduzida, enquanto o sistema imunológico se fortalece.

“Ao longo do tempo o vírus vai criando mutações para vencer a resposta imunológica e vai matando as células de defesa até que o portador do vírus fique doente. Isso em média leva 8 anos, mas é apenas uma média”.

Para quem recebe o tratamento e faz uso dos remédios de forma adequada, essa fase pode durar várias décadas. No entanto, é fundamental reforçar que, mesmo em período de latência, os portadores do HIV podem continuar transmitindo o vírus.

Por isso, as pessoas que recebem tratamento e fazem uso de remédios diariamente, ainda que possuam menor probabilidade de transmissão, devem continuar mantendo os cuidados para evitar passar o vírus para outras pessoas.

Nessa fase, o vírus geralmente não é capaz de provocar sintomas específicos, mas ele continua prejudicando o sistema imunológico. O diagnóstico e o tratamento são fundamentais para que o quadro não evolua para um estágio mais avançado da infecção (AIDS).

Ao final do período assintomático, o organismo do paciente começa a produzir um número menor de células CD4, linfócitos que fazem parte do sistema imunológico e são o principal alvo do HIV.

Dessa forma, conforme a progressão do vírus e o enfraquecimento do sistema de defesa, os sintomas vão surgindo e o paciente progredindo para a fase mais avançada da infecção.

Síndrome da Imunodeficiência adquirida (AIDS)

A AIDS é a condição mais grave da infecção causada pelo vírus HIV, considerada o terceiro estágio da infecção.

Nessa fase, o paciente apresenta um sistema imunológico bastante debilitado, o que só aumenta os riscos de desenvolvimento de doenças oportunistas, que podem ser graves e levá-lo à morte.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), sem tratamento, um paciente com AIDS apresenta baixa expectativa de vida, podendo sobreviver cerca de 3 anos.

Para que o paciente seja diagnosticado com a AIDS, a quantidade de células CD4 deve estar abaixo de 200 células/mm. Também é levado em conta o diagnóstico de doenças oportunistas (ou doenças definidoras) e gestantes infectadas pelo vírus HIV.

As patologias com maior incidência em pacientes com AIDS incluem a tuberculose, o sarcoma de Kaposi, a candidíase de esôfago e pneumonia, frequentemente causada pelo fungo P. jirovecii (P. carinii) e citomegalovírus (vírus da família da herpes simples etc.).

Em relação aos sintomas da AIDS, é difícil apresentar um quadro clínico único, pois isso depende muito das doenças que podem se desenvolver a partir da infecção do vírus HIV e dos órgãos acometidos.

Dessa forma, é possível considerar que existem vários sintomas da AIDS. Alguns deles incluem:

  • Calafrios;
  • Febre;
  • Suor noturno;
  • Glândulas linfáticas inchadas (linfadenopatia);
  • Perda de peso;
  • Fraqueza;
  • Falta de ar;
  • Tosse seca;
  • Dificuldade para deglutição;
  • Diarreia;
  • Náuseas, vômitos e cólicas abdominais;
  • Dor de cabeça;
  • Manchas na mucosa da boca ou na pele, próximas do nariz e pálpebras;
  • Desenvolvimento de alguns tipos de câncer;
  • Rigidez no pescoço;
  • Distúrbios neurológicos, como depressão, prejuízo da memória e confusão;
  • Fotofobia ou perda de visão.

Em relação às doenças oportunistas, existem várias condições que podem acometer pacientes com AIDS, devido à imunidade baixa. As patologias associadas são também chamadas de doenças definidoras. São elas:

  • Sarcoma de Kaposi;
  • Linfoma do Sistema Nervoso Central e linfoma de Burkitt;
  • Candidíase de esôfago e candidíase pulmonar (ou traqueal);
  • Herpes labial e genital;
  • Histoplasmose;
  • Câncer do colo do útero;
  • Infecções fúngicas como Coccidioidomicose disseminada e Criptococose extrapulmonar;
  • Doenças virais, como citomegalovírus e leucoencefalopatia multifocal recorrente
  • Doenças parasitárias, como isosporíase intestinal crônica;
  • Tuberculose;
  • Toxoplasmose;
  • Sepse (infecção generalizada) causada pela bactéria salmonela;
  • Pneumonias recorrentes;
  • Encefalopatia (alteração cerebral) causada pelo HIV.

Estes tipos de doença podem ter como causa a presença de agentes infecciosos como bactérias, vírus, protozoários e fungos, e o desenvolvimento de tipos de câncer.

Em pacientes nessa condição, até mesmo microrganismos que não são considerados um risco podem provocar uma doença oportunista.


O HIV provoca diferentes sintomas dependendo do estágio em que o paciente se encontra, considerando casos em que o tratamento não é realizado.

Esse artigo buscou esclarecer como os sintomas se manifestam, a partir da infecção do vírus HIV.

Se você acha que esteve exposto ao vírus, busque ajuda médica para realizar um teste e lembre-se sempre do quanto é importante se prevenir para evitar essa e outras doenças sexualmente transmissíveis. Obrigada pela leitura!

Fontes consultadas

  • Dra Mônica Gomes (CRM/PR 18.676), graduada em Medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná. Especialista em Infectologia pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e em Neurologia pela Academia Brasileira de Neurologia. Mestre em Medicina Interna pela Universidade Federal do Paraná
  • Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP
  • Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS- UNAIDS
  • Organização Mundial da Saúde
  • Ministério da Saúde
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC)
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