O que é Glomerulonefrite?

A glomerulonefrite ou nefrite é uma glomerulopatia, ou seja, uma doença que afeta os glomérulos. Estas pequenas estruturas microscópicas ficam dentro dos rins e são as partes do órgão que filtram o sangue, removendo dele as impurezas e transformando-as no filtrado glomerular, que mais tarde será convertido em urina por outras partes do rim.

Quando os glomérulos inflamam, a inflamação é denominada glomerulonefrite.

A condição pode ser aguda ou crônica. Quando aguda, costuma ter causa infecciosa, apesar de poder estar relacionada a outros problemas, como doenças autoimunes. Já a crônica tem a tendência de ter origem genética.

A doença possui vários tipos diferentes e nos casos agressivos pode causar insuficiência e falha renal. A hemodiálise e o transplante podem ser necessários em alguns casos, mas no geral, o corpo consegue se adaptar com a condição antes de os sintomas aparecerem.

Quando os sintomas aparecem a doença costuma estar avançada. Eles não são especialmente incômodos, mas podem ser facilmente identificados e, caso surjam, consultar um médico clínico geral ou nefrologista se faz importante.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é?
  2. Como os rins realizam a filtragem sanguínea?
  3. Tipos
  4. Síndrome nefrótica e síndrome nefrítica
  5. Causas
  6. Grupos e fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Sinais de alerta
  9. Como é feito o diagnóstico?
  10. Tem cura?
  11. Qual o tratamento?
  12. Medicamentos
  13. Convivendo
  14. Prognóstico
  15. Complicações
  16. Como prevenir

Como os rins realizam a filtragem sanguínea?

É conhecimento geral que os rins filtram o sangue, mas parando para pensar, você sabe dizer como? E afinal, como os glomérulos participam desse processo?

Glomérulos são estruturas microscópicas que ficam dentro das cápsulas de bowman, pequenas bolsas localizadas no interior dos rins. Cada cápsula possui um glomérulo e existe aproximadamente um milhão deles por rim.

Para levar o sangue até essas bolsas, o organismo usa artérias. Estas se dividem em arteríolas (artérias pequenas), que dentro das cápsulas se dividem ainda mais, transformando-se em vários capilares glomerulares.

Esta estrutura de capilares, somada ao espaço dentro da cápsula de bowman e o ducto com o qual a cápsula de conecta, é o glomérulo. Durante uma glomerulonefrite, é ele que fica inflamado.

Os capilares glomerulares possuem em suas paredes diversas barreiras de filtração. Essas barreiras impedem que as células sanguíneas e as proteínas passem, mas todo o resto é liberado.

Aquilo que passa pelas barreiras de filtração (ou seja, tudo o que não é proteína e célula sanguínea) fica dentro da cápsula de bowman, mas fora dos capilares. Este é o filtrado glomerular. Ele é composto por água, ureia, eletrólitos, glicose e uma pequena quantidade de proteínas que pode ter conseguido passar pela barreira.

A partir da cápsula de bowman, o filtrado segue para o tubo renal. É onde o filtrado é convertido em urina.

Enquanto isso, os capilares se transformam em uma arteríola só novamente. As células de sangue e as proteínas seguem em frente para a circulação, já com o sangue filtrado.

Tipos

As glomerulonefrites podem ser divididas entre primária e secundária, de acordo com a causa do problema, além de serem classificadas como aguda ou crônica.

Primária

Na glomerulonefrite primária a causa afeta diretamente os glomérulos e os rins. Este tipo da doença costuma ser causado por infecções, como vírus e bactérias que se espalham pelo corpo e alcançam os rins. Entretanto, este não é o único jeito de se conseguir uma glomerulonefrite primária.

Os tipos são os seguintes:

  • Glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica;
  • Glomerulonefrite membranosa;
  • Glomerulonefrite por lesões mínimas;
  • Glomerulonefrite segmentar e focal;
  • Glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP);
  • Glomerulonefrite membranoproliferativa;
  • Nefropatia por IgA;
  • Síndrome de Alport;
  • Doença de Fabry.

É importante lembrar que apesar de estes tipos de glomerulonefrite possuírem causas primárias, elas também podem ser causadas por outras condições, tornando-se secundárias.

Secundária

A glomerulonefrite secundária é causada por outras doenças que acabam por afetar de alguma forma os glomérulos e os rins, como por exemplo a diabetes, que pode causar problemas renais.

Falaremos um pouco sobre cada uma das doenças que podem causar glomerulonefrites no tópico “causas”.

Glomerulonefrite aguda

As glomerulonefrites agudas e crônicas são, a princípio, a mesma doença. A diferença está em seu tempo de duração e frequência. Uma glomerulonefrite aguda costuma ser causada por infecções, mas podem evoluir para versões crônicas.

A aguda costuma durar apenas alguns dias e ser um caso isolado, além de ser comum em crianças entre 2 e 10 anos de idade.

Glomerulonefrite crônica

Na glomerulonefrite crônica a condição permanece por mais tempo, podendo durar desde algumas semanas até a vida toda, ou ser frequente, surgindo várias vezes no decorrer de alguns meses.

Este caso é um pouco mais sério e mais propenso a complicações, já que seus efeitos persistem por mais tempo antes de serem sentidos. É comum que este tipo da doença seja genético.

Síndrome nefrótica e síndrome nefrítica

As síndromes nefrótica e nefrítica são dois acometimentos dos glomérulos que podem se causar mutuamente. Isso quer dizer que a síndrome nefrítica pode causar a nefrótica e vice-e-versa. Estas são as principais características:

Síndrome nefrítica

Nesse caso existe inflamação dos glomérulos, o que classifica a síndrome nefrítica como uma glomerulonefrite por definição e qualquer um dos tipos de nefrite pode resultar nela. Esta inflamação faz com que a capacidade de filtração dos rins seja reduzida. O resultado é que as toxinas não são eliminadas apropriadamente do corpo e podem se acumular nos tecidos.

Pode aparecer sangue na urina, hipertensão arterial e insuficiência renal aguda.

Síndrome nefrótica

Quando existe a síndrome nefrótica, nem sempre há inflamação evidente, mas a membrana de filtração apresenta mau funcionamento e pode estar danificada.

O resultado é que, ao contrário do caso da síndrome nefrítica, material demais passa pela filtragem. Proteínas que não deveriam passar pela parede de filtração passam e vão parar na urina. Esta condição não é uma nefrite, mas pode ser causada por uma, resultando em danos às paredes de filtração.

Também é possível que a passagem de materiais que não deveriam ser filtrados cause danos aos túbulos renais e leve a inflamações nos glomérulos, criando uma síndrome nefrítica.

Causas

As causas para a glomerulonefrite podem ser diversas e variam de acordo com o tipo da doença.

Glomerulonefrite difusa aguda

Este tipo de glomerulonefrite é causada por uma reação autoimune que surge algumas semanas depois de uma infecção por bactérias estreptococos.

Ela afeta todos os glomérulos, reduzindo sua capacidade de filtração e causando problemas, pois o corpo não consegue eliminar certas toxinas, ureia e creatinina.

Apresenta a síndrome nefrítica.

Glomerulonefrite membranosa

Esta glomerulonefrite faz com que haja inflamação e espessamento da membrana basal das células dos capilares sanguíneos e dos glomérulos renais. A filtragem sanguínea continua acontecendo de maneira saudável, porém existe perda de proteínas através da urina, caracterizando síndrome nefrótica por nefrite.

É comum ser causada por infecções por hepatite B, hepatite C e sífilis, além de ser frequente em pessoas com um rim ou medula óssea recém transplantados. Também pode ser causada por doenças autoimunes sistêmicas como lúpus, mas nesse caso ela se enquadraria em secundária.

Glomerulonefrite por lesões mínimas

É caracterizada por alterações mínimas ou até mesmo ausentes quando os glomérulos são examinados no microscópio óptico. Suas alterações, extremamente pequenas, na maioria das vezes só podem ser vistas através do microscópio eletrônico, que é capaz de identificar estruturas ainda menores do que o óptico.

Trata-se do tipo mais comum em crianças, representando 80% das síndromes nefróticas que afetam pessoas entre 1 e 8 anos de idade. Pode surgir espontaneamente, assim como em decorrência do linfoma de Hodgkin e do uso de anti-inflamatórios não esteroides.

Glomerulonefrite segmentar e focal

Este tipo de glomerulonefrite afeta uma pequena parte dos glomérulos e é frequente que demore para ser diagnosticada por causa disso.

Ela acontece após cicatrização e endurecimento de um pedaço dos glomérulos renais afetados. Só após um longo tempo é que os sintomas começam a se apresentar, já que a perda de proteínas é lenta.

Quando primária, esta condição é resultado de fatores genéticos, mas entre as outras causas estão:

  • Drogas como heroína ou anabolizantes;
  • HIV;
  • Obesidade;
  • Refluxo nefropático;
  • Anemia falciforme.

Glomerulonefrite rapidamente progressiva

Frequentemente associada com lúpus e com a doença de Goodpasture, esta condição é caracterizada por reduzir a capacidade de filtragem do rim em 50% no decorrer de 3 meses. É o tipo mais agressivo das glomerulonefrites, já que o rim pode ficar inutilizado em apenas 6 meses, tornando a hemodiálise e o transplante necessários.

Glomerulonefrite membranoproliferativa

Esta glomerulonefrite ocorre quando surge uma lesão da membrana basal e dos mesângios (células de sustentação dos glomérulos). Algumas das possíveis causas são:

  • Doenças autoimunes, como lúpus;
  • Câncer (leucemia ou linfoma);
  • Infecções crônicas (hepatite B, C, malária ou endocardite);
  • Rejeição do transplante do rim;
  • Doença de depósito de paraproteínas.

Nefropatia por IgA

Também conhecida por doença de Berger, esta condição renal é causada pelo depósito de imunoglobulina A nos glomérulos, causando inflamação e lesão progressiva nas estruturas. Esta doença não possui cura, mas existe tratamento para evitar a insuficiência renal.

A condição possui causas genéticas e é comum que ela esteja presente em mais de uma pessoa da família. Entretanto ela também pode estar relacionada com infecções respiratórias e intestinais, sendo uma reação do sistema imunológico.

Síndrome de Alport

Esta é uma síndrome genética que afeta, além do sistema renal, a audição. Ela é causada por uma mutação genética no cromossomo sexual X. A mutação dificulta ou impede a produção do colágeno IV, que é usado nas na composição das células basais.

Estas células são estruturas finas que separam e suportam as células. Sem o colágeno IV as células basais da membrana de filtração dos rins permitem que sangue e proteínas passem.

As células basais imperfeitas também causam problemas na audição, já que a captação das vibrações sonoras também depende delas.

Como a mutação está presente no cromossomo X, um homem pode possuir a condição, mas não pode passar para os filhos homens, já que quem passa o cromossomo X para os descendentes homens é sempre a mulher.

O pai ainda pode passar a condição para uma filha mulher, já que quando a criança é do sexo feminino, um cromossomo X veio de cada um dos pais.

Quando a síndrome de Alport afeta um homem ela costuma ser severa, causando forte insuficiência renal. Entretanto, na maioria das vezes em que afeta uma mulher, o único sintoma é o sangue na urina e não há insuficiência renal. Isso se deve ao fato de que a mulher possui outro cromossomo X para fazer o trabalho do primeiro.

Existem casos, entretanto, em que a mulher pode apresentar insuficiência renal severa, caso os dois pais possuam a mutação e passem ela para a criança.

Doença de Fabry

Também de causa genética, a doença de Fabry é rara, hereditária e também afeta o cromossomo X. Esta doença causa deficiência ou ausência da produção do lisossomo Alfa-Galactosidase A. Graças a falta desta enzima, acontece acúmulo de globotriaosilceramida, um tipo de gordura, em muitas células do corpo. Entre elas, as renais.

A doença pode causar comprometimento dos vasos sanguíneos e levar à morte, pois afeta diversas regiões do corpo, causando danos severos nos rins no decorrer do tempo, além de poder levar a infartos do miocárdio e a acidente vascular cerebral (AVC). A doença é rara, estima-se que afete 1 a cada 40 mil nascidos vivos.

Outras causas

Além desses tipos, as seguintes doenças e condições podem causar glomerulonefrite secundária:

  • Diabetes;
  • Lupus;
  • Amiloidose;
  • Síndrome de Goodpasture;
  • Poliarterite nodosa;
  • Granulomatose de Wegener;
  • Púrpura de Henoch-Schönlein;
  • Endocardite bacteriana.

Grupos e fatores de risco

Qualquer um pode desenvolver uma glomerulonefrite, porém alguns grupos possuem maior risco. São eles:

Portadores de diabetes

A diabetes aumenta as chances de se desenvolver a glomerulonefrite. Isso acontece porque uma das possíveis consequências da diabetes é a lesão de pequenos vasos sanguíneos. Isso afeta diversos órgãos, inclusive os rins, causando a chamada nefropatia diabética. Entre os vasos danificados estão os dos glomérulos, o que causa glomerulonefrite e dificulta a filtragem do sangue.

Hipertensão arterial

A hipertensão arterial é um caso curioso. Ela pode causar e ser causada por problemas nos rins. Entretanto falaremos aqui de como ela causa a glomerulonefrite.

Com maior pressão arterial, o coração faz mais força para bombear o sangue pelo corpo e as artérias podem ser danificadas. Tanto as grandes artérias quanto as pequenas arteríolas. São estas, que fazem parte dos glomérulos, que causam a glomerulonefrite secundária a hipertensão arterial.

Uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios

Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, especialmente os não esteróides, são filtrados pelos rins e causam danos aos glomérulos.

Portadores de doenças autoimunes

Doenças autoimunes, como é o exemplo da lúpus, são condições que fazem com que o sistema imunológico da pessoa ataque células saudáveis do próprio corpo.

A síndrome de Goodpasture, por exemplo, causa destruição rápida das células dos rins e ataca os pulmões. A poliarterite nodosa causa uma reação autoimune que leva a inflamação de artérias de médio e pequeno porte.

Diversas outras doenças autoimunes possuem o efeito de danificar os glomérulos.

Portadores de amiloidose

A amiloidose é uma doença que faz com que haja acúmulo de proteínas nos tecidos do corpo, incluindo os rins, danificando os órgãos. Ela pode ter origem genética ou em inflamações.

Sintomas

A grande maioria dos casos de glomerulonefrite aguda nem chega a apresentar sintomas. Isso acontece porque a condição aguda costuma passar antes que haja tempo para que eles surjam, e poucos glomérulos — do milhão deles — são afetados. Quando os sintomas se manifestam, a maior parte deles não causa grandes incômodos, mas são bastante notáveis.

Já a glomerulonefrite crônica pode demorar anos para mostrar sinais, mas eventualmente eles serão notados já que a condição sempre volta ou nunca vai embora. O resultado é que nesses casos os sintomas chegam acentuados e a insuficiência renal pode se mostrar presente. Os sinais da doença são:

Proteinúria

A proteinúria é a eliminação de proteínas através da urina. Normalmente elas não passam pelos glomérulos, mas quando existe a glomerulonefrite (especificamente na síndrome nefrótica), elas conseguem atravessar a barreira e aparecem na urina. É possível ver que há proteína na urina pois ela faz muita espuma.

Hematúria

É possível perceber a hematúria pela cor da urina, que fica rosada ou marrom. A hematúria é a perda de sangue através da urina e acontece quando células sanguíneas conseguem atravessar a membrana de filtragem dos glomérulos.

Edema

Devido a problemas de filtragem nos glomérulos, o sangue pode apresentar acúmulo de eletrólitos, que são essenciais para várias funções do organismo. Esse desequilíbrio pode causar edemas.

Eles são inchaços devido a acúmulo de líquido e podem acontecer nos pés, pernas, abdômen e rosto. Este costuma ser o primeiro sintoma a se manifestar e pode ser notado no rosto pela manhã, por exemplo.

Hipertensão arterial

Devido a problemas de filtração ou de controle de volemia (o volume do sangue, que é regulado pelos rins) a glomerulonefrite pode causar hipertensão arterial.

Fadiga

A fadiga, ou cansaço, é um sinal de que os rins não estão trabalhando bem o suficiente. É um dos primeiros sinais da insuficiência renal, uma complicação possível da glomerulonefrite.

Sinais de alerta

A glomerulonefrite rapidamente progressiva merece uma atenção especial, pois ela é mais perigosa do que as outras devido a sua ação rápida. Ela progride em poucos meses para todos os glomérulos, causando insuficiência e falência renal.

Caso entre seus sintomas estejam fadiga, náuseas, febre, dores abdominais e dores nas juntas, além de coceira e falta de apetite, procure um médico. Estes sintomas podem surgir de maneira rápida e devem ser levados a sério.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da glomerulonefrite é feito pelo médico nefrologista (especialista responsável pelos rins), a partir de alguns exames. São eles:

Exame de urina

O exame de urina busca encontrar proteínas, sangue, glicose e outros materiais que possam indicar problemas no funcionamento do corpo. No caso da glomerulonefrite, busca-se sinais de sangue ou proteína, que indicam o problema nos glomérulos.

Clearance de creatinina

Clearance de creatinina é um exame que analisa a filtragem do sangue com base na creatinina presente na urina. Este material não interfere no funcionamento do corpo, mas é um bom indicador de quão eficiente está o trabalho dos rins.

Exame de sangue

Através do exame de sangue é possível descobrir a concentração de toxinas no sangue. Esse é um sinal de que os rins não estão funcionando direito e deve ser investigado.

Biópsia renal

Durante uma biópsia renal, um pedaço do órgão a ser examinado (no caso do rim) é retirado e observado em laboratório, no microscópio, em busca de sinais de dano. Através da biópsia é possível identificar danos e inflamações nas estruturas microscópicas, como é o caso dos glomérulos.

Enquanto os exames de urina e sangue são excelentes indicadores de problemas renais, eles não são tão precisos para o diagnóstico quanto a biópsia, que pode identificar exatamente onde se encontra o problema.

Tem cura?

Sim, na maioria das vezes a glomerulonefrite tem cura. Entretanto isso depende da causa, e o tratamento, na maioria dos casos, é muito importante para garantir uma qualidade de vida maior.

Qual o tratamento?

Quando a glomerulonefrite é focal, ou seja, afeta uma quantidade pequena dos glomérulos, o tratamento pode nem ser necessário. Com poucos glomérulos afetados, as consequências para o corpo são mínimas e ele costuma poder curar as lesões.

Da mesma forma, os casos de glomerulonefrite pós-infecciosa costumam se resolver de maneira espontânea.

Entretanto, às vezes, pode ser preciso realizar tratamentos. Nesse caso, as opções dependem da causa. Além disso, um dos principais focos do tratamento é proteger os glomérulos saudáveis e garantir espaço e tempo para a cicatrização e regeneração dos danificados.

Entre as opções de tratamento estão as seguintes:

Anti-inflamatórios e imunossupressores

Nos casos em que a condição acontece por conta de reação autoimune, anti-inflamatórios e imunossupressores são os medicamentos indicados. Eles servem para reduzir a atividade do sistema imunológico que afeta os glomérulos e a inflamação deles.

É importante lembrar que o uso errado de anti-inflamatórios pode piorar a situação dos rins.

Controle da pressão arterial

Quando a glomerulonefrite é causada por hipertensão arterial, o controle desta é necessário para que não haja mais danos aos glomérulos e para que as lesões sejam curadas. Para isso, medicamentos podem ser usados.

Além disso, a alimentação é um dos principais aliados daquele que deseja reduzir a pressão arterial. Às vezes apenas o reequilíbrio alimentar basta para melhorar a saúde renal. É necessário reduzir o sal, a gordura e o álcool na dieta.

Controle da diabetes

Quando o paciente é portador de diabetes, ela pode ser a causa dos danos renais. O controle da condição é extremamente importante através dos medicamentos necessários, acompanhamento médico e redução severa da quantidade de açúcar ingerido na dieta.

Hemodiálise

A hemodiálise é a filtração artificial do sangue. É um tratamento usado quando os rins estão em um estado grave de insuficiência. A insuficiência renal é uma complicação severa que pode ser decorrente da glomerulonefrite.

Transplante de rim

Quando o rim é muito danificado pela condição, o transplante pode ser necessário. Os casos em que isso acontece são raros, mas quando o rim não funciona, o transplante pode ser viável e, apesar dos riscos de rejeição, resolve, a princípio, o problema da glomerulonefrite.

O transplante só é necessário em casos específicos quando os rins chegam em um estado de insuficiência extrema.

Medicamentos

Alguns medicamentos podem ser usados para o controle de glomerulonefrite, especialmente quando a condição possui causas autoimunes. São eles:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Conviver com a glomerulonefrite envolve cuidar de seus rins, evitando que eles sofram mais, e reduzir o número de toxinas ingeridas.

Alimente-se bem

Evitar e reduzir sódio, gorduras, carnes gordas, álcool e proteínas diminui o trabalho necessário da parte dos rins. Caso haja insuficiência renal, diminuir a quantidade desses alimentos irá reduzir a quantidade de toxinas que os rins precisam filtrar, evitando assim acúmulos perigosos no corpo.

Beba menos água

Sei que soa estranho. A recomendação de saúde padrão é beber mais água, porém, nos casos de insuficiência renal crônica, beber água demais só vai colocar o rim em maior estresse, causando mais danos e podendo levar a falência renal com o decorrer do tempo.

A quantidade de água necessária por dia pode ser indicada pelo médico após o exame de clearance de creatinina, mas a princípio, deve-se beber 600mL de água + o volume de urina diário.

No caso de uma pessoa que faz em torno de 500mL de urina por dia, deve-se beber 1100mL diários. Os números podem mudar de acordo com a alimentação e a rotina de exercícios — ou falta de exercícios — da pessoa, portanto o indicado é receber as recomendações do médico.

Evite açúcar

Especialmente quando a doença é causada por diabetes, evitar o açúcar pode ajudar seu rim a se recuperar, evitando que ele sofra mais danos.

Hemodiálise

Quando necessário, compareça sempre para a hemodiálise. Se seus rins não são capazes de fazer a filtragem do sangue por si só, o processo é importantíssimo e faltar pode causar sérios problemas na saúde.

Prognóstico

Na maioria dos casos o diagnóstico de glomerulonefrite aguda não é perigoso e a condição pode desaparecer sozinha. Mesmo nas vezes em que ela precisa de tratamento, a tendência é que haja cura completa com o tratamento correto.

Crianças possuem maior facilidade de lidar com a glomerulonefrite aguda. Apenas 1% dos casos evolui para doença renal crônica. No caso de adultos isso acontece com 10% dos pacientes.

Nos casos em que a glomerulonefrite aguda se transforma em crônica, a cura não vem tão fácil e o acompanhamento médico é muito importante, especialmente se a condição evoluir para uma insuficiência renal, pois a realização de hemodiálise pode ser necessária.

O prognóstico também depende do tipo de glomerulonefrite, da idade do paciente e do tempo que o diagnóstico leva para ser feito.

Por exemplo, a nefropatia por IgA costuma ter um desenvolvimento lento, levando até 20 anos para causar insuficiência renal. Já a glomerulonefrite rapidamente progressiva primária pode inutilizar um rim em apenas 6 meses, o que é perigoso já que os sintomas podem ser ignorados ou nem aparecerem durante boa parte desse tempo.

Complicações

A glomerulonefrite possui algumas complicações. São elas:

Insuficiência renal

Essa é uma das principais e mais perigosas complicações da glomerulonefrite.

Com a insuficiência renal, o rim perde parte sua capacidade de filtrar o sangue. Caso não seja tratada, as toxinas que o órgão deveria filtrar começam a se acumular no corpo, levando a problemas em outros órgãos e até à morte, especialmente quando a insuficiência é severa ou evolui para falha renal.

Os danos renais podem ser bastante problemáticos e, além de se buscar um médico, cuidados com a alimentação podem ser necessários para ajudar o tratamento.

A fadiga é um dos primeiros sinais, que também pode acompanhar falta de apetite, problemas para dormir, náusea e coceira.

Hipertensão arterial

Da mesma forma como os problemas de pressão arterial podem causar glomerulonefrite, a doença renal pode levar a hipertensão arterial.

Os rins são responsáveis por diversas coisas no corpo. Entre elas, a volemia, que é o controle do volume do sangue em determinadas regiões. Com a volemia danificada, a pressão arterial pode ficar descontrolada em algumas partes do sistema sanguíneo.

Anemia

A perda de sangue através da urina, se prolongada e não tratada, pode causar a anemia no paciente, que perde várias células sanguíneas.

Como prevenir

A prevenção da glomerulonefrite pode ser complicada já que a maioria das causas são autoimunes. Entretanto existem medidas que se pode tomar para evitar a condição.

Alimentação

Alimentar-se de maneira correta diminui as chances de hipertensão e diabetes e, por tabela, reduz os riscos do desenvolvimento da glomerulonefrite. Portanto comer pouco sódio, gorduras e açúcares é indicado para prevenir a condição, assim como outras doenças.

Controle de medicamentos

Tomar medicamentos apenas quando e como indicado pelo médico é importante. No caso da glomerulonefrite, os anti-inflamatórios aumentam os riscos, por isso é preciso ter cuidado com eles.

Uso de preservativos

Entre as causas da glomerulonefrite está a sífilis e hepatite. Estas doenças são sexualmente transmissíveis e podem ser evitadas com o uso do preservativo durante o sexo.

Evitar seringas usadas

Hepatites também podem ser contraídas através de seringas usadas, já que elas podem passar através do sangue. Ficar longe de seringas que foram usadas por outras pessoas que possam ter alguma hepatite é um meio de garantir que a doença seja transmitida, reduzindo as chances de uma nefrite.

Tratamento de infecções

Muitos casos de glomerulonefrite começam após infecções. Tratá-las de maneira adequada, seguindo as orientações do médico e tomando os antibióticos de acordo com as instruções médicas é muito importante para eliminar a infecção.

Após este tipo de tratamento, recomenda-se observar com cuidado qualquer possível alteração urinária.

Não fumar

Fumar também aumenta as chances de hipertensão, além de ser um grande risco para a saúde do corpo inteiro. Parar de fumar é muito importante para garantir uma qualidade de vida maior e uma vida mais saudável como um todo.


A glomerulonefrite é uma doença que costuma passar sozinha, mas se não for tratada quando necessário pode causar sérios problemas para o paciente.

Lembre-se de mostrar este texto para seus amigos, eles podem se interessar em aprender mais sobre os próprios rins!

Fontes consultadas

  • Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP
  • National Kidney Foundation
  • Síndrome nefrótica primária em adultos – Revista HCPA

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Editor Médico

Dr. Paulo Caproni

CRM/PR 27.679

Graduado em Medicina pela PUCPR. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP. MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde pela FGV.

Farmacêutica Responsável

Dra. Francielle Mathias

CRF/PR 24612

Farmacêutica generalista, com Mestrado em Ciências Farmacêuticas, ambos pela Unicentro. Doutorado em Farmacologia pela UFPR.

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