Imagine que você deseja melhorar sua saúde, reduzir algumas medidas e ganhar mais disposição física.

Uma das primeiras coisas que vem à mente é começar ou intensificar as atividades físicas, talvez iniciar alguma aula de academia, dessas que estão sendo comentadas em blogs de fitness, como Crossfit ou HIIT.

Atualmente, as novidades na área de saúde e academia não param de chegar. Modalidades que misturam dança, luta, musculação, exercícios aeróbicos e muito condicionamento físico têm se popularizado. Sobretudo aquelas de alta intensidade – em que é preciso muito fôlego e condicionamento para acompanhar.

Ainda que praticar exercícios físicos regularmente seja recomendado e altamente benéfico, existem alguns perigos que envolvem as atividades e nem sempre são conhecidos.

Após iniciar as aulas, imagine que você sofreu alguma lesão muscular. Pode ser por realizar o movimento de forma incorreta, levantar mais peso do que o corpo aguenta (exaustão muscular) ou por ter acontecido uma batida (algum equipamento caiu sobre você).

As lesões causadas pelas atividades físicas podem ser bastante inconvenientes, provocar dores prolongadas, necessitar de sessões de fisioterapia e até medicamentos.

Mesmo que chata, a condição é relativamente comum nas academias ou entre os praticantes de atividades externas, como corridas ou remo.

Ainda mais grave é quando essa lesão muscular acarreta na rabdomiólise, uma condição em que as fibras musculares acabam liberando o conteúdo intracelular para a corrente sanguínea.

A rabdomiólise causada por atividades físicas ainda é bastante rara. Entre as causas possíveis estão também doenças degenerativas e acidentes, como desabamentos, quedas e acidentes (que resultam no esmagamento da vítima).

No entanto, alguns estudos têm apontado uma leve acentuação nos casos causados pela lesão muscular pelos esportes.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é a rabdomiólise?
  2. Processo químico da rabdomiólise
  3. Causas
  4. Infecção na rabdomiólise
  5. Grupos de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Exames
  9. Tem cura?
  10. Tratamento
  11. Medicamentos
  12. Convivendo
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como Prevenir?
  16. Rabdomiólise e crossfit
  17. Perguntas frequentes
  18. Curiosidades

O que é a rabdomiólise?

A rabdomiólise é uma síndrome grave que se desenvolve quando há uma lesão muscular seguida da morte do tecido muscular esquelético (necrose muscular), que faz com que as substâncias intracelulares sejam liberadas no sangue.

Isso causa alteração nos valores de cálcio e Adenosina Trifosfato (ATP), responsável pelo armazenamento de energia, fazendo com que o músculo se contraia de modo prolongado e persistente.

Para se contrair, o músculo necessita de energia, mas como a atividade é exagerada, as reservas energéticas se esgotam, causam a produção de radicais livres que são liberados para o sangue e agravam a lesão muscular.

O resultado é que o tecido começa a necrosar, ou seja, morrer.

Mas as lesões não precisam ser necessariamente machucados. Apesar de haver um recente aumento dos casos observados em praticantes de atividades de alta intensidade, a síndrome pode ser originada por crises convulsivas, consumo de drogas ou infecções.

O nome da condição vem de destruição da musculatura estriada. Onde rabdo = estriada, mio = musculatura e lise = destruição.

Quando há uma lesão muscular e o tecido sofre uma necrose, o conteúdo das células é enviado para a circulação sanguínea. Entre as substâncias liberadas está a mioglobina que pode provocar danos ao organismo, sobretudo aos rins.

Os sintomas podem envolver fraqueza muscular, coloração escura da urina, dores de cabeça, dor muscular (mialgia) e lesão renal aguda (LRA) causando a insuficiência dos rins.

Em alguns casos, não há manifestação de sintomas representativos. Nos quadros mais graves, a rabdomiólise pode acarretar na insuficiência renal aguda, aumento de enzimas musculares, necessidade de fazer hemodiálise e até riscos à vida.

Processo químico da rabdomiólise

Há 3 tipos de tecido muscular no corpo:

  • Liso: músculos do estômago e intestino, por exemplo;
  • Cardíaco: músculo do coração;
  • Esquelético: músculo que recobre o esqueleto.

Enquanto os 2 primeiros fazem movimentos involuntários (ou seja, não dependem da nossa vontade para realizar as contrações), apenas o esquelético faz movimentações voluntárias.

Os músculos esqueléticos estão presos aos ossos e recobrem todo o esqueleto, compreendendo a maior parte da nossa musculatura. A parte interna do músculo é composto de fibras muito finas capazes de se contrair (chamadas de miofibrilas).

É a partir de lesões na musculatura esquelética que ocorre a rabdomiólise.

Os processos químicos que ocorrem com a rabdomiólise são diversos, mas em resumo, após um stress intenso há uma elevação acentuada na concentração de cálcio no tecido muscular lesionado.

Essa elevação promove a manifestação de diversos eventos, como as alterações de potássio e sódio, que ativam enzimas degradativas, causando danos graves ao músculo.

Causas

As causas da rabdomiólise são sempre originadas por lesão muscular, podendo ser de origem física ou química (como esmagamentos ou uso de drogas).

Depois que o músculo é lesionado, ocorre a necrose das fibras musculares e o conteúdo interno das células é liberado na circulação sanguínea.

Entre as substâncias transferidas para o sangue estão o sódio, potássio, cálcio e fosfatos (eletrólitos), as proteínas do músculo (creatinoquinase e a aspartato aminotransferase) e as mioglobinas (que transportam e armazenam oxigênio).

Quando a mioglobina entra em contato com alguns órgãos, sobretudo os rins, pode provocar danos ao organismo.

A síndrome tem uma incidência pouco frequente e estudos apontam as causas como multifatoriais. Ou seja, há condições do próprio organismo, do ambiente ou interferências químicas externas que podem acarretar na condição.

Esforços físicos

Apesar de ser uma causa ainda pouco frequente, observa-se que a rabdomiólise associada à prática de atividades físicas tem aumentado.

A condição pode ser decorrente de esforço físico exagerado, extrema fadiga muscular, levantamento de peso excessivo ou a exigência muscular acima do condicionamento.

Se as atividades forem praticadas em dias muito quentes, ambientes abafados, úmidos ou sob o sol, os riscos são elevados.

Traumas

Ainda que as lesões que ocorrem na academia, como distensões do músculo, sejam os traumas musculares mais lembrados, há situações mais abrangentes, como são as catástrofes naturais (terremotos), desabamentos ou acidentes de carro.

Essas situações provocam um impacto severo no corpo e, consequentemente, geram a lesão das fibras musculares, que podem evoluir para a rabdomiólise.

Ainda é possível que a doença seja ocasionada por uma imobilização muscular prolongada, que compromete a irrigação sanguínea (isquemia).

Esses são casos em que a pessoa passa longos períodos na mesma posição ou possui alguma patologia ortopédica que comprime o músculo e diminui a circulação de sangue.

A falta de oxigênio e nutrientes ocasionada pela redução do fluxo sanguíneo ao músculo e promove lesões e necrose do tecido.

Temperaturas elevadas

Elevar ou resfriar a temperatura corporal drasticamente pode ocasionar a rabdomiólise.

Ao praticar atividade físicas em condições climáticas extremas (tanto frias demais quanto quentes demais) ou sob o sol eleva os riscos de lesão muscular.

A insolação também predispõe o paciente à síndrome, pois a temperatura corporal fica acima de 40,5º e pode desencadear a rabdomiólise. Assim como os episódios de hipotermia que geram a isquemia (diminuição da irrigação sanguínea) dos tecidos.

Miopatias metabólicas

As miopatias (doenças que atingem os músculos) metabólicas são causadas pela deficiência ou incapacidade dos músculos em produzir ou utilizar corretamente as fontes de energia.

Os quadros se desenvolvem com intolerância às atividades físicas, pois há uma intensa fadiga e fraqueza muscular.

Como os músculos são mais fragilizados, mesmo os pequenos esforços físicos podem causar lesões musculares.

Doenças infecciosas

Segundo levantamentos do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, em Portugal, as doenças infecciosas são a principal causa de rabdomiólise em crianças.

Geralmente, há quadros infecciosos associados. Sendo uma possível causa para desencadear a síndrome.

Entre as infecções relacionadas à rabdomiólise estão a contaminação pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta os pulmões e os brônquio. Geralmente causando pneumonias e inflamação dos bronquíolos.

Além disso, as infecções pulmonares causadas pelo agente Streptococcus viridans e também pelo Haemophilus influenzae, podem favorecer a rabdomiólise. Essas bactérias causam doenças como meningite, pneumonia e faringite, por exemplo.

Quando agentes infecciosos invadem o organismo, eles podem provocar a destruição do tecido muscular, a produção de substâncias tóxicas que atacam o corpo ou uma alteração das respostas imunológicas, levando à necrose do músculo.

No entanto, alguns pesquisadores ressaltam, em artigos publicados na Acta Médica Portuguesa (revista científica da Ordem dos Médicos) que a relação entre as infecções e a rabdomiólise ainda não é completamente esclarecida.

Doenças metabólicas

As doenças que podem estar associadas e proporcionar maiores riscos à rabdomiólise são:

  • Distúrbios hereditários do metabolismo de carboidratos;
  • Deficiências de enzimas da cadeia respiratória mitocondrial;
  • Distúrbios da oxidação de ácidos graxos (deficiência de VLCAD);
  • Deficiência de carnitina-palmitoil.

Abuso de álcool e drogas e outras substâncias

Nos casos das drogas, existem duas condições que favorecem a rabdomiólise, sendo uma de causa direta e outra indireta.

Diretamente, as drogas (incluindo as lícitas ou ilícitas, como álcool, medicamentos, LSD e cocaína) podem agir diretamente nas fibras musculares, prejudicando o funcionamento celular e aumentando os riscos de necrose e liberação da mioglobina na corrente sanguínea.

Entre as substâncias listadas capazes de desencadear a doença, estão:

  • Álcool;
  • Metanol (utilizado em cosméticos, perfumaria, medicamentos, por exemplo);
  • Etilenoglicol e isopropanol (geralmente utilizadas como combustível e solventes automotivos);
  • Heroína e metadona (substância semelhante à heroína, porém com menor efeito);
  • Cocaína, barbitúricos, anfetaminas, MDMA (Ecstasy), LSD;
  • Monóxido de carbono;
  • Tolueno (utilizado em colas e tintas, além de ser matéria-prima de esmaltes, corantes, medicamentos e produtos de limpeza).

Além disso, há intoxicações que estão relacionadas também:

  • Coturnismo (envenenamento causado pelo consumo de aves codornizes);
  • Intoxicação pelo peixe búfalo (doença de Haff);
  • Ataque ou picadas de serpentes, aranha viúva negra e abelhas.

Indiretamente, o uso exagerado de drogas pode causar a perda de equilíbrio, desmaios e batidas que promovem as lesões musculares.

Por exemplo, são relatados casos em que a rabdomiólise é ocasionada por desmaios devido ao consumo exagerado de álcool. O desmaio, nesses casos, comprimiu a irrigação sanguínea para o músculo e iniciou a lesão.

Medicamentos

Segundo um estudo na área de nefrologia do Hospital Central do Funchal, em Portugal, diversas substâncias podem auxiliar no desencadeamento da rabdomiólise.

As estatinas, como a Sinvastatina, Atorvastatina e Rosuvastatina, são medicamentos usados por uma significativa parcela da população a fim de reduzir o colesterol. No entanto, é também a substância que mais causa a rabdomiólise entre os casos relacionados com o uso de substâncias químicas.

Majoritariamente, há presença de fraqueza e dor muscular junto com a elevação das taxas de creatinina-fosfoquinase (uma enzima presente em diversos tecidos, mas principalmente no muscular, com função de estocar creatina fosfato e produzir ATP).

São levantadas hipóteses sobre como as estatinas causam a lesão muscular. Apesar de muitos autores e médicos admitirem a relação entre a utilização de alguns medicamentos e a indução da rabdomiólise, as causas ainda são debatidas e permanecem inconclusivas.

Estima-se que os casos fatais de rabdomiólise causada pelas estatinas seja de até 3 casos a cada 1 milhão de diagnósticos.

Outras substâncias capazes de desencadear a doença são:

  • Inibidores da HMG CoA redutase: geralmente utilizados para reduzir o colesterol;
  • Fibratos: geralmente empregados para controlar os triglicerídeos;
  • Antihistamínicos: antialérgicos;
  • Salicilatos: normalmente utilizados para dor, febre e inflamação;
  • Cafeína;
  • Neurolépticos: tranquilizantes geralmente empregados em casos de esquizofrenia e manias;
  • Anestésicos: se o paciente possuir predisposição à hipertermia maligna (sensibilidade ao uso de anestésicos e relaxantes musculares);
  • Anfotericina B: antibiótico;
  • Corticoides;
  • Teofilina: antiasmático usado em doenças respiratórias;
  • Antidepressivos tricíclicos;
  • Ácido aminocapróico: utilizado em pós cirúrgicos ou casos hemorrágicos.

Alterações eletrolíticas

Desregulações de potássio, fosfato e sódio no organismo podem causar ou desencadear a rabdomiólise.

Quando os níveis de fosfato no organismo ficam abaixo do normal, a condição é chamada hipofosfatemia, que pode ser desencadeada pela carência de vitamina D e problemas renais, por exemplo.

Em geral, a baixa da substância está mais associada à rabdomiólise se o paciente consumir álcool com frequência ou possuir uma lesão muscular de causa externa (por exemplo, uma queda ou um esforço exagerado capaz de machucar o músculo).

Já a hipocalemia se refere à redução de potássio no sangue. A condição geralmente é causada por vômitos, diarreia ou eliminação excessiva de potássio pela urina.

Os primeiros sinais da carência de potássio se manifestam através de fraqueza muscular, câimbras e alteração do ritmo cardíaco.

O sintoma de enfraquecimento muscular é ocasionado pela falta de oxigênio no tecido. Com pouca oferta de oxigênio, as chances de ocorrer lesões durante a prática de atividades físicas são aumentadas.

Além disso, o sódio em desequilíbrio também representa risco à rabdomiólise. A condição é denominada hiponatremia e se caracteriza quando o organismo retém muito líquido e reduz as taxas de sódio sanguíneo.

Essas alterações provocam desregulações sanguíneas e afetam a oferta de nutrientes e oxigênio aos músculos, favorecendo lesões e propiciando a rabdomiólise.

Infecção na rabdomiólise

Os diagnósticos realizados em crianças estão mais associado às infecções, que pode sem por vírus, bactérias, fungos ou outros parasitas. Mas a incidência em adultos também é alta.

Até o mês de abril de 2018, o Brasil registrou 286 casos de gripe e 41 mortes. Mas o que o vírus da gripe tem a ver com a rabdomiólise?

Os vírus influenza A e B, além de serem responsáveis por grandes pandemias, incluindo uma recente, em 2009, são também um umas das causas mais frequentes de rabdomiólise de origem infecciosa.

Isso ocorre porque o vírus infecta o tecido muscular e pode formar miotoxinas nele, causando a destruição muscular. Há, então, a liberação do conteúdo intracelular na corrente sanguínea.

Já as infecções causadas por bactérias podem agir de dois modos: atingindo diretamente os músculos (pela ação da bactéria, ou causando respostas no organismo (por exemplo, promovendo a produção de toxinas que afetam os músculos).

As infecções bacterianas mais comuns à rabdomiólise são:

  • Legionella Pneumophila é uma bactérias que causa a Doença de Legionários, um infecção respiratória grave que pode acarretar em morte.
  • A bactéria Streptococcus possui várias espécies e pode causar doenças variadas, entre elas faringite, meningite, sinusite, doenças suprarrenais e pneumonias, por exemplo.
  • A salmonella é mais associada aos ovos, mas pode estar presente na carne de frango também. Os sintomas associados são diarreia, vômitos e náuseas.

Há ainda a bactéria Francisella tularensis, que causa a tularemia, popularmente chamada de febre do coelho. A transmissão ocorre através de carrapatos e pode causar dor de garganta, dor abdominal, diarreia, vômito, tosse e dificuldades respiratórias.

Grupos de risco

Ainda que a rabdomiólise não seja comum, estudos têm apontado uma elevação de casos rabdomiólise recente.

Pode-se atribuir esse aumento, entre outros fatores, à popularização de atividades físicas de alta intensidade, sobretudo em aulas de academia.

Os alunos nem sempre estão condicionados para exigir tanto dos músculos. Sem um início moderado e o aumento gradual dos exercícios, as lesões são favorecidas, podendo acarretar na rabdomiólise.

Alguns aspectos podem favorecer a doença são:

  • Atletas que realizam atividades sob o sol;
  • Praticantes de atividades físicas que consomem álcool e outras drogas;
  • Trabalhadores expostos ao sol;
  • Iniciantes em atividades físicas;
  • Pessoas que exigem demais do corpo sem o devido acompanhamento profissional;
  • Atletas ou esportistas que mantêm uma má nutrição e hidratação;
  • Pessoas e esportistas que sofrem uma lesão muscular e não respeitam o tempo de recuperação.

Sintomas

Os sinais e sintomas mais frequentes da rabdomiólise são dor muscular (mialgia), redução ou perda de força muscular (astenia) e a coloração escura da urina (causada pela presença de mioglobina na urina).

As dores musculares não estão sempre presentes, mas geralmente acometem as coxas, ombros e os músculos das nádegas.

Em geral, a fraqueza e fadiga muscular, náuseas, taquicardia e confusão mental podem aparecer quando a lesão muscular se agrava.

Como é feito o diagnóstico?

Os sintomas clínicos, como a dor nos músculos e a urina escurecida, são fatores indicativos da rabdomiólise.

Nos casos em que houver trauma, lesões musculares ou machucados, o médico pode realizar um teste físico para avaliar a sensibilidade da região. No entanto, o diagnóstico é confirmado através de exames laboratoriais.

Os profissionais médicos mais indicados para o diagnóstico e tratamento são o clínico geral, cirurgião geral e ortopedista, além de especialistas em traumatologia e fisioterapeutas.

Exames

Apesar da observação clínica envolver alguns sintomas bem marcados, como a cor escura da urina e as dores musculares, é necessário confirmar o diagnóstico com a realização de exames laboratoriais.

Creatina-fosfoquinase sérica (CK)

O exame coleta uma amostra de sangue e analisa as concentrações da creatina-fosfoquinase, que é uma enzima utilizada nas funções musculares.

O exame é bastante específico para diagnosticar lesões musculares, pois após ocorrer qualquer tipo de dano aos músculos, as taxas de creatina quinase ficam elevadas no sangue.

As taxas de CK sobem entre 12 e 24 horas após ocorrer um machucado no tecido muscular. Em geral, até o terceiro dia costuma ocorrer o pico dos níveis da substância.

Aldolase e Anidrase carbônica

Quando o exame de creatina-fosfoquinase se mostra muito elevado, a aldolase e a anidrase carbônica ajudam a compor a interpretação dos resultados. Se os resultados forem altos, há grandes indicativos de lesão ou ruptura muscular.

Mioglobina sérica e urinária

A medição da mioglobina pode ser feita em amostras de sangue (sérica) ou de urina, através de coletas tradicionais.

No entanto, o exame de urina pode não especificar a mioglobina, hemoglobina ou eritrócitos no sangue, o que torna o exame pouco específico para a rabdomiólise.

Se o exame demorar alguns dias para ser realizado, a mioglobina pode ter se estabelecido novamente, pois, se não houver comprometimento dos rins, geralmente há uma rápida filtragem do sangue e eliminação da substância pela urina.

Outros exames complementares

Ainda pode ser requisitado pelo médico exames toxicológicos, para detectar a o consumo de drogas ou medicamentos que favoreçam a rabdomiólise, biópsia muscular, taxas de potássio, cálcio e sódio, além de testes que analisam a suficiência renal e cardíaca.

Tem cura?

Sim. A condição, na maioria das vezes, se desenvolve bem e não acarreta em complicações.

Os casos que colocam a vida do paciente em risco são pouco frequentes e estão normalmente associados com outras condutas agravantes, como o uso de drogas ou condições infecciosas.

Tratamento

Em geral, o quadro é tratado visando estabilizar o paciente através da hospitalização.

A intervenção terapêutica depende do estado do paciente. Mas geralmente são ministrados soros endovenoso, para hidratar o organismo.

Se não for de causa aparente (como lesões musculares), é preciso investigar a causa da rabdomiólise, pois pode envolver disfunções ortopédicas desconhecidas que comprimam a circulação sanguínea.

O tratamento segue com:

Hidratação e reposição de fluidos

A hidratação é a medida mais imediata do tratamento, seguida da verificação e correção de distúrbios eletrolíticos, como o potássio, cálcio e sódio.

Se o paciente apresentar redução na produção de urina, a hidratação deve ser intensificada, podendo chegar à aplicação de até 1,5 litro de soro por hora.

O soro auxilia no trabalho de filtragem renal, fazendo com que o órgão elimine mais rapidamente as substâncias irregulares do sangue, como a mioglobina.

Como há uma tendência do paciente estar acumulando líquido, pode ser necessário a utilização de diuréticos.

Hemodiálise

Complicações que envolvem acometimento dos rins são mais graves e podem necessitar de uma terapia mais intensiva, recorrendo ao tratamento com hemodiálise.

A terapia é para limpar o sangue e estabilizar as taxas do organismo. Para isso, o sangue do paciente é encaminhado para uma máquina que atua como um rim externo. Ao fazer a filtragem sanguínea, imediatamente, o sangue retorna ao corpo.

Em geral, a terapia é temporária, mas pode ser necessário prolongar as sessões devido às lesões e insuficiência renal.

Medicamentos

O soro para hidratar intensamente o organismo é o principal medicamento utilizado. Alguns casos necessitam de medicamentos à base de bicarbonato de sódio e diuréticos.

Quando a produção de ácidos úricos está elevada, pode ser administrado alopurinol, a fim de estabilizar o quadro.

Se houver redução da urina, pode ser necessário provocar uma diurese, utilizando manitol, um medicamento que estimula a produção de urina.

Há debates sobre a eficácia da utilização de diuréticos do tipo manitol como terapia, sendo que, antes, a substância era bastante empregada como diurético quando ocorriam intoxicações. Atualmente, sugere-se que a intervenção pode reduzir os casos de insuficiência crônica em alguns casos de rabdomiólise, beneficiando o paciente.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Em geral, a rabdomiólise evolui bem se for diagnosticada e tratada rapidamente.

Como a síndrome pode ser resultado de uma lesão, o paciente pode prosseguir com dores e dificuldades de movimentação. Portanto, fazer sessões de fisioterapia e reabilitação auxiliam na redução da dor e trazem mais bem-estar.

A medida visa apenas recuperar o tecido muscular, sem impactar nas complicações da doença.

Quando houver comprometimento dos rins, mudanças na alimentação pode reduzir os impactos ao organismo. É indicado a consulta com o nutricionista a fim de estabelecer um plano alimentar adequado e indicações sobre o consumo de líquidos.

A adoção de atividades físicas de menor impacto também pode ser eficaz após quadros de rabdomiólise. Entre elas, as aulas de alongamento, yoga, pilates e relaxamento.

Prognóstico

Se não houver complicações, a rabdomiólise é rapidamente amenizada. Em alguns dias ou semanas os sintomas e disfunções orgânicas reduzem e desaparecem.

As funções renais são restabelecidas na maior parte dos pacientes que apresentaram algum nível de insuficiência ou lesão renal. Mesmo quando são prescritas sessões de hemodiálise, a terapia geralmente pode ser ser interrompida em poucas semanas.

Complicações

Em abril de 2015, o Exército Brasileiro registrou a morte de um recruta de 18 anos no estado do Ceará.

A suspeita de que o jovem morreu por rabdomiólise foi confirmada e gerou um debate sobre a exigência física dos soldados, que muitas vezes não estão preparados para treinamentos tão intensivos.

Os relatos apontavam que o recruta passou mal, apresentou fadiga extrema e mesmo assim foi obrigado a continuar os exercícios, o que teria agravado o quadro e gerado a rabdomiólise.

Quando foi atendido, o paciente já apresentava hemorragia interna e insuficiência renal, causando sua morte após alguns dias.

Portanto, a síndrome quando não tratada pode evoluir para lesões graves nos rins e ocasionar a morte.

As complicações podem envolver:

Lesões e insuficiência renal (IRA)

A Insuficiência Renal Aguda (IRA) é a complicação mais grave, ocorrendo em cerca de 15% dos pacientes. Geralmente, é a principal causa associada à mortalidade.

As complicações no rim ocorrem devido à concentração de mioglobinas no órgão, mais especificamente nos túbulos renais. A incidência de morte é 20% em pacientes que apresentam IRA e já apresentam doenças antecedentes ou associadas, como doenças imunológicas.

Estudos complementares apontaram que, para haver alguma lesão renal, além da elevada concentração de mioglobinas, é preciso que o organismo esteja desidratado e haja elevação de potássio, creatinina ou fosfato no sangue.

Parada cardíaca

As altas concentrações de potássio e cálcio podem resultar em diversos danos às células. No coração, a alteração das substâncias pode provocar arritmias e até levar à parada cardíaca.

Coagulação intravascular

A rabdomiólise pode provocar alterações no comportamento das substância responsáveis pela coagulação, causando a formação de coágulos pequenos em qualquer parte do corpo.

Esses coágulos acabam interferindo no fluxo sanguíneo e reduzem o fornecimento de oxigênio para os tecidos.

Se o órgão afetado for vital, como o coração, a coagulação intravascular pode representar riscos à vida.

Síndrome compartimental

Os casos estão mais associados às lesões musculares diretas causadas por traumas ou esforço intenso. Nesse caso, os riscos à vida são elevados depois de 6 horas que o quadro de rabdomiólise se inicia.

A síndrome compartimental ocorre quando há o aumento da pressão exercida dentro do músculo, que causa o agravamento de lesão muscular.

Ocorre então uma situação de causa e efeito cíclica, onde a pressão provoca a morte do tecido muscular, que tende a acumular mais líquidos e a elevar a pressão.

A condição é amenizada ou solucionada com uma cirurgia para descomprimir a região. No entanto, os riscos de infeção são altos e os casos devem ser analisados pelo médico.

Como Prevenir?

As causas da rabdomiólise são diversas e, geralmente, associadas por múltiplos fatores. Ou seja, a condição precisa de condições que favoreçam o seu desencadeamento. O que pode tornar mais difícil a sua prevenção.

Mas, de modo geral, é possível reduzir os riscos com a adoção de medidas. Confira:

  • Hidrate-se corretamente, sobretudo durante os exercícios físicos;
  • Evite praticar atividades físicas em locais muito quentes ou muito frios, incluindo as atividades sob o sol;
  • Alimente-se corretamente, evitando carências nutricionais;
  • Reduza o consumo de álcool e outras drogas;
  • Aumente os exercícios ou mude as modalidades de modo gradual;
  • Respeite os sinais do corpo, evitando fadigas extremas;
  • Faça intervalos para que os músculos se recuperem adequadamente.

Além disso, é preciso que toda atividade física seja indicada e avaliada por um profissional de educação física  que irá determinar a intensidade e rotina de exercícios de acordo com a sua capacidade.

Rabdomiólise e Crossfit

Apesar de ocorrer com pouca frequência, o Crossfit pode causar a rabdomiólise, assim como qualquer outro esporte ou atividade de alta intensidade.

Não há como separar os riscos de lesionamento muscular dos esportes, mesmo que elas sejam praticados com o acompanhamento de profissionais esportivos. O maior exemplo são os atletas e jogadores, que contam com o acompanhamento de treinadores, fisioterapeutas e ortopedistas, e ainda assim podem sofrer lesões ao longo da carreira esportiva.

É importante ressaltar que o acompanhamento de um profissional qualificado irá reduzir os riscos de lesão e que, em geral, há outros fatores associados que favorecem os danos à musculatura.

Um dos grandes fatores que associam a rabdomiólise ao crossfit é que, nos primeiros anos em que a modalidade começou a se difundir, havia pouco conhecimento sobre as formas corretas de ser praticada, o que ocasionalmente gerou lesões a alguns praticantes.

Atualmente, o correto acompanhamento profissional durante a atividade física, com o praticante respeitando as limitações físicas de seu organismo, faz com que os riscos do crossfit sejam os mesmos das demais atividades de intensidade.

Perguntas frequentes

Por que a desidratação pode provocar a rabdomiólise?

Ao realizar atividades físicas em ambientes quentes e úmidos, o corpo tende a transpirar mais para manter a temperatura corporal. Porém, esse suor favorece um desequilíbrio eletrolítico (potássio, cálcio e sódio), favorecendo a lesão muscular.

Esportistas mais velhos sofrem mais riscos?

A idade não é um fator direto na ocorrência da rabdomiólise. Porém, se a pessoa fizer uso de medicamentos, como estatinas, os riscos são elevados. Ou seja, é a utilização dos medicamentos que agrava as chances da doença.

Por que a urina fica escura?

A mioglobina é considerada um pigmento, sendo responsável pela coloração avermelhada dos músculos.

Quando ocorre a rabdomiólise, há uma alta liberação da mioglobina no sangue.

Os rins fazem a filtragem sanguínea e eliminam as substâncias através da urina. Por isso, a coloração tende a ficar mais acentuada.

Curiosidades

Rabdomiólise nos cavalos

A síndrome é bastante comum nos cavalos. A condição é denominada também de doença da segunda-feira.

Os animais mais acometidos são os de raça e alto valor comercial ou que praticam exercícios sem tanta frequência.

Assim, do mesmo modo que os humanos se lesionam por não estarem condicionados às atividades e esforços físicos exigidos na atividade, os equinos acometidos normalmente não possuem ritmos frequentes de exercícios e treinamento.

Então, quando são submetidos às atividades mais intensas, geralmente em competições específicas ou fins de semana, o esforço acentuado provoca a lesão muscular.

O processo se desenvolve da mesma maneira que nos humanos, com a liberação da hemoglobina na corrente sanguínea, geralmente acometendo os rins.

Referência histórica

A síndrome é bastante antiga e relatada há anos. Na Bíblia há referência à rabdomiólise, quando o povo Hebreu foi acometido por uma praga.

Segundo as análises, a condição foi ocasionada porque o povo consumia a ave codornizes. A ave se alimenta de cicuta, uma planta que não causa danos ao animal, mas para os humanos é altamente tóxica.

Além disso, relatos da Primeira Guerra Mundial apontam a possível ocorrência da rabdomiólise. Os soldados, que sofriam esmagamentos e traumas físicos, apresentavam insuficiência renal e, geralmente, faleciam após 1 semana.


Com o crescimento recente das aulas e modalidades de exercícios de alta intensidade, os estudos sobre a rabdomiólise associada ao esporte também têm crescido.

As atividades físicas são essenciais para manter a saúde e auxiliar no bom funcionamento do organismo. Mas é preciso que elas sejam planejadas e acompanhadas por profissionais de educação física ou fisioterapeutas, a fim de evitar lesões.

Ainda que haja outros fatores desencadeantes, a correta realização e evolução progressiva das atividades podem evitar danos aos músculos de qualquer intensidade, reduzindo também a possibilidade de rabdomiólise.

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Fontes consultadas

Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.

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