Cuidar da saúde mental é necessário para que todo o corpo funcione bem e para que haja bem-estar na rotina. Por isso, entender as diferentes manifestações das doenças e transtornos mentais ajuda a compreender o que acontece no organismo.

A depressão psicótica é um subtipo de depressão maior. Apesar de haver sintomas em comum, o tratamento pode necessitar de remédios e acompanhamento especializados.

Quem saber mais sobre o assunto, entender os sintomas e o tratamento? O Minuto Saudável te ajuda:

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que é depressão psicótica e qual o CID?
  2. Quais são os sintomas da depressão psicótica?
  3. Quanto tempo dura depressão psicótica?
  4. Como tratar?
  5. Medicamentos: quais as opções?
  6. Depressão psicótica e depressão maior: têm diferenças?

O que é depressão psicótica e qual o CID?

Existem diferentes tipos de depressão, de forma que os sintomas podem variar. A depressão psicótica é um subtipo da doença.

A depressão psicótica é um subtipo da depressão maior. Ela é caracterizada por sentimentos de tristeza profunda, falta de energia e pensamentos autodepreciativos, acompanhada de sintomas psicóticos como delírios e alucinações.

No Código Internacional de Doenças (CID-10), é encontrada pelo código F33.3, com a descrição “Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos”.

A psicose pode ser definida como uma perda de contato com a realidade, na qual a pessoa apresenta dificuldades no juízo. Ou seja, é incapaz de discernir o que é real do que é apenas fruto dos seus próprios pensamentos.

Em geral, a depressão já prejudica um pouco o contato com a realidade, contudo, não chega no nível de perda de contato da psicose.


Ainda assim, em casos extremos, a pessoa pode realmente ter essa perda, apresentando sintomas psicóticos como delírios, paranoia e alucinações.

A depressão psicótica é diferente de outros transtornos psicóticos, pois os sintomas como delírios e alucinações estão diretamente relacionados ao episódio de humor.

Em suma, uma pessoa com esquizofrenia, por exemplo, tem sintomas psicóticos independente de como está se sentindo, enquanto uma pessoa com depressão psicótica só os terá enquanto estiver em um episódio depressivo.

Os sintomas psicóticos também podem surgir na depressão bipolar, mas o diagnóstico, no caso, é de transtorno bipolar, sendo condições distintas.

Por isso, ao visitar um(a) psiquiatra, é necessário investigar se a pessoa já teve episódios de humor que se assemelham a episódios de mania ou hipomania, evitando confusões no diagnóstico.

Quais são os sintomas da depressão psicótica?

A depressão psicótica é caracterizada por sintomas de um episódio depressivo maior, como:

  • Tristeza e/ou humor depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias;
  • Diminuição do interesse ou prazer em quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias;
  • Alterações de peso (perda ou ganho) sem explicação;
  • Alterações de apetite (para mais ou para menos);
  • Alterações no padrão de sono (insônia ou sono excessivo);
  • Agitação ou retardo psicomotor (fazer movimentos mais lentamente);
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa;
  • Dificuldades de concentração;
  • Indecisão;
  • Pensamentos recorrentes de morte;
  • Ideação suicida (vontade de cometer suicídio, planejamento do ato, etc.).

Contudo, além dos sintomas depressivos, na depressão psicótica também podem ocorrer sintomas psicóticos, como delírios e alucinações.

Os delírios são pensamentos fora da realidade dos quais a pessoa está convicta, e não adianta tentar provar o contrário. Esses delírios podem ter temas variados, como:

  • Acreditar que cometeu algum erro e que sua vida irá acabar como consequência disso (delírio de ruína);
  • Acreditar que perderá todo o dinheiro, ficará pobre e terá dívidas (delírio de ruína financeira);
  • Acreditar que o mundo está acabando e não tem salvação;
  • Acreditar que os outros podem ler seu pensamento;
  • Acreditar ser controlado por seres extraterrestres;
  • Acreditar estar sendo perseguido por órgãos governamentais;
  • Acreditar estar sendo assombrado ou possuído por uma entidade sobrenatural.

Em suma, os delírios podem ter temáticas muito variadas, e pode até ser difícil perceber a diferença entre um delírio e uma característica normal da pessoa.

Se ela, por exemplo, acredita em entidades sobrenaturais e acredita estar sendo assombrada, pode ser difícil para quem está fora perceber que se trata de um delírio, e não uma questão de fé.

Contudo, no caso de um delírio, fica claro que a pessoa está convicta de que aquilo é real. Ou seja, ela não consegue pensar racionalmente. Uma pessoa que simplesmente acredita poderia ir em um templo religioso e resolver o problema, sem deixar isso consumir muito tempo de sua vida.

Já a pessoa que está em delírio irá dedicar muito tempo a essa ideia, e mesmo com evidências de que aquilo não é real (ou de que se livrou daquilo, no caso de uma crença sobrenatural, por exemplo), ela não deixa de pensar sobre.

Além disso, a pessoa pode apresentar alucinações auditivas e visuais, como enxergar coisas que não existem ou que não estão lá de fato, ouvir vozes que dão comandos ou dizem coisas depreciativas, entre outros.

É normal uma pessoa com depressão ter pensamentos autodepreciativos, como achar-se inútil, incapaz, entre outros. Contudo, no caso da depressão psicótica, a pessoa pode alucinar com vozes lhe dizendo todas essas coisas, xingando e deixando a pessoa ainda pior.

Quanto tempo dura depressão psicótica?

Episódios depressivos maiores têm uma duração limitada de até 6 meses. Como a depressão psicótica é um subtipo da depressão maior, estima-se que sua duração seja a mesma.

Contudo, apesar dos episódios depressivos serem limitados, eles também podem ser recorrentes. Ou seja, uma pessoa pode ter vários episódios depressivos ao longo dos anos.

Por isso, caso não seja tratada, a depressão (psicótica ou não) pode durar o resto da vida do indivíduo, intercalando episódios de humor normal e episódios depressivos.

Geralmente, quem tem um episódio de depressão psicótica na realidade apresenta episódios depressivos recorrentes, frequentemente não tratados. Dificilmente o primeiro episódio depressivo já vem acompanhado de sintomas psicóticos.

Como tratar?

A depressão psicótica tem tratamento, que depende da uma avaliação profissional.

O tratamento da depressão psicótica é feito com psicoterapia e medicamentos psiquiátricos.

Não existe um consenso de um protocolo para tratamento medicamentoso da depressão psicótica, mas grande parte dos(as) psiquiatras prescrevem uma combinação de antidepressivos e antipsicóticos para combater os sintomas.

Algumas depressões não muito severas podem ser tratadas apenas com psicoterapia, contudo, o componente psicótico pode necessitar de medicações para manter os sintomas sob controle.

Em casos mais graves, a pessoa pode apresentar risco de vida e precisar de internação.

Medicamentos: quais as opções?

A escolha do medicamento vai ser feita com base em uma avaliação psiquiátrica, considerando intensidade, frequência e histórico clínico de cada paciente. Lembrando que somente profissionais especialistas podem indicar o tratamento correto.

Porém, algumas opções que podem ser indicadas são:

Antidepressivos

Antipsicóticos

Depressão psicótica e depressão maior: têm diferenças?

Por ser um subtipo da depressão maior, a depressão psicótica tem as mesmas características da depressão maior, porém com algumas características a mais. No caso, os sintomas psicóticos.

Um estudo realizado por pesquisadores da USP mostra que pessoas com depressão psicótica têm alterações em algumas estruturas cerebrais quando comparadas com pessoas com depressão maior sem sintomas psicóticos ou pessoas sem um diagnóstico de depressão.

Por meio de neuroimagens, pesquisadores perceberam que, em pacientes de depressão psicótica, há uma alteração no volume no istmo do giro do cíngulo, região do cérebro que faz parte do sistema límbico, responsável pelas emoções.

Essa estrutura faz a ligação entre o sistema límbico e as estruturas do cérebro responsáveis pela percepção de estímulos externos. Isso levanta a hipótese de que a depressão psicótica está ligada a distorções na percepção ocasionada por alterações cerebrais.

Portanto, estima-se que a depressão psicótica possua diferenças biológicas em relação à depressão maior clássica. Contudo, mais estudos são necessários para chegar a uma conclusão definitiva.


A depressão psicótica é um subtipo da depressão maior. Apesar de haver sintomas em comum, ela causa episódios de alucinações.

Mas há formas de tratar o quadro e ter uma vida saudável física e mentalmente. Quer saber mais sobre psicologia e psiquiatria? O Minuto Saudável, junto a profissionais especialistas, ajuda!

Fontes consultadas

Associação Americana de Psiquiatria (2014). DSM-5 — Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 5ª. edição. Porto Alegre: Artmed.


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