Apesar da ansiedade ser um mecanismo natural do organismo, quando frequente e intensa, torna-se um empecilho ao bem-estar e à saúde das pessoas.

Atualmente, cerca de 20 milhões de brasileiros ou brasileiras sofrem com algum transtorno relacionado à ansiedade. O quadro, se não controlado, pode trazer danos à vida pessoal, profissional e social.

Desencadeada por rotinas estressantes, sobrecarga de atividades, incapacidade de lidar com frustrações, cobranças excessivas ou dezenas de outras condições, a ansiedade já foi chamada por muitos de o mal do século.

Apesar de bastante debilitante, tornando-se uma questão de saúde pública, as crises de ansiedade têm tratamento e controle. Terapia e medicamentos, quando necessários, trazem de volta a saúde mental e o bem-estar a quem convive com ela.

O que é a crise de ansiedade?

Crise de ansiedade é o momento em que a ansiedade chega no seu nível máximo, desencadeando sintomas desagradáveis como palpitações, respiração irregular, tremores no corpo e medo.

Esses sintomas surgem repentinamente e atingem seu auge em cerca de 10 minutos.

Os sintomas são tanto físicos quanto psicológicos, podendo causar na pessoa um mal-estar intenso.

Dependendo da severidade dos sintomas, a crise de ansiedade passa a ser chamada de ataque de pânico. O quadro pode ser tão intenso que, em alguns casos, a pessoa precisa ir ao hospital.


A ansiedade é uma reação fisiológica normal, sendo definida como antecipação de uma ameaça futura. Ela provoca tensão muscular e vigilância, a fim de preparar a pessoa para um perigo que ainda está por vir.

Costuma aparecer antes de situações determinantes na vida da pessoa, como antes de uma prova importante, durante uma entrevista de emprego ou em um primeiro encontro.

Em pessoas saudáveis, o próprio organismo se autorregula e a ansiedade se mantém controlada em níveis aceitáveis.

Essas pessoas até sofrem com nervosismo e palpitações, mas não chegam a vivenciar sintomas extremos.

Já no caso de uma crise de ansiedade, essa autorregulação não acontece e ocorre uma intensificação dos sintomas. Há descargas de noradrenalina e cortisol (hormônios relacionados ao estresse e ao medo) que não são controladas e causam os sintomas físicos.

Surge uma sensação geral de medo, descontrole e insegurança, que apenas intensificam os sintomas. Apesar de ser extremamente desagradável, a crise de ansiedade costuma ser limitada a poucos minutos, não chegando a durar 1 hora.

Geralmente, pessoas que sofrem com crises de ansiedade são diagnosticadas com algum transtorno de ansiedade, como a fobia social, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), entre outros.

Nesses casos, as crises de ansiedade vêm como uma resposta a um gatilho: uma situação, objeto ou sensação fazem com que a ansiedade surja. No entanto, às vezes, a pessoa com um transtorno de ansiedade não tem consciência do gatilho e pode relatar que a ansiedade veio “do nada”.

Esses quadros são transtornos mentais que precisam de um tratamento diferenciado, pois podem prejudicar gravemente o bem-estar e saúde do paciente. 

Sendo assim, uma crise de ansiedade sempre deve ser investigada mais a fundo, a fim de diagnosticar possíveis transtornos de ansiedade e tratá-los antes que o problema fique pior.

Vez ou outra, o próprio medo de ter uma nova crise de ansiedade serve de gatilho. 

Nesses casos, a pessoa pode deixar de frequentar situações nas quais a ansiedade pode agravar-se e não conseguir ajuda, deixando até mesmo de sair de casa. Quando isso acontece, diz-se que a pessoa desenvolveu agorafobia.

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Quais os sintomas de uma crise de ansiedade?

Durante uma crise de ansiedade, surgem sintomas físicos, como tremores, suor excessivo, sensação de falta de ar (asfixia), palpitações, calafrios, tontura, náusea e diarreia, ou psicológicos, como inquietação, medo de perder o controle, dificuldade de concentração, insônia, pensamentos catastróficos, entre outros.

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Sintomas físicos

Os sintomas físicos podem aparecer em intensidades variadas, isolados ou ao mesmo tempo. Entre eles:

  • Palpitação (taquicardia);
  • Tremores;
  • Suor excessivo;
  • Sensação de falta de ar ou asfixia;
  • Dores no peito;
  • Boca seca;
  • Tensão muscular;
  • Tontura;
  • Sensação de desmaio;
  • Náusea;
  • Mãos frias e suadas;
  • Calafrios;
  • Formigamento ou entorpecimento dos membros;
  • Desconforto abdominal;
  • “Embrulho” no estômago;
  • Diarreia;
  • Incontinência urinária (precisar urinar com frequência);
  • Sensação de engasgo e dificuldade para engolir;
  • Ondas de calor.

As dores no peito são frequentemente confundidas com um ataque cardíaco, fazendo com que o paciente vá ao hospital. Porém, existe uma maneira de diferenciar as duas condições.

No infarto, há uma dor intensa no tórax que se espalha para os ombros, braços, queixo e abdômen. No entanto, não há outros sintomas.

Quando se trata de uma crise de ansiedade, os sintomas específicos da ansiedade se fazem presentes, como a dificuldade de respirar, diarreia, suor excessivo, entre outros.

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Sintomas psicológicos

Além dos sintomas físicos, a pessoa é acometida por sintomas psicológicos como:

  • Medo;
  • Nervosismo;
  • Preocupação excessiva com o futuro;
  • Vigilância exacerbada;
  • Inquietação;
  • Angústia;
  • Sensação de irrealidade (desrealização);
  • Sensação de estar fora de si mesmo (despersonalização);
  • Insônia;
  • Dificuldade de concentração;
  • Pensamentos catastróficos;
  • Sensação de perda de controle;
  • Sensação de estar “no limite”;
  • Medo de enlouquecer;
  • Sensação de estar morrendo.

Como controlar ou evitar uma crise de ansiedade?

Para controlar uma crise de ansiedade, é possível recorrer às técnicas de respiração profunda, de relaxamento, exercícios de atenção plena ou focar em outras atividades. Para evitar novas crises, recomenda-se fazer exercícios físicos, alimentar-se saudavelmente e diminuir as fontes de estresse.

Caso haja o diagnóstico de algum transtorno de ansiedade, seguir o tratamento adequadamente é fundamental para evitar novos episódios.

Não raramente, é possível controlar uma crise de ansiedade indo contra os sintomas físicos: se a respiração está rápida, tentar respirar mais lenta e profundamente ajuda.

Isso diminui a sensação de asfixia, consequentemente diminuindo o medo. A respiração profunda tem efeito relaxante na mente, combatendo os sintomas psicológicos da crise de ansiedade.

Da mesma forma, se a crise de ansiedade provoca contrações musculares que trazem desconforto e sensação de peso, é possível combater esses sintomas usando técnicas de relaxamento muscular.

Distrair-se também ajuda. Focar a atenção nos sintomas só irá piorar a situação, pois cria-se o medo de estar passando mal ou morrendo devido aos sintomas mais graves, como a dor no peito

Por isso, tentar desviar a atenção para outras coisas ajuda a combater esse medo, diminuindo os sintomas.

Conversar com alguém pode ser uma ótima forma de amenizar os sintomas, especialmente se a outra pessoa se mostra compreensiva.

Exercícios de atenção plena (mindfulness) podem ser de grande auxílio. A técnica ajuda a focar no momento presente, retirando da mente tudo aquilo que pode estar causando desconforto e ansiedade.

Para isso, basta respirar fundo e observar calmamente os arredores, tomando consciência de tudo que está acontecendo no momento. Aos poucos, as preocupações não relacionadas ao momento desaparecem, diminuindo a ansiedade.

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A saúde mental está interligada com a saúde física. Quando há sobrecargas de trabalho ou atividades, não havendo atenção à saúde psicológica, o corpo também pode manifestar sinais de que o emocional não anda bem.

Por isso, cuidar do organismo é uma ação integrada, que precisa envolver hábitos saudáveis para o corpo e a mente.


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