Cistite (intersticial, aguda): o que é, sintomas, remédios, tratamento

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27679) – Medicina Preventiva e Social

As infecções urinárias são condições bastante comuns às mulheres devido, sobretudo, à anatomia feminina, que favorece a entrada de agentes infecciosos no canal urinário. Isso porque o ânus encontra-se bem próximo a entrada da vagina.

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Estima-se que aproximadamente 80% das mulheres vão sofrer com pelo menos uma infecção urinária durante a vida, sendo que elas podem ser frequentes, repetitivas e, em alguns casos, mais graves.

Apesar da maioria das infecções e inflamações do trato urinário ser leve ou moderada, com tratamento fácil, os episódios tendem a ser bastante incômodos e desagradáveis, podendo causar dor, ardência e coceiras ao urinar.

Entre as doenças que podem se desenvolver está a cistite, infecção que acomete a bexiga. Saiba mais sobre ela neste texto.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é cistite?
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Cistite é transmissível?
  5. Fatores de risco
  6. Cistite em homens
  7. Cistite nos idosos
  8. Sintomas
  9. Como é feito o diagnóstico?
  10. Tem cura?
  11. Qual o tratamento?
  12. Medicamentos
  13. Chás para cistite
  14. Convivendo
  15. Prognóstico
  16. Complicações
  17. Como prevenir a cistite?
  18. Cistite e cranberry

O que é cistite?

A cistite é caracterizada pela inflamação e/ou infecção da bexiga, que na maioria dos casos ocorre pela entrada de bactérias no canal urinário. Elas invadem a uretra (canal que elimina o xixi) e migram até a bexiga, causando sintomas como urgência em urinar, dor pélvica, ardência e incontinência urinária.

Nos casos infecciosos, o agente causador mais comum é a bactéria Escherichia coli, representando 85%dos casos diagnosticados.

Mas é possível que a doença tenha causas diversas, ainda que menos frequentes, como o uso de medicamentos, tratamentos à base de radioterapia ou ainda fatores autoimunes.

A condição é consideravelmente menos frequente nos homens, sendo que apenas 10% dos pacientes são do sexo masculino.

A prevalência nas mulheres ocorre devido à uma série de fatores, mas principalmente pela anatomia da região íntima da mulher, que favorece a entrada e a migração de bactérias até a bexiga.

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No CID-10, a cistite pode ser classificada sob os códigos:

  • N30 – Cistite;
  • N30.0 – Cistite aguda;
  • N30.1 – Cistite intersticial (crônica);
  • N30.2 – Outras cistites crônicas;
  • N30.3 – Trigonite;
  • N30.4 – Cistite por radiação;
  • N30.8 – Outras cistites;
  • N30.9 – Cistite, não especificada.

Tipos

O tipo mais comum de cistite é a infecciosa, causada pela instalação de bactérias na bexiga. No entanto, há outros tipos que são menos frequentes. Conheça mais sobre cada uma:

Cistite bacteriana (aguda)

A cistite aguda é causada quando bactérias entram no trato urinário e se instalam na bexiga. Devido ao agente causador, ela também pode ser chamada de cistite bacteriana.

A maioria das infecções é decorrente da bactéria Escherichia coli, representando aproximadamente 85% dos diagnósticos.

Em geral, o quadro não é grave e o paciente tende a apresentar vontade constante de fazer xixi, ardência no canal urinário, dores e coceira na região íntima e alteração na cor da urina.

Na grande parte dos diagnósticos, o quadro pode ser tratado sem grandes complicações, desde que as recomendações médicas sejam devidamente seguidas.

Cistite fúngica

O trato urinário pode ser infectado por outros agentes além das bactérias, como os fungos. Apesar de menos frequentes, o número de diagnósticos de cistites devidos aos fungos está aumentando.

Em geral, o caso ocorre em pacientes com deficiência imunológica, diabetes, que fazem uso de cateteres vesicais, usam antibióticos, estão internados em UTI ou passaram por cirurgias, devido à dificuldade que o organismo tem de se defender de microrganismos invasores.

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Entre as espécies de fungos mais frequentes nesse tipo de cistite está a C. albicans, causadora da candidíase. O agente não é contagioso e não pode ser transmitido durante a relação sexual, mas quando encontra um ambiente propício para se proliferar (como região úmida, alteração do pH, baixa imunidade), pode acometer a bexiga e desencadear a cistite.

Em geral, a condição é tratada com medicamentos antifúngicos, como fluconazol, com boas respostas à terapia.

Cistite intersticial (crônica)

Atualmente, a condição também é denominada de Síndrome da dor vesical ou cistite crônica. Estudos publicados na Revista Femina, em 2011, apontam que a cistite intersticial ainda possui diagnóstico complexo, devido à dificuldade em se compreender suas causas e seu desenvolvimento.

Entre as causas mais associadas à cistite intersticial estão:

  • O acúmulo de urina na bexiga, causando a irritação dos tecidos;
  • Perda de uma das camadas protetoras da bexiga, fazendo com que substâncias presentes na urina irritem o órgão;
  • Alterações no organismo capazes de desencadear inflamações que afetam a bexiga;
  • Pressões ou alterações na região pélvica, que podem comprimir a bexiga;
  • Alterações autoimunes que fazem o organismo atacar as células da própria bexiga.

De modo geral, o diagnóstico se dá através da exclusão. Ou seja, é necessário que outras condições sejam descartadas através de exames até que se chegue à possibilidade da síndrome da dor vesical através de exames como urocultura, biópsia, exame físico da pélvis e urodinâmica.

O paciente geralmente apresenta dor, sensações de pressão e desconforto na região pélvica (próxima ao umbigo) conforme a bexiga vai se enchendo, fazendo com que a pessoa precise ir frequentemente ao banheiro (mas faça pouco xixi).

Mas os estudos apontam que cada condição é bastante particular e deve ser avaliada intensivamente, compondo um tratamento bastante específico.

Cistite eosinofílica

A cistite eosinofílica se caracteriza pela presença de inflamação carregada de eosinófilos (tipos de glóbulos brancos, fundamentais para a defesa do organismo) na parede vesical, com fibrose ou necrose do tecido.

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O tipo de cistite é bastante raro, mas é facilmente identificado através de exames que apontam as concentrações elevadas das células de defesa na parede vesical, ou seja, na bexiga.

Cistite por radiação

Também chamada de cistite actínica, a condição é caracterizada por uma inflamação da bexiga decorrente da exposição à terapia de radiação.

Normalmente, a condição leva algum tempo para se manifestar, podendo ocorrer entre 3 meses e 14 anos após tratamentos radiológicos na região pélvica.

A cistite ocorre porque a incidência das ondas da radiação pode danificar tecidos da bexiga, que passam a apresentar espessamento e necrose, causando alterações no funcionamento do órgão e sintomas de cistite (como ardência, dor e coceira ao urinar, incontinência e espasmos da bexiga).

Os casos mais leves podem ser tratados com medicamentos e fisioterapia para amenizar a eliminar os sintomas.

Cistite hemorrágica

A cistite hemorrágica é uma complicação que ocorre, na maior parte das vezes, em pacientes que fazem uso de medicamentos após transplante de medula óssea ou tratamentos de radioterapia.

Além dos sintomas característicos da cistite, há presença de sangue na urina, que pode ser em diferentes quantidades, dependendo da gravidade de cada caso.

Cistite glandular

A cistite glandular ocorre quando há um crescimento irregular e exagerado de tecido epitelial ou formação de células intestinais na bexiga.

Ou seja, as paredes na bexiga apresentam alterações que são, na maior parte dos casos, microscópicas devido ao surgimento de uma camada de tecido.

As causas não são completamente conhecidas, mas a cistite glandular predomina em homens a partir dos 50 anos.

Causas

A grande parte das cistites é de origem bacteriana, que ocorre quando agentes infecciosos invadem o canal urinário e migram até a bexiga, mas há também outras causas que correspondem a um número bem menor de ocorrências. Conheça um pouco sobre cada uma:

Cistites infecciosas

A prevalência das cistites agudas (ou bacterianas) ocorre porque há bactérias vivendo naturalmente no intestino, região muito próxima do canal urinário, o que faz com que ocasionalmente elas possam migrar para a região da uretra.

Quando há alterações na imunidade, falta de higiene ou fatores que favorecem a entrada dos microrganismos no canal urinário, a cistite pode se desenvolver.

As relações sexuais em si não causam cistite, mas podem favorecer a manifestação dela, pois a penetração pode facilitar a condução (ou subida) de bactérias pelo canal vaginal, levando-as mais facilmente até a bexiga.

Outra possível relação entre a infecção e a penetração é que a uretra pode sofrer lesões ou traumas normais, decorrentes do contato com o pênis. Esses traumas podem fragilizar a camada da região e facilitar a ação das bactérias.

Nos quadros de cistite fúngica, em geral, o fungo mais associado à infecção da bexiga é a Candida (responsável pela candidíase) e ocorre devido à complicação da candidíase, sendo mais comum em pacientes com diabetes ou deficiências imunológicas.

Cistites não infecciosas

Pacientes que usam cateteres após procedimentos cirúrgicos (temporária ou prolongadamente) podem ser acometidos por cistites não infecciosas.

Nesse caso, sobretudo o uso prolongado pode gerar incômodos na bexiga, causando irritações e desencadeando cistite.

Os tipos não infecciosos, como a cistite por radiação ou eosinofílica são desencadeados devido às lesões na parede da bexiga, que podem causar necroses, espessamentos ou disfunções urinárias.

O uso de alguns medicamentos (sobretudo quimioterápicos) ou sensibilidade a produtos químicos também podem ser a causa da inflamação da bexiga.

Fatores autoimunes ou multifatoriais podem desencadear a cistite intersticial, sendo que o fator determinante para a condição nem sempre é reconhecido.

Cistite é transmissível?

A cistite, assim como outras infecções urinárias não é transmissível — seja por relação sexual, contato ou compartilhamento de objetos íntimos. Isso porque geralmente são as bactérias do próprio organismo que infectam o trato urinário (aquelas que habitam o intestino ou a região anal).

O que pode acontecer é a relação sexual facilitar a cistite devido à penetração. Nesses casos, o pênis ajuda a “empurrar” as bactérias pela uretra, fazendo elas se instalarem mais facilmente no trato urinário.

Outro fator que pode ser considerado é que, durante o sexo, a fricção ou contato do pênis pode gerar traumas ou lesões na camada da uretra. Apesar de serem normais, essas lesões podem facilitar que as bactérias se instalem na região.

Mas quanto à transmissão, não é possível “pegar” ou “passar” cistite.

Fatores de risco

As cistites acometem, em grande maioria, pacientes do sexo feminino. Isso ocorre devido à anatomia do trato urinário, que tem a uretra e o ânus bastante próximos.

Além de facilitar a chegada de bactérias no canal urinário, o corpo da mulher tem a uretra menor do que a do homem, fazendo com que a migração das bactérias até a bexiga seja mais fácil e rápida.

Outras condições e comportamentos que podem favorecer a cistite são:

  • Alterações de imunidade: deixam o organismo mais sensível aos agentes infecciosos, pois ele não consegue ou tem mais dificuldade em combatê-los;
  • Diabetes: há maior ocorrência de infecções urinárias em pacientes com diabetes, tendo relação também com o controle de glicemia (quanto mais alta as taxas glicêmicas, maior o acometimento do organismo por infecções);
  • Doenças na próstata: podem impedir ou reduzir a eliminação da urina, fazendo com que o líquido cause irritações à bexiga;
  • Fatores genéticos e história familiar de cistite: há relação entre aspectos genéticos e ocorrência da cistite;
  • Incontinência urinária: alterações do funcionamento da bexiga podem provocar irritações, sobretudo se houver concentração do líquido (incontinência por transbordamento);
  • Menopausa e período menstrual: alterações hormonais podem provocar irritações à parede da bexiga;
  • Sexo com penetração: há o favorecimento da entrada de bactérias na vagina ou pode ocorrer traumas à parede da uretra;
  • Uso de sonda vesical ou cateter: podem irritar a bexiga e causar cistite não infecciosa;
  • Diafragma e espermicidas: podem provocar alterações no pH vaginal e reduzir as defesas naturais do organismo, facilitando a entrada de bactérias.

Além disso, mulheres grávidas, pessoas que fazem radioterapia ou usam medicamentos que possam agredir a parede da bexiga, pacientes imunodeprimidos ou que mantenham comportamentos facilitadores da infecção urinária, como beber pouca água, prender a urina ou realizar duchas íntimas, também compõem grupos de risco.

Cistite em homens

Apesar de ser bem mais comum nas mulheres, homens também podem sofrer com ardências, coceiras, dores e disfunção mictória. Dos pacientes diagnosticados com cistite, aproximadamente 10% são do sexo masculino.

A condição é mais comum em homens acima dos 60 anos e pode estar relacionada a problemas na próstata. Geralmente porque as disfunções comprimem a uretra e a urina tem mais dificuldade em ser eliminada, fazendo com que o líquido fique acumulado na bexiga e promova a proliferação de bactérias.

Quando se manifestam, as cistites em homens se diferenciam sobretudo pelo tratamento, já que geralmente estão associadas às disfunções na próstata. Por isso, necessitam de acompanhamento para a origem do problema.

Cistite nos idosos

Acima dos 60 anos, as infecções urinárias, entre elas as cistites, podem acontecer com mais frequência devido às alterações imunológicas. Mudanças na alimentação, na rotina e nos aspectos emocionais podem favorecer o surgimento das infecções.

Mulheres que já passaram pela menopausa têm maiores chances de ter infecções e inflamações na bexiga, sendo que ao chegar aos 60 anos a incidência pode ser ainda maior.

As debilidades do organismo e as alterações na rotina advindas do envelhecimento são fatores que precisam ser avaliados junto com o médico, visando estabelecer melhores formas de tratar a infecção e reduzir os riscos à saúde.

Quais os sintomas da cistite?

Os sintomas da cistite são comuns a outras infecções urinárias, sendo geralmente marcada por dor na região pélvica e ardência ao urinar. Mas também é recorrente a manifestação de:

  • Vontade constante de fazer xixi;
  • Sensação de que a bexiga não foi corretamente esvaziada;
  • Dor ao urinar;
  • Dificuldade em conter o xixi (gotejamento);
  • Urgência em ir ao banheiro e, mesmo assim, fazer pouco xixi;
  • Dor e fisgadas na região pélvica;
  • Ardência e coceira nos genitais;
  • Sensação de pressão na bexiga;
  • Alteração na cor e no cheiro da urina;
  • Presença de sangue na urina (hematúria);
  • Febre baixa.

Geralmente, o paciente tende a perceber a piora dos sintomas (como ardência e dor na região pélvica) conforme a bexiga se enche. Alguns podem sentir alívio ao fazer xixi, mas nem sempre a dor ameniza.

A cistite intersticial pode demorar para apresentar sintomas, mas depois que eles se manifestam, alguns comportamentos ou situações podem intensificá-los, como períodos menstruais ou consumo de alimentos ricos em potássio.

Como é feito o diagnóstico?

Os profissionais mais indicados para o diagnóstico e tratamento das cistites são o clínico geral, ginecologista e urologista.

Como o quadro é geralmente bem característico, o médico fará um levantamento dos sintomas, manifestações e rotina do paciente, que geralmente são suficientes para estabelecer o diagnóstico de cistite.

Além do histórico, exames clínicos podem ser solicitados para confirmar o quadro, mas geralmente o tratamento já é iniciado para evitar o prolongamento da infecção.

Entre as solicitações mais comuns estão:

  • Exame de urina ou urocultura: é coletada uma amostra de urina para identificar a presença de bactérias;
  • Cistoscopia: através da inserção de uma pequena câmera pela uretra, o médico infla a bexiga para avaliar as condições do órgão;
  • Raio-x e ultrassonografia: exames de imagem são feitos para avaliar alterações da bexiga.

Tem cura?

Sim. O tratamento da cistite bacteriana consiste na utilização de antibióticos e observações quanto aos hábitos de vida. Vale ressaltar que os quadros de cistite podem ser curados, mas não se impede que novas inflamações ou infecções ocorram.

Outros tipos de cistite podem obter cura, mas o tratamento — que pode incluir cirurgia — precisa ser avaliado.

Quanto a cistite intersticial, são baixos os índices de solução definitiva do problema, sendo que a maioria necessita de tratamento constante para amenizar o quadro.

Qual o tratamento?

A maioria dos quadros de cistite é tratada com o uso de medicamentos e identificação dos fatores desencadeantes.

Cistite aguda

Pacientes com cistite geralmente recebem a recomendação de manter a ingestão adequada de líquidos e estabelecer uma regularidade para urinar, sempre respeitando as necessidades do organismo.

A mudança de comportamento é fundamental para auxiliar no tratamento e evitar episódios futuros de infecção ou inflamação da bexiga. O tratamento da cistite aguda é baseado no uso de antibióticos e, se necessário, analgésicos para auxiliar no alívio das dores.

Nos pacientes com cistite aguda recorrente, é preciso avaliar a duração do tratamento, pois pode ser necessário prolongar o uso dos medicamentos por 7 dias ou mais. Nos demais casos (não prolongados), a medicação é geralmente mantida entre 3 e 5 dias.

Cistite intersticial

A cistite intersticial necessita de um tratamento bastante voltado a cada caso, pois as causas tendem a ser multifatoriais.

Geralmente, são recomendadas terapias medicamentosas orais e aplicadas diretamente na bexiga, fisioterapia com eletroestimulação, mudança de hábitos alimentares e mictórios (por exemplo, ir ao banheiro a cada 3 horas), além de acompanhamento constante com o médico.

As sessões de fisioterapia e eletroestimulação visam recuperar o tônus muscular da bexiga, reduzindo a incontinência urinária ou disfunções de micção.

Também é importante que o paciente adote rotinas emocionalmente mais leves, incluindo atividades físicas e relaxantes no dia a dia.

Cada caso precisa de uma avaliação bastante individual, mas são comuns as indicações medicamentosas para tratar a cistite intersticial, em que anti-inflamatórios não hormonais, antidepressivos e anti-histamínicos podem ser usados, geralmente de forma combinada, para amenizar os sintomas.

Os medicamentos tendem a apresentar boas respostas à manifestações sintomáticas, reduzindo as queixas de mal-estar e dor intensa, auxiliando na manutenção do tratamento como um todo.

Outros tipos de cistite

De modo geral, a mudança na rotina de micção é fundamental em todos os casos. Ingerir líquidos e fazer xixi adequadamente faz parte do tratamento de todos os casos de cistite.

Nas cistites por radiação ou glandular deve-se avaliar individualmente o paciente, considerando cirurgias ou outras terapias invasivas, como a hidrodistensão (aumento gradual da bexiga através da aplicação de água) ou aplicação de botox (para alívio da dor e melhoria da regulação muscular da bexiga), cabendo ao médico indicar qual a melhor alternativa.

Podem ser utilizadas terapias não cirúrgicas para eliminar tecidos que se formam incorretamente na parede da bexiga.

Medicamentos

Para as cistites agudas, o uso de antibiótico é o tratamento mais frequente. Para pessoas saudáveis e que não apresentam infecções urinárias recorrentes, a terapia medicamentosa geralmente consiste no uso de:

Para pacientes com alterações imunológicas, gestantes ou casos de cistite recorrente os mesmo antibióticos podem ser prescritos por um médico, porém por tempo prolongado, geralmente por 7 dias.

Os casos de cistite intersticial podem necessitar de medicações diferentes, sendo que geralmente é necessário associar remédios que:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Chás para cistite

Os chás podem auxiliar no tratamento, aliviando sintomas e desconfortos da cistite. Mas é necessário reforçar que eles não devem substituir as orientações médicas.

Apesar de naturais, os chás também devem ser usados com cautela, sem que as dosagens diárias recomendadas sejam ultrapassadas, pois podem resultar em sintomas adversos e intoxicações.

Alguns dos chás mais utilizados para auxiliar no tratamento da cistite são:

  • Chá de cavalinha: 15g (1 colher de sopa) para cada 200mL de água, até 3 vezes ao dia;
  • Chá de uva ursina: 50g para cada 1L de água, para tomar durante o dia;
  • Chá de salsinha: 50g de erva de salsinha para cada 1L de água, para tomar ao longo do dia;
  • Chá de cabelo de milho: 15g para cada 200mL de água, até 3 vezes ao dia.

Convivendo

Em geral, a cistite apresenta rápida melhora quando o tratamento é iniciado. Com a diminuição da intensidade dos sintomas e a eliminação da bactéria, aproximadamente no 2º ou 3º dia de medicação já é possível notar uma melhora total ou considerável do paciente.

Porém, é importante fazer o uso adequado dos medicamentos, respeitando os horários, dosagens e o tempo de utilização.

Como a terapia consiste na ingestão de antibióticos, interrompê-la pode fazer com que o agente infeccioso não seja completamente eliminado do organismo, possibilitando que infecções futuras sejam resistentes ao medicamento. Outras dicas são:

Use calor para aliviar a dor

Para auxiliar no bem-estar durante a eliminação dos sintomas, tomar banhos mornos, fazer compressas quentes e manter o corpo aquecido pode auxiliar a amenizar a dor e o desconforto.

Vale lembrar que banhos ou bebidas quentes podem auxiliar a relaxar, fazendo com que a dor seja aliviada devido à diminuição da tensão.

Vá ao banheiro

Como há urgência em urinar, manter-se próximo a banheiros e respeitar as vontades da bexiga é fundamental. Além disso, é necessário manter ou intensificar a ingestão de água, auxiliando na hidratação do organismo e na limpeza do trato urinário.

Cuide da alimentação

Reforçar a alimentação e cuidar da saúde como um todo facilita a manter a boa imunidade do organismo, acelerando o combate à infecção.

Além das recomendações médicas, é importante estar atento aos hábitos e rotinas, identificando possíveis desencadeadores da cistite ou alimentos que podem agravar os sintomas, como bebidas ricas em cafeína ou diuréticos (chá preto, refrigerante e bebidas alcoólicas, por exemplo).

Treine a bexiga

Sobretudo quando há casos recorrentes ou cistite intersticial, fazer exercícios e treinamentos para a bexiga pode ser bastante funcional.

Em geral, os treinamentos envolvem estabelecer horários para fazer xixi, evitando longos períodos sem urinar. É importante manter a programação mesmo sem perceber a bexiga cheia.

Além disso, pode ser indicado inserir exercícios que fortaleçam a musculatura da região pélvica, reduzindo escapes de urina, por exemplo.

Prognóstico

O prognóstico da cistite é bom na grande maioria das vezes. Para os casos agudos, o uso correto dos antibióticos normalmente cura a infecção e elimina os sintomas rapidamente, promovendo uma rápida recuperação do organismo.

Pacientes que são submetidos a tratamentos cirúrgicos, em casos especiais de cistite, também apresentam bons prognósticos, geralmente sem complicações ou reincidências.

Alguns quadros podem ser recorrentes mesmo que o tratamento seja devidamente realizado. Para esses pacientes, é preciso avaliar a origem da cistite, que pode ser bacteriana ou de causa multifatorial.

Em geral, pessoas com predisposição às infecções urinárias e que são acometidas com frequência por cistite aguda devem avaliar a rotina e o comportamento, identificando possíveis desencadeadores ou facilitadores da infecção.

Após reconhecer a causa, as cistites recorrentes tendem a diminuir.

Complicações

De modo geral, a complicação mais comum consiste na recorrência da cistite, que pode se tornar um evento frequente e acometer a rotina e a qualidade de vida do paciente. Nesses quadros, o organismo não responde ao tratamento e a saúde é afetada pelos sintomas da cistite.

Porém, a cistite não tratada ou que não responde ao tratamento pode se agravar para quadros de pielonefrite, quando a infecção acomete os rins, ou de septicemia, quando a infecção se espalha pelo organismo pela corrente sanguínea, caracterizando uma infecção generalizada.

Os quadros são graves, sobretudo a septicemia, podendo gerar riscos à vida do paciente, sobretudo se houver deficiência imunológica. Saiba mais sobre cada uma:

Pielonefrite

A pielonefrite é uma inflamação que acomete os rins e pode ser resultado do agravamento de infecções urinárias.

Os sintomas tendem a ser bem semelhantes aos da cistite, em que há ardência, dor ao urinar, alterações na cor e no odor do xixi. Mas a febre alta é o principal fator que diferencia as condições.

Além disso, relatos de náuseas, vômitos, febre e uma dor que irradia intensamente para a região das costas são mais frequentes na pielonefrite.

A condição é, em geral, considerada grave por acometer um órgão vital, mas os pacientes tendem a evoluir positivamente com o tratamento. São os casos em que há deficiência imunológica ou outras doenças associadas que geram maiores dificuldades de tratamento.

O agravamento de infecções urinárias para a pielonefrite necessita de acompanhamento e tratamento rápido, sob o risco de evolução para a sepse, uma infecção generalizada.

Sepse

O caso da artista Rogéria, vítima de uma infecção generalizada em 2017, apontou para os perigos que as infecções urinárias podem gerar.

Internada com quadro de infecção urinária, Rogéria apresentou um agravamento da condição que resultou em uma crise convulsiva e morte da atriz.

Conhecida como infecção generalizada, é importante saber que na sepse não significa que todos os órgãos são infectados, mas sim que boa parte do organismo começa a manifestar sintomas e falências decorrentes do foco da infecção.

Como prevenir a cistite?

A prevenção da cistite consiste sobretudo na adoção de hábitos adequados de higiene e micção. Confira alguns métodos para prevenir a infecção:

Beba água

É importante ingerir líquidos para que a bexiga seja capaz de produzir e eliminar urina de forma consistente, auxiliando na limpeza da uretra. Ou seja, fazer xixi ajuda a impedir que bactérias e agentes infecciosos migrem e se instalam no trato urinário.

Vá ao banheiro

Mas não adianta só beber água, é preciso ir ao banheiro sempre que o corpo der sinais. Ficar segurando o xixi pode ser bastante prejudicial ao funcionamento da bexiga e facilitar que bactérias se proliferem.

Cuide da saúde íntima

Sobretudo as mulheres, devido à anatomia do trato urinário, devem ter atenção aos hábitos de higiene. Porém, além dos cuidados com a frequência dos banhos, é importante estarem atentas ao uso de produtos que possam afetar as defesas naturais da região íntima.

Sabonetes íntimos e os espermicidas, por exemplo, podem desregular o pH vaginal e fazer com que bactérias invadam com mais facilidade o canal urinário e não possam ser combatidas pelo organismo.

Faça xixi depois do sexo

Outra dica fundamental para as mulheres é fazer xixi depois do sexo com penetração. Como o pênis promove e facilita a migração das bactérias para dentro da uretra, infecções após o sexo são bastante comuns.

Fazer xixi é uma medida simples que ajuda a frear ou eliminar essas bactérias.

Cuide da saúde

Manter a imunidade fortalecida através da alimentação e rotinas saudáveis é uma medida de proteção e prevenção contra o ataque de agentes infecciosos em geral.

Cistite e cranberry

O cranberry é uma fruta pequena, mas rica em nutrientes. Por exemplo, seus níveis de vitamina C, cerca de 14g a cada 100g do produto, são tão altos que o alimento ganhou espaço nos mercados, lojas de produtos funcionais, farmácias e lojas de suplementos.

Bastante relacionado à prevenção de infecções urinárias, o cranberry é, muitas vezes, utilizado por quem sofre constantemente com o desconforto e sintomas da condição.

Apesar da fama promissora, alguns estudos recentes sobre os efeitos do cranberry, realizados pelo Instituto Nacional de Saúde e Excelência em Cuidados, órgão britânico, não comprovaram a ação efetiva na prevenção de infecções urinárias, como a cistite.

Vale lembrar que o alimento possui vários nutrientes que podem fortalecer o sistema imunológico e, por isso, se for aliado corretamente à alimentação, pode ajudar o organismo a se proteger da ação de bactérias.

Leia mais: Por que comer legumes e verduras?


Os cuidados com a rotina, alimentação e saúde em geral são fundamentais para manter uma rotina equilibrada e reduzir os riscos de doenças e disfunções do organismo.

Hábitos simples podem ser adotados para amenizar os quadros de cistite, evitando complicações e desconforto ao paciente.

Para saber mais dicas sobre bem-estar e prevenção, acompanhe o Minuto Saudável!

Fontes consultadas

  • Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP
  • Cistite – Ministério da Saúde
  • Síndrome da dor vesical/cistite intersticial – Femina
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8 Comentários

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  1. Desde da minha primeira relação sexual comecei a sofrer com desconforto da cistite. Em acompanhamento com um urologista, sempre questionei o fato de estar relacionado ao sexo. Ele insistia em dizer que não tinha nenhuma relação. Foi feito todos exames, tb, cistoscopia e, diagnosticou uma cistite crônica, conclusão, hj com 62 anos, sofro com esse mal estar, o qual vcs descreveram com tamanha exatidão. Parabéns, sobretudo, pela orientação de tomar uma dose única de antibiótico após a relação sexual. PARABÉNS, foi de muita utilidade.

  2. Ótima explicação! Me deixou muito mais tranquila. Para ficar ainda melhor eu só preciso parar de sentir dor rsrsrs. Obrigada!

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