Privação do sono afeta o cérebro e a personalidade, revela estudo

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Sabe-se que o recomendado é dormir de 7 a 8 horas por dia e que a falta de sono afeta nosso organismo, que sofre com o cansaço. Entretanto, os efeitos da falta de sono parecem ir muito além de sintomas físicos, podendo alterar também nossas respostas emocionais, capacidade de aprendizado e habilidade de tomar boas decisões.

Confira como a falta de sono pode afetar nossa cérebro e até mesmo a nossa personalidade:

Emoções negativas e estresse

Quem sabe este seja o segundo sintoma mais reconhecido da falta de sono: o estresse. Fora o cansaço, o estresse também parece ser aumentado quando não estamos dormindo bem.

Estudos indicam que pessoas que dormem menos acabam tendo as emoções negativas mais acentuadas do que aquelas que dormem a quantidade de horas recomendada por dia.

As amídalas cerebelosas, neurônios responsáveis pelos sentimentos e emoções, respondem significativamente mais do que quando a pessoa está bem descansada. Quando há a falta de sono, ocorre uma desconexão entre as amídala cerebelosas e o córtex pré-frontal, que, dentre outras funções, é responsável por “frear” as reações emocionais. Isso acaba causando emoções negativas com mais frequência.

Outros estudos mostram que as pessoas com privação de sono sentem estresse durante testes cognitivos simples, enquanto pessoas descansadas não sentem tanto. Já em testes cognitivos mais complexos, o nível de estresse das pessoas com privação de sono e pessoas descansadas é o mesmo, mostrando que a pessoa que não dorme bem não sente com mais intensidade, mas sim com mais frequência.

Depressão

Pacientes que sofrem de depressão são mais propensos a terem insônia, mas o que poucos sabem é que a própria falta de sono pode levar à depressão.

Isso porque, como descrito acima, as ligações entre as amídalas cerebelosas e o córtex pré-frontal são desfeitas, fazendo com que os sentimentos negativos tomem conta. A longo prazo, a pessoa pode acabar desenvolvendo uma depressão e, consequentemente, ter insônia, virando um círculo vicioso.

Capacidade de tomar decisões

Falta de sono pode afetar nossa capacidade de considerar possibilidades, tomar decisões e chegar à conclusões plausíveis e até mesmo realistas.

Um exemplo disso são as pessoas em cassinos. Apostadores cansados tem a tendência a escolher apostas com maior ganho monetário do que apostas que reduzem as perdas.

Pesquisadores da Duke University estudaram os efeitos da privação do sono nas preferências econômicas de jovens adultos. Os participantes realizaram tarefas que envolviam apostas e os pesquisadores constataram que a falta de sono tornava as pessoas mais otimistas, acreditando que as consequências positivas (ganhos) eram mais prováveis que as negativas (perdas).

Enquanto a pesquisa fala apenas do financeiro, é possível que a privação de sono afete nosso juízo em outros aspectos também.

Memória e aprendizado

Outra capacidade prejudicada pela privação do sono é a memória e, consequentemente, o aprendizado. Isso porque a falta de sono afeta diretamente o hipocampo, parte do cérebro responsável pelo armazenamento de novas memórias — além de estar fortemente associado às emoções.

Uma noite sem dormir reduz significativamente a atividade do hipocampo na hora de codificar as memórias episódicas, ou seja, na hora de armazenar o que se passou. Assim sendo, esta diminuição na atividade acaba também afetando a quantidade e a qualidade das informações que ficam retidas na memória.

Outra teoria é a de que alguns dos eventos no cérebro que são responsáveis pela consolidação da memória ocorrem durante os níveis mais profundos do sono. Estes eventos transferem as novas informações do hipocampo para o neocórtex, onde ficam armazenadas as memórias a longo prazo.

Sintomas de psicose e esquizofrenia

Pesquisadores da Universidade de Bonn relataram que 24 horas sem dormir podem gerar sintomas muito parecidos com os de psicose e esquizofrenia.

A habilidade de filtrar informações fica reduzida e há quem relata maior sensibilidade às cores, luzes e brilhos.

O teste padrão para medir a capacidade do cérebro de filtrar informações é o chamado Inibição Pré-Pulso. No teste, o indivíduo ouve um barulho alto através de fones de ouvidos. A resposta  rápida e intensa — provavelmente um susto — é captada por eletrodos que medem a contração dos músculos faciais. Quando um barulho mais baixo (pré-pulso) é ouvido antes do barulho alto, o susto não é tão grande. Assim, o pré-pulso inibe a resposta (susto) do indivíduo.

Nos pacientes esquizofrênicos e em pessoas com privação de sono, o pré-pulso não inibe a reação, fazendo com que a pessoa acabe levando o susto de qualquer maneira, mesmo que haja um barulho mais baixo antes. Os pesquisadores concluíram que, após 24 horas sem dormir, o cérebro apresenta defasagem na capacidade de filtrar informações.

Sonolência causa acidentes

Nas estradas, a privação do sono é um dos principais fatores que levam à acidentes automobilísticos. Isso porque a sonolência retarda os reflexos tanto quanto o álcool, causando reações lentas.

Em trabalhos repetitivos, a incidência de acidentes é maior para pessoas que sofrem de sono durante o dia.

Riscos de doenças crônicas

A longo prazo, dormir menos que o suficiente pode aumentar os riscos de desenvolver doenças crônicas como diabetes, hipertensão, AVC e doenças cardiovasculares.

Isso porque a privação do sono afeta de maneira significativa como o metabolismo funciona. Estudos mostram que pessoas que dormem pouco sofrem mais com estresse, pressão alta, dificuldades no controle da glicose e maior probabilidade de inflamações, estes sendo fatores de riscos que podem levar às doenças citadas.

Aumento do apetite e obesidade

A redução do sono está associada a alterações nos hormônios que controlam a fome. Há estudos que mostram que a privação do sono está relacionada a um aumento na vontade de comer doces e outros alimentos ricos em carboidratos.

O gasto energético de pessoas que dormem menos também é menor, pois não tendem a ser fisicamente ativas.

Deve-se levar em consideração também o fato de que, quanto mais tempo se passa acordado, mais tempo pode ser usado ingerindo alimentos e bebidas.

Menos libido

Homens e mulheres relatam redução da libido quando dormem menos. Algumas das causas para isso pode ser a falta de energia, a sonolência, tensão e estresse mais aflorados.

Para homens, fica ainda mais complicado caso eles sofram de apneia. Um estudo do Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism de 2002 mostra que homens que sofrem com esta doença, caracterizada por paradas respiratórias durante o sono, tem os níveis de testosterona reduzidos.

Piora a saúde da pele

As olheiras não são a pior coisa que a falta de sono pode causar na pele. Embora elas sejam muito comuns e deixem claro que a pessoa está sem dormir direito, a privação de sono causa também o aparecimento de linhas finas e pele sem brilho sob olhos.

Devido à falta de sono, o corpo libera mais cortisol que, em quantidades excessivas, pode quebrar o colágeno da pele.

Aumento no risco de morte

O Estudo Whitehall II, um estudo vasto sobre doenças cardiovasculares e taxas de mortalidade, examinou como os padrões de sono afetaram a mortalidade de mais de 10.000 servidores civis britânicos por duas décadas. Os resultados mostram que os que dormiam menos dobraram as chances de morrer por qualquer causa.

Os efeitos da privação do sono acabam sendo mais prejudiciais do que se imagina, e é extremamente importante se atentar para a sua rotina. Existem diversas doenças e condições que podem provocar a falta de sono ou sono de má qualidade, como a insônia, depressão e a apneia noturna.

Se você tem problemas para dormir à noite ou sente que não dorme bem o suficiente, consulte um médico.

Referências

http://jneurosci.org/content/31/10/3712.long
https://www.scientificamerican.com/article/can-a-lack-of-sleep-cause/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17293859
http://www.webmd.com/sleep-disorders/features/10-results-sleep-loss
https://www.uni-bonn.de/Press-releases/sleep-deprivation-leads-to-symptoms-of-schizophrenia

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