Saúde

Dia do Idoso: a importância da socialização na terceira idade

Publicado em: 30/06/2017Última atualização: 01/11/2021
Publicado em: 30/06/2017Última atualização: 01/11/2021
Foto de capa do artigo
Comemorado no primeiro dia do mês de Outubro, o Dia Internacional das Pessoas Idosas foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 1991 e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento da mesma, ação natural da vida de qualquer ser humano.Há, atualmente, a necessidade de proteger e cuidar da população idosa, aquela que já fez tanto para nós, seja criando uma base sólida nos valores da sua família, seja nas conquistas feitas através do seu trabalho realizado durante todos os últimos anos.Por isso, nessa data, ao redor de todo o globo, são realizadas diversas atividades para a população idosa, como palestras, sessões de atividades físicas, aulas de artes manuais e muitas outras.E, hoje, neste artigo, nós iremos trazer a vocês a realidade dessa população aqui no Brasil, bem como discorrer sobre a importância da socialização da terceira idade com o mundo.
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O idoso hoje na sociedade

Dia do idosoJá é visível, há alguns anos, que a longevidade das pessoas está tendo um aumento gradativo. De acordo com o censo do IBGE de 2010, a população de idosos no Brasil subiu de 3,9% para 5,1% e constatou-se que a média de idade das mulheres brasileiras passou de 63,9 para 77 anos, enquanto a dos homens passou de 66,3 para 69,4 anos.Com o aumento dessa expectativa de vida, várias gerações irão viver simultaneamente: pais com filhos, avós com netos, bisavós com bisnetos. Serão diversos conhecimentos sendo repassados de geração para geração em um mesmo momento, o que é bastante enriquecedor, culturalmente falando.De acordo com a ciência, senescência é o processo natural de envelhecimento ao nível celular. O envelhecimento do corpo como um todo se deve ao fato das células irem morrendo e não serem substituídas por novas e, por conta disso, as alterações físicas ficam mais nítidas – como a perda do brilho e o ressecamento da pele, o que a deixa mais quebradiça e enrugada.Com a diminuição dessa multiplicação de células no organismo, os sistemas do corpo vão tendo um declínio em seu funcionamento. A isso se dá o nome de senilidade.Com o envelhecimento da população, estima-se que o número de pessoas acima de 60 anos nas cidades será de 900 milhões em 2050. E, conforme mais velhas vão ficando, mais problemas no organismo vão aparecendo. Além dos cuidados com a saúde física, é necessária uma atenção especial com a saúde neurológica das pessoas da terceira idade.Segundo o professor Anderson Amaral, secretário geral da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), o nosso cérebro adora uma rotina. Porém essa rotina está associada a diversas complicações, inclusive as doenças degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson. Além disso, outras doenças podem ser acarretadas por conta do isolamento que sofrem, como a Depressão.E é diante desse quadro que se afirma que as atividades sociais dessas pessoas são extremamente importantes e precisam ser mantidas – o que, infelizmente, muitas vezes não acontece.
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Aceitando e compreendendo a terceira idade

O envelhecimento é um fator muito complexo e vai bem mais além da quantidade de anos que a pessoa tem. Segundo pesquisadores da área, a idade de qualquer ser humano é dividida em 4 tipos. Veja abaixo quais são elas:
  • Idade cronológica: É a mensuração de dias, meses e anos a partir da data de nascimento da pessoa.
  • Idade biológica: É definida pelas transformações do corpo e da mente conforme a passagem do tempo.
  • Idade social: É a avaliação de grau de adequação de alguém através do seu desempenho de ações e comportamentos desejados para a sua idade.
  • Idade psicológica: É o conjunto das habilidades adaptativas das pessoas, de acordo com as exigências do meio em que vivem, quando se utilizam de aspectos psicológicos, como controle emocional, inteligência, memória, etc.
Independente da ótica em que a idade de um indivíduo seja analisada, é certo afirmar que muitas pessoas ainda consideram a pessoa idosa como alguém inapto a fazer qualquer coisa.De tanto coisas desse tipo serem ditas, as pessoas idosas acabam, às vezes involuntariamente, se afastando de tudo aquilo que faziam até então. É importante salientar que a velhice não é uma fase que deve ser renegada, mas sim compreendida – não só pelo idoso, mas também por seus familiares.A colaboração do idoso nessa fase da vida é essencial, pois a primeira pessoa que deve entender que suas capacidades cognitivas não são mais as mesmas é ela mesma.Assim, com a aceitação, a postura será modificada e também o diferencial para ter uma qualidade de vida melhor dali pra frente. Envelhecer não quer dizer que a pessoa deve se excluir da sociedade; muito pelo contrário, envelhecer significa que é tempo de se atualizar e de aprender coisas novas que irão estimular a concentração e o equilíbrio.De acordo com o Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741, datada de 01 de outubro de 2003, o artigo 10 afirma que “é obrigação do Estado e da sociedade assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis”.Ou seja, cada pessoa idosa de nosso país merece e deve possuir os seus direitos prescritos por lei. E, para que isso aconteça, ela própria deve ir atrás, se fazer ouvir e protagonizar a sua própria história.
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A protagonização do idoso perante a sociedade

Dia do idosoPara que a visão sobre o idoso e a velhice possa ser diferenciada, é preciso que uma educação seja feita a eles como uma oportunidade de ação. Como já dito, para que várias coisas possam ser melhoradas, os próprios idosos precisam correr atrás dessas melhorias.Esse processo de mudança é dado através de um longo caminho, mas, para que isso seja concretizado, o primeiro passo precisa ser dado – que, no caso, é o da educação. Essa educação para o idoso serve para duas coisas:
  1. Para a sociedade conhecer e aprender a respeitar o idoso;
  2. Para o idoso ter novas condições de se abrir ao mundo que o cerca, conhecendo os seus direitos e vivenciando novas experiências.
Não é de hoje que os idosos são vistos como pessoas que tem muito a ensinar aos mais novos, mas, com essa educação que está se tornando cada vez mais comum, eles também tem muito a aprender.A educação para a terceira idade não é mais voltada a um meio de assistencialismo, mas sim para fazer com que essas pessoas entendam que, além de precisarem de atividades recreativas que ocupem o seu tempo, elas também precisam de espaço para crescerem cada vez mais.Os idosos possuem grande capacidade de aprender a partir do momento que são incentivados, independente de sua idade. Estudiosos afirmam que para que eles possuam uma aprendizagem efetiva, é necessário que uma motivação adequada seja feita, além de ceder o tempo necessário a eles para que a assimilação seja feita.A educação é capaz de transformar a relação do idoso, não apenas com a sua família, mas também com os amigos e com a sociedade, além de transformá-lo semelhante àqueles que constituem o seu universo.Após essa transformação, isto é, após o idoso ser considerado como um sujeito capaz de desenvolver e praticar determinadas atividades, a visão sobre a velhice é alterada e, nela, o idoso passa a ser um novo agente social em seu grupo de convívio.E é justamente esse novo agente social que está aprendendo a lutar pelos seus direitos e descobrindo a força da união, já que é a partir do convívio social e da troca de ideias e informações que novas motivações são criadas.Atualmente, uma série de grupos que se voltam à convivência de pessoas de terceira idade está sendo criada, e esses grupos podem ser formados espontaneamente por moradores do bairro, sindicatos ou por iniciativa do governo.Esses grupos tem como objetivo a satisfação do idoso através de atividades como dança, teatro, viagens ou até mesmo a aprendizagem de uma nova profissão ou de um novo idioma. Isso faz com que ele se sinta em crescimento, mesmo que, num primeiro momento, pareça ser sem sentido e aplicabilidade.Outra maneira encontrada pelas pessoas de terceira idade para se sociabilizarem foi fazer uso da tecnologia – seja ela através de computadores, celulares, tablets, etc. Ao contrário do que muitas pessoas dizem, aparelhos eletrônicos não se limitam apenas ao contato pessoa-máquina ou máquina-máquina, mas também pessoa-pessoa.O diálogo entre dois ou mais indivíduos é essencial para a vida de qualquer um e isso é suprido através de formas que facilitem e concretizem essa ação. Os adultos idosos possuem a opção de usar ou não uma ferramenta tecnológica, porém, diante da realidade de não mais morar próximo a todos que gostaria, acabam utilizando-a para se comunicarem e se sentirem parte da vida de quem está distante.

A socialização da terceira idade na prática

Os trabalhos de socialização para a terceira idade vem crescendo gradativamente aqui no Brasil. Um grande exemplo disso é o programa criado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) que, desde os anos 60, desenvolve um trabalho que visa o objetivo de possibilitar oportunidades de convívio social aos idosos. A instituição possui 3 tipos de programas em sua grade:
  • Centros de convivência: possuem atividades de lazer sócio-recreativas;
  • Escolas abertas: possuem cursos e programas voltados ao esporte e à saúde;
  • Serviço de preparação: feito para as pessoas que estão se aposentando.
Além do Sesc, outros grupos são vistos constantemente: clubes de terceira idade organizados por drogarias, clubes esportivos que organizam bailes dançantes às pessoas idosas, empresas que ofertam vagas de estágios para a terceira idade e por aí vai.
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Idosos em lares: como funciona?

Um tema ainda polêmico são idosos abrigados em casas de repouso e lares. Alguns acreditam que isso acontece devido à falta de cuidados (ou tempo para isso) por parte da família, mas nem sempre é assim. Será que os idosos não têm uma rotina própria nesses lugares? Essa é uma das várias dúvidas sobre o assunto.No entanto, em um bate-papo com Jocelia Pires Lopes (Assistente Social) e Lídia Hanke  (Coordenadora do Voluntariado), ambas colaboradoras do Lar de Idosos Recanto Tarumã (excelência no cuidado de homens da terceira idade em Curitiba, Paraná), foi possível esclarecer alguns pontos.Por isso, confira neste bate-papo sobre como idoso chega ao local, como é o dia a dia dele e qual é o protocolo a ser seguido por quem deseja realizar trabalho voluntário na instituição. Leia:Quais as principais prioridades do Recanto para garantir a qualidade de vida e o bem-estar dos idosos?Jocelia: a prioridade do Lar dos Idosos Recanto Tarumã é oferecer uma qualidade de vida melhor do que a que era vivenciada por eles fora. Nós contamos com uma equipe multidisciplinar de profissionais formada por: fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros e assistente social. Apesar do Recanto Tarumã ser destinado aos idosos em vulnerabilidade e sem familiares próximos, muitos que moram no lar optaram por viver no local.  Por que isso acontece? Jocelia: quando há familiares, muitas vezes o que ocorre é uma questão de escolha dos filhos, juntamente com seus cônjuges, porém, quando não há e vivem em situações de vulnerabilidade, como pensão ou mesmo em situação de rua, eles acabam vindo pela FAS (Fundação de Ação Social) e são destinados pelo Ministério Público. Muitos pensam que os idosos que moram em um lar não tem autonomia para tomar decisões, porém isso não é uma verdade absoluta, não é mesmo? Como o Recanto se posiciona em relação a esse ponto?Jocelia: há alguns idosos que precisam de mais cuidados, então para eles fazemos a curatela. Entretanto, a maioria tem como exercer a sua autonomia e nós a respeitamos. Eles podem, por exemplo, fazer as suas compras fora da instituição, cuidar das suas questões financeiras e quando não havia restrições devido à Covid-19 eles visitavam os seus familiares fora do lar.Para quem deseja prestar serviço voluntário no Recanto Tarumã, quais são as principais regras no que diz respeito ao diálogo com os idosos?Lídia: é fundamental que as pessoas que se candidatam ao serviço voluntário sejam acolhidas, visitem a instituição, e que tanto atenda às necessidades do Lar dos Idosos Recanto do Tarumã, como também tenha suas aspirações e motivações como vonluntárias atendidas. Nas conversas dos voluntários com os moradores (idosos) orientamos para que não seja abordado assuntos particulares com o idoso, como: família, dinheiro, problemas de saúde e outros que possam ser caracterizados como constrangimento ilegal ou assédio de toda e qualquer natureza. Também é proibida a abordagem religiosa ou política, ao idoso, sob qualquer pretexto. No mais, qualquer assunto pode ser explorado, exceto os citados anteriormente, desde que de maneira simples e de fácil entendimento. Se você deseja ter mais informações sobre o Lar de Idosos Recanto Tarumã, acesse:www.socorroaosnecessitados.org.brOu entre em contato pelo e-mail e telefones: [email protected]41 3266-3813 | 41 98898-2384
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Imagem do profissional Rafaela Sarturi Sitiniki
Este artigo foi escrito por:

Rafaela Sarturi Sitiniki

CRF/PR: 37364Farmacêutica generalista graduada pela Faculdade ParananseLeia mais artigos de Rafaela
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