Redação Minuto Saudável
29/06/2017 16:36

Paracoccidioidomicose: tratamento, sintomas, diagnóstico e mais

O que é paracoccidioidomicose?

A paracoccidioidomicose (PCM) ou blastomicose sul-americana, também popularmente conhecida como “Doença de Lutz-Splendore-Almeida”, é uma doença causada pelo fungo dimorfo Paracoccidioides brasiliensis, e caracterizada como infecção, sendo uma micose profunda.

Esta micose sistêmica é adquirida nas duas primeiras décadas de vida, com um pico de incidência entre 10 e 20 anos de idade. A apresentação de manifestações clínicas ou a evolução para doença é incomum neste grupo, ocorrendo com maior frequência em adultos entre 30 e 50 anos de idade, como reativação de foco endógeno latente.

O fungo da paracoccidioidomicose tem membrana dupla (bi-refringente) e dele brotam esporos (exo-esporulação) com célula em aspecto de “roda de leme”. Apresentam dimorfismo celular, vivendo na natureza sob a forma filamentosa, mas causam a doença na forma leveduriforme.

A paracoccidioidomicose é chamada de “micose sistêmica” porque pode afetar diversos tecidos do corpo. O pulmão e o tegumento são os principais afetados pelo fungo.

Após a cura da paracoccidioidomicose, o paracoco pode deixar lesões fibróticas no pulmão (e outros locais) muito relevantes, que são observadas na radiografia.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é paracoccidioidomicose?
  2. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
  3. Prognóstico
  4. Quais são os sintomas?
  5. Quais os tipos de Paracoccidioidomicose?
  6. O que causa?
  7. A paracoccidioidomicose tem cura? Qual é o tratamento?
  8. Como prevenir? É transmissível?
  9. Complicações
  10. Grupo de risco

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

O clínico geral deve ser procurado, e ele fará os encaminhamentos precisos para possíveis especialistas. O diagnóstico médico para a paracoccidioidomicose é clínico e laboratorial. Poderá ser feito por:

  • Exame micológico (exame direto e cultura-exame de escarro) ou
  • Exame histopatológico de órgãos supostamente acometidos e teste sorológico também podem ser úteis para obter o diagnóstico.

O exame laboratorial é feito com o achado do parasita, que se apresenta como células arredondadas, de dupla parede, birrefringente, com ou sem gemulação. Quando há gemulação múltipla, o parasita tem aspecto de “roda de leme”. Ainda podem ser empregadas provas sorológicas, como: imunodifusão em gel e histopatologia.

Geralmente, as alterações pulmonares são bilaterais e difusas (com maior acometimento nos campos médios). A radiografia pode ser solicitada pelo médico após a cura. A radiografia mostra as áreas de hipotransparência que partem dos hilos pulmonares e formam de cada lado imagens semelhantes a asas de uma borboleta. Os demais exames, como hemograma, VHS, mucoproteínas e eletroforese de proteínas são inespecíficos.

Os ápices e seios costofrênicos, geralmente, são poupados pela doença. Apesar do aspecto de “asa de borboleta” na radiografia ser muito sugestivo para a paracoccidioidomicose, somente 30% a 40% dos pacientes vão apresentar este padrão.

A formação de cavitações é muito comum, podendo acometer os linfonodos, determinando linfonodomegalias na região dos hilos. A tomografia computadorizada de tórax permite uma visualização melhor do acometimento pulmonar, que também pode ser solicitada pelo médico.

Diagnóstico diferencial

Ainda podem haver diagnósticos diferenciais, os principais são: tuberculose, sarcoidose, outras micoses, sequelas de pneumonias e neoplasias.

Prognóstico

Quando o diagnóstico for precoce e o tratamento for correto, o prognóstico será bom. Contudo, o mesmo não ocorre quando as lesões pulmonares evoluem para fibrose com retração e insuficiência respiratória. Neste caso, a doença é curada, mas as sequelas serão irreversíveis.

Nos pacientes que abandonam o tratamento, o prognóstico é ruim, pois evoluem para cronificação e disseminação da doença. Podendo levar à morte, devido a lesões nas vias aéreas, pulmões e insuficiência supra-renal.

Quais são os sintomas?

Os sintomas são cutâneos e graves. Alguns pacientes citam a perda de peso, astenia, febre e sudorese, mas a Paracoccidioidomicose apresenta como principais sintomas:

  • Dispneia (falta de ar).
  • Febre.
  • Formação de linfonodomegalias que fistulizam.
  • Estomatite moriforme, caracteriza-se como uma lesão na mucosa oral, elevada e puntiforme, muito característica. O fungo pode ser evidenciado em exame microscópico.
  • Expectoração hemoptoica (com sangue).
  • Lábio em tapira (lábio taparóide), quando o lábio fica com aspecto edemaciado, endurecido, com muita fibrose.
  • Tosse produtiva ou seca.

Quais os tipos de Paracoccidioidomicose ?

Duas formas clínicas foram descritas: a regressiva e a progressiva (aguda/subaguda e crônica), conheça:

Forma regressiva

De caráter benigno com manifestações clínicas discretas, em geral pulmonares. Apresenta regressão espontânea, independente de tratamento.

Forma progressiva

Compromete um ou mais órgãos, podendo levar à morte, caso não seja tratada de maneira adequada. É dividida nas formas aguda e crônica, de acordo com a idade, duração e manifestações clínicas. Veja:

Forma aguda/subaguda, conhecida como “tipo juvenil”

Surge em menos de 10% dos casos, afetando ambos os sexos em idade inferior a 25 anos.

Esta forma tem como característica o comprometimento pulmonar, ósseo, abdominal ou do aparelho digestivo, lesões ulceradas de pele, mucosas (oral, nasal e gastrointestinal), adenomegalia de linfodonos superficiais (gânglio e ínguas), linfoadenopatia e demais manifestações clínicas. Na forma disseminada, pode acometer todas as vísceras, sendo frequentemente afetada a supra-renal.

Forma crônica, conhecida como “tipo adulto”

Surge em adultos do sexo masculino, entre 25 a 60 anos de idade.

Esta forma é rara e, quando ocorre, compromete o sistema fagocítico-mononuclear, levando à disfunção da medula óssea. Na cavidade oral, evidencia-se uma estomatite, com pontilhado hemorrágico fino, conhecida como “estomatite moriforme de Aguiar-Pupo”. Pode acometer todos os mesmos órgãos da forma aguda/subaguda, inclusive o sistema nervoso central, sendo leve, moderada ou grave.

Ainda considera-se a forma sequelar, quando há manifestações clínicas relacionadas à fibrose cicatrial, seguindo ao tratamento específico, como hiperinsuflação pulmonar, insuficiência adrenal, estenose de traqueia e síndrome de má absorção.

O que causa?

A paracoccidioidomicose é causada pela inalação do fungo dimorfo Paracoccidioides brasiliensis. Seu período de incubação é de 1 mês até muitos anos. A contaminação através de ferimentos cutâneos e nas mucosas é extremamente rara.

A contaminação ocorre através da pele ou aspiração, quando inalados, os fungos dessa micose atingem os alvéolos, transformando-se em leveduras, que são as formas infectantes. A resistência à infecção é determinada pela capacidade do hospedeiro em diminuir a disseminação fúngica, sendo a resposta imunocelular o principal mecanismo de defesa.

A paracoccidioidomicose tem cura? Qual é o tratamento?

Sim. E o tratamento medicamentoso consiste em:

  • Anfotericina B – 1 mg/kg/dia (intravenosa) diluído em 500 ml de soro glicosado a 5% mais acetato de delta hidrocortizona 50 – 100 mg. A dose máxima de anfotericina B não deve ultrapassar 3 g.
  • Cetoconazol (via oral) por até 45 dias; para os casos graves ou resistentes, a anfotericina B é utilizada.
  • Derivados azólicos: itraconazol – 1ª escolha, com boa resposta: tratamento de 6 a 18 meses.
  • Fluconazol (via oral) por até 6 meses. Este último é a melhor opção para o tratamento da neuroparacoccidioidomicose, pela sua alta concentração no SNC; a dose de ataque pode ir até 800 mg/dia por 30 dias.
  • Itraconazol 100 a 200mg/dia, durante 6 a 12 meses; pode haver efeito colateral, causando náuseas, dispepsia, dor abdominal e constipação.
  • Sulfas: Sulfametoxazol + Trimetoprima 800/60 mg/dia (via oral). 30 dias, até de 1 a 2 anos, após sorologia negativa.
  • Melhora clínica-radiológica-laboratorial: aparece em cerca de 2 a 3 meses.

Se após o tratamento houver cura clínica e radiológica, com sorologia negativa, o paciente é considerado curado. Se a sorologia persistir positiva, o tratamento deverá continuar.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Como prevenir? É transmissível?

O indivíduo é contaminado pela inalação do fungo, este mais encontrado em zona rural e hábitos, como cultivar a terra, cuidar de jardins, caçar animais, etc.

Não há casos de transmissão de pessoa para pessoa.

Complicações

Pode ocorrer a neuroparacoccidioidomicose, caracterizada por comprometimento do parênquima e dos folhetos que revestem o sistema nervoso central. As formas pulmonares podem evoluir para insuficiência respiratória crônica.

Grupo de risco

Em adultos acomete mais os homens (1 em cada 13), pois em suas práticas diárias, tema maior exposição do que as mulheres, trabalhando na terra, por exemplo. Também, os hormônios sexuais femininos, como o estriol, tem efeito protetor, impedindo o ciclo do fungo que torna-se incapaz de transformar-se em levedura, essencial para induzir a doença.

A faixa etária de maior incidência encontra-se entre os 30 e 50 anos de idade. É mais propícia nas regiões tropicais da América do Sul, comum no Brasil em relação a outros países. Frequente em trabalhadores rurais, agricultores, operários da construção civil.

Pesquisadores analisaram 3.181 mortes por PCM registradas no Brasil, no período de 1980 a 1995, e estimaram uma taxa de mortalidade de 1,49 por milhão de habitantes. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste brasileiro apresentam maior mortalidade pela doença.


A Paracoccidioidomicose foi descrita por Adolfo Lutz, em 1908. Esta doença endêmica é exclusiva do continente americano. No Brasil, com 80% dos casos da doença no mundo, estima-se a existência de 4 a 6 mil casos anuais. O nome é complicado, mas podemos tornar o conhecimento da Paracoccidioidomicose disponível a todos! Compartilhe este artigo para que mais pessoas conheçam este tipo de micose!

31/01/2019 15:27

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Ver comentários

  • Muito boa informações estima internado a um ano atras acometido de paracoccidioidomicose com tratamento de anfotarecina b durante 32 e bactrim durante nove meses tenho 44 anos e faco acompanhado com infectologista com revisão periódica de seis meses. Minhass lesões foram surperficias acometendo todos os membros e deixando cicatrizes por todo corpo meus primeiros sintomas aparecer eram em 09/2016 e só através da segunda biópsia em 02/2017 se diagnosticado e tive vários sintomas como febre muito alta com sudorese perda de peso e ulceras pustolas .

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