Há diversos anos, a mídia enfatiza a todos que tem acesso a ela sobre o modelo de “vida perfeita”, ou seja, o famoso comercial de margarina. Dentre as questões para se ter uma vida perfeita está a do “corpo perfeito”. Na concepção midiática, para ser feliz é preciso ser magro e feliz o tempo todo e isso acaba causando diversos problemas às pessoas, como os inúmeros casos de transtornos alimentares.

Os transtornos mais conhecidos são a Anorexia, que consiste no medo constante em engordar, o que faz com que a pessoa deixe de se alimentar para manter o “corpo ideal”, e a Bulimia – tema deste artigo. Além de transtornos alimentares, ambos são também psicológicos, envolvendo características particulares das pessoas, como a baixa autoestima.

Índice – neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é Bulimia
  2. As causas da Bulimia
  3. Fatores de risco
  4. Quais são os sintomas da Bulimia
  5. Diagnóstico
  6. O tratamento para a Bulimia
  7. Há complicações?
  8. Prevenção

O que é Bulimia

A Bulimia é uma desordem alimentar que gera na pessoa uma compulsão muito grande em ingerir muita comida – normalmente bastante calóricas – e, logo após, é tomada por um sentimento de arrependimento ou de medo de engordar, fazendo com que recorra a meios de eliminar o que foi ingerido. Dentre esses meios, os mais comuns são a indução de vômitos, o consumo de laxantes e diuréticos ou a excessiva prática de exercícios.

A doença pode ser catalogada em duas diferentes maneiras:

  • Bulimia com expurgação: A pessoa regularmente auto-induz o seu vômito ou faz uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas após comer compulsivamente.
  • Bulimia sem expurgação: Utilização de outros métodos para se manter livre das calorias e evitar o ganho de peso, como a prática do jejum, dieta rigorosa ou exercício excessivo.

As causas da Bulimia

A doença ainda não possui uma causa exata, mas por ser um transtorno alimentar, muitos fatores estão envolvidos na prática da eliminação instantânea de calorias. Como mencionado, a influência da mídia sobre as pessoas conta bastante nesse processo.

O culto ao corpo ainda é muito praticado por diversas pessoas, ainda mais com o desprezo às pessoas que estão acima do peso que também é propagado através de diferentes meios. Isso, em conjunto com quadros de depressão ou baixa autoestima, pode desencadear crises de ansiedade em alguém, fazendo com que ele busque maneiras extremistas de perder peso rapidamente, ao mesmo tempo em que busca certo tipo de conforto na comida.

Fatores de risco

Mais de um fator pode causar a bulimia em alguém: fatores genéticos, psicológicos, traumáticos, familiares, sociais e culturais. Abaixo, citamos os fatores que podem desencadear mais facilmente o distúrbio em alguém. Veja quais são:

  • Sexo feminino: Adolescentes e jovens adultas são mais propensas a terem bulimia – o que não exclui os homens de também desenvolverem a doença.
  • Genética: Não é algo que seja comprovado, mas supõe-se que pessoas com parentes de primeiro grau com algum tipo de transtorno alimentar pode ser mais propenso a desenvolvê-lo também.
  • Problemas psicológicos e emocionais: Pessoas com transtornos psicológicos ou baixa autoestima podem desenvolver mais facilmente a bulimia. Gatilhos como estresse, dieta restritiva, tédio ou auto-imagem pobre do corpo fazem com que a pessoa busque maneiras de se sentir melhor com a sua própria imagem e/ou vida.
  • Mídia e pressão social: Revistas de programas televisivos ou de moda apresentam um padrão de beleza universal que fazem com que muitas pessoas (em sua maioria meninas) associem a magreza com sucesso e popularidade.
  • Esportes, trabalho ou pressões artísticas: Atletas  e profissionais do meio artístico em geral, como atores e dançarinos, possuem maior risco de desenvolverem transtornos alimentares. Treinadores ou pais podem, involuntariamente, incentivar essas pessoas a perderem peso e manter, assim, um peso baixo.

Quais são os sintomas da Bulimia

Muitas vezes, os sintomas de uma pessoa bulímica não é enxergado por outras. Isso acontece por conta da pessoa esconder – para si mesma e para os outros – que ela possui o transtorno em questão. Porém, se for prestado uma atenção maior, alguns sinais podem ser identificados nela.

Sinais mais visíveis

  • Não se alimentar na frente de outras pessoas;
  • Mesmo estando com o peso ideal, a pessoa age como se estivesse sob dieta, controlando todas as calorias que ingere e revelando o seu medo excessivo de engordar;
  • Faz exercícios compulsivamente e se mostra culpada quando não o faz;
  • Dissimula a aparência, usando roupas mais folgadas;
  • Afasta-se das pessoas, podendo se tornar desconfiada e agressiva;
  • Apresenta sintomas de desnutrição, tais como: tontura, desmaio, fadiga, sono ou insônia e inchaço no corpo;
  • Emagrecimento súbito.

Sinais menos visíveis

  • Vômitos após as refeições: a pessoa pode ir ao banheiro logo após se alimentar e permanece por lá por muito tempo.
  • Uso de laxantes e diuréticos: alguns sinais podem ser apresentados por conta dessa prática, como queixas de cólicas abdominais, inflamações anais ou descontrole intestinal.

Diagnóstico

Para o diagnóstico da bulimia, o médico a ser consultado é o clínico geral. Uma vez na consulta, ele poderá perguntar algumas coisas para ajudar no diagnóstico preciso, como:

  • Há quanto tempo há essa preocupação com o peso?
  • Você faz prática de exercícios físicos?
  • Você come quantas vezes por dia?
  • Que meios são utilizados para a perda de peso?

Feito as perguntas, o especialista poderá, ainda, realizar alguns exames físicos no paciente, que podem mostrar os seguintes sinais:

  • Vasos sanguíneos quebrados nos olhos;
  • Boca seca;
  • Bolsas oculares que se assemelham ao “olhar para as bochechas”;
  • Erupções cutâneas e espinhas;
  • Pequenos cortes e calos nos dedos, por conta da autoindução do vômito.

Se o médico ainda não tiver certeza do quadro clínico do paciente, ele poderá solicitar exames de sangue, urina e fezes a fim de descobrir se há sinais de desequilíbrio eletrolítico ou de desidratação.

O tratamento para a Bulimia

Como já mencionado, muitas vezes quem sofre de bulimia não quer mostrar aos outros esse problema. Porém, para que a doença seja tratada e, posteriormente, curada, é preciso que o próprio paciente admita para si mesmo que é doente e que precisa de ajuda. Após isso, tratamentos nutricionais e psicológicos são feitos em conjunto a fim de fazer com que o conjunto de fatores que desencadeou a doença seja revertido.

Passos para a recuperação da Bulimia

  1. Admita que você tem um problema: O primeiro passo para o tratamento da bulimia é admitir que a sua relação com a comida é distorcida e fora de controle.
  2. Fale com alguém: À primeira vista, falar com alguém sobre a situação pode parecer difícil. Porém, esse passo é fundamental para a recuperação, até porque isso faz você perceber que não está sozinho nessa batalha.
  3. Mantenha distância de pessoas, lugares ou atividades que desencadeiam a tentação da compulsão ou expurgação: Esse passo pode ser complicado no início, mas é preciso que você se afaste de gatilhos que irão desencadear os sintomas que a bulimia tem como características.
  4. Procure ajuda profissional: O aconselhamento e apoio profissional, independente da área que for, é muito importante para que você consiga recuperar integralmente a sua saúde.

Procurando ajuda profissional

Não é raro encontrar pessoas que tenham bulimia e que também apresentarem quadros de depressão. Se esse for o seu caso – ou de alguém próximo –, é importante que um acompanhamento psicológico e psiquiátrico seja realizado ao longo do decorrer de todo o tratamento – esse depende da gravidade da bulimia, bem como da resposta da pessoa aos tratamentos.

Alguns exemplos de como tratar essa doença são:

  • Grupos de apoio;
  • Terapia cognitivo-comportamental + terapia nutricional;
  • Uso de antidepressivos como Daforin e Fluoxetina quando o quadro clínico encontra-se em estado grave.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

A bulimia é uma doença de difícil recuperação, mas se os conselhos médicos forem seguidos rigorosamente, a cura é certa. Para que o tratamento seja efetivo, é necessário considerar as seguintes recomendações:

  • Siga uma dieta saudável, devidamente orientada por um especialista;
  • Informe-se bastante sobre a bulimia, frequente os grupos de apoio existentes e conheça as complicações que podem ser causadas pela doença;
  • Procure ajuda médica novamente caso tenha alguma recaída;
  • Tenha paciência com você mesmo;
  • Exercite-se, mas com cautela.

Há complicações?

A bulimia é uma doença perigosa e pode levar a sérias consequências quando não tratada da devida maneira:

  • Lesão permanente no esôfago (por conta do ácido gástrico gerado em decorrência do vômito);
  • Desidratação – que posteriormente pode ocasionar insuficiência renal;
  • Problemas cardíacos;
  • Cárie dentária grave;
  • Ausência ou irregularidade da menstruação;
  • Inflamação na garganta;
  • Constipação;
  • Ansiedade e depressão;
  • Abuso de álcool ou drogas;
  • Suicídio.

Prevenção

Ainda não há maneiras totalmente eficientes para se prevenir a bulimia, porém evitar contato com alguns fatores de risco já ajuda no processo. Você pode fazer isso através de:

  • Cultivar sempre a ideia de um corpo saudável, independentemente da silhueta ou do peso de seu corpo;
  • Converse com o pediatra do seu filho, pois por ele ser especialista, podem notar desde cedo se há alguma indicação de que a criança está tendo distúrbios alimentares;
  • Converse com um médico caso saiba que algum familiar próximo teu já teve ou tem algum tipo de distúrbio alimentar.

Conciliando essas dicas com uma boa dieta nutricional no seu dia a dia, as chances de você ou alguém desenvolver a Bulimia já diminuem bastante. Compartilhe esse artigo com os amigos e nos ajude a propagar essas informações!

Referências:

http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/bulimia/symptoms-causes/dxc-20179827
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/bulimia
http://veja.abril.com.br/especiais_online/anorexia-bulimia/sintomas.shtml
https://medlineplus.gov/ency/article/000341.htm
http://www.helpguide.org/articles/eating-disorders/bulimia-nervosa.htm

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