Redação (Minuto Saudável)
03/11/2017 08:00

O que é Vaginismo, causas, sintomas, tratamento, tem cura?

O que é vaginismo?

O vaginismo, também conhecido como Transtorno da Dor Gênito-Pélvica e da Penetração, é uma disfunção sexual feminina caracterizada pela contração vaginal involuntária, que causa desconforto, ardência, dor, problemas com a penetração ou total incapacidade de ter relações sexuais.

É uma doença psicossomática em que, durante o sexo, a mulher sente desconforto e dores na região vaginal, levando muitas vezes à espasmos involuntários dos músculos pélvicos e de outras partes do corpo (nádegas, coxas, parte inferior das costas etc.) e até mesmo parada temporária da respiração.

Estima-se que o vaginismo atinge cerca de 2 em cada 1000 mulheres. No entanto, esse número pode ser mais alto, pois a obtenção de dados estatísticos sobre essa condição é difícil devido à fatores como a vergonha e constrangimento de muitas mulheres que, intimidadas por esse tabu, não procuram tratamento.

Suas causas são variadas, podendo ter origens físicas, como abortos, partos normais, infecções urinárias e fúngicas, ou psicológicas, como traumas de infância, medo e ansiedade.

A doença tem cura e ela normalmente envolve tratamento psicológico, terapias sexuais ou exercícios de contração e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico.

Lembrando que não se deve confundir vaginismo e dispareunia. O vaginismo se caracteriza pelo impedimento das relações sexuais e da penetração devido à contração involuntária dos músculos pélvicos, enquanto a dispareunia é simplesmente a dor durante a relação sexual, sendo que a penetração é possível, não havendo contração dos músculos.

Caso você suspeite ter vaginismo, não tenha medo do tabu e procure orientação profissional. Sua vida só tende a melhorar depois que você aceitar o problema e buscar por uma solução!

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações

  1. O que é vaginismo?
  2. Tipos de vaginismo
  3. Causas
  4. Sintomas
  5. Quando procurar ajuda médica?
  6. Como é feito o diagnóstico de vaginismo?
  7. Vaginismo tem cura? Qual o tratamento?
  8. Convivendo / Prognóstico
  9. Complicações
  10. Perguntas frequentes

Tipos de vaginismo

O vaginismo é classificado de duas formas diferentes: pela forma e pela intensidade.

Formas

Vaginismo primário

O vaginismo primário ocorre quando a penetração vaginal nunca foi/nunca é atingida. Nesse caso, as contrações ocorrem desde a primeira tentativa de relação sexual. O parceiro do sexo masculino se vê incapacitado de inserir o pênis na vagina, pois ela encontra-se completamente fechada.

Essa forma de vaginismo não afeta somente as relações sexuais, como pode dificultar a colocação de absorventes internos e a realização de exames ginecológicos.

Além disso, em adição à dor, a mulher pode sentir espasmos musculares generalizados e até mesmo parar de respirar temporariamente. Felizmente, esses sintomas deixam de acontecer quando a tentativa de penetração é interrompida.

Vaginismo secundário

O vaginismo secundário acontece quando a penetração vaginal já foi possível de ser realizada sem dor ou espasmos em algum momento da vida, mas não é mais viável.

Ele pode começar a mostrar seus primeiros sinais a qualquer momento e com qualquer mulher, mesmo as que nunca experienciaram qualquer sintoma de vaginismo. Suas causas normalmente estão relacionadas à eventos específicos, como infecções, menopausa, eventos traumáticos, problemas no relacionamento conjugal, cirurgias ou após o parto.

Infelizmente, mesmo após o tratamento desses eventos específicos, a dor e as contrações podem continuar devido ao condicionamento sensorial do corpo da mulher.

Intensidade

Vaginismo global

O vaginismo global ocorre quando a dor e o desconforto estão presentes durante qualquer situação e com qualquer objeto. Por exemplo, as mulheres que sofrem de vaginismo global não conseguem se masturbar, colocar o OB ou simplesmente tocar na vagina sem sentir as contrações.

Vaginismo situacional

O vaginismo situacional ocorre quando a dor e o desconforto estão presentes somente em algumas situações específicas, como durante o sexo, não atrapalhando atividades corriqueiras como exames ginecológicos, masturbação, colocada e retirada do OB etc.

Causas

O vaginismo muitas vezes vem de surpresa: contrações inexplicáveis, desconforto, dor e problemas de penetração aparecem inesperadamente durante as relações sexuais.

Essa dor é resultado da contração involuntária dos músculos ao redor da vagina.

Normalmente, a origem do vaginismo está associada a uma combinação de causas físicas e não físicas, fazendo com que a mulher fique ansiosa e comece a antecipar a dor.

A reação involuntária a essa antecipação ansiosa é a contração dos músculos pélvicos, como se o corpo estivesse se protegendo e se fechando contra algum perigo eminente.

Por exemplo, quando antecipamos algum tipo de impacto, como cair no chão ou se chocar contra algum objeto, os músculos dos braços, pernas colo e das pálpebras se contraem, tentando se proteger.

O mesmo ocorre antes da relação sexual em mulheres que sofrem de vaginismo, fazendo com que o sexo se torne doloroso e a penetração fique mais difícil e até mesmo impossível.

Essas reações podem ser desencadeadas por eventos físicos tão simples como preliminares inadequadas ou falta de lubrificação, como por outros fatores emocionais não físicos, tais quais a ansiedade, sendo estes os responsáveis pela maior parte dos casos.

As causas emocionais que provocam os sintomas do vaginismo geralmente são inconscientes e requerem investigação. É importante que os processos de tratamento eficazes incluam tratar de todos os desencadeadores emocionais para que uma relação sexual prazerosa e sem dor completa possa ser usufruída.

No entanto, o mais importante a ser ressaltado é que a culpa não é da mulher. Ela não “causa” a contração intencionalmente ou leva seu corpo a se contrair. Ela simplesmente não consegue interromper esse processo.

Causas físicas

Na maior parte dos casos, as pacientes que sofrem de vaginismo não possuem nenhum problema físico inerentemente relacionado à doença, visto que sua maior causa é decorrente de problemas psicológicos.

Porém, existem casos em que a condição é causada por problemas físicos como infecção e obstrução do canal vaginal, doenças como o câncer ou a esclerose e outras diversas causas. Confira.

  • Canal vaginal mal formado ou mal posicionado;
  • Hímen muito espesso;
  • Histórico de trauma na bacia;
  • Infecções no trato urinário ou problemas urinários;
  • Infecções fúngicas;
  • DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis;
  • Endometriose (distúrbio em que o revestimento do útero cresce fora dele);
  • Tumores genitais ou pélvicos;
  • Cistos;
  • Câncer;
  • Vulvodinia / vestibulodinia (dor crônica na abertura da vagina);
  • Doenças inflamatórias pélvicas;
  • Líquen plano (inflamação da pele e das membranas das mucosas);
  • Líquen escleroso (doença crônica que provoca manchas brancas e finas na pele, geralmente na região genital);
  • Eczema;
  • Psoríase;
  • Prolapso vaginal;
  • Dor do parto normal;
  • Cesarianas;
  • Abortos;
  • Menopausa e mudanças hormonais;
  • Secura vaginal;
  • Atrofia vaginal;
  • Qualquer tipo de cirurgia pélvica, exames pélvicos difíceis ou outro trauma pélvico;
  • Agressão física, estupro ou abuso físico/sexual.

Causas não físicas

A origem psíquica é uma das principais causas do vaginismo. Isso resulta em ansiedade devido ao medo da dor. Mais difíceis de tratar e de serem observadas, as causas psíquicas têm inúmeras variantes. Por isso, o elaboramos uma lista com causas não físicas. Confira:

  • Medo ou antecipação da dor sexual;
  • Medo de não estar completamente curada fisicamente após um trauma pélvico;
  • Medo de lesão aos tecidos (ou seja, de “estar rasgada”);
  • Medo de engravidar;
  • Preocupação de que um problema médico pélvico possa ocorrer novamente;
  • Ansiedade em geral;
  • Pressões para ter um bom desempenho;
  • Experiências sexuais desagradáveis anteriores;
  • Negatividade em relação ao sexo;
  • Culpa;
  • Traumas emocionais ou outras emoções sexuais não saudáveis;
  • Abuso;
  • Desapego emocional;
  • Medo de compromisso;
  • Desconfiança;
  • Ansiedade em relação a estar vulnerável, perder o controle;
  • Abuso sexual/emocional anterior;
  • Testemunhar violência ou abuso;
  • Memórias reprimidas;
  • Educação excessivamente rígida durante a infância;
  • Ensino religioso desequilibrado (ou seja, a ideia de que “o sexo é ruim”);
  • Exposição a imagens sexuais chocantes;
  • Educação sexual inadequada.

Sintomas

Sentir dor durante as relações sexuais é, normalmente, um dos primeiros sinais do vaginismo. Essa dor ocorre, na maior parte dos casos, somente com a penetração. Ela geralmente se esvaece após a retirada do pênis, mas não sempre.

As mulheres que sofrem dessa disfunção descrevem a dor como uma sensação de rasgação ou então a sensação de que o pênis está “batendo contra uma parede”.

Muitas mulheres também sentem desconforto quando inserem absorventes internos ou então durante um exame interno.

Confira abaixo uma lista com os principais sintomas do vaginismo:

  • Ardência ou latejamento com estreitamento da abertura vaginal durante o sexo.
  • Penetração difícil ou impossível.
  • Dor na entrada vaginal.
  • Inserção desconfortável do pênis.
  • Desconforto sexual frequente ou dor após o parto.
  • Espasmos involuntários em outros grupos musculares (pernas, parte inferior das costas etc.).
  • Prender a respiração involuntariamente durante a penetração.
  • Evitar relações sexuais devido à dor e/ou fracasso.

Quando procurar ajuda médica?

Se você suspeita que tem vaginismo, procure seu ginecologista e faça um exame. Muitas mulheres sentem vergonha de buscar ajuda, mas o vaginismo é um problema comum que pode melhorar com o tratamento correto.

É muito importante que você busque ajuda de um profissional. Ele é a pessoa mais qualificada para te orientar quanto ao tratamento da sua condição.

Como é feito o diagnóstico de vaginismo?

Não há exame médico para confirmar a condição de vaginismo. Ele é diagnosticado através da história clínica da paciente, da descrição do problema ou da dor em um exame ginecológico.

Como a disfunção não possui causa física aparente, seu diagnóstico é mais complicado do que o normal. As mulheres podem precisar advogar fortemente por si mesmas, insistindo em um diagnóstico completo de um profissional experiente para descartar qualquer outro problema de saúde.

O principal problema é que muitos médicos não estão familiarizados com o vaginismo. Sendo assim, parte essencial do processo é encontrar um médico que tenha conhecimento sobre a condição.

Além disso, transtornos de dor sexual como o vaginismo são comumente diagnosticados erroneamente ou deixados sem atendimento. As mulheres precisam ser muito corajosas e para exigir preocupações receber a atenção necessária.

Falar com médicos sobre problemas sexuais pode ser difícil. Constrangimento, vergonha e ansiedade estão muitas vezes presentes, tornando difícil a comunicação e a obtenção do tratamento apropriado.

Para que você saiba quais médicos consultar, fizemos uma pequena lista com os tipos de profissionais indicados.

  • Ginecologistas: nem todo ginecologista tem experiência em diagnóstico e com o tratamento do vaginismo. Entretanto, eles são extremamente experientes e poderão te ajudar a excluir outros problemas de saúde, esclarecer dúvidas e chegar em um diagnóstico preciso.
  • Fisioterapeutas: existe um número crescente de fisioterapeutas especializados em distúrbios do assoalho pélvico e dor sexual como o vaginismo. Muitos fisioterapeutas trabalham com suas pacientes para desenvolver programas caseiros, permitindo que as mulheres façam os programas no seu próprio ritmo.
  • Terapeutas sexuais e psicólogos: eles podem identificar causas psicológicas e te ajudar a diagnosticar o vaginismo.

Vale ressaltar que o método mais preciso para se diagnosticar o vaginismo é através de um exame pélvico com um ginecologista. Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento por conta própria, busque a opinião de algum profissional desse ramo.

O que eu devo falar para o médico?

Como se trata de um tema extremamente tabu, o Minuto Saudável fez uma lista com dicas do que dizer para o médico durante uma consulta para ajudar tanto você a encarar esse tema, quanto para melhorar o entendimento do médico. Confira.

Introduza o problema

Antes de tudo, conte para o médico qual é o problema. Diga que sofre de dores durante o sexo e peça ajuda.

Descreva a dor e seja específica

Não tenha medo de entrar em detalhes. Conte tudo minuciosamente. Descreva como a dor acontece e em que lugares ela te acomete. Entre em detalhes sobre a duração, intensidade e conte quais táticas você já tentou utilizar para diminuir a dor.

O médico é um profissional acostumado a ouvir todo o tipo de relato e deve, por lei, manter as informações pessoais dos seus pacientes em sigilo. Então, não se acanhe.

Mencione qualquer tipo de problema anterior

Se você já teve qualquer tipo de problemas anteriores na região pelvica e vaginal como DST’s, infecções fúngicas problemas na bexiga etc., não esqueça de mencioná-los. Isso vai ajudar o médico a descartar ou incluir algum tipo de causa possível.

Mencione qualquer abuso sexual anterior

Por mais que seja difícil para você falar sobre esse assunto, caso você tenha sofrido algum tipo de abuso sexual, conte para o médico. Ele vai entender e pode te indicar algum profissional de saúde mental para te ajudar a lidar melhor com os traumas causados por esse evento, que pode ser uma das causas da sua condição.

Fale o que você acha ser o problema

Conte para o médico quais são as suas suspeitas. Ele é um especialista e pode te tranquilizar, seja o caso ou não de você ter vaginismo.

Vaginismo tem cura? Qual o tratamento?

Sim, o vaginismo tem cura e o tratamento vai depender do que está causando a doença.

Apesar de não haver tratamento cirúrgico ou medicamentoso para a doença, ela é considerada uma disfunção sexual cujo tratamento tem bons resultados. Altas taxas de sucesso são muito comuns, dentro de espaços de tempo razoáveis.

Caso haja uma causa física evidente, como infecções ou nervos ultra sensíveis na abertura da vagina, o vaginismo pode ser tratado com medicamentos destinados a essas mesmas causas físicas.

Entretanto, as causas físicas citadas acima não são os responsáveis diretos pelo veganismo, pois se trata de uma doença psicossomática, e não física. Muitas vezes, por mais que se tratem as causas físicas e que elas desapareçam por completo, o vaginismo em si pode continuar ocorrendo.

Portanto, se não forem encontradas causas físicas em testes e exames médicos, técnicas de auto-ajuda, como educação sexual, aconselhamento profissional e exercícios vaginais podem ser empregadas para tentar resolver o problema.

Confira abaixo alguns dos tipos de tratamento.

Terapias sexuais e acompanhamento psicoterápico

Um dos tratamentos mais comuns são as terapias sexuais. Elas envolvem se educar e aprender sobre sua anatomia e o que acontece durante a excitação e relação sexual.

Os médicos e especialistas vão te ajudar a entender quais músculos estão envolvidos, quais se contraem, como se contraem e por que doem. Isso pode te ajudar a encarar a disfunção com mais facilidade, pois assim você saberá como seu corpo funciona e como responde, podendo ter mais controle sobre si mesma.

Posteriormente, você levará esses conselhos para sua vida particular e poderá iniciar técnicas de relaxamento, tanto sozinha quanto com seu parceiro(a).

Por ser uma condição psicossomática, o acompanhamento psicoterápico também é indicado em conjunto com as terapias sexuais.

Como suas causas podem derivar de traumas, ansiedade e outras condições psicológicas, um psicoterapeuta e um psiquiatra são peças essenciais para ajudar você a entender e aceitar seu próprio histórico, se acalmar e tomar controle sobre o próprio corpo.

Buscar aconselhamento de sexólogos, psicólogos e ginecologistas é muito importante para o tratamento da doença. Eles vão te ensinar técnicas de relaxamento, controle corporal e até podem aplicar métodos de hipnose. Essas táticas terapêuticas promovem relaxamento e podem te ajudar a se sentir mais confortável durante as relações sexuais.

Dilatadores vaginais

Seu médico ginecologista ou terapeuta sexual pode recomendar à você o uso de dilatadores vaginais com a supervisão de um profissional.

Este tratamento consiste em inserir dilatadores que vão ficando gradativamente maiores na vagina para esticar os músculos da região pélvica e deixá-los mais flexíveis.

Uma das formas de tornar esse tratamento menos incômodo, é fazê-lo com a ajuda do seu parceiro(a). Depois de terminar o tratamento com uma série de dilatadores, você e seu parceiro(a) podem tentar ter relações sexuais novamente.

Exercícios fisioterápicos

Existem tratamentos fisioterapêuticos para o vaginismo. Eles incluem desenvolver uma série de habilidades e reeducar os músculos pélvicos para estabelecer maior controle sobre a região de forma que respondam aos estímulos sexuais de uma maneira positiva e controlada.

Exercícios de Kegel

Os exercícios de Kegel são é uma simples técnica de contração e relaxamento do assoalho pélvico que deixam os músculos dessa região mais fortes e elásticos.

Seu assoalho pélvico é uma série de músculos e tecidos que formam toda a sua região pélvica.

Você pode localizar esses músculos ao urinar. Depois de começar a fazer xixi, tente parar a corrente propositalmente. Esses músculos que você contrai para parar de urinar são os músculos pélvicos. Preste atenção em como você consegue apertá-los e fazê-los se moverem. Eles se movem em grupo, então se contraem e se relaxam simultaneamente.

Praticar esses exercícios de contração e relaxamento te ajuda a ter mais controle sobre o seu corpo. Siga os seguintes passos:

  1. Esvazie sua bexiga;
  2. Contraia os músculos do assoalho pélvico e conte até 10;
  3. Relaxe seus músculos do assoalho pélvico e conte até 10 novamente;
  4. Repita esses movimentos 10 vezes, 3 vezes ao dia.

Para fortalecer sua musculatura pélvica de maneira eficaz, tente ao máximo utilizar só a musculatura pélvica, evitando contrair os músculos do abdômen, nádegas ou coxas durante os exercícios.

Terapia de Masters e Johnson

Durante a década de 60, os sexólogos Masters e Johnson foram pioneiros ao criar a terapia do “foco sensível” (sensitive focus – tradução livre).

O tratamento consiste em isolar o casal em uma clínica residencial em que os dois são instruídos a não tentar nenhum tipo de relação sexual. Ao invés disso, os dois deveriam participar de sessões diárias onde eles deveriam relaxar e realizar trocas de carinho tanto quanto fosse possível, estimulando seus corpos.

Com o tempo, o casal chega a um ponto em que o homem pode gentilmente penetrar a mulher com um pequeno dilatador e, posteriormente, com outros, mais largos enquanto ela se concentra em relaxar.

Então, finalmente, a mulher, “montada” em cima do homem, deve, aos poucos, inserir o pênis do seu parceiro, indo gradualmente mais fundo.

Convivendo / Prognóstico

As disfunções sexuais podem ter um grande impacto negativo nos relacionamentos. Ser proativa e buscar tratamento é essencial para salvar o casamento ou o relacionamento.

É importante ressaltar que não há nada do que sentir vergonha. Conversar com o seu parceiro(a) sobre a sua condição pode ser difícil, mas também pode te deixar mais tranquila e relaxada. Seu médico ou terapeuta também pode te proporcionar meios de lidar com a doença.

Encare o problema com positividade, tomando sempre as ações necessárias e sem medo de ser julgada por isso, afinal, o problema não é culpa sua.

Complicações

A principal complicação do vaginismo é levar a mulher ao desinteresse sexual. Por causa das dores, muitas mulheres passam a evitar ter relações sexuais, pois se frustram e ficam ansiosas.

A ansiedade sofrida pelas mulheres pode levá-la a antecipar a dor, fazendo com que entre no chamado “ciclo da dor”, que acontece da seguinte maneira:

  1. O corpo antecipa a dor e a mulher sente medo e ansiedade;
  2. Como reação à antecipação, o corpo aperta automaticamente os músculos vaginais;
  3. Esse aperto torna o sexo doloroso, podendo tornar a penetração uma tarefa impossível;
  4. A dor se intensifica;
  5. Ao fim do ato, o corpo se condiciona a reagir da mesma maneira quando passar pela mesma situação;
  6. Traumatizada, a mulher passa a evitar relações de intimidade e a falta de desejo pode se desenvolver.

Essas complicações podem levar ao comprometimento dos relacionamentos em que a mulher está inserida. Muitos casamentos deixam de ser consumados por causa da disfunção e suas consequências podem ser extremamente danosas emocionalmente.

Problemas com a gravidez

O vaginismo não tratado e não resolvido pode causar problemas para engravidar e trazer alguns desafios durante a gravidez.

Problemas para engravidar

Para que uma mulher engravide de forma natural, é necessário que ocorra penetração total e ejaculação dentro do canal vaginal. Em vaginismos severos, isso chega a ser impossível de acontecer.

Tal problema pode ser resolvido através da inseminação artificial, porém, isso não mudará o fato de que os músculos do assoalho pélvico se contraem.

Problemas durante a gravidez

Apesar das contrações, o vaginismo não causa nenhuma complicação durante o parto. Isso acontece porque hormônios são ativados e fazem com que o colo do útero e o canal vaginal dilatem involuntariamente e automaticamente, ignorando os impulsos do vaginismo e permitindo que o bebê saia sem grandes complicações.

Entretanto, o vaginismo pode trazer dificuldades durante a gravidez. A doença pode tornar a realização de exames pélvicos e outros procedimentos pré e pós-natal mais complicadas, além de dificultar intervenções médicas devido à complicações no parto, fazendo com que seja necessário optar por cesarianas ao invés do parto normal.

Por isso, é muito importante que a mulher tente resolver a questão do vaginismo antes de dar a luz.

Perguntas frequentes

O vaginismo pode desaparecer sem tratamento?

Por se tratar de uma condição involuntária e autoperpetuadora, não é possível resolver o problema espontaneamente. É necessário buscar ajuda de um profissional de saúde para resolvê-lo.

Eu não consigo ter orgasmos. Isso pode estar relacionado ao vaginismo?

A relação sexual não é necessária para que se atinja o orgasmo. O importante para a maioria dos orgasmos femininos é a estimulação do clitóris.

No entanto, para algumas mulheres com vaginismo, o processo de excitação é interrompido quando a tentativa de relação sexual se torna dolorosa ou desconfortável. Se o corpo de uma mulher reage à estimulação desencadeando a resposta do vaginismo, o assoalho pélvico contraído pode terminar o processo de excitação.

Essa contração abrupta acaba por interromper a relação sexual com penetração, fazendo com que a vagina bloqueie a inserção do pênis, causando dor durante o ato sexual. A capacidade de atingir o orgasmo manualmente também pode ser interrompida por causa da dor proveniente dessa contração involuntária.

Além disso, quaisquer problemas emocionais que contribuam para a resposta do vaginismo podem prejudicar a capacidade de uma mulher de relaxar e permitir que o ciclo de excitação continue até o orgasmo.

Vale lembrar que uma das características do orgasmo é a contração involuntária dos músculos. A diferença é que no vaginismo, essa contração é dolorosa e incômoda, enquanto no orgamo, as contrações são agradáveis, com os músculos se contraindo e relaxando de forma prazerosa.

O parto normal pode ajudar a diminuir o vaginismo ao alargar a abertura vaginal?

O vaginismo não tratado e resolvido geralmente permanece após o parto.

Embora o processo de parto alargue a abertura vaginal, ele normalmente não cura nem alivia o vaginismo de maneira significativa. Pelo contrário, muitas vezes a situação pode piorar como resultado do trauma adicional ou da dor da recuperação.

É importante entender que o vaginismo não é curado ou tratado ao simplesmente alargar a abertura vaginal. O problema não está com o tamanho da abertura vaginal, mas sim com as contrações involuntárias causadas pelos músculos ao redor da vagina.

O verdadeiro e mais eficaz processo de tratamento inclui exercícios destinados a desenvolver o controle sobre a musculatura do assoalho pélvico e tratamento psicológico.

Vaginismo e dispareunia são a mesma coisa?

O vaginismo e a dispareunia não são a mesma coisa. A dispareunia se caracteriza pela dor durante o ato sexual, enquanto o vaginismo é o impedimento da relação sexual por causa de contrações involuntárias.

No caso da dispareunia, as relações sexuais não são impedidas ou impossíveis de acontecer. Pelo contrário, a penetração é possível e vem acompanhada da dor. Ela pode ser causada por causas físicas, como falta de lubrificação, infecções e reações alérgicas, ou causas psicológicas, como depressão e ansiedade.

Apesar das causas serem parecidas, as duas condições se diferem entre si pela forma como ocorrem. Na dispareunia, a penetração é possível e acontece. No vaginismo, ela é dificultada ou, como na maior parte dos casos, impedida.

Posso ter relações sexuais durante o tratamento?

É sugerido pelos profissionais e especialistas que os casais continuem a ter trocas de prazer sem penetração até concluírem o tratamento. Durante as etapas iniciais, principalmente, não é recomendado a tentativa de penetração.

Quando a tentativa de relação sexual é prematura, isso pode resultar em dor e desconforto, piorando a situação do vaginismo. Além disso, pode haver ansiedade, medo de mais dor, sentimentos de decepção, complicações físicas e outras recaídas.

Tirando a penetração, toda forma de de prazer sexual ainda é válida e até mesmo recomendada.


O vaginismo é uma doença psicossomática tratável. Suas complicações não são tanto físicas, mas sociais e emocionais. Entretanto, com o tratamento adequado, qualquer mulher pode superar esse problema.

Mais dúvidas sobre o vaginismo? Deixe-as nos comentários e vamos fazer de tudo para respondê-las da melhor forma possível!

Referências

http://www.netdoctor.co.uk/conditions/sexual-health/a11656/vaginismus/
https://www.healthline.com/health/vaginismus#treatment4
https://www.womentc.com/conditions-and-treatments/penetration-pain-disorders/vaginismus/

https://www.vaginismus.com/por/vaginismus-treatment/
http://www.nhs.uk/conditions/vaginismus/Pages/Introduction.aspx

https://www.vaginismus.com/por/vaginismus-diagnosis/
http://www.webmd.com/women/guide/vaginismus-causes-symptoms-treatments

18/04/2019 17:03

Redação (Minuto Saudável)

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  • Melhor texto que já li a respeito em 5 anos de tratamento. Muito explicativo!

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    • Boa tarde! Gostaria de parabeniza los pela matéria muito bem explicada. Acho que me enquadro nos perfis acima descritos da doença. Como moro numa cidade pequena, e sou bem fechada, acredito que devido a criação, tenho vergonha de comentar sobre o assunto com amigos, e nunca tive coragem de procurar ajuda médica. Por isso hoje vivo infeliz, e não consigo me relacionar com ninguém pensando justamente em como explicar esse problema ao parceiro, e ele entender que não depende da minha vontade, e sim um bloqueio emocional, ou sei lá.
      Agradeço!

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  • Gostaria de parabenizar e agradecer por tais informações e pela qualidade que nos foram passadas. Como futuro esposo, detendo essa informação me tornei mais colaborativo e esperançoso por momentos melhores. Acredito que ao enfrentar esse problema juntos, tornaremos nossa relação mais forte.
    Estamos iniciando a jornada, porém já com a certeza da cura e da vitória.

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    • Oi Luiz, sou a Dra Renata Gouvea, de Brasília, deixei um comentário na página, veja e tenho um canal no face onde falo sobre vários assuntos, pode entrar pelo meu nome mesmo. Se interessar a vc e sua futura esposa entre pelo meu nome e busque por todos os videos vermelhos, vários assuntos legais. abcs

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  • Gostaria de parabenizá-los pela forma como esclareceram esse problema tão desconhecido e nunca informado por mim. Estou nessa trajetória tentando me instruir para que o meu casamento não chegue a ponto de acabar. Orientada pela minha médica, irei consultar uma psicóloga para tentar ajuda. Grata

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  • Boa noite, sou médica ginecologista e realmente é uma situação rara de acontecer na prática clínica. Na coleta da história das pacientes temos que buscar por estas informações e deixar a paciente bem a vontade para que ela seja capaz de se abrir, este é o primeiro passo para o sucesso do tratamento, a confiança. Nós ginecologistas temos que ser um pouco de tudo além de médicos, um pouco de psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas sexuais e principalmente amigo de nossos pacientes. Temos que ser como coach para eles, faço uma abordagem geral e colho resultados extremamente satisfatórios.

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  • No meu caso há a penetração, mas só sinto desconto, dor e nunca tive um orgasmo. Por consequência vivo sem me relacionar com ninguém com vergonha de expor esse problema.

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  • Eu sei exatamente o que é passar por isso! Vivi com o Vaginismo durante sete anos da minha vida. Chorei muito, e sempre sofria pensando ser menos mulher e que meu namorado fosse me trair por isso. Porém, de um tempo pra cá, encontrei alternativas que foram cruciais para me ajudar nisso. E estou elaborando um programa chamado Vencendo o Vaginismo! Quem quiser conhecer, só acessar o vencendoovaginismo .com.br . Lá eu relato, em diversos artigos, a minha experiência com o problema. Espero muito ajudar as mulheres que sofrem com o problema! Pois tem cura SIM!!! <3

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