Muita gente ouve sobre interação medicamentosa e até tem uma noção sobre o que se trata. Porém, nem todo mundo sabe que há diversas relações possíveis entre medicamentos — cortar efeito, aumentar ou diminuir, por exemplo. 

Além disso, nem sempre a interação ocorre entre dois remédios, podem ser entre uma substância, como o tabaco, ou até com alimentos.

Por isso, vale sempre ler a bula e tirar as dúvidas na consulta médica ou farmacêutica! Quer saber mais sobre esse assunto? Então confira: 

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que é interação medicamentosa? 
  2. Quais os riscos da interação medicamentosa?
  3. Quais as interações medicamentosas mais comuns?
  4. Como saber se há risco de interação medicamentosa?
  5. Como evitar?

O que é interação medicamentosa? 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) define interação medicamentosa como “evento clínico em que o efeito de um medicamento é alterado pela presença de outro fármaco, de alimento, de bebida ou de algum agente químico”. 

De maneira bem simples, isso ocorre quando um medicamento tem seus efeitos aumentados, reduzidos ou anulados por causa de algum fator. 

Os desfechos mais perigosos estão geralmente associados à toxicidade de um medicamento — ou seja, quando uma substância aumenta o potencial tóxico de outra. Porém, a redução do efeito de uma droga também pode ser bastante perigoso, logo que ela pode não fazer o efeito necessário e, em casos extremos, comprometer a saúde de pacientes.

Aliás, não é somente entre remédios que a interação pode ocorrer. É preciso dar atenção ao uso em conjunto de: 


  • Medicamentos X medicamentos;
  • Medicamentos X alimentos; 
  • Medicamentos X substâncias químicas (como álcool ou tabaco).

Um dos grandes problemas da interação medicamentosa é a dificuldade em identificá-la. Um dos motivos é que não se conhece extensamente as predisposições ou fatores que protegem uma interação de ocorrer — ou seja, fatores que podem determinar se ela vai ou não acontecer. 

Além disso, é bastante difícil prever exatamente os efeitos e reações quando alguém faz uso de duas substâncias que têm potencial de interagir entre si. Assim, mesmo uma interação conhecida pode não acometer todas as pessoas da mesma maneira.

De forma geral, as ocorrências mais frequentes não envolvem grandes riscos, e muitas vezes, pacientes e profissionais acabam sequer tomando conhecimento de que houve uma interação, pois não gera sinais ou sintomas evidentes.  

Interação medicamentosa pode ser benéfica?

Apesar de quase sempre associada a uma coisa ruim, alguns casos de interação podem ser usados de forma proveitosa. Entre as possibilidades está o aumento da ação de uma substância ou a anulação de efeitos adversos dela.

Um exemplo disso é o consumo de antibióticos junto às refeições. Como os medicamentos desse tipo tendem a causar reações como azia, excesso de gases, diarreia e enjoos, a ingestão junto a alimentos reduz os efeitos adversos. 

Ou, por exemplo, a administração combinada de anti-hipertensivos e diuréticos faz com que este último promova o aumento do efeito do primeiro.

Quais os riscos da interação medicamentosa?

Na maioria das vezes, as interações medicamentosas não são graves. Muitas pessoas sequer descobrem que misturam substâncias, alimentos ou medicamentos capazes de interagir entre si. 

Porém, ainda assim elas podem ser perigosas. 

Ainda que muitas pessoas achem que a interação medicamentosa só é grave quando a substância tem ação tóxica no organismo, a redução ou anulação do efeito também pode ser grave.

Por exemplo, usar antibióticos junto com antiácidos reduz o efeito do primeiro — o que significa que, ainda que não haja efeitos adversos graves pela interação, os agentes infecciosos não são combatidos, podendo agravar o quadro clínico da pessoa.

Além disso, algumas combinações podem resultar em condições graves, como anti-inflamatórios combinados com anticoagulantes. Nesse caso, pacientes podem sofrer com hemorragia.

Remédio com bebida alcoólica é perigoso?

No geral, sim. Cada medicamento vai interagir de uma maneira — podendo ter seu efeito diminuído, aumentado ou anulado, por exemplo. 

Como o álcool e muitos medicamentos são metabolizados pelo fígado, esse órgão é um dos que podem ser comprometidos durante a mistura. Ou seja, álcool e paracetamol é uma combinação proibida perante os riscos de hepatite medicamentosa.

Conheça um pouquinho os riscos dessas combinações:  

  • Álcool e dipirona: pode fazer os efeitos da bebida alcoólica serem aumentados;
  • Álcool e ácido acetilsalicílico: como o ácido acetilsalicílico irrita a mucosa estomacal, há riscos de sangramentos estomacais;
  • Álcool e antibióticos como Metronidazol; Trimetoprim-sulfametoxazol, Tinidazole, Griseofulvin: pode levar à intoxicação do organismo, causando vômitos, palpitação, cefaleia, queda de pressão, dificuldade respiratória e até morte);
  • Álcool e antibióticos como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida: a bebida pode inibir a ação do medicamento e/ou levar a danos no fígado;
  • Álcool e antidepressivos: os efeitos do medicamento podem ser reduzidos, além de aumentar efeitos sedativos da medicação;
  • Álcool e ansiolíticos: os efeitos sedativos podem ser aumentados, levando a quadros moderados a grave, incluindo coma e morte;
  • Álcool e anticonvulsivantes: os efeitos adversos podem ser agravados, havendo risco de intoxicação. Além disso, o medicamento tende a ser menos eficaz contra as crises de epilepsia.

Quais as interações medicamentosas mais comuns?

De forma geral, a possibilidade de interação medicamentosa é mais elevada para aquelas pessoas que fazem uso de vários medicamentos ou que costumam automedicar-se.

Não é difícil observar casos entre medicamentosos de uso comum, como paracetamol e dipirona. E isso ocorre exatamente porque são remédios considerados sem grandes perigos. Porém, não ler a bula ou não seguir as orientações médicas pode resultar em quadros graves, como os danos ao estômago ao misturar anti-inflamatórios com o álcool.

Conheça alguns desses exemplos: 

Entre remédios 

As interações medicamentosas entre medicamentos mais comuns são: 

  • Anticoncepcionais têm seu efeito diminuído ou anulado quando tomados com antibióticos; 
  • Antibióticos podem perder seu efeito se forem engolidos com antiácidos; 
  • Vitamina K tende a diminuir a resposta de anticoagulantes orais;  
  • Antiácidos diminuem ou retardam o efeito de anti-inflamatórios; 

Com alimentos 

As interações medicamentosas mais comuns entre remédios e alimentos são: 

  • O leite tende a anular o efeito das Tetraciclinas; 
  • Anti-inflamatórios devem ser tomados juntamente com as refeições para evitar irritação no estômago; 
  • Antifúngicos são melhores absorvidos quando são usados juntamente às comidas gordurosas (como frituras); 
  • Açúcares e gorduras podem dificultar a ação de medicamentos antidiabéticos. O mesmo vale para a mistura entre sal e remédios para combater a hipertensão. 

Ah, sempre opte por tomar a medicação com o auxílio de água mineral, ao menos que haja recomendação médica para que o remédio seja engolido de outra forma. 

Isso porque existem algumas bebidas (inclusive sucos e chás) que podem acabar provocando interação medicamentosa ou ainda causando desconfortos estomacais. 

Como saber se há risco de interação medicamentosa?

Ler a bula é a melhor forma de saber se o fármaco que você está consumindo pode apresentar alguma interação medicamentosa com outros remédios, substâncias ou alimentos. Nela, constam todas as informações fundamentais para o uso consciente do remédio.

Para achar a interação medicamentosa na bula, basta procurar o tópico intitulado “o que devo saber antes de tomar esse medicamento?”. 

Mas nem sempre guardamos esse papelinho tão importante. Nessas horas, a internet pode ser uma boa aliada.

Sites como o Consulta Remédios e o bulário eletrônico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) tornam a tarefa de consultar a bula mais simples. 

Mas se ainda assim você ainda continuar com dúvidas, a melhor coisa é ir até a farmácia mais perto e conversar com um(a) farmacêutico(a).

Como evitar?

Alguns cuidados bem simples podem ser tomados a fim de que se evite a interação medicamentosa e outros riscos à saúde:

Converse com profissionais em saúde

Ao consultar médicos(as) ou farmacêuticos(as), sempre avise sobre todos os medicamentos dos quais você já faz uso. 

Nessa listinha também deve estar inclusas as substâncias de uso pontual, como cloretos, extratos, cápsulas de reposição hormonal ou vitamínica, etc. 

Com foi dito anteriormente, ainda é possível que haja interação medicamentosa com outros fatores externos, como o tabaco ou álcool. Por isso, o(a) profissional de medicina deve ser ciente dessas condições. 

Leia a bula 

Como dito antes, ler a bula é um dos passos fundamentais para evitar a interação medicamentosa. 

Lá, é possível encontrar informações sobre medicamentos, substâncias e alimentos que interferem na ação. 

Não pratique a automedicação

Além de poder camuflar os sintomas e adiar um diagnóstico correto, a automedicação pode colocar em risco a saúde de pacientes. 

A melhor maneira de evitar qualquer dano ou evento adverso decorrente do uso de remédios é fazer isso de forma orientada. Para isso, consultar profissionais em medicina e farmácia é indispensável.


A interação medicamentosa acontece quando um medicamento pode ter seus efeitos alterados devido a outros medicamentos, alimentos, tabagismo e consumo de álcool.

Apesar de ser benéfica em alguns casos, é preciso sempre tomar cuidado, visto que a interação medicamentosa também pode diminuir ou anular o efeito de um remédio, ou ainda provocar complicações maiores. 

Não praticar a automedicação, ler a bula e  buscar orientações médicas ou farmacológicas são as melhores formas de evitá-la. 

Acesse o Minuto Saudável e tenha mais informações sobre remédios e saúde.


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