Fenda Palatina (lábio leporino): o que é, causas e tratamento

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O que é

A Fenda palatina, também conhecida como “fissura labial” ou “fissura palatina” e popularmente chamada de “lábio leporino” ou “goela de lobo”, é uma anomalia genética. Essas malformações congênitas, de apresentação variável, ocorrem durante o desenvolvimento do embrião, e é caracterizada pela presença de comunicação buco-nasal, em consequência da perfuração do palato (duro ou mole), onde é possível observar o septo nasal, assim como as conchas inferiores. Sua incidência é maior em pessoas de etnia amarela e menor incidência na etnia negra.

Ela é basicamente a junção inadequada dos dois lados da face quando o bebê ainda está no útero, sua maior tendência é ser hereditária. Como característica principal é uma abertura que começa sempre na lateral do lábio superior, dividindo-o em dois segmentos, esta falha no fechamento das estruturas pode restringir-se ao lábio ou se estender até o sulco entre os dentes incisivo lateral e canino, atingir ainda a gengiva, o maxilar superior e alcançar o nariz.

Embora a fenda palatina e o lábio leporino (fissura labial) possam ocorrer em associação, ambas têm origens embrionárias diferentes. Com isso, isoladas as fissuras do palato duro e mole (sem fissura labial), deverão ser consideradas como entidades distintas daquelas associadas com fissura do lábio ou uma fissura labial maxilar. Isoladamente, as fissuras do palato duro e mole representam entre 25% a 30% de todos os casos de fissura. Clinicamente, a fenda palatina varia de uma úvula bífida, até completa fissura de palato mole, por meio de fissura completa ou incompleta, tanto de um palato quanto do outro.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é?
  2. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
  3. Como identificar se o bebê tem a Fenda palatina?
  4. O que causa?
  5. A Fenda palatina tem cura? Qual é o tratamento?
  6. Qual é a prevenção?

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

O clínico geral pode ser procurado, mas na maioria dos casos o obstetra identificará a anomalia. Ele solicitará uma ultrassonografia das fendas labiopalatinas para fazer o diagnóstico, este já pode ser feito a partir da 14ª semana de gestação, mas grande parte continua sendo realizado depois do parto.

O paciente pode passar por procedimento cirúrgico de correção, que deve ser feito por volta de 1 a 2 anos de idade, em geral a primeira cirurgia para o fechamento do lábio leporino corrige praticamente todas as alterações, mas podem permanecer alguns detalhes que precisam de reparação, e que serão corrigidos mais tarde. Nessa fase, o importante é tranquilizar os pais, fornecendo informações sobre as possibilidades de tratamento, e esperar a criança nascer. O fechamento da  labiopalatina também resulta em melhor prognóstico para as alterações da fala e da audição.

A abertura da fenda palatina pode atingir todo o céu da boca e a base do nariz, e estabelece comunicação direta entre um e outro. Também pode ser a responsável pela ocorrência de úvula bífida (a úvula, ou campainha da garganta, aparece dividida). Mas esta variação de tamanho é pequena, o que provoca atraso no diagnóstico.

Como identificar se o bebê tem a Fenda palatina?

O obstetra que fizer o parto provavelmente dirá imediatamente se o bebê tem uma fissura labial ou palatina. A fissura labial é fácil de reconhecer, já a fissura palatina pode variar em tamanho, desde uma pequena fenda até um grande orifício no céu da boca, e se tornará aparente logo após o nascimento, em alguns casos até de imediato.

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Quando um bebê com fissura palatina tentar se alimentar, os alimentos líquidos poderão sair pelo seu nariz (o que pode ser controlado com o auxílio de mamadeiras especiais e outros cuidados) até que ele tenha idade suficiente para ser submetido à cirurgia (1 a 2 anos de idade).

O que causa?

Ainda não se conhecem as causas dessas anomalias que podem afetar um ou os dois lados da região orofacial, ocorrer isoladamente ou em conjunto, ou ser um dos componentes de uma síndrome genética.

O que se conhece são alguns fatores de risco associados na sua manifestação:

  • Álcool.
  • Algumas doenças maternas durante a gestação.
  • Alguns medicamentos.
  • Deficiências nutricionais.
  • Fumo.
  • Hereditariedade.
  • Radiação.

A fenda palatina não é apenas uma alteração de caráter estético, como muitos acreditam, mas a causa de problemas de saúde como de caráter nutricional, respiratório, auditivo, dentário, emocional e de sociabilidade; por isso da abordagem multidisciplinar para esses pacientes.

O aleitamento materno é sempre a melhor forma de alimentar a criança nos primeiros meses de vida, mesmo que apresente uma fenda orofacial. Quando não houver a possibilidade de oferecer-lhe o seio, há a opção das mamadeiras especiais que podem ser usadas.

A Fenda palatina tem cura? Qual é o tratamento?

Tem cura por meio de cirurgia e há tratamento. Como a doença provoca problemas emocionais, de sociabilidade e de autoestima, o tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, ou seja, a participação de especialistas na área de cirurgia plástica, otorrinolaringologia, odontologia e fonoaudiologia, por exemplo.

Nesses casos, o fechamento completo da Fenda palatina é realizado em etapas, para assegurar a integridade do arcabouço ósseo e a funcionalidade da musculatura de oclusão, assim como para evitar a deficiência de respiração e a voz anasalada. Em geral, primeiro se fecha o palato ósseo anterior para alongá-lo, e depois dar continuidade ao tratamento.

A conduta preconizada é realizar a cirurgia não tão cedo demais para que não afete o crescimento do osso, nem tarde demais para não prejudicar a fala. Enquanto esperam pelo final da reconstituição, as crianças usam um aparelho ortodôntico, que cobre a fenda palatina e permite que se alimentem. O acompanhamento odontológico e ortodôntico é extremamente importante não só para preservar a estrutura dentária, mas também para assegurar a qualidade da alimentação das crianças enquanto não fazem a cirurgia.

O tratamento é longo e seu término se dá com a consolidação total dos ossos da face, aos dezessete ou dezoito anos de idade. Durante esse período, os indivíduos que têm as fissuras oronasais devem ser acompanhados por especialistas de diferentes áreas, especialmente por cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos e ortodontistas. Veja algumas diferenças:

Fissura Labial

Executar o fechamento de uma fissura labial por meio de cirurgia é mais simples do que corrigir uma fissura palatina. Geralmente, o procedimento é realizado nos três ou quatro primeiros meses de vida e a cicatriz tende a desaparecer com o passar do tempo.

Fissura Palatina

A cirurgia é adiada até que a criança complete um ou dois anos de vida, que é quando o maxilar superior já alcançou seu crescimento normal. Se o problema for extenso, a cirurgia pode ser adiada até que a criança atinja 5 ou 7 anos de idade, a fim de evitar problemas estruturais.

Em alguns casos a cirurgia não é possível ou pode não fechar totalmente a fenda. Nestes casos, um aparelho parecido com uma dentadura (obturador) é feito para encobrir a abertura e permitir que a criança se alimente naturalmente.

Qual é a prevenção?

Como esta anomalia chega mais próximo a ser de caráter genético, nem sempre há uma forma de prevenção. Mas, uma possibilidade é evitar os fatores de risco mencionados e realizar um diagnóstico precoce por meio do exame de ultrassonografia, a fim de que os pais possam ter tempo para buscar acompanhamento médico e prepararem-se para o problema da criança.


Dependendo da gravidade da Fissura palatina, podem ser necessárias cirurgias múltiplas no decorrer de um longo período. Um cirurgião plástico e/ou bucomaxilo-facial realizam uma cirurgia corretiva na face, enquanto que um cirurgião-dentista, cirurgião geral, otorrinolaringologista e/ou ortodontista fazem aparelhos para corrigir quaisquer defeitos.

Conhece alguém que tem a Fissura palatina? Compartilhe este artigo, ele pode ser útil para muitas mães e paciente!

Referências
http://drauziovarella.com.br/crianca-2/labio-leporinofenda-palatina/
http://www.infoescola.com/doencas/fenda-palatina/
http://www.colgate.com.br/pt/br/oc/oral-health/conditions/cleft-lip-palate/article/what-is-cleft-lip-Cleft-palate
http://www.lamina.com.br/clientes/artigo/fissura-labial-e-fenda-palatina

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3 Comentários

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  1. Boa tarde,
    Eu me chamo Francisco tenho 44 anos e gostaria de compartilhar um pouco do meu “problema”. Eu tenho Fenda Palatina e desde quando eu tenho lembrança da minha infância eu sofri muito com esse defeito no céu da boca. Lembro que toda fase que estudei eu sofri muito com pessoas dando risada de mim, era um pesadelo retornar à escola. Também no bairro que eu morava na época as pessoas tanto adulta, quanto aqueles que diziam ser meus amigos, botavam apelidos em mim, eram varios que me dá nervoso só de pensar. Deixei de conquistar muitas coisas em minha vida como: fazer amizades, de me relacionar, trabalho, estudar nas melhores escolas, de buscar aquilo que eu mais gostava, como catar por exemplo. Já no ensino fundamental, a professora pedia para cada aluno ler uma parte do livro ou cantar o hino nacional ou algo parecido, já perto de chegar a minha vez de ler ou cantar, 5 alunos antes, por exemplo, eu estava suando frio, tremendo com um certo medo que não dá pra descrever, as vistas ficavam turvas, a minha voz fanha sumia, em fim de muitas sensações ruins, como tira a minha própria vida, confesso, eu me sentia como um animal encurralado no canto de uma parede, ou com a impressão de que a sala de aula estivesse vários gigantes a ponto de me pisotear e de me esmagar ou comer-me vivo. Hoje, eu estou terminando a minha faculdade, porém o medo de ir na frente apresentar algum trabalho, ainda me persegue. É como eu escutasse aquelas vozes que riam de mim. Tenho medo de falar em público, tenho complexo. Meus pais tiveram a oportunidade de fazer a cirurgia quando eu era pequeno, porém no tempo da ignorância deles, ficaram com medo de que eu pudesse ficar sem falar. confesso a vocês que eu culpava eles por ter nascido assim. Graças a Deus eu superei esse sentimento e perdoei os meus pais que eu amo muito. Durante esses anos eu tive que me adaptar muito para amenizar as risadas em relação ao meu “problema”. Porém tive e tenho muitos amigos que nunca falaram e se referiram à minha deficiência. Sou divorciado e nessa vida tive duas filhas que eu amo muito, são elas que me fazem seguir quebrando barreiras do medo, da vergonha, da complexidade. Oito anos atrás eu comecei a ler mais sobre a fenda palatina, as causas, o tratamento etc. Gostaria de saber se tem tratamento da Fenda Palatina em pessoas adulta, ou vou ter que aceitar a viver com este “defeito” pro resto da minha vida?

    • Olá, Francisco!

      Felizmente, a fenda palatina tem cura, mas o tratamento e chances de sucesso sempre variam de caso a caso. Converse com seu médico de confiança. Ele vai saber te orientar para qual profissional procurar.

    • Parabéns por n desistir… imagino o tamanho da sua dor. Meu filho nasceu recentemente cm esse “problema” me emocionei cm sua história
      Doi só de imaginar alguém fazendo esse tipo de coisa cm ele.

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