O diagnóstico de câncer é sempre um processo difícil, devido à complexidade da doença. No entanto, cada vez mais, pacientes e pessoas próximas dispõem de recursos terapêuticos para controlar a doença e ter mais qualidade de vida.
Ainda que muitas delas necessitem de tratamentos de alto custo, há formas de acessar os medicamentos, logo que pacientes com câncer contam com direitos e benefícios amparados na legislação.
O acesso ao tratamento indicado pela equipe médica, por exemplo, é um desses direitos. Há alguns anos, o Dalinvi foi aprovado pela Anvisa para alguns casos de mieloma múltiplo. A medicação traz novas perspectivas ao tratamento e favorece a melhoria do bem-estar das pessoas. Saiba mais sobre ele:
Dalinvi é um medicamento injetável, administrado via infusão intravenosa, para o tratamento de algumas situações de mieloma múltiplo (tipo de câncer da medula óssea) em adultos.
Ou seja, a solução é aplicada como um soro que pode levar algumas horas para ser totalmente administrado, dependendo de cada caso. Isso porque o processo precisa ser lento para reduzir as chances de reações e efeitos colaterais.
A medicação tem como substância ativa a daratumumabe, que age ligando-se às células cancerígenas do organismo, possibilitando que sejam destruídas.
O tratamento pode ser feito em conjunto com outros remédios, como bortezomib e dexametasona, ou de forma isolada, de acordo com o quadro diagnosticado, sempre conforme as orientações médicas.
Estudos demonstram que o uso dele evita a progressão da doença e reduz consideravelmente os riscos de morte. Com base nisso, a ANVISA aprovou a medicação para o tratamento do mieloma múltiplo, no Brasil, em janeiro de 2017, permitindo mais facilidade no tratamento da doença.
Dalinvi é indicado para o tratamento de mieloma múltiplo em algumas condições.
Pessoas adultas que receberam pelo menos um tratamento anterior para mieloma múltiplo. Nesse caso, elas devem fazer uso do medicamento associado à lenalidomida + dexametasona ou bortezomibe + dexametasona (outras medicações antineoplásicas).
Nesse caso, elas devem fazer uso do medicamento associado ao bortezomibe e dexametasona (outras medicações antineoplásicas).
De maneira isolada, o Dalinvi deve ser usado em pessoas que:
Mais recentemente, a Anvisa aprovou o medicamento (em conjunto com outras substâncias) também como primeira linha de terapia em pessoas que não são indicadas ao transplante autólogo de medula óssea (processo em que uma parte da medula da pessoa é coletada, recebe medicamentos que destroem as células doentes e é reintroduzida na pessoa).
Ou seja, assim que alguém recebe o diagnóstico de mieloma múltiplo e, devido aos efeitos adversos ou riscos do transplante, não tem indicação à terapia, o princípio ativo Daratumumabe pode ser utilizado.
O Mieloma múltiplo é um tipo de câncer que tem início na medula óssea (tecido interno dos ossos), causado por um problema nas células. A medula é responsável pela produção de células sanguíneas, como os glóbulos vermelhos e brancos.
No processo de produção de um tipo específico de células, os plasmócitos (que vão produzir anticorpos), ocorre um erro em um de seus genes. Isso resulta em células plasmócitas anormais, também chamadas de malignas.
Aos poucos, elas se acumulam na medula óssea e compõem um tumor maligno, que acaba prejudicando também a ação de outras células saudáveis. Isso tudo resulta em em maiores riscos de anemia e infecções (devido à baixa imunidade).
Entre os tratamentos disponíveis atualmente, há:
O Dalinvi faz parte deste último grupo, de anticorpos monoclonais, também chamado de imunoterapia. Nesse tipo de abordagem, a medicação faz com que o próprio corpo reconheça as células doentes e as ataque.
Daratumumabe é um anticorpo monoclonal humano, ou seja, um agente produzido para atacar células específicas.
Após a administração, a substância se liga à proteína CD38, que é encontrada em grandes quantidades na superfície de células do mieloma e em diferentes doenças hematológicas malignas.
Essa ligação permite a destruição das células cancerígenas e faz com que o sistema imune possa atacá-las também.
Conforme a bula, as reações adversas mais frequentes associadas ao uso de Dalinvi têm relação com o processo de infusão. Podem surgir chiado no peito, dificuldade para respirar, inchaço na garganta ou inchaço dos pulmões, diminuição nas concentrações de oxigênio no sangue, aumento da pressão sanguínea e congestão nasal.
Essas reações tendem a ser mais comuns na primeira infusão e, gradualmente, as taxas de ocorrência diminuem a cada nova aplicação. Também lembrando que não necessariamente todas as pessoas vão vivenciar um sintoma adverso.
Além disso, a bula lista reações mais comuns associadas ao uso do medicamento, que são pneumonia, infecção do trato respiratório superior, diminuição na contagem de glóbulos brancos, linfócitos e plaquetas, anemia, dor de cabeça, tosse, falta de ar, diarreia, náuseas, vômitos, fadiga, febre e inchaço nas extremidades.
Conforme a bula, o Dalinvi não deve ser usado por pessoas com conhecimento prévio de alergia ou hipersensibilidade severa à substância ativa Daratumumabe.
A bula do Dalinvi orienta que a posologia de Daratumumabe (substância ativa) é 16mg/kg de peso corpóreo, administrada por infusão intravenosa, conforme o esquema semanal devidamente orientado pela equipe médica responsável pelo tratamento.
Vale ressaltar que a dosagem, os dias de aplicação, o tempo de tratamento e qualquer outra informação referente à administração devem ser orientadas por profissionais especialistas. Além disso, a aplicação do medicamento deve ser feita somente em ambientes apropriados e por pessoas capacitadas.
O Dalinvi é um medicamento de venda permitida apenas para hospitais, sendo que o preço médio é a partir de R$2500*, variando conforme quantos mL tem em cada frasco e também da miligramagem.
Vale lembrar que pacientes com o diagnóstico de câncer contam com alguns benefícios, assegurados pela Legislação Brasileira, para que o tratamento e bem-estar sejam assegurados.
Por isso, é possível, sim, obter medicamentos (mesmo os de alto custo) pelo SUS ou por meio de uma solicitação especial por via judicial.
Pessoas que têm indicação médica para o uso do medicamento e estão fazendo a solicitação judicial podem contar com a assessoria de cotação de medicamentos de alto custo, do Consulta Remédios.
De forma simples e personalizada, para esse e diversos outros tratamentos, é possível obter as 3 cotações de farmácias diferentes necessárias para o andamento do processo na justiça.
*Preço médio consultado em dezembro de 2019. Os valores podem sofrer alteração.
Sim! Em 30 de janeiro de 2017, o Dalinvi foi aprovado pela Anvisa para o tratamento do mieloma múltiplo, em duas condições terapêuticas específicas.
Em 2018, a Janssen Brasil, indústria farmacêutica, anunciou que a Anvisa também aprovou, por antecipação, o Dalinvi para o tratamento de pessoas recém diagnosticadas com mieloma múltiplo inelegíveis ao transplante autólogo de medula óssea. Assim, o Brasil foi o primeiro país do mundo a aprovar o uso neste caso.
O mieloma múltiplo é uma condição que, apesar de poder ser assintomática, pode causar sintomas que comprometem bastante a vida e o bem-estar de pacientes. Independente de haver manifestações sintomáticas, após diagnosticada, a doença deve ser tratada e acompanhada por profissionais onco-hematologistas.
Cada vez mais, há terapias que proporcionam melhores resultados às pessoas. Ainda que não haja cura, a doença pode ser controlada com tratamento e assistência múltiplos, incluindo mudanças alimentares e uso de medicamentos.
O Dalinvi está entre os tratamentos mais recentes, indicado para casos específicos da doença. Para ficar sabendo mais sobre o mieloma múltiplo e outras condições, acompanhe o Minuto Saudável!
Dra. Francielle Mathias
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