Muitos sabem que, durante um bom tempo, a contribuição das mulheres nas áreas da saúde e ciências foi vetada, de modo que tais áreas tivessem sido dominadas por homens. Entretanto, também é sabido que muitas mulheres não deixaram de correr atrás de seus sonhos e, assim, conquistaram espaço nessas áreas.

Pesquisas recentes tornam evidente que o campo da medicina está cada vez mais tomado por mulheres, mas isso não é de hoje.

No que tange a assistência à saúde, as mulheres sempre estiveram presentes, seja cuidando de pessoas doentes em suas casas, ou fazendo chás e poções com propriedades curativas, trabalho das antigas herbalistas.

Acontece que, durante a Idade Média, o estudo da medicina era disponível apenas aos homens e, com o Renascimento, as mulheres que cuidavam de pacientes em casa já não podiam mais fazê-lo, uma vez que, agora, os doentes deveriam ser cuidados apenas por aqueles formados em instituições de ensino, que utilizariam o método científico e as tecnologias da época para tomar conta dos enfermos.

Tudo isso desencadeou uma prática ilegal de enfermagem e cuidados dos doentes por mulheres que se interessavam pela área médica. Legalmente, as mulheres só poderiam ser parteiras, que ajudavam outras mulheres no momento de dar a luz, mas até isso foi tirado delas quando alguns homens se reuniram para provar que poderiam fazer o mesmo trabalho, porém com melhor instrumentalização e entendimento científico.

Durante guerras, porém, a necessidade do trabalho das mulheres se tornou maior, pois os homens trabalhadores se encontravam em campo de batalha e, além disso, a demanda por enfermeiras para cuidar de soldados feridos crescia. Foi então que, durante a Guerra da Criméia (1853-1856), Florence Nightingale reorganizou a enfermagem hospitalar do exército, abrindo as portas de medicina, novamente, para as mulheres.

É por isso que hoje, dia 8 de março, prestamos essa homenagem às grandes guerreiras que lutaram para a melhoria da área da saúde e abertura de oportunidades para as mulheres. Conheça mais sobre algumas delas:

Florence Nightingale (1820-1910): Incluiu rotinas de higiene na enfermagem

Como dito anteriormente, Nightingale reorganizou a maneira de se fazer enfermagem nos hospitais militares da época, pois acreditava que as infecções se dariam em locais sujos e mal cuidados. Com isso, ao chegar no hospital de Scutari, na Turquia, pediu por reforços de mais 80 enfermeiras e 300 escovas para limpeza do local.

Nightingale instituiu a higiene como algo fundamental na enfermagem, e criou uma escola de treinamento onde ensinou diversas enfermeiras a seguir seus princípios.

Marie Curie (1867-1934): Pesquisou a radioatividade

Conhecida por ser a primeira mulher ganhadora de um Prêmio Nobel, fato que se repetiu mais uma vez, Marie Curie estudou, junto com seu marido Pierre Curie, a radioatividade dos raios-X.

Embora ela tivesse maior interesse na área da física, os estudos de Curie foram importantes para a medicina uma vez que, posteriormente, a radioatividade viria a ser usada no tratamento de tumores.

Gerty Cori (1869-1957): Descreveu o Ciclo de Cori

Ganhadora do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina em 1947, Gerty Cori foi fundamental para a compreensão do metabolismo do corpo humano.

Isso porque, em 1929, Gerty e Carl Cori descreveram que, quando o músculo é flexionado, há produção de ácido lático, convertido em glicogênio no fígado. Esse glicogênio é convertido em glicose, que é absorvido novamente pelos músculos, processo que hoje é conhecido como Ciclo de Cori.

Esse estudo é importante para a compreensão da fonte de energia durante a atividade muscular.

Margaret Sanger (1879-1966): Pioneira nos estudos e ativismo do controle de natalidade

Sanger foi uma enfermeira sexóloga pioneira nos estudos da natalidade, principalmente no que tange seu controle. Fundou a primeira instituição de planejamento familiar do mundo, chamada Planned Parenthood Federation of America, em 1916.

Era ativista a favor do desenvolvimento da pílula anticoncepcional que, infelizmente, só foi liberada quando já estava na terceira idade.

Letitia Mumford Geer (Desconhecido): Inventou a seringa

Em 1899, uma enfermeira chamada Letitia Mumford Geer patenteou um dispositivo para aplicação de substâncias com funcionamento baseado em um pistão.

Atualmente, este dispositivo é conhecido como seringa, que é usada no mundo inteiro, todos os dias.

Barbara McClintock (1902-1992): Descreveu a transposição genética

A botânica estadunidense Barbara McClintock é, juntamente com Mendel e Morgan, um dos pilares da genética. Isso porque, durante as décadas de 40 e 50, estudou as características hereditárias do milho como, por exemplo, a cor dos grãos.

Através desse estudo, Barbara conseguiu provar que certos elementos genéticos podem, algumas vezes, mudar de posição em um cromossomo, ativando e desativando os genes vizinhos. Esse processo ficou conhecido como transposição genética, que pode ajudar na estabilidade de vetores na terapia gênica. McClintock ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1983.

Gertrude B. Elion (1918-1999): Produziu os primeiro fármacos sintéticos

Gertrude Elion ganhou o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina pelos seus feitos na área da farmacologia.

A pesquisadora revolucionou a área da saúde ao produzir, juntamente com George Hitchings, fármacos baseados nos conhecimentos de bioquímica e doenças, não apenas em substâncias naturais.

Eles produziram medicamentos para leucemia, o que contribuiu para que diversas crianças sobrevivessem mesmo com a doença.

Rosalind Franklin (1920-1958): Liderou um grupo de pesquisas sobre DNA

Rosalind Franklin foi uma biofísica britânica, conhecida como a “mãe do DNA”. Entre os anos de 1951 e 1953, liderou um grupo de pesquisas sobre o DNA, juntamente com seu colega Maurice Wilkins, e chegou perto de desvendar sua estrutura.

Entretanto, Crick e Watson, colegas de Wilkins, publicaram um trabalho sobre o mesmo assunto antes dela. Só em 2010 foi comprovado que o trabalho dos dois cientistas foi baseado nos estudos de Rosalind.

Mathilde Krim (1926-Presente): Fundou a primeira organização de pesquisas sobre a AIDS

Recebeu seu Ph.D. em Biologia em 1953 e, até 1959, estudou vírus causadores de câncer, além de participar de um grupo de pesquisadores que desenvolveu um método para determinação de sexo pré-natal, no Weizmann Institute of Science, em Israel.

Durante os primeiros registros da doença que mais tarde seria conhecida como AIDS, Krim já havia percebido o impacto que tal condição causaria na medicina e na ciência.

Assim, fundou a amfAR (American Foundation for AIDS Research), uma organização sem fins lucrativos que financia pesquisas sobre a AIDS, métodos de prevenção, tratamento, entre outros.

Christiane Nüsslein-Volhard (1942-Presente): Descreveu o desenvolvimento do embrião

Christiane Nüsslein-Volhard é uma bióloga alemã co-ganhadora do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1995 por suas descobertas acerca de embriões.

Sua equipe, formada por Edward Lewis e Eric Wieschaus, pesquisou o desenvolvimento de embriões da Drosophila melanogaster, uma espécie de mosca, e desvendou o processo de como um óvulo era capaz de se desenvolver e formar um embrião.

Essas descobertas poderiam, posteriormente, ajudar a explicar malformações congênitas em seres humanos.

Françoise Barré-Sinoussi (1947-Presente): Descobriu o vírus da AIDS

A virologista francesa recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina pela descoberta do vírus da imunodeficiência humana, popularmente conhecido por HIV.

Em 1983, Barré-Sinoussi e Luc Montaigner descobriram um retrovírus em pacientes com glândulas linfáticas inchadas que atacavam os linfócitos, um leucócito presente no sangue de extrema importância para o sistema imunológico. Foi provado, também, que este seria o vírus causador da AIDS.

Youyou Tu (1930-Presente): Ajudou a criar um novo tratamento para malária

A praticante de medicina tradicional chinesa Youyou Tu, juntamente com Satoshi Omura e William C. Campbell, ganhou o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina em 2015 por suas descobertas em um novo tratamento para a malária.

Youyou Tu conseguiu extrair a substância ativa da Artemisia annua, uma planta utilizada para a febre na medicina tradicional chinesa, chamada artemisinina, que é capaz de inibir o parasita da malária.

Zilda Arns Neumann (1934-2010): Fundou a Pastoral da Criança

Zilda é a fundadora da Pastoral da Criança, que ajudou a diminuir a mortalidade infantil no Brasil.

Auxiliou na propagação do uso de soro caseiro no país (uma solução simples de água, açúcar e sal para evitar desidratação e diarreia), o que contribuiu para com que a mortalidade infantil caísse de 62 óbitos por mil para 20 por mil.

Adriana Melo: Apresentou evidências da relação entre o zika vírus e a microcefalia

Em novembro de 2015, a médica Adriana Melo, que cuida de gestações de alto risco, apresentou provas da relação entre o vírus da zika e a microcefalia.

A médica ficou intrigada quando viu pacientes tendo problemas gestacionais relacionados à má-formação, e, ao mesmo tempo, recebeu uma nota técnica da Secretaria de Estado de Pernambuco que alertava para o aumento de casos de microcefalia em bebês de mulheres que tiveram manchas vermelhas, sintoma da zika, nos primeiros meses da gravidez.

Melo juntou todos os seus recursos e enviou amostras de líquido amniótico de gestantes com suspeita de zika para a Fiocruz, que retornou no dia 17 de novembro anunciando a presença do vírus zika morto no líquido.


Ao longo da história, diversas mulheres contribuíram para que mais conhecimento e praticidade estivessem disponíveis para o bem da população.

O portal Consulta Remédios parabeniza todas as mulheres por seus feitos, não apenas como pesquisadoras e inventoras na área da saúde, mas também por todas as contribuições para um mundo melhor.

Referências
http://www.ultracurioso.com.br/7-mulheres-que-marcaram-historia-na-medicina/
https://academiamedica.com.br/mulheres-que-ganharam-o-nobel-de-medicina-e-fisiologia/
http://www.sciencemuseum.org.uk/broughttolife/themes/practisingmedicine/women
http://www.brasil.gov.br/saude/2016/03/seis-mulheres-que-mudaram-a-saude
https://www.nobelprize.org/nobel_prizes/lists/women.html
http://super.abril.com.br/ciencia/15-mulheres-que-se-tornaram-grandes-cientistas/
https://noticias.terra.com.br/ciencia/rosalind-franklin-mae-do-dna-pioneira-molecular-nasceu-ha-93-anos,256a3dd3c5510410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
http://www.amfar.org/about-amfar/trustee-biographies/mathilde-krim,-ph-d-/
https://embryo.asu.edu/pages/christiane-nusslein-volhard-194
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/02/12/medica-que-relacionou-zika-a-microcefalia-levou-dois-meses-para-ser-ouvida.htm

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