O que é Caxumba

Conhecida também por “papeira” ou “parotidite”, a Caxumba é uma doença viral aguda, causada pelo vírus Paramyxovirus, da classe rubulavirus, este vírus tem um período de incubação de 2 ou 3 semanas.

O Paramyxovirus acomete as glândulas parótidas (as maiores das três glândulas salivares), fazendo uma ou mais delas aumentarem de volume (inchaço/edema) nas laterais do pescoço, abaixo da mandíbula. Em outros casos, as glândulas sublinguais ou submandibulares também tem seu volume aumentado, junto a isto, a doença acompanha febre.

Vale lembrar que 1/3 das infecções pode não apresentar esse aumento das glândulas, que é clinicamente aparente. A transmissão da Caxumba é geralmente respiratória.

Homens adultos geralmente apresentam “orquiepididimite” (nome dado ao inchaço dos testículos), em 20% a 30% dos casos. Já nas mulheres, pode ocorrer “ooforite” (nome dado ao inchaço dos ovários) com menor frequência, em cerca de 5% dos casos.

No sistema nervoso central é comum ocorrer a forma de meningite asséptica, quase sempre sem sequelas e, em casos mais raros, encefalite.

Quando há surtos, as Secretarias de Saúde recomendam que os pacientes sejam isolados e se todos que tiveram contato com o paciente foram vacinados. Este isolamento tem duração curta, de 10 a 15 dias, a partir dos primeiros sinais e dos sintomas da doença.

Segundo o Portal da Saúde do Governo Federal, considera-se como surtos de caxumba, “a ocorrência de número de casos acima do limite esperado, com base nos anos anteriores, ou casos agregados em instituições, como creches, escolas, hospitais, presídios, dentre outros.”

Estes surtos costumam ser frequentes em crianças de 3 a 6 anos que não foram vacinadas. A média de casos anualmente no era de 200 a 300, no período de 2007 e 2013 e, entre 2014 e 2015 a Organização Mundial da Saúde (OMS) contou 500 a 600 casos de Caxumba no estado do Rio de Janeiro.

Em casos de surto estima-se que 3% dos vacinados com as duas doses também estão infectados. Quando menos conhecida, a Caxumba chegava a afetar 30% da população, sendo a principal responsável pelos casos de surdez, pancreatite, aborto e infertilidade.

Adultos e adolescentes que não foram vacinados contra a Caxumba quando crianças correm o risco de serem infectados.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Caxumba
  2. Causas
  3. Os sintomas da Caxumba
  4. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico para a Caxumba?
  5. Tratamento para Caxumba
  6. Complicações/Prognóstico
  7. Como prevenir? É transmissível?

Causas

A Caxumba é causada pelo vírus Paramyxovirus, da mesma família do vírus que transmite o sarampo. Ele é de RNA simples, de sentido negativo (a cópia é que serve de RNA para síntese proteica).

O vírus penetra pela boca e vai até à glândula parótida (canal de Stenon), nela ele se multiplica (multiplicação primária), ocorre viremia e localização nos testículos, ovários, pâncreas, tireóide, cérebro, próstata, fígado, baço e timo.

A multiplicação do vírus da caxumba também pode ocorrer no epitélio superficial respiratório, na viremia, nas glândulas salivares e outros órgãos.

Este vírus tem como características de ser envelopado, pleomórfico variando de 100 a 600 nm, e possuir formato esférico, muitas vezes filamentoso. O envelope desse vírus contém as seguintes proteínas:

  • Hemaglutinina;
  • Neuraminidas.

Elas acabam participando das reações imunológicas, sendo antígenos virais.

Os pacientes adultos são os que mais sofrem as consequências da Caxumba, que pode causar Meningite e até infertilidade. A primavera e o inverno destacam-se como as estações em que o número de casos fica em alta.

Os sintomas da Caxumba

Entre os sintomas iniciais da Caxumba estão:

  • Febre.
  • Calafrios.
  • Dores de cabeça.
  • Processo de deglutição doloroso.
  • Fraqueza na mandíbula.
  • Aumento das glândulas salivares próximas aos ouvidos, provocando edema e/ou inchaço no rosto.
  • Pacientes que passaram pela puberdade podem ter inflamação e inchaço doloroso dos testículos (orquite) nos homens (30% dos casos). E nas mulheres, inchaço nos ovários (ooforite, em 5% dos casos) podendo ocasionar esterilidade.

Quanto aos principais sintomas da doença, os quais costumam aparecer de 2 a 3 semanas, são:

  • Dor nas glândulas salivares, que estão localizadas na região do pescoço (logo abaixo das mandíbulas).
  • Mal-estar.
  • Febre.
  • Dor de garganta.
  • Garganta inflamada.
  • Perda de apetite.
  • Febre.
  • Náusea e vômito.

Em casos graves, a caxumba pode causar surdez, meningite e, raramente, levar à morte.

Ainda há os casos assintomáticos, que contabilizam 20% a 30% das infecções. E nas crianças com menos de 5 anos de idade são comuns sintomas nas vias respiratórias e perda neurosensorial da audição.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico para a Caxumba?

O clínico geral é quem geralmente vai auxiliar o paciente e acompanhá-lo até o fim do tratamento. O especialista poderá fazer o diagnóstico clínico-epidemiológico e também solicitar:

  • Testes sorológicos: poderão ser feitos por neutralização, inibição da hemaglutinação ou Elisa.
  • Testes de cultura para vírus: mas não são utilizados na rotina.
  • Exame físico: confirma a presença das glândulas inchadas. Mas, geralmente a doença é diagnosticada na anamnese, sem a necessidade dos testes laboratoriais de confirmação.

Diagnósticos diferenciais:

Geralmente não são solicitados, mas caso forem, eles podem ser:

  • Cálculo de dutos parotidianos.
  • Hipersensibilidade a drogas (iodetos, fenilbutazona, tiouracil, entre outras).
  • Ingestão excessiva de amidos, verificando: sarcoidose, cirrose, diabetes, parotidite etiologiapiogênica, inflamação de linfonodos, tumores parenquimatosos, hemangioma, linfangioma.

Tratamento para Caxumba

Não existe tratamento específico, mas há cura. Para aliviar a Caxumba, recomenda-se aliviar os sintomas com anti-inflamatórios, analgésicos e antitérmicos, bem como a observação de possíveis complicações. Entre os possíveis medicamentos que o médico poderá indicar estão:

  • Mistura de Cobre-Ouro-Prata (Cu-Au-Ag), 2 a 4 vezes ao dia.
  • Mistura de Zinco-Cobre (Zn-Cu), se houver risco de orquite (para a inflamação dos testículos).

Quando o paciente for criança, ele não precisará ficar na cama, mas deve conservar suas energias e evitar frequentar ambientes de aglomeração, pois a Caxumba é uma doença viral altamente contagiosa.

Além disso, o médico recomendará também:

  • Bolsas de água quente ou fria para aliviar as dores nas áreas inchadas.
  • Dieta de alimentos macios.
  • Bastante água e sucos naturais que não forem ácidos (pois podem piorar a dor).
  • Bastante repouso.
  • No caso de inflamação nos testículos, o uso de suspensório escrotal é fundamental para o alívio da dor.

Atenção!
Jamais tente usar aspirina para doenças virais, pois a sua utilização tem sido associada ao desenvolvimento de Síndrome de Reye, a qual pode levar à insuficiência hepática e morte.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Complicações/Prognóstico

As complicações da Caxumba são sérias, mesmo quando a doença é tratada, o paciente ainda corre o risco de desenvolver:

  • Aborto espontâneo: no primeiro trimestre da gestação.
  • Meningite asséptica: não deixa sequelas, mas raramente pode ocorrer encefalite. Para esses casos, o tratamento é sintomático.
  • Surdez: nos casos graves de Caxumba.
  • Paciente que passaram a puberdade: podem ter inflamados e inchados os testículos (orquite). O Ministério da Saúde indica que, se os dois testículos forem acometidos o fenômeno é raro.
  • Inflamação dos ovários (ooforite): pode causar também a esterilidade.
  • Pancreatite: casos muito raros.
  • Encefalite: casos muito raros, podendo levar à edema cerebral, manifestações neurológicas graves e levar o paciente à morte.
  • Inflamação do pâncreas (pancreatite, 5% dos casos) e inflamação que envolve cérebro e meninges (meningoencefalite, 5% dos casos): mulheres com mais de 15 anos de idade.
  • Infecção da tireoide.
  • Infecção do cérebro (0,1% de risco).
  • Problemas cardíacos.
  • Infecção nos rins.

A imunidade após contrair a Caxumba geralmente é para toda a vida, mas ainda há riscos de pegá-la mesmo assim. A mortalidade é baixa, principalmente em adultos. Em crianças, as complicações são raras de acontecer.

Como prevenir? É transmissível?

Como forma de prevenção há uma vacina, a qual é produzida com o vírus vivo, que é atenuado da doença e faz parte do Calendário Básico de Vacinação. Geralmente, a vacinação ocorre juntamente à época de vacinas contra o Sarampo e a Rubéola.

A vacina tríplice viral é responsável por prevenir essas 3 doenças. A primeira dose deve ser administrada aos 12 meses de idade e a segunda, entre 4 e 6 anos.

Bebês recebem a vacina entre os seus 12 e 15 meses de idade (e depois ocorre o reforço, 4 e 6 anos), também os anticorpos maternos protegem os filhos durante os primeiros meses de vida.

Raramente a vacina produz efeitos colaterais e é altamente eficaz. Possui ainda 97% de chance de proteger o indivíduo contra uma infecção natural. A vacina entrou para o calendário básico de vacinação, a crianças de 1 ano de idade, em 1996, e está disponível na rede pública de todo o país.

Algumas medidas para prevenção da doença incluem:

  • Evitar contato com saliva e secreções das vias aéreas dos pacientes.
  • Mulheres que nunca tiveram caxumba, nem tomaram a vacina, devem procurar um posto para serem vacinadas antes de engravidar, pois a Caxumba pode causar o aborto.

O principal meio de transmissão é a via aérea, pelas gotículas de saliva do paciente. Mas, na maioria, a infecção se manifesta na infância. É altamente infecciosa, sua transmissão pode ocorrer após o contato do paciente, caso alguém encoste nele e depois encoste na mão na boca ou no nariz.

O paciente com Caxumba é capaz de transmitir o vírus cerca de 1 semana antes de aparecerem os sintomas e até 9 dias depois destas manifestações. Portanto, o mesmo deve ficar longe do trabalho ou da escola, pois existe a possibilidade de contaminar outras pessoas.

A doença tem maior ocorrência no inverno e na primavera, períodos de temperaturas mais baixas. A incubação da doença varia de 12 a 25 dias e seu período de transmissão dura de 16 a 18 dias.

Não existe tratamento específico, ele prevê o alívio dos sintomas, que leva aproximadamente 2 semanas. O médico recomendará:

  • Repouso total.
  • Analgesia e observação cuidadosa quanto à possibilidade de aparecimento de complicações.

No Brasil estima-se que os surtos de caxumba tenham aumentado significativamente nos últimos anos. E agora que você já sabe sobre a doença,compartilhe este artigo para que mais pessoas também conheçam os riscos da Caxumba!

Referências

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/caxumba-sintomas-transmissao-e-prevencao
http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2016/07/caxumba-saiba-o-que-e-doenca-e-como-e-transmitida
https://pt.wikipedia.org/wiki/Parotidite_infecciosa
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/caxumba
https://www.einstein.br/doencas-sintomas/caxumba
http://www.todabiologia.com/doencas/caxumba.htm
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/626-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/caxumba/11188-orientacoe

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