Conheça mais sobre os vírus da dengue, zika e chikungunya

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Em 2017, 855 cidades brasileiras estavam em situação de risco ou de alerta para surtos de dengue, zika e chikungunya, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O índice, que já era bastante alarmante, apresentou-se ainda mais preocupante nos levantamentos recentes.

Ainda que até abril de 2018, o Ministério da Saúde tenha notificado uma redução dos casos de dengue, zika e chikungunya, se comparados ao mesmo período de 2017 (uma queda de 20%, 65% e 70% de casos respectivamente), dados publicados em julho de 2018, também do Ministério da Saúde, apontam que 1153 municípios brasileiros têm alto índice de circulação do mosquito Aedes aegypti.

Os 3 vírus, DENV, ZIKV e CHIKV são transmitidos pelo Aedes, compondo um problema de saúde pública.

Ainda que haja alguns sintomas específicos em cada infecção, os quadros podem ser bastante semelhantes e confundir o diagnóstico, sobretudo nas primeiras manifestações.

Conheça mais sobre o vírus de cada doença e saiba como se prevenir:

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O mosquito Aedes
  2. Vírus da dengue
  3. Vírus da chikungunya
  4. Vírus da zika
  5. Como se prevenir

O mosquito Aedes

Em relação à transmissão de dengue, zika e chikungunya, há 2 espécies de mosquito Aedes possíveis de serem vetores: o Aedes aegypti e o Aedes albopictus.

O mosquito Aedes aegypti apresenta algumas características anatômicas que possibilitam sua identificação. Seu tamanho é menor se comparado ao inseto comum e seu corpo possui listras brancas no tronco, cabeça e pernas. Quando voa, quase não produz barulho, o que torna mais difícil perceber sua aproximação e circulação.

Os machos não dependem de sangue e, por isso, alimentam-se somente de frutas. Portanto, são as fêmeas que picam os humanos e transmitem doenças.

Também não são todos os Aedes que possuem os vírus da dengue, zika ou chikungunya. Por isso, é preciso que o inseto pique alguém contaminado e contraia o vírus para que se inicie a transmissão.

Após ele ser infectado, não há forma de eliminar o vírus, fazendo com que se torne um vetor por toda a sua vida — que podem durar cerca de 30 dias. Ao colocar ovos, ao menos uma parte dos novos mosquitos já nascerá infectada, tornando-se vetores.

Cada fêmea do Aedes pode colocar cerca de 200 ovos, que são depositados na superfície da água parada.

Quando essa água entra em contato com os ovos, há uma eclosão bastante rápida, iniciando o período de desenvolvimento da larva. Bastam entre 7 e 9 dias para que haja um novo mosquito circulando.

A outra espécie possível de transmitir as doenças é a Aedes albopictus, considerada um vetor secundário da dengue, com características semelhantes às do Aedes aegypti, porém com tamanho um pouco maior, cor mais escura e apenas uma listra branca em seu corpo.

O ciclo de vida de ambos é bastante semelhante, porém, apesar de circular no Brasil, não há registros de mosquitos da espécia A. albopictus vetores das doenças.

Vírus da dengue

O vírus da dengue é bastante conhecido na história das sociedades. Com origem na África, mais especificamente no Egito, foi no começo do século 19 que ocorreu o primeiro caso de epidemia da doença no continente americano, além de surtos no Caribe, Estados Unidos, Colômbia e Venezuela.

No Brasil, há registros de dengue no final do século 19, mais especificamente no Rio de Janeiro e em Curitiba.

A doença costuma ser muito comum em países tropicais e subtropicais, devido ao clima. No Brasil podem ser encontrados até quatro tipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4, causadas por um mesmo vírus que apresenta pequenas alterações em seu organismo.

Após ser contaminado, o paciente fica imune ao tipo de dengue que o acometeu, mas devido à pequena diferença de cada vírus, é possível que ele seja contaminado mais de uma vez (ou seja, pode haver até 4 infecções de dengue).

Os sintomas são os mesmos, independentemente do vírus, porém, a cada ocorrência, o quadro tende a se agravar, possibilitando complicações, como dengue hemorrágica ou aumentando os riscos à vida do paciente.

Sintomas da dengue

A dengue costuma ter como principais sintomas a febre alta, geralmente entre 39 °C e 40 °C, que se inicia subitamente, dor nos músculos (mialgia), articular (artralgia), de cabeça, atrás dos olhos e às vezes manchas vermelhas na pele que podem coçar.

Outros sintomas que podem se manifestar e, em geral, são sinais de alerta, incluem:

  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia;
  • Dor na região abdominal;
  • Tontura;
  • Aumento do fígado;
  • Irritação;
  • Cansaço extremo.

Diagnóstico

Na hora do diagnóstico é importante estar atento aos sintomas, pois muitas vezes a febre alta pode ser considerada um caso de gripe, rubéola, sarampo ou ainda infecções virais e bacterianas.

O diagnóstico considera, além dos sintomas, a presença do paciente em áreas de risco ou possíveis surtos da doença, podendo ser confirmado através de exames de sangue que identificam anticorpos específicos na amostra coletada.

Tratamento

Não existe nenhum tratamento específico para os casos de dengue. Os médicos costumam prescrever medicamentos para aliviar os sintomas, como a febre e as dores musculares.

É importante ressaltar que o ácido acetilsalicílico não deve ser usado em casos de suspeita ou confirmação de dengue.

Por isso, é fundamental procurar um médico logo nos primeiros sintomas, pois somente ele poderá identificar a doença e aconselhar a melhor forma de tratamento.

Junto à medicação, é importante que o paciente faça repouso e intensifique a hidratação.

Vírus da chikungunya

Os mosquitos Aedes também podem ser vetores do vírus CHIKV, originário da África e responsável pela febre chikungunya.

Foi em 1952 que o microrganismo foi isolado na Tanzânia, sendo que os primeiros casos emergenciais foram observados no sudeste da Ásia e na Índia.

Em 2004, no Quênia, houve o segundo grande caso de chikungunya, em que foram emitidos sinais de alerta sobre a doença, mas apenas em 2013 que o vírus chegou às Américas e infectou milhares de pessoas.

Um ano depois, em 2014, o Brasil relatou os primeiros casos da doença, fazendo ascender a preocupação em relação às epidemias, sobretudo nos estados do Amapá e Bahia.

Em 2016, a febre chikungunya teve um aumento de 620% de casos em relação a 2015. Em números totais, significa que em um ano os diagnósticos subiram de 36 mil para 263 mil.

Sintomas

O tempo de incubação do vírus dura aproximadamente 10 dias, isso significa que, nesse período, não há manifestações ou sinais da infecção.

A chikungunya apresenta sintomas que, em alguns casos, são bastante semelhantes com os da dengue, porém geralmente mais brandos ou leves. Também são menores os riscos à vida do paciente, fazendo com que mortes pelo CHIKV sejam pouco comuns.

Assim como na dengue, podem ocorrer dores nas articulações dos pés, mãos, dedos, tornozelos e pulsos (artralgia), sendo esse o sintomas mais comum e, geralmente, bastante intenso a ponto de limitar os movimentos do paciente por meses ou anos.

Também são comuns quadros com:

  • Cefaleia;
  • Dores musculares;
  • Manchas avermelhadas na pele que coçam bastante;
  • Febre alta que se inicia rapidamente.

Mas é importante saber que, em média, 30% das pessoas contaminadas não apresentam sintomas.

Apesar de não ser muito comum, é possível que o vírus seja transmitido através do parto, sendo chamada de transmissão vertical. Quando isso acontece, podem surgir casos graves de infecção neonatal, com grave acometimento da pele, febre e dores. Mesmo crianças que nascem sem sinais visíveis da infecção, devem ser acompanhadas com atenção devido à possibilidade de manifestação tardia.

Diagnóstico

Idosos acima de 65 anos, menores e 2 anos, pessoas que apresentem lesões anteriores nas articulações, doenças crônicas ou autoimunes (como diabetes ou lúpus, respectivamente) devem estar atentas se houver suspeitas de chikungunya, pois há maiores riscos de complicações decorrentes.

Segundo informativos do Ministério da Saúde, os profissionais de saúde devem considerar a infecção pelo CHIKV em pacientes que tenha apresentado quadros recentes de poliartrite simétrica.

O diagnóstico da doença é geralmente clínico, em que os sintomas bastante característicos são sugestivos da doença, sobretudo em estações ou regiões com prevalência do mosquito Aedes.

No entanto, há exames específicos que podem afirmar a chikungunya, através da presença de anticorpos específicos no sangue para o CHIKV ou isolamento do vírus por técnica de cultura, por exemplo.

Tratamento

O tratamento, na maioria dos casos, consiste em repouso e amenização do mal-estar, utilizando antitérmicos (paracetamol) e anti-inflamatórios. A hidratação e o descanso são fundamentais para que o organismo se recupere da melhor forma possível. Também é desaconselhado o uso de ácido acetil salicílico (AAS), por aumentar os riscos de hemorragia.

Pacientes com complicações ou doenças associadas devem ser avaliados individualmente pelo profissional de saúde, que irá considerar as necessidades terapêuticas de cada caso.

Vírus da zika

O Zika vírus, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, foi identificado pela primeira vez em 1947, na Uganda, mas só chegou ao Brasil em 2015, atingindo o Rio Grande do Norte e a Bahia.

Chamado de ZIKV, o microrganismo tem mostrado menos agressivo se comparado ao vírus da dengue, principalmente por não causar sintomas tão graves e duradouros.

Em compensação, quando atinge as mulheres grávidas, a infecção pode ocasionar complicações ao feto devido aos riscos de microcefalia, uma condição neurológica em que a cabeça do bebê tem tamanho menor em relação ao adequado para a idade.

A malformação congênita está associada a problemas mentais, dificuldades de aprendizado e outras alterações.

Mas vale ressaltar que nem toda gestante infectada com zika dará à luz um bebê com microcefalia. Em média, entre 6% e 12% das crianças são acometidas pela condição neurológica.

Sintomas

Em relação à dengue e à chikungunya, a zika tem manifestações ainda mais brandas, sendo que cerca de 80% dos pacientes não apresentam sintomas.

Mas, quando se manifestam, podem surgir dores articulares leves ou moderadas (predominantemente nas extremidades do corpo), às vezes acompanhada de inchaço nas articulações, além de irritação ou vermelhidão nos olhos.

Manchas vermelhas geralmente se manifestam acompanhadas de forte coceira. Os sintomas costumam permanecer entre 3 e 7 dias.

Em casos complicados, podem ocorrer comprometimento neurológico e alterações autoimunes, capazes de desencadear a Síndrome de Guillain-Barré.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado com base nos sintomas e na circulação do vírus (surtos ou endemias). Por isso, é preciso investigar se o paciente vive em regiões de risco ou viajou para locais endêmicos.

Também podem ser solicitados exames laboratoriais para confirmar a infecção por zika. Os testes são feitos com amostras de sangue do paciente, buscando identificar o vírus ou anticorpos específicos.

Tratamento

O tratamento para a zika é baseado na amenização dos sintomas e recuperação do organismo. Por isso, nos quadros sintomáticos, pode ser necessário o uso de paracetamol ou dipirona, visando o controle e redução da dor e febre, além de medicamentos anti-histamínicos para aliviar a coceira e irritação da pele.

Na zika, também não se recomenda o uso de ácido acetil salicílico (AAS) ou outros anti-inflamatórios devido aos riscos de hemorragias.

Durante a recuperação, o paciente deve priorizar a hidratação e o repouso.

Por que é preciso se preocupar com a microcefalia?

A microcefalia não é uma condição nova na medicina e suas causas são bastante diversas, como doenças virais (rubéola, herpes e, claro, zika), quadros de pressão alta na gestação e fatores genéticos.

Nos casos de microcefalia, a criança deve ser encaminhada para o acompanhamento e estimulação o mais breve possível. Não há tratamento específico para o quadro, mas a assistência e o suporte ao recém-nascido auxiliam a melhorar o desenvolvimento durante toda a infância.

É importante ressaltar que as crianças, logo após diagnosticadas com microcefalia, são incluídas no Programa de Estimulação Precoce, do Sistema Único de Saúde (SUS),  possibilitado que os aspectos físicos, motores, neurológicos, comportamentais, cognitivos, sociais e afetivos sejam trabalhados, dando maior autonomia ao paciente.

Como se prevenir

Os vírus DENV, CHIKV e ZIKV infectam o organismo humano predominantemente pela picada do mosquito Aedes. Nos casos de dengue, por exemplo, também há notificações de transmissão vertical (de mãe infectada para o bebê durante o parto) e por transfusão de sangue.

Portanto, as medidas preventivas são focadas sobretudo na eliminação dos focos de Aedes, reduzindo a circulação do mosquito. Também é recomendável adotar medidas de proteção, como o uso de repelentes e roupas que cubram toda a pele, diminuindo a possibilidade das picadas.

Eliminar ou reduzir a circulação do vetor Aedes auxilia no combate à dengue, chikungunya e zika. Confira as medidas:

  • Coloque areia em pratos e vasos de plantas para que a água da chuva não se acumule;
  • Procure manter garrafas de plástico, vidros e potes com a boca para baixo, principalmente quando eles se encontram em locais externos;
  • Também bem as caixas de água;
  • Limpe as calhas de casa e evite o acúmulo da água da chuva;
  • Pneus velhos não devem ser guardados em locais externos;
  • Utilize telas nas janelas e mosquiteiros à noite;
  • Prefira roupas compridas que cubram a pele;
  • Use repelentes nas áreas da pele expostas;
  • Notifique a prefeitura sobre terrenos baldios ou casas que não mantém os cuidados de prevenção.

Repelentes: como usar corretamente

Com o início das epidemias de dengue, zika e chikungunya o uso de repelentes se tornou bastante comum. O produto pode ser aliado na proteção contra o Aedes e não representa riscos, desde que esteja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo informações do próprio órgão.

Na hora de escolher o produto, duas coisas são essenciais: estar atento ao rótulo e considerar a idade de quem vai usar.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, produtos à base de DEET, IR 3535 e Icaridina, substância repelentes, são seguras e capazes de afastar os mosquitos.

Sendo que as indicações são:

  • DEEDT: recomendado a partir dos 2 anos de idade, possui proteção de cerca de 2 horas;
  • IR 3535: indicado a partir dos 6 meses de idade, com tempo de proteção de aproximadamente 4 horas;
  • Icaridina: recomendado a partir dos 2 anos de idade, podendo chegar a 10 horas de proteção.

Recomenda-se ainda que crianças de 2 a 12 anos de idade devem usar repelentes à base de DEET com concentrações máximas de 10%. Maiores de 12 anos podem preferir concentrações mais elevadas.

É importante fazer a aplicação correta do produto, protegendo todas a extensão da pele e por cima da roupa também. No rótulo dos produtos certificados pela ANVISA, sempre consta o modo de usar e a frequência de aplicação, que devem ser respeitados para a melhor eficácia e proteção.

Entre as opções disponíveis no mercado estão:

Cuidados com bebês

Para hora de proteger crianças menores de 6 meses de idade, é aconselhado ficar longe de qualquer tipo de repelente, pois a toxicidade do produto pode ser prejudicial à saúde, salvo sob orientação do pediatra. É essencial procurar métodos alternativos, como o uso de mosquiteiros, reduzir a exposição aos locais com foco de mosquitos e utilizar roupas mais fechadas (que mantenham a pele protegida).

Em casa pode ser interessante o uso de repelentes elétricos ou de ambiente, que auxiliam na dispersão dos insetos em geral. Além disso, o uso de telas em portas e janelas pode auxiliar na proteção, impedindo que o Aedes entre nas casas.


A dengue, a zika e a chikungunya são doenças transmitidas predominantemente pela picada do mosquito Aedes.

Quando picam uma pessoa contaminada, o mosquito fica infectado e se torna um vetor, espalhando a doença através das picadas. Além disso, ao botar ovos, o Aedes transmite o vírus aos novos mosquitos, aumentando a circulação de vetores.

Para prevenir a dengue, a zika e a chikungunya é preciso adotar medidas de combate ao mosquito, eliminando focos e dando atenção aos cuidados pessoais.

Para mais dicas de como se prevenir, fique de olho no Minuto Saudável!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 16/10/2018

Fontes consultadas

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