Mosquito Aedes Aegypti: doenças, sintomas, ciclo de vida e mais

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O mosquito é pequeno, mas bastante conhecido entre o público. O Aedes aegypti está presente em todo o Brasil e causa preocupação devido à grande circulação.

Mas não é apenas pelo incômodo de ser picado, pois o mosquito, que tem cerca de 1cm, é vetor de doenças como a dengue, a zika e a chikungunya.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que até abril de 2018 houve uma redução de 40%, 65% e 70% no número de casos diagnosticados em comparação com o mesmo período de 2017.

No entanto, a queda não é motivo para muitas comemorações, sequer para descuidar do combate ao mosquito, logo que os mesmos dados alertam sobre 1153 municípios brasileiros com alto índice de infestação e possibilidade de surto, além de outras 2069 regiões em estado de alerta.

Em todo o Brasil, somente 3 capitais apresentam taxas satisfatórias do controle do Aedes, São Paulo (SP), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE), mas isso não significa que estão livres ou imunes ao vetor.

Ainda que o mosquito não seja nenhuma novidade, as políticas de combate e prevenção encontram dificuldades para atuar, também devido à negligência da própria sociedade. Isso porque nas regiões norte, sul e centro-oeste, é no lixo indevidamente tratado que o mosquito mais deposita seus ovos.

Garrafas pet, recipientes plásticos, latinhas e entulhos de construção acomodam água da chuva e se tornam um local propício para o Aedes.

Enquanto isso, na região nordeste, o local de maior acúmulo de ovos do Aedes ocorre em solo residencial, em calhas, barris ou tonéis, e na região sudeste, são os vasinhos de plantas e as garrafas.

Saiba mais sobre o mosquito Aedes aegypti e como cuidar da sua saúde e de toda a comunidade.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. Como é o mosquito Aedes aegypti?
  2. Comportamento do Aedes
  3. O ciclo de vida do mosquito
  4. Como o vírus infecta o ser humano?
  5. Vírus e doenças transmitidas pelo Aedes aegypti
  6. Diferença entre dengue, zika e chikungunya
  7. Prevenção: como combater o mosquito?
  8. Como se proteger?
  9. Aedes aegypti e as gestantes
  10. Histórico do Aedes aegypti

Como é o mosquito Aedes aegypti?

Apesar do pouco tamanho, os mosquitos são considerados um dos animais mais perigosos do mundo devido à capacidade de disseminar doenças que podem, inclusive, levar à morte.

Estima-se que em todo o mundo existam aproximadamente 3 mil espécies de mosquitos. Mas calma, nem todos os mosquitos incomodam os seres humanos ou são capazes de transmitir vírus.

Apenas as fêmeas de algumas espécies — cerca de 6% — precisam de sangue humano para botar ovos. Dessas, metade tem capacidade de ser vetor de agentes perigosos aos humanos. No entanto, o efeito desses bichinhos é devastador na saúde pública.

Entre as espécies que causam bastante preocupação está o Aedes aegypti. Um inseto ainda menor se comparado aos mosquitos comuns (menos de 1cm), com o corpo coberto de listras brancas no tronco, cabeça e pernas e, como voa preferencialmente durante o dia, torna-se mais difícil perceber sua aproximação.

Algumas características são bem específicas do Aedes, como a tendência a voar à altura média de 1,5 metro acima do chão e preferência por picar no começo da manhã e fim da tarde.

Assim como os demais mosquitos, o macho e a fêmea se alimentam de substâncias ricas em açúcar, como o néctar e seiva — carboidratos extraídos das plantas —, mas para gerar e maturar os ovos, as fêmeas necessitam de sangue.

Sua reprodução é acelerada, sendo que a elas escolhem locais de água limpa e parada para depositar seus ovos. São cerca de 40 a cada 3 dias.

Considerando que o tempo médio de vida de um mosquito é de 30 dias, o número de ovos pode chegar a 400 por fêmea.

Comportamento do Aedes

Há alguns comportamentos comuns ao mosquito Aedes, fazendo com que a circulação (e, portanto, as picadas) sejam mais frequentes em algumas regiões, horários e temperaturas. Entenda:

Área de circulação

Típico de áreas urbanas, o Aedes é chamado de mosquito doméstico por circular nas proximidades de casas, escolas ou locais com concentração de pessoas, pois o inseto é bem adaptado aos criadouros artificiais.

Como as cidades e centros urbanos apresentam mais acúmulo de recipientes, lixo ou depósitos de água propícios à colocação de ovos, o mosquito encontra um ambiente convidativo.

O Aedes não percorre distâncias muito longas e, como encontra alimento e condições de reprodução nos centros urbanos, não há tendência de se afastar muito para as zonas rurais.

Hábitos de alimentação

Seus hábitos são preferencialmente diurnos, geralmente picando no começo da manhã e fim da tarde. Mas é importante lembrar que também é considerado um inseto oportunista, ou seja, pode picar à noite.

Como tendem a circular predominantemente durante o dia, fica mais difícil perceber a aproximação do inseto, que tem o barulho do voo amenizado por outros sons.

Temperatura ideal

Em geral, são as temperaturas mais quentes que favorecem a circulação do inseto, por isso, é comum ouvir que o ar-condicionado pode auxiliar a combatê-lo. Como o local fica mais gelado, há uma tendência de repelir o Aedes, mas isso não o mata ou garante segurança às pessoas.

Condições para reprodução

A fêmea prefere água limpa (sem muitos resíduos orgânicos) e parada para depositar os ovos, mas não é uma regra. Por isso, é importante combater todo acúmulo de água.

Na verdade, são as condições de temperatura e estabilidade que pesam mais nessa hora. Por isso, o Aedes procura por depósitos de água com menos incidência de luz (ou seja, mais escuros), parados e com temperaturas mais elevadas.

Local que picam mais

Há uma preferência pelas pernas e pés, mas o Aedes não faz muita distinção quando há áreas expostas. Em geral, são os membros inferiores os mais atacados devido ao mosquito voar baixo e ser repelido pela luz.

O ciclo de vida do mosquito

Os Aedes têm basicamente 3 fases bastante distintas: ovos, fase aquática (larva e pupa) e fase adulta.

A fêmea procura por locais com água limpa e parada para botar os ovos, depositando-os poucos milímetros acima da superfície. O embrião do mosquito leva aproximadamente 48 horas para se desenvolver e basta o contato com a água para que o ovo ecloda.

Os ovos que não entram em contato com a água podem sobreviver por até 450 dias, esperando as condições favoráveis.

Quando a água entra em contato com eles, esses ovos se rompem rapidamente, começando o desenvolvimento da larva, que é início da fase aquática — em altas temperaturas, cerca de 30 ºC, entre 7 e 10 dias o inseto está formado.

Por isso, períodos chuvosos apresentam maiores índices de circulação do mosquito, logo que, muitas vezes, basta uma pequena quantidade de chuva para que recipientes e depósitos de água se encham e o Aedes comece a se desenvolver.

Elas vão crescendo até alcançar a fase de pupa, que é considerada um estágio intermediário do desenvolvimento. Nesse período, ocorre uma diminuição da movimentação da larva (baixa mobilidade), indicando a passagem para a fase final, ou seja, a fase adulta.

O tempo de desenvolvimento do inseto depende muito da temperatura. Climas mais quentes aceleram o processo, fazendo com que o Aedes passe pelos 3 estágios e chegue à fase adulta em cerca de 7 dias.

Durante o desenvolvimento, há características predominantes, que são:

  • Ovos: são claros, translúcidos e levemente esbranquiçados. Com o tempo, vão adquirindo uma coloração mais escura.
  • Larva: elas não gostam de ambientes luminosos, sendo que locais escuros são bastante propícios ao depósito de ovos, como caixa d’água.
  • Fase adulta: a fêmea está pronta para botar ovos depois de aproximadamente 3 dias de se alimentar de sangue (ciclo gonotrófico), reiniciando o ciclo.

Como o vírus infecta o ser humano?

É importante lembrar que os machos se alimentam exclusivamente de frutas e são somente as fêmeas que picam humanos. Como necessitam de sangue para botar ovos, são elas as responsáveis pela transmissão de doenças.

Assim, um mosquito fêmea pica o ser humano infectado e adquire o vírus, que invade as células estomacais do inseto e começam a se multiplicar.

Cada célula libera cerca de 100 partículas virais que invadem as vizinhas. Entre 7 e 10 dias depois, o estômago do Aedes está repleto do vírus que, em seguida, atinge o sistema circulatório e acomete todo o corpo do inseto, até chegar às glândulas salivares.

Nessa fase, o mosquito ainda não é capaz de transmitir a doença, pois a quantidade viral em sua saliva ainda é pequena. Mas bastam cerca de 14 dias para que a carga de vírus se eleve a ponto de ser transmitido.

Com a picada, ao mesmo tempo em que ele suga o sangue, ocorre a entrada da saliva do inseto no local. Há duas importantes substâncias envolvidas nesse processo e que começam a agir rapidamente: um agente anestésico e um agente anticoagulante.

Enquanto o fator anestésico amortece o local e impede que a pessoa sinta dor — agindo como um mecanismo de defesa do próprio mosquito — o fator anticoagulante atua garantindo que o sangue chegue até o estômago do Aedes em consistência adequada.

Essa troca de material — o sangue pela saliva — é comum a todas as picadas, mas se o mosquito estiver infectado com vírus da dengue, zika ou chikungunya, é também pela saliva que ocorre a transmissão.

Assim que as partículas de vírus penetram no corpo, inicia-se um processo de infecção para a reprodução. Para isso, elas precisam invadir as células e se replicar.

Se voltarmos às aulas de biologia, vamos lembrar que um vírus é um elemento que necessita de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida. Isso significa que é preciso que ele infecte outras células, altere seu funcionamento normal e ordene que ocorram replicações de partículas virais.

Ou seja, é como se a célula se tornasse uma fábrica infectante do organismo.

Para que isso ocorra, os vírus têm moléculas na superfície (ou camada externa) capazes de se ligarem às membranas das células. A partir dessa aproximação, o vírus invade a célula e inicia-se a modificação da função celular.

Novas partículas de vírus são produzidas no hospedeiro e são liberadas ao organismo, infectando outras células e constituindo o ciclo de contaminação. Mas não para por aí, pois os filhotes do Aedes infectado também podem nascer vetores das doenças — resultado da transmissão vertical. Estima-se que a cada mil mosquitos de uma mãe infectada, até 19 possuem o vírus.

Vírus e doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

O mesmo mosquito é responsável pela transmissão de diferentes vírus — estima-se que são mais de 50 tipos. No entanto, os mais comuns e preocupantes são os causadores da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Saiba mais sobre cada um:

O vírus da dengue

O vírus da dengue é chamado de DENV, sendo que há no Brasil 4 tipos circulantes, DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Esses tipos se referem a pequenas variações de um mesmo tipo de vírus.

Após contrair a doença e se recuperar, o paciente cria imunidade ao tipo do vírus que o infectou. Mas como há 4 variações de DENV, é possível ser acometido mais outras 3 vezes, desde que o mosquito esteja contaminado com os outros tipos de vírus.

Diante do agente infeccioso, o sistema imunológico age tentando combater e reter a disseminação viral. Assim, criam-se anticorpos para o vírus da dengue, fazendo com que futuras infecções sejam combatidas por meio de respostas imunológicas mais específicas.

No entanto, é importante lembrar que se o paciente é contaminado com outro tipo de dengue, a doença pode ter um curso mais agressivo e desencadear uma dengue hemorrágica, por exemplo.

A memória imunológica, que é bastante eficaz para evitar um reinfecção pelo mesmo subtipo de DENV, pode ser a responsável pelos riscos mais elevados. O organismo reconhece o agente que é muito semelhante ao da infecção passada, e promove um aumento da produção de anticorpos.

Mas a pequena diferença do sorotipo da dengue faz com que haja um combate ineficiente e, assim, o vírus se dissemine pelo organismo, geralmente causando sintomas mais intensos.

O vírus da zika

O vírus da zika (ZIKV) não é um agente novo, sendo relatado pela primeira vez em 1947, na Uganda.

Na época, o infectante foi isolado de um macaco, mas logo em seguida, em 1954, ocorreu o primeiro relato em humano. Inicialmente, o ZIKV foi caracterizado como um vírus com ocorrência esporádica (espaçada), pois foram poucos os casos diagnosticados.

No entanto, em 2007 ocorreu o primeiro surto da doença na Ilha Yap, Estados Federados da Micronésia. Dados apontam que mais de 70% da população local acima de 3 anos foi infectada.

Ainda que não tenham ocorrido muitas complicações e hospitalizações, o número foi bastante alarmante.

A partir desse ano, a preocupação com o vírus da zika ganhou espaço mundial. Em 2015, relatou-se os primeiros casos de zika no Brasil e houve notificação de que a infecção está relacionada com a Síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia.

Os estudos ainda são recentes e, por isso, o comportamento do vírus ZIKV ainda é pouco conhecido. Acredita-se que após o contato com o agente, o organismo humano crie imunidade a futuras infecções, no entanto, não se descarta completamente possibilidades de reinfecções.

A transmissão ocorre predominantemente pela picada do mosquito Aedes contaminado com o ZIKV. Ainda assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que há relatos de transmissão sexual em alguns países, sendo fundamental o uso de preservativos nas relações sexuais.

Quando o vírus atinge o organismo humano, em geral, os quadros tendem a ser leves e a recuperação não envolve grandes complicações. Dos 17594 casos diagnosticados em 2017, houve apenas 1 óbito devido à doença.

No entanto, além dos pacientes com deficiências imunes, as gestantes merecem atenção, pois estudos recentes apontam que o ZIKV pode atravessar a placenta até o 3º mês da gestação, ou encontrar uma via de acesso pela bolsa amniótica a partir do 2º trimestre.

Quando atinge o bebê, o zika é capaz de provocar microcefalia e outras alterações do sistema nervoso.

O vírus da chikungunya

O vírus CHIKV foi isolado pela primeira vez na tanzânia, em 1952. Em áreas urbanas (ou seja, as que não são florestas), o agente pode ser transmitido por duas espécies de mosquito, o Aedes aegypti e o Aedes albopictus.

No entanto, o Ministério da Saúde alerta para as possibilidades de transmissão vertical (durante o parto, a mãe contaminada contagia o bebê) e por transfusão de sangue, ainda que essas sejam formas menos comuns.

Um dos principais e mais intensos sintomas da doença são as dores nas articulações, fazendo com que o paciente se contraia. Essa postura curvada e comprimida foi a referência para a nomeação da infecção, pois “chikungunya” é um termo derivado de “makonde”, que significa “aqueles que se dobram”.

O vírus da febre amarela

No Brasil, a febre amarela já causou preocupações endêmicas na década de 1940, sendo que, na época, foi erradicada do território nacional, mas apresentou um expressivo aumento de casos em 2017, chegando a 777 infectados até o mês de agosto.

A doença tem duração média de 10 dias e pode desencadear quadros de febre, dor de cabeça, náuseas, dores pelo corpo, hemorragias e icterícias (pele e olhos amarelados), e o tratamento consiste em repouso e amenização dos sintomas, geralmente sendo necessária a hospitalização do paciente.

Leia mais: Vacina para febre amarela: quando e onde tomar, efeitos colaterais

Outros vírus

Apesar de dengue, zika e chikungunya serem as doenças mais relacionadas ao Aedes aegypti, elas não são as únicas. O mosquito é vetor de outros agentes infecciosos capazes de causar a Febre do Mayaro e a Febre do Nilo Ocidental, por exemplo.

A Febre do Mayaro, que tem sintomas bastante semelhantes à chikungunya, acometeu cerca de 200 pessoas nas regiões Norte e Centro-Oeste.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os casos de Febre do Nilo-Ocidental têm crescido de modo preocupante em países do sul da Europa e da Europa central. No início de 2018, o Brasil relatou a primeira infecção pelo vírus em cavalos, o que acendeu o alerta sobre a doença.

Diferença entre dengue, zika e chikungunya

As 3 doenças são transmitidas pelo mesmo vetor, o Aedes aegypti e, algumas vezes, podem manifestar sintomas semelhantes. Mas basta um olhar mais atento ao quadro do paciente para notar que há diferenças bem marcantes, sobretudo na intensidade dos sintomas.

O tratamento de ambas consiste, principalmente, em repouso e amenização dos sintomas decorrentes, como dores e mal-estar, sendo que grande parte dos quadros tem uma boa recuperação, desde que corretamente diagnosticados e acompanhados.

Quais são os sintomas?

Os vírus transmitidos pelos mosquito Aedes têm mais do que o vetor em comum, pois os sinais clínicos que são capazes de causar podem se assemelhar bastante, sobretudo no começo da infecção.

Apesar disso, há alguns pontos que se diferem e auxiliam na caracterização de cada doença:

Dengue

A febre alta, geralmente acima de 38 ºC, com duração entre 4 e 7 dias, e a dor de cabeça, sobretudo atrás dos olhos, são bastante características.

Podem surgir manchas na pele em até metade dos pacientes e a dor muscular é mais comum e intensa se comparada à dor nas articulações (que costuma ser leve quando presente).

Estima-se que a cada paciente sintomático, aproximadamente outras 3 pessoas foram picadas e não desenvolveram sintomas.

Zika

O paciente infectado pelo zika vírus geralmente não apresenta quadros febris ou, quando ocorrem, são amenos (abaixo de 38 ºC) e duram cerca de 2 dias.

Mas são as manchas o sinal mais específico da infecção. Elas costumam surgir antes da febre, de modo súbito e acometem mais de 90% dos pacientes, normalmente aliadas a coceiras intensas.

As dores nas articulações costumam ser em grau leve ou moderado, podendo causar inchaços no local dolorido. É comum que os pacientes desenvolvam episódios de conjuntivite e aumento dos gânglios.

Em média, cerca de 80% das pessoas picadas por mosquitos contaminados não desenvolve nenhum sintoma.

Chikungunya

Os pacientes costumam apresentar estados febris altos, acima de 38 ºC durante 2 ou 3 dias, além de manchas na pele que coçam pouco até o 5º dia após a infecção.

A dor muscular tende a ser menor do que na dengue e na zika, porém o acometimento das articulações é maior, representando dores intensas e edemas no local.

O índice de pessoas infectadas que desenvolve sintomas é bem maior no caso do CHIKV, sendo que até 95% dos infectados é sintomático.

Além disso, até 50% dos pacientes vai apresentar dores nas articulações após a recuperação. Elas podem ser intensas e se estender por meses ou anos.

Prevenção: como combater o mosquito?

A principal forma de combater as doenças causadas pelo Aedes aegypti é eliminando os focos do mosquito para reduzir a sua circulação.

Estratégias de controle envolvem principalmente ações mecânicas e químicas. Devido à biologia do mosquito, a fase aquática é a mais favorável ao combate, logo que as larvas e pupas estão depositadas nos recipientes e superfícies e não se disseminam até virarem mosquitos.

O controle mecânico consiste em identificar e eliminar a água parada acumulada, diminuindo os locais favoráveis ao depósito de ovos do Aedes.

Quanto ao controle químico, ele se refere ao uso de inseticidas em casa ou através de fumacês (pulverizador de inseticida). No entanto, é preciso lembrar que essa é uma medida de minimização e o controle deve focar, sobretudo, no combate aos depósitos dos ovos.

Também é válido lembrar que os inseticidas só eliminam mosquitos adultos, que já estão circulando.

Em casa

  • Cuide do jardim: evite recipientes ou locais que possam acumular água, como vasos de plantas;
  • Adicione areia nos vasinhos: ela absorve a água da rega e da chuva;
  • Lave os recipientes de plantas e dos animais: use escova, água e sabão para higienizar os potes;
  • Cuide do lixo: não acumule potes, garrafas ou embalagens e faça sempre o descarte correto;
  • Cuide da caixa d’água: mantenha a higienização e tampe adequadamente;
  • Limpe o quintal e as calhas: cuidado com o acúmulo de folhas, galhos ou sujeira que possam bloquear a passagem de água.

Além disso, dentro de casa ou na área domiciliar é preciso ficar de olho em locais que muitas vezes passam despercebidos, como:

  • Suporte de água e filtros;
  • Cestos de lixo;
  • Bandejas de ar-condicionado;
  • Ralos e instalações sanitárias;
  • Marquises, toldos ou telhados.

Na vizinhança

Observe as redondezas e participe efetivamente do combate ao Aedes. Não basta eliminar os focos da sua casa se houver outros nas proximidades. Por isso o combate deve ser uma ação comunitária:

  • Observe bueiros ou buracos na rua que possam acumular água;
  • Notifique a prefeitura em casos de terrenos baldios ou casas abandonadas;
  • Converse com vizinhos sobre estratégias de combate;
  • Em casos de lixo acumulado ou descarte incorreto de rejeitos, avise à Prefeitura.

Como eliminar os focos?

Caso encontre larvas ou focos do Aedes, jogue a água parada no chão seco ou na terra e, em seguida, lave com água e sabão o recipiente, dando o descarte ou encaminhamento correto. Em locais que não pode ser removidos, como piscinas, é necessário aplicar produtos de limpeza desinfetantes e notificar os agentes de saúde que farão a aplicação de larvicidas.

É importante lembrar que a água sanitária pode ser usada no combate às larvas, desde que o recipiente a ser higienizado não seja usado no armazenamento de água para consumo humano (como caixas d’água). A água sanitária pode ser aplicada em:

  • Vasos sanitários;
  • Caixas de descarga sanitária;
  • Ralos;
  • Tambores ou tonéis que guardam água para limpeza, por exemplo.

Como se proteger?

Além de combater os focos do Aedes, outras medidas podem ser adotadas para reduzir os riscos de picada do mosquito. Em casa, você pode:

  • Colocar telas nas janelas, impedindo a entrada do inseto;
  • Dormir ou repousar sob mosquiteiros;
  • Dispor vaporizadores elétricos pela casa;
  • Usar inseticidas de ambiente.

Quanto às medidas de autocuidado, você pode usar repelentes, desde que devidamente certificados pela ANVISA, e optar por roupas que protejam o corpo e reduzam a área de pele exposta, sobretudo calças longas e sapatos fechados — logo que o Aedes pica preferencialmente os membros inferiores.

Lembrando que essas são medidas eficazes na proteção e no combate ao Aedes. Recorrer às fórmulas caseiras (como citronela ou óleo de cravo) não são alternativas cientificamente reconhecidas.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde chama a atenção para a possibilidade do vírus da zika ser transmitido pelo contato sexual também. Portanto, além dos cuidados em combater o mosquito e mantê-lo afastado, é necessário o uso de preservativos em todas as relações sexuais, reduzindo os riscos de zika e diversas outras doenças infecciosas.

Aedes aegypti e gravidez

A gestação pede cuidados redobrados em relação ao mosquito Aedes, por isso, é bastante importante fazer o acompanhamento pré-natal e manter as vacinações em dia.

Como prevenir a picada

Para ajudar na prevenção durante a gestação, utilizar repelentes é recomendado, sempre seguindo as recomendações médicas, respeitando o tempo de reaplicação e optando por produtos aprovados pela ANVISA.

Leia mais: Repelente para grávidas (icaridina, DEET), marcas, qual o melhor?

Há riscos de contrair o vírus da zika por meio de relações sexuais, por isso, manter o uso de preservativos é fundamental. Além disso, é importante preparar os ambientes com telas e mosquiteiros, reduzindo os riscos de ser picada e, se possível, evitar áreas de risco.

Os cuidados devem ser durante toda a gestação, mas é principalmente no primeiro trimestre que há maiores riscos à mãe e ao bebê, sobretudo em relação ao aborto espontâneo e à microcefalia (em decorrência da infecção por zika).

É importante reforçar que não se deve tomar medicamentos sem orientação médica e que todos os sintomas devem ser relatados aos profissionais de saúde.

Os cuidados também se estendem para após o parto, dando atenção à proteção do bebê através de barreiras físicas (roupas e mosquiteiros).

As consultas ao pediatra são fundamentais e todos os sinais ou mudanças comportamentais devem ser levados ao médico, sobretudo se houver febre, manchas na pele e vermelhidão nos olhos.

Mães infectadas

Nos casos de mães que tenham sido picadas pelo Aedes infectado, o Ministério da Saúde indica que o aleitamento materno deve ser mantido normalmente até os 2 anos ou mais, pois não há indícios de que o vírus possa ser transmitido durante a amamentação.

Para as grávidas infectadas com o zika, há maior preocupação em relação à microcefalia. Nesses casos, é fundamental que a criança seja assistida desde o nascimento, por meio de programas especializados. A estimulação e o acompanhamento precoce reduz o impacto da malformação e auxiliam no desenvolvimento motor, neurológico e cognitivo da criança.

Histórico do Aedes aegypti

O Instituto Oswaldo Cruz indica que o primeiro relato científico do Aedes foi em 1762. Na época, o mosquito recebeu o nome de Culex aegypti, mas em 1818 houve a descrição do gênero Aedes e, ao ser classificado nesse grupo, foi rebatizado como Aedes aegypti.

Originário do Egito, na África, não é de hoje que a espécie circula em território nacional, pois no final do século 19 o pequeno inseto já era motivo de preocupação em Curitiba (PR) e, pouco depois, em Niterói (RJ).

Trazido por meio de navios escravagistas, naquela época, era a transmissão da febre amarela que colocava em risco a população.

Em 1955, com medidas de erradicação do vetor, inseticidas químicos foram pulverizados e eliminaram o Aedes. Mas não demorou muito para que ele retornasse ao solo brasileiro.

Foi entre as décadas de 1960 e 1980 que o mosquito reapareceu, trazido sobretudo de Cingapura, no sudeste da Ásia. Se espalhando por todo o território, hoje dificilmente se pensa em erradicação.


Do início de 2018 até o mês agosto, juntas, dengue, zika e chikungunya somam quase 269.500 casos no Brasil.

Apesar de haver uma redução total de aproximadamente 40% se comparado ao mesmo período de 2017, as 3 infecções ainda apresentam alto índice de transmissão. As formas de preveni-las esbarram na dificuldade em eliminar os focos do mosquito e na fácil disseminação dos vírus.

Os cuidados com o ambiente e a informação são os melhores métodos para reduzir os riscos e combater o Aedes. Cuide da sua saúde e se informe no Minuto Saudável!

Fontes consultadas

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