O tracoma é uma doença ocular bastante predominante no mundo. É causada por uma infecção bacteriana e é mais comum em regiões em que não há saneamento básico.

É uma doença grave, pois pode levar os pacientes à cegueira. No entanto, com o tratamento correto, é possível ter cura. No texto a seguir, explicamos como é possível se prevenir. Continue a leitura para saber mais!

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é o tracoma?
  2. Causas
  3. Grupo de risco
  4. Como acontece a transmissão?
  5. Tempo de incubação
  6. Sintomas
  7. Estágios do tracoma
  8. Diagnóstico do tracoma
  9. Como é feito o exame de tracoma?
  10. Tracoma tem cura?
  11. Tratamentos
  12. Medicamentos
  13. Prognóstico
  14. Saúde ocular: tracoma tem complicações?
  15. Qual a forma de prevenção do tracoma?

O que é o tracoma?

O tracoma, também conhecido por conjuntivite granulomatosa, é uma inflamação bacteriana que acomete a região ocular, sendo causada pela bactéria Chlamydia trachomatis.

Essa é uma bactéria transmitida de pessoa para pessoa, através do contato direto com os olhos ou mucosas de alguém infectado e também por meio do compartilhamento de objetos pessoais.

Por ser uma doença que pode ter recidivas, é considerada uma condição inflamatória crônica, por isso exige um acompanhamento oftalmológico periódico.

A prevenção da doença se dá através de medidas de higiene e saneamento básico. O diagnóstico e tratamento são feitos pelo oftalmologista, que orienta o paciente ao uso de antibióticos orais e, em alguns casos, ao uso de pomadas e colírios.

O tratamento e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar que a doença retorne ou para evitar complicações, considerando que o tracoma é uma das principais causas de cegueira no mundo.

Na Classificação Internacional de Doenças, CID-10, o tracoma é encontrado no código A71 e nas segmentações:

  • A71.0 — Fase inicial do tracoma;
  • A71.1 — Fase ativa do tracoma;
  • A71.9 — Tracoma não especificado.

Causas

O tracoma é causado por uma infecção provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis, um microrganismo mais presente em regiões em que o acesso à água potável e saneamento básico é deficiente.

É uma bactéria que está entre os menores seres vivos conhecidos, sendo capaz de sobreviver apenas em outros organismos.

Essa bactéria, como o nome pode lembrar, também é responsável por provocar outras doenças, como a clamídia, uma doença sexualmente transmissível.

Existem vários sorotipos desse agente, sendo os sorotipos A, B, Ba e C os que estão mais associados à inflamação ocular.

Grupo de risco

Algumas pessoas estão mais vulneráveis ao tracoma. Por ser uma doença associada à falta de saneamento básico, as pessoas que vivem nessa situação de precariedade estão mais vulneráveis a sofrer com essa doença.

Ainda que seja uma doença capaz de acometer qualquer pessoa, as crianças são mais afetadas. Um dos motivos para serem um grupo de risco está no fato de terem uma imunidade mais baixa e por estarem em ambientes em que a circulação de bactérias é maior, como escolas.

Como acontece a transmissão?

O tracoma é uma doença infecciosa que se dá através da infecção ativa no homem, não sendo uma bactéria presente em outros animais hospedeiros. O contágio pode acontecer não só na região ocular, mas também em outras mucosas, como no trato respiratório ou gastrointestinal.

Crianças com idade até 10 anos são consideradas o grupo mais propenso a ser reservatório da bactéria em regiões em que a doença é endêmica.

A transmissão da doença acontece de maneira direta, isto é, por meio do contato com a pessoa infectada. Pode ocorrer através da troca de beijos no rosto, abraços ou apertos de mão após a pessoa ter tocado no olho infectado.

Também pode ser transmitida por objetos contaminados, como fronhas, lenços, toalhas, colírios, maquiagem etc.

É possível ainda que alguns insetos atuem como vetores da bactéria, como a mosca doméstica (Musca domestica) e a lambe-olhos (Hippelates sp).

A doença é contagiosa quando existe a presença de lesões, mais comuns no início da doença. Também pode ocorrer com maior facilidade quando o paciente apresenta outras infecções bacterianas associadas.

Tempo de incubação

Ao entrar em contato com o organismo humano, a bactéria permanece em um período de incubação, que é o tempo entre o momento em que a pessoa foi infectada até o surgimento dos primeiros sinais e sintomas. No caso do tracoma, o tempo de incubação varia de 5 a 12 dias.

Sintomas

Essa inflamação, em muitos casos, não provoca sintomas. Quando manifesta, é mais predominante em crianças, sendo uma doença de curso crônico e com recidivas frequentes, podendo haver sequelas mais graves.

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Os principais sintomas que pode apresentar, ainda que inespecíficos, são:

Fotofobia

Um dos sintomas do tracoma é fotofobia, um sintoma presente em vários problemas oculares. Nesses casos, a inflamação deixa o paciente bastante sensível à luz, sendo necessário o uso de óculos de sol para ajudar a reduzir o desconforto diante da claridade do sol ou da luz ambiente.

Coceira

A infecção causada pelas bactérias deixa o paciente com o olho bastante irritado. Por isso, a coceira pode ser também um dos sinais.

Sensação de corpo estranho e vermelhidão

Em infecções ou inflamações oculares, é comum os pacientes sentirem que há areia ou pó dentro dos olhos. Esse sintoma, somado aos outros, podem deixar o olho mais vermelho.

Leia mais: Enxaqueca e olho seco: estudo mostra que pode haver relação

Secreção e lacrimejamento

O paciente, geralmente, produz uma quantidade maior de lágrimas diante dessa infecção. Pode ocorrer também secreção de pus, geralmente quando há outra infecção bacteriana associada ao tracoma.

Inflamação folicular

Nessa condição, o paciente apresenta os folículos da região conjuntiva inflamados. Dessa forma, os pacientes aparentam ter nódulos bem pequenos na região interna das pálpebras, sendo um dos sintomas característicos do tracoma.

Opacificação corneana

Ocorre em pacientes em estágios mais avançados do tracoma. É um sintoma que acontece como consequência a escoriações e cicatrizes na córnea. A opacificação corneana é uma situação grave, pois pode levar a um prejuízo na visão e até mesmo à cegueira.

Estágios do tracoma

A evolução dessa doença pode ser dividida em 4 estágios:

Estágio 1

O primeiro estágio, quando a doença está ainda iniciando-se, ocorre logo após o período de incubação cessar. Nesse momento, ela pode provocar lacrimejamento, sensibilidade à luz, inchaço nas pálpebras e aumento do fluxo sanguíneo na região ocular.

Estágio 2

Após um período de 7 a 10 dias, considera-se que a doença esteja no seu estágio 2. Nesse momento, pode ocorrer o surgimento de folículos na mucosa das pálpebras. Esses folículos podem crescer e aumentar no número e tamanho por 3 a 4 semanas.

Estágio 3

Nesta fase da doença, os folículos reduzem de tamanho de forma gradual e no lugar desses sinais podem surgir cicatrizes. Quando o tracoma não é tratado, a córnea também pode sofrer lesões e até mesmo cicatrizes.

Essa cicatrização que pode ocorrer na córnea é bastante perigosa, pois pode envolver toda essa região do olho, diminuindo a visão.

Nessas condições, o paciente fica ainda mais vulnerável a sofrer infecções bacterianas secundárias, o que torna ainda maior o risco de progressão da doença e complicações mais sérias.

Estágio 4

No estágio 4 do tracoma, o paciente pode ter como complicação o entrópio, uma condição em que a pálpebra fica deformada e um pouco virada para dentro.

É comum que essa condição aconteça acompanhada da triquíase, que é quando os cílios estão em posições inadequadas e acabam ficando próximos ou dentro dos olhos.

Pode ocorrer também a obstrução do ducto lacrimal, o que reduz o lacrimejamento e provoca ainda mais desconforto nos olhos.

Quando a triquíase e o entrópio acontecem simultaneamente provocam uma maior formação de vasos sanguíneos anormais nas córneas (neovascularização) e cicatrização.

Diagnóstico do tracoma

O diagnóstico do tracoma é feito através do exame clínico realizado por um médico oftalmologista.

Além da análise dos sintomas, o médico também deve realizar um exame ocular externo, feito com um aparelho (lupa binocular) capaz de ampliar o tamanho da região ocular, para que seja possível observar se há presença de cicatrizes e folículos nas pálpebras ou alterações na posição dos cílios, por exemplo.

Essa avaliação é importante para poder diferenciar o tracoma de uma conjuntivite comum, no qual não há variações na pálpebra.

É importante para o diagnóstico correto também saber o local em que o paciente mora, pois existem algumas condições de habitação que aumentam o risco da doença.

Como é feito o exame de tracoma?

Para o diagnóstico, nem sempre é feito algum exame laboratorial. Normalmente, o médico se baseia na análise dos sintomas e de outros fatores de risco que o paciente tenha se exposto.

Para o exame físico, é utilizado apenas um equipamento chamado lupa binocular, que possibilita a avaliação externa dos olhos.

Entretanto, alguns exames laboratoriais podem ser feitos, sendo mais para confirmação da bactéria em circulação do que para o diagnóstico e tratamento individual da doença.

Nesses casos, o que é padrão é a realização da cultura bacteriana, uma técnica que isola a bactéria para que ela possa se multiplicar dentro de um processo de controle e análise da espécie.

No entanto, não é um exame de rotina nos laboratórios do sistema de saúde pública.

Tracoma tem cura?

Sim, tem cura. O tracoma quando é diagnóstico e tratado corretamente pode ser curado, mas é necessário que o paciente passe por um acompanhamento periódico com o oftalmologista, pois em alguns casos a doença reincide.

Tratamentos

O tratamento do tracoma é feito a partir da administração de medicamentos antibióticos. Em alguns casos, pode ser necessário que o paciente passe por cirurgia.

Medicamentos

Os medicamentos são indicados para curar a infecção bacteriana, assim, consequentemente, é possível também reduzir a transmissão e circulação da bactéria, diminuindo recidivas da doença.

Cirurgia

A cirurgia não é exatamente um tratamento que cura o tracoma, mas pode ser necessário para corrigir deformidades nas pálpebras ou nos cílios (entrópio e triquíase) que ocorrem como consequência da doença.

Medicamentos

O tracoma é tratado com o uso de medicamentos antibióticos, remédios tradicionalmente usados para combater uma infecção bacteriana sofrida pelo organismo. No entanto, também pode ser recomendado o uso de pomadas ou colírios.

Antibióticos

De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, o tratamento de tracoma deve ser feito com o uso de antibióticos que possuem o princípio ativo Azitromicina, que é disponibilizado gratuitamente pelos serviços públicos de saúde.

Podem ser necessário também alguns colírios antibióticos, como os que contêm azitromicina a 1,5%. Pode ser recomendado o uso de 2 vezes ao dia por até 3 dias.

Pomadas e colírios

Alguns pacientes com tracoma podem precisar do uso de pomadas e colírios para alívio dos sintomas.

Uma das pomadas oculares que podem ser recomendadas pelo médico são as que possuem tetraciclina. Geralmente, devem ser usados duas vezes ao dia por até seis semanas.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

O prognóstico do tracoma varia de acordo com o diagnóstico e tratamento.

É importante saber, nesses casos, da importância de manter uma rotina de consultas com o oftalmologista mesmo após a cura da doença, pois a reinfecção pela mesma bactéria pode levar a complicações mais graves, como a triquíase e o entrópio.

Quando essas complicações não são tratadas, o tracoma pode causar cegueira.

Segundo informações do Ministério da Saúde, estima-se que o tracoma é responsável por causar problemas oculares em 1,9 milhões de pessoas. Dentro desse número, cerca de 450 mil perdem a visão de modo irreversível.

Além disso, cerca de 190 milhões de pessoas moram em áreas endêmicas e correm risco de contrair o tracoma.

Saúde ocular: tracoma tem complicações?

Quando não tratada, essa doença pode causar problemas mais graves no paciente, como as condições características do tracoma: o entrópio e a triquíase tracomatosa.

Entrópio

O entrópio é uma condição em que a pálpebra fica dobrada para dentro do olho. Dessa forma, os cílios ficam incomodando o globo ocular.

Devido ao atrito que acontece entre os cílios e o globo ocular, o paciente pode sofrer escoriações na córnea, que podem torná-la opaca e assim acabar reduzindo a visão. Para corrigir essa doença, é necessário cirurgia.

Triquíase tracomatosa

É a condição em que os cílios estão em posição anormal, geralmente para dentro dos olhos ou muito próximos. É comum os pacientes com quadros graves apresentarem a triquíase e o entrópio associados.

Cegueira

O tracoma, em alguns casos não tratados, pode evoluir para o surgimento de algumas cicatrizes na córnea, por conta da reincidência de infecções e também de outras complicações como a triquíase e entrópio.

Nesses casos, o comprometimento da córnea pode levar a um prejuízo da visão e até mesmo à cegueira.

Qual a forma de prevenção do tracoma?

As medidas de prevenção do tracoma incluem cuidados simples e outros nem tanto. Por ser uma doença mais prevalente em regiões com condições ruins de saneamento básico, os pacientes não conseguem ter total controle dos fatores de risco de transmissão.

Por isso, para prevenir o tracoma, é preciso também melhorias no ambiente em que essas pessoas habitam e medidas que possam reduzir o risco de contaminação de bactérias relacionadas a falta de saneamento.

Ao que cabe às pessoas fazer, há as seguintes medidas preventivas:

  • Lavar sempre bem as mãos com água e sabão, várias vezes ao longo do dia;
  • Não compartilhar objetos pessoais que possam transmitir a bactéria;
  • Ir ao médico ao notar algum sintoma ou desconforto ocular;
  • Realizar consultas periódicas para preservar a saúde dos olhos.

O tracoma é uma doença inflamatória ocular que pode causar sequelas graves, levando à cegueira em casos extremos. Por isso, é importante não ignorar os sintomas e procurar sempre um oftalmologista.

Obrigada pela leitura e compartilhe com seus amigos essas informações!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização:09/04/2019

Fontes consultadas

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1 comentário

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  1. Amei a informação foi muito útil obrigada
    Não sabia nada arrrespito dessa doença

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