Em Portugal, o consumo medicinal ou cultivo para fins científicos de maconha ganhou status de legalidade no dia 1º de fevereiro.
Agora, consumidores e empresas interessados em ter acesso à planta contam com normas para cultivo, comércio, uso e distribuição.
Com aprovação no dia 18 de julho de 2018, a lei determina que o recurso aos medicamentos preparados só será autorizado para casos em que os tratamentos convencionais não produzem efeitos ou quando provocam efeitos colaterais severos para o paciente.
Atividades com a cannabis só poderão ser feitas depois de pedido de autorização de mercado, solicitado para a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).
Além disso, todos os processos serão acompanhados e regulados pelo Estado português, que visa assegurar a legalidade e o respeito às normas estabelecidas, reduzindo os riscos aos pacientes também.
No Brasil, o projeto de Lei que descriminaliza o uso científico e medicinal da maconha ainda está em tramitação.
Em novembro, o projeto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), mas tem um longo caminho antes de seguir à Câmara dos Deputados.
Como a maconha pode ajudar nos tratamentos?
Os benefícios que ela traz para a medicina são importantes porque, através da planta, é possível extrair duas substâncias importantes, o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC).
As 2 extrações têm efeitos importantes para o tratamento em diversas doenças, já que podem ter ações estimulantes de apetite, sedativas, analgésicas e anticonvulsivas.
O primeiro (CDB), age nas doenças como epilepsia, esclerose múltipla, esquizofrenia, doença de Parkinson e dores crônicas. Já o extrato de THC pode ser utilizado no tratamento de asma, glaucoma e síndrome de Tourette.
Um exemplo de como a planta ajuda no tratamento aconteceu aqui no Brasil, em 2013: uma família que precisava do canabidiol para o tratamento de uma criança que sofria com um quadro grave de epilepsia foi parar na justiça.
Somente em 2016, 3 anos depois de iniciado o processo, a família recebeu o direito de importar o canabidiol para o tratamento da menina.
Com a chegada do medicamento, a criança teve suas crises diminuídas em menos da metade, resultado que, em comparação com uso dos outros medicamento, foi extremamente eficaz.
Por conter substâncias que atuam no sistema nervoso central, a maconha tem um grande potencial para ser aliada ao tratamento médico.
O acesso aos medicamentos com nova lei pode ser uma esperança para pacientes que não respondem bem aos tratamentos padrão.
Fonte: Jornal Médico