Pancreatite Aguda e Crônica: sintomas, cura, tratamento, causas e mais

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O que é

A Pancreatite é a inflamação progressiva do pâncreas que aparece subitamente e sua etiologia é variada. Caracteriza-se por uma glândula grande que fica atrás do estômago e perto do duodeno (a primeira parte do intestino delgado), que tem como  função secretar sucos digestivos ou enzimas inadequadas para o duodeno através de um tubo chamado “duto pancreático”.

As enzimas pancreáticas juntam-se com a bile (o líquido produzido no fígado e que é armazenado na vesícula biliar) para digerir os alimentos. Assim, o pâncreas também libera hormônios, que são a insulina e o glucagon, na corrente sanguínea. Estes hormônios são responsáveis por ajudar o corpo a regular a glicose vinda dos alimentos para a energia.

As enzimas digestivas secretadas pelo pâncreas geralmente não se tornam ativas até atingirem o intestino delgado. Mas quando o pâncreas está inflamado, as do seu interior atacam e danificam os tecidos que as produzem.

Esses processos podem resultar em edema, hemorragia e até necrose pancreática e peripancreática.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é
  2. Causas e tipos de Pancreatite
  3. Sintomas da Pancreatite
  4. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  5. Tratamento para Pancreatite
  6. Grupos e fatores de risco
  7. Complicações
  8. Convivendo/Prognóstico
  9. Como prevenir? É transmissível?

Causas e tipos de Pancreatite

A pancreatite pode ser aguda, crônica ou hereditária, e qualquer uma das três é grave, podendo causar complicações ao paciente.

Pancreatite aguda

Este tipo ocorre devido a inflamação do pâncreas, que ocorre de maneira súbita e, geralmente, cura-se com poucos dias com o tratamento. Porém, este tipo pode ser fatal com complicações graves.

Sua causa mais comum é a presença de cálculos biliares, ou seja, pequenas “pedras” formadas por bile que endureceu. São elas que causam a inflamação no pâncreas quando passam através do ducto biliar comum.

Outra causa é o uso crônico de álcool. A pancreatite aguda pode ocorrer dentro de horas ou até 2 dias depois que o paciente consome álcool. Outras causas deste tipo de pancreatite aguda são:

  • Trauma abdominal.
  • Medicamentos.
  • Infecções.
  • Tumores.
  • Anormalidades genéticas do pâncreas.

A cada ano, milhares de pessoas são admitidas em hospitais com a doença.

Pancreatite crônica

Este tipo é uma inflamação do pâncreas que não melhora, ou cura, e vai piorando ao longo do tempo, levando a lesões permanentes. A pancreatite crônica, igualmente a pancreatite aguda, ocorre quando as enzimas digestivas atacam o pâncreas e os tecidos vizinhos, causando episódios de dor.

Em crianças, a pancreatite crônica é rara é mais comum o trauma de pâncreas e pancreatite hereditária como tipos de pancreatite conhecidas na infância. Crianças com fibrose cística (doença pulmonar progressiva e incurável) podem estar sob risco de desenvolver a doença, contudo, as causas nas crianças são desconhecidas.

Geralmente, acomete mais os indivíduos entre 30 e 40 anos de idade.

A causa mais comum de pancreatite crônica é o uso pesado de álcool por muitos anos. A forma crônica da pancreatite pode ser desencadeada por um ataque agudo que danifica o ducto pancreático. O ducto danificado faz com que o pâncreas se torne inflamado. A cicatriz tecidual se desenvolve e o pâncreas é lentamente destruído.

Entre as causas do tipo crônico, estão:

  • Desordens hereditárias do pâncreas.
  • Fibrose cística: é a mais comum das desordens hereditárias que levam à pancreatite crônica.
  • Hipercalcemia: altos níveis de cálcio no sangue.
  • Hiperlipidemia ou hipertrigliceridemia: níveis altos de gorduras no sangue.
  • Determinados medicamentos.
  • Certas condições autoimunes.
  • Causas desconhecidas.

Pancreatite hereditária

A pancreatite hereditária pode acometer em uma pessoa mais jovem, abaixo de 30 anos, porém esta mesma pessoa pode não ser diagnosticada por muitos anos.

Sintomas esporádicos, como dor abdominal e diarreia que duram vários dias ao longo do tempo, podem progredir para pancreatite crônica. O diagnóstico de pancreatite hereditária é comprovado se a pessoa tem dois ou mais membros da família com pancreatite em mais de uma geração.

Sintomas da Pancreatite

Os sintomas variam acordo com o tipo da pancreatite. Vejamos cada uma:

Pancreatite aguda

Começa com uma dor gradual ou súbita no abdômen superior (que às vezes se irradia para o dorso) podendo ser suave no início e piorar depois de comer. A dor ainda pode se tornar frequente e durar vários dias.

O paciente da pancreatite aguda geralmente parece e se sente muito doente, precisando, então, de atenção médica imediata.

Entre os sintomas mais comuns da pancreatite aguda estão:

  • Abdome distendido e sensível, ou seja, barriga inchada.
  • Náuseas.
  • Dor abdominal intensa.
  • Icterícia.
  • Vômitos.
  • Febre.
  • Pulso rápido.
  • Desidratação e pressão baixa; por causas destes sintomas, o coração, pulmões ou rins podem falhar. Se ocorrer hemorragia no pâncreas, o choque e até mesmo a morte podem se seguir.

Pancreatite crônica

Os sintomas dos pacientes com pancreatite crônica podem ser:

  • Dor em abdome superior, mas também podem ser assintomáticas em relação à dor. Quando ocorre, pode se irradiar para as costas, piorar ao comer ou beber e tornar-se constante e incapacitante. Em outros casos, a dor abdominal vai embora quando a doença piora, pois o pâncreas parou de produzir enzimas digestivas.
  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Perda de peso sem motivo aparente mesmo quando o apetite e hábitos alimentares do paciente estão normais. Quando o corpo não secreta enzimas pancreáticas suficientes para digerir o alimento acontece a perda de peso, pois os nutrientes não são absorvidos normalmente. Esta má digestão pode levar à desnutrição, por casa da excreção de gordura nas fezes.
  • Diarreia.
  • Diabetes, pois o pâncreas vai perdendo suas funções endócrinas e exócrinas.
  • Fezes gordurosas e amareladas.
  • Níveis de açúcar no sangue aumentam.

Pancreatite hereditária

Os sintomas são os mesmos da pancreatite aguda.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O profissional a ser procurado é o endocrinologista ou o gastroenterologista. Ele avaliará o histórico médico da pessoa por exame físico minucioso e ainda poderá solicitar:

  • Exames de sangue, urina e fezes nos estágios mais avançados da pancreatite, como:

  1. Amilase sérica.
  2. Lipase sérica.
  3. Hemograma completo.
  4. Testes de função hepática.
  5. Bilirrubina.
  • Ultrassom abdominal: ondas sonoras são enviadas para o pâncreas através de um dispositivo portátil que o médico desliza sobre o abdômen. Então, as ondas sonoras ricocheteiam no pâncreas, vesícula biliar, fígado e outros órgãos, fazendo que os ecos transmitam impulsos elétricos, criando uma imagem (sonograma) em um monitor de vídeo. Se os cálculos biliares estiverem causando inflamação, as ondas sonoras também vão ricochetear neles, mostrando a sua localização.
  • Tomografia computadorizada (TC): é um tipo de raio-x não-invasivo que produz imagens tridimensionais de partes do corpo. Este teste pode mostrar os cálculos biliares e a extensão dos danos ao pâncreas.
  • Ultrassom endoscópico (USE): depois de pulverizar uma solução para adormecer a garganta do paciente, o médico insere um endoscópio (um tubo fino, flexível e iluminado) através da garganta para o estômago e intestino delgado. É ligado um ultrassom anexado ao endoscópio, que produz ondas sonoras, para criar imagens do pâncreas e vias biliares.
  • Colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM): utiliza a ressonância magnética, que é um teste não invasivo e que produz imagens de seção transversal de partes do corpo. Após o paciente ser levemente sedado, ele se deita em um tubo de cilindro, para o exame. O especialista, então, injeta contraste nas veias do paciente que ajuda a mostrar o pâncreas, vesícula biliar, vias biliares e ducto pancreático.

A pancreatite crônica e a aguda são frequentemente confundidas, pois os seus sintomas são semelhantes. Como na pancreatite aguda, o médico irá realizar uma minuciosa história clínica e exame físico.

Tratamento para Pancreatite

Os dois tipos de pancreatite iniciam-se com o tratamento clínico. A aguda necessita de internação hospitalar e o paciente deverá ficar em jejum. Vejamos:

Pancreatite aguda

Para a pancreatite aguda há tratamento. O principal meio de tratamento é a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada Terapêutica (CPER), usada para os dois tipos de pancreatite. Esta é uma técnica especializada utilizada para exibir o pâncreas, vesícula biliar e dutos biliares, bem como tratar complicações das doenças.

Após o paciente ser internado com suspeita de estreitamento do duto pancreático ou dutos biliares, um médico com formação especializada executa a CPER: o paciente é sedado e toma medicação para aliviar a garganta, então o médico insere o endoscópio através da boca, garganta e estômago para o intestino que é conectado a um computador e tela de vídeo.

Podem ser executados os seguintes procedimentos usando a CPER:

  • Esfincterotomia: é usado um pequeno fio de um acessório passado através do endoscópio, o médico encontra o músculo que rodeia o ducto pancreático ou ductos biliares e faz um pequeno corte para ampliar a abertura do mesmo. Quando um pseudocisto estiver presente, o ducto é drenado.
  • Retirada de cálculos de colédoco: o endoscópio é usado para remover pedras (cálculos) do ducto pancreático ou biliar com uma pequena cesta ou balão. Às vezes, a remoção da vesícula biliar é realizada juntamente com uma esfincterotomia.
  • Introdução de próteses (stents): usando o endoscópio, o médico coloca um pequeno pedaço de plástico ou de metal (prótese), parecido com um canudinho, em um estreitamento do ducto pancreático ou biliar para mantê-lo aberto.
  • Dilatação com balão: procedimento que visa dilatar o duto pancreático ou biliar. Uma prótese temporária pode ser colocada por poucos meses para manter o duto aberto. Os pacientes que se submetem à CPER terapêutica apresentam um pequeno risco de complicações, como:
  1. Pancreatite grave.
  2. Infecção.
  3. Perfuração do intestino.
  4. Hemorragia.
  • Terapia intravenosa: por causa da alta desidratação, o paciente é submetido a receber líquidos através da veia do braço para reparar o pâncreas.

Pancreatite crônica

Contudo, a pancreatite crônica não tem cura, podendo apenas ser controlada. O médico indicará algum medicamento para o alívio da dor, como o Genfibrozila e, também, uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras. Poderá também indicar:

  • Enzimas pancreáticas: ingeridas com as refeições, caso o pâncreas não secretar enzimas suficientes para ele próprio.
  • Cirurgia: para alguns casos, com a intenção de aliviar a dor, quando muito forte.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

Há dois grupos de risco da Pancreatite:

  • Ocorrem mais frequentemente em homens do que em mulheres, ambos os tipos da doença.
  • Acomete mais pessoas que fazem grande uso de bebidas alcoólicas.

E entre os fatores de risco estão:

  • Altos níveis de triglicerídios no sangue.
  • Cálculos biliares.
  • Cirurgia abdominal.
  • Certos medicamentos.
  • Câncer de pâncreas.
  • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica.
  • Hipercalcemia (cálcio elevado no sangue).
  • Fibrose cística.
  • Histórico familiar.
  • Ingestão de altas doses de bebidas alcoólicas.
  • Lesão no abdome.
  • Tabagismo.

Complicações

As complicações da pancreatite poderão ser:

  • Lesões no pâncreas: dificultando o funcionamento adequado.
  • Complicações da CPER: são mais comuns em pessoas com pancreatite aguda ou recorrente. Um paciente que tem febre, dificuldade para engolir ou sente a garganta aumentada, dor no peito ou dor abdominal após o procedimento, deve notificar imediatamente ao médico.
  • Problemas respiratórios.
  • Desenvolvimento de Hipóxia: quando as células e tecidos não estão recebendo oxigênio suficientes.
  • Vômitos excessivos graves: para esses casos, é necessário colocar uma sonda no paciente para remover os líquidos e o ar.
  • Infecção.
  • Falha dos rins, sendo necessária a diálise.

Convivendo/Prognóstico

O paciente deve parar de tomar qualquer tipo de bebida alcoólica, bem como parar de fumar. É bastante importante uma dieta rica em proteína magra, com frutas e vegetais.

Outro fator fundamental é beber bastante líquido, principalmente água.

Como prevenir? É transmissível?

Como meios de prevenção, recomenda-se:

  • Não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas.
  • Se sentir dores fortes na parte superior do abdome, é necessário procurar urgentemente por ajuda médica, pois quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento são realizados, antes é conseguida a cura da doença.

Alguns pacientes se recuperam rapidamente e outros podem chegar a graves complicações. Se a pancreatite desenvolver para o tipo crônico, ela não terá mais cura. Sabendo disso, compartilhe este artigo com as pessoas que você conhece, para que todos estejam cientes dos riscos da doença!

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21 Comentários

  1. Tive pancreatite após ter cachumba, a dor abdominal era imensa, fui para o hospital gritando de dor, fiquei internada (dieta zero) por 45 dias, muito soro e vitaminas… Depois disso cuidei da minha glicose e após um ano … Vida normal

  2. Descobri q tenho pancreatite cronica, mas nao sinto nada demais, só qdo exagero na comida que fico com má digestão, náuseas e queimação, mas qdo me alimento bem, não sinto nenhum sintoma.

  3. Eu estou sofrendo com o meu esposo há quatro anos com os sintomas relacionados a pancreatite é só agora descobriram o problema e segue internado fz o tratamento….Qto sofrimento meu Deus, tô passada!

    • Olá Luiz!

      Isso irá depender do tipo de pancreatite. Na condição aguda, há tratamento e o paciente pode se ver livre da doença. Porém, nos casos crônicos o tratamento visa apenas controlar os sintomas, visto que não há cura.

  4. Parabéns pelo texto muito esclarecedor. Por coincidência quando este foi escrito eu estava na UTI com sintomas terríveis causados pela pancreatite que surgiu após uma auto medicação. Fiquei internada por quase dois meses entre a vida e a morte. Graças a Deus consegui a cura e hoje faço questão de divulgar o que ocorreu comigo e tentar conscientizar as pessoas para não se auto medicarem.

  5. O artigo é muito esclarecedor estou internado com pancreatite ,se Deus quiser sairei de alta em breve, seguirei as dicas para não ter outra pancreatite.

    • Olá, Ademir!

      Lamentamos a impossibilidade de fornecer conselho médico ou responder a questões médicas e farmacêuticas individuais, pois somos impossibilitados pela ANVISA de prestar tal atendimento. Mas nós esperamos que você encontre respostas dentro de nosso site, através de informações como bulas ou até mesmo conteúdos e artigos. Se você acha que pode ter uma emergência médica, ligue para o seu médico ou 190 imediatamente.

  6. Todo cuidado é pouco. O quanto antes se cuidar, melhor…
    Um primo meu morreu após complicações… Os médicos foram imprudentes, o medicavam e o mandava para casa. Não suspeitaram da doença.

  7. Artigo bastante esclarecedor, estou com um familiar internado, com dieta zero e em uso de antibiótico e muita fé na pronta recuperação dele.

  8. Ótima explanação e explicação sobre PANCREATITE muito obrigado. Agora é só se cuidar, sou leigo no assunto mas, gosto de pesquisar para melhores informações.

    • estou passando por crise que parece interminavel depois de11 dias de internacao mas vou melhorar me cuidar para nunca mais ter outra pancreatite

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