Mielopatia Cervical: o que é, sintomas, cirurgia, tem cura?

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O que é mielopatia cervical?

A mielopatia cervical é uma doença degenerativa ligada ao envelhecimento de nossa coluna e é também consequência de quadros de espondilose e de artrose cervical intervertebral. Ela provoca uma lesão na medula cervical devido a uma compressão na medula espinhal na altura do pescoço.

Além do envelhecimento natural do nosso corpo, outras causas podem levar a essa compressão, como doenças inflamatórias, traumas e tumores.

As pessoas que sofrem com mielopatia cervical apresentam sintomas como dores na nuca, ombros, mãos, pernas e pés. Geralmente, inchaços, dores fortes e enfraquecimento da musculatura acompanham esses sintomas nos locais acometidos.

Essa é uma doença sem uma cura definitiva, mas com tratamentos específicos para cada caso. O profissional responsável por tratar desses casos é o ortopedista, que deverá analisar em quais situações o paciente deve recorrer de tratamentos menos invasivos, como medicamentos e fisioterapia, ou quando será necessário procedimentos cirúrgicos.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é mielopatia cervical?
  2. O que é espondilose?
  3. Quais são as funções da medula espinhal?
  4. O que provoca compressão na medula espinhal?
  5. Tipos
  6. Mielopatia cervical em equinos
  7. Causas
  8. Grupos de risco
  9. Transmissão
  10. Níveis de mielopatia cervical
  11. Sintomas
  12. Diagnóstico
  13. Mielopatia cervical tem cura?
  14. Tratamentos
  15. Complicações
  16. Medicamentos para mielopatia cervical
  17. Convivendo
  18. Pacientes com mielopatia cervical podem se aposentar?
  19. Como prevenir a mielopatia cervical?

 

O que é espondilose?

A espondilose, também conhecida como artrose cervical, é um desgaste na coluna vertebral e acontece nos discos, que são uma espécie de amortecedores do nosso corpo.

Quando estão danificados por esse desgaste, ocorre uma diminuição do espaço entre as vértebras, o que pode provocar os osteófitos (bicos de papagaio) e fortes dores. Esses bicos são ossos que crescem entre os discos desgastados. Consequentemente, é uma das causas da mielopatia cervical.

Quais são as funções da medula espinhal?

Como se fosse uma haste com formato cilíndrico, a medula espinhal detém um comprimento de 45 centímetros e 1 centímetro de diâmetro, aproximadamente.

A medula espinhal apresenta duas funções principais no nosso corpo: de condução nervosa e de centro nervoso. Basicamente, esse canal é fundamental para que seja possível termos as funções sensitivas, como o tato, sensações de dor ou térmicas.

Com seus feixes de fibras, transporta influxos nervosos para que todas essas sensações funcionem bem e essa máquina chamada corpo humano permaneça em ordem.

Lesões na medula espinhal podem desencadear vários problemas além do que acontece na mielopatia cervical. Muitos deles graves, como paralisia, insensibilidade e problemas respiratórios.

O que provoca compressão na medula espinhal?

A compressão na medula espinhal pode ocorrer por diferentes motivos e de formas variadas de caso para caso, sendo uma compressão repentina ou gradual. Alguns desses fatores estão interligados e se manifestam juntos. Os principais são:

Fraturas

Ossos quebrados, deslocados ou que cresceram de forma anormal são uns dos motivos que podem levar a compressão na medula. Essa deficiência óssea, digamos assim, também pode aparecer devido ao enfraquecimento causado por outras doenças, como câncer e osteoporose. Quando diante dessas circunstâncias, os ossos podem quebrar por causa de traumas leves ou até mesmo sem nenhum choque.

Hematomas

Os hematomas (acúmulo de sangue) podem se acumular na medula espinhal ou próximo a ela e causar a compressão. Normalmente, isso acontece devido a uma lesão, mas também pode ser causado por outros quadros clínicos, como vasos sanguíneos com conexões anormais, tumores, uso de anticoagulantes, entre outros.

Pus (abscesso)

O pus, líquido espesso e amarelado que, geralmente, se forma em locais de feridas infeccionadas, também faz parte dos fatores que podem provocar uma compressão na medula. Seu acúmulo fora da medula – e em casos mais raros dentro dela –  é o responsável por prejudicá-la.

Tumores

São causados por algum câncer que se espalhou (passou por uma metástase) e se estabeleceu próxima a medula espinhal ou para o espaço em volta. Os casos em que tumores causam a compressão são mais raros, independente de serem benignos ou malignos.

Hérnias de disco

As hérnias de disco comprometem as raízes do nervo espinhal e os nervos próximos à medula. O rompimento que ocorre nos discos, dessa forma, provocam a compressão e desencadeiam alguns dos sintomas conhecidos da doença, como dores locais.

Envelhecimento do tecido conjuntivo

O envelhecimento do tecido conjuntivo é um dos causadores da mielopatia cervical pois também provoca compressão na medula. Isso acontece porque essa degeneração acarreta em um aumento e rigidez dos tecidos que revestem o canal espinhal. Consequentemente, isso causa um estreitamento no local e comprime a medula.

Tipos

Podemos dividir a mielopatia cervical em dois tipos: mielopatia cervical espondilótica e mielopatia cervical traumática. As duas afetam o paciente da mesma forma, mas as causas são diferentes.

Mielopatia cervical espondilótica

A mielopatia cervical espondilótica, além de ser quase um trava-língua, também é bastante comum nos consultórios, apesar de não ser causada por traumas. Esse tipo de mielopatia é resultado de uma soma de problemas degenerativos.

De certa forma, todo mundo apresenta algum grau desse tipo de mielopatia quando na fase adulta e idosa, mas nem todo mundo desenvolve como patologia e apresenta sintomas.

As principais doenças interligadas a essa degeneração são:

  • Hipertrofia facetária: É o aumento da articulação facetária, ou seja, as conexões da parte posterior da vértebra adjacente. Entre essas conexões, estão presentes as raízes nervosas;
  • Hipertrofia do ligamento amarelo (LA):Esse ligamento é uma estrutura da coluna vertebral que tem o papel de recobrir as paredes laterais e posteriores do canal medular. Ele mantém contato com as estruturas nervosas e o seu espessamento, ou hipertrofia, é uma das causas do desenvolvimento da mielopatia cervical espondilótica;
  • Osteófitos: Conhecidos como “bicos de papagaio”, são ossos que crescem nas bordas articulares, entre os discos já desgastados. Provocam dores fortes no local em que surgem;
  • Calcificação do ligamento longitudinal posterior: Ocorre quando uma inflamação crônica afeta um tendão ou ligamento. Nosso organismo tenta reparar essa inflamação, mas acaba depositando sais de cálcio na área afetada, provocando a calcificação (ou ossificação) da área;
  • Hérnias de disco: Acontece quando uma ruptura externa provoca um vazamento do conteúdo interno dos discos, chamado de núcleo polposo. Esse vazamento forma as hérnias de disco e acarreta nos sintomas da doença.

 

Mielopatia cervical traumática

A mielopatia cervical traumática é um tipo de mielopatia que acontece, obviamente, após o paciente passar por algum trauma (lesão nos tecidos). Ele está diretamente ligado à causa, diferente da mielopatia cervical espondilótica, provocada por um processo degenerativo.

Muitos fatores podem levar a alguém sofrer um trauma, mas quase sempre estão relacionados a algum acidente grave.

Esses traumas são responsáveis por uma das causas da mielopatia cervical quando o impacto sofrido pelo paciente é o que provocou a compressão na medula espinhal.

Mielopatia cervical em equinos

A mielopatia cervical não é uma doença exclusiva dos humanos, ela também afeta os cavalos. O nome dado a este tipo específico é mielopatia cervical estenótica (MCE). Também chamada de Síndrome de Wobbler ou Bambeira.

Esta é uma doença que também acontece pela compressão na medula cervical, devido à estenose (estreitamento) do canal vertebral. Ela é comum em todas as raças de cavalos, mas a raça que sofre com maior frequência são os Puro Sangue Inglês, predominantemente nos machos.

O surgimento dos sinais dessa má formação vertebral acontece quando estão com menos de três anos de idade. Isso é bem cedo, mesmo quando pensamos na idade média de um cavalo: entre 25 e 30 anos.

O diagnóstico também pode ser realizado através de radiografias. Os animais, nesses casos, apresentaram sintomas como falta de coordenação muscular, espasticidade – distúrbio que provoca rigidez muscular – e paralisia.

O tratamento dos cavalos com MCE inclui mudança na dieta, repouso, uso de antiinflamatórios, suplementos de vitamina E e selênio, mineral rico em antioxidantes e que auxilia na manutenção dos vasos sanguíneos e circulação do sangue. Em alguns casos, intervenções cirúrgicas também são realizadas.

Causas

Você já sabe que para a mielopatia cervical acontecer ocorre uma compressão na medula. No entanto, essa compressão pode ser resultado de outros fatores, além do envelhecimento natural do nosso corpo.

É o ciclo natural das coisas. As pessoas envelhecem e o corpo vai perdendo o ritmo e algumas funções podem não apresentar a eficiência total. É assim com a nossa coluna.

Apesar da mielopatia cervical ser uma doença com alterações bastante comuns no corpo humano, ainda não se sabe o porquê dos sintomas não se manifestarem em todos os doentes.

O que acontece é o seguinte: algumas doenças fazem com que essa compressão na medula aconteça. Contudo, nem sempre a compressão é causada por alguma doença, como ocorre em casos de compressão por tumores ou traumas. Entenda:

Compressão por traumas

Nessa situação, não existe grupo de risco e nem uma forma de prever que acontecerá a mielopatia cervical. Os traumas na coluna vertebral são frequentes e desencadeados por vários motivos. Os mais ocorrentes são acidentes de trânsito (atropelamentos e acidentes de automóveis), quedas, mergulhos em lugares rasos e também por armas de fogo.

Esses casos podem ter danos seríssimos, indo além da compressão na medula. Dependendo da gravidade do trauma e das vértebras afetadas, o paciente pode perder movimentos parciais do corpo, ou até mesmo não sobreviver.

Tumores

Outro fator que pode desencadear o desenvolvimento da mielopatia cervical são tumores. Eles podem ser segmentados em dois tipos: primários e secundários.

Quando tumores primários são os responsáveis pela compressão na medula, significa que esses tumores se originam na própria coluna, diferente dos tumores secundários. Estes vêm de outras partes do corpo, um processo normalmente conhecido como metástase. Esses tumores são os mais frequentes e normalmente malignos. Os sintomas são bem desconfortáveis: além da dor na coluna, os tumores podem provocar paralisia nos membros (braços e/ou pernas), dificuldade de evacuar e urinar.

A palavra tumor costuma assustar e carrega sempre esse ar mais pesado, mas é importante não se desesperar e acreditar nos resultados positivos. Por exemplo, nos pacientes que precisam de cirurgia, muitos avanços na medicina auxiliam neste momento.

Existe uma técnica que ajuda nesses casos, permitindo descomprimir a medula espinhal e as raízes. Dessa forma, reconstroem a coluna com a ajuda de placas e parafusos. Na grande maioria, os pacientes estão liberados no dia seguinte para irem para casa repousar.

Hérnias de disco cervical

A hérnia de disco cervical acontece quando uma ruptura externa de sua área provoca uma espécie de vazamento do conteúdo interno, chamado de núcleo polposo.

Esse núcleo polposo então invade uma área que não deveria ser ocupada por ele e provoca uma compressão de uma raiz nervosa cervical.

Como são responsáveis pela condução de impulsos nervosos de um local para outro, as raízes se tornam prejudicadas pelas hérnias de disco e essa compressão provoca o surgimento de sintomas como perda de sensação, formigamento, dores e perda de força.

Bicos de papagaio (Osteófitos)

Osteófitos, popularmente conhecidos como “Bico de papagaio”, são desgastes que ocorrem na coluna vertebral. É mais comum em pessoas idosas e está entre os causadores da mielopatia cervical.

O que acontece é o seguinte: os discos, espécie de amortecedor entre as vértebras, já apresentam um desgaste. Esses ‘bicos de papagaio’ surgem como uma resposta do nosso corpo para tentar suprir essa deficiência. São ossos que crescem nas bordas articulares, do lado ou a frente dos discos, causando os chamados osteófitos marginais.

Isso não dá muito certo, como já se sabe. O principal sintoma é dor no local, podendo despertar crises agudas. O tratamento é realizado com medicamentos ou injeções para aliviar as dores, além de fisioterapia para ajudar na correção de problemas musculares.

Artrite reumatoide

O desenvolvimento da artrite reumatoide pode desencadear várias complicações, além da mielopatia. Alguns exemplos são as lesões provocados nas articulações e até mesmo ruptura de tendões.

A artrite reumatoide é basicamente uma inflamação nas membranas sinoviais, ou seja, as camadas finas do tecido conjuntivo que revestem as articulações. Elas produzem o líquido sinovial, o responsável por nutrir e lubrificar as articulações. Quando a inflamação ocorre, isso não acontece e os danos aparecem.

No caso da mielopatia, é a região cervical que se prejudica com isso. A inflamação provoca a pressão sobre as articulações e, consequentemente, estimula a compressão na medula espinhal, além de possibilitar outras deformidades.

Essa doença pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em adultos de meia-idade e no sexo feminino.

Mielite transversa

A mielite transversa é uma doença autoimune que também pode ser originada por outras doenças. Parece um efeito dominó de coisas ruins acontecendo com a sua coluna.

Basicamente, uma inflamação ocorre e afeta a medula espinhal por toda sua largura, de forma transversal, que dá o nome mielite transversa à doença. Por acontecer dessa forma, a inflamação acaba bloqueando a transmissão dos impulsos nervosos que transitam de cima para baixo na medula espinhal, o que leva a compressão.

Da mesma forma que acontece no paciente que apresenta a mielopatia cervical, na mielite transversa também surgem sintomas como dores fortes no local. Geralmente, a pessoa com mielite sentirá um aperto, mas em casos graves a doença pode causar até mesmo paralisias.

Estenose cervical

“Estenose” significa estreitamento. Sendo assim, a estenose cervical é resultado das condições das doenças que causam a mielopatia cervical. Essas duas lesões estão juntamente ligadas, pois sofrem o mesmo processo. A diferença é que a mielopatia é a compressão e degeneração da medula, enquanto a estenose é a diminuição progressiva do diâmetro do canal vertebral, local por onde passa a medula e as raízes nervosas.

Grupos de risco

Naturalmente, por ser uma doença degenerativa, a mielopatia cervical acomete, principalmente, pessoas idosas. A compressão que a medula espinhal sofre é o resultado de um desgaste sofrido aos longos dos anos, por isso é tão comum em pessoas acima de 50 anos.

Transmissão

A mielopatia cervical não é transmissível. Ela é uma doença degenerativa crônica e não contagiosa. As causas que levam ao seu desenvolvimento, ainda que diversos, não transmitem a doença.

Níveis da mielopatia cervical

De acordo com o sistema de Nurick, criado para avaliar a gravidade dos casos de mielopatia cervical, existem 6 níveis da doença. Esses níveis são classificados de 0 a 5 e correspondem a características do paciente em determinado estágio. São eles:

Nível 0

Nesse grau, o paciente apresenta sintomas e sinais de que as raízes nervosas que saem do canal medular foram afetadas, mas sem conclusões de que a medula em si sofreu algum dano.

Nível 1

Apresenta sintomas da doença na medula espinhal, mas ainda não demonstra dificuldades para andar.

Nível 2

Durante o nível 2, o paciente diagnosticado com mielopatia cervical apresenta leves dificuldades para andar, mas que não o impedem de manter as atividades do dia a dia.

Nível 3

Este nível é a evolução do quadro anterior. Aqui, o paciente tem grande dificuldade para andar, sendo necessário ajuda para realizar essa atividade. Fazer as tarefas do cotidiano também fica mais difícil.

Possivelmente, o paciente será indicado a não manter uma ocupação por tempo integral, tendo, assim de se afastar do emprego ou de outras tarefas diárias.

Nível 4

Nesses casos, o paciente já está em um grau avançado da doença. Para caminhar, precisa de ajuda de outras pessoas ou de andador.

Nível 5

É o nível mais grave no sistema de Nurick. Infelizmente, quando o paciente com mielopatia atinge esse estágio da doença, é necessário recorrer a uma cadeira de rodas.

Sintomas

A mielopatia cervical apresenta alguns sintomas gerais e outros mais específicos em situações mais agravadas, como em mielopatia por traumas e tumores. Entre os  principais sinais que devem surgir, estão:

  • Dores no pescoço;
  • Rigidez, principalmente nas pernas (hipertonia);
  • Problemas de equilíbrio;
  • Sensação de dormências nas mãos, braços e pernas;
  • Perda sensorial e de reflexos;
  • Perda de força muscular;
  • Perda de sensibilidade térmica;
  • Incontinência urinária (alguns casos).

Além desses sintomas, o paciente pode sofrer alterações neurovegetativas, que se manifestam, por exemplo, na dificuldade de reter ou expelir urina (incontinência urinária). Isso significa que a doença prejudicou o sistema nervoso, pois é ele o responsável pelo controle da urina.

Sensações de choque, formigamento e queimação nos membros superiores também podem surgir como sintomas da mielopatia.

Diagnóstico

É possível obter o diagnóstico da mielopatia cervical de diferentes formas. Algumas são conhecidas, mas outras são bem específicas e diferenciadas. Conheça:

Radiografia (Raio X)

Esse exame é muito comum para identificar lesões. Ele é importante pois permite uma visibilidade mais precisa da estrutura interna, da curvatura da coluna vertebral e do processo espondilótico, ou seja, a patologia que provoca a redução do canal espinhal.

Ressonância magnética

A ressonância magnética é um exame capaz de criar imagens de alta definição através da utilização do campo magnético. Isso acontece pois a agitação das moléculas são transmitidas para um computador preparado para decodificar essa imagem. Pode parecer algo complicado, mas é simples.

O paciente não terá danos com esse exame, apenas terá que tomar cuidados mínimos, como evitar jóias e objetos metálicos, devido a potência do campo magnético. Durante a realização do exame, o indivíduo entra em uma espécie de tubo e deve permanecer imóvel, para não prejudicar o resultado final do diagnóstico.

Tomografia Axial Computadorizada (TAC)

A tomografia tem um processo muito parecido com o da radiografia (raio X), só que com uma vantagem bem importante. A diferença entre esses dois exames está na qualidade da tomografia.

Com maior precisão, ela permite analisar melhor lesões, fraturas ou até mesmo tumores muito pequenos e imperceptíveis na radiografia. Além disso, permite vários cortes para análise, enquanto o raio X possibilita apenas um diagnóstico mais pontual.

No caso da mielopatia, esse exame revela a existência de calcificação do disco, ligamentos, hipertrofia das facetas articulares e também a presença de osteófitos.

Exames neurofisiológicos

Os exames neurofisiológicos fazem parte de uma ciência que se aprofunda em análises do sistema nervoso e seu funcionamento: a neurociência.

Quando utilizados em casos de mielopatia cervical, têm o papel de avaliar se existe algum comprometimento da medula ou nas raízes nervosas. Esse procedimento é fundamental para o que é chamado de diagnóstico diferencial.

Esse “diagnóstico diferencial” se propõe a buscar causas alternativas para a doença, como tumores, doenças desmielinizantes, patologias de transição occipito-cervical, doenças neurodegenerativas e infecções.

Mielopatia cervical tem cura?

A mielopatia tem tratamento e, quando diagnosticada a tempo, pode ser revertida. Por ser uma doença degenerativa e crônica, muitas vezes, passa a ser progressiva.

Alguns pacientes sofrem com sintomas mais leves e passageiros, mas a grande maioria tende a ter crises mais agudas. Os procedimentos realizados durante o tratamento permitem estabilizar os sintomas, aliviando as dores e proporcionando bem-estar.

Tratamentos

A mielopatia cervical é uma doença com algumas possibilidades de tratamento. Existem alguns estudos com novas formas para aliviar as dores de quem passa por esse problema e maneiras mais convencionais de tratá-la. São divididos em duas categorias: tratamento conservador e tratamento cirúrgico.

Tratamento conservador

O tratamento conservador não tem esse nome por estar relacionado a uma forma antiquada de cuidar desse problema. O termo conservador está presente no sentido de conservar o paciente. Existem alguns procedimentos para aliviar os sintomas e até mesmo prevenir o surgimento da mielopatia cervical antes que se torne algo reversível apenas com tratamento cirúrgico.

Medicamentos

No tratamento realizado com medicamentos, é indicado o uso de antiinflamatórios para ajudar com as dores e a inflamação. Corticoides também são utilizados para diminuir o inchaço.

Imobilização externa: colar cervical

O colar cervical é uma forma de tratamento auxiliar, digamos assim. Ele é responsável por imobilizar a área lesionada e impede que o quadro se agrave.

No entanto, o médico ortopedista saberá quando será necessário o uso ou não. Em alguns casos, o exercício e a fisioterapia serão mais benéficos do que deixar a área lesionada imóvel.

Fisioterapia

A fisioterapia é um tratamento que vai além de um caso pontual. É possível que a fisioterapia com o objetivo de auxiliar na redução dos sintomas da mielopatia cervical resolva também problemas de outras áreas do corpo.

As técnicas utilizadas na fisioterapia envolvem reestruturação mecânica pelas correções posturais e técnicas descompressivas não invasivas.

Tratamento cirúrgico

Laminectomia

Esse é um procedimento utilizado para aliviar a compressão na coluna vertebral. Nele, o que está provocando a pressão é retirado, como os bicos de papagaio. A função da cirurgia é intervir quando nenhum outro tratamento menos invasivo teve sucesso.

Nessa cirurgia, o médico fará uma incisão (corte) na nuca ou no meio da coluna para remover o que está causando a compressão. O procedimento tem duração entre 1 e 3 horas.

Durante esse tempo, o paciente estará sob anestesia, podendo optar por anestesia geral, em que dormirá durante todo o tempo que estiver em mesa cirúrgica, ou ficar acordado com a opção de anestesia raquidiana (anestesia comumente usada em cesarianas).

Em alguns casos, acontece ainda uma fusão vertebral. Isso significa que dois ou mais ossos da coluna são conectados. O objetivo é fornecer maior estabilidade para a coluna. Outro procedimento possível é a foraminotomia, em que a área por onde as raízes dos nervos passam é ampliada.

A laminectomia não causa dor no paciente, que deverá seguir alguns procedimentos recomendados pelo médico, como descansar e evitar esforços físicos. Além disso, usar cremes hidratantes, banhos de piscinas e de banheiras devem ser evitados, pelo risco de infecções no local.

Artrodese

Um dos tratamentos para a mielopatia cervical envolve a descompressão da medula através desse procedimento chamado artrodese, no qual uma fusão óssea é feita em uma articulação e provoca a imobilidade. A artrodese pode ser realizada tanto na região cervical, quanto torácica e lombar.

Em muitas patologias esse recurso é recorrido, pois auxilia na recuperação da estabilidade da coluna. A cirurgia para a artrodese pode necessitar de materiais especiais como parafusos, barras e placas para a fusão, mas o que provoca a fusão, de fato, é a colocação de enxertos no local lesionado pela doença.

Apesar de ser uma cirurgia e parecer algo agressivo para o paciente, o processo tende a ser menos invasivo do que se pensa. Para esse procedimento, as incisões realizadas na pele são pequenas.

Assim como a laminectomia, a artrodese é um procedimento plano B. Deve ser utilizado quando os tratamentos conservadores foram utilizados sem ter sucesso. Nesses casos, é preciso que o paciente passe por tratamentos cirúrgicos para amenizar a doença e os sintomas.

Riscos da cirurgia de mielopatia

Os tratamentos cirúrgicos em pacientes com mielopatia cervical podem apresentar alguns riscos, como infecções, hematomas, lesões na medula e lesão dural — quando ocorre uma ferida no “saco” que envolve os nervos da coluna.

Outras lesões associadas ao procedimento cirúrgico são dificuldades de engolir, o que pode atingir entre 10% a 30% dos pacientes, alteração da voz, colocação inadequada ou desvio dos implantes, lesão do esôfago e dores no local de enxerto e entre vértebras.

Apesar da lista de riscos que podem ocorrer, felizmente, os procedimentos apresentam números muito baixos de complicações.

Cuidados pós-operatórios

Como qualquer outra cirurgia, é muito importante manter repouso e voltar aos poucos com as atividades diárias. A cirurgia para a mielopatia cervical não é um procedimento de grandes riscos e o número de complicações são baixos.

Provavelmente, o uso do colar cervical será necessário. O normal é que a prescrição recomende o uso por 4 ou 6 semanas. Praticar alguma atividade leve também pode ajudar nessa recuperação, como caminhadas em pequenos períodos e baixas intensidades, com aumento progressivo.

A fisioterapia começa quando o uso do colar cervical termina. Dentro de 4 a 6 semanas após a operação, é possível que o ortopedista recomende fisioterapia para recuperar força e equilíbrio.

O paciente terá de ser, de fato, paciente. A fusão intervertebral, correção feita na cirurgia, só estará completa após 3 meses. No entanto, a recuperação acontece de forma progressiva, podendo, em alguns casos, se estabilizar somente por volta de 1 ano após o procedimento.

Complicações

A mielopatia cervical apresenta alguns riscos relacionados a ausência de um tratamento adequado ou até mesmo complicações cirúrgicas.

Pensando em complicações antes mesmo de um tratamento cirúrgico em si, algumas pessoas costumam apresentar dificuldade em engolir, alterações de voz, dor no local onde foi extraído enxerto (alguns casos é usado parte do osso do quadril), lesão do esôfago e complicações de implantes, quando mal colocados.

Medicamentos para mielopatia cervical

  • Anti-inflamatórios não esteróides;
  • Corticosteróides;
  • Rituximab, quando a causa for autoimune;
  • Ibuprofeno, quando a causa for espondilose cervical;
  • Baclofeno, em casos de espasmos musculares.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Mudança. Quando pensamos em convivência com alguma patologia, a palavra mudança sempre aparece, mais cedo ou mais tarde. E, gostando ou não, é para o bem que ela surge. Acredite.

A mielopatia cervical, como já sabemos, é crônica, degenerativa, pode ser progressiva e ser causadas por outras patologias. Os sintomas não são nada legais. No entanto, os tratamentos são variados e auxiliam o paciente a se afastar da doença, das dores e voltar a ter uma vida minimamente confortável. O que é – agora sim – bem mais legal.

Se você está convivendo, já conviveu com a doença, ou tem alguém próximo a você passando por esse quadro, ou apenas procura se informar sobre a patologia, aproveite para conhecer algumas dicas para tornar o dia a dia desses pacientes com mais qualidade de vida.

Tire suas duvidas com o médico especialista

Não espere os sintomas se agravarem, não pense que sentir dores é normal ou que faz parte da idade. Também não se automedique. O mais importante quando estamos enfrentando um problema de saúde é saber do profissional especialista o que está acontecendo com o nosso corpo e como isso pode ser solucionado.

Antes mesmo de algum problema surgir, visite o médico e mantenha alguns cuidados consigo mesmo. Hábitos saudáveis e pensamentos preventivos ajudam.

Pilates

O pilates pode ser um grande aliado dentro da convivência com a mielopatia cervical e com outras patologias. O conjunto de exercícios estabelecidos na prática possibilitam o fortalecimento muscular, melhora na postura, além de proporcionar um momento de bem-estar e relaxamento.

Juntamente a fisioterapia e os cuidados básicos com alimentação e hábitos saudáveis, o pilates terá papel fundamental na recuperação da coluna cervical.

Yoga

O yoga é um exercício que proporciona benefícios físicos, mas que afeta positivamente a mente também. Enfrentar uma doença que provoca dores e sintomas tão incômodos não é fácil. Nesses casos, realizar uma atividade que alivia também o estresse pode ser uma das opções mais recompensadoras.

Assim como o pilates, também ajuda a fortalecer a musculatura. Outros benefícios do yoga são melhora na concentração, emagrecimento e aumento de qualidade do sono.

Pacientes com a mielopatia cervical podem se aposentar?

Uma dúvida que pode surgir entre os pacientes com a mielopatia cervical é sobre a aposentadoria por invalidez. Ela é possível quando o estado da doença impede que a pessoa exerça sua profissão ou seja incapaz também de ser reabilitada em outra função. Assim funciona a avaliação da perícia médica do INSS.

Primeiramente, o que será solicitado é um auxílio-doença, com os mesmos requisitos. De acordo com a perícia-médica, se for avaliado que o paciente terá essa incapacidade permanente para o trabalho, a indicação será de seguir em frente com a aposentadoria.

O benefício tem alguns procedimentos de avaliações periódicas e o beneficiado terá de comparecer a exames a cada 2 anos para comprovar a invalidez. No entanto, com as pessoas com mais de 60 anos, é diferente: não existe essa obrigatoriedade de exames, como garante a Lei n. 13.063/2014.

Como prevenir a mielopatia cervical?

Por ser uma doença degenerativa, provocada por outras doenças e até mesmo traumas, a prevenção é um processo mais difícil. O que se tem são algumas ideias sobre o que poderia ser feito para tentar evitá-la. Coisas simples e básicas como prevenir tensões e acidentes. Algumas dicas são:

Em casa ou no trabalho

É bobo, mas até mesmo manter uma postura correta ao se levantar e agachar para alcançar um objeto é uma forma de cuidado com a nossa coluna. Isso você já deve saber de cor, mas vale o reforço.

Quando estiver no trabalho, se mantém uma rotina de deslocamento de cargas pesadas ou de esforços físicos brutos, procure prestar atenção na forma em que se está realizando essas atividades.

Para as pessoas que passam a maior parte do tempo sentadas, é fundamental manter uma postura ereta e confortável, sem sobrecarregar a coluna. Praticar alongamentos e exercícios físicos, como caminhadas, é bem-vindo a todos.

Esportes de contato

Algumas pessoas, antes de serem diagnosticadas com a mielopatia cervical, já apresentam sintomas que podem anteceder a doença, como por exemplo as hérnias de disco. Nesses casos, a prática de esportes de contato, como o futebol americano, deve ser evitado para não provocar complicações e intensificar os sintomas, como fortes dores no local e possíveis traumas na coluna pelo impacto da atividade.

Prevenindo acidentes

Dentro de nossas casas, algumas mudanças podem prevenir grandes acidentes, principalmente para as pessoas idosas, que fazem parte do grupo de risco. Algumas dicas do que se pode ser feito ou evitado:

  • Evite tapetes ou qualquer obstáculo no chão;
  • Ter iluminação em escadas e perto da cama, para evitar quedas pela falta de visibilidade;
  • Instalar barras de apoio em banheiros, próximo ao chuveiro e vaso sanitário;
  • Evitar movimentos bruscos ao levantar quando deitado ou levantado.

Envelhecer é inevitável e acidentes acontecem, mas podemos tentar amenizar os efeitos do previsível e do imprevisível. Apesar de ser uma doença degenerativa, a mielopatia cervical tem tratamento e o paciente pode ter uma vida confortável. Principalmente, quando o diagnóstico é realizado com antecedência.

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4 Comentários

  1. Muito bem esclarecedor este blog, a respeito sobre esta doença, fui diagnosticado em 2010, com mielopatia C3/C4/C5/ foi feito artrodese, um ótimo neurocirurgião só tenho a agradecer a Deus em primeiro lugar, o resto fui adquirindo confiança e força de vontade para poder viver da melhor forma possível, hoje tenho algumas sequelas mas não me impedem de continuar a viver a minha vida

  2. Excelente, muito esclarecedor o texto. Tenho 38 anos e fui diagnosticada com mielopatia. Fiquei apreensiva num primeiro instante, mas texto como este tem me ajudado muito. Parabéns pelo trabalho!

  3. Muito bom, parabéns aos redatores entre outros da equipe creio que este blog tem muito a fazer sucesso parabéns mesmo, um dia espero escrever como vocês um post que por mais que seja longo prende a atenção do usuário!

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