Fazer um tratamento psicológico pode ser uma ótima maneira de lidar com a vida — independentemente se há algum transtorno psicológico.

Porém, nem sempre é simples escolher a linha de trabalho do(a) profissional. Por isso, vale conhecer um pouco sobre cada uma e suas especificidades.

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. Linhas da psicologia: quais as principais abordagens?
  2. Como escolher a linha adequada para o meu tratamento?

Linhas da psicologia: quais as principais abordagens?

Psicologia é um campo amplo e com diferentes abordagens. Isso significa que não há uma mais adequada ou mais efetiva — o ideal é que cada pessoa conheça e busque aquela com a qual se sente mais confortável.

Psicanálise

Talvez uma das mais famosas linhas da psicologia, a psicanálise foi desenvolvida por Sigmund Freud ao final do século XIX. Para Freud, o ser humano é guiado por pulsões inatas que muitas vezes vão contra as regras da sociedade, de modo a causar grande angústia.

É uma abordagem que trabalha com o inconsciente e as coisas que lá ficam: memórias traumáticas, desejos reprimidos, mecanismos de defesa, entre outros. É uma das primeiras linhas da psicologia e, por isso, uma das mais aclamadas e controversas.

O tratamento na psicanálise busca trazer os conflitos inconscientes para o consciente e resolvê-los de forma a não causar mais tanta angústia no(a) paciente. Em geral, é um tratamento um tanto quanto demorado, sendo que muitas vezes são precisos anos para que haja resultados satisfatórios.

Contudo, não se trata de uma abordagem específica para transtornos mentais. Qualquer pessoa pode se beneficiar da psicanálise, uma vez que ela também é uma ótima ferramenta de autoconhecimento.


De todas as linhas da psicologia, a psicanálise é a única que não exige uma graduação em psicologia para ser exercida. Contudo, é necessário que profissionais passem pelo processo de análise em instituições oficiais para se formar psicanalista.

Pessoas formadas em psicologia que não passam por esse processo podem oferecer psicoterapia de orientação psicanalítica, que é muito semelhante à análise, mas não podem se designar psicanalistas.

Psicologia analítica (junguiana)

A psicologia analítica surgiu da psicanálise, mas diverge dela em diversos pontos. Postulada por Carl Gustav Jung, a psicologia analítica trabalha com conceitos como inconsciente coletivo e arquétipos, dando bastante ênfase nos sonhos de pacientes.

Para terapeutas junguianos, os sonhos são uma maneira do inconsciente se comunicar com o consciente, mostrando claramente os conflitos que a pessoa vive — por isso, estes são uma ferramenta de análise muito importante no processo terapêutico.

A arte também teria este mesmo papel e, nesta abordagem, é utilizada frequentemente técnicas artísticas, como desenhos, pinturas, esculturas, caixa de areia, entre outras.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

Proposta por Aaron Beck, a TCC é uma terapia que trabalha com a estruturação cognitiva, ou seja, ela identifica e modifica padrões de pensamento que podem ser prejudiciais para pacientes, conhecidos como “pensamentos disfuncionais”.

Esses pensamento disfuncionais são a base para uma série de transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade.

Utilizando técnicas bem delimitadas, terapeutas ajudam pacientes a identificar os pensamentos disfuncionais e desafiá-los, tendo em vista que, muitas vezes, esses pensamentos não estão de acordo com a realidade, sendo altamente distorcidos.

Em suma, a terapia cognitivo-comportamental auxilia na construção de uma visão mais realista da vida, ajudando a remover as distorções cognitivas que aparecem e prejudicam nossos pensamentos.

Análise do comportamento (behaviorismo)

O foco da análise do comportamento é o comportamento humano e suas variáveis. Esse tipo de terapia busca a modificação dos chamados comportamentos-problema, ou seja, comportamentos que uma pessoa pode ter que não são saudáveis ou são prejudiciais para sua vida.

Para isso, o(a) terapeuta irá analisar todas as questões relacionadas ao comportamento-problema, como os antecedentes e as consequências diretas deles.

A partir da análise, irá traçar um plano de ação para que o comportamento-problema não ocorra, trabalhando com seus antecedentes, ou não seja reforçado pelas consequências.

Gestalt-terapia

Trazendo o psicologia da gestalt para dentro do consultório, a Gestalt-terapia busca compreender o ser humano como um todo, seguindo a máxima de que “o todo é diferente da soma de suas partes”.

Por isso, há um enfoque na busca pela congruência entre o pensar, sentir e agir. Trabalhando com conceitos como figura e fundo, aqui e agora, a Gestalt-terapia tem como objetivo aumentar a consciência do indivíduo em relação a suas próprias necessidades e o que pode fazer para atendê-las.

Trata-se de uma terapia humanista, o que significa que não é uma terapia diretiva e o(a) paciente é quem escolhe o que é trabalhado a cada sessão.

Psicologia corporal (reichiana)

Uma abordagem relativamente desconhecida, a psicologia corporal tem enfoque em como os traumas e conflitos psicológicos ficam registrados no corpo.

Sendo assim, trabalhando o corpo através de técnicas como a massagem reichiana, exercícios de relaxamento e modificação de postura, por exemplo, a ideia é que tais traumas e conflitos sejam trabalhados também.

Apesar de ser uma terapia na qual o corpo tem uma grande relevância, não deixa de ser uma terapia na qual a palavra do(a) paciente tem bastante importância. Por isso, não se trata de sessões de massagem apenas, mas sim uma exploração da psique — e suas características individuais — através do corpo.

Terapia sistêmica

A terapia sistêmica é muito conhecida por trabalhar com casais e famílias. Isso porque essa abordagem foca muito no sistema em que a pessoa está incluída, pois considera que ele ajuda na manutenção dos sintomas da pessoa.

Essa terapia trabalha muito com as dinâmicas familiares e as influências que elas têm, não apenas em suas relações interpessoais, como também em todas as esferas de sua vida.

Abordagem centrada na pessoa (humanista)

Existem diversas abordagens humanistas, mas a mais conhecida é a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), postulada por Carl Rogers.

Ela acredita que todas as pessoas têm em si o que é necessário para melhorar a si mesmas, precisando apenas de um ambiente propício para isso — o que se chama “tendência atualizante”.

Infelizmente, no dia a dia, vivemos cercados(as) por situações em que não podemos fazer o melhor que conseguimos, pois somos limitados(as) pelas outras pessoas, pelas normas da sociedade, entre outros.

No entanto, ao estar em um ambiente no qual há empatia, escuta e aceitação, somos capazes de escolher o que acreditamos ser o melhor para nós.

Por isso, a ACP é uma terapia não-diretiva, ou seja, terapeutas não indicam a pacientes o que se deve fazer para lidar com as situações em sua vida, mas sim ajuda a identificar o que ele(a) acha que seria mais apropriado para a situação.

Como escolher a linha adequada para o meu tratamento?

Cada pessoa responde ao tratamento de forma diferente e, portanto, não existe um método padronizado de escolha da abordagem para o tratamento.

No entanto, existem pesquisas que mostram algumas recomendações para determinados casos.

A terapia cognitivo-comportamental é que a apresenta um maior número de publicações científicas mostrando sua efetividade a curto prazo em uma grande variedade de transtornos.

Isso não quer dizer que essa abordagem é definitivamente mais efetiva que as outras, apenas que, muitas vezes, os resultados são vistos mais cedo em comparação a outras linhas.

Contudo, nem todas as pessoas se adaptam bem a ela, pois se trata de uma terapia na qual o terapeuta é também o diretor da sessão — tudo é definido de acordo com os objetivos do(a) paciente, é claro, mas o(a) terapeuta que guia.

Em outras abordagens, como a psicanálise e a abordagem centrada na pessoa, terapeutas não servem de guia e quem dita como a sessão é feita é o(a) paciente. Para algumas pessoas, isso pode ser mais efetivo do que as sessões bem estruturadas da TCC.

Transtornos depressivos e de ansiedade geralmente se beneficiam bastante de abordagens como a terapia cognitiva-comportamental e a análise do comportamento.

Transtornos de personalidade são frequentemente tratados com abordagens psicodinâmicas, como a psicanálise, pois são abordagens menos pontuais, que auxiliam muito no autoconhecimento e que podem trazer insights relevantes para o paciente.


A terapia pode trazer inúmeros benefícios para a saúde mental e bem-estar como um todo. Por isso, vale a pena conhecer um pouco mais da área e suas abordagens, de modo que cada pessoa possa buscar aquela que mais faz sentido para si.

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