Existem diversas maneiras de buscar bem-estar mental — algumas, aliás, podem atuar como recurso terapêutico de fato. Por isso, se feitas com profissionais responsáveis e devidamente habilitados (as), essas práticas ajudam na saúde mental. A arteterapia é uma dessas ferramentas que podem ser integradas aos tratamentos psicológicos com várias finalidades, como aliviar o estresse ou apenas compreender as formas de expressão de cada pessoa.

Portanto, conheça mais sobre a prática!

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que é Arteterapia?
  2. Quais os tipos?
  3. Qual a função da Arteterapia?
  4. Benefícios: qual a sua importância na saúde mental?
  5. Como funciona uma sessão de arteterapia?

O que é Arteterapia?

Assim como o nome sugere, a arteterapia é uma prática terapêutica que busca o autoconhecimento e o tratamento de condições mentais e emocionais por meio da arte. Apesar de ter relação, não é considerada uma abordagem da psicologia e pode ser praticada por pessoas que não são psicólogas.

São usadas diversas formas de expressão artística na arteterapia, com destaque para artes plásticas como pinturas, desenhos, esculturas, modelagem, tecelagem, etc. Mas também são utilizados outros tipos de arte, como a música, a contação de histórias, criação de personagens, entre outras.

É importante lembrar que não precisa ter talento ou domínio das técnicas para fazer a arteterapia, tendo em vista que seu foco é a expressão simbólica trazida pelas artes, não havendo preocupação com a questão estética.

A arteterapia serve para todas as idades, mas é frequentemente usada com crianças por ser uma forma de incentivar e buscar entender seus sentimentos e conflitos para além da verbalização.

Quais as bases da arteterapia?

Uma das principais correntes psicológicas que influenciaram o surgimento da arteterapia foi a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, psicólogo que utilizava a expressão artística em seu consultório. Para ele, a arte é um dos principais jeitos de expressar o inconsciente pessoal e coletivo simultaneamente.


No Brasil, Nise da Silveira, uma psiquiatra que foi aluna de Jung, foi uma das primeiras pessoas a trabalhar a questão da arte no tratamento de pessoas com transtornos mentais. Por isso, ela é considerada uma revolucionária do tratamento mental no país.

Contudo, atualmente, a arteterapia não está limitada a uma leitura junguiana, podendo ser praticada também por aqueles que não seguem os ensinamentos de Jung.

Quais os tipos de arteterapia?

A arteterapia pode ser classificada de acordo com o tipo de arte sendo usada, como:

Pintura

A arteterapia pode ser feita por meio da pintura e desenho

A pintura é uma modalidade extremamente interessante para a representação das emoções por conta da fluidez dos materiais. O jeito que são feitas as pinceladas e as cores utilizadas, bem como sua disposição na tela, dizem muito sobre o que a pessoa está sentindo no momento. Mesmo pinturas abstratas podem passar muita informação a um (a) arteterapeuta.

Desenho

O desenho não expressa a realidade em si, mas sim a maneira como a pessoa vê as coisas. Trabalhando elementos como espaçamento, coordenação espacial e visual, bem como os temas presentes nas ilustrações, é possível compreender alguns conflitos internos que a pessoa pode ter dificuldade para expressar em palavras.

Contação de histórias

A contação de histórias permite trabalhar o estabelecimento de vínculos, de identificação e empatia com as personagens apresentadas nas histórias. Sendo assim, é uma atividade que trabalha as relações interpessoais, além de proporcionar momentos de descontração, relaxamento, diversão e bem-estar emocional.

Dança

O corpo também pode ser um ótimo instrumento para expressar e trabalhar as emoções. Uma dança energética pode expressar sentimentos negativos como a raiva sem que isso prejudique ninguém. Outros sentimentos negativos e positivos podem ser expressos por meio da dança, auxiliando também na regulação emocional.

Música

A arteterapia pode utilizar a música e sons para desenvolver a expressão individual

Assim como a dança, a música também proporciona a expressão plena de sentimentos sem prejudicar ninguém. Pode ser um pouco difícil produzir música caso o (a) paciente não tenha experiência com isso antes, mas é possível trabalhar elementos musicais, como ritmos e melodias, bem como a percussão no próprio corpo, mesmo com pessoas que não sabem compor.

Escrita criativa

O foco da escrita criativa é o fluxo de pensamento. Assim como na terapia verbal, é importante que o (a) paciente escreva aquilo que se passa em sua cabeça. A diferença é que, muitas vezes, é mais fácil escrever alguma coisa do que dizer em voz alta. Portanto, a escrita pode auxiliar nesses casos.

Qual a função da Arteterapia?

A arteterapia é um processo no qual se busca trabalhar o autoconhecimento e a resolução de conflitos emocionais por meio da arte. Entre eles, conflitos emocionais, traumas, sentimentos em relação ao processo de adoecimento, problemas de autoestima, estresse, etc.

Além disso, a arteterapia também auxilia no desenvolvimento de recursos físicos, cognitivos e emocionais, no sentido de permitir uma autoexpressão menos limitada.

Quando comparada a terapias verbais, a arteterapia insinua que a criação artística é um jeito mais leve e prazeroso de trazer para a consciência os conflitos do (a) paciente. Ademais, as terapias verbais estão sujeitas a censuras que o (a) paciente faz a si, o que não ocorre tão frequentemente nas expressões artísticas.

Benefícios: qual a importância da arteterapia na saúde mental?

Existem vários benefícios para a saúde mental associados à arteterapia. Alguns deles são:

Autoexpressão e comunicação

Frequentemente, a palavra não é o suficiente para conseguirmos expressar aquilo que estamos sentindo. Por outro lado, a arte pode preencher essa lacuna, permitindo a expressão de sentimentos e ideias por outros meios. Sendo assim, ela também ajuda na capacidade de comunicação do indivíduo.

Melhor compreensão de si mesmo

Muitas vezes, nossas questões interiores não são muito claras para nós, e conseguir compreendê-las pode ser um desafio. Por meio da arteterapia, é possível chegar na raiz destes problemas e compreender melhor a si mesmo.

Isso porque, segundo a psicanálise de Freud e a psicologia analítica de Jung, a arte consegue ser um meio de acesso ao inconsciente — uma parte de nós, a qual não temos acesso conscientemente, e onde ficam nossos maiores conflitos internos.

A palavra muitas vezes pode ser uma via de acesso a esses conteúdos, mas às vezes ela sofre algumas censuras, especialmente porque dependendo do que está no inconsciente, é difícil aceitar isso conscientemente. Por meio da arte, muitas vezes é possível expressar esses conflitos internos de forma simbólica, sem censura.

Um (a) bom (boa) arteterapeuta será capaz de perceber os símbolos presentes na produção e ajudar o (a) paciente a compreendê-los, bem como trabalhar com ele (a) a partir disso.

Melhoras cognitivas

O processo de produzir uma peça artística, independentemente de qual for (desenho, escultura, escrita criativa, música, etc.), exige muito da nossa atividade cognitiva.

Por isso, é um ótimo exercício para melhorar certas funções cognitivas, como a memória, a atenção e concentração, entre outros. É possível ver também uma melhora na criatividade e imaginação.

Combate ao estresse e ansiedade

As atividades da arteterapia podem ser bastante relaxantes, o que ajuda a combater o estresse e a ansiedade, que por sua vez são grandes inimigos da saúde mental.

Como funciona uma sessão de arteterapia?

As sessões de arteterapia duram em média 1 hora e podem ocorrer de 1 a 2 vezes por semana, de acordo com as orientações do (a) arteterapeuta para cada paciente. Além disso, elas podem ser individuais ou em grupo.

Dependendo da idade da pessoa, as sessões podem durar mais ou menos. Bebês e crianças muito pequenas, por exemplo, têm a sessão voltada a ensinar os pais a estimular a expressão artística da criança.

Por outro lado, sessões em grupo podem demorar mais que 1 hora, dependendo da quantidade de pessoas.

Primeira sessão de arteterapia

A primeira sessão, assim como diversos outros tipos de terapia, é focada em compreender a queixa do (a) paciente. Para isso, o (a) terapeuta poderá perguntar qual o problema a ser trabalhado, a história de vida do (a) paciente, entre outros.

Depois, o (a) profissional traça um planejamento de terapia na qual deverá ser produzida alguma forma de arte. Após essa definição, iniciam as sessões nas quais efetivamente se trabalha com alguma arte.

Durante esse processo, o (a) terapeuta vai observar o (a) paciente produzindo sua obra e, vez ou outra, poderá questionar algumas coisas, como qual a parte mais difícil e mais fácil do processo, como o paciente se sente produzindo a obra, quais as memórias e pensamentos que vem à mente a medida em que o paciente trabalha, entre outras.

A partir disso, o (a) terapeuta poderá pontuar algumas observações sobre o processo, trazendo à consciência do (a) paciente algumas coisas que antes não estavam tão claras para ele (a).


A arteterapia é uma ferramenta que pode ser usada para melhorar o conhecimento sobre si, ajudar na expressão de sentimentos e emoções, além de poder ser alinhada à psicoterapia para ajudar no bem-estar e saúde mental. 

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