Desde 1960, quando os primeiros anticoncepcionais orais foram criados, eles mudaram a maneira como o sexo está presente na vida das mulheres.

Apesar de existirem conhecidos efeitos colaterais, as pílulas possibilitam outras formas de controlar a natalidade além da camisinha. No entanto, é necessário lembrar que os anticoncepcionais são um medicamento e podem interagir com outras substâncias.

A interação medicamentosa é um processo que faz com que uma substância interaja de alguma maneira com outra, seja ela um alimento, bebida, outro medicamento ou qualquer químico presente no ambiente.

Essa interação pode aumentar ou reduzir os efeitos esperados.

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Assim também acontece com os anticoncepcionais orais, que podem interagir com diversos outros medicamentos.

Inicialmente, eles traziam uma quantidade enorme de hormônios. Nas últimas décadas, devido aos efeitos colaterais causados por isso, a quantidade e os tipos de hormônios foram ajustados para que a mínima dose necessária estivesse presente nela.

Cada corpo é diferente. Não se esqueça de que seu médico é a melhor pessoa para indicar quais tratamentos podem ser aliados e não esqueça de avisá-lo caso utilize qualquer remédio.


Entre as substâncias possíveis de interferir com os anticoncepcionais estão:

Antibióticos

Antibióticos são usados para matar bactérias e conter infecções. Acontece que isso pode afetar o metabolismo dos anticoncepcionais.

Quando a pílula é ingerida, ela é digerida no estômago e os hormônios vão para a corrente sanguínea. Entre 40% e 60% deles são transformados em outras substâncias.

Estas substâncias são metabolizadas no fígado. Do fígado, eles vão para a bile e de lá, para o intestino. No intestino, a flora intestinal metaboliza essas substâncias, liberando mais hormônios ativos que enfim chegam na corrente sanguínea para fazer efeito.

O problema é que muitos antibióticos têm efeitos nesse processo. Estes medicamentos não são muito específicos quanto a quais bactérias matam e diversos deles, como é o caso das penicilinas e as tetraciclinas reduzem muito a quantidade de microorganismos no intestino.

Isso quer dizer que as substâncias que normalmente liberariam hormônios com capacidade anticoncepcional podem passar direto pelo intestino, já que menos bactérias estão lá para fazer esta transformação.

Além disso, a rifampicina (e as tetraciclinas também) por exemplo, intensifica a metabolização do fígado, o que pode reduzir a quantidade de hormônio disponível no intestino.

Nem todo antibiótico reduz o efeito do anticoncepcional. Lembre de conversar com seu médico sobre isso antes de começar com um medicamento novo.

Antifúngicos

Antifúngicos como a griseofulvina podem reduzir os efeito de anticoncepcionais ao reduzir a quantidade de hormônios disponíveis no sangue da mulher. Os riscos podem incluir sangramentos e até a gravidez indesejada.

Fitoterápicos

Medicamentos fitoterápicos são aqueles que são extraídos a partir de plantas medicinais e utilizando exclusivamente os produtos vegetais.

Alguns fitoterápicos têm o efeito de reduzir a eficácia dos anticoncepcionais. É o caso do palmito selvagem (Serenoa repens), utilizado para o tratamento e alívio de sintomas de tumores benignos na próstata, que interage com os hormônios estrógenos e pode reduzir seus efeitos.

Outra planta medicinal que causa redução da eficácia do anticoncepcional é a Erva de São João (Hypericum perforatum), que costuma ser usada para alívio de sintomas de ansiedade, depressão leve, tensão e dor muscular. A interação das substâncias pode reduzir os efeitos dos hormônios, aumentando as chances de uma gravidez indesejada.

Corticoides

Hormônios corticoides são usados, principalmente, como anti-inflamatórios e imunossupressores. Eles costumam ser produzidos nas glândulas suprarrenais, mas também podem ser criados em laboratório, de maneira que podem ser usados como medicamentos.

Eles não reduzem o efeito dos anticoncepcionais, mas outro tipo de interação acontece. Os efeitos colaterais dos corticoides são aumentados pelos anticoncepcionais.

Antirretrovirais

Os medicamentos antirretrovirais como o efavirenz, usado para o controle do HIV, podem reduzir os níveis hormonais do corpo da mulher e diminuir o efeito da pílula anticoncepcional. Comunique a seu médico se utiliza algum destes medicamentos.

Levotiroxina sódica

A levotiroxina sódica é um hormônio sintético que é usado para a reposição hormonal quando existem doenças relacionadas ao funcionamento da tireoide (como o hipotireoidismo).

A substância não reduz os efeitos da pílula anticoncepcional, mas o contrário acontece. A levotiroxina é que tem seu efeito reduzido pela pílula.

Os estrogênios aumentam a quantidade no sangue de uma proteína necessária para transportar os hormônios da tireoide pelo corpo. Quando a quantidade desta proteína é muito alta, os hormônios da tireoide podem ficar presos na corrente sanguínea e não chegar até onde precisam ir.

Em pacientes saudáveis, a tireoide eleva a produção hormonal para compensar isso, mas quando o paciente precisa tomar a levotiroxina, quer dizer que o órgão não é capaz de fazer essa compensação.

Por isso, caso tome anticoncepcionais e tenha problemas com a tireoide, é importante conversar com seu médico para que ele ajuste as doses adequadamente.

Derivados do ácido retinóico

O ácido retinóico é a vitamina A. Ele costuma ser usado como anti-acne e alguns derivados deste ácido podem afetar os efeitos de anticoncepcionais.

Medicamentos como a isotretinoína podem causar severa deformação do feto, portanto é necessário que a mulher use algum método anticoncepcional durante o tratamento e a pílula é um dos mais confiáveis.

Entretanto, essa substância tem capacidade de reduzir os efeitos do anticoncepcional, portanto é recomendado que se utilize mais de um tipo de proteção, como a camisinha em conjunto com a pílula.

Anticonvulsivantes e barbitúricos

Alguns anticonvulsivantes e barbitúricos, como é o caso da fenitoína, o fenobarbital e da carbamazepina, entre outros, podem reduzir os efeitos de anticoncepcionais, portanto é importante usar mais de um método contraceptivo nesse caso.

Assim como no caso dos antibióticos, nem todos os anticonvulsivantes causam esta interação medicamentosa, mas é importante falar com o médico sobre isso.

Álcool

O álcool, quando usado com frequência, pode causar um aumento de chance dos possíveis efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais, como é o caso da trombose.

Utilizadas em excesso, com o tempo, também podem causar problemas no fígado, o que pode afetar a metabolização dos anticoncepcionais e outros medicamentos. Por isso, é importante não abusar de bebidas alcoólicas.


Anticoncepcionais são uma opção para controlar a natalidade, mas é importante tomar cuidado com suas interações para evitar efeitos colaterais ou gravidez indesejada. Compartilhe este texto com suas amigas para que elas saibam mais sobre o assunto!

Fontes consultadas

  • Dra. Francielle Tatiana Mathias (CRF/PR 24612), farmacêutica generalista (CRF/PR 24612) com mestrado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (2013) e doutorado em Farmacologia pela Universidade Federal do Paraná (2018).
  • Interações medicamentosas dos anticoncepcionais com outros fármacos – Centro de pós-graduação Oswaldo Cruz.


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