Gastrite (nervosa, crônica): O que é, sintomas, remédios, dieta

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O que é a gastrite?

A gastrite é uma doença que provoca a inflamação da mucosa do revestimento interno do estômago. Pode causar, a partir disso, uma série de sintomas, tais como azia, dor e queimação, inchaço, náuseas, vômitos e, em casos graves, hemorragias.

As causas da gastrite, assim como os sintomas, são variadas. Entre as principais se incluem a infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori, má alimentação, consumo exagerado de álcool, tabagismo, estresse e ansiedade.

Os tipos mais conhecidos de gastrite são a gastrite aguda, que normalmente ocorre de forma súbita, durando poucos dias, e tem sua causa mais facilmente reconhecida; e a forma crônica da doença, que normalmente persiste por mais tempo, podendo durar meses ou anos.

As duas manifestações podem ser tratadas e curadas, quando ocorre um diagnóstico e tratamento correto. No entanto, quando isso não acontece, complicações como úlceras podem ocorrer.

No Código Internacional de Doenças, em sua 10ª edição (CID 10), a gastrite pode ser encontrada pelo código K29.7.

Embora seja comum o termo gastrite ser empregado para se referir a maioria dos desconfortos gastrointestinais, a gastrite precisa seguir alguns critérios para o diagnóstico. Continue a leitura e entenda os tipos e causas para essa condição.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é a gastrite?
  2. Tipos de gastrite
  3. O que é gastrite atrófica?
  4. Causas
  5. Fatores e grupos de risco
  6. Sintomas
  7. Diagnóstico
  8. Exames
  9. Gastrite tem cura?
  10. Tratamentos
  11. Medicamentos
  12. Dieta para gastrite
  13. Remédio caseiro para gastrite
  14. Prognóstico
  15. Complicações
  16. Como prevenir
  17. Perguntas frequentes

Tipos de gastrite

Há diferentes tipos de gastrite, que podem ser classificados de acordo com o tempo dos sintomas ou a região do estômago acometida. O tipo crônico e o agudo, por exemplo, são os mais conhecidos, mas além desses existem também a gastrite eosinofílica e enantematosa. Saiba mais sobre os tipos mais comuns:

Gastrite aguda

A gastrite aguda é a manifestação súbita da doença, normalmente, com evolução rápida dos sintomas e com causa mais fácil de ser reconhecida.

Pode ocorrer por vários fatores, como uso de medicamentos, infecções, tabagismo, abuso de álcool, alimentação inadequada, estresse físico e psíquico, que induzem a secreção ácida, possibilitando o aumento da acidez gástrica e a diminuição do fluxo sanguíneo, causando danos diretamente à mucosa do estômago.

Gastrite crônica

A gastrite crônica se refere ao tipo de gastrite com duração prolongada, podendo ser dividida em leve, moderada ou grave.

As causas da gastrite crônica podem ser semelhantes às que provocam a gastrite aguda, sendo a principal diferença o tempo de permanência. Em geral, é provocada por alguma variação autoimune, por infecções (H. pylori) e também por fatores como o tabagismo e abuso de álcool.

Nesse tipo, há a presença de alterações inflamatórias crônicas, no qual ocorre uma infiltração de leucócitos (glóbulos brancos), responsáveis pela defesa do organismo.

Entre as complicações causadas pela condição crônica da gastrite, existe a possibilidade de ocorrer atrofia, alterações no revestimento da mucosa e metaplasia, condição em que uma célula adulta é substituída por outra, causando alterações nos tecidos.

Gastrite erosiva

É o tipo de gastrite caracterizada pela erosão da mucosa gástrica, sendo, em grande maioria, uma manifestação aguda da doença. Devido às erosões, o paciente pode apresentar sangramentos.

Assim como em outros quadros, fatores como álcool, tabagismo, estresse físico (lesões) e infecção podem ser a causa.

Gastrite não erosiva

Nesta condição, geralmente não há a ocorrência de erosões na mucosa gástrica. Quando ocorrem, estão associadas às condições mais agravadas (gastrite profunda) . O paciente pode, nesses casos, apresentar um quadro assintomático. Por isso, o diagnóstico normalmente se dá pela realização de uma endoscopia. Entre as causas, a mais comum é a infecção provocada pela bactéria H. pylori.

Gastrite nervosa

Apesar de ser bastante comum ouvirmos sobre gastrite nervosa, cientificamente, não é uma classificação válida, pois não se verifica inflamação ou lesão da mucosa estomacal. Fatores emocionais, como o estresse podem agravar a os sintomas da gastrite, mas não são os responsáveis pelo desencadeamento do quadro.

Contudo, o termo é comumente usado para se referir aos casos de gastrite que pioram devido ao nervosismo, estresse e ansiedade.

Antigamente, nos casos em que o paciente apresentava sintomas de azia, queimação e dores no estômago juntamente a  esses estados emocionais, atribuia-se o nome de gastrite nervosa, de forma genérica até mesmo no ambiente médico.

Mas é importante ressaltar que o termo ficou popular e consolidado nos usos comuns, mas sem representar um tipo reconhecido de gastrite.

Gastrite eosinofílica

A gastrenterite eosinofílica tem como principal característica o aumento no volume de células imunes no estômago (anticorpos), que provocam sintomas como azia, vômito, náusea e dor no estômago.

Pode ser desencadeado por processos alérgicos ou infecções, necessitando de tratamento à base de medicamentos corticoides.

Gastrite enantematosa

A gastrite enantematosa é considerada um tipo de gastrite comum, gerando uma inflamação da parede do estômago que pode ocorrer por diferentes causas, como infecções, alimentação ou medicamentos.

É possível subclassificar esse tipo de acordo com o local do estômago acometido, como o antro (início do estômago), corpo (todo o estômago) ou fundo (parte final do estômago).

O que é gastrite atrófica?

A gastrite atrófica é causada por uma resposta autoimune, no qual os próprios anticorpos do organismo do paciente atacam a mucosa gástrica. Nesse tipo da doença, as chances de se desenvolver uma anemia perniciosa são maiores, pois a absorção de vitamina B12 é prejudicada.

Essa má absorção acontece como resposta à redução de células glandulares gástricas, que são substituídas por tecidos intestinais e fibrosos. Com a alteração do tecido estomacal, a substância fator intrínseco tem sua produção alterada. Sem ele, a absorção de B12 no intestino é prejudicada.

Além disso, os pacientes com gastrite atrófica podem produzir ácido gástrico em níveis baixos ou excessivos, que aumentam os riscos de tumores no estômago.

Causas

Existem vários fatores que podem desencadear a inflamação da mucosa gástrica, resultando na gastrite. Saiba mais sobre alguns dos mais frequentes:

H. pylori

A infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori é uma das principais causas da gastrite em todo o mundo.

O contágio acontece por meio do contato com a saliva e fezes contaminadas, fazendo com que um dos fatores de risco para a transmissão da bactéria seja a falta de higiene.

Por esses motivos, a contaminação pode ser mais comum entre pessoas da família, asilos ou outros ambientes em que haja compartilhamento de objetos pessoais.

A prevalência desse tipo de infecção, no entanto, é maior na infância, podendo ocorrer em até 50% das crianças com idade até 8 anos.

Uma vez dentro do organismo, a bactéria se instala no estômago, acomodando-se em locais onde há menor exposição aos sucos ácidos do órgão.

Apesar de poder provocar sintomas como náuseas, queimação, vômitos e dores estomacais, é possível que, após um período, o quadro se torne crônico e deixe de manifestar sintomas.

Medicamentos

A gastrite causada por medicamentos normalmente ocorre a partir do uso prolongado de determinados remédios, como anti-inflamatórios não-esteroides (ibuprofeno e aspirina, por exemplo).

Autoimune

A gastrite também pode ser provocada por uma resposta autoimune do organismo, ainda que seja uma condição mais rara.

Nesses quadros, anticorpos são liberados e passam a atacar indevidamente a mucosa gástrica, causando os sintomas característicos da doença. O tipo autoimune está, geralmente, relacionado ao surgimento da anemia perniciosa, causando má absorção de vitamina B12.

Estresse físico

O estresse físico envolve qualquer tipo de lesão ou acometimento do estômago, causado por exemplo por cirurgias, acidentes, queimaduras intensas ou pancadas na região abdominal.

Podem ocorrer disfunções na produção de sucos gástricos, alterando a acidez e provocando inflamações da mucosa. Em alguns casos, é possível que surjam úlceras e hemorragias.

Outras causas

Fatores de risco

Existem alguns fatores de risco que aumentam as chances de algum tipo de gastrite se desenvolver ou pioram os sintomas já existentes:

  • Consumo exagerado de alimentos irritativos, como os ricos em gorduras ou muito condimentados (sal, mostarda, azeite,  pimenta, ketchup, vinagre e açúcar);
  • Consumo exagerado de café;
  • Bebidas alcoólicas em excesso;
  • Tabagismo;
  • Uso prolongado de medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios;
  • Doenças autoimunes;
  • Infecções virais;
  • Estresse e ansiedade;
  • Mastigação inadequada;
  • Refeições com um espaço muito grande de tempo;
  • Uso de drogas;
  • Portadores do vírus HIV.

Além de todos esses fatores, a idade também é considerada um risco. Pessoas mais velhas podem apresentar maior chance de desenvolver gastrite, pois com o passar dos anos o revestimento do estômago tende a ficar mais flácido.

Acredita-se, também, que o envelhecimento facilita infecções por vírus e bactérias, ou o desenvolvimento de alguma doença autoimune, que compõem fatores associados à gastrite.

Sintomas

Na gastrite crônica e aguda, é possível que haja sintomas em graus diversos (mais leves ou intensos), no entanto, o tipo crônico pode ser apresentar assintomático com frequência.

Quando há manifestações, o paciente pode relatar diversas queixas, como mal-estar, leve queimação e dor epigástrica. Essa dor é caracterizada por um desconforto na região logo abaixo da costela, geralmente sendo relatada como aquela dor ‘na boca do estômago’. Dependendo do quadro, ela pode se espalhar ou se tornar mais intensa.

Além disso, outros sinais são:

  • Azia;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza;
  • Refluxo;
  • Indigestão;
  • Flatulência (gases);
  • Sensação de digestão lenta ou estômago cheio;
  • Arrotos;
  • Perda de peso;
  • Inchaço;
  • Soluço;
  • Fraqueza;
  • Sensação de ardência na língua (glossite);
  • Irritação no canto dos lábios (comissurite).

Em casos mais graves, pode haver vômito com sangue, o que indicar sangramento interno da parede do estômago.

Diagnóstico

O diagnóstico da gastrite pode ser feito através da análise do histórico clínico do paciente, dos sintomas e por meio da solicitação de exames laboratoriais. Os médicos clínico geral e gastroenterologista são os mais indicados para o diagnóstico e o acompanhamento do quadro.

Em geral, apenas a análise dos sintomas é o suficiente para levantar suspeitas sobre a gastrite. Mas o médico solicitará exames para confirmar o diagnóstico.

Exames

Para confirmar ou para estabelecer o diagnóstico da gastrite, assim como para descobrir sua causa, pode ser que o médico oriente o paciente para os seguintes exames:

Exame de sangue

O exame de sangue pode ser solicitado para confirmar a presença de anticorpos para a bactéria Helicobacter pylori, um dos fatores mais associados ao desenvolvimento da gastrite.

O exame é feito com uma coleta simples de sangue, realizada em laboratório. Porém, ainda é possível que haja encaminhamento para outros testes a fim de confirmar a eficácia do resultado.

Exame do hálito

O exame do hálito é uma alternativa de se diagnosticar doenças relacionadas ao estômago, podendo ser realizado antes da necessidade de exames mais invasivos, como a endoscopia.

No teste do hálito, o paciente ingere um líquido que contém ureia, substância responsável por romper as partículas de proteínas no estômago, e assopra uma espécie de bolsa de ar. Quando o paciente tem a H. pylori, o corpo produz e libera dióxido de carbono junto com a respiração.

Assim, é obtido o resultado da investigação laboratorial.

Cultura de fezes

Este exame é realizado através de uma amostra de fezes, em que o intuito é identificar se há a presença de sangue ou alguma bactéria atípica às que são encontradas normalmente no trato digestivo.

O exame não é invasivo e deve ser realizado seguindo as recomendações de cada laboratório.

Endoscopia alta gástrica

É um exame que permite o médico visualizar o esôfago, estômago e a primeira parte do intestino delgado (duodeno).

Para isso, é introduzido um tubo fino, que possui uma câmera na extremidade, pela boca indo até o estômago.

Assim, é possível diagnosticar se há alterações como úlceras, por exemplo.

Além disso, quando necessário, uma amostra pequena de tecido estomacal pode ser retirada. Chamada de biópsia, a coleta permite identificar se existem bactérias e alterações na mucosa gástrica.

O exame geralmente é feito com anestesia e costuma ter rápida recuperação.

Gastrite tem cura?

Dependendo do tipo de gastrite e da causa, sim. A gastrite aguda, por exemplo, normalmente tem sua causa identificada mais facilmente, o que permite um diagnóstico e tratamento mais efetivo. Dessa forma, a cura da condição normalmente acontece.

Em condições crônicas da doença, por outro lado, a persistência pode ser maior. Com a introdução do tratamento, a redução da inflamação pode diminuir ou ter remissão completa. Contudo, pode haver persistência de alguns sintomas, o que exige do paciente continuar o tratamento e os cuidado com os hábitos.

Em alguns casos, como exemplo, as gastrites causadas pelo uso de medicamentos, é necessário eliminar o agente desencadeante. No entanto, não é possível solucionar a sensibilidade àquela substância, fazendo com que os sintomas possam reaparecer se houver ingestão futuramente.

Pode ser recomendado e necessário manter um tratamento preventivo, por meio de adequação ou trocas de medicamentos, ajustes alimentares ou mudanças nos hábitos de vida.

Tratamentos

A gastrite deve ser tratada de acordo com a causa, por isso cada paciente deve seguir as recomendações do médico. Entre as opções, incluem-se sobretudo a necessidade do uso de medicamentos, mudança alimentar e redução do estresse.

Medicamentos

Quando o médico entende que pode ser necessário um tratamento medicamentoso, a prescrição de medicamentos como antibióticos, protetores gástricos e antiácidos pode ser feita. Sabendo que a automedicação pode trazer riscos à saúde,

Antiácidos

Os antiácidos contribuem para o tratamento da gastrite pois aumentam o pH gástrico e ajudam a aliviar os sintomas, reduzindo o número de lesões na mucosa e diminuindo a inflamação.

Os medicamentos que realizam essa ação no organismo incluem hidróxido de alumínio, carbonato de cálcio e hidróxido de magnésio.

Antibióticos

São recomendados quando a causa da gastrite se dá por uma infecção bacteriana, como H. pylori ou outros agentes. Alguns dos medicamentos indicados incluem:

Inibidores da bomba de prótons

São medicamentos usados para minimizar a produção de ácido clorídrico, indicados para o tratamento de gastrite e úlceras. São exemplos de inibidores da bomba de prótons o Omeprazol, Esomeprazol, Pariet, Tecta e Pantoprazol, por exemplo.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Dieta para gastrite

Em alguns casos, pode ser necessário que o paciente tenha de fazer algumas variações na alimentação do dia a dia, para evitar a gastrite ou para não agravar ainda mais a condição.

Alguns alimentos podem ser adicionados às refeições e outros devem ser evitados. São eles:

O que evitar na gastrite

O paciente com gastrite deve evitar alimentos irritativos, como café, refrigerantes, comidas gordurosas (fast foods, embutidos, enlatados e outros alimentos muito condimentados como pimenta, vinagre, ketchup e outros).

Alimentos muito ácidos, como algumas frutas, devem ser evitados para não irritar ainda mais a condição. Por exemplo, ao escolher algum tipo de suco natural, é mais aconselhável optar pelas que não são cítricas.

Além disso, o álcool, uma das causas da gastrite, também deve ser evitado, ou reduzido.

O que comer na gastrite

Para ajudar a amenizar o quadro de gastrite, é importante incluir alguns itens a dieta e também mudar alguns hábitos.

Os alimentos que devem ser adicionados à alimentação incluem os que são ricos em fibras e probióticos, além dos que possuem baixa porcentagem de gordura, acidez e cafeína.

Em geral, é recomendado que o paciente mantenha horários regulares de alimentação, evitando ficar longos períodos sem comer, pois pode haver produção de suco gástrico e irritação da mucosa devido à falta de alimentação.

Remédio caseiro para gastrite

Existem algumas receitas caseiras para a gastrite que visam amenizar os sintomas e tornar a convivência com a condição mais amena. Contudo,geralmente são dicas com pouco ou nenhum embasamento científico, não tendo comprovação de que realmente funcionam.

Além disso, não devem nunca substituir o tratamento convencional prescrito por um médico. Podem, nesse sentido, apresentarem um papel complementar. O ideal é que o uso dessas receitas seja feito após consulta prévia ao médico, para evitar complicações.

Sabendo disso, listamos algumas dicas possíveis de fazer em casa e aliviar a gastrite:

  • Chá de espinheira-santa;
  • Água de arroz;
  • Chá de camomila;
  • Suco de batata.

Prognóstico

O prognóstico da gastrite é variável, pois depende da causa e do quadro do paciente. Após o diagnóstico e o tratamento adequados, normalmente o problema é amenizado ou solucionado.

Nos casos crônicos da gastrite, quando ocorre infecção pela bactéria H. pylori, a remissão da doença também se dá pelo tratamento medicamentoso. Contudo, em uma parcela desses quadros, a doença pode progredir para o surgimento de úlceras, o que exige um tempo mais prolongado de tratamento.

As chances de reincidência das úlceras causadas pela infecção por H. pylori podem ser superiores a 50% em pessoas que não receberam tratamento adequado.

Nos casos de pacientes que fizeram uso de antibióticos, as porcentagens de recidiva são bem menores, correspondente a menos de 10%. Também é importante destacar que a eliminação correta da H. pylori pode curar também as úlceras resistentes.

Complicações

Quando o paciente não recebe o tratamento adequadamente, algumas complicações podem ocorrer.

Úlceras gástricas

As úlceras gástricas são feridas no estômago que, na maioria dos casos, são provocadas pela presença da bactéria H. pylori, mas também podem ocorrer por outras causas, como estresse e má alimentação. Elas costumam doer quando entram em contato com o suco gástrico.

Hemorragias

A hemorragia é uma complicação que acontece quando o paciente sofre também com as úlceras. Os sangramentos podem ocorrer quando as úlceras são indolores.

Nesses casos, é preciso estar atento se o paciente apresenta náuseas com sangue ou fezes escurecidas.

Câncer no estômago

O câncer no estômago é considerado uma complicação da gastrite pois a infecção pela bactéria Helicobacter Pylori é um fator de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer.

A gastrite atrófica, tipo de gastrite que pode ocorrer por uma resposta autoimune do organismo ou por infecção crônica, também é considerado um risco para o câncer no estômago.

Como prevenir?

Existem alguns hábitos que favorecem o desenvolvimento da gastrite, pois isso, listamos algumas medidas que ajudam a prevenir a doença.

Não fumar

O tabagismo é prejudicial para a saúde do sistema digestivo pois estimula a acidez no estômago, podendo provocar lesões na mucosa gástrica. Além disso, o hábito de fumar pode enfraquecer o diafragma, músculo responsável por impedir que o líquido estomacal volte e que ocorra refluxo.

Dessa forma, o contato do ácido gástrico com a mucosa esofágica se torna mais frequente.

Fumar também favorece a infecção pela bactéria Helicobacter pylori e estimula a passagem de sais biliares do intestino para o estômago.

Por esses e outros motivos, não fumar é uma forma de evitar a gastrite e outras complicações para a saúde.

Mastigar bem os alimentos

Mastigar os alimentos com calma ajuda a formar o bolo alimentar, facilitando o processo digestivo. Quando esse processo não acontece, o organismo precisa produzir mais suco gástrico, para dar conta de digerir esses alimentos em tamanhos maiores, o que pode causar irritação na mucosa estomacal.

Evitar alimentos irritativos

Normalmente, os alimentos ricos em gorduras são digeridos de forma mais lenta e, por isso, o sistema digestivo entende que é necessário produzir mais suco gástrico.

Contudo, essa produção excessiva, ao tentar facilitar a digestão dos alimentos gordurosos, pode acabar irritando a mucosa gástrica.

Por isso, considera-se uma medida preventiva manter uma alimentação mais saudável e equilibrada.

Leia mais: Acidez excessiva no estômago pode favorecer o aparecimento de úlceras

É também uma forma de prevenção fazer refeições com intervalos menores, pois o suco gástrico é liberado constantemente. Consequentemente, estar de estômago vazio por muito tempo permite que esse suco gástrico afete a própria mucosa do órgão.

Recomenda-se realizar refeições de 3 em 3 horas, optando pela ingestão de alimentos mais leves e de fácil digestão, principalmente à noite. Isso evita que o estômago fique mais suscetível ao contato com o ácido gástrico.

Cereais, iogurte, sucos e frutas que não sejam ácidas demais são boas opções. De modo geral, deve-se priorizar alimentos ricos em fibra, com baixo teor de gordura e alimentos probióticos. Por outro lado, se deve reduzir o consumo de frituras, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos muito apimentados, por exemplo.

Leia mais: O que é Kefir (leite, água), benefícios, receitas, como fazer e cuidar?

Reduzir o consumo de café

O café é uma bebida naturalmente ácida (com pH abaixo de 7) e, por isso, é capaz de irritar a mucosa do estômago, principalmente quando está inflamada. Dessa forma, pessoas que possuem gastrite, ao tomar essa bebida, podem sentir uma dor bastante incômoda na hora.

Para quem não sofre com a doença e quer se prevenir, reduzir a quantidade de café consumida ao dia ou substituir por versões menos cafeinadas pode ser interessante.

Mas é importante sempre seguir o que o médico e um profissional de nutrição orientam para o tratamento.

Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas

Consumir bebidas alcoólicas exageradamente, assim como o consumo excessivo de café e alimentos gordurosos, favorece o desenvolvimento da gastrite pois eles possuem substâncias irritativas para o estômago.

Por afetar a região da mucosa, o álcool torna o estômago menos protegido contra a ação dos ácidos gástricos, o que aumenta as chances da gastrite desenvolver úlceras ou agravar os sintomas.

Por isso, pessoas que querem prevenir ou já apresentam a condição, devem consumir moderadamente bebidas alcoólicas ou de acordo com o orientado pelo médico.

Manter sob controle a ansiedade e o estresse

Quando estamos estressados e ansiosos, nosso organismo libera maior quantidade de cortisol e adrenalina. Esses hormônios podem aumentar a secreção de suco gástrico, o que torna o estômago menos protegido e piorar os sintomas de ardência e queimação.

Por isso, assim como cuidar da saúde física, se atentar à saúde mental também é para evitar a gastrite. Pessoas que levam uma vida estressante devem ter em mente que uma mudança de hábitos pode ser necessária.

Praticar atividades mais relaxantes, tais como dedicar um tempo para hobbies, praticar exercícios, meditação ou estar com pessoas queridas podem ser sugestões importantes para amenizar o estresse do dia a dia.

Entender o que está provocando esse sentimento é o primeiro passo para conseguir reverter a situação.

Para ajudar a controlar o estresse e a ansiedade, o acompanhamento de um psicólogo pode ajudar.

Leia mais: O que é Pilates, para que serve, benefícios, exercícios, emagrece?

Perguntas frequentes

Gastrite é hereditária?

Não, a gastrite não é uma doença hereditária. A gastrite é uma condição adquirida, geralmente provocada por uma infecção causada pela bactéria H. pylori.

Contudo, por ser causada por alguns agentes irritativos, como alimentos, pessoas da mesma família que partilham as refeições podem ter maior risco de desenvolver a condição. Ou seja, não significa que a doença é hereditária.

Balas e chicletes podem piorar a gastrite?

A mastigação faz parte do processo de digestão, por isso, ao mascar chicletes e balas constantemente, nosso corpo entende que é necessário produzir suco gástrico para digerir os alimentos que está esperando.

No entanto, balas e chicletes não são engolidos e o suco gástrico age na mucosa do estômago. Por isso, esse é sim um fator que piora a gastrite.

Estresse pode causar gastrite?

O estresse, a ansiedade e o nervosismo podem agravar a gastrite, pois são estados que podem provocar maior liberação de hormônios que elevam a secreção de suco gástrico.

Por isso, é comum que sejam fatores que agravam a condição de pacientes que já apresentam sintomas gástricos, não sendo a causa principal.

Beber leite resolve a gastrite?

Apesar de aliviar os sintomas da gastrite, de forma passageira, beber leite não resolve a condição. Em alguns casos, pode ser ainda pior, pois o leite pode estimular a produção de ácido estomacal. Dessa forma, pode acabar agravando ainda mais o quadro de gastrite poucas horas depois da ingestão.


Buscamos neste artigo esclarecer o que é a gastrite, doença responsável por causar grande desconforto e dor nos pacientes que sofrem com essa condição. Compartilhe essas informações para que mais pessoas saibam como se prevenir!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 29/10/2018

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27 Comentários

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  1. Gostei muito dos esclarecimentos, pois estou com muita ansiedade comendo como uma louca e sentindo dores no estômago. Vou tomar um chá e alguns cuidados. Obrigada

  2. Muito grata por este informativo, eu tenho gastrite, fiquei um tempo sem sentir dores, mas alguns meses atrás descobri que tenho pedra na vesícula, e tudo me relacionava a ela, acordei ontem com arrotos e dores fortes na parte superior do abdômen e pensei logo crise de vesícula, daí vim buscar informações, e descobri este artigo postado por vocês, lembrei de minha gastrite e observei a diferença dos sintomas.
    Percebi que tomei uns dias a medicação que vocês haviam posto em observação, e também estou exagerando no café.
    Muito grata, grata mesmo este artigo foi fundamental para mim.
    Edna Cristina de Freitas e Silva
    Ainda morrendo de dor!!
    Vim agradecer, tenho o pepsogel e vim logo para ele, muito grata.

  3. Muito obrigada gostei da matéria , bem explicado parabéns procurar um gastro , já que meu marido está sofrendo à mês com dores assim e já bem debilitado por conta de perder peso,por minha conta tive q pedir uma endoscopia, só peço à Deus q tudo se resolva 🙏🙏👐

    • Tenho gastrite crônica e esofagite, chá de espinheira santa é a melhor opção tomar 3 vezes todos os dias por um ano ou até se curar, para esofagite suco de melão ou batata.

  4. Muito bom e esclarecedor o artigo .Venho sentindo fortes dores no estômago .Irei proucurar um médico imediatamente

  5. Um ótimo Artigo. Fico feliz por essa voluntariedade em ajudar – nos com estas informações, mesmo que não seja um diagnóstico de um médico, mas é muito bem elaborado o trabalho escrito, e muito preciso. Obrigado, obrigado!

  6. Meu Daniel e eu tenho 16 fui diagnosticado com gastrite e não fiz qualquer tipo de exame, o médico apenas me receitou 2 remédios, me encomoda demais os sintomas, sintomas esses que sinto sempre ao acorda (ansea de vômito, estômago cheio) eu estou tentando seguir algumas regras de boa alimentação e espero que melhore.

  7. Bom esclarecimento, espero que meu problema seja apenas esse pois fico tranquilo. De 15 dias pra cá venho sofrendo com esse desconforto acima do abdômen é já tive quase todos os sintomas citados no artigo durante esse período. Procurar ajuda profissional amanhã sem falta. Parabéns…

  8. Gostei muito esclarecedor, hoje estou com crise, tenho gastrite nervosa já tomei muito remédio,não me ajudou, vou tratar com chás acho melhor obrigada´.

  9. Muito obrigado, o conteúdo é bem explicativo.já fiz o exame da endoscopia, e acusou gastrite leve. Mais isso foi a 24 anos atrás. Depois disso, não fiz um novo tratamento. Eu ainda, pela manhã, sinto um leve desconforto. Já comecei a procurar, um clínico geral, e pedir ao mesmo, ums novos exames, acredito que desta vez, vou ser mais calteloso.

  10. Parabéns pelo artigo .. muito claro na sua explicação, vou procurar um profissional da saúde, pois acredito que estou com gastrite..

  11. Me ajudou bastante, obrigada pelos detalhes que aqui foi citado. E os remédios caseiros amei, vou fazer

  12. Parabéns pelo excelente estudo, me ajudou muito e creio que ajudou e vai continuar ajudando mais pessoas . Obrigada

  13. Muito obrigado. Parabéns, muito bom esse seu artigo. Nos ajuda a conhecer o que é, como previnir e proteger algumas doenças no nosso organismo, gostei do seu jeito.

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