Incontinência Urinária: o que é, em idosos, na gravidez, tratamento

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Há quem carregue garrafinha de água para todo o lado e está sempre atento aos aproximados 2 litros diários de líquido. Um hábito simples, mas que demanda certo esforço (e treinamento). Afinal, se você não é uma pessoa que esquece de beber água, certamente conhece alguém que sim.

O corpo humano é composto de aproximadamente 70% de água e, por isso, manter essa taxa adequada garante que tudo continuará funcionando adequadamente.

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A nutrição das células, o correto funcionamento intestinal, a participação nos processos metabólicos e a regulação de temperatura corporal são algumas das funções que necessitam de quantidades adequadas de água. Sem o líquido, tudo vira um caos.

Mas todo esse líquido não fica guardado no organismo e precisa ser eliminado. Parte dele sai do corpo pelo suor, fezes, respiração e, a maior quantidade, pela urina. O que é uma situação aparentemente simples da rotina — fazer xixi —, pode se tornar uma atividade bastante conturbada e problemática se você tiver incontinência urinária.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é incontinência urinária?
  2. A estrutura da bexiga
  3. Tipos
  4. Causas da incontinência urinária
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas e ocorrências
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Exames
  9. Tem cura?
  10. Tratamento paliativo e associado
  11. Tratamento por dispositivos auxiliares
  12. Exercícios para incontinência urinária
  13. Tratamento medicamentoso
  14. Cirurgia
  15. Convivendo
  16. Sinais de alerta para as pessoas próximas
  17. Prognóstico
  18. Complicações
  19. Como prevenir a incontinência urinária?
  20. Incontinência urinária em idosos
  21. Perguntas frequentes

O que é incontinência urinária?

A incontinência urinária entrou para o CID-10 em 1998, sob o código R32 – Incontinência urinária não especificada.

A disfunção é definida como qualquer perda involuntária de urina. Seja em grandes ou pequenas quantidades, o vazamento do xixi temporário ou prolongado é caracterizado como uma ineficiência do trato urinário.

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Os escapes de urina podem indicar a presença de alguma doença ou estar relacionados à alguma condição (como envelhecimento ou gravidez), sendo uma condição ou um sinal do corpo.

Não há idade para ocorrer, pois a incontinência pode acometer homens e mulheres em qualquer fase da vida, mas são os idosos e as mulheres os mais propensos. Estima-se que 4% dos brasileiros sofram com os vazamentos de urina e, entre a população acima dos 60 anos, esse valor representa entre 30% e 60%.

Quando não está relacionada a doenças graves ou fatores de risco (como infecções o câncer), a incontinência urinária, de modo geral, não causa danos à saúde física do paciente. No entanto, são os aspectos emocionais e sociais os mais acometidos.

Isso porque, mesmo nos casos em que há pouco vazamento de urina ou gotejamento (quando o xixi fica pingando depois de você ir ao banheiro), geralmente o paciente se sente constrangido. Nos casos em que há um grau alto de incontinência, as relações sociais são ainda mais abaladas, afetando diretamente as atividades pessoais e profissionais.

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O resultado é que o paciente, que muitas vezes não apresenta nenhum outro sintomas delimitante, fica inibido ao sair de casa devido à possibilidade de urinar involuntariamente na rua, por exemplo.

A incontinência urinária possui diversas causas que envolvem condições estruturais do organismo, idade, hábitos e rotina (exercícios físicos e alimentação), além de doenças ou disfunções do trato urinário.

O tratamento inclui medidas conservadoras, medicamentosas ou cirúrgicas. Em geral, as medidas menos invasivas apresentam bons resultados e o paciente não necessita passar por cirurgias.

Mesmo nos casos em que procedimentos cirúrgicos ou medicamentosos não se mostram eficazes, é possível adaptar a rotina para evitar que a incontinência cause transtornos e comprometa as atividades.

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A estrutura da bexiga

Para entender a disfunção da bexiga, podemos começar com o caminho que a água percorre quando é ingerida, nutrindo os tecidos, passando pelos órgãos, até ser eliminada.

O caminho da água

A água faz um percurso parecido com o dos alimentos. Depois de ser ingerida, ela passa pela boca, faringe, esôfago, estômago (onde um pequena quantidade já é absorvida) e chega ao intestino. A parede intestinal então absorve a maior parte do líquido e o envia para a corrente sanguínea.

O fluxo sanguíneo encaminha a água para os órgãos, nutrindo as células. O fígado, o coração, os pulmões e novamente o coração recebem o líquido, que finalmente chega aos rins, que têm a função de filtragem do sangue e, por isso, auxiliam na formação da urina.

Cada pessoa possui 2 rins, que possuem a aparência de um grão de feijão um pouco maior. Na verdade, bem maior, pois cada um tem cerca de 12 cm de comprimento e 7 cm de largura. Dentro dos rins há centenas de pequenas estruturas chamadas de néfrons, que parecem túbulos filtradores.

São eles que irão formar a urina. Depois que o sangue passa pelos néfrons e é filtrado, ele retorna ao organismo. Mas o conteúdo que foi separado do fluido constitui a primeira etapa da formação da urina, chamada também de pré-urina.

Esse conteúdo está carregado de resíduos do organismo que vão ser eliminados, mas também tem sais minerais, glicose e aminoácidos que são reabsorvidos enquanto a pré-urina percorre os néfrons.

No pedaço final dos néfrons, parte da água é reabsorvida e retorna ao sangue, outra parte é encaminhada à bexiga.

A quantidade de líquido absorvido depende da necessidade de hidratar o organismo. Portanto, se você bebe água com frequência, menos líquido será absorvido, pois o organismo provavelmente está bem hidratado.

O composto que chega à bexiga é finalmente denominado urina e se encaminha até o órgão pelos ureteres (que são canais parecidos com um canudo). A urina vai se acumulando e, quando decidimos ir ao banheiro, ela segue pela uretra (um outro tubo que conduz o xixi) até ser eliminada.

Até ser eliminada, o xixi passa por 2 esfíncteres, que são tampões do canal da uretra. O primeiro é involuntário (ou seja, você não consegue comandar sua contração ou abertura), o segundo é voluntário, sendo responsável por segurar a urina quando você não chegou no banheiro ainda.

A urina na bexiga

A bexiga é uma espécie de bolsa que se estende e esvazia, capaz de armazenar a urina e liberá-la apenas quando há estímulos nervosos.

O órgão possui paredes musculares, que se contraem para eliminar o líquido, e fica localizada na pelve, região abaixo do umbigo.

A região pélvica é a cavidade da bacia, próximo à cintura. O assoalho pélvico é um conjunto muscular responsável por auxiliar na sustentação dos órgãos como bexiga, útero e intestino.

De modo geral, a primeira vontade de ir ao banheiro surge quando a bexiga está com aproximadamente 150mL de urina. O órgão, apesar de ser elástico, possui uma capacidade máxima entre 400mL e 500mL de líquido.

Para sinalizar que precisa ser esvaziado, sinais são enviados ao cérebro e desencadeiam a sensação de vontade de ir ao banheiro. Em pessoas saudáveis, essa vontade é controlável, mesmo por períodos mais longos.

Na parte baixa da bexiga há uma espécie de tampão, chamado de esfíncter interno, que não é controlado pela nossa vontade. O cérebro envia comandos para que o esfíncter interno relaxe e se abra, permitindo a passagem da urina.

A parede da bexiga é formada por músculos por uma razão: eles precisam se contrair para auxiliar no esvaziamento do órgão.

Então a urina começa a se encaminhar para a uretra, mas pode ser voluntariamente segurada pelo esfíncter externo. Isso evita que emergências ocorram no caminho até o banheiro.

Mas se houver afrouxamento dos músculos do esfíncter, disfunções ou problemas no trato urinário, pode ser que vazamentos pequenos ou intensos de urina ocorram.

Tipos

Existem 3 tipos mais conhecidos de incontinência: de esforço, de emergência e misto. Esses representam a maior parte dos diagnósticos. No entanto, há ainda outras classificações. As categorias mais utilizadas pelos médicos são:

Incontinência urinária de esforço

Em geral, é o tipo de incontinência que causa menos vazamento de urina. Isso porque está associada à alguma atividade ou movimentação do corpo que exerça ou aumente a pressão intra-abdominal, por exemplo tossir, espirrar, rir, pular ou se movimentar.

Ou seja, é preciso que haja esforços físicos e intra-abdominais para que o xixi escape.

Incontinência urinária de urgência

O tipo de incontinência por urgência geralmente compromete de forma mais severa as atividades diárias do paciente, pois a vontade de ir ao banheiro é repentina e incontrolável.

A bexiga possui um funcionamento hiperativo, ou seja, há uma contração constante ou aumentada da parede muscular do órgão sem que haja necessidade. Como a pessoa não possui a capacidade de segurar o xixi, qualquer atividade (mesmo ficar sentado), pode ser interferida pela urgência de urinar.

Incontinência mista

O tipo misto da incontinência urinária apresenta vazamentos durante atividades que forçam a região abdominal, como tossir, e também em qualquer momento do dia, independente da atividade. Ou seja, os sinais da incontinência mista associam o tipo de esforço e de urgência.

Incontinência por transbordamento

Quando a bexiga se enche, sinais são enviados ao cérebro sobre a necessidade de ir ao banheiro. O cérebro retorna comandos à bexiga e aos esfíncteres (involuntários e voluntários).

Porém, se o paciente tiver uma diminuição da sensibilidade (não sente a bexiga cheia), um enfraquecimento da parede da bexiga ou uma obstrução uretral crônica, podem ocorrer vazamentos por transbordamento, resultado do enchimento elevado da bexiga. Por isso, esse tipo de incontinência também pode ser chamado de incontinência paradoxal.

A obstrução uretral é mais comuns aos homens, mas a redução da sensibilidade tem maior prevalência em pacientes com diabetes, problemas que afetam a função neuronal ou dependentes de álcool.

Retenção crônica de urina

Na retenção crônica de urina há a dificuldade de iniciar o esvaziamento da bexiga, que geralmente é acompanhada com a incapacidade de eliminar toda a urina.

Após o paciente ir ao banheiro, podem ocorrer gotejamentos involuntários e pequenas perdas de urina. Além disso, a condição favorece infecções, que podem acarretar na incontinência de urgência.

Incontinência urinária coital

O tipo se caracteriza pela perda de qualquer quantidade de urina durante o sexo. Apesar de ocorrer com mais frequência no momento da penetração ou do orgasmo, o xixi pode vazar em qualquer momento.

Enurese noturna

O tipo é bastante frequente em crianças e, normalmente, representa uma condição transitória. A enurese noturna tende a estar associada a fatores psicológicos, emocionais ou à capacidade de controle corporal.

Principalmente na infância, fazer xixi na cama é uma situação recorrente. Isso se dá porque o sistema neuronal e urinário não estão absolutamente coordenados. Mesmo depois de alguns períodos, situações de estresse e medo (por exemplo, pesadelos) podem fazem com que haja uma vazamento de urina.

Causas da incontinência urinária

As causas da incontinência são diversas e dependem também do tipo.

Por exemplo, na incontinência urinária de urgência, há uma contração involuntária da parede da bexiga. Enquanto o órgão ainda está sendo enchido, a parede muscular se movimenta o obriga a urina a descer para a uretra.

As condições que mais causam essa contração indevida são o AVC, doença de Parkinson, esclerose múltipla, diabetes e mielodisplasia.

Também pode ocorrer incontinência urinária de urgência sem condições patológicas envolvidas. Nesse caso, a disfunção é causada por elementos como tumor ou cálculo vesical.

As causas da incontinência por esforço são causadas por um mal funcionamento no processo final do trato urinário, podendo envolver uma movimentação aumentada (hipermobilidade) da uretra ou a incapacidade do esfíncter permanecer contraído.

Nesses casos, a uretra pode ser afetada por disfunções neurológicas, por alteração na estrutura uretral, além de atrofia do músculo do esfíncter.

Em geral, as situações ou condições que mais ocasionam os vazamentos de urina são:

Hipoatividade muscular da bexiga

A fraqueza da parede da bexiga, também denominada hipoatividade, pode alterar o funcionamento do órgão. Em geral, há uma incapacidade de fazer xixi adequadamente, que pode envolver a dificuldade em começar a urinar ou em esvaziar completamente o órgão.

Mesmo que, inicialmente, a hipoatividade retenha a urina, com o tempo a bexiga se enche excessivamente e atinge seu limite. O resultado é que há incontinência por transbordamento.

Além disso, a condição favorece que infecções se desenvolvam e afetem o trato urinário, causando incontinência por urgência.

Bloqueio ou obstrução da saída da bexiga

Diferentes condições podem acometer a parte final da bexiga e a uretra, impedindo que a urina seja corretamente controlada e eliminada. Entre as causas mais comuns, podem estar a hiperplasia da próstata, câncer de próstata, cálculos na bexiga e até medicamentos que causam a contração da região.

Tosse crônica em fumantes

A nicotina age como estimulante do músculo da bexiga e os componentes do tabaco podem irritar o tecido do órgão e favorecer o aumento das contrações, resultando na hiperatividade urinária e, consequentemente, na incontinência de urgência.

Além disso, fumar pode irritar as mucosas respiratórias e causar a tosse crônica que, por si só, pode aumentar a pressão intra abdominal e favorecer os escapes de urina.

Cirurgias ginecológicas ou pélvicas

Pacientes que foram submetidos a cirurgias pélvicas ou ginecológicas, como retiradas de tumores, podem apresentar enfraquecimento do esfíncter, que provoca a incontinência.

Radioterapia

Assim como as cirurgias, o procedimento de radioterapia após cirurgias na região da pelve pode afetar as contrações e relaxamento do músculo do esfíncter.

Fístula urinária

Há uma ligação ou comunicação indevida entre um órgão (geralmente a bexiga, mas pode ser também os ureteres) e a vagina. Alguns casos bastante raros podem envolver e comunicação entre a bexiga e outro órgão, como uretra, útero ou intestino.

Em geral, o quadro ocorre depois de procedimento cirúrgicos, inflamações ou infecções, lesões, traumatismos ou tratamentos radiológicos.

Diabetes

Pessoas com diabetes podem ter a sensibilidade da bexiga alterada, sendo que a ocorrência de disfunções urinárias nesses pacientes é até 2,5 vezes maior. A relação entre a incontinência e a diabetes pode ser estabelecida por diversas causas, ou seja, geralmente é uma condição multifatorial.

Normalmente, pode haver alterações das respostas musculares, neuronais, uroteliais e processos inflamatórios dos tecidos envolvidos ocasionando:

  • Hiperatividade da bexiga;
  • Disfunção do controle do esfíncter uretral;
  • Infecções do tracto urinário;
  • Retenção urinária (causando a incontinência por transbordamento).

Além disso, pacientes com diabetes descontrolado ou com hiperglicemia tendem a ingerir mais água. Com a ingestão excessivamente elevada, as idas ao banheiro são mais constantes. Se houver algum fator predispondo a dificuldade de segurar a urina, há maiores chances de ocorrer vazamentos.

Bexiga neurogênica diabética

A incontinência urinária em pacientes diabéticos pode ser apenas uma condição temporária e tratável. Muitos pacientes desenvolvem a dificuldade em conter a urina por causas associadas, por exemplo a diabetes e um quadro de infecção da bexiga.

No entanto, a diabetes pode causar um problema denominado bexiga neurogênica diabética, que ocasiona a redução drástica ou completa da sensibilidade ou a dificuldade em contrair o esfíncter interno.

O quadro é uma complicação resultante do descontrole severo e prolongado das taxas glicêmicas.

Gravidez e parto

A gravidez causa diversas mudanças hormonais e físicas que podem propiciar a incontinência urinária. As causas apontadas envolvem elevação dos hormônios, alteração da estrutura da parede muscular ou pressão da barriga.

Geralmente, o maior causador da incontinência é o crescimento do bebê. Isso porque o útero começa a ocupar mais espaço na barriga e, para isso, comprime e empurra os outros órgãos, entre eles, a bexiga.

Com menos espaço para se dilatar e estender, a bexiga tem sua capacidade de armazenar a urina reduzida, o que pode resultar na dificuldade em segurar o xixi.

Após o parto, normal ou cesária, quadros de incontinência urinária podem se desenvolver. Mas geralmente há fatores bem específicos que envolvem a situação, sendo que o parto, quando bem assistido, tende a não provocar a incontinência. Entre as causas prováveis, estão:

  • Número de partos (pois a musculatura pode ficar mais flácida e se contrair menos);
  • Peso do bebê (o bebê com o peso muito elevado necessita de uma distensão maior do tecido vaginal para passar);
  • Período de parto prolongado (quando o processo demora demais, pode causar afrouxamento do tecido muscular).

Obesidade

O excesso de peso causa uma pressão elevada sobre a bexiga e a uretra. Assim como na gravidez, o peso concentrado na região abdominal provoca uma tensão contínua dos órgãos, que pode empurrar a bexiga ou enfraquecer os músculos e as outras estruturas da região pélvica (responsáveis pelo controle e liberação da urina).

Segurar a urina

Ainda que nem sempre seja possível ir ao banheiro quando dá vontade, o hábito de segurar o xixi pode comprometer o bom funcionamento do trato urinário.

Evitar esvaziar a bexiga, segurando a vontade de urinar por longos períodos favorece a entrada de bactérias pela uretra, sobretudo nas mulheres. Ou seja, o simples fato de não fazer xixi favorece que se instale uma infecção urinária.

Além disso, ao longo dos anos, o costume pode prejudicar as paredes da bexiga, enfraquecer a musculatura da pelve e acarretar em uma incontinência urinária persistente (não causada por infecções tratáveis).

Condições que aumentam a quantidade de urina

O uso de diuréticos, mudanças alimentares e o consumo excessivo de cafeína (como chás, refrigerantes, café e energéticos), além do consumo de álcool podem resultar numa produção elevada de urina e mais dificuldade em reter o líquido.

Menopausa

Não é exatamente a menopausa que favorece a incontinência urinária, mas sim uma associação de fatores que promovem o enfraquecimento da musculatura da bexiga ou dos esfíncteres, por exemplo.

Em geral, as principais causas da incontinência na menopausa se referem à alteração hormonal, à propensão às infecções, às mudanças de humor (que podem abalar a imunidade), além da redução da força e contração muscular.

Outro auxiliador é que as mulheres que possuem filhos têm mais um fator que pode contribuir com a dificuldade em conter a urina.

Isso porque a musculatura da vagina já precisou se dilatar e, nem sempre, conseguiu se recuperar completamente.

Envelhecimento

O envelhecimento, em si, não causa a incontinência. Engana-se quem pensa que a dificuldade em segurar a urina é uma condição normal da idade.

Na verdade, há uma mudança no organismo e na vida: dificuldade de locomoção, redução da sensibilidade e afrouxamento dos tecidos (incluindo o muscular). Também podem ocorrer mudanças alimentares e diminuição das atividades físicas (com menos transpiração, a pessoa produz mais urina).

Nesse caso, pode ser que o idoso sinta vontade de ir ao banheiro com mais frequência e não consiga segurar a urina ou que não perceba a necessidade de urinar.

Comprometimento cognitivo, psicológico ou físico

Estas disfunções não acometem as funções da bexiga, nem dos esfíncteres. Portanto, em alguns casos, o trato urinário funciona adequadamente na continência do xixi. Porém, alterações cognitivas, como delírios e demência, podem fazer com que o paciente não tenha a percepção da bexiga cheia.

Além disso, as condições emocionais ou cognitivas podem alterar a percepção ambiental. Ou seja, o paciente não é capaz de reconhecer o banheiro ou se lembrar como chegar até ele.

Situações físicas, em que a pessoa não pode se movimentar pela casa, levantar da cama ou tirar as roupas também constituem comprometimentos causadores da incontinência urinária.

Prisão de ventre

Quando o intestino não funciona corretamente, o inchaço é geralmente percebido. Isso porque as fezes se acumulam no órgão e causam estufamento.

O intestino começa a ocupar outros espaços e pressionar os órgãos próximos. A bexiga se comprime e fica incapacitada de se acomodar a urina devidamente.

Infecções urinárias

As infecções urinárias são mais frequentes nas mulheres e atribui-se as causas à disposição da região íntima, pois a vagina e o ânus ficam muito próximos, o que favorece a entrada de bactérias e a instalação de infecções.

Além da dor ou ardência na hora de fazer xixi, a infecção pode causar a incontinência. Em geral, a condição é revertida quando o tratamento correto é realizado.

Medicamentos

Há alguns remédios que podem causar alterações na capacidade de reter a urina, causando fraqueza muscular pélvica ou do esfíncter, bloqueando a saída da urina (resultando na incontinência por transbordamento) ou provocando uma hiperatividade muscular da bexiga. De acordo com as causas, alguns deles são:

Enfraquecimento do esfíncter ou musculatura da bexiga

Os bloqueadores alfa-adrenérgicos são utilizados principalmente para da pressão alta, disfunção erétil, bexiga neurogênica e de hiperplasias da próstata. Entre eles a alfuzosina, doxazosina, prazosina, tansulosina ou terazosina.

O medicamentos misoprostol, que é receitado para úlceras estomacais e como recurso abortivo, pode causar alterações da contração muscular pélvica.

Obstrução da bexiga

É causada por medicamentos como pseudoefedrina (agonistas alfa-adrenérgicos).

Hipoatividade muscular da bexiga

Remédios anticolinérgicos, como anti-histamínicos, antipsicóticos, benzatropina e alguns antidepressivos podem causar a redução funcional da bexiga. Os bloqueadores de canais de cálcio, como diltiazem, nifedipina ou verapamil, além de alguns opioides também podem resultar na hipoatividade.

Fatores de risco

A incontinência urinária pode afetar homens e mulheres em qualquer idade. No entanto, alguns aspectos podem favorecer o aparecimento da disfunção.

Mulheres são as mais acometidas por fatores diversos, como a propensão à infecção urinária e às alterações hormonais.

Além disso, algumas mulheres podem ter tendência a desenvolver infecção urinária após as relações sexuais, pois há um favorecimento da entrada de bactérias pela uretra.

De modo geral, os fatores de risco envolvem:

  • Avanço da idade: o envelhecimento não causa a incontinência urinária, mas a soma da queda na imunidade, enfraquecimento muscular, dificuldade de locomoção e distúrbios neurológicos e emocionais podem favorecer o vazamento de urina;
  • Obesidade ou gravidez: a prevalência de incontinência urinária é alta em pacientes obesos e grávidas. Sugere-se que o peso concentrado na região abdominal é capaz de comprimir a bexiga e diminuir sua capacidade de armazenar a urina;
  • Diabetes e doenças neurológicas: qualquer condição que afete a comunicação sensorial pode ser uma fator de risco. Isso porque há uma diminuição da sensibilidade ou uma comunicação ineficiente entre o relaxamento e a contração muscular do trato urinário. Entre elas a doença de Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla;
  • Fumantes: o tabaco e a nicotina podem desencadear irritação na parede da bexiga, favorecendo a hiperatividade do órgão;
  • Baixa imunidade: ter o sistema imunológico comprometido ou ter hábitos que favoreçam as infecções urinárias pode causar incontinência frequentemente.

Fatores de risco para incontinência urinária feminina

Além desses fatores, há outros que acometem especificamente cada sexo. Os principais fatores de risco para incontinência urinária feminina são:

  • Gravidez e pós-parto;
  • Alterações hormonais (que podem causar atrofia da musculatura pélvica);
  • Reposição hormonal na menopausa (o uso de hormônios também sugere riscos à incontinência urinária);
  • Disfunções cognitivas e funcionais;
  • Doença cardíaca isquêmica, AVC e insuficiência cardíaca;
  • Histerectomia (remoção do útero);
  • Etnia e raça (há estudos que indicam que mulheres brancas apresentam mais diagnósticos de incontinência por esforço do que não-hispânicas, negras ou asiáticas).

Fatores de risco para incontinência urinária masculina

Os principais fatores de risco para incontinência urinária masculina são:

  • Doenças do trato urinário inferior e infecções;
  • Alterações cognitivas e funcionais;
  • Depressão;
  • Cirurgia da próstata;
  • Prostatectomia radical;
  • Tratamento do carcinoma da próstata com radiação, braquiterapia ou crioterapia.

Sintomas e ocorrências

A incontinência urinária torna o paciente incapaz de conter a urina, seja em pequenas ou grandes quantidades. Pode ser em momentos específicos, como ao fazer força, ou em repouso. Os sinais relatados pelo paciente irão determinar os tipos da disfunção.

As principais especificações sintomáticas se referem à incontinência por esforço e à incontinência de urgência. Isso porque os vazamentos de urina por esforço ocorrem quando o paciente tosse, dá risada ou espirra.

Além disso, atividades como levantar peso, pular ou fazer exercícios podem fazer com que o xixi escorra. Em geral, a quantidade é pequena e tende a cessar quando a pessoa para de fazer força.

Já no tipo de urgência, a vontade de fazer xixi é incontrolável e, normalmente, não há tempo de chegar ao banheiro. Diante da necessidade súbita de ir ao banheiro, o paciente apresenta um vazamento maior e mais frequente.

No tipo misto, os sinais aparecem juntos, ou seja, o paciente tem urgência em fazer xixi, acompanhada pela incapacidade de conter a urina. Ocorrem pequenos ou moderados vazamentos durante o dia, mas também quando há realização de esforços (como erguer peso ou tossir).

Alguns tipos da disfunção urinária podem apresentar sinais mais específicos, como a incontinência urinária coital, em que o paciente urina durante o sexo, ou a enurese noturna, em que o vazamento ocorre enquanto a pessoa dorme.

Também é possível que, nos casos em que há um vazamento pequeno, ocorram apenas gotejamentos de urina. Em geral, a causa mais associada é a dificuldade em esvaziar completamente a bexiga, causando escapes de xixi logo depois que a pessoa saiu do banheiro.

Nem sempre o paciente consegue perceber a urina descendo pela uretra, portanto os sinais envolvem a observação material (sim, tem que olhar as roupas íntimas se você desconfiar de incontinência urinária).

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico consiste, essencialmente, na autoavaliação do paciente e no relato ao médico. O profissional irá fazer um levantamento do quadro clínico, hábitos e demais queixas que ele possa ter.

É preciso verificar condições pontuais, como o uso de medicamentos, infecção urinária ou outras doenças que causam a dificuldade em controlar o xixi, que necessitam de encaminhamentos diferentes.

Também é solicitado ao paciente que faça um acompanhamento intenso das idas ao banheiro e dos episódios de incontinência. Para isso, é utilizado o diário miccional. Quanto mais precisa for a anotação do paciente, melhor será a avaliação pelo médico.

Por isso, horários, quantidade aproximada de urina (muito xixi ou apenas gotejamento), frequência de idas ao banheiro e até a quantidade de água ingerida são aspectos importantes de ser registrados.

Os profissionais mais indicados para o diagnóstico e tratamento da incontinência urinária são o clínico geral, urologista, ginecologista e o geriatra.

Exames

Alguns exames podem ser indicados para avaliar o quadro do paciente. Geralmente, os testes verificam as condições de comprometimento do trato urinário e descartam outras condições, como câncer.

Exames físicos

O médico poderá avaliar fisicamente o paciente e verificar o volume abdominal. Para isso, ele irá apalpar a região para identificar volumes indevidos na região pélvica e distensão da bexiga.

Também pode ser feita uma avaliação neurológica e exames musculares. Nas mulheres, exames ginecológicos e nos homens a observação dos órgãos genitais também auxilia o profissional.

Exame de urina

Uma amostra de urina é coletada para detectar ou descartar infecções ou outras alterações, como a presença de sangue no líquido.

Urofluxometria com medição residual pós-miccional

Apesar do nome complexo, o teste é bastante simples. O paciente é indicado a fazer xixi em um funil que irá medir a quantidade de líquido despejado.

Depois disso, um exame de ultrassonografia na região da bexiga avalia se permaneceram resíduos do fluido. Ou seja, se o paciente está com incapacidade ou dificuldade de esvaziar toda a bexiga.

Exames específicos

Estes testes são indicados quando outras doenças ou disfunções foram descartadas e necessita-se medir o comprometimento urinário.

Teste de esforço

O teste necessita que o paciente esteja com a bexiga cheia e, então, pede-se para a pessoa tossir. O médico irá observar se houve algum vazamento de urina.

Q-tip test

Para verificar a mobilidade da uretra, é inserido um pequeno instrumento tubular ou um cotonete esterilizado e umidificado com lubrificante no canal. É solicitado que o paciente tussa e, durante o esforço, mede-se o quanto o canal de uretra se movimenta. Se houver uma movimentação maior do que 30º, sugere-se a presença de hipermobilidade.

Uroanálise

Podem ser solicitados exames laboratoriais, como a urocultura para descartar outras condições, como a hematúria (presença anormal de glóbulos vermelhos na urina).

Tem cura?

Sim. A condição pode ser tratada com diversos recursos, que serão indicados de acordo com o tipo e o comprometimento da rotina do paciente.

Nos casos não associados a doenças (como câncer ou diabetes), a maior parte dos pacientes apresenta melhoras significativas ou completas em um período curto de tempo.

Em mulheres jovens, até 70% se recuperam completamente da incontinência urinária através de exercícios de fortalecimento ou cirurgia de correção.

Tratamento paliativo e associado

A incontinência urinária possui diferentes intervenções terapêuticas que são determinadas de acordo com o tipo e o quadro do paciente. Em geral, as medidas são associadas e podem incluir mudanças comportamentais (rotinas e alimentação, por exemplo), medicamentos, fisioterapia e exercícios específicos ou tratamentos cirúrgicos.

Tratar as doenças e condições desencadeantes

Como a incontinência urinária é uma condição que, em alguns casos, está associada a causas primárias, é preciso regular, tratar ou eliminar o problema ou disfunção de origem.

De acordo com as diretrizes para a incontinência urinária, as principais doenças que podem desencadear ou favorecer a perda indesejada de urina são:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Diabetes;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Distúrbios neurológicos;
  • Acidente vascular cerebral;
  • Demência;
  • Esclerose múltipla;
  • Distúrbios cognitivos;
  • Distúrbios do sono, como apneia.

Realizar o acompanhamento intensivo dessas condições (através do tratamento mais rigoroso, mudança de medicamentos ou adoção de novos hábitos, por exemplo), reduzindo os impactos no organismo, podem ser suficientes para eliminar ou minimizar a incontinência urinária.

Medidas paliativas

Deve-se acompanhar o paciente em seu quadro psicológico e emocional, indicando-o para terapia se for preciso. Isso porque o incontinência urinária está fortemente atrelada à baixa autoestima, à dificuldade de socialização e à tendência ao isolamento.

Como, muitas vezes, o paciente tem vergonha de buscar ajuda ou compartilhar o problema, é preciso que o médico explique a situação e as causas do escape de urina (evitando que a pessoa se culpe, por exemplo).

As diretrizes de intervenção da incontinência urinária apontam, como papel fundamental do tratamento, a participação do profissional de saúde na tranquilização do paciente. Portanto, é preciso que o diálogo seja esclarecedor, retirando a culpa ou vergonha da pessoa para que o tratamento seja adequadamente continuado.

Além disso, os fatores emocionais podem agravar os vazamentos, fazendo com que, independente da idade, se inicie um ciclo onde a incontinência gera estresse e o estresse agrava os episódios.

Junto com o apoio emocional, é preciso apresentar opções anti-incontinência, como os absorventes ou roupas íntimas especializadas. É necessário que o paciente saiba que dispõe de opções para amenizar os vazamentos de xixi, permitindo que a disfunção urinária não impeça ou altere suas atividades diárias.

Em pessoas com obesidade, é recomendável que sejam feitos tratamentos e mudanças de comportamento a fim de reduzir o peso.

Todos os pacientes devem evitar o uso excessivo de álcool, cafeína e produtos diuréticos, pois também podem interferir no funcionamento da bexiga. Por isso, a observação e redução desses componentes pode ser solicitada pelo médico como parte do tratamento.

Técnicas comportamentais

Existem diversas táticas que podem ser aliadas à rotina e diminuir ou tratar a incontinência urinária, como:

Treinamento vesical

Também chamado de reeducação vesical, pois pretende alterar os hábitos de micção do paciente, estipulando intervalos de tempo entre cada ida ao banheiro. O objetivo principal é auxiliar na continência do xixi, sendo indicado nos casos em que há urgência de urinar associada ou não à incontinência urinária.

O treinamento consiste em ir ao banheiro em horários programados (por exemplo, a cada 1 hora) e, gradualmente, espaçar esse tempo. Ou seja, após uma semana, o paciente aumenta o tempo para 1h30 e posteriormente para 2 horas.

Quando há o desejo de ir ao banheiro, utiliza-se táticas de distração ou relaxamentos para adiar a micção.

Micção dupla

A micção dupla é especialmente indicada nos casos de incontinência por transbordamento e, basicamente, consiste em tentar fazer xixi mais uma vez após já ter urinado.

É preciso que o médico ou terapeuta explique que os processos emocionais também interferem na eficiência da técnica. Ou seja, se a pessoa estiver ansiosa ou nervosa, provavelmente o esfíncter permanecerá contraído, evitando que a urina seja completamente liberada.

Para os pacientes que têm perda de sensibilidade do trato urinário, programar as idas ao banheiro pode evitar os vazamentos. Por exemplo, ir ao banheiro a cada 2 ou 3 horas mesmo que não sinta vontade ou não tenha ingerido muito líquido auxilia a criar o hábito comportamental.

Tratamento por dispositivos auxiliares

Através de dispositivos ou pequenos elementos inseridos na uretra ou no canal vaginal é possível reduzir ou parar a incontinência.

Balões ou tampões

São inseridos pequenos dispositivos descartáveis para evitar a perda da urina. Eles agem sustentando a bexiga ou, ainda, assumindo o lugar o esfíncter.

Os procedimentos não são permanentes e o tempo de descarte ou troca do dispositivo vai depender do procedimento escolhido.

Injeção de toxina botulínica

O método foi aprovado no Brasil em 2009 e auxilia no tratamento da bexiga hiperativa, reduzindo a urgência de fazer xixi. A aplicação de injeções de toxina botulínica é realizada diretamente na bexiga, sendo indicada principalmente aos pacientes que não respondem bem aos remédios e ao exercícios.

O tratamento não é permanente e a injeção pode ser reaplicada entre 3 e 12 meses, dependendo do caso e da resposta do organismo.

Bulking agents

São procedimento invasivos, mas que não se classificam como uma cirurgia. Em geral, são feitos preenchimentos ou inseridos dispositivos através da uretra para conter os vazamentos.

O procedimento é mais recomendado para os casos de incontinência por esforço (em que há ineficiência do esfíncter) ou como medida complementar à cirurgia convencional em outros tipos de incontinência.

Exercícios para incontinência urinária

Exercícios que fortalecem ou estimulam a musculatura do assoalho pélvico devem ser iniciados logo após o diagnóstico, sendo mantidos por pelo menos 3 meses nos casos de incontinência por esforço ou mista, incluindo nas gestantes. Gradualmente, o paciente pode iniciar a prática de micção programada.

É importante lembrar que os exercícios devem ser indicados pelo médico ou fisioterapeuta, que dará as recomendações necessárias para cada paciente. Mas uma das técnicas bastante recorridas é o exercício de Kegel.

A tática é, inclusive, recomendada a todas as mulheres e, principalmente, após a gestante dar à luz, pois auxilia no fortalecimento e recuperação dos músculos da vagina.

Exercícios de Kegel

Para que o exercícios seja corretamente realizado, é necessário identificar quais grupos musculares você precisa exercitar. Um método simples para perceber a musculatura é tentar interromper o xixi durante a micção.

Os músculos que se contraem para parar a urina são os que você deve exercitar. Para facilitar a realização, as mulheres devem contrair a parede interna da vagina, já os homens podem contrair a musculatura das nádegas. Ambos devem reproduzir uma sucção com os músculos internos.

Com o tempo, o exercício vai ficando mais simples de ser realizado. Em geral, podem ser feitas entre 3 e 5 séries de 10 contrações rápidas (você contrai o músculo e relaxa em seguida.

Também podem ser realizadas séries de longa duração, em que você deve contrair o músculo e mantê-lo segurado por 10 segundos, relaxando em seguida. Descanse por 10 segundos e repita o exercícios, totalizando entre 3 e 5 realizações.

Estimulação elétrica

As diretrizes para o tratamento da incontinência urinária indicam que a eletroestimulação da musculatura pélvica pode ser realizada conjuntamente com os exercícios físicos, pois o uso isolado da técnica pode não apresentar resultados tão efetivos.

A alternativa consiste na inserção de pequenos eletrodos na vagina ou no reto do paciente, que causam estimulações elétricas de baixa intensidade (ou seja, um choque bem fraquinho) na parede muscular.

A estimulação, sozinha, não causa o fortalecimento muscular, mas faz com o que o sistema nervoso fique mais sensível à percepção daquele músculo. É muito frequente que o paciente não consiga realizar os exercícios de Kegel por não reconhecer e, consequentemente, não conseguir contrair o músculo.

O procedimento também reduz a hiperatividade da bexiga, auxiliando nos casos em que há contrações involuntárias do órgão.

Medicamentos

O tratamento medicamentoso para incontinência urinária visa reduzir a hiperatividade da bexiga (agindo pelo relaxamento) ou fortalecer o esfíncter.

É sempre recomendável tratar conjuntamente outras doenças ou condições que possam interferir na saúde do paciente. Por isso, alguns métodos podem consistir em reposição hormonal, no caso da menopausa, ou uso de medicamentos psiquiátricos, em casos neurológicos.

Entre as opções, para o tratamento da incontinência por esforço causada pela fraqueza do esfíncter urinário ou da redução da força dos músculos pélvicos, os medicamentos que auxiliam no fortalecimento das contrações do esfíncter urinário e podem ser receitados são:

Quando o médico indicar o tratamento com medicamentos, geralmente, inicia-se com o uso de antimuscarínicos para os casos de incontinência de urgência. Se não houver boas respostas ao remédio, pode-se tentar a oxibutinina transdérmica ou antimuscarínicos.

Em pacientes com disfunção cognitiva, as diretrizes da incontinência urinária orientam preferir o uso de  cloridrato de trospium invés de oxibutinina, devido aos efeitos colaterais.

Para pacientes do sexo masculino com incontinência de urgência devido à obstrução da bexiga, os medicamentos receitados para o relaxamento do esfíncter urinário podem ser:

Para diminuir a próstata expandida, remédios como a dutasterida e a finasterida podem ser indicados.

Em quadros de incontinência de urgência ou de esforço, visando aumentar a capacidade de enchimento da bexiga e reduzir a contração ou movimentação muscular do órgão, alguns dos medicamentos que podem ser receitados são:

  • Darifenacina;
  • Fesoterodina;
  • Hiosciamina;
  • Imipramina: também auxilia no fortalecimento do esfíncter urinário;
  • Diciclomina: também promove o relaxamento dos músculos involuntários;
  • Mirabregona: também auxilia no relaxamento da bexiga.
  • Onabotunlinumtoxina: diminui a contração involuntária da bexiga;
  • Oxibutinina;
  • Solifenacina;
  • Tolterodina;
  • Tróspio.

Na incontinência por transbordamento ou para tratar a parede da bexiga enfraquecida, pode ser receitado betanecol, que auxilia na contração muscular do órgão.

Medicamentos como a duloxetina pode ser recomendada para incontinência temporária, auxiliando na redução dos sintomas em curto prazo.

Os estrógenos intravaginais ainda levantam debates sobre a eficácia do uso, porém podem ser recomendados em pacientes mulheres na menopausa.

Ainda é possível recorrer ao uso imediato de desmopressina. O remédios não devem fazer parte do um tratamento contínuo, mas pode apresentar bons resultados rapidamente.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Cirurgia

Os procedimentos cirúrgicos para a incontinência urinária compreendem diversos procedimentos, indo desde dilatação da uretra até a necessidade de reconstrução tecidual da bexiga, por exemplo.

As técnicas mais utilizadas são:

Sling

O sling é um procedimento indicado para os casos de incontinência por esforço, visando aumentar a resistência da bexiga e uretra, e tem eficiência em até 90% dos casos.

A técnica é minimamente invasiva e, por isso, a sedação e recuperação tendem a ser rápidas. Um cateter é inserido pela uretra e esvazia toda a bexiga. O sling é introduzido e acomodado internamente.

Em seguida, realiza-se a verificação do procedimento. Para isso, a bexiga é enchida com soro fisiológico e o paciente é orientado a tossir. Se não houver vazamentos, o processo foi finalizado adequadamente, senão, o sling é reposicionado.

Em geral, após cessar o efeito da anestesia e o paciente fazer xixi espontaneamente, a recuperação completa leva 3 dias, sendo recomendável o uso de medicamentos para prevenir infecção nesse período.

Suspensão do colo da bexiga

O procedimento é mais invasivo do que o sling e visa dar suporte à uretra e à bexiga. É feita uma incisão (corte) na região abdominal próxima ao umbigo e faz-se suturas (ligamentos) no tecido da bexiga, para que o órgão fique mais firme.

A recuperação é mais lenta que os procedimentos minimamente invasivos e demora cerca de 6 semanas, sendo que, geralmente, é necessário o uso de cateter para urinar nesse período.

Neuromodulação sacral

A neuromodulação sacral é indicada nos casos de hiperatividade da bexiga e retenção urinária em que não há obstrução, por exemplo. O procedimento atua estimulando a bexiga através de frequência elétrica leve.

É implantando um pequeno estimulador na região próxima à bexiga (extremidade do sacro) e realiza-se um período de teste. Por 14 dias, o paciente irá verificar a funcionalidade do procedimento. Se os resultados forem satisfatórios, uma nova intervenção é realizada para fazer um implante definitivo do estimulador.

O equipamento envia sinais elétricos que auxiliam a bexiga a se contrair e relaxar adequadamente.

Convivendo

A incontinência urinária não é uma condição rara, seja ela temporária (por infecções, por exemplo) ou permanente (por alterações no funcionamento da bexiga).

Apesar de ser uma queixa frequente, há diversas medidas que podem ser adotadas e que resolvem ou, pelo menos, amenizam o quadro.

Saúde mental

Inicialmente, o paciente precisa ser conscientizado sobre os aspectos psicológicos da disfunção. A vergonha e o receio de passar por situações em que alguém irá notar a incontinência podem ter alto impacto na vida e nas atividades cotidianas.

Por isso, o acompanhamento psicológico e os cuidados com a saúde mental podem ser bastante significativos, envolvendo a conversa franca com amigos e familiares, atividades relaxantes e mantendo o convívio social.

Alimentação

Pode ser benéfico mudar alguns hábitos alimentares durante o tratamento da incontinência. Apesar da ingestão de água ser essencial ao organismo, é preciso controlar o consumo antes de atividades físicas ou esforços (no caso de incontinência de esforço) ou quando você sabe que não possui acesso rápido ao banheiro.

Alguns alimentos promovem a produção de urina e devem ser evitados ou consumidos com menos frequência, entre eles:

  • Álcool;
  • Refrigerantes, chás preto, café e energéticos (por causa da cafeína);
  • Adoçantes artificiais;
  • Alimentos diuréticos (melão, melancia, melão, abacaxi, espinafre, pepino, por exemplo);
  • Alimentos cítricos (como laranja e limão);
  • Alimentos ricos em açúcar;
  • Bebidas gaseificadas;
  • Altas dosagens de vitaminas B e C;
  • Comidas apimentadas ou picantes.

Além disso, reduzir a ingestão de líquidos não é ideal, pois além de trazer danos ao organismo (como constipação e desidratação), podem causar o efeito inverso, aumentando a incontinência urinária.

É preciso manter uma boa ingestão de líquidos ao longo do dia fazendo escolhas e adaptações, como sucos de uva, maçã, amora e cereja que evitam a irritação da bexiga e minimizam odores da urina.

Em pessoas com sobrepeso ou obesidade, os cuidados com a alimentação também favorecem a redução de peso e podem amenizar a incontinência. Por isso, é ideal realizar um acompanhamento nutricional e seguir uma alimentação balanceada.

Medidas facilitadoras

Há produtos destinados às pessoas com incontinência urinária bastante eficazes para que nenhuma atividade seja abandonada. Você pode utilizar absorventes urinários para evitar vazamentos de xixi. O produto é desenvolvido para absorver até grandes volumes de líquido e há diversos modelos e formatos discretos.

Há também roupas íntimas desenvolvidas com tecidos especiais para absorver a urina e evitar o odor. São bastante eficazes em casos de incontinência por esforço ou quando há vazamentos pequenos de urina.

Para os homens, há acessórios chamados de uropen, que são bolsas coletoras de urina. Eles ficam presos à perna e têm capacidade, geralmente, entre 1 litro e 1,5 litro.

Há lençóis impermeáveis que podem ser utilizados para evitar vazamentos noturnos. Também se pode recorrer à utilização de comadres (recipientes próprios para urinar) durante a noite, quando nem sempre há tempo de ir ao banheiro.

Além disso, é preciso tomar cuidados quanto à organização e disposição das coisas em casa. Por exemplo, tapetes podem escorregar e causar quedas no paciente. Pequenas mudanças facilitam a locomoção, como manter portas abertas ou retirar itens podem dificultar a ida ao banheiro.

Sinais de alerta para as pessoas próximas

Nem sempre o paciente se dá conta da incontinência urinária e o quão prejudicial à rotina ela pode ser. Por exemplo, se as causas forem advindas de problemas psicológicos ou neuronais, como a demência, o paciente pode não se dar conta de que está perdendo xixi durante o dia.

Mas nem sempre é preciso haver disfunções de lucidez ou autoconsciência. Isso porque a incontinência urinária tende a ser uma situação constrangedora que é, muitas vezes, escondida pelo paciente.

Por vergonha ou dificuldade em compartilhar o problema, o paciente pode não buscar ajuda e passa a evitar lugares em que possa ser evidenciado o problema.

Para as pessoas próximas, é preciso observar se há um aumento das idas ao banheiro, frequência de xixi ou se o paciente tem reduzido a ingestão de líquidos (a fim de diminuir o volume de xixi).

O isolamento social pode se apresentar também, pois a pessoa evita situações em público ou ambientes que não possuam banheiro próximo.

Prognóstico

As terapias paliativas e medicamentosas oferecem bons resultados a cerca de 80% dos pacientes. Em geral, a associação de exercícios da musculatura tende a ser suficiente nos casos leves não associados a infecções ou outras doenças.

No entanto, nos quadros de incontinência por esforço, as terapias conservadoras (não invasivas) tendem a ser menos eficientes. Recentemente, os procedimentos invasivos alternativos à cirurgia, como a aplicação de toxina botulínica, têm mostrado resultados muito promissores, apesar de precisarem ser continuados ou realizados com frequência.

Além disso, as medidas conservadoras apresentam menos impactos ao organismo e recuperação mais acelerada. Nos casos cirúrgicos, a tendência é que a recuperação seja boa e sem complicações. A qualidade de vida dos pacientes após os tratamentos e intervenções é melhorada significativamente.

Complicações

As complicações mais associadas à incontinência se referem aos problemas de pele devido à umidade da região íntima. Podem ocorrer infecções, erupções e sensibilidade. Por isso, é necessário manter os cuidados com higiene e garantir que a pele esteja seca.

Quando a incontinência não é tratada, os riscos de desenvolver infecção urinária são maiores.

A perda de urina pode resultar em quedas e lesões de modo indireto. Isso ocorre quando o paciente faz xixi e o líquido se acumula no chão, favorecendo que ele escorregue. As quedas também são constantes quando há urgência em ir ao banheiro, fazendo com que escadas e móveis representem riscos.

No entanto, a disfunção tende a apresentar danos maiores à saúde mental, em que a incontinência causa isolamento social, sentimento de vergonha e abandono das atividades, como o trabalho, cursos ou idas ao mercado, por exemplo.

Como prevenir a incontinência urinária?

Há medidas que você pode adotar para reduzir as chances de ter dificuldades em conter a urina.

Faça exercícios de fortalecimento

Os exercícios para fortalecer a musculatura não são apenas para quem já apresenta incontinência urinária. Aumentar o tônus muscular íntimo pode ter ótimos resultados também na via sexual, pois a sensibilidade é melhorada.

Nos homens, o fortalecimento muscular pode auxiliar no tratamento da ejaculação precoce e a disfunção erétil também.

Treine sua bexiga

Crie o hábito de ir ao banheiro com frequência (não fique mais que 4 horas sem fazer xixi). Às vezes, as atividades e a rotina acabam fazendo com que você perca a noção do tempo e isso pode ser bastante ruim para a sua bexiga.

Estipule horários para ir ao banheiro ou, ao menos, lembre-se de não passar muitas horas sem fazer xixi.

Cuide do peso

Manter o peso adequado auxilia a reduzir a pressão abdominal e evitar a compressão da bexiga. Além disso, para evitar o acúmulo de gorduras, é preciso investir em uma alimentação mais equilibrada, que resulta em mais saúde para todo o organismo.

Com o corpo funcionando adequadamente, sua imunidade fica mais resistente e evita as infecções urinárias, que podem causar a incontinência.

Incontinência urinária em idosos

Estudos realizados apontam a alta prevalência da condição na população idosa, podendo trazer diversos prejuízos emocionais e funcionais ao paciente.

Apesar do avanço da idade não ser a causa da incontinência, cerca de 30% dos idosos apresenta a disfunção urinária e aproximadamente metade dos que estão hospitalizados não conseguem controlar o xixi.

Devido à idade avançada, os tratamentos tendem a ser mais limitados, sobretudo se houver doenças associadas. O uso de medicamentos fica restrito, pois os efeitos colaterais podem não compensar.

Os procedimentos cirúrgicos podem comprometer severamente o quadro de saúde, sendo geralmente desaconselhado pelo risco de infecções ou recuperação lenta.

No entanto, as medidas paliativas e conservadoras podem apresentar boas respostas se houver um tratamento multidisciplinar, associando mudanças comportamentais e nutricionais ao medicamentos.

Perguntas frequentes

A incontinência acontece só em mulheres?

Apesar de ser bastante frequente em mulheres, a incontinência pode acometer ambos os sexos. A frequência maior em mulheres se explica pelo fato delas possuírem condições que favorecem a dificuldade em segurar o xixi, como a gestação e as mudanças hormonais.

Incontinência é a mesma coisa que bexiga baixa?

A incontinência urinária também pode ser chamada de bexiga baixa, pois quando há enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico (que seguram a bexiga) o órgão pode ficar mais baixo do que o normal.

No entanto, não se deve confundir a bexiga baixa com o prolapso uterino. Apesar de ambos causarem dificuldades em conter o xixi, o prolapso uterino ocorre quando o útero está muito perto ou até mesmo fora da vagina.

Segurar o xixi causa incontinência?

Segurar a urina às vezes não traz riscos à bexiga. Mas o hábito frequente pode ser bem ruim. Isso porque há maiores riscos de causar infecções urinárias ou resultar em incontinência por transbordamento (quando a bexiga já está completamente cheia).

O ideal é esvaziar a bexiga a cada 4 horas.

Quem tem incontinência deve evitar tomar líquidos?

Não. Apesar de parecer uma condição lógica (menos líquido = menos xixi), reduzir a ingestão de líquidos pode ser um agravante da incontinência, além de trazer riscos ao organismo.

O ideal é evitar bebidas que possam irritar a bexiga ou estimular a micção, como os refrigerantes e diuréticos. Durante o dia, é indicado fracionar a ingestão de líquido para que não haja desidratação.

Ao manter a ingestão regular de água, você evita consumir muito de uma vez só e resultar em uma dificuldade maior em conter o xixi.

Quem tem incontinência vai ter que fazer os exercícios para sempre?

Sim. Salvo os casos transitórios da incontinência (como infecções que, quando tratadas, tendem a eliminar os sintomas), é necessário que o paciente realize os exercícios continuadamente, ao menos 1 vez por semana ou de acordo com recomendações médicas.

O estresse piora a incontinência?

O estresse e a ansiedade, por exemplo, podem agravar os quadros de incontinência. Isso se deve à pressão emocional sofrida pelo paciente, que sente mais dificuldade em controlar os esfíncteres ou perceber as manifestações do corpo.

A incontinência sempre acontece na gravidez?

Não, nem toda gestante terá dificuldade em controlar o xixi, apesar de ser bastante comum, sobretudo na reta final da gravidez.

O homem com incontinência pode urinar durante o sexo?

Sim. Apesar da incontinência coital ser mais frequente nas mulheres, os homens também podem sofrer com a condição. Por isso, recomenda-se fazer xixi antes da relação sexual e sempre usar preservativo.

Criança tem incontinência urinária?

A maioria, senão todas, as crianças já fizeram xixi na cama ou tiveram dificuldade em controlar a bexiga durante a infância. Isso não necessariamente é uma incontinência causada por disfunções.

As causas mais recorrentes nas crianças são as emocionais, como ansiedade ou euforia. Como ainda não há muito autocontrole sobre as funções corporais, podem ocorrer vazamentos.

Mas se o episódio for frequente, é preciso prestar atenção, pois pode ser incontinência urinária. Nesse caso, é preciso consultar um pediatra.


Imagine que uma ação tão simples, como fazer xixi (coisa que você faz desde que nasceu) está sendo a causa de inúmeros problemas.

As causas são diversas e a incontinência pode ser rapidamente tratada. No entanto, ela sempre é uma situação agravada pela vergonha ou pelo medo do julgamento alheio.

O tratamento médico é essencial, mas a autocompreensão e o apoio das pessoas próximas é fundamental para que a incontinência não seja agravada pelos fatores emocionais e psicológicos.

Por isso, lembre-se que é preciso cuidar da saúde como um todo: dando atenção aos aspectos fisiológicos, mas também mentais.

Para conhecer mais dicas sobre saúde e bem-estar, fique de olho no Minuto Saudável!

Referências

MILSOM, I. (2000). The prevalence of urinary incontinence. Acta Obstetricia Et Gynecologica Scandinavica79(12), 1056-1059. doi: 10.1034/j.1600-0412.2000.0790121056.x

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