A hantavirose é um dos vários tipos de doenças transmitidas por algumas espécies de ratos. Comum nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, o número de casos registrados vem aumentando nos últimos anos.
Apesar de ser conhecida pela literatura médica há muito tempo, a doença e os meios de preveni-la ainda são pouco divulgados. Pensando nisso, o Minuto Saudável preparou um artigo completinho com informações essenciais de como identificar os sintomas característicos da doença e como preveni-la. Confira!
Índice – Neste artigo você vai encontrar:
- O que é e o que causa hantavirose?
- Quais são os sintomas de hantavirose?
- Como é feito o diagnóstico?
- Qual é o tratamento para hantavirose? Tem cura?
- Como prevenir a hantavirose?
O que é e o que causa hantavirose?
A hantavirose é uma doença classificada como infecção viral, pois é transmitida pelo vírus hantavírus. Comum em ratos silvestres, ou seja, que vivem próximos à matas, o microorganismo que desencadeia a doença pode ser contraído por aerossóis (partículas no ar) com partículas virais ou por contato da pele com urina, saliva, fezes e mordida do roedor.
A transmissão da condição de pessoa para pessoa pode ocorrer, segundo estudos mais recentes, quando há infecção pelo hantavírus dos Andes, tipo comum nas montanhas dos Andes, localizados na Argentina e Chile.
O vírus pode desencadear duas complicações, a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), tipo mais comum nas Américas (incluindo o Brasil), e a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), comum na Europa e na Ásia.
Considerada uma zoonose emergente, ou seja, que registra casos crescentes, os surtos de hantavirose são resultado do desmatamento desenfreado e do surgimento de novas mutações do hantavírus.
Quais são os sintomas de hantavirose?
O período de incubação da doença pode ser de até 60 dias, o que quer dizer que os sintomas podem se manifestar em até dois meses após contrair a doença. Os sintomas iniciais da condição são muito semelhantes a uma virose ou gripe. São eles:
- Febre;
- Calafrios;
- Sudorese;
- Vertigem;
- Dores nas articulações, cabeça, abdominais e lombar;
- Sintomas gastrointestinais, como náuseas, diarreia e vômitos.
Contudo, conforme a hantavirose avança, sintomas mais graves começam a aparecer e começam a debilitar o (a) paciente. No caso da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), onde os órgãos mais acometidos são o pulmão e o coração, os mais comuns após, aproximadamente, três dias da manifestação de sintomas são:
- Insuficiência respiratória (dificuldade para respirar e falta de ar);
- Batimentos cardíacos e respiração acelerada;
- Hipotensão (pressão baixa);
- Edema pulmonar (acúmulo de água nos pulmões);
- Tosse seca frequente.
Nessa fase, a intervenção hospitalar com internamento e ventilação é decisiva para preservar a saúde do (a) paciente.
Já na Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), o órgão mais comprometido são os rins e os sintomas mais recorrentes conforme a doença avança são:
- Uremia (aumento da uréia no sangue);
- Oligúria (diminuição da produção de urina);
- Manchas avermelhadas e arroxeados pelo corpo;
- Sangramentos na gengiva;
- Insuficiência Renal (comprometimento do funcionamento dos rins);
- Comprometimento do funcionamento dos órgãos.
Caso você possua algum dos sintomas descritos acima, procure imediatamente atendimento médico. É importante que, mesmo na manifestação dos sintomas mais leves, de fase inicial, um (a) profissional seja consultado (a) pois, como veremos mais à frente, isso pode ser decisivo para evitar sérias complicações e óbito.
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Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que é o tipo mais comum no Brasil, é um desafio, pois os sintomas manifestados na fase inicial e avançada são muitos parecidos, como vimos acima, com diversas viroses ou outras doenças pulmonares e cardíacas.
Portanto, alguns exames são essenciais para descartar ou confirmar a infecção por hantavírus. O raio-x do tórax, por exemplo, pode apresentar a situação atual do pulmão, coração e rins do (a) paciente, pois são os órgãos mais comprometidos pela doença, e descartar outras hipóteses.
Testes sorológicos, como o ELISA, hemograma completo e exame de urina também podem ser solicitados para sustentar o diagnóstico e, finalmente, começar com o tratamento e a intervenção hospitalar.
Qual é o tratamento para hantavirose? Tem cura?
Não há tratamento específico para a doença, apesar de ela ser conhecida há muito tempo. A recomendação de alguns medicamentos ou terapias pelo (a) médico (a) é feita após o diagnóstico preciso por meio de exames, de acordo com os sintomas apresentados e quadro atual do (a) paciente.
Em quadros de manifestação de sintomas graves, o uso de uma unidade de tratamento intensiva (UTI) e de ventilação serão necessários a fim de tentar estabilizar o (a) paciente.
A hantavirose, portanto, possui cura sim, mas desde que diagnosticada de forma precoce e correta. Em casos avançados, onde há o comprometimento do funcionamento dos órgãos e do sistema de defesa, por exemplo, as chances de cura diminuem e a doença pode provocar a morte.
A letalidade em casos diagnosticados com Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) pode chegar a 50%.
Como prevenir a hantavirose?
Existem diversas formas simples de prevenir a doença. Na lista a seguir você confere as principais:
Locais fechados
O sol pode neutralizar o vírus em algumas horas, portanto, antes de entrar em cabanas ou em casas fechadas próximas a matas e plantações, abra as janelas e portas, deixe o local arejar e ter contato com a luz do sol.
Limpeza de calçadas, sótãos, porões, galpões e de imóveis fechados há muito tempo
Não utilize vassoura ou espanador para limpar esses locais, pois o vírus também está presente em resquícios de urina e fezes que, às vezes, não conseguimos identificar e que se dissipam com a poeira. Portanto, para não levantar pó, opte por panos molhados com água, água sanitária e desinfetante.
Acampamentos e trilhas
Como vimos, a doença é comum em roedores que habitam locais com muita mata, portanto, o recomendado é que, ao fazer esse tipo de programa, você opte por roupas longas e evite montar barracas ou assentamentos dentro da mata. Prefira locais mais arejados, com clareira e opte por barracas com tecido impermeável.
Limpeza de jardins e terrenos
A limpeza de jardins e terrenos deve ser feita com roupas longas, luvas, máscara facial e óculos de proteção, isso porque, como vimos anteriormente, os roedores gostam desse tipo de ambiente.
Descarte corretamente o lixo
Os lixos devem ser descartados em lixeiras fechadas e com tampa, pois elas dificultam a entrada e o contato com os roedores. Ao manuseá-los, utilize luvas longas também.
Hábitos de higiene
O famoso bordão “lave as mãos com água e sabão e utilize álcool 70%” também é válido na prevenção da hantavirose. Esse tipo de hábito pode diminuir as chances de contrair a doença.
Armazenamento de grãos
Um dos alimentos favoritos dos roedores são grãos, portanto, é imprescindível que o (a) agricultor (a) zele pelo armazenamento seguro desses insumos.
Higienização adequada das mãos e de locais facilitadores da transmissão do vírus são, portanto, a principal forma de prevenir a infecção por hantavírus.
A hantavirose é uma doença que, no começo, apresenta sintomas que estamos acostumados a ver em alguns casos de gripe ou virose, portanto, é extremamente necessário já nessa fase procurar ajuda médica. Quanto mais cedo for diagnosticada, mais chances de cura o (a) paciente possui.
Para mais informações sobre doenças e tratamentos, acesse as categorias Saúde e Remédios do site. Até mais!
Fontes consultadas:
- Atualização do perfil epidemiológico da Hantavirose no Brasil — Revista Contexto e Saúde;
- Febre Hemorrágica com síndrome renal e pulmonar — Manual MSD;
- Aspectos clínicos e epidemiológicos da Hantavirose, uma doença emergente grave — Fiocruz;
- Hantavirose — Secretaria de Saúde do Estado do Paraná;
- Hantavirose — Dr. Drauzio Varella;
- Manual de Doenças: Hantavirose — Fleury.