Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Brasil é o 2º país que mais realizada cesáreas em todo o mundo. Esse tipo de operação representa 57% dos partos no país, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15%. 

Na rede pública (SUS), esse tipo de cirurgia representa 40% dos partos e, na rede particular, o índice chega a 84%. 

Os cinco estados brasileiros que mais fazem cesáreas são: 

  • Goiás (68%); 
  • Espírito Santo (67%); 
  • Rondônia (66%); 
  • Paraná (63%); 
  • Rio Grande do Sul (63%). 

O Ministério da Saúde reconhece que há casos em que o parto cesárea será a única chance de salvar a vida da mulher e da criança. Mas no geral o parto normal é o mais saudável e seguro para a mãe e o neném. 

O que é o parto cesárea? 

O parto cesárea é um procedimento que consiste em fazer um corte na barriga para retirar o neném. 

Hoje, a cirurgia pode ser feita se houver situações de emergência ou se gestante solicitar o procedimento. 

No entanto, a opção pode trazer riscos para a mãe e o bebê como infecções e hemorragias. 

Como é o parto cesárea? 

A cesariana, como toda cirurgia, tem uma etapa de preparação, de duração e de recuperação. Saiba mais sobre cada uma delas: 


Preparação 

É sempre importante lembrar que a cesárea é uma cirurgia e por isso precisa de pequenas preparações.

Por exemplo, para evitar enjoos e vômitos durante o processo, a gestante deve estar com 8 horas de jejum de alimentos sólidos e 4 horas de jejum de alimentos líquidos, incluindo água.  

Outra preparação é conversar com o médico sobre todas as dúvidas e o tipo de anestesia, por exemplo. 

Durante

Ao chegar no centro cirúrgico, a mulher recebe a anestesia que, em casos normais, é aplicada na lombar. A picada não é dolorida, mas pode gerar algum desconforto.  

O tempo de reação varia entre 2 e 10 minutos dependendo do tipo da anestesia. Já a duração do medicamento perdura por 3 horas, em média. 

Assim que o efeito anestésico começa, a gestante é posicionada e a equipe médica começa a preparar-se para o parto. 

É feito um corte de aproximadamente 10cm na região da pélvis (abaixo do umbigo e acima da virilha), que rompe 8 camadas de pele, gorduras e músculo. 

Assim, o(a) obstetra tem acesso ao neném, que é puxado para fora pelo mesmo corte. 

Uma vez do lado de fora, o cordão umbilical é cortado e o bebê é avaliado pelos médicos, que verificam a oxigenação e outras funções vitais. 

Enquanto isso, outro(a) integrante da equipe médica cuida da limpeza da barriga da mãe, retira a placenta e começa a fechar com pontos cada uma das camadas que foi cortada. 

Todo esse procedimento, se acontecer dentro do esperado, leva em torno de 1 hora. 

Quem nunca fez ou viu uma cesárea pode não saber que a mulher, embora esteja anestesiada, não estará dormindo durante a cirurgia. Muito pelo contrário, se ela desejar, a equipe médica pode posicioná-la para ver a retirada do neném. 

Pós-operatório

É normal que depois da cirurgia, a mulher tenha leves dores na barriga, sinta sono ou dificuldade para mexer-se ou andar. 

Inchaços, enjoos, tonturas ou sensação de fraqueza também são comuns e podem ser efeitos colaterais da anestesia. 

As dores e esses outros sintomas devem levar cerca de 5 a 7 dias para amenizar ou cessar. 

O recomendado é que a mulher fique entre 6 e 12 horas descansando após o parto. Também será necessário ficar pelo menos 48 horas internada antes de receber alta. Esse tempo pode ser maior se houve alguma complicação durante ou depois do parto. 

Ao receber alta, a gestante já é informada sobre os cuidados e quando deverá voltar para retirar os pontos. 

Cesariana dói? 

Se a anestesia for aplicada corretamente, a cesariana não dói. Durante o nascimento, a mulher pode sentir pressões e movimentos. 

Mas, como esse procedimento é considerado invasivo e que requer cicatrização, a mulher pode necessitar de remédios analgésicos durante o pós-operatório. 

Quanto tempo demora a cicatrização de uma cesárea? 

O tempo de cicatrização da cesariana pode ser variável dependo de alguns fatores como idade da mulher e se houve complicações no parto. Em geral, o pontos são retirados entre 8 e 15 dias após a cirurgia. Em casos mais graves, a cicatrização pode levar até 12 semanas.   

A mulher tende a voltar à rotina normal gradualmente. 

Entretanto, se houver dores intensas, pus ou sangramentos na região da cirurgia, ela deve reduzir as atividades evitando que os pontos estourem e que haja formação de hérnias.  

Alguns cuidados podem facilitar o processo de cicatrização e garantir mais qualidade de vida durante essa fase:  

Descanso 

O descanso é fundamental para a recuperação. Até tirar os pontos, o aconselhado que a mulher evite fazer esforços físicos como limpar a casa, dirigir ou subir e descer escadas com frequência.  

Assim, a ajuda de outras pessoas (como familiares ou cuidadores) é bem-vinda, principalmente nos primeiros dias. 

Higiene 

Com muito cuidado, durante o banho, deve-se limpar os pontos com água corrente e sabonete. Enquanto estiver com os pontos, evite esfregar ou usar cremes e pomadas na região do corte.  

Manter o lugar seco após a higienização pode ajudar a evitar proliferação de fungos e bactérias.

Alimentação 

Comer saudavelmente é importante em todas as fases da vida. Mas, no período pós-operatório do parto, a mulher deve ter alguns cuidados especiais com a dieta: 

  1. Primeiramente, é importante seguir as recomendações médicas; 
  2. A dieta deve conter alimentos que ajudam na cicatrização e estimulam a regeneração das células e dos tecidos (por exemplo, ovo, peixe cozido, frutas vermelhas e roxas, folhosas); 
  3. Evitar cafeína, açúcares e gorduras também é fundamental. Lembre-se que a mulher está na fase da amamentação e esses alimentos devem ser ingeridos moderadamente; 
  4. Se não tiver recomendações médicas, não faça dietas para emagrecer enquanto o neném estiver mamando. Isso pode diminuir a produção de leite materno. 

Roupa 

Alguns tipos de tecido (viscose, rayon, poliamida, por exemplo) quando colocados em contato direto com a pele podem gerar atrito. 

Isso pode causar desconfortos e até inflamações nos casos mais graves. 

Por isso, o mais recomendado é que se use roupas confortáveis (de algodão ou linho) e que não apertem ou machuquem os pontos. 

Relações sexuais 

O ideal é que a mulher tenha um período de resguarda do parto. Ou seja, deve-se esperar pelo menos 1 mês após o nascimento para se ter relações sexuais. 

Esse tempo necessário pode ser ainda maior se houve alguma complicação durante o nascimento ou se o parto foi normal, já que o canal vaginal ainda estará se recuperando das dilatações.  

Quais são os riscos de um parto cesárea?  

Em casos mais graves, a cesariana pode causar infecções, hemorragias, colagem da placenta no útero e dificuldades para engravidar novamente. Embora seja em situações raras, também existe o risco da anestesia não ser bem recebida pelo corpo da mãe e provocar falência de um ou mais órgãos ou sistemas. 

Esse tipo de parto também pode dificultar o vínculo entre a mãe, o bebê e a amamentação. Isso porque o corpo da mãe interpreta essa operação como anormal, ou seja, uma “retirada” do neném que ele mantinha até então. 

Há ainda a possibilidade que a mulher desenvolva complicações e doenças que antes não tinha, como a endometriose ou a infertilidade. 

Complicações para o neném 

Outra complicação que a cesárea pode provocar é que o bebê seja retirado antes do seu desenvolvimento completo. Calma, vamos explicar: 

A contagem de meses e semanas de gestação é apenas uma estimativa. Vale ressaltar também que, o neném é, em média, duas semanas mais novo do que se estima. Por exemplo, um bebê com 40 semanas, na verdade, possui 38 semanas de desenvolvimento. 

Isso acontece porque a gravidez começa a ser contada a partir da última menstruação. Mas a fecundação geralmente só acontece depois de 15 dias (durante o período fértil). 

Assim, se a estimativa estiver errada e for realizada a cirurgia, um bebê de 38 semanas (com 36 de desenvolvimento) pode acabar sendo retirado. 

Nesse caso, o pequeno, como ainda está com desenvolvimento de 36 semanas é considerado prematuro e pode ter complicações futuras (hipo ou hiperglicemia, distúrbios alimentares ou instabilidades de temperatura, por exemplo). 

Para evitar essa situação, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu que sejam feitas cesáreas voluntárias antes da 39ª semana de gestação (37ª de desenvolvimento fetal).  

Quando a cesárea é indicada? 

Como dito anteriormente, esse procedimento pode ser recomendado em algumas situações: 

  • Quando a gestação oferece risco de morte para a mãe ou para o neném;
  • Quando há sofrimento fetal, ou seja, quando o bebê não está recebendo a quantidade suficiente de oxigênio (diagnosticado por ultrassom); 
  • Se houver o rompimento da placenta; 
  • Se o neném estiver muito grande (com mais de 4,5 kg);
  • Se houver algo que impossibilite o nascimento pelo canal vaginal; 
  • Presença de doenças e infecções que possam passar para o neném (como AIDS);  
  • Se a mãe perder a consciência ou tiver outra complicação durante o trabalho de parto normal. 

A cesárea é um procedimento que pode salvar a vida da mamãe e do neném. Mas ela só deve ser feita em casos de emergência ou quando o parto normal não é possível. 

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