De acordo com informações do Hospital Sírio Libanês, a hormonioterapia (uso de medicações ou tratamentos que interferem na produção hormonal) é uma das formas que podem ser usadas no tratamento de câncer de mama

Seu uso, em geral, costuma ter efeitos mais efetivos em pacientes que já passaram pela menopausa, que é a última menstruação (seja ela natural ou induzida artificialmente). 

Em casos que o diagnóstico identifica que o câncer é estimulado pela ação dos hormônios, medicamentos como o Fulvestranto podem ser eficazes, desde que a paciente esteja enquadrada nos critérios para o uso. 

Quer saber mais sobre a medicação e seus efeitos? Vejo o texto abaixo.

O que é o Fulvestranto?

O Fulvestranto é o princípio ativo de alguns medicamentos de uso injetável, intramuscular, indicados para mulheres com câncer de mama na pós-menopausa em condições específicas. 

A substância faz parte da categoria hormonioterapia, podendo ser utilizada isolada ou em conjunto com outra medicação chamada palbociclibe. De acordo com a bula, sua ação é a de bloquear o crescimento do câncer de mama sensível ao estrogênio, que é o hormônio envolvido no desenvolvimento de muitos tumores de mama.

Do acordo com o Oncoguia, o medicamento age bloqueando os receptores de estrogênio, fazendo com que eles sejam temporariamente eliminados do corpo. 

O tratamento com Fulvestranto pode ser indicado em quadros metastáticos (que se espalharam pelo corpo) ou não (localmente avançados), em mulheres que já tenham sido submetidas a terapias anteriores. 


Apesar dos bons resultados, assim como outras hormonioterapias, ele pode deixar de ser eficaz, sendo necessário a reavaliação médica e, possivelmente, a troca do medicamento.

O que é hormonioterapia? 

Entre as opções disponíveis para tratar cânceres está a hormonioterapia. Essa categoria se refere ao conjunto de medicações que agem bloqueando ou interferindo na produção hormonal.

Os hormônios são moléculas que atuam na coordenação do desenvolvimento e funcionamento de diversos sistemas do organismo. Eles são produzidos por diversas glândulas e neurônios, desencadeando ações e feitos por todo o corpo.

O estrogênio é o hormônio produzido primariamente pelos ovários e que estão envolvidos no desenvolvimento de órgãos sexuais femininos e na regulação menstrual. Porém, alguns quadros de câncer de mama podem ser afetados pelo estrogênio.

Dessa forma, a hormonioterapia só é indicada quando o diagnóstico aponta que os hormônios próprios do organismo fazem parte do crescimento tumoral.

Por isso, uma das formas de controlar ou tratar a doença é inibindo ou eliminando a produção de hormônios. De forma geral, há dois mecanismos para isso, que são por meio da redução da concentração de hormônios ou pelo bloqueio da ação deles nas células, incentivando-as à proliferação.

Existem diversos medicamentos que podem ser empregados, sendo que a escolha depende de análises clínicas e histórico médico. 

Mesmo com bons resultados no início, o Oncoguia aponta que, em grande parte dos quadros, a hormonioterapia para de fazer efeito, ainda que isso possa levar muitos anos. Quando ocorre, normalmente, a opção é trocar a medicação, podendo chegar à indicação da quimioterapia.

Para que serve o medicamento?

De acordo com a bula, Fulvestranto é indicado para tratar mulheres de qualquer idade com alguns quadros específicos de câncer de mama. 

Pacientes diagnosticadas com câncer de mama localmente avançado ou metastático, que já tenham passado pela menopausa e tenham sido previamente tratadas com um antiestrógeno podem receber a medicação.

Ou seja, mulheres que já finalizaram a fase reprodutiva (tiveram sua última menstruação), podendo ser de forma natural ou induzida, e que já receberam tratamento anterior com inibidores ou bloqueadores de estrogênio. 

Além disso, a substância pode ser combinada com palbobiblibe quando a paciente tem diagnóstico de doença positiva para o receptor hormonal (RH) e negativo para o receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER-2) e que já tenham recebido tratamento endócrino.

Como usar Fulvestranto intramuscular conforme a bula?

Fulvestranto é um medicamento injetável, de aplicação intramuscular. Ele é comercializado em seringas de, normalmente, 5mL de solução injetável, contendo 250mg da substância ativa Fulvestranto.

A bula orienta que seu uso deve ser feito na região das nádegas, sempre administrado por pessoas da área de saúde, devidamente capacitadas, e em ambiente adequado. Isso porque a substância precisa seguir as diretrizes de aplicação de injeção de grande volume intramuscular. 

A bula também orienta que, caso haja impossibilidade da pessoa em tratamento receber a aplicação na data marcada, o uso pode ser flexibilizado em até 3 dias anteriores ou posteriores à data. 

Quanto à posologia, de forma geral, consta na bula que a dose recomendada é de 500mg de Fulvestranto com 1 aplicação mensal, sendo que 2 semanas após a primeira administração se deve fazer uma dose reforço, conforme indicação e supervisão médica.

Também é orientado que a quantidade total de substância deve ser aplicada em duas injeções, sendo cada uma em uma nádega. 

O intervalo entre as administrações, a dosagem e todos os demais cuidados e orientações devem ser esclarecidos com a equipe de saúde que assista às pacientes.

Caso a paciente vá fazer tratamento combinado com Fulvestranto e palbociclib, é necessário observar a bula deste medicamento, estando atenta às orientações médicas quanto às especificações terapêuticas.

Quais efeitos colaterais a substância Fulvestranto pode causar?

O uso de medicamentos pode causar efeitos colaterais, ainda que não necessariamente eles vão ocorrer. De todas as formas, quando ocorrem, é importante ressaltar que a frequência e a intensidade das manifestações podem ser variáveis em cada caso.

Na bula, é possível encontrar as reações adversas relatadas e notificadas com a administração do medicamento. Entre elas estão:

Reações muito comuns

As reações comuns são listadas a partir das manifestações adversas que ocorrem em 10% ou mais das pessoas acompanhadas que utilizam o medicamento. As seguintes reações são listadas:

  • Reações no local da injeção, podendo incluir reação ciática mais grave como neuralgia (dor em um ou mais nervos);
  • Dor neuropática periférica (dor que ocorre devido a doença ou lesão nos nervos) relacionada com o local de injeção;
  • Astenia (fraqueza);
  • Náuseas;
  • Elevação das enzimas hepáticas observada em exames de sangue (ALT, AST, ALP);
  • Reações hipersensibilidade (reações alérgicas);
  • Artralgia (dor nas articulações);
  • Dores musculoesqueléticas, podendo incluir dorsalgia (dor nas costas), mialgia (dor muscular) e dor nas extremidades;
  • Erupção cutânea (lesões na pele com vermelhidão);
  • Ondas de calor.

Reações comuns

Reações comuns são aquelas que foram relatadas entre 1% e 10% das pessoas que receberam o tratamento com o medicamento. A bula indica as seguintes reações:

  • Cefaleia (dor de cabeça);
  • Aumento da bilirrubina (pigmento produzido pelo fígado);
  • Contagem reduzida de plaquetas (células do sangue responsáveis pela coagulação);
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Anorexia (perda do apetite);
  • Infecções do trato urinário.

O medicamento tem contraindicações? 

Sim. Fulvestranto não é indicado para mulheres com hipersensibilidade conhecida à substância ativa ou a qualquer excipiente presente na formulação. Além disso, pacientes grávidas, que estão amamentando ou tenham compromisso hepático grave devem informar ao médico ou médica sobre essas condições antes de iniciar o tratamento. 

Conforme a bula, esses quadros representam condições especiais e merecem atenção quanto à avaliação terapêutica.

Fulvestranto engorda?

Não há nenhuma indicação ou menção na bula sobre o aumento de peso. Ainda que não diretamente, o que pode ocorrer é a redução do peso, pois entre os efeitos adversos relatados estão náuseas e perda de apetite. 

Nesses casos, é possível que o tratamento interfira na alimentação normal da paciente, provocando a redução do peso por fatores secundários.

No entanto, é possível que haja alteração alimentar ou dos hábitos de vida durante o tratamento (por exemplo, redução das atividades físicas ou ansiedade), o que pode levar ao aumento de peso.

Fulvestranto genérico e referência: qual escolher?

A marca referência da substância ativa Fulvestranto é a Falsodex, da Astrazeneca. Além dessa, há opções genéricas e similares intercambiáveis.

Vale destacar que a escolha ou a troca da medicação só deve ser feita com orientação médica, após avaliação dos riscos e benefícios, considerando também o quadro clínico de cada paciente. Por isso, somente a equipe médica pode determinar a melhor opção.

Conheça mais sobre algumas as opções disponíveis:

Doctor Reddy’s 

A empresa farmacêutica Doctor Reddy’s comercializa o Fulvestranto Doctor Reddy’s, que uma das opções genéricas do remédio. Ele foi registrado em abril de 2018, na categoria de antineoplásico.

A marca também comercializa o Eranful, registrado em agosto de 2018, na categoria de similar intercambiável.

Eurofarma 

A Eurofarma produz e comercializa a marca Seletiv, produto similar intercambiável do Faslodex (medicamento referência, da marca Astrazeneca). O produto foi registrado em maio de 2015.

Teva

Umas das opções de medicamento similar intercambiável ao Faslodex é o Suprenic, da empresa Teva, registrado na ANVISA em janeiro de 2018.

Libbs

A empresa Libbs comercializa uma das versões similares intercambiáveis do Faslodex, que é a Poemmy, remédio registrado na ANVISA em junho de 2018.

Sandoz

A sandoz comercializa uma das opções genéricas do Faslodex, que é Fulvestranto Sandoz. O medicamento foi registrado em agosto de 2018 na ANVISA.

Qual o preço do Fulvestranto?

A substância Fulvestranto pode ser encontrada ou consultada em farmácias físicas ou online especializadas de dispensa de medicamentos especiais. Em média, os preços são a partir de: 

*Preços consultados em janeiro de 2020. Os valores podem sofrer alteração.

O SUS fornece?

Não. A substância ativa Fulvestranto ainda não faz parte da listagem de medicamentos distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento do câncer.

Porém, havendo prescrição médica para o uso desse medicamento, e comprovação de que a paciente não pode arcar com os custos de tratamento, é possível que a Justiça seja acionada para tentar o custeio pelo Estado.

Nesses casos, recomenda-se que haja auxílio de advogados(as) ou núcleos de apoio jurídico para iniciar o processo judicial. Além disso, a própria equipe médica deve fornecer orientações quanto aos protocolos e encaminhamentos às pacientes.

De forma geral, a orientação é que seja feito um requerimento nas Secretaria de Saúde, no âmbito do estado ou município, solicitando o medicamento. Havendo a negativa por parte do órgão, é possível recorrer ao Poder Jurídico. 

É preciso informar-se se há critérios ou solicitações específicas para a abertura do requerimento de saúde, de acordo com o estado ou município em que corre o processo. Porém, de acordo com o Oncoguia, os documentos que são geralmente necessários incluem:

  • RG.
  • CPF.
  • Comprovante de residência.
  • Cartão do SUS.
  • Laudos de exames que comprovem a existência da doença.
  • Relatório Médico contendo a identificação da doença, com a especificação da CID (Classificação Internacional de Doenças);
  • Prova de que o paciente procurou obter os medicamentos pelas vias administrativas ou notícia veiculada na imprensa de que o medicamento está em falta.
  • Orçamento do tratamento prescrito. Isso ajuda o Poder Judiciário a determinar, em caso de descumprimento de eventual decisão, o sequestro de verbas necessárias.

Como fazer um orçamento do Fulvestranto?

O orçamento de 3 farmácias diferentes deve ser entregue junto com o restante da documentação. Esse processo pode ser realizado por meio da consultas às farmácias especiais ou, para facilitar a busca, por meio da Assessoria de Cotação em Medicamentos de Alto Custo, do grupo Consulta Remédios.

Para isso, basta acessar o link e preencher o cadastro. Em pouco tempo, será enviado um orçamento personalizado do Fulvestranto ou qualquer outro medicamento de alto custo.


O câncer de mama é uma condição que pode afetar mulheres de todas as idades. De acordo com dados do INCA, depois do câncer de pele não melanoma, o de mama é a doença mais comum entre as mulheres de todo o mundo. 

Os tratamentos têm, cada vez mais, evoluído e proporcionado melhores resultados no bem-estar e na qualidade de vida. Ainda assim, a doença traz grandes impactos à saúde da população. 

Tratamentos chamados de hormonioterapia são avanços possibilitados a partir de correto diagnóstico, que identifica marcadores específicos a alguns tipos da doença, como é o caso dos que são sensíveis aos hormônios. 

O medicamento Fulvestrato é um exemplo de opção às mulheres que se enquadram nesse grupo.

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