O que é Tricotilomania, causas, sintomas, tratamentos, tem cura?

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O que é a tricotilomania?

A tricotilomania (CID-10 F63.3) é um transtorno psicológico de comportamento obsessivo, em que os pacientes arrancam os fios de cabelo do próprio corpo.

Esses fios podem ser  de qualquer área do corpo tais como cílios, sobrancelhas, barba, axilas, abdômen e pelos pubianos. No entanto, é mais comum que os pacientes puxem os fios do couro cabeludo.

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A causa da doença ainda é incerta, mas, normalmente, está associada a quadros de ansiedade, depressão, TOC, traumas ou histórico familiar.

É mais comum em mulheres e se manifesta com maior frequência durante o início da adolescência. Os tratamentos frequentemente mais usados envolvem a terapia cognitivo-comportamental e o uso de medicamentos.

Em alguns casos, o dano provocado é tão grande que se torna necessário recorrer a tratamentos estéticos como implante ou prótese capilar.

Pode acontecer, ainda, que alguns pacientes nesta condição desenvolvam também como hábito a compulsão de engolir os fios, o que é chamado de tricotilofagia. É comum que estes pacientes tenham outros hábitos repetitivos, como roer unhas ou morder os lábios.

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Leia mais sobre a doença e conheça os principais sintomas e gatilhos dessa condição:

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é a tricotilomania?
  2. O que é a tricotilofagia?
  3. Causas
  4. Fatores de risco
  5. Sintomas
  6. Diagnóstico
  7. Tem cura?
  8. Tratamentos
  9. Medicamentos
  10. Prognóstico
  11. Complicações
  12. Como prevenir
  13. Convivendo

O que é a tricotilofagia?

A tricotilofagia também é um transtorno psiquiátrico compulsivo. Nessa doença, o paciente tem o hábito de comer seu próprio cabelo e/ou unhas. Quando se discute a tricotilomania, é necessário falar também desta condição.

Isso porque muitos pacientes que sofrem com a tricotilomania apresentam também a tricotilofagia, questão considerada como uma grave complicação.

Os problemas, físicos e psicológicos, que arrancar os próprios cabelos causam aos pacientes devem ser considerados graves. Quando falamos da tricotilofagia, isso se torna ainda mais preocupante.

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Os gatilhos da tricotilofagia se assemelham aos da tricotilomania. Situações de estresse, casos de depressão e ansiedade, traumas, problemas familiares, mudanças, descobertas da sexualidade ou qualquer fator psíquico semelhante podem ser a causa.

Da mesma forma, o paciente sente uma tensão ao engolir os fios, mas depois o sentimento de vergonha e retaliação o preenche.

A tricotilofagia é considerada uma condição grave, pois os fios engolidos podem formar bolos de cabelos (bezoares) no sistema digestivo. A longo prazo, essas pessoas podem ter que passar por cirurgia para retirada desses bezoares.

Além disso, causa diversos sintomas como vômitos, obstrução intestinal, aumento de peso e pode até mesmo levar à morte.

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Causas

Ainda não se sabe qual a causa exata da tricotilomania, essa doença que provoca uma necessidade incontrolável de arrancar os fios de cabelo do corpo. No entanto, acredita-se que possa ser o resultado de fatores genéticos e ambientais.

As possibilidades de causa estão relacionadas a distúrbios psicológicos responsáveis pelas funções emocionais, de movimento, controle de impulsos e formação dos hábitos.

Muitos pacientes nesta condição também apresentam quadros de ansiedade generalizada, depressão e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Fatores de risco

O que de fato provoca a tricotilomania ainda é uma questão aberta, mas, existem muitos fatores de risco que contribuem para essa patologia se desenvolver. É comum que os pacientes apresentem essa patologia nas seguintes condições:

Estresse

O nosso corpo, em determinadas situações, responde com sintomas físicos e psicológicos do estresse. Essa é uma resposta natural do corpo humano, mas em algumas pessoas, os efeitos podem ser mais graves ou leves.

Em pessoas com tricotilomania, esse é um dos fatores de risco, que pode contribuir para que o transtorno se desenvolva ou que se torne ainda mais grave.

Depressão

Ainda que os pacientes de tricotilomania tenham como maior relação de causa a associação aos transtornos de ansiedade, a depressão também se mostra um dos fatores de risco. A distimia, uma forma de depressão mais leve, também pode desencadear a doença.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O TOC é um transtorno psiquiátrico no qual os pacientes apresentam “manias” compulsivas. Essas obsessões se tornam muito prejudiciais e se mostram sempre negativas, atrapalhando muito a vida de quem sofre com a condição.

Além de comportamentos compulsivos, pessoas que sofrem de TOC também apresentam pensamentos obsessivos e, na tentativa de aliviar esses pensamentos, podem começar a desenvolver novos rituais, tais como trancar a porta várias vezes, lavar as mãos compulsivamente, mania de organização, limpeza, entre muitos outros.

A tricotilomania, apesar de não ser considerada um TOC, pode ser um risco maior para esses pacientes, pois os sintomas e sinais que antecedem a compulsão são semelhantes.

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Nesse transtorno, as pessoas sofrem de uma ansiedade excessiva e contínua. Para que estejam diante de crises, não é necessário estarem em situações específicas, pois o contexto não interfere nos sintomas. A pessoa está ansiosa o tempo todo e não tem poder sobre esse sensação.

É uma condição que interfere negativamente na vida de quem a sofre, impedindo, até mesmo, de conseguir realizar atividades simples do dia a dia.

A tricotilomania pode ocorrer, com maior frequência, para pessoas que sofrem com esse transtorno.

Histórico familiar

Não há estudos conclusivos sobre a sua causa, contudo, a tricotilomania se mostra um risco maior para pessoas que apresentam algum caso da doença em seu histórico familiar.

Ter entre 11 e 13 anos

A tricotilomania, de modo geral, começa a se manifestar ainda durante a infância e começo da adolescência, sendo mais comum entre as meninas.

Durante essa fase de mudanças, observa-se que é mais frequente que comecem a  puxar os fios de cabelo.

As meninas, especificamente, demonstram um descontentamento maior com o  possível surgimento de fios mais grossos, de cores diferentes, mais ondulados etc.

Sintomas

O principal sintoma da tricotilomania é a ação impulsiva de arrancar fios de cabelo do corpo. No entanto, existem outros sinais implícitos. Assim, os pacientes seguem determinado padrão de comportamento, demonstrando os seguintes sentimentos e ações:

  • Arrancar, repetidamente, fios de cabelo da cabeça, sobrancelhas, cílios e, em alguns casos, de outras partes do corpo. Dependendo do estágio da doença, o paciente pode começar arrancando os fios do cabelo e ir “avançando” para outras áreas do corpo;
  • Sensação de tensão antes de arrancar o fio ou enquanto tenta resistir ao ato;
  • Sensação de prazer ou alívio após puxar os fios;
  • Perdas perceptíveis como áreas do couro cabeludo à mostra ou com cabelo mais curto. Também é possível que as sobrancelhas e os cílios desses pacientes ganhem um aspecto mais falhado;
  • Padrões de fios de cabelo, como só arrancar fios mais crespos e fios brancos;
  • Os pacientes podem  apresentar como sinal sempre estarem mastigando ou colocando cabelo na boca;
  • Ficar brincando com o cabelo, passando mechas pelo rosto ou colocando-os na boca;
  • Os pacientes com essa patologia podem demonstram que estão a todo momento tentando evitar arrancar os cabelos, soltando desabafos de frustrações que não conseguem parar de mexer nos cabelos ou tentando dar tapas em suas próprias mãos;
  • Sensação de estresse ou nervosismo em situações em que terão seus cabelos a mostra, como em cabeleireiros;
  • Sensação de coceira ou formigamento no couro cabeludo, que só é aliviada ao arrancar os fios.

A tricotilomania também pode acontecer juntamente a outras manias, como a de morder os lábios ou roer as unhas, esses detalhes são importantes sinais a serem observados, sendo o paciente ou alguém próximo.

Muitos pacientes, por vergonha da condição, tentam esconder o problema. Por isso, podem preferir sempre estarem de boné, toucas, chapéus, cílios postiços, cachecóis e pintando as sobrancelhas.

Os sintomas dentro dessa patologia se assemelham aos de um vício como qualquer outro, onde o paciente sente tensão antes de arrancar os fios, prazer ou alívio ao realizar o ato e vergonha ou arrependimento por continuar com a mania.

Existem duas formas muito comuns dentro do comportamento dos pacientes com essa patologia, em que ato de puxar os cabelos é precedido de duas situações distintas.

Em uma delas, existe uma grande tensão, causando maior ansiedade e nervosismo. É mais frequente em situações de grande estresse.

A outra, ocorre em situações tranquilas e de contemplação, em que o paciente arranca os fios de forma inconsciente, quando não está fazendo nenhum atividade ou nem está preocupada com nenhum problema.

Assim, começa a puxar os cabelos distraidamente, enquanto realizam outras atividades como ler, assistir televisão, enquanto estão no celular e outras tarefas em que se tenham foco.

Em alguns casos, os pacientes adotam o hábito de engolir os fios, quadro identificado como tricotilofagia, uma variação dessa patologia.

A partir desse comportamento, alguns sintomas se manifestam. São eles:

  • Falta de apetite;
  • Náuseas e vômito;
  • Bloqueio gastrointestinal;
  • Hemorragia interna;
  • Dores abdominais;
  • Acúmulo de cabelos no estômago.

Diagnóstico

Os pacientes que acreditam sofrer com a tricotilomania podem recorrer a médicos clínicos gerais, dermatologistas e psiquiatras para conseguir um diagnóstico.

No entanto, não existem exames específicos para confirmar a tricotilomania. Diferente de outras doenças, não é possível diagnosticar com tomografias ou exames de sangue, por exemplo.

Sendo assim, o médico deve se basear na análise dos sintomas físicos e no relato do paciente. A partir disso, deverá avaliar a quantidade de perda de cabelo e investigar se não há outra doença física envolvida na perda de cabelo.

Alguns critérios são utilizados para confirmar o diagnóstico. Eles são descritos o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).

  • Arrancar repetidamente os cabelos (sendo eles da cabeça, sobrancelha ou cílios), provocando perda;
  • Inúmeras tentativas de reduzir ou frear o comportamento;
  • Quando o ato acaba provocando sofrimento clinicamente significativo ou causa danos no cotidiano social do paciente;
  • Quando a obsessão por arrancar os fios não tem relação explicada por sintomas de qualquer outro tipo de transtorno mental;
  • Quando a perda de cabelos ou o ato de arrancá-los não tem nenhuma relação com outra condição médica, como algum problema dermatológico, por exemplo;
  • Tentativa de esconder ou reparar as falhas provocadas pelo ato de arrancar o cabelo;
  • Arrancar os fios de cabelo quando em situações de estresse na escola, no trabalho, em outros círculos sociais e conflitos.

Casos em que não se é diagnosticado como tricotilomania

Em algumas situações, somente o ato de arrancar os cabelos são significa que o paciente tenha tricotilomania. Esse hábito, nesses casos, pode ser resposta a outros estímulos. Entenda algumas circunstâncias que podem ser confundidas com esta doença, mas que não recebem o diagnóstico:

Remoção e manuseio dos cabelos

Algumas pessoas possuem o hábito de enrolar ou manusear os cabelos, constantemente. Em alguns casos, arrancam alguns fios para que fique esteticamente melhor, de acordo com o que julgam mais bonito.

Por exemplo, pessoas que arrancam fios que estão frizz ou quando encontraram apenas um fio branco e preferem retirá-lo.

Há também pessoas que mordem os fios no lugar de arrancá-los e isto também não se caracteriza como um diagnóstico de tricotilomania.

A longo prazo, pode se tornar uma preocupação. É importante prestar atenção e perceber se esses hábitos estão prejudicando o seu dia a dia e tomar cuidado para que não se tornem um ato obsessivo.

Transtornos obsessivos-compulsivos (TOC) e transtornos relacionados

Apesar do TOC e de outros transtornos mentais estarem associados a fatores de risco, em alguns casos, a compulsão por arrancar os fios não está relacionada a tricotilomania, sendo uma característica do próprio transtorno mental.

Em pacientes com TOC, que apresentam extrema preocupação com simetria, arrancar os cabelos pode ser parte desse rito.

Dentro de casos de dismorfofobia ou transtorno dismórfico, no qual o paciente apresenta obsessão por sua aparência e pelos defeitos que acredita ter, arrancar os fios de cabelo pode ser um dos sintomas da doença.

Por acreditar serem feios, anormais ou assimétricos, pode acabar desenvolvendo esse hábito. Da mesma forma, não se encaixa dentro dos critérios da tricotilomania e não recebe esse diagnóstico.

Assim sendo, esse comportamento dentro de outro quadro de transtorno repetitivo exclui as chances de ser considerado um quadro de tricotilomania.

Quando ocorre com o uso de substâncias

Arrancar os próprios cabelos pode ser um comportamento estimulado, em determinados casos, por substâncias específicas como drogas estimulantes. Isso não significa que essas substâncias sejam a causa primária do ato de puxar os fios. No entanto, quando o arrancar de cabelos ocorre dentro dessa condição e não se enquadra nos critérios de diagnóstico, não é considerado um quadro de tricotilomania.

Tem cura?

A tricotilomania é um transtorno psicológico que apresenta sintomas semelhantes aos de um vício. O paciente, nessa condição, precisa buscar no tratamento formas de controlar esses impulsos obsessivos de arrancar os fios.

Em muitos casos, a doença é considerada crônica, pois o paciente terá que aprender a lidar com esses impulsos para sempre. Contudo, há casos bem sucedidos em que o paciente não apresenta “recaídas”.

Afirmar que existe uma cura é incerto, mas, sim, é possível tratar e conviver com a doença. Assim como é possível recuperar os danos provocados pela condição.

Tratamentos

O tratamento de tricotilomania não tem um tempo específico e pode variar para cada paciente.

Durante esse processo, o paciente terá que aprender a controlar os seus impulsos, lidar com os sentimentos negativos, encontrar formas de evitar a obsessão e, pouco a pouco, buscar a cura.

Para pessoas que tiveram grande perda capilar, também podem ter que passar por tratamentos físicos para recuperar a área danificada pela compulsão provocada pela doença. Entenda os principais tipos de tratamento:

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

Os pacientes com tricotilomania têm como principal forma de tratamento a abordagem psicológica, sendo a terapia cognitivo-comportamental a mais utilizada e com melhores resultados.

Nessa terapia, o paciente é estimulado a compreender os seus padrões de pensamento e de comportamentos. No caso da tricotilomania, o paciente precisa entender o momento  em que o ato de puxar os fios acontece, há quanto tempo convive com esse hábito, os sentimentos que antecedem e procedem etc.

Essa análise ajudará, durante a terapia, o paciente e psicoterapeuta a construírem diferentes formas de tratar essa compulsão, substituindo-a por hábitos mais saudáveis para o paciente.

Na TCC, diferente de outros tipos de terapia, o foco não é necessariamente no porquê o transtorno acontece, mas sim em como acontece. A intenção é mais objetiva, com o intuito de modificar esses comportamentos específicos.

Durante um tempo determinado, o paciente terá aprendizados de diferentes técnicas para conseguir controlar seus impulsos.

É necessário, nesse momento, que os pacientes tenham paciência, pois o quadro da doença, mesmo com um bom tratamento, pode demorar. O importante é persistir e conversar com o médico sobre como está se sentindo diante do tratamento.

Tratamento com o uso de medicamentos

Em paralelo com o tratamento psicológico, os pacientes com tricotilomania podem precisar também de um apoio de medicamentos para conseguirem um melhor prognóstico.

Pacientes que apresentam algum transtorno psicológico associado a tricotilomania, como a depressão e ansiedade, devem também procurar orientação médica para o tratamento dessas doenças.

Para isso, é possível que os médicos orientem os pacientes ao uso de antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos.

Contudo, apesar dos medicamentos serem benéficos em muitos casos, é fundamental que se tenha um acompanhamento adequado do uso, a fim de evitar os efeitos colaterais ou provocar uma dependência.

Grupos de apoio

Para alguns pacientes pode ser interessante ter como opção participar de grupos de apoio. Apesar de não ser o método mais eficaz para reverter o quadro de tricotilomania, pode ser benéfico juntamente a outros tratamentos, simultaneamente.

Em casos de pessoas que apresentam maior resistência ou vergonha de admitir que estão doentes, ouvir relatos de outras pessoas que passam pelo mesmo problema pode ser positivo para a evolução do tratamento.

Prótese capilar e implante capilar

A prótese capilar é um tratamento utilizado para quadros de tricotilomania com grandes perdas de cabelo. Em muitas pessoas, o prejuízo provocado pelo ato de puxar os fios é tão grande que os cabelos não crescem novamente.

Para ajudar a recuperar a autoestima e também como um incentivo para o paciente não desistir dos outros tratamentos, pode ser muito benéfico recorrer a este recurso. As próteses podem ser feitas tanto em homens como em mulheres.

O fato de apresentar diversos modelos de cabelo, facilita esse procedimento. Assim, o paciente consegue, de alguma forma, recuperar a imagem que tinha de si mesmo, antes da doença atingi-lo.

Os fios da prótese podem ser  colocados individualmente no couro cabeludo ou em pequenos grupos, sob uma tela ou película que simula a pele humana. A prótese pode ser usada temporariamente ou de forma semipermanente.

O tempo de uso de uma prótese pode durar entre 6 meses a 2 anos. O custo pode variar, de acordo com o tamanho, modelo e qualidade da prótese, mas tem um custo inferior ao implante capilar, um tratamento cirúrgico.

O preço do implante capilar é superior pois se trata de uma cirurgia plástica. Nesse procedimento, o paciente recebe um transplante de fios capilares do próprio corpo.

Por ser um procedimento definitivo, o implante capilar se mostra a melhor opção para quem teve como complicação uma calvície.

A cirurgia dura em média entre 6h a 8h, variando de acordo com a necessidade de implante do paciente. O preço, não tão vantajoso, pode variar de 7 mil a 42 mil.

Medicamentos

Os medicamentos mais utilizados para tratar esse transtorno são os antidepressivos como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). Estes não são medicamentos específicos para a tricotilomania, mas podem ajudar a reduzir os sintomas e contribuir com o tratamento psicoterapêutico.

Os ansiolíticos, utilizados para tratar diferentes tipos de transtorno de ansiedade, também podem ser utilizados, quando o paciente apresenta as duas condições.

Antipsicóticos podem ser usados em alguns casos, em combinação com os medicamentos ISRS ou sozinhos.

Para tratar os danos causados ao couro cabeludo ou outra partes do corpo, é possível que os médicos receitam medicamentos para ajudar na recuperação dos fios da área afetada.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Em adultos e adolescentes, a estimativa de prevalência da doença por mais de 1 ano é de 1% a 2%, sendo o sexo feminino mais afetado do que o sexo masculino.

Essa diferença entre o número de casos de tricotilomania entre os dois gêneros, no entanto, é considerado também um reflexo de uma cultura em que as mulheres buscam mais ajuda médica do que os homens.

Quando a tricotilomania acontece em crianças, ambos os sexos são afetados igualmente, o que reforça a hipótese de que os números mostram apenas quem mais procura ajuda médica, uma vez que são os responsáveis pelas crianças que os levam até um especialista.

A evolução da patologia é pouco conhecida e varia para cada paciente. Estudos realizados com tricotilomaníacos mostram que boa parte desses pacientes apresentam condição crônica da doença, tendo assim, que conviver e lutar com a doença todos os dias.

Um prognóstico positivo ou negativo, dessa forma, dependerá muito da idade em que a doença começou a se manifestar e do quadro de comorbidade associada.

O número de pesquisas existentes sobre tricotilomania ainda são relativamente limitados, mas demonstram uma maior consciência em relação aos sintomas e ocorrência, que se acreditavam pouco comuns.

Pesquisas internacionais mostram que as taxas de tricotilomania representavam cerca de 1%, o que agora somam entre 2% a 3% de pacientes com a doença. No Brasil, há registros de mais de 150 mil casos por ano.

Complicações

A tricotilomania é uma doença que afeta emocionalmente e fisicamente a vida dos pacientes. Arrancar os fios compulsivamente pode levar a diversos danos estéticos, além de problemas de saúde. Veja algumas complicações comuns à doença:

Autoestima prejudicada

É muito comum que pacientes com tricotilomania tenham como complicação baixa autoestima.

Além de sentirem vergonha da doença e esconderem das pessoas a condição, podem se sentir mal com os danos físicos que a doença provocou, tais como falhas na sobrancelha, na barba e no cabelo, evitando até mesmo se olharem no espelho por não aceitar aquele reflexo.

Prejuízo diante de interações sociais

Pessoas com tricotilomania que apresentam baixa autoestima podem evitar interações sociais, deixando de sair de casa. Assim, sua vida social e profissional pode ser prejudicada severamente.

É comum que estejam sempre evitando a exposição dos danos físicos provocados pela doença, usando bonés, toucas, pintando as sobrancelhas, fazendo uso de cílios postiços ou qualquer outra forma de mascarar os fios arrancados das áreas do corpo.

Perdem, por isso, o interesse em estar em ambientes de superexposição, como praias, piscinas ou qualquer atividade que as falhas podem ser expostas.

Calvície

Em casos extremos, os danos de arrancar os fios atingem o ponto de ser irreversível. Dessa forma, o paciente acaba apresentando como complicação a calvície, precisando recorrer a tratamentos estéticos para recuperar a área danificada.

Infecção e danos à pele

Arrancar os fios de cabelo nas diferentes áreas do corpo pode levar a possíveis infecções e provocar danos à pele.

Bezoares

Pacientes que sofrem com tricotilomania acompanhada da tricotilofagia, transtorno em que a pessoa engole fios de cabelo, podem ter como complicação a formação de bezoares.

Esses bezoares são o resultado de anos de acúmulo de cabelo no sistema gastrointestinal do paciente, que acabam formando emaranhados de cabelo no organismo do indivíduo.

Essas bolas de cabelo, a longo prazo, trazem diversos danos à saúde tais como perda de peso, vômito, dores abdominais, sangramento interno e obstrução intestinal.

Em alguns casos, é necessário intervenção cirúrgica para retirada dos bezoares. Quando não tratado, pode levar o paciente a morte.

Como prevenir

Não há uma forma exata de prevenção da tricotilomania, pois até mesmo a sua causa, de fato, é desconhecida. No entanto, alguns cuidados com a saúde podem ser praticados.

Controle o estresse do dia a dia

A tricotilomania está muito associada a quadros de estresse, sendo este um dos fatores de risco. Ainda que não seja diretamente a causa, ter um controle sobre esse problema é fundamental para uma vida com mais qualidade.

Cuide de sua saúde mental

Estamos acostumados com recomendações de saúde no que diz respeito a nossa condição física, com boas dicas de alimentação, qualidade de sono e exercícios físicos.

Certamente, manter essas recomendações é fundamental, mas não podemos deixar de lado a importância de nossa saúde mental.

Se você sofre de algum transtorno mental, como a depressão e ansiedade, procure ajuda psicológica e busque um tratamento adequado. Converse com as pessoas próximas e explique pelo que está passando.

Da mesma forma deve ser com pessoas que acreditam estar sofrendo de tricotilomania. Não há motivos para se envergonhar ou esconder o problema.

Observe possíveis sintomas

Se informar também é uma forma de prevenção, portanto estar atento aos sintomas também pode ser uma forma de evitar ou diagnosticar precocemente.

Muitas vezes, os pacientes começam a arrancar os fios de forma inconsciente ou automática. Em alguns casos, para quem está próximo pode ser mais fácil de identificar a “mania” do que a própria pessoa que a comete.

Nesses casos, é importante conversar com os pacientes e orientá-los a procurar ajuda, sem ridicularizar o problema, mas sim incentivando e ajudando a entenderem que esse ato pode ser uma doença.

Investigue se há históricos da doença na família

A tricotilomania pode ser uma doença mais recorrente em pessoas que apresentam casos da doença na família. Investigar se já ocorreu algum caso da doença anteriormente pode ser uma forma de preveni-la.

Convivendo

A tricotilomania é uma patologia difícil e o tratamento exige um esforço não só físico, mas principalmente emocional. Dessa forma, conviver com a condição torna-se um exercício diário. Veja algumas formas de lidar com essa doença e tornar o dia a dia mais confortável:

Identifique os gatilhos

Algumas pessoas que sofrem com esta doença apresentam um padrão entre os fios arrancados. Por não gostar deles, por exemplo, podem continuar mantendo essa compulsão em tirá-los a todo custo.

Entre os possíveis padrões estão a obsessão em arrancar fios brancos ou fios muito diferentes dos outros, como fios mais crespos ou pontas duplas.

É importante entender onde começa esse comportamento, para o diagnóstico, tratamento e também para conseguir conviver com a doença.

Crie diferentes formas de interceptar essas ações

Quando o paciente entende como acontece o seu processo, utilizando como estratégia seguir os três princípios de perceber, interromper e escolher um método, desenvolver um plano para driblar essa obsessão pode ajudar ainda mais no tratamento.

Sabendo dos sentimentos que antecedem a necessidade de puxar os cabelos, o paciente pode pensar em formas de interromper esses sentimentos, como manter uma repetição de pensamentos positivos.

Realizar outras atividades que ocupem sua cabeça  e suas mãos podem ajudar, como desenvolver o hábito de escrever em um diário, desenhar, pintar ou fazer algum tipo de artesanato.

Expresse seus sentimentos e busque novas distrações

Durante o tratamento, é importante buscar expressar suas emoções, para conseguir controlar a obsessão de arrancar os fios de cabelo.

Não é necessário criar grandes novos desafios, atividades simples podem ajudar como apenas tirar um momento pequeno para respirar fundo e esvaziar a mente.

Outras dicas são ter um caderno para desenhar ou ficar rabiscando, quando sentir que a vontade de arrancar os fios está vindo.

Hobbies comuns como ouvir músicas que combinem com os seus sentimentos, ler um livro interessante, ligar para amigos, fazer trabalhos voluntários, organizar seu quarto, limpar algo ou jogar videogame são algumas opções fáceis para conseguir aliviar suas emoções e conseguir manter-se distraído.

Se distancie dos gatilhos

Nem sempre será fácil eliminar ou se distanciar dos gatilhos, mas é importante, no mínimo, percebê-los e tentar de alguma forma diminuir o contato com esses fatores que te levam a compulsão.

Muitas vezes, situações de estresse são provocadas por ambientes de trabalho esgotantes, rotinas muito puxadas de estudo, relacionamentos conturbados e abusivos, traumas familiares, luto e muitos outros acontecimentos.

É compreensível que em muitas dessas situações seja difícil se distanciar dos gatilhos. Deixar um trabalho ou terminar um relacionamento, por exemplo, não é tarefa tão simples.

Nesses casos, é preciso que o paciente avalie se essas relações estão valendo a pena para sua saúde mental. Em situações em que não há essa possibilidade de se afastar dos momentos que provocam os gatilhos, o paciente precisa estar preparado.

Assim, é fundamental que busque ajuda psicológica, para conseguir lidar com esses momentos de estresse, para melhorar sua autoaceitação e para aprender com as situações que tornam mais difíceis esse transtorno.

Busque formas de melhorar sua autoestima e autoaceitação

Aprender a se amar e se aceitar é fundamental para os pacientes com tricotilomania. Por ser uma doença que transforma a aparência de pessoas que sofrem com a condição, pode deixá-las com a autoestima abalada.

É comum que essas pessoas tenham vergonha de conversar com outras pessoas sobre o problema, por acharem que é uma atitude que deve ser escondida e reprovada, não entendendo que é um transtorno.

Perguntas frequentes

A tricotilomania é um transtorno pouco comentando e que por isso levanta algumas dúvidas. Confira:

É possível recuperar os fios arrancados?

A recuperação depende de diversos fatores, como da área do corpo em que os fios foram arrancados e do quanto foram arrancados.

Em quadros mais avançados da doença, o dano ao couro cabelo (ou a outras áreas do corpo) pode ter sido tão agressivo que os fios não voltam a crescer.

Felizmente, há tratamentos estéticos e produtos que ajudam a estimular o crescimento dos fios.  Em casos em que a perda é irreversível, existe a possibilidade de utilizar prótese ou implante capilar.

Pessoas com tricotilomania podem também arrancar fios de cabelo de outras pessoas?

Sim, existem casos em que os pacientes de tricotilomania também sentem necessidade de arrancar fios de cabelo de pessoas próximas, como os de seus parceiros.

É importante que essas pessoas  orientem o paciente a procurar ajuda médica, buscando compreender que se trata de um transtorno. Responder de forma retaliatória ou incentivar o comportamento não são atitudes aconselhadas.


Nesse artigo, discutimos sobre o que é a tricotilomania e o impacto que essa doença tem na vida dos pacientes.

Se você sofre com esta patologia ou conhece alguém com o diagnóstico, fique à vontade para deixar seu relato em nosso espaço de comentários.

Obrigada pela leitura!

Referências

https://www.webmd.com/anxiety-panic/guide/trichotillomania
http://aempreendedora.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Manual-Diagn%C3%B3stico-e-Estat%C3%ADstico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5.pdf
https://www.webmd.com/anxiety-panic/guide/trichotillomania#1
https://www.mayoclinic.org/search/search-results?q=trichotillomania
Toledo, E., Taragano, R., & Cordás, T. (2010). Tricotilomania. Archives Of Clinical Psychiatry (São Paulo), 37(6), 261-269. http://dx.doi.org/10.1590/s0101-60832010000600003

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