Sintomas da Esquistossomose, profilaxia, transmissão, causa e mais

13

O que é?

A esquistossomose é uma infecção, também conhecida como “doença do caramujo”, “xistose”, “barriga d’água”, “febre de katayama”, “coceira de nadador” ou “bilharzíase”. É uma doença crônica, causada por platelmintos (vermes) parasitas  e multicelulares do gênero Schistosoma e classe Trematoda.

Existem 6 parasitas dessa classe, que variam como agente causador da infecção de acordo com cada região do mundo. No Brasil, o parasita é do tipo Schistossoma mansoni.

O ser humano é o principal reservatório deste parasita, sendo chamado de hospedeiro definitivo, habitando os vasos sanguíneos do intestino e fígado humano, podendo obstruir os canais e levar o paciente à morte.

Outros hospedeiros são as lesmas, caracóis e caramujos, chamado de intermediários. Quando a pessoa contaminada defeca ou urina em rios e lagos, os parasitas infectam o meio ambiente e se instalam nos animais.

Estes hospedeiros disseminam a larva em águas não tratada, lagos, por exemplo. E assim, contamina o ser humano, reiniciando o ciclo, infectando a pele e, consequentemente, inflamando-a.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença afeta quase 240 milhões de pessoas no mundo e mais de 700 milhões vivem em áreas endêmicas (regiões com riscos contínuos de contaminação).

A infecção é prevalente em áreas tropicais e subtropicais, bem como nas comunidades carentes que não tem saneamento básico. Estima-se que pelo menos 90% das pessoas com necessidade de tratamento para a esquistossomose vive na África.

Mesmo com a taxa de mortalidade baixa, esta doença ainda mata milhares de pessoas todos os anos. Tem ocorrência em várias partes do mundo de forma endêmica (sem controle) e, nestes locais, o número de pessoas infectadas se mantém mais ou menos constante.

PUBLICIDADE

Com o desenvolvimento da agricultura, a esquistossomose passou de doença rara a um problema muito sério.

E há indícios de que as ocorrências não sejam recentes, pois múmias egípcias apresentam as lesões inconfundíveis da esquistossomose, devido aos trabalhos de irrigação da agricultura.

As cheias do rio Nilo sempre foram a fonte da prosperidade do Egito, mas também traziam os caracóis portadores dos schistosomas. E como era hábito dos agricultores fazer as plantações e os trabalhos de irrigação com os pés descalços, a disseminação da doença era favorecida.

Os habitantes, cronicamente debilitados pela doença, eram facilmente domináveis por uma classe de guerreiros que, uma vez que não praticavam a agricultura irrigada, não contraiam a doença.

A doença foi descrita cientificamente pela primeira vez em 1851 pelo médico alemão Theodor Maximilian Bilharz, que lhe dá o nome alternativo de bilharzíase.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é?
  2. Causa e transmissão da Esquistossomose
  3. Quais os tipos de parasitas da Esquistossomose?
  4. Sintomas da Esquistossomose
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Tratamento
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações e Prognóstico
  9. Profilaxia da Esquistossomose

Causa e transmissão da Esquistossomose

Os ovos que são eliminados pela urina e fezes do infectado evoluem para larvas na água, se alojam em caramujos (hospedeiro intermediário) e se desenvolvem.

Os animais liberam a larva adulta na água (meio em que vivem e habitam), tornando possível que pessoas que entrem nesses rios ou lagos se contaminem. Os agentes penetram ativamente na pele e mucosas das pessoas que nadam ou ficam longos períodos em contato com a água que tenha esses caramujos contaminados.

Além disso, a contaminação pode ser através da ingestão de alimentos contaminados com as cercárias (larvas). Contudo, se elas atingirem o estômago são rapidamente destruídas pelo suco gástrico (altamente ácido).

Na maioria dos casos relacionados à ingestão, as larvas penetram nas mucosas antes de chegar ao estômago e, dessa forma, dão continuidade ao ciclo de infecção.

No sistema venoso humano, os parasitas se desenvolvem até atingir de 1cm a 2cm de comprimento, onde se reproduzem e eliminam ovos. O desenvolvimento do parasita no homem tem duração de, aproximadamente, 6 semanas (que também é o período de incubação).

Este período de incubação corresponde ao período desde a infecção, desenvolvimento das cercárias e instalação dos vermes já adultos no organismo humano.

Ainda, a liberação de ovos pelo homem, através das fezes e urina, pode permanecer, geralmente, por 5 a 10 anos, mas é possível se estender a 20 anos. Vale lembrar que não há contágio entre humanos, ou seja, os vermes não podem ser passados através do contato.

Ciclo de vida do esquistossomo

Os ovos são depositados na água, na qual liberam as larvas que vão invadir o tecido de algum caracol. Esses organismo liberam fragmentos celulares que irão se multiplicar em gerações sucessivas dos caracóis.

Deles, vão nascer as cercárias (esquistossomo) e, como nadarão livres na água, o ser humanos que tiver contato com esta água será contaminado, pois elas se disseminarão através do sangue, atingindo o fígado.

O esquistossomo adulto se emparelha e migra para o plexo venoso mesentérico do intestino (ovos são expulsos pelas fezes) ou então no plexo venoso da bexiga (ovos são expulsos pela urina).

Quais os tipos de parasitas da Esquistossomose?

Existem duas ocorrências principais de esquistossomose, a que ocorre no intestino e que ocorre nas partes urogenitais.

Há 6 espécies conhecidas de Schistosoma, as quais causam a esquistossomose ao homem, são elas:

  • S. hematobium.
  • S. intercalatum.
  • S. japonicum.
  • S. malayensis.
  • S. mekongi.
  • S. mansoni (apenas esta é encontrada no continente americano).

Sintomas da Esquistossomose

Vale lembrar que muitos pacientes podem ter esquistossomose do tipo assintomático, ou seja, não apresentar nenhum sintomas. Mas entre os mais comuns estão:

  • Fraqueza;
  • Náuseas e vômitos;
  • Alterações intestinais, como diarreia ou prisão de ventre;
  • Barriga d’água (estufamento do abdômen);
  • Alteração das fezes (mais escuras ou com sangue);
  • Perda de peso e falta de apetite.

Saiba mais sobre os sintomas de acordo com as fases da doença no organismo:

Fase de penetração

Em geral, a maioria dos pacientes infectados não manifesta sintomas, o que pode dificultar a percepção da doença. Quando ocorrem, os sinais do organismo indicam o desenvolvimento do parasita.

É comum surgir eritema (vermelhidão), reação de sensibilidade com urticária (dermatite cercariana) e prurido e pele avermelhada ou pápulas na pele no local penetrado, que duram alguns dias.

Quando um indivíduo é contaminado, pode ocorrer uma reação do tipo alérgica no momento, ela ocorre na pele (fase de penetração da cercária na pele), provocando coceira (urticária) e vermelhidão (eritema), que são desencadeadas pela penetração do parasita.

Esta reação ocorre aproximadamente 24 horas após o paciente ter sido contaminado e pode se estender por até 5 dias.

Fase aguda

O período também é chamado de febre Katayama e costuma se manifestar depois de 4 a 8 semanas da infecção, envolvendo sintomas como:

  • Astenia (fraqueza);
  • Artralgias (dores nas articulações);
  • Febre;
  • Calafrios;
  • Cefaleia;
  • Dispneia (falta de ar);
  • Dores abdominais;
  • Perda de apetite;
  • Dores na região abdominal;
  • Inapetência;
  • Hemoptise (tosse com sangue);
  • Náuseas;
  • Linfodonomegalia (gânglios linfáticos inchados);
  • Vômitos;
  • Tosse seca.

Quando o médico especialista examina o portador da parasitose nesta fase, ele poderá encontrar o fígado e baço aumentados (hepato-esplenomegalia), além de ínguas pelo corpo (linfonodos aumentados ou linfonodomegalias).

Fase crônica

Após aproximadamente 6 meses da infecção, o paciente apresenta o quadro crônico da doença, que pode se estender por anos.

Com o agente instalado no corpo, podem ocorrer disseminação e progressão da doença, atingindo outros órgãos. Entre os sintomas que se manifestam estão a hipertensão pulmonar, ascite e ruptura de vasos sanguíneos do esôfago.

Os sintomas podem ser bastante variáveis, de acordo com o quadro do paciente, envolvendo:

  • Fadiga;
  • Dor abdominal;
  • Cólica com diarreia intermitente;
  • Sintomas decorrentes da obstrução das veias do baço e do fígado;
  • Aumento do fígado (hepatomegalia);
  • Aumento do baço (esplenomegalia);
  • Desvio do fluxo de sangue causando desconforto;
  • Dor no quadrante superior esquerdo do abdômen;
  • Vômitos com sangue: por causa das varizes que se formam no esôfago.

Sabe-se que todas as formas graves da esquistossomose estão relacionadas à crônica embolização hepática pelos ovos do parasita.

Assim, em suma, os ovos localizados no intestino são deslocados pela corrente sanguínea em direção ao fígado, onde são destruídos, dando origem a granulomas eosinofílicos (granulomas periovulares).

Então, esses granulomas são, inicialmente, muito grandes e muito destrutivos para os tecidos em redor, resultando em oclusão definitiva do vaso sanguíneo que continha o ovo.

Como consequência, o fígado aumenta de volume e caracteriza-se a esquistossomose hepato-intestinal. Mais tarde, ocorre uma modulação da resposta imunitária, e os granulomas passam a ser menores e menos destrutivos.

O órgão pode então diminuir de volume, especialmente se a parasitose é tratada com medicação anti-helmíntica (como vermicidas ou vermífugos).

Em alguns casos mais graves, pode ocorrer um comprometimento severo do fígado, que vai perdendo suas funções até levar o paciente a óbito. O mecanismo envolvido é diverso, geralmente resultado de hemorragias digestiva e outras doenças, como hepatite viral ou alcoolismo.

Ainda é possível que a esquistossomose atinge outros órgãos, como os genitais, ainda que mais raramente. Nesses casos, podem ocorrer acometimento da pele,retina, testículos, coração e tireóide, levando a disfunções dessas regiões.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O médico especialista responsável pode ser tanto o clínico geral quanto o infectologista.

Esses especialistas começaram investigando se o paciente esteve em áreas onde há casos de doença (zona endêmica), pois é um fator bastante importante, além dos sintomas e sinais típicos da doença, os quais já foram listados anteriormente.

Além de levantar os sintomas e o histórico do paciente, o profissional pode solicitar exames para confirmar as suspeitas.

Os testes podem ser diretos, como:

  • Exames de fezes;
  • Exame de urina;
  • Biópsia retal ou do tecido da bexiga.

Em geral, é o exame de fezes o mais utilizado para o diagnóstico, sendo que o paciente deve colher uma amostra das fezes, conforme recomendação do laboratório. O conteúdo é enviado ao laboratório e verifica-se a presença dos ovos do verme.

Os exames de sangue ainda podem incluir testes de hemograma para analisar se as concentrações de células sanguíneas está afetada, o que pode indicar alterações imunes ou infecções.

Além disso, podem ser solicitados exames chamados indiretos, como:

  • Exames de ultrassonografia;
  • Testes imunológicos de reação intradérmica;
  • Testes sorológicos.

Que pretendem analisar as condições dos órgãos e, futuramente, acompanhar a evolução do tratamento.

Tratamento

O tratamento geralmente é feito com antiparasitários, que são substâncias químicas tóxicas ao parasita. Existem 3 grupos de substâncias que eliminam o parasita.

  • Praziquantel: seus principais efeitos colaterais são diarreia e dor abdominal. Atua modificando a capacidade do parasita de contrair sua musculatura, fazendo com que se solte e seja eliminado. No Brasil, é o medicamento preferencial no tratamento de todas as formas clínicas da esquistossomose.
  • Oxamniquina: atua sobre o Schistosoma mansoni com eficácia um pouco inferior à do praziquantel, mas não atua sobre outras espécies do verme.

Ambos são administrados como comprimidos e, na maior parte das vezes, durante um dia, que já é o suficiente para eliminar o parasita, eliminando também a disseminação dos ovos no meio ambiente.

Para os casos crônicos da doença as complicações requerem tratamento específico.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

A esquistossomose tem como principais grupos e fatores de risco:

  • Indivíduos que moram em áreas tropicais e subtropicais, especialmente em comunidades carentes sem acesso ao saneamento básico.
  • Comunidades pobres e rurais, em especial as populações agrícolas e de pesca.
  • Indivíduos que desempenham tarefas em águas infestadas.
  • Higiene inadequada e contato com a água infectada tornam as crianças especialmente vulneráveis à infecção.
  • Habitantes de áreas endêmicas.

Complicações e Prognóstico

Os sintomas crônicos ocorrem por causa da produção de ovos imunogênicos, que são destrutivos por si mesmos, com espinhos e enzimas próprios. E é a inflamação com que o sistema imunitário lhes reage que causa os maiores danos.

As formas adultas não são atacadas porque usam moléculas do próprio hóspede para se camuflar. Assim, os sintomas nesta fase podem ser:

  • Hepatopatias/enteropatias com hepatomegalia;
  • Ascite (ou barriga d’água);
  • Diarreia, no caso da esquistossomose mansônica, que é a única que existe no Brasil.

As complicações mais graves são as com hepatomegalia e hipertensão portal, que podem levar o paciente à morte. Ainda, a esquistossomose comum nos países africanos pode levar a patologias urinárias como:

  • Disúria/hematúria (dificuldades, alterações e ardência ao urinar);
  • Nefropatias (doenças dos rins);
  • Câncer da bexiga.

A doença também pode atingir o cérebro, provocando alterações graves no sistema nervoso central.

Outros casos graves podem atingir:

  • Pele (esquistossomose ectópica);
  • Pulmão;
  • Tuba uterina e outras vísceras.

Já nas crianças, a doença pode causar:

A esquistossomose do tipo crônico pode afetar a capacidade das pessoas de realizar as atividades diárias e, em alguns casos, pode levar o paciente à morte.

Leia mais: Remédios para infecção urinária, sintomas e tratamentos

Profilaxia da Esquistossomose

A esquistossomose é uma doença de acometimento mundial e endêmica, que tem ocorrência em vários locais, como: Península Arábica, África, América do Sul e Caribe.

Assim, os órgãos de saúde pública (OMS – Organização Mundial de Saúde – e Ministério da Saúde) possuem programas próprios para controlá-la.

Como prevenção, há estratégias de controle da doença, que se baseiam em:

  • Identificar e tratar os portadores;
  • Saneamento básico (esgoto e tratamento das águas), bem como o combate do molusco hospedeiro intermediário;
  • Promover informações de educação em saúde;
  • Controle dos caramujos: os quais são os hospedeiros intermediários da doença.

Para nos prevenirmos, as medidas a serem tomadas são:

  • Evacuar em banheiro com rede de esgoto;
  • Não evacuar próximo a rios, lagos ou represas;
  • Proteger pés e pernas com botas de borracha com solado antiderrapante;
  • Evitar entrar em contato com água que contenha cercárias.

Agora que você já conhece quais são as medidas de prevenção contra a Esquistossomose, compartilhe este artigo para informar mais pessoas!

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (19 votos, média: 4,63 de 5)
Loading...

13 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Muito esclarecedor o texto dessa doença devastadora que requer muita atenção
    Acredito que alguns médicos deveriam investigar melhor quando temos vários desses sintomas, pois sofro com muitos deles e nunca foi pedido nenhum exame

    • Infelizmente os medicos no Brasil são orientados a não fazer pedidos de exames que comprovem as doenças nos brasileiros, acredito que são muito competentes, mas isso iria trazer um caos para os cofres dos orgãos de saúde pública do Brasil. Ainda tem o lado da contenção de crescimento populacional. Os venenos liberados pelo governo para trazer a contenção populacional no Brasil e no mundo, são inumeros e não precisa nem ser citados aqui, a maioria das pessoas já sabem disso!

  2. Dizer que a doença é crônica não é bem verdade pois eu tive quando criança e estou com 64 anos perfeitamente curado graças a Deus.

    • Olá Agnus!

      Se a medida de tratamento não está sendo eficaz, é importante que você converse com seu médico. Lembre que alguns medicamentos não possuem efeito imediato, por isso é importante esclarecer suas dúvidas com o profissional que está acompanhando seu caso.

  3. Que saco fazer exame de fezes. Vc manda um monte de bosta num copinho e depois dizem que foi insuficiente. Quanta bosta eles precisam se vão olhar numa lâmina de 1 cm²?

    • Oi Enfezado, compreendemos sua indignação. Porém, o volume de fezes pode variar de acordo com o exame e, além disso, as vezes o problema pode não estar relacionada ao volume de fezes.

Deixe o seu comentário, nos preocupamos com sua opinião:

Por gentileza, escreva seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui

Lamentamos a não possibilidade de dar-lhe conselho médico ou responder a questões médicas e farmacêuticas individuais através de e-mail, pois apenas um médico pode prestar tal atendimento. Embora tentemos responder a todos os comentários, opiniões e e-mails que recebemos em até dois dias úteis, nem sempre é possível devido ao grande volume que recebemos. Por favor, tenha em mente que qualquer solicitação ao Minuto Saudável está sujeita aos nossos Termos de Uso e Política de Privacidade, ao enviar, você indica sua aceitação.