O que é?

A esquistossomose é uma infecção, também conhecida como “doença do caramujo”, “xistose”, “barriga d’água”, “febre de katayama”, “coceira de nadador” ou “bilharzíase”. É uma doença crônica, causada por platelmintos parasitas e multicelulares do gênero Schistosoma e classe Trematoda.

Existem 6 parasitas desta classe, que variam como agente causador da infecção de acordo com cada região do mundo. No Brasil, o parasita causador é o Schistossoma mansoni.

O ser humano é o principal hospedeiro e reservatório deste parasita, por meio das fezes e urina que são descartados/disseminados na natureza. O parasita desenvolve-se no ser humano, se alojando nas veias do intestino e do fígado, o que causa uma obstrução delas. Esta característica é que pode tornar o caso do paciente crônico e levá-lo à morte.

Outros hospedeiros intermediários são as lesmas, caracóis e caramujos, quando neles os ovos passam para a forma de larva (cercária). Estes hospedeiros disseminam a larva em águas não tratadas: lagos, por exemplo. E assim, contamina o ser humano, infectando a pele e, consequentemente, inflamando-a.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença afeta quase 240 milhões de pessoas no mundo e mais de 700 milhões vivem em áreas endêmicas. A infecção é prevalente em áreas tropicais e subtropicais, bem como nas comunidades carentes que não tem saneamento básico. Estima-se que pelo menos 90% das pessoas com necessidade de tratamento para a esquistossomose vive na África.

Mesmo com a taxa de mortalidade baixa, esta doença ainda mata milhares de pessoas todos os anos. Tem ocorrência em várias partes do mundo de forma endêmica (sem controle). Nestes locais o número de pessoas infectadas se mantém mais ou menos constante.

Com o desenvolvimento da agricultura, a esquistossomose passou de doença rara a ser considerada um problema muito sério. Muitas múmias egípcias apresentam as lesões inconfundíveis da esquistossomose por S. haematobium, a infecção pelos parasitas acontecia nos trabalhos de irrigação da agricultura.

As cheias do rio Nilo sempre foram a fonte da prosperidade do Egito, mas também traziam os caracóis portadores dos schistosomas. E como era hábito dos agricultores fazer as plantações e os trabalhos de irrigação com os pés descalços metidos na água parada, isso favorecia a disseminação da doença crónica.

Os habitantes, cronicamente debilitados pela doença, eram facilmente domináveis por uma classe de guerreiros que, uma vez que não praticavam a agricultura irrigada, não contraiam a doença.

A doença foi descrita cientificamente pela primeira vez em 1851 pelo médico alemão Theodor Maximilian Bilharz, que lhe dá o nome alternativo de bilharzíase.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é?
  2. Causa e transmissão da Esquistossomose
  3. Quais os tipos de parasitas da Esquistossomose?
  4. Sintomas da Esquistossomose
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Tratamento
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações e Prognóstico
  9. Profilaxia da Esquistossomose

Causa e transmissão da Esquistossomose

Os ovos que são eliminados pela urina e fezes do infectado evoluem para larvas na água, que se alojam e se desenvolvem em caramujos (hospedeiro intermediário). Estes liberam a larva adulta que, ao ficarem na água, contaminam o homem. Suas metacercárias penetram ativamente na pele e mucosas das pessoas que nadam ou ficam longos períodos dentro de rios e lagos que tenham esses caramujos contaminados.

Também, podem ser deglutidos em alimentos contaminados com as cercárias. Contudo, se elas atingirem o estômago são rapidamente destruídas pelo suco gástrico (altamente ácido).

Na maioria dos casos relacionados à ingestão das cercárias, as larvas penetram nas mucosas antes de chegar ao estômago e, dessa forma, dão continuidade ao ciclo.

No sistema venoso humano, os parasitas se desenvolvem até atingir de 1 cm a 2 cm de comprimento, onde se reproduzem e eliminam ovos. O desenvolvimento do parasita no homem tem duração de, aproximadamente, 6 semanas (que também é o período de incubação).

Este período de incubação é quando o parasita atinge a forma adulta e reprodutora, já no seu habitat final (no sistema venoso). Ainda, a liberação de ovos pelo homem pode permanecer por muitos anos.

Ciclo de vida do esquitossomo

Os ovos são depositados na água, na qual liberam os miracídios que invadirão o tecido de algum caracol. Esses miracídios liberam esporocistos que irão se multiplicar em gerações sucessivas dos caracóis.

Deles, vão nascer as cercárias (esquitossomo) e, como nadarão livres na água, o ser humanos que tiver contato com esta água será contaminado, pois elas se disseminarão através do sangue, atingindo o fígado.

O esquitossomo adulto se emparelha e migra para o plexo venoso mesentérico do intestino (ovos são expulsos pelas fezes) ou então no plexo venoso da bexiga (ovos são expulsos pela urina).

Quais os tipos de parasitas da Esquistossomose?

Existem duas ocorrências principais de esquistossomose, a que ocorre no intestino e que ocorre nas partes urogenitais.

Há 6 espécies conhecidas de Schistosoma, as quais causam a esquistossomose ao homem, são elas:

  • S. hematobium.
  • S. intercalatum.
  • S. japonicum.
  • S. malayensis.
  • S. mekongi.
  • S. mansoni (apenas esta é encontrada no continente americano).

Sintomas da Esquistossomose

Os sintomas podem ser divididos por fases, vejamos:

Fase de penetração

A fase de penetração é o nome dado a sintomas que podem ocorrer quando da penetração da cercária na pele, mas frequentemente é assintomática, exceto em indivíduos já infectados antes. Nestes casos é comum surgir eritema (vermelhidão), reação de sensibilidade com urticária (dermatite cercariana) e prurido e pele avermelhada ou pápulas na pele no local penetrado, que duram alguns dias.

Quando um indivíduo é contaminado, pode ocorrer uma reação do tipo alérgica no momento, ela ocorre na pele (fase de penetração da cercária na pele), provocando coceira (urticária) e vermelhidão (eritema), que são desencadeadas pela penetração do parasita.

Esta reação ocorre aproximadamente 24 horas após o paciente ter sido contaminado e, frequentemente, é assintomática.

Fase aguda

Depois de 4 a 8 semanas (fase aguda) surgem os seguintes sintomas:

  • Astenia (fraqueza).
  • Artralgias (dores nas articulações).
  • Quadro de febre.
  • Calafrios.
  • Cefaleia.
  • Dispneia (falta de ar).
  • Dores abdominais.
  • Inapetência.
  • Hemoptise (tosse com sangue).
  • Náuseas.
  • Linfodonomegalia (gânglios linfáticos inchados).
  • Vômitos.
  • Tosse seca.

Quando o médico especialista examina o portador da parasitose nesta fase, ele poderá encontrar o fígado e baço aumentados, além de ínguas pelo corpo (linfonodos aumentados ou linfoadenomegalias) do paciente.

Esses sintomas desaparecem em poucas semanas. Mas a quantidade de vermes que o paciente apresenta poderá ser um problema, tornando-a portadora do parasita sem apresentar nenhum sintoma.

Fase crônica

Também, ao longo dos meses, a pessoa poderá apresentar sintomas quando na forma crônica da doença, sendo:

  • Fadiga.
  • Dor abdominal.
  • Cólica com diarreia intermitente.
  • Disenteria.
  • Sintomas decorrentes da obstrução das veias do baço e do fígado.
  • Aumento do fígado (hepatomegalia).
  • Aumento do baço (esplenomegalia).
  • Desvio do fluxo de sangue causando desconforto.
  • Dor no quadrante superior esquerdo do abdômen.
  • Vômitos com sangue: por causa das varizes que se formam no esôfago.

Febre de Katayama

Na fase inicial ou aguda, geralmente aparece após três a nove semanas após a penetração das cercárias quando há disseminação das larvas pelo sangue, e principalmente o início da postura de ovos o paciente apresenta a síndrome de Katayama.

Entre os sintomas da febre Katayama estão:

  • Febre.
  • Calafrios.
  • Dor muscular.
  • Dor nas articulações.
  • Tosse seca.
  • Diarreia.
  • Perda do apetite.
  • Dor de cabeça.

Durante o exame físico podem ser encontrados aumento de linfonodos (gânglios) e hepatoesplenomegalia (inchaço do fígado e do baço). Geralmente, os sintomas vão desaparecer de forma espontânea, durante um período de algumas semanas.

Em casos raros, se houver uma invasão maciça de parasitas e a reação imunológica for muito intensa, o paciente pode morrer.

Existem ainda três tipos de vermes que causa algum tipo de esquistossomose:

  • Schistosoma haematobium: que causa a esquistossomose vesical, existente na África, Austrália, Ásia e Sul da Europa.
  • Schistosoma japonicum (provoca a doença de katayama) encontrado na China, Japão, Filipinas e Formosa.
  • Schistosoma Mansoni, responsável pela causa da esquistossomose intestinal, encontrado na América Central, Índia, Antilhas e Brasil.

Esquistossomose intestinal ou habitual

Seus sintomas podem ser totalmente inexistentes, ou resumir-se a períodos de diarréia alternados com constipação. Nas áreas endêmicas, esta forma de esquistossomose corresponde a 96% dos indivíduos infectados. Tem caráter benigno não evolutivo.

Esquistossomose hepatosplênica

Sabe-se que todas as formas graves da esquistossomose estão relacionadas à crônica embolização hepática pelos ovos do parasita.

Assim, em suma, os ovos colocados pela fêmea do parasita nas vênulas do intestino são deslocados pela corrente circulatória em direção ao fígado, onde são destruídos, dando origem a granulomas eosinofílicos (granulomas periovulares).

Então, estes granulomas são, inicialmente, muito grandes e muito destrutivos para os tecidos em redor, e resultam na oclusão definitiva do vaso sanguíneo que continha o ovo.

Então, o fígado aumenta de volume e temos a esquistossomose hépato-intestinal. Mais tarde, ocorre uma modulação da resposta imunitária, e os granulomas passam a ser menores e menos destrutivos.

O órgão pode então diminuir de volume, especialmente se a parasitose é tratada com medicação anti-helmíntica. Nos indivíduos com grandes cargas parasitárias, e na ausência de tratamento, ocorre a progressiva obliteração da circulação portal intra-hepática, que tem como consequência a hipertensão portal.

E é nos estágios iniciais que a hipertensão portal pode regredir com o tratamento anti-helmíntico. Fazendo com que o fígado permaneça aumentado de tamanho, mesmo após a cura da verminose.

Temos então essa hipertensão portal determina o aparecimento de varizes de esôfago. Como a hipertensão interessa também o baço (pois a veia esplênica, que lhe drena o sangue, desemboca na veia porta), há esplenomegalia, inicialmente por congestão, depois por hipertrofia e fibrose, podendo, então, atingir grandes dimensões. Ou seja, neste ponto temos a esquistossomose hepatosplênica.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O médico especialista responsável pode ser tanto o clínico geral quanto o infectologista, eles trabalharão em conjunto cuidando e diagnosticando o paciente. Esses especialistas começaram investigando se o paciente esteve em área onde há muitos casos de doença (zona endêmica), pois é um fator bastante importante, além dos sintomas e sinais típicos da doença, os quais já foram listados anteriormente.

Outras formas de análise para o diagnóstico poderão ser solicitadas pelo médico, como:

  • Exame parasitológico de fezes e urina, em infecções recentes o exame apresenta baixa sensibilidade. Para aumentar a sensibilidade podem ser usados: Coproscopia qualitativa, como Hoffman ou quantitativo, como Kato-Katz: a eficácia com 3 amostras chega apenas a 75%.
  • Pequenas amostras de tecidos de alguns órgãos (biópsias da mucosa do final do intestino) são definitivas.
  • Exames mais recentes que detectam, no sangue, a presença de anticorpos contra o parasita que são úteis naqueles casos de infecção leve ou sem sintomas.
  • Contagem de eosinófilos para medir o número de determinadas células brancas.
  • Análises sanguíneas: Eosinofilia: aumento dos eosinófilos, células do sistema imunitário antiparasitas.
  • Hemograma, demonstra: Leucopenia, Anemia, Plaquetopenia.

No hemograma podem ocorrer alterações das provas de função hepática, com aumento de TGO, TGP e fosfatase alcalina. Embora crie a hipertensão portal, classicamente a esquistossomose preserva a função hepática.

  • Critérios de Child-Pught: úteis no cirrótico, mas nem sempre funcionam no esquistossomótico que não tem associado hepatite viral ou alcoólica.
  • Ultrassonografia.
  • Biópsia retal: técnica utilizável, tendo sensibilidade de 80%.

Tratamento

O tratamento geralmente é feito com antiparasitários, que são substâncias químicas tóxicas ao parasita. Existem 3 grupos de substâncias que eliminam o parasita.

Consiste no tratamento medicamentoso para pacientes que apresentem ovos viáveis do parasita nos testes:

  • Praziquantel: seus principais efeitos colaterais são diarreia e dor abdominal. Atua alterando a capacidade do parasita de contrair sua musculatura, fazendo com que se solte e seja eliminado. No Brasil, é o medicamento preferencial no tratamento de todas as formas clínicas da esquistossomose.
  • Oxamniquina: atua sobre o Schistosoma mansoni com eficácia um pouco inferior à do praziquantel, mas não atua sobre outras espécies do verme.

Ambos são administrados como comprimidos e, na maior parte das vezes, durante um dia, que já é o suficiente para eliminar o parasita, eliminando também a disseminação dos ovos no meio ambiente.

Para os casos crônicos da doença as complicações requerem tratamento específico.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

A esquistossomose tem como principais grupos e fatores de risco:

  • Indivíduos que moram em áreas tropicais e subtropicais, especialmente em comunidades carentes sem acesso ao saneamento básico.
  • Comunidades pobres e rurais, em especial as populações agrícolas e de pesca.
  • Indivíduos que desempenham tarefas em águas infestadas.
  • Higiene inadequada e contato com a água infectada tornam as crianças especialmente vulneráveis à infecção.
  • Habitantes de áreas endêmicas.

Complicações e Prognóstico

Os sintomas crônicos ocorrem por causa da produção de ovos imunogênicos, que são destrutivos por si mesmos, com espinhos e enzimas próprios. E é a inflamação com que o sistema imunitário lhes reage que causa os maiores danos.

As formas adultas não são atacadas porque usam moléculas do próprio hóspede para se camuflar. Assim, os sintomas nesta fase podem ser:

  • Hepatopatias/enteropatias com hepatomegalia.
  • Ascite.
  • Diarreia, no caso da esquistossomose mansônica, que é a única que existe no Brasil.

As complicações mais graves são as com hepatomegalia e hipertensão portal, que podem levar o paciente à morte por esquistossomose no Brasil. Ainda, a esquistossomose hematóbia, comum nos países africanos pode levar a patologias urinárias como:

  • Disúria/hematúria.
  • Nefropatias.
  • Câncer da bexiga.

Também as formas ectópicas neurológicas da doença são bastante graves, podendo ser medular, também chamada de mielopatia esquistossomótica ou esquistossomose medular ou cerebral, elas atingem o cérebro.

Outros casos graves podem atingir:

  • Pele: esquistossomose ectópica.
  • Pulmão.
  • Tuba uterina e outras vísceras.

Já nas crianças, a doença pode causar:

  • Anemia.
  • Raquitismo.
  • Redução da capacidade de aprender.

A esquistossomose do tipo crônico pode afetar a capacidade das pessoas de realizar as atividades diárias e, em alguns casos, pode levar o paciente à morte.

Na África Subsaariana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 200 mil mortes por ano ocorram por causa da doença.

Profilaxia da Esquistossomose

A esquistossomose é uma doença de acometimento mundial e endêmica, que tem ocorrência em vários locais, como: Península Arábica, África, América do Sul e Caribe. Assim, os órgãos de saúde pública (OMS – Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde) possuem programas próprios para controlá-la.

Como prevenção, há estratégias de controle da doença, que se baseiam em:

  • Identificar e tratar os portadores.
  • Saneamento básico (esgoto e tratamento das águas), bem como o combate do molusco hospedeiro intermediário.
  • Promover informações de educação em saúde.
  • Controle dos caramujos: os quais são os hospedeiros intermediários da doença.

Para nos prevenirmos, as medidas a serem tomadas são:

  • Evacuar em banheiro com rede de esgoto.
  • Não evacuar próximo a rios, lagos ou represas.
  • Proteger pés e pernas com botas de borracha com solado antiderrapante.
  • Evitar entrar em contato com água que contenha cercárias

Em junho de 2012, a Fundação Oswaldo Cruz anunciou a criação de uma vacina contra a esquistossomose, utilizando a proteína SM14, que encontra-se em fase final de testes.

Agora que você já conhece quais são as medidas de prevenção contra a Esquistossomose, compartilhe este artigo para informar mais pessoas!

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquistossomose
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos2/Esquistossomose.php
http://brasilescola.uol.com.br/doencas/esquistossomose.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/doencas/esquistossomose.htm
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/esquistossomose
http://www.infoescola.com/doencas/esquistossomose/

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