Quais são os sintomas da síndrome do pânico? Saiba identificar

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Revisado por: Dr. Emerson Rodrigues Barbosa (CRM/PR 25901) – Psiquiatra

Os sintomas de uma crise de pânico normalmente são mistos e envolvem uma série de sintomas emocionais e físicos que, quando em conjunto, dão a sensação ao paciente de que ele está morrendo ou de que algo muito ruim está prestes a acontecer.

Para os pacientes, especialmente durante um episódio, às vezes pode ser muito difícil constatar que se trata de uma crise de pânico. Entretanto, para terceiros, a tarefa pode ser um pouco mais fácil, uma vez que não estão com o emocional tão fragilizado.

Entenda como a condição afeta o organismo:

Sintomas físicos

Podemos dizer que os sintomas de uma crise de pânico ocorrem porque o corpo está, de certa forma, se preparando para fugir de uma situação de perigo, de uma ameaça real, como um incêndio. Eles ocorrem, principalmente, porque há uma descarga de adrenalina que provoca uma série de alterações físicas no corpo.

Como essas alterações são inesperadas e normalmente não fazem sentido estarem ocorrendo naquele exato momento, a pessoa cria justificativas muitas vezes fora da realidade para tentar lidar com a descarga inesperada de adrenalina.

Confira os principais sintomas:

  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Aumento da frequência respiratória (hiperventilação);
  • Ressecamento da boca;
  • Sensação de falta de ar;
  • Dor no peito ou desconforto;
  • Tremores;
  • Sudorese excessiva;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Tontura leve ou fraca;
  • Parestesia (formigamento ou dormência).

Como a hiperventilação provoca outros sintomas

A hiperventilação é o aumento da frequência respiratória. É um dos principais sintomas presentes em uma crise de pânico e pode desencadear uma série de consequências em várias partes do organismo.

Isso acontece porque, durante a hiperventilação, o corpo humano expele uma quantidade excessiva de gás carbônico, desequilibrando o controle ácido-base do sangue. Quando a diminuição do gás carbônico no organismo ocorre, tem-se como consequência o aumento do pH sanguíneo.

A elevação do pH, por sua vez, se traduz clinicamente na redução de cálcio livre no sistema circulatório, causando sintomas em todo o corpo. Entenda:

Sistema nervoso central

A falta de oxigênio livre para o cérebro faz com que se acione um sistema de vasoconstrição arterial, o que pode trazer sintomas como:

  • Vertigem;
  • Escurecimento da visão;
  • Sensação de desmaio.

Sistema nervoso periférico

Esses problemas afetam diretamente a transmissão de estímulos pelos nervos sensitivos. Isso faz com que o paciente sinta parestesia (formigamento) em diversas regiões. As parestesias são bastante características: se iniciam da periferia para o centro do corpo.

Ou seja, o indivíduo pode começar a se queixar de formigamento que começa na ponta dos dedos e que se estende para os braços.

Musculatura esquelética

hipocalemia (níveis baixos de cálcio circulando no sangue) aumenta a excitabilidade muscular. Isso pode ter como consequência:

  • Tremores nas extremidades: o paciente fica com as mãos tremendo;
  • Espasmos musculares: ocorre a contração de pequenos grupos musculares, como as pálpebras, pescoço, tórax e braços;
  • Tetania: mais rara, a tetania é a contração muscular persistente. Nesses casos, é comum que o paciente se queixe de dificuldade para abrir os olhos, dor toráxica alta e sensação de aperto na garganta.

Estresse extremo

Altos níveis de estresse fazem com que os hormônios do corpo fiquem desequilibrados, aumentando a frequência dos batimentos cardíacos e causando sintomas como a náusea. Além disso, esse estresse extremo pode comprimir os órgãos, afetando a respiração e causando uma série de outros sintomas.

Sintomas emocionais

Por conta da surpresa causada pelo surgimento dos sintomas físicos, o paciente pode experienciar uma série de sintomas emocionais que, se não tratados, podem levá-lo a ter crises recorrentes.

Os sintomas emocionais, portanto, ocorrem durante a crise e também nos momentos posteriores, quando os sinais físicos já nem estão mais presentes.

Durante as crises, o paciente pode sentir:

  • Sentimento de bloqueio;
  • Sentir-se excluído ou separado do seu entorno;
  • Medo de perder o controle e “enlouquecer”;
  • Sensação de que vai morrer.

Essas sensações são irreais e não representam algo concreto. Elas acontecem porque a mente está buscando justificativas lógicas para todas as sensações físicas que está presenciando. Entretanto, apesar de assustar, o paciente não vai morrer por causa dos sintomas físicos. Depois de um tempo, eles vão passar e existem técnicas para fazer com que eles sumam com mais facilidade.

Ainda assim, muitos pacientes podem apresentar uma série de outros sintomas depois das crises. A pessoa pode começar a se sentir deprimida por conta das crises, já que os sintomas podem ter um grande impacto na sua autoestima.

O paciente começa a sentir que não serve mais para nada, que é um inútil, que só atrapalha a vida das outras pessoas ou então que é inferior aos demais. Esses pensamentos não são representativos de uma realidade concreta, pois qualquer um pode sofrer uma crise de pânico de repente e se encontrar nessa posição fragilizada.

Por isso, é importante ressaltar que, se esses sintomas emocionais não forem tratados, pode acontecer do paciente acabar entrando nos ciclos do pânico, o que pode fazer com que as crises se tornem crônicas.

Quando isso acontece, isto é, quando ocorrem múltiplas crises de maneira recorrente, podemos dizer que o paciente está sofrendo da síndrome ou transtorno do pânico.

Crise de pânico ou Síndrome do pânico?

Existem diferenças entre crises de pânico e a síndrome do pânico. Muitas pessoas experimentam crises de pânico sem mais episódios recorrentes ou complicações. Nesses casos, o problema não pode ser diagnosticado como Síndrome do pânico.

A síndrome só ocorre quando os episódios são recorrentes, combinados com mudanças intensas no comportamento, como a ansiedade e o estresse persistentes ou a dificuldade de sair de casa por medo de novas crises.

Nesses casos, as crises recorrentes representam um grande peso emocional na vida do paciente. A memória do medo intenso e do terror experienciado durante os episódios pode afetar negativamente a autoconfiança do paciente e causar graves perturbações na vida cotidiana. Nesse caso, a regra é simples: uma única crise de poucos minutos pode deixar cicatrizes duradouras e de difícil tratamento.

Eventualmente, isso pode levar o paciente a sentir:

  • Ansiedade antecipatória: o paciente se sente tenso mesmo em situações em que deveria estar tranquilo. Essa ansiedade normalmente ocorre em decorrência do medo de novas crises. É famoso “medo de ter medo”, e ele pode ser extremamente incapacitante;
  • Evitação fóbica: o paciente pode começar a evitar diversas situações ou ambientes, baseando-se na crença de que a situação que está evitando é a causa da crise de pânico anterior. Outra justificativa é o medo de locais onde a fuga seria difícil ou onde não encontraria ajuda disponível.

Fonte consultada

Dr. Emerson Rodrigues Barbosa (CRM/PR 25901), graduado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Sexualidade Humana e em Estimulação Magnética Transcraniana, ambas pela USP. Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Diretor clínico do Instituto de Psiquiatria do Paraná (IPP)

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