Os enjoos e vômitos durante a gestação são bastante comuns, principalmente durante os 3 (três) primeiros meses, devido à ação hormonal. 

Em geral, não indicam nenhuma situação grave ou preocupante, sendo apenas uma resposta do organismo às mudanças provocadas pela fecundação. 

Porém, alguns casos podem ser mais intensos, dificultando a alimentação da mãe e até atrapalhando as atividades cotidianas. Nesses casos, pode ser prescrito pelo (a) obstetra o uso de um medicamento antiemético (atua contra as náuseas) para amenizar o mal-estar. 

Um exemplo desse tipo de medicação é a ondansetrona, molécula mais prescrita nos EUA para náusea e vômito na gestação, de acordo com a revista Pharmacoepidemiology and Drug Safety. 

Entenda melhor para que serve esse remédio e se é (ou não) uma alternativa segura para casos de enjoos na gravidez:

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. Ondansetrona pode ser usado para tratar enjoo na gravidez?
  2. Por que as gestantes têm enjoos?
  3. Quais os riscos dos enjoos durante a gravidez?
  4. Tipos de tratamento para enjoo gestacional
Algumas gestantes sofrem com enjoos durante a gravidez.

Ondansetrona pode ser usado para tratar enjoo na gravidez?

Sim. A ondansetrona é um medicamento antiemético, ou seja, que tem como principal objetivo evitar os enjoos, podendo ser usada por crianças (acima de 2 anos) e adultos. 

De acordo com as informações da bula, a medicação é indicada principalmente para prevenir e tratar náuseas e vômitos. Entretanto, é preciso destacar que quando se trata do uso durante a gestação, a bula reforça que é indispensável a orientação, prescrição e acompanhamento médico — a fim de evitar qualquer possível risco à integridade do bebê. 


Em janeiro de 2021, a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) publicou um novo protocolo com relação às náuseas gestacionais, onde a ondansetrona foi recomendada como um medicamento seguro para o tratamento de enjoos na gestação, quando acompanhado por um especialista. 

Nesse protocolo, destaca-se que a ondansetrona, quando comparada aos demais grupos farmacológicos, apresenta superioridade de ação e baixa incidência de efeitos colaterais à gestante. 

No mesmo documento, a FEBRASGO também conclui que essa medicação não pode ser considerada um importante teratógeno (agentes capazes de causar dano ao embrião).

Essas análises feitas são de suma importância, considerando que em 2019 alguns estudos preliminares e sem grande embasamento foram publicados, associando o uso da ondansetrona na gestação como um fator de risco para o desenvolvimento de fissura labiopalatina (lábio leporino) no feto. 

Em alguns casos, a gestante precisa tomar medicamento para aliviar o enjoo. Porém, isso apenas deve ser feito sob prescrição médica, a fim de preservar a saúde da mãe e do bebê.

Na realidade, foram estudos que apresentavam erros analógicos e dados computados, mas não controlados do uso efetivo da medicação e nem do período utilizado. O próprio autor publica posteriormente outro estudo, desta vez com maior rigor no controle do uso e período, inclusive na forma injetável, sem nenhuma evidência de efeito teratógeno sobre o feto. Estes dados se associam a inúmeras outras publicações demonstrando a garantia do uso de ondansetrona no primeiro trimestre da gestação. 

Com isso, a nova nota da FEBRASGO reforça a segurança dessa medicação e desmistifica o seu uso, evidenciando que além de eficaz por si só, não traz risco ao desenvolvimento fetal. Isso, considerando um tratamento realizado com o acompanhamento de um (a) médico (a) especialista. 

Como a ondansetrona age no organismo?

A ondansetrona atua nos receptor 5-HT³de serotonina, localizados em células especializadas no trato gastrointestinal e também na zona de gatilho quimiorreceptora (ZGQ), que tem relevante ação na indução de náuseas e vômitos. 

Dessa forma, quando em contato com o organismo, o medicamento age bloqueando os receptores e inibindo os sintomas. 

Por que as gestantes têm enjoos?

Não se sabe exatamente qual é a causa dos enjoos durante a gestação. Entretanto, há diversos estudos que indicam a possibilidade dos hormônios (estrogênio, progesterona e HCG) e suas alterações estarem relacionados com esse desconforto. 

Dessa forma, como o corpo da mulher ainda não está acostumado com os níveis elevados de hormônios, os enjoos podem ser uma resposta de adaptação às alterações. 

Em outra linha de pesquisa, há cientistas que acreditam que as náuseas estão relacionadas com um mecanismo de defesa do corpo materno. 

Porém, embora existam muitos estudos, nenhum ainda apresenta respostas 100% precisas. 

Quais os riscos dos enjoos durante a gravidez?

Se os enjoos forem frequentes (mais de uma vez ao dia) e intensos durante a gestação, eles poderão trazer riscos para a saúde e o bem-estar da mamãe e do bebê. Quando a paciente apresenta vômitos intensos, esses promovem desidratação, perda de sais minerais além de alterações metabólicas e nutricionais. 

Esses casos extremos, caracteriza-se como hiperêmese (náuseas incontroláveis). Assim, a gestante apresenta uma queda do bem estar geral, dificuldade para fazer atividades diárias e, principalmente, para se alimentar, causando fraqueza, tontura, perda de peso, desidratação e até desnutrição, necessitando de internação hospitalar. 

Tais complicações, então, podem afetar o feto, aumentando as chances de má-formação, complicações neurológicas ou falta de peso, considerando o estado de saúde debilitado da mãe — insuficiente para dar ao bebê tudo que ele precisa para se desenvolver. 

Mas para os quadros moderados, mesmo que acompanhados de vômitos, os efeitos para a criança são pouco conhecidos e, em geral, não há agravantes para o desenvolvimento fetal. 

Também é preciso reforçar que, independentemente da gravidade da situação, com as orientações do (a) obstetra e o tratamento adequado durante a gestação, os desconfortos tendem a diminuir e nenhum dano ao bebê deve ser causado. 

Por isso, sempre conte com a ajuda do (a) especialista para maior segurança na gestação.

Tipos de tratamento para enjoo gestacional

Basicamente, há dois tipos de tratamento para o enjoo gestacional: aquele que não envolve o uso de medicamentos (terapias alternativas, cuidado com a alimentação etc) e aquele que tem como base a administração de determinadas medicações. Entenda melhor:

Cuidados não medicamentosos

Os cuidados não medicamentosos abrangem orientações nutricionais à gestante, cuidados emocionais e algumas terapias alternativas (como acupuntura, aromaterapia, etc). 

Quando se trata dos cuidados nutricionais, o (a) profissional responsável poderá pedir que a gestante priorize refeições leves e fracionadas, de fácil digestão e preferencialmente naturais. Ainda, podem ser indicados cuidados quanto aos hábitos alimentares, como respeitar o intervalo entre as refeições e cuidar com a quantidade de alimentos ingerida. 

Quanto ao aspecto emocional, muitas vezes é preciso que a mulher tenha acompanhamento psicológico durante a gravidez. Isso, considerando que a ansiedade e outras emoções podem ser intensas e difíceis de lidar nesse momento, o que pode provocar alterações físicas — como as náuseas e vômitos. 

Além disso, vale destacar que o apoio emocional de amigos e familiares também é de suma importância nesse momento, uma vez que colabora para o bem-estar da gestante. 

Terapia medicamentosa

Fonte: Série orientações e recomendações (FEBRASGO) – Êmese da gravidez

O uso de medicamentos para o tratamento de náuseas e vômitos associados à gestação só costuma ser prescrito pelo (a) obstetra quando esses sintomas persistem ou forem muito intensos. 

Nesse caso, pode ser prescrito o uso de remédios tais como a Ondansetrona. Assim, no geral, todas as medicações aprovadas para uso durante a gestação e que tenham ação antiemética (combate às náuseas) podem ser classificadas como uma terapia classe B. 

Isso significa que se tratam de medicamentos seguros, mas que podem apresentar um certo grau de risco à gestação conforme a tabela acima. Portanto, reforça-se que independente das indicações da bula e da aprovação da administração do medicamento em gestantes, é indispensável a orientação profissional. Dessa forma, segurança à saúde da mãe e, principalmente, do bebê. 


Seja um enjoo leve ou mais intenso, vale lembrar que o ideal sempre é buscar a orientação médica, garantindo a saúde da gestante e do bebê. 

E, quando necessário, podem ser feitos tratamentos seguros e com eficácia comprovada, como o uso da ondansetrona (em casos de enjoo severo) ou cuidados alternativos, visando o bem-estar da gestante. 

Continue acompanhando o Minuto Saudável para saber mais sobre cuidados na gravidez! 

Fontes consultadas

  • Náuseas e vômitos na gravidez – Protocolos Febrasgo nº32, 2021 — FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia);
  • Bula Vonau Flash® – cloridrato de ondansetrona — Laboratório Biolab;
  • Série orientações e recomendações – Êmese da gravidez — FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
  • Pharmacoepidemiology and Drug Safety 2017; 26:592-596


Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.