Eduardo (Minuto Saudável)
05/06/2019 08:00

O que é refluxo? Diferenças entre o tipo digestivo e no coração

Refluxo é um movimento involuntário que acontece quando o conteúdo que está presente no estômago retorna para o esôfago.

Basicamente, é um sinal de que o processo natural do organismo não anda bem, o que pode causar diversos sintomas e complicações.

A condição — bastante comum, inclusive em crianças — é chamada de refluxo gastroesofágico.

Os alimentos que mastigamos passam pela faringe e pelo esôfago (uma espécie de tubo que temos no tórax e que chega ao estômago).

Entre o esôfago e o estômago existe uma válvula ligando as duas partes. Ela se abre para a passagem dos alimentos e rapidamente fecha para impedir o retorno do conteúdo.

Então, a partir do momento em que essa válvula não se fecha, o conteúdo alimentar presente no estômago retorna à garganta ou ao esôfago.

Como o bolo alimentar está sendo digerido pelo ácido estomacal, a substância também começa a agredir as mucosas, que são preparadas para lidar com o suco gástrico.

Por isso, podem ocorrer queimação, dor no tórax, tosse seca e até mesmo doenças pulmonares como pneumonias, bronquites e asma.

Qual a diferença entre refluxo e regurgitação?

Apesar de serem condições associadas, há uma diferença entre refluxo e regurgitação.

O primeiro é quando o esfíncter (válvula que liga esôfago e estômago) abre incorretamente, permitindo a passagem do conteúdo estomacal. Já a regurgitação inicia da mesma forma, mas o conteúdo chega à faringe ou à boca.

Como é o refluxo gastroesofágico?

O refluxo gastroesofágico é o mais comum de todos e não representa, necessariamente, um problema ou alteração do organismo. Mas, dependendo da frequência com que acontece, deve ser tratado com atenção.

Isso porque os ácidos estomacais sobem para o esôfago e causam danos na parede interna da garganta. Então, se forem frequentes, podem causar danos à estrutura do organismo, causando queimação e mal-estar.

O principal motivo está relacionado a uma falha localizada no esfíncter, válvula que permite ou bloqueia a passagem de conteúdos (como alimentos) do esôfago para o estômago.

Há ainda outros fatores que podem estar associados, como um aumento da secreção gástrica, aumento da pressão na região do abdômen e também a ingestão de grandes quantidade de alimentos.

Quanto ao diagnóstico, o refluxo gástrico pode ser classificado entre os tipos fisiológico ou patológico, além de poder ser observável ou não (visível ou oculto). Entenda:

Refluxo oculto ou visível

O refluxo gastroesofágico pode ser dividido em visível ou oculto.

Se, por exemplo, ocorrer a secreção do que havia no estômago pela vias nasais ou oral (regurgitação ou vômito) o refluxo é considerado visível.

Mas se não houver qualquer tipo de regurgitação, e o retorno do suco gástrico acontecer somente até o esôfago, então é chamado de refluxo oculto.

Refluxo fisiológico

O tipo fisiológico é a causa de refluxo mais comum nas pessoas, porém, como o nome sugere, é considerado normal.

Ele acontece sem ter alguma relação com problemas mais graves, simplesmente devido ao relaxamento do esfíncter, ou seja, a parte transitória do esôfago.

Também pode ser decorrente de refeições muito pesadas, estômago cheio demais ou ainda por posições indevidas após comer (como ficar inclinado para baixo ou deitado de bruços).

É uma condição bastante comum em bebês, afetando cerca de 50% deles, principalmente antes dos 6 meses de idade.

Mas, de uma maneira geral, não traz problemas à vida do paciente.

Refluxo patológico

Já o tipo patológico é quando o refluxo gástrico ocorre com frequência e não cessa entre 4 e 6 meses.

Os pacientes precisam de acompanhamento e tratamento, logo que o contato constante das mucosas com o ácido estomacal pode ser bastante prejudicial.

Quais são os outros tipos de refluxo?

Além do gastroesofágico, existem outros tipos de refluxo. Entenda cada um deles:

Refluxo faringo laríngeo

O refluxo faringo laríngeo é um retorno do conteúdo estomacal que atinge a faringe e laringe (parte superior da garganta, próximos à boca).

Nesses casos, pode haver rouquidão, tosse e incômodo na garganta devido à proximidade com as cordas vocais e vias respiratórias.

A principal forma de detectar que se está com esse problema, é através de exames como a nasofibroscopia, em que é possível observar internamente a estrutura.

Refluxo biliar

Apesar de ser semelhante com o tipo normal, o refluxo biliar, como o nome já diz, consiste no retorno da bile (substância que participa da digestão) para o estômago e esôfago.

Esse tipo de refluxo também é conhecido como refluxo duodenogástrico e pode ser decorrente de uma refeição muito gordurosa ou problemas mecânicos (por exemplo, após uma cirurgia no trato digestivo).

Apesar da bile não ser ácida, o retorno da substância pode conter suco gástrico junto, o que acarreta nos danos às mucosas da garganta.

Em geral, o tratamento é medicamentoso e necessita de acompanhamento médico.

Refluxo do coração (mitral ou do sangue)

O nome “refluxo” não acontece somente no sistema digestivo, mas também no coração.

Nesse caso, ele é uma das condições ou mecanismos que ocorre em alterações ou patologias cardíacas. Ou seja, não é a doença em si.

Por exemplo, na regurgitação mitral, que é uma doença cardíaca comum e que afeta as válvulas do coração.

Nesse caso, uma válvula chamada de mitral (responsável pela passagem do sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo) não se fecha completamente, fazendo com que o sangue vá para os pulmões ao invés de sair do coração para irrigar o corpo.

Entre os sintomas mais comuns estão a falta de ar, inchaço nos pés, tosse, coração acelerado e cansaço.

De uma forma geral, o tratamento consiste no uso de medicamentos diuréticos, betabloqueadores ou inibidores da enzima conversora de angiotensina.

Porém, se for considerado mais grave, o profissional da saúde pode indicar a realização da Valvuloplastia, uma operação cirúrgica necessária para a correção ou substituição da válvula mitral.

O que é refluxo emocional?

O refluxo emocional está relacionado ao psicológico, sendo que geralmente se manifesta quando o paciente passa por situações de estresse. Isso porque há uma forte relação entre o funcionamento do estômago e distúrbios psicológicos, ansiedade, depressão ou outras condições.


Independente do tipo de refluxo, seja ele digestivo ou no coração, todos podem ser potencialmente evitados com uma frequência de idas ao médico e com uma mudança no estilo de vida.

Para acessar mais matérias como essa, nos acompanhe pelo Minuto Saudável!

05/06/2019 09:54

Eduardo (Minuto Saudável)

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