O que é Dermatofitose (tinea corporis, pedis), tratamentos e mais

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O que é Dermatofitose?

Considerada uma zooantroponose ou antropozoonose, é também conhecida por tinha ou frieira, sua ocorrência é influenciada por fatores ambientais e de manejo. São infecções cutâneas superficiais, micoses, ocasionadas por fungos filamentosos (conhecidos por dermatófitos) que são capazes de usar a queratina como fonte de nutrientes. A queratina é uma proteína presente na camada mais superficial da pele.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Dermatofitose?
  2. Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?
  3. Quais são os sintomas?
  4. Quais os tipos?
  5. O que causa?
  6. A Dermatofitose tem cura? Qual é o tratamento?
  7. Como prevenir? É transmissível?
  8. Complicações
  9. A Dermatofitose em animais
  10. Grupo de risco

Qual profissional devo procurar? Qual o diagnóstico?

O dermatologista é o mais indicado, mas o indivíduo também pode procurar o clínico geral e o pediatra (quando em crianças). O médico pode realizar o diagnóstico com base no histórico clínicoepidemiológico e demais exames laboratoriais. O diagnóstico solicitado e mais preciso também para confirmar a doença da Dermatofitose é a coleta do material e posterior análise dele em laboratório, para isso a área afetada é raspada para coletar os pelos. Neste exame usa-se KOH 10% a 20% e podem ser visualizadas hifas, antroconídios ou conídios fúngicos; definição esta que só pode ser obtida através do cultura fúngica de espécimes clínicas, que também facilita ações de controle e prevenção.

Também, uma parte da amostra de fungo é guardada para futuras análises. O médico ainda verificará se o indivíduo não fez uso de nenhum medicamento antifúngico, por pelo menos uma semana antes do dia da coleta. O transporte do material coletado é extremamente rigoroso e feito com cautela para que não ocorra nenhuma contaminação que possa alterar o resultado do diagnóstico.

Diagnóstico em pequenos animais

O diagnóstico da dermatofitose em pequenos animais pode ser feito de algumas maneiras diferentes. Não se recomenda, entretanto, a utilização delas em separado, já estudos sugerem que nenhuma delas é perfeita. A recomendação é utilizar as três juntas para evitar falsos positivos ou falsos negativos, o que pode fazer com que pacientes doentes deixem de ser tratados ou pacientes saudáveis sofram efeitos colaterais de medicamentos.

Lâmpada de Wood

A lâmpada de Wood, de acordo com estudos, possui uma taxa e sensibilidade de apenas 41%. Isso quer dizer que mesmo que haja a infecção pelo fungo, o exame pode não captá-lo, resultando em um falso negativo. Entretanto, por ser um exame simples e rápido, ele pode ser usado para verificar a hipótese da doença, já que os falsos positivos são raros e, se este exame resulta em resultado positivo, é provável que a doença esteja instalada.

Para a realização deste exame o animal é exposto, no escuro, à luz negra. Caso haja infecção, o pelo da região infectada deve se mostrar verde fluorescente.

Microscopia direta

A microscopia direta é consideravelmente mais sensível do que a lâmpada de wood, mas ainda é considerada apenas razoável. Estudos divergem na sensibilidade deste exame, variando de 64% a mais de 80% de confiança.

Uma amostra do pelo da área afetada é retirada para análise no microscópio em busca do fungo.

Cultura fúngica

A cultura fúngica é considerada o mais preciso exame para identificação da dermatofitose e inclusive é o exame utilizado quando existe suspeita da doença em humanos. É realizada raspagem dos pelos da área afetada, que são colocados condições ideais para sua reprodução. Assim é possível que o fungo se multiplique em laboratório, permitindo uma análise mais precisa e fácil.

Quais são os sintomas?

A dermatofitose pode ocorrer em qualquer área do corpo, com maior ocorrência em áreas de dobras, como as axilas, virilhas e entre os dedos das mãos e pés. Os sintomas aparecem cerca de 4 a 10 dias após o contato com o fungo, são eles:

  • Aparecimento de manchas brancas ou vermelhas, causando coceira.
  • Borda da lesão com evidência, apresentado crosta em alguns casos.
  • Dor e fissuras (quando ocorre nos pés).
  • Erupções cutâneas no formato de anéis ou círculos com bordas levemente elevadas; pele no meio dessas erupções tem aparência saudável. Geralmente, as erupções cutâneas causam coceiras e se espalharão de acordo com o avanço da infecção.

Quando a infecção fica mais grave, os sintomas podem apresentar anéis que se multiplicam e se fundem, podendo o indivíduo desenvolver bolhas e lesões cheias de pus perto dos anéis.

Quais os tipos?

A dermatofitose pode ser classificada nos tipos: tinhas ou tinea, epidermofitíase, onicomicose dermatofítica e dermatofitose subcutâtea e profunda. Conheçaos:

Tinea ou Tinha (Tinea capitis e Tinea barbae)

São as lesões que afetam o couro cabeludo e a região da barba e bigode, quando no couro cabeludo pode apresentarse em três formas clínicas: áreas de alopecia focal ou multifocal; presença de uma placa alopécica, exsudativa, eritematosa e crostosa; presença de gotas de líquido seroso ao redor do pelo que secam e se depositam, formando crostas amareladas com odor forte que aliado à cronicidade, resulta em uma foliculite intensa que pode evoluir para um processo cicatricial no folículo piloso, que causa uma alopecia definitiva.

Nestes casos, os fungos instalamse apenas na região do extrato córneo da pele. Já a Tinea barbae é caracterizada por foliculite que ocorre na barba, com maior ocorrência em homens que vivem nas áreas rurais.

Epidermofitíase (Tinea corporis, Tinea cruris e Tinea pedis)

Caracterizase por lesões nas regiões que não tem pelos. Nela, os fungos atacam apenas o extrato córneo e há descamação entre os dedos dos pés, com coceira e ardência. Vamos entender cada uma: a Tinea corporis ocorre como uma lesão inflamatória centrífuga, uni ou multifocal, que pode coalescer.

Esta tem como característica as áreas eritematosas, descamativas e de bordos levemente elevados, podendo ser pruriginosa. A Tinea cruris acomete geralmente a região inguinal de homens e caracterizase pela presença de uma ou mais manchas avermelhadas que tendem a confluir, estão localizadas na face interna proximal das coxas; as lesões apresentam bordas com aspecto eritematovesiculoso ou pustuloso, de aspecto úmido que pode ocorrer também na região axilar, inframamária e interglútea.

A Tinea pedis é dessas a forma mais comum, suas lesões são hiperqueratóticas ou eczematóides de localização interdigitoplantares; ainda dividese em 3 formas clínicas: desidróitica, quando há lesão vesículobolhosa e ao romper libera líquido citrino; hiperqueratótica, tem como característica placas eritematoescamosas localizadas com frequência na região plantar ou da borda lateral; e a intertriginosa, conhecida como “pédeatleta”, e caracterizada por intensa maceração na base inferior dos dedos ou entre os 3° e 4° espaços interdigitais que resulta no surgimento de fissuras de prurido variável.

Onicomicose dermatofítica (Tinea ungium)

Acomete as unhas dos pés e/ou mãos, é a mais comum das onicomicoses em que o fungo ataca a borda da unha, o que causa seu descolamento deixandoa opaca. Dividese em quatro tipos: subungueal distal/lateral (esta ocorre em 90% dos casos e tem início pela borda livre da unha, deixandoa opaca, esbranquiçada e espessa); subungueal proximal; superficial branca e distrófica total.

Dermatofitose subcutânea e profunda

Do tipo em que os fungos atacam regiões que não apresentam queratina, como a hipoderme, formando abcessos (inchaços produzidos pelo acúmulo de pus devido a alguma inflamação). As erupções cutâneas não aparecem na região do couro cabeludo, virilha, palma da mão e sola dos pés, apenas nas demais regiões da pele.

O que causa?

A dermatofitose é ocasionada por fungos filamentosos (conhecidos por dermatófitos) que são capazes de usar a queratina como fonte de nutrientes. Estes fungos são classificados em três gêneros:

  •  Microsporum: responsáveis por acometer a pele e os pelos.
  •  Trichophyton: afetam a unha, pele e pelos e é o gênero mais frequente. Sua espécie T. rubrum é a responsável pela maioria das infecções causadas por fungos queratinofílicos.
  •  Epidermophyton: afetam a pele e a unha e apresentam apenas uma espécie que causa doenças no ser humano: a E. floccosum.

São da espécie queratinofílicas e os que causam doenças recebem o nome de dermatófitos. Esses microorganismos (queratinofílicos) quebram a queratina para usála como fonte de nutrição. Os fungos localizamse nas camadas mais superficiais da pele, e quando atingem as regiões mais profundas, causam inchaço e inflamação.

Estimase que há cerca de 30 espécies de dermatófitos, e podem acometer tanto o ser humano quanto os animais domésticos e silvestres, são classificados quanto ao seu habitat:

  •  Antropofílicos: espécies que acometem a pele humana.
  •  Geofílicos: que vivem no solo, seu local de reprodução.
  •  Zoofílicos: acometem os animais domésticos e silvestres, afetando as penas e cascos. As principais espécies deste são: Microsporum canis, M. gypseum, Trichophyton mentagrophytes, T. verrucosum e T. equinum.

A Dermatofitose tem cura? Qual é o tratamento?

O tratamento da dermatofitose é feito por antifúngicos, e na maioria das vezes, apenas o tratamento tópico. O médico também pede que sejam removidos os pelos da área afetada, bem como restos da pele infectada e também poderá indicar os seguintes medicamentos:

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Como prevenir? É transmissível?

É transmissível. Os fungos são encontrados em animais, humanos e no ambiente (no qual se reproduzem). A transmissão da dermatofitose ocorre quando há contato direto com o ambiente contaminado, por animais ou humanos doentes ou portadores, por meio de objetos contaminados (escovas, coleiras, arreios, cobertores, camas, etc.).

A prevenção da dermatofitose não é fácil, por causa da existência de animais doentes assintomáticos. Assim, recomendase isolar e tratar estes animais doentes até que se curem por completo. Contudo, algumas estruturas clínicas mantêmse por até 18 meses no ambiente; a desinfecção dos materiais (objetos de uso que estiveram em contato com o paciente) e instalações (pisos) também é considerada na prevenção da doença e precisa ser realizada com hipoclorito de sódio (1:10), Biocid (1:250) ou soda cáustica a 5%.

Os médicos recomendam outras formas de prevenção, como:

  • Evitar o uso de roupas apertadas e a participação em esportes de contatos.
  • Evitar a transpiração excessiva.
  • Evitar que o sistema imunológico baixe.
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal, como kit de unhas, peças de roupa, luvas, toalhas ou roupas de cama, etc.
  • Regiões muito úmidas aumentam o risco de infecção.
  • Usar luvas quando precisar fazer o manuseio da terra.
  • Verificar se os animais domésticos (cães e gatos) apresentam falhas nos pelos; e sempre leválos ao médico veterinário.

Complicações

A dermatofitose não é grave e dificilmente será disseminada para além da superfície da pele. Entretanto, pessoas com o sistema imunológico enfraquecido (AIDS, HIV, etc.) podem ter mais dificuldade para eliminar a doença.

Como toda infecção, poderá ocorrer outros tipos de infecção e problemas da pele, como irritação nela, acompanhada de coceira e rachadura, esta que pode acarretar infecções bacterianas secundárias.

A Dermatofitose em animais

A dermatofitose também pode atingir os animais, conhecida pela espécie “zoofílica”, comentada anteriormente. Conheça como e quais animais podem ser afetados:

Bovinos e equinos

Ocorre de forma alopécica em formato arredondado, são descamativas e tem coloração acizentada. Apenas nos bovinos as lesões se caracterizam por se apresentarem na cabeça e no pescoço, o que pode migrar para outras partes do corpo, como cauda e membros. Quando crônica, as crostas ficam espessas e salientes. Nos equinos, estas lesões tem início nas regiões de abrasão (lombo, garupa e cabeça) e não costumam causar pruridos.

Cães

Geralmente ocorre como uma lesão plana de alopecia circular, descamação, pelos quebradiços, pápulas (lesão menos que 1cm de ocorrência na pele) e, algumas vezes, pústulas (espinhas) e exsudação (estas que podem evoluir para crostas e hiperpigmentação focal ou multifocal).

Gatos

Nos pelos longos dos gatos a micose pode ser imperceptível, eles podem apresentar infecção subclínica só com sinais de descamação e ter também os pelos quebradiços, como nos cães. Esta última característica é a forma mais comum de disseminação da doença dos animais para o ser humano. Ainda, nos gatos de raça persa pode ocorrer a formação de pseudomicetomas (invasão da derme profunda, levando à ocorrência de nódulos na consistência), contudo, são casos raros.

Nos gatos e cães, as pseudomicetomas localizamse na base da cauda e na região dorsal do corpo, podendo ser sequela proveniente de uma infecção dermatofílica crônica ou pelo rompimento do folículo piloso. Contudo, a causa ainda não está elucidada, nestes animais também pode ocorrer onicomicose por dermatófitos, quando as unhas ficam ressecadas, quebradiças, rachadas e/ou deformadas.

Grupo de risco

Todos correm o risco de serem infectados pela doença. Contudo, as crianças são mais suscetíveis à dermatofitose quando comparadas aos adultos. Segundos pesquisas, no mundo cerca de 10% a 20% das pessoas serão infectadas por algum fungo em algum momento de suas vidas.


Não use cremes sem a indicação do médico dermatologista, pois o uso de medicação sem saber o diagnóstico pode mascarar a doença e dificultar a cura. Já teve micose? Conte a sua experiência nos comentários e compartilhe este artigo para que mais pessoas saibam sobre a doença!

Referências

Luara Cavalcante Bin, L., Gomes, J., Aparecida Bráz, S. and Gruffrida, R. (2018). Comparação de métodos diagnósticos para dermatofitose em animais de companhia. Colloquium Agrariae, 6(1).

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4 Comentários

  1. Tenho tínea cruris e nunca consigo combatê-la.
    Já tomei tudo que é antifúngico, já fiz de tudo. Os médicos não sabem de nada, pois todos os remédios que eles passam já serve, sempre que mudo de médico ele já vem com os mesmos cremes etc.
    8 anos com isso e nada de cura. Já utilizei tudo que é caseiro. O que me deixa aliviado é terbinafina e miconazol, mas se paro por três dias a micose volta se espalhar. Acho que preciso reforçar a pele com algum produto pq os cremes reduzem a micose e o que falta é a reação da pele.

    Alguém tem uma solução? Por favor eu agradeceria.

  2. Para um artigo de 2017 falar que em animais, a identificação de dermatofitos é por meio de fluorescencia é estar muito ultrapassado. Sugiro quem fez o artigo pesquisar mais antes de falar sobre.

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