Milhares de pessoas no Brasil e no mundo realizam tratamento com medicamentos do segmento psiquiátrico, para as mais diversas condições (depressão, ansiedade, síndrome do pânico, etc).

Dentre esses medicamentos, há os que contam com a Fluoxetina como princípio ativo. Então, veja agora como funciona essa substância medicamentosa, para quais casos é indicada e outras informações sobre sua ação no organismo:

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que é Fluoxetina?
  2. Para que serve a Fluoxetina?
  3. Qual a ação da Fluoxetina?
  4. Existe Fluoxetina em gotas?
  5. Qual a miligramagem disponível?
  6. Como tomar conforme a bula?
  7. Qual é o melhor horário para tomar Fluoxetina?
  8. Quando a Fluoxetina começa a fazer efeito?
  9. Quais os efeitos colaterais da Fluoxetina?
  10. Fluoxetina dá sono?
  11. Fluoxetina engorda ou emagrece?
  12. Pode dirigir tomando Fluoxetina?
  13. Preço: qual o valor médio da Fluoxetina?

O que é Fluoxetina?

A Fluoxetina, ou Cloridrato de Fluoxetina, é uma substância medicamentosa que atua como princípio ativo em diversos medicamentos. Esses, são voltados para o tratamento de distúrbios como a depressão e a bulimia nervosa.

Essa substância faz parte dos Inibidores Seletivos de Recaptura de Serotonina (ISRS), a classe farmacológica de antidepressivos que é mais prescrita em nível mundial. Isso porque são melhores tolerados pelo organismo, apresentando baixa toxicidade e mínimos efeitos colaterais.

Apesar de incluir outras medicações, tais como a paroxetina, sertralina e fluvoxamina, é importante destacar que isso não significa que possuem o mesmo PA (princípio ativo). Ou seja, não agem da mesma forma.

De maneira geral, a Fluoxetina atua na recepção de de serotonina, impedindo que seja recaptada e possa fazer sua função de sinalização, controlando assim os sintomas de alguns transtornos psicológicos — como a depressão ou o TOC.

Isso porque a serotonina, ou 5-hidroxitriptamina (5-HT), é o hormônio responsável pela modulação geral da atividade psíquica. Assim, impacta quase todas as atividades cerebrais. Por exemplo, atua regulando o humor, sono, apetite, percepção da dor, etc.


Quanto à disponibilidade da Fluoxetina, os remédios que contam com essa substância como fármaco (princípio ativo) são comercializados em versão comprimidos/cápsulas ou gotas, para administração via oral.

Vale destacar, ainda, que a Fluoxetina está registrada na ANVISA sob o número 103700487, classificada na categoria de remédios antidepressivos. Assim, pode-se garantir que essa medicação tem sua segurança e eficácia atestadas a partir de testes.

Para que serve a Fluoxetina?

A Fluoxetina é, de acordo com a bula, recomendada para o tratamento de depressão (associada ou não à ansiedade), bulimia nervosa, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno disfórico pré-menstrual (forma grave da síndrome pré-menstrual, incluindo sintomas físicos e comportamentais) — incluindo TPM, irritabilidade e disforia.

Então, de maneira geral, os problemas tratados pela Fluoxetina estão relacionados com alterações no humor (diferentes das mudanças normais, que possuem causa aparente), sensibilidade física ou emocional, alterações hormonais, entre outros fatores. 

Assim, mesmo que você tenha o diagnóstico, ou sintomas, de um ou mais distúrbios mencionados, não deve nunca realizar o uso independente da Fluoxetina (ou qualquer outra medicação). É preciso sempre seguir e contar com o auxílio médico.

Fluoxetina é para ansiedade?

Conforme mencionado, de acordo com as indicações da bula, a Fluoxetina pode ser recomendada em casos de depressão associados (ou não) à ansiedade.

Porém, a bula não traz recomendações de uso dessa medicação para o tratamento apenas do transtorno de ansiedade. Apesar disso, muitos profissionais fazem a prescrição do medicamento para esses casos, indicando que há eficácia.

Isso porque, de forma geral, muitos transtornos têm origem na ansiedade, de forma que ela desencadeia outros problemas ou está associada a eles.

De acordo com a farmacêutica Francielle Mathias, “os antidepressivos em geral, incluindo a Fluoxetina, aumentam os níveis de neurotransmissores envolvidos com as nossas emoções e bem-estar” e, em certo grau, isso  interfere na ansiedade, diminuindo ou controlando seus sintomas — o que pode variar de acordo com o histórico do paciente. 

Nesse sentido, a farmacêutica explica que “por isso, os(as) médicos(as) podem prescrever um antidepressivo para tratar a ansiedade. Entretanto, também pode ser um efeito colateral da medicação, visto que ao alterar os níveis de transmissores, o organismo pode reagir de forma não totalmente previsível.”

Assim, até que a medicação atinja seu efeito máximo, esse tipo de reação é possível. Ou seja, a sensação ansiosa pode ser agravada no início do tratamento.

É preciso considerar que às vezes o efeito colateral de aumento da ansiedade aparece e se mantém — sendo necessária a troca do remédio, mas às vezes desaparece e o(a) paciente se adapta.

Você pode conversar com o(a) médico(a) responsável pelo seu caso e, dessa forma, ele(a) poderá receitar o tratamento correto para você. Em casos de outras dúvidas, também é possível consultar a bula da Fluoxetina.

Qual a ação da Fluoxetina?

Pessoas que sofrem com transtornos psicológicos (como a depressão) apresentam baixas concentrações de serotonina. Então, a partir do uso de medicamentos do tipo ISRS, como a Fluoxetina, as concentrações desse hormônio aumentam.

Isso ocorre devido à alta afinidade pelos seus transportadores seletivos. Porém, inicialmente ainda ocorre uma alta captura, mantendo o nível da serotonina baixos. A partir do uso contínuo e prolongado, a recaptação dela passa a ser menor e sua concentração aumenta.

É quando os efeitos do tratamento começam a ser melhor percebidos, como a regulação do humor, sono, apetite, funções intelectuais, etc., 

Vale destacar que a resposta terapêutica é, no geral, observada algumas semanas após o início do tratamento. Porém, caso a pessoa não apresente melhoras nos sintomas, é normal que o(a) médico(a) precise avaliar e reajustar a dose utilizada — ou até trocar a medicação.

Existe Fluoxetina em gotas?

Sim. Dentre os medicamentos que contêm a Fluoxetina como princípio ativo, estão algumas versões em gotas, tais como:

É importante sempre conversar com o(a) médico(a) responsável pelo seu tratamento, ele(a) poderá orientar sobre o uso da medicação em gotas ou comprimidos e como fazer isso de forma segura.

Qual a miligramagem disponível?

A Fluoxetina é disponibilizada em doses de 20mg (comprimido) e 20mg/L (gotas). 

Porém, vale destacar que a dosagem recomendada pelo(a) médico(a) pode ser maior do que isso, sendo necessário ingerir mais de um comprimido ou aumentar a quantidade de gotas na dose.

Nesse caso, o(a) profissional vai sempre analisar as condições do(a) paciente e seguir as indicações recomendadas pela bula.

Dessa forma, não devem ser realizadas alterações de forma independente da dose administrada, por isso, siga sempre as orientações médicas. O tópico a seguir pode ajudar a entender melhor como tomar a medicação conforme a bula (o que não dispensa o auxílio médico):

Como tomar conforme a bula?

Os medicamentos que têm a Fluoxetina como princípio ativo estão disponíveis em duas versões, comprimidos/cápsulas ou em gotas.

É importante destacar que, independente da versão, não existe um tempo de tratamento pré-designado. Ou seja, isso varia de acordo com cada pessoa, o que reforça o papel do(a) médico(a) responsável.

Além disso, o tratamento não é suspendido de forma imediata, mas sim gradualmente de acordo com as recomendações do(a) especialista.

Lembrando, ainda, que há a possibilidade de que o problema volte a se manifestar e seja necessário retomar o tratamento — devendo buscar auxílio médico já no aparecimento dos primeiros sintomas.

Agora, veja como tomar conforme a bula em cada um dos casos (comprimidos ou gotas):

Comprimidos ou cápsulas

De acordo com as indicações da bula, a ingestão dos comprimidos ou cápsulas é sempre por via oral e pode ser feita independente das refeições — porém, se tomada com alimentos pode reduzir o risco de alguns efeitos colaterais, como náuseas.

O horário para administração do medicamento deve ser alinhado com o(a) médico(a) responsável pelo seu tratamento.

Quanto a dose, ela varia conforme o caso da pessoa, considerando que a Fluoxetina pode ser utilizada para o tratamento de diferentes distúrbios: depressão, bulimia, TOC, etc.

De maneira geral, a orientação da bula é que a dose mínima seja de 20mg diárias e a dose máxima seja de 80mg diárias — considerando que doses maiores que essa não foram suficientemente avaliadas.

Gotas

A medicação em gotas também é administrada por via oral, podendo ser tomada independente das refeições — seguindo o horário indicado pelo(a) médico(a) responsável pelo seu tratamento.

De acordo com a bula, o frasco conta-gotas deve ser mantido em posição totalmente vertical para seu uso correto. As gotas do remédio devem ser pingadas em um copo com água e, antes de beber, é preciso misturar bem com uma colher.

Com relação à dose, é importante saber que 1 mililitro (mL) corresponde a 20mg de Fluoxetina. Assim, 20 gotas correspondem aos 20mg da substância — dose mínima diária.

Da mesma forma que o remédio em comprimidos, a dose máxima não deve ultrapassar os 80mg diárias.

Qual é o melhor horário para tomar Fluoxetina?

A bula do Fluoxetina não traz indicação quanto ao horário em que o medicamento deve ser tomado. Sendo assim, siga sempre a orientação do(a) médico(a) e faça observações quanto ao efeito do remédio.

Elas são necessárias porque algumas pessoas podem sentir sonolência com a medicação, de forma que seria melhor tomarem à noite.

Em contrapartida, muitos(as) pacientes se sentem mais ativos e preferem fazer a administração do remédio no período da manhã.

Dessa forma, podem ser necessários ajustes de horário durante o tratamento. Porém, nunca devem ser feitos de forma independente, mas sempre com o acompanhamento e indicação médica.

Além disso, vale destacar que seja qual for o horário escolhido, a medicação deve ser administrada conforme a orientação médica. 

Quando a Fluoxetina começa a fazer efeito?

De acordo com as indicações da bula, a Fluoxetina atinge sua concentração máxima no organismo dentro de 6 a 8 horas após a sua ingestão. Entretanto, para chegar aos efeitos terapêuticos desejados é necessária a administração diária — os efeitos podem ficar evidentes entre 2 e 6 semanas de uso.

Ou seja, para sentir plenamente os efeitos da medicação é necessário aproximadamente 1 mês de uso, podendo variar para mais ou menos de acordo com cada pessoa.

Vale destacar, ainda, que a Fluoxetina é metabolizada no fígado com a norfluoxetina e outros metabólitos (produto do metabolismo de uma determinada molécula ou substância), que são excretados pela urina.

A eliminação da Fluoxetina ocorre entre 4 a 6 dias após a sua ingestão, já seu metabólito ativo pode demorar de 4 a 16 dias para ser completamente excretado.

Quais os efeitos colaterais da Fluoxetina?

Como qualquer substância medicamentosa, a Fluoxetina pode causar efeitos colaterais em pessoas que realizarem o seu uso. Lembrando que é uma questão relativa, pois em alguns casos não há nenhum efeito e em outros manifestam-se mais de um.

Vale destacar que a classe terapêutica da Fluoxetina (inibidores seletivos de recaptura de serotonina) é a que apresenta efeitos colaterais menos intensos.

Apesar disso, as reações adversas podem ocorrer. Nesse sentido, a bula indica as seguintes como muito comuns (ocorrem em mais de 10% dos casos):

  • Diarreia;
  • Náuseas;
  • Fadiga (cansaço), tontura ou diminuição da força muscular;
  • Dor de cabeça;
  • Insônia;
  • Síndrome gripal — incluindo febre, tosse ou dor de garganta;
  • Faringite (inflamação da faringe);
  • Sinusite (inflamação dos seios da face).

Há, ainda, os efeitos colaterais comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos casos):

  • Palpitações (sensação do batimento cardíaco mais rápido que o normal);
  • Visão turva;
  • Boca seca;
  • Dispepsia (indisposição gastrointestinal);
  • Vômitos;
  • Calafrios;
  • Sensação de agitação, nervosismo, inquietação e/ou tensão;
  • Diminuição de peso;
  • Diminuição do apetite;
  • Distúrbio de atenção;
  • Vertigem (falsa sensação de movimentos);
  • Alteração do paladar;
  • Sensação de lentidão de movimentos e raciocínio;
  • Sonolência;
  • Tremores;
  • Sonhos anormais (incluindo pesadelos);
  • Ansiedade;
  • Diminuição ou perda da libido (desejo sexual);
  • Urinar com mais frequência;
  • Distúrbios de ejaculação ou disfunção erétil;
  • Sangramentos ginecológicos; 
  • Suor excessivo;
  • Distúrbios na pele: urticária (erupções da pele com coceira), rubor (vermelhidão da pele) ou apenas coceira;
  • Sensação de calor pelo corpo;
  • Instabilidade emocional.

Fluoxetina dá sono?

Dentre os efeitos colaterais do uso da Fluoxetina, está a sonolência. Então, em alguns casos, a pessoa pode sim sentir mais sono do que o habitual.

Mas, como qualquer efeito colateral, é preciso conversar com o(a) médico(a) para certificar-se que a alteração está realmente relacionada com o uso do medicamento, ou se tem outra causa.

Além disso, a bula aponta a insônia como um efeito colateral muito comum. Sendo assim, alguns pacientes podem ter o efeito contrário: ao invés de sentir sonolência, terem maior dificuldade para dormir.

Fluoxetina engorda ou emagrece?

Algumas reações adversas do uso da Fluoxetina estão associadas a questões do trato intestinal: como vômitos, indisposição gastrointestinal, perda do apetite, etc. 

Por isso, a união desses fatores pode levar a perda de peso em alguns casos. Então, algumas pessoas podem sim emagrecer durante o tratamento com essa substância.

Mas, ao perceber qualquer alteração sem motivo aparente, tanto para o ganho quanto perda de peso, é indispensável procurar um(a) especialista.

Lembrando que, muitas vezes, pessoas que sofrem com transtornos emocionais podem sofrer com alteração de apetite e rotinas de alimentação. Ou seja, comer menos ou mais do que o normal.

Com o início do tratamento, essas alterações podem ser controladas e haver mudança alimentar capaz de interferir no peso.

Pode dirigir tomando Fluoxetina?

A Fluoxetina pode interferir na capacidade de julgamento, pensamento e ação — essenciais para dirigir veículos ou operar máquinas. Então, até que se tenha certeza que o desempenho dessas capacidades não foi afetado, deve-se evitar essas atividades, já que essas práticas não seriam seguras em caso de alterações.

De toda forma, deve-se sempre fazer o acompanhamento médico e seguir as orientações dadas pelo(a) profissional, as quais serão fornecidas com base no seu caso.

Acatar as recomendações da bula e do(a) médico(a) responsável pelo seu caso é fundamental para garantir a segurança e eficácia do tratamento.

Preço: qual o valor médio da Fluoxetina?

A Fluoxetina é o princípio ativo de diferentes medicamentos, em versões genéricas, similares e em sua forma de referência.

Um medicamento referência é aquele originador da fórmula da medicação. Quando é criado, o laboratório desenvolvedor tem direito a um tempo de patente — o que significa que terá exclusividade na comercialização dessa fórmula pelo período de alguns anos.

Passado o tempo de patente, a fórmula é disponibilizada e podem ser criados medicamentos similares e genéricos.

Normalmente, essa diferença de versões altera o preço* do medicamento, além de questões como o tamanho da caixa e disponibilidade na sua região. Então, veja a comparação no caso dos remédios que contêm a Fluoxetina como princípio ativo:

  • Prozac — medicamento de referência, disponível em caixas de 7, 14, 15 e 30 comprimidos. O preço pode variar entre R$60 e R$260;
  • Cloridrato de Fluoxetina Cimed — medicamento genérico. O preço da caixa com 28 cápsulas fica em torno de R$30;
  • Daforin Comprimido — medicamento similar, disponível em caixa com 30 ou 60 comprimidos. O preço pode variar entre R$48 e R$100.

*Preços consultados em abril de 2020. Os valores podem sofrer alteração.


Medicamentos de uso contínuo, como os que contam com a Fluoxetina, precisam de um cuidado ainda maior durante sua administração. Por isso, siga sempre as orientações médicas e realize o acompanhamento necessário, a fim de garantir um tratamento seguro e eficaz.

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